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Projeto “O Repente em Desafio e a Melhor Canção” vai ser lançado

Por Aldaci de França

Viola é um dos símbolos da cultura popular nordestina (Foto: Arquivo/PMM)
Viola é um dos símbolos da cultura popular nordestina (Foto: Arquivo/PMM)

Desde 1978 que habito o solo quente de Mossoró, cidade nordestina de porte médio, sempre efervescente na política, na educação (basta vermos a quantidade de faculdades e universidades que temos aqui), no comércio, na indústria, na cultura, na literatura e na arte, embora o tripé cultura-literatura-arte esteja sempre intrinsecamente ligado. É o que vivo, participo direta e indiretamente, além de defender com unhas e dentes esse lugar – a terra dos Monxorós.

Diante do exposto, mais uma vez nos voltamos à literatura oral cantada e à escrita, fruto de habilidades poéticas para se produzir o repente e o cordel, modalidades culturais da poesia popular nordestina, as quais em determinados aspectos se distanciam, e, noutros, se juntam sem diferenciação qualquer. É o que tem acontecido por décadas e séculos sob a regência da métrica, rima e conteúdo.

Reconhecendo o valor do repente, da canção e do cordel, e percebendo que em Mossoró há um campo fértil para essas modalidades culturais, decidimos por lançar com o apoio do Rotary Clube de Mossoró e dos abnegados pela poesia popular nordestina, mais um projeto de difusão da nossa cultura popular: “O Repente em Desafio e a Melhor Canção”.

Essa iniciativa vai acontecer neste próximo dia 27 de novembro de 2025, uma quinta-feira, às 19h30, na Catamarã, espaço de eventos localizado à rua Duodécimo Rosado com a Manoel João, no Bairro Doze anos, mais precisamente por trás do Colégio Diocesano Santa Luzia (CDSL) e Universidade Católica do RN (UniCatólica).

A proposta é fortalecer mais ainda a nossa Poesia Popular Nordestina em Mossoró, que inegavelmente há 23 anos tem sido contemplada no Mossoró Cidade Junina (MCJ), com o Festival de Repentistas do Nordeste, com espaço em duas noites no grande evento junino, além das cantorias regionais de pés de parede, que acontecem em nossa cidade em diversos bairro e na zona rural.

A creditamos que neste 27 de novembro de 2025, quem gosta e apoia a cultura popular vai estar conosco usufruindo dos mais inspirados repentes de Antônio Lisboa, Raulino Silva, Genaldo Pereira e Aldaci de França, da abertura com as apresentações especias de Guido Alves, Nildo da Pedra Branca, Maurílio Santos, Antônio Domingos e Nilson Silva.

Aldaci de França é Poeta repentista, escritor, cordelista e coordenador dos Festivais de Repentistas do Nordeste no Mossoró Cidade Junina (MCJ)

Repentes memoráveis são um legado da cantoria

Por Aldaci de França

Foto ilustrativa sem identificação de autoria
Foto ilustrativa sem identificação de autoria

Se voltarmos um pouco ao passado e ouvirmos com a devida atenção a cantoria, encontraremos pérolas poéticas surgidas nos mais acalorados improvisos dos nossos repentistas nordestinos.

É evidente que, em um breve artigo não seria possível destacarmos todos os iluminados repentistas do Nordeste e seus respectivos repentes memoráveis. São momentos memoráveis, que proporcionaram alegria e admiração, a tantas plateias que os ouviram pelo interior do nosso semiárido.

De onde vem tanta inspiração? As estrofes em seus desempenhos poéticos muitas vezes eram surpreendentes. Vejamos: certa vez, Severino Lourenço Pinto da Silva, o Pinto do Monteiro, também denominado a “Cascavel do repente”, cantava com um determinado repentista que tentou subjugá-lo em uma  conclusão de estrofe, com o desfecho: “eu sou rico, você pobre, não gosto mais de você.” Pintou retrucou:

“Ainda vejo você

Pedindo esmola no trem,

Ou então num beco estreito

Onde não passa ninguém

E se passar seja um cego

Pedindo esmola também.”

João Batista Bernardo, mais conhecido como João Furiba, marcou gerações com sua poesia irreverente e dentre alguns famosos repentistas de sua época, foi parceiro também do genial repentista Pinto do Monteiro. Com ele desbravou o Nordeste e outras regiões do nosso país, deixando estrofes memoráveis por onde passaram e realizaram grandes cantorias.

Em uma das excussões, onde exibia a arte do repente, a dupla discernia sobre a natureza, se referindo ao gorjeio das aves e seus movimentos no próprio habitat, quando Furiba improvisa os seguintes versos: 

“Admiro o Pica-pau

Pelos galhos do Angico:

Ao dia é tico taco

E a noite é taco tico,

Não sente dor de cabeça

Nem quebra a ponta do bico”.

Onésimo Pereira da Costa, também de saudosa memória, identificado com o nome artístico “Onésimo Maia”, com quem duplei no Projeto Viola na Escola, na década de noventa, onde realizamos mais de duzentas apresentações em escolas públicas estaduais e municipais em Mossoró, numa parceria UERN/Prefeitura, deixou seu nome no cenário da Arte do Repente,

Foi um dos mais brilhantes repentistas do Rio Grande do Norte.

O repentista costumava se apresentar em palanques políticos e tinha uma forte ligação com os Queiroz de Jucurutu. Por vezes foi convidado pelo saudoso deputado estadual Nelson Queiroz, para cantar em reuniões políticas em sua fazenda. Em uma dessas oportunidades se encontrava a cúpula do PMDB, composta pela Governador Aluízio Alves, deputado Federal Henrique Eduardo, senador Geraldo Melo, dentre outros.

No momento, foi sugerido ao poeta improvisar versos com os convidados, como forma de presenteá-los com sua boa cantoria, e, em contrapartida, os anfitriões do deputado Nelson Queiroz, realizavam o pagamento do cachê ao poeta. Todos colaboraram e quando chego a vez do ex-governador Aluízio Alves, Onésimo agradeceu com o repente inesquecível:

“Doutor Aluízio Alves

Agora compareceu;

Foi conferir no meu bolso

O valor que ele me deu…

Aluízio é muito vivo

Pode ter levado o meu”.

São pérolas assim da cantoria nordestina, que devem ficar na memória de muitos.

Aldaci de França é poeta Repentista, escritor, cordelista e coordenador dos Festivais de Repentistas do Nordeste no Mossoró Cidade Junina

Por dever legal e por reconhecimento moral, respeitem os autores

Por Aldaci de França 

Arte ilustrativa do Bloguito
Arte ilustrativa do Bloguito

Diversos cantores que primam ou sempre dão prioridade a um trabalho bem elaborado, ou seja, músicas em que as letra se traduzem em mensagens que falam por nós, externando sentimentos, angústias, paixões, amor, romantismo, injustiça social e conflitos entre as nações, têm recorrido à poesia popular nordestina. Não faltam obras musicando poemas em formas diversas.

Esses cantores/compositores ou só intérpretes, garimpam o que há de melhor na produção poética contextualizado na poesia popular nordestina, para adornarem com músicas e melodias contagiantes, seus poemas irretorquíveis. Com isso, a poética nordestina ganha mais projeção e pode elevar bem mais o  nome e imagem de seus verdadeiros autores. Isso tem ocorrido devido a repercussão positiva de suas obras, gravadas por nomes respeitados da nossa música.

Mas, nem tudo são flores. Existem exceções, ocorrem desrespeitos, alguns ‘esquecimentos’ inaceitáveis.

Algumas obras poéticas gravadas por talentosos intérpretes da música brasileira estão aí, fazendo sucesso, sendo eternizadas: “Triste Partida” de Patativa do Assaré, gravada por Luiz Gonzaga, O Rei do Baião; “Vaca estrela e Boi fubá” dentre outras também do filho do Assaré, musicadas por Fagner; “Difícil Demais” dos Nonatos’, é carro chefe de um dos Cds de Flávio José, e na voz do forrozeiro, essa composição tem sido muito bem  ouvida pelos que se identificam com o romantismo e apreciam o gênero forró. Ele e outros discípulos do maior ícone da música brasileira, o pernambucano de Exu, Luiz Gonzaga, exaltam essa poética nordestina.

Acrescente-se aqui, que Amado Edilson gravou do norte-rio-grandense de Ouro Branco, Sebastião Dias, recentemente falecido, a “súplica dos ecólogos”, que posteriormente Fagner fez ecoar com o título modificado para “Canção da Floresta”. Essa mudança de título ocorreu em comum acordo entre o autor e o cearense de Orós, o que não aconteceu com Amado Edilson, pois, esse teve que reconhecer a autoria do poema musicado de Sebastião Dias e consequentemente pagar um valor em dinheiro ao autor referente ao direito autoral.

O poema em decassílabos “Mulher nova bonita e carinhosa, faz o homem gemer sem sentir dor,” com autoria de Otacílio Batista (in memoriam), poeta repentista e escritor, tem a coautoria do também saudoso poeta repentista José Gonçalves. Esse introduziu a melodia diferenciada ao trabalho, deixando-a pronta à gravação. No entanto, Zé Ramalho lança mão da referida composição e ‘autoriza’ Amelhinha a gravá-la, sem a permissão dos legítimos autores. Essa situação terminou provocando judicialização, tendo o indesejável imbróglio sido resolvido em acordo proposto no campo judicial.

Alceu Valença, uma das expressões da nossa música, também se utiliza da mesma prática, cantando modalidades do gênero coco de embolada, em suas apresentações, deixando transparecer que essas modalidades são de domínio público, mas sem apresentar provas contundentes para tal, enquanto os coquistas (emboladores coco) insistem na tese de que são os legítimos autores das referidas obras.

E assim, a “banda vai passando” e muitos se dando bem nas costas dos magistrais artistas e poetas populares, que produzem pérolas transformadas em músicas de melhor qualidade.

Apesar do exposto, vemos como positiva para os nossos poetas e compositores populares, a boa repercussão dos seus trabalhos gravados pelas grandes referências da música brasileira. O que se faz necessário, e com urgência, é que esses que estão em maiores patamares artísticos e, usufruem do talento alheio, venham a fazer o certo e reto – por dever legal e por reconhecimento moral.

Por favor, respeitem os autores.

Aldaci de França é poeta repentista, escritor, cordelista e coordenador do Festival de Repentista do Nordeste no Mossoró Cidade Junina (MCJ)

Métrica, rima e oração – base para uma boa produção poética

Por Aldaci de França

Reprodução de J. Borges
Reprodução de J. Borges

A cantoria nordestina é uma manifestação da cultura popular, fulgurante na região desde o início do Século XIX e teve o seu ponto de partida na Serra do Teixeira-PB. Por lá, os seus primeiros atores a praticavam em forma de trova medieval (estrofe de quatro versos).

Posteriormente, o paraibano Silvino Pirauá de Lima, repentista, pesquisador e cordelista ofertou o acréscimo de mais dois versos, o que proporcionou o surgimento da sextilha, estrofe de seis versos. Rima-se o segundo verso com o quarto e o sexto; para o primeiro, o terceiro e o quinto, não há necessidade da rima.

Conforme Aurélio e Houaiss (2010), Pirauá criou também o martelo malcriado em dez pés, decassílabos, desafio ainda hoje solicitado nas cantorias de pés-de-parede, principalmente pelos mais veteranos apologistas do repente. Contudo, esses gênero da cultura popular não teria brilho nem estética plausível, sem a sua técnica básica: rima, métrica e oração, critérios fundamentais para uma boa produção poética, concernente à prática da poesia oral cantada pelos cantadores, repentistas e na poesia escrita (cordel e poemas em formatos diversos).

Métrica, rima e oração, em 1946, já eram praticadas pelo repentista Pinto do Monteiro e pela trindade dos Batista: Dimas Lourival e Otácilio, no Teatro Santa Izabel em Recife-PE, na primeira cantoria oficial da Veneza Brasileira, ação promovida pelo escritor e dramaturgo Ariano Suassuna, como ele mesmo disse na Apresentação do Livro dos Repentes, organizado por Jeci Bezerra e Ésio Rafael (1991). Certamente esses poetas seguiram os seus antepassados, nesse aprendizado.

Esse critério é indispensável nos desafios de repentistas por ocasião da realização dos festivais, e, é atentamente observado no julgamento das duplas de repentistas nesses eventos que melhor difundem a cantoria nordestina. E se perguntarmos, qual a justificativa para a implacável exigência de métrica, rima e oração nos eventos de Cantoria?

Indubitavelmente, a resposta convincente passa pela ideia de que toda produção literária, tem a sua técnica própria de narração que melhor adorna esteticamente a obra. Exemplo: o soneto não seria tão interessante, se não fosse composto por dois quartetos (estrofes de quatro versos) e dois tercetos (estrofes de três versos), com os versos rimando entre si, com métrica de dez sílabas, onde o autor procede com fidelidade ao desenvolver a temática escolhida. Entrelaça tudo na construção poética, rima, métrica e oração, regra que deve ser aplicada tanto na poesia improvisada quanto na escrita.

Concluindo, deixo para o leitor um dos sonetos que podem servir de esclarecimento da regra básica da poesia popular nordestina. Assim, conheçamos um dos nossos trabalhos poéticos extraído do livro (VERSOS EM FORMS DIVERSAS, segunda edição, Sarau das Letras, P.49, FRANÇA, Aldaci de.).

Longe de Reclamos

Não tenho um segundo para reclamar
Mas tenho uma vida para ser feliz…
Uma estrada longa para caminhar
E poder chegar onde sempre quis.

Em dificuldades nem quero pensar,
Peço autoestima pra quem se maldiz;
Da dor da ferida, nem quero lembrar
Ou chorar as mágoas dessa cicatriz!

Vou sorrir dizendo a quem me escuta:
“Soldado guerreiro não foge da luta”,
Nem teme arranhões de ponta de espinho!

Porque as batalhas perdidas e ganhas
Que empreendi em tantas campanhas,
Deixaram-me o norte do melhor caminho…

Aldaci de França é poeta, repentista, escritor, cordelista e coordenador dos Festivais de Repentistas do Nordeste no Mossoró Cidade Junina

A ascensão do repente com a força dos seus abnegados

Por Aldaci de França

Ilustração do G1
Ilustração do G1

“Desistir é a saída dos fracos, insistir é a vitória dos fortes…”

A cantoria surgiu no Brasil em meados do século XIX, precisamente na Serra do Teixeira, então distrito de Patos, atualmente município de Teixeira no sertão paraibano, onde também se preserva o gênero, o que não deveria ser diferente. Região é berço para os repentistas Agostinho Nunes da Costa e seus dois filhos, Ungolino do Sabugi e Nicandro.

Foram “os primeiros cantadores que se conhece,” conforme assegura Câmara Cascudo, em sua obra “Vaqueiros e Cantadores”. Ao considerarmos o viés da história, podemos conceber Agostinho Nunes da Costa, como o pai da poesia popular nordestina.

A partir daí, essa manifestação artística de cunho popular, teve sua expansão para o Vale do Pajeú e região no estado do Pernambuco, logo chegando aos vizinhos Paraíba, Rio Grande do Norte e Ceará. Nos demais estados nordestinos, esses eventos culturais têm acontecido com menos frequência, muito embora, o Estado do Piauí tenha presenteado o Nordeste do Brasil com o genial repentista Domingos da Fonseca, patrono da Casa do do Cantador de Fortaleza-CE.

Acrescente-se, que o Piauí tem se destacado com grandes Festivais Repentistas Nordestinos. Ocorrem anualmente em Teresina, fruto de uma idealização do abnegado professor Pedro Ribeiro.

O repente, ponto mais elevado da cantoria, vai ganhando corpo e notoriedade em virtude do empenho de nós poetas e promotores culturais, abnegados pela difusão da arte de cantar improvisando. Buscamos apoio cultural para realizarmos eventos do gênero na maioria das cidades e capitais nordestinas.  É justo afirmarmos que o Sudeste do país e a região central do Brasil tem tido a sua parcela de contribuição para com a difusão do repente.

Muitas cantorias acontecem em São Paulo-SP, em diversos bairros da capital e em algumas cidades paulistas, enquanto que no Rio de Janeiro, a Feira de São Cristóvão, reserva espaço para os repentistas locais e de regiões diversas do nosso país

No Distrito Federal, a Casa do Cantador, através dos seus dirigentes, como os repentistas Chico de Assis, João Santana e outros membro da entidade, promovem um valioso movimento cultural em prol de uma maior propagação do repente, uma vez que esses poetas se reúnem e elaboram propostas de cantorias para escolas e outros espaços culturais.

Em Mossoró, em uma parceria como Sinte e a Unimed, coordenei com o professor Josué Damasceno, o projeto Clube Poesia, idealizado pelo professor Crispiniano Neto, realizando Cantorias na cede do dessa entidade sindical do professorado do RN e no Clube Aceu da Universidade do Estado do RN (UERN), na década de 2000. Nesse ciclo aconteceram 23 cantorias, com repentistas locais e de outros estados.

No ano de 2001,  acatando uma boa ideia do pastor João Leandro, conseguimos inserir na programação do Mossoró Cidade Junina, o primeiro Festival de Repentistas do Nordeste, evento que em 2023 chegou a sua vigésima primeira edição (e estamos atualizando-o para a continuidade neste 2024 e em anos vindouros).

O nosso projeto, é, indubitavelmente, o que há de mais expressivo e legítimo no contexto da cultura popular e de raiz, até que nos provem o contrário. Porém, precisamos de mais visibilidade para que a nossa ação se torne mais abrangente com um alcance maior em quantidade.

Em Natal-RN, os poderes púbicos municipal e estadual, anualmente realizam eventos voltados para a difusão do repente, na Capitania das Artes e em outros espaços apropriados.

O repentista Antônio Lisboa, junto aos também poetas improvisadores Edmilson Ferreira, Rogério Meneses e Luciano Leonel, mobilizam bem o repente com a sua difusão em Recife-PE e região, exemplo seguido pelos repentistas Zé Cardoso e os Irmão Bessas, no Vale do Jaguaribe-CE, e pelo apologista e poeta Orlando Queiroz, na em Fortaleza. Sem esquecermos Iponax Vila Nova, em Campina Grande e região na Paraíba, com o seu brilhante trabalho pela valorização da poesia popular nordestina.

Há de se considerar que a realização dessas ações culturais, acontecem pela incansável luta de nós aguerridos e abnegados do repente, por levarmos aos poderes públicos, projetos bem elaborados para esse fim. É provável que sem a nossa insistência e persistência, esses tantos projetos culturais não tivessem acontecido com tanta frequência.

Não podemos deixar de ser gratos às instituições que se sensibilizam com a nossa causa cultural.

Seguimos em frente.

Aldaci de França é poeta repentista, escritor e coordenador dos Festivais de Repentistas do Nordeste no Mossoró Cidade Junina (MCJ)

O renascimento do Clube da Poesia em Mossoró

Por Aldaci de França

Ilustração do G1
Ilustração do G1

O Clube da Poesia, que tem como principal objetivo difundir a poesia popular nordestina, através do repente e de manifestações culturais afins, como o cordel, a declamação, oficinas e cursos, surgiu na década de 1990, no então restaurante “O Sujeito” (Mossoró). Seu cartão de apresentação foi uma boa cantoria, seguida de outros bons desafios poéticos, com repentistas de Mossoró e Região, e de diversos estados do Nordeste.

Com a mudança de nomenclatura de O Sujeito para “Clube Carcará,” o projeto Idealizado e coordenado pelo poeta Crispniano Neto transferiu-se para o  Clube do Sindicado dos Trabalhadores da Educação do RN (SINTE/RN), e em seguida para o Clube Aceu/Uern. Dessa feita, essa ação cultural passou a ter a minha coordenação em parceria com o professor Josué Damasceno.

Para a realização desses eventos culturais, contamos com o apoio  do próprio Sinte, Universidade do Estado do RN (UERN), além da Unimed Mossoró. Sem esse amparo cultural, provavelmente teríamos tido mais dificuldades para a viabilizarmos o projeto

Sob a nossa coordenação, foram realizados 23 cantorias de grande êxito, com renomados repentistas nordestinos e cantadores bem referenciados regionalmente.

DEPOIS DO INTERVALO de alguns anos com essa ação cultural paralisada, resolvemos tentar a sua revitalização, com o propósito de realizar cantorias de forma itinerante em nossa cidade, objetivando contemplar  admiradores(as) da poesia popular nordestina. Assim, o caminho foi percorrer diversos bairros de Mossoró,  como também acreditando  nas presenças de apologistas do repente de toda a nossa região.

O retorno do Clube da Poesia, se justifica na ausência de um calendário anual de boas cantorias, em Mossoró, onde o interesse maior seja fortalecer a cultura de raiz em nossa cidade. Precisamos destacar a sua valorização com a realização do Festival de Repentistas do Nordeste no Mossoró Cidade Junina (MCJ), por exemplo. E, neste 2023, chegou à XXI edição.

Outros eventos procuram difundir a poesia popular, no entanto, se faz necessária uma maior visibilidade em relação ao repente – que é patrimônio cultural do Brasil desde 2021, caso você não saiba. É referência da identidade da região Nordeste.

Com a pretensão de colocarmos em práticas esse objetivo, neste 06 de outubro de 2023, às 19h, estaremos na rua Juvenal Lamartine, 1676, na residência do poeta Zé Teles, Bairro Santo Antônio, à reabertura do Projeto Clube da Poesia. Vou me apresentar ao lado dos Irmãos Bessas, Antônio Domingos, o próprio Zé Teles e outros convidados.

É hora, ou passa da hora, de recomeçarmos. Então, vamos!

Aldaci de França é professor, poeta repentista, escritor e coordenador do Projeto Clube da Poesia em Mossoró.

Festivais de repentistas também se fortalecem no Cidade Junina

Por Aldaci de França

Festival reuniu artistas populares jovens e de longa atuação (Foto: Walmir Alves)
Festival reuniu artistas populares jovens e de longa atuação (Foto: Walmir Alves)

Na mesma proporção em que se confunde repetidamente o repente com o cordel, nos acresce a responsabilidade em salientar que, entre esses dois formatos da nossa literatura popular, existem semelhanças e grandes diferenças, ou seja, são semelhantes na técnica básica: métrica, rima e conteúdo; e distintos, porque o “cordel” é escrito, lido ou declamado, depois de sua memorização, pelos seus autores e/ou apreciadores com habilidades para tal, enquanto o termo “repente” define bem o profissional da cantoria, em construir momentaneamente estrofes em quaisquer temáticas propostas no ato do desafio poético.

Assim, fica fácil entendermos que todo repentista, quando faz opção para o cordel, não vai encontrar quaisquer dificuldades, o que se explica pela sua habilidade em fazer repentinamente estrofes, nas mais diversas formas poéticas, da poesia popular nordestina, mas nem todo cordelista consegue ser repentista.

Podemos até ser suspeitos, em ter afirmado e continuarmos assegurando, em programas de rádios locais e regionais, como em outros meios de comunicação que levam as informações a confins bem distantes, que “o Festival de Repentistas do Nordeste no Mossoró Cidade Junina (MCJ) 2023, pode ser considerado como o mais qualitativo Projeto Cultural em se tratando de cultura de raiz”.

Diante do exposto, acrescentamos que a nossa preocupação não é mais justificar a qualidade do referido projeto, que coordenamos há 21 anos no Mossoró Cidade Junina, e não há mais dúvidas quanto a isso, pois já provamos e comprovamos a sua significância como cultura popular expressiva e legitimamente nordestina. Os 21 anos de Festivais falam bem por nós.

Não foram anos fáceis para coordenarmos essa ação cultural em Mossoró, mas nunca nos desestimulamos nem pensamos em desistir dos nossos objetivos, e essa nossa determinação nos tem credenciado a aprovação dos nossos projetos, e a prefeitura, por sua vez, a nos contratar.

E aqui somos justos em afirmar que a Prefeitura Municipal de Mossoró tem fomentado melhor financeiramente as nossas atividades como repentistas, nesses anos de 2022/23. Proporcionou-nos melhores cachês, o que nos têm dado condições de contarmos com boa parte do melhor da nossa cantoria, em nível regional e nacional no Mossoró Cidade Junina.

Respeitamos a todos os estilos musicais, a todos os colegas cordelistas, e a tudo que é considerado como cultura de um povo, mas também somos defensores ferrenhos de uma maior difusão do repente como expressão autêntica e legítima da cultura popular.

Somos gratos a gestão atual por valorizar os nossos festivais, e o nosso próximo passo será a continuidade da luta por uma maior visibilidade do nosso evento, no Mossoró Cidade Junina.

No que tange à qualidade da cantoria, sempre que nos for confiada à coordenação dos festivais de repentistas será mantida.

Nós, cantadores, temos a consciência de que o nosso Festival de Repentistas é comparado positivamente aos melhores eventos que vêm acontecendo no Nordeste e em outras Regiões do país.

Aldaci de França é poeta repentista, escritor e coordenador dos Festivais de Repentistas do Nordeste no Mossoró Cidade Junina

Aldaci de França, Antônio Silva e Damião da Silva em Grande Cantoria

Aldaci de França e outros repentistas dia 9 de novembro no AV Restaurante na Praia do CearáVocê da região de Mossoró, Icapuí-CE, Tibau e Grossos no RN, agende-se para o dia 9 de novembro próximo.

No AV Restaurante, Praia do Ceará (Tibau), a partir das 19h,  teremos uma cantoria das boas.

Participação dos repentistas Aldaci de França, Antônio Silva e Damião da Silva.

Vamos!

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