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Minha crônica para viver mais

Por Carlos SantosLápis, ponta de lápis, escrita, escrever, crônica,

Vi em algum lugar do Facebook, uma pergunta instigante. Indagava: “O que você faria se tivesse apenas mais um dia de vida?

Nem hesitei. De chofre, o clique: iria para o computador e escreveria uma crônica. Escrever tem sido minha atividade laboral há quase 30 anos; é-me oxigênio.

Seria meu último sopro de existência. Mesmo assim, comum. Feliz.

Nela agradeceria o tempo que pude ter, o tempo que foi possível ter, o tempo em que fui capaz de converter o ter no ser. Bradaria que venci a luta contra o não-ser.

Diria “obrigado” pela benção de ser humano – carregado de sentimentos, exageradamente intenso, completamente apaixonado.

Atestaria que sou incompleto. Que bom não ser superior! Completo, sim, na graça de poder encarar qualquer pessoa de frente, sem medo de olhar para trás.

Nem pensaria em me despedir. Desnecessário. Sei que continuarei pulsando no coração de quem tem um lugarzinho no peito para me guardar. Se for só tantinho assim e, em poucos, não importa. É o suficiente.

É minha crônica para viver mais.

Carlos Santos é criador e editor do Canal BCS (Blog Carlos Santos), jornalista nacionalmente ignorado e escritor mundialmente desconhecido

*Texto originalmente publicado no dia 1º de Julho de 2012 (veja AQUI), ou seja, há 10 anos e sete meses.

Entusiasmo inspirador contra o medo do fracasso

Na quinta-feira (31) tive uma convivência pessoalmente enriquecedora. Fugaz, mas densa. Compromisso social/trabalho que seria apenas protocolar, transformou-se numa oportunidade de me alimentar com mais substância humana.

Foi uma experiência viva, inesperada e transbordante com o hoteleiro João Sabino.

Sabino tem o entusiasmo necessário ao sucesso (Blog do Jota Belmont)

Atendi a convite do amigo “camaradinha” Caby da Costa Lima. Fui-lhe solicito, apesar de outro compromisso àquela noite.

Vou-me ser mais claro, mesmo usando técnica atrasada do jornalismo, conhecida como “nariz de cera”. São rodeios, digamos. Vamos lá.

Sabino, professor na Universidade do Estado do RN (UERN), virou hoteleiro há mais de 22 anos, um ramo que simplesmente não conhecia. Tinha uma carreira vitoriosa na academia e um consistente escritório de assistência contábil. Pela idade e trajetória, o recomendável seria o “dolce far niente“, que é traduzido como ‘suave indolência ou o doce fazer nada’ pelos italianos.

Assim seria sua aposentadoria.

“Pernas pro ar”, numa linguagem latina, desse lado do Atlântico e abaixo da linha do Equador.

Entretanto, João Sabino fez diferente. “Eu continuo aprendendo”, exclamou à noite de quinta-feira, numa sala do seu Sabino Palace, em Mossoró, em conversa com convidados que atuam na comunicação on line e amigos.

Curvado numa cadeira, diante de interlocutores que o ouviam atentamente, ele revelava com serenidade nas palavras e gestual que continua com apetite pelo que faz. Aquela vontade juvenil, dos iniciantes e apaixonados, depois de tanto tempo fazendo a mesma coisa.

Sobre pessoas que de algum modo o atrapalharam, ele preferiu nem falar. Estão no index do esquecimento, salientou. Nem por isso deixa de acreditar “em pessoas” até hoje e investir nelas.

João é um aprendiz, meticuloso no que faz. “Antenado”, diria a geração “Y”.

Soichiro Honda

Sua rede de hoteis continua sendo uma devoção que une prazer e ofício, tudo movido por aquele mesmo interesse que o fez dar uma guinada de 180 graus em sua vida, há mais de 22 anos. O Sabino Palace é seu mimo, que passa por repaginação, reforma densa e de qualidade que ainda deve durar mais de um ano até alcançar sua plenitude.

“Eu tenho o mesmo entusiasmo hoje”, asseverou. Nem precisaria emitir essa declaração. Salta aos olhos.

Entre os especialistas do universo empresarial e do marketing, certamente João Sabino deveria ser convocado para estudos. É um “case”. Um caso de estudo.

Honda: inabalável

Entre nós ocidentais e, principalmente latinos, o empresário é uma ótima exceção. Diferente do que se testemunha cotidianamente entre os orientais, que enxergam o labor como uma religião e procuram ver tudo bem à frente do seu tempo.

A história de João Sabino, guardada as proporções e outras particularidades, remete-me a Soichiro Honda, criador da marca vitoriosa que leva seu sobrenome e virou uma legenda em duas e quatro rodas.

Esse japonês – que precisa ser conhecido pelas novas gerações – parece representado por Sabino, no seu permanente entusiasmo. A cada decepção, um flash inspirador e a vontade férrea de não parar.

Soichiro sofreu com terremotos, bombardeios, falta de crédito para seus negócios, intempéries econômicas e instabilidade política.

Nada o fez parar.

João Sabino é isso: um pouco de Soichiro.

Inspirador.

Inabalável!

  • Essa é uma singela homenagem que o Canal BCS (Blog Carlos Santos) presta ao empresário João Sabino de Moura, 77, falecido (veja AQUI) em Mossoró nessa última sexta-feira (9). A crônica acima foi postada no dia 3 de fevereiro de 2013 (veja o original AQUI), um domingo, portanto há mais de 8 anos e cinco meses. Sabino é daqueles indivíduos que durante décadas e séculos ainda continuará visível, em face das marcas do bem que proporcionou ao seu lugar e à sua gente.

Admirável João Sabino! Vá em paz!

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Hospital Materno-Infantil precisa dar certo (republicado)

Veja abaixo o que este Blog publicou no dia 12 de março deste ano, às 22h59, poucos dias após o Hospital Materno-Infantil Maria Correia (Hospital da Mulher) ser inaugurado em Mossoró. Apesar do escândalo em torno do empreendimento, eivado de supostas irregularidades, minha opinião continua a mesma.

O tempo ajuda a confirmar o que defendi e defendo, sem passionalidade ou interesse subalterno a partir do próprio título da postagem: “Hospital Materno-Infantil precisa dar certo” (Veja AQUI). Para merecer aplauso, não basta ser eficiente, é fundamental que esteja limpo.

Você pagaria bem mais caro por um serviço que pode ser feito por  preço bem menor e também com qualidade?

Leia, por favor:

Vejo um monte de gente torcendo para que o Hospital Materno-infantil Maria Correira (de Mossoró) dê errado. Ou simplesmente criticando de forma gratuita, sem ter maiores informações.

Riquinhos têm filhos em Natal e Fortaleza, né? Discutamos a fórmula da Oscip (gestão privada para serviço público), mas lutemos por dignidade para nossas mulheres e nossos bebês. Merecem.

Meu partido é Mossoró, meu político favorito é o que se dedica ao bem comum. Torço pelo Potiguar, mas não detesto o Baraúnas. Dignidade, já.

Os hospitais públicos e filantópicos terão agora um espelho ou um paradigma, para comparações. A sociedade começará a fazer avaliações.

Bom demais.