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Grupos de teatro do Nordeste discutem políticas públicas para setor

reunião aconteceu no Hotel Villa Oeste no fim de semana (Foto: divulgação)
reunião aconteceu no Hotel Villa Oeste no fim de semana (Foto: divulgação)

Entre sexta-feira (06) e domingo (08), Mossoró sediou o 5° Encontro da Rede Pavio. O evento aconteceu no Hotel Villa Oeste, com representações de sete estados nordestinos e apoio do Banco do Nordeste Cultural, núcleo mossoroense.

A Pavio é uma rede de articulação política formada por 45 grupos de teatro de ação continuada, que abrange os nove estados do Nordeste. Tem por objetivo avançar na articulação de políticas públicas realmente eficientes para fomento de grupos de teatro de ação continuada, assim como desenvolvimento das propostas de circulação regional desses grupos.

A iniciativa visa fortalecer o pensamento democrático de participação de todos os entes que compõem a federação, para o desenvolvimento das políticas públicas voltadas para o setor teatral.

No domingo, o encontro teve participação do diretor de Artes Cênicas da Fundação Nacional das Artes (FUNARTE), Rui Moreira dos Santos, e os gestores do Banco do Nordeste Cultural de Mossoró Ricardo Pinto e Ítalo Weber.

A Rede Pavio completa neste mês, cinco anos de existência e esse é o terceiro encontro presencial realizado em 2024.

Grupos de vários estados nordestinos participaram das discussões (Foto: divulgação)
Grupos de vários estados nordestinos participaram das discussões (Foto: divulgação)

Rede Pavio

A Rede Pavio se define como coletivo de pesquisa continuada, defensores da linguagem artística teatral, dos direitos sociais e da democracia. 

Os grupos, além da pesquisa, trabalham com formação, criação e difusão teatral, garantindo acesso facilitado ao público de diversas faixas etárias e classes sociais. São agentes de micropolíticas e proponentes de políticas públicas para garantia da democracia e desenvolvimento da sociedade brasileira. 

Conheça mais sobre a Rede Pavio clicando AQUI.

Morre em Natal o mossoroense Ricardo Pinto

Faleceu à madrugada de hoje em Natal, aos 65 anos, Ricardo Pinto.

Ricardo: 65 anos (Foto: Web)

Era o filho primogênito do casal empresário Hugo Pinto (já falecido)-dona Terezinha Pinto.

Tinha câncer no pâncreas.

Sepultamento no Morada da Paz (Emaús-Parnamirim) ocorreu no fim da manhã dessa segunda-feira (20), às 11h, após missa de corpo presente.

Nossa solidariedade à esposa, filhos, irmãos, mãe e demais familiares e amigos.

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Relatos de campanha

Por François Silvestre

A campanha político-eleitoral de 1986 teve como núcleo principal a formação do congresso que exerceria o papel de constituinte.

Participei ativamente da campanha que elegeu Ismael Wanderley, cuja participação naquele parlamento teve o reconhecimento da sociedade, atestado por jornalistas e entidades de representação social.

Relembro a participação de Honório de Medeiros, Ricardo Pinto, Ésio Costa, Inamar Torres, Silvestre Júnior, Dilza Pacheco, Campanholi e muitos outros. Eu e Campanholi cuidávamos dos textos, discursos, entrevistas e emendas à sistematização da nova Constituição.

Há um número incontável de emendas com a iniciativa ou participação ativa de Ismael Wanderley. Vou falar de duas dessas participações. O terço de férias, que hoje parece ter sido pacífico, não foi.

Quando percebemos que um lobby das federações de indústrias e comércio queriam descartar a emenda, Ismael apresenta uma emenda pesada, que dava não um terço de férias, mas um salário completo.

Aí, o bicho pegou. Os lobbystas se assustaram porque a emenda do salário completo estava ganhando espaço e assinaturas. Recuaram e tiveram de engolir o terço da emenda anterior, também de Ismael. Foi uma jogada vitoriosa.

Outra foi o caso Fernando Noronha. Um grupo influente da constituinte decidiu acabar com a autonomia governamental daquele arquipélago. Ismael participou ativamente dessa articulação. Pernambuco e Rio Grande do Norte eram os principais interessados nesse desfecho.

A primeira votação foi relativamente fácil. Fernando de Noronha perdeu a autonomia governamental. A segunda foi batalha. Pernambuco apresentou emenda reivindicando a posse do arquipélago. Ismael apresentou emenda reivindicando a posse para o Rio Grande do Norte.

A grande surpresa foi a votação, mesmo minoritária, que teve o Rio Grande do Norte. Perdemos, mas assustamos Pernambuco. Fernando Lira parabenizou publicamente Ismael pelo trabalho de aliciamento e pela votação surpreendente.

Toda campanha tem espetáculo, num ou noutro sentido. Chegamos para fazer um comício em Governador Dix-Sept Rosado; Ismael, eu, Ricardo Pinto e Silvestre. Ismael era candidato a deputado federal e eu a estadual.

Um vereador da cidade, Pompeu, admirador meu do movimento estudantil me apoiou e estendeu o apoio a Ismael. Era um produtor e comerciante de gesso. Figuraço.

Carro de som, na praça cheia. Não pelo comício, mas por falta de alternativa. Ricardo Pinto fazendo a locução. Aparece um senhor e pede para que deixemos seu filho abrir o comício. “Ele fala como ninguém”. Pompeu discordou, dizendo que era uma manifestação rápida.

Mas eu aceitei e Ismael também. Pompeu balançou a cabeça. Aí Ricardo anuncia a figura. “Vai falar fulano, aqui da terra, dando seu apoio a nossa luta”. O orador era um recém-formado. Com um enorme anel no dedo.

E ele começa. E fala besteiras que nada tinha a ver com eleição. E tome conversa furada, com erros de português e histórias da vida dele.

Ficamos vendo a praça rindo.

Pompeu aproxima-se por trás dele e diz com autoridade: “Fale dos candidatos”. Ele interrompe o que dizia sobre seu primeiro namoro, olha para o céu e continua. “Pois é, vou falar dos canidatos”. Assim mesmo, com “ni”.

Virou-se pra mim e disse: “Aqui desse lado está o canidato…como é mesmo? seu Francimá Silvêra. E desse outro lado está o candidato… se me lembro,  seu Wanderleys Marizes”.

Ismael, perto dele, falou alto: “Ricardo, tome o microfone desse fela da puta”.

A fala de Ismael saiu clara no carro de som. A praça caiu numa gargalhada, virou um espetáculo burlesco. Pompeu dizia: “eu avisei”.

O pai do orador aproximou-se de mim e comentou: “Lá em casa tudim fala bem, mas esse é o qui fala mió”.

Desse tempo pra hoje, a preguiça do tumulto esculpiu-me solitário. Mesmo assim, ainda de longe admiro a multidão.

mais.

François Silvestre é escritor