Arquivo da tag: Roberto Carlos

O calhambeque

Por Odemirton Filho

Roberto Carlos e o seu "Calhambeque" (Foto: reprodução da Web)
Roberto Carlos e o seu “Calhambeque” (Foto: reprodução da Web)

Das lembranças que eu trago na vida, parafraseando Roberto Carlos, uma delas marca profundamente a minha alma: o meu pai cantando a música O calhambeque, do “rei” Roberto. Inúmeras vezes ele cantou essa música, enquanto tomava uns goles de cerveja. Ao violão, quase sempre estava o meu saudoso tio Albeci, da banda Bárbaros; seja em Mossoró, na rua Tiradentes, seja no alpendre da casa de Tibau, eram momentos de pura nostalgia e descontração.

Esses momentos são “de vera” o que importam no decorrer de nossas vidas. Nada como estar ao lado de familiares (alguns, é claro) e amigos queridos. Por isso, tentemos viver de forma leve, apesar dos pesares e das dificuldades cotidianas.

Pois bem, ao cantar O calhambeque, acho que o meu pai viajava ao passado, resgatando tempos idos. Talvez, lembre da sua lambreta, quando passeava pelos arredores do Cine Pax, flertando com as moças da época. Certa vez, um amigo dele me disse que ambos pilotavam as suas lambretas e, às vezes, empinavam o pneu para impressionar os “brotos”.

E logo uma garota fez sinal para eu parar, e no meu calhambeque fez questão de passear, não sei o que pensei, mas eu não acreditei, que o calhambeque, bi-bi, o broto quis andar no calhambeque”.

Ou, quem sabe, ao cantarolar essa e outras músicas, ele lembre das festas no clube Ypiranga, da ACDP, dos festejos de Santa Luzia, da União Caixeiral (onde conheceu a minha mãe e, logo depois, iniciaram o namoro; poucos dias após, casaram-se).

Hoje, somente vez ou outra papai entoa algumas canções. Todavia, quando o escuto cantar, a minha memória afetiva é ativada, o meu tempo de menino/rapaz vem à tona, fazendo-me reviver, sobretudo, as agradáveis e inesquecíveis tardes/noites no alpendre da casa de Tibau.

Quem não traz no coração uma música que faz lembrar bons tempos? Pois então, o Calhambeque fez parte dos dias da minha infância e juventude; dias de um tempo danado de bom.

Odemirton Filho é colaborador do Blog Carlos Santos

Reminiscências…

Por Marcos Araújo

Imagem ilustrativa Freepik
Imagem ilustrativa Freepik

“A minha meta de vida? Apenas gastar o resto da areia da ampulheta, antes que chegue ao fim!” 

Segundo o dito popular, “quem vive de passado é museu”, e confesso que estou nessa condição de “museólogo”. Sou um memorialista, um historiógrafo vivencial. Depois de cinco décadas de existência, meu pensamento se retém mais no passado, sem conseguir expectrar quase nada sobre o futuro. Na ampulheta da vida, vejo que escorreu muito mais areia para a parte de baixo, remanescendo uma pequena porção na parte de cima…

Estou preso nas memórias do ontem, vivendo o hoje, sem pensar muito no amanhã. Outro dia, entre jovens do “Segue-me” (movimento da igreja católica), dei um depoimento do tempo de adolescência, falando sobre a importância da Catedral de Santa Luzia na formação das famílias mossoroenses, na construção dos relacionamentos… Contei aos garotos que muitos dos casais de hoje se conheceram nas paqueras da Praça do Cid, depois da missa da Catedral na noite aos domingos. Foi por ali que dei as minhas primeiras piscadas, depois de girar na praça umas cinco vezes…

Desde sempre tive um pendor para olhar o passado. Fui um “velho” na pele de um adolescente. Sempre convivi e adorava conversar com idosos. Fui amigo de Rafael Negreiros, Cristóvão Frota, Negro Chico do Bar, Chiquinho Germano, Tibério Rosado, Osires Pinheiro, Francisco Revorêdo, Heriberto Bezerra, Antônio Rosado, entre tantos…

Ainda garoto, fui frequentador do Café e Bar Mossoró, tendo conhecido seu Fransquinho e Aurino. Minhas primeiras cervejas foram no bar de Raimundão, na rua Almino Afonso, sob seu olhar de censura à minha falta de recursos. Alcancei ainda o Castelinho, e frequentei algumas festas no clube ACEU. Conheci seu João Pinheiro, do IP, e “roía” por não poder beber whisky e conversar sobre política no seu bar.  Assisti a filmes nos Cines Pax e Cid, comprando bombons nos carrinhos que ficavam em frente.

Testemunhei a abertura do bar de Zé da Volta na Abolição II, proximidades da Usibrás, aonde aos domingos papai e mamãe iam dançar. E também “pastorei” minha irmã Odinha e suas amigas Patrícia, Daniela, Rosimeire e as irmãs Kênia e Kélia Rosado na boate/bar Burburinho, propriedade de Gustavo Rosado. Esperei por elas cochilando dentro de um carro muitas noites, enquanto elas se divertiam e dançavam na Hastafari, uma boate de Samuel Alves, na rua Mário Negócio (em cima da Panificadora 2001).

No período político, panfletei algumas vezes durante a madrugada colocando “santinhos” nas portas das casas, com imagens de Vingt Rosado e Francisco Lobato (pai do meu colega do curso de Direito, Serlan Lobato).  Ao receber o título de eleitor, fui recepcionado à vida eleitoral com a candidatura do Professor Paulo Linhares a Prefeito Municipal.

“Ganhei” minha primeira habilitação do então candidato a vereador Regy Campelo, sob o patrocínio do governador Lavoisier Maia, e posso testemunhar haver assistido, com entusiasmo juvenil, no largo do “Jumbo” (local onde está edificado o Ginásio Pedro Ciarlini), os discursos emocionados de Geraldo Melo (o “tamborete”), Odilon Ribeiro Coutinho e do velho alcaide Dix-Huit Rosado.

Minha predileção musical também denuncia a minha maturidade, e, principalmente, a inaptidão aos ritmos atuais.  Fui incitado a refletir sobre cidadania com Zé Geraldo (“Cidadão”); protestei ao som de Geraldo Vandré (“Pra não dizer que não falei das flores”); fui agitado pela revolta cívica de Renato Russo (“Que País é este?”); vibrei com a personalidade confusa de Belchior (“Paralelas”), e envolvido pela loucura sana de Raul Seixas…

O romantismo e a fossa sempre ressoaram como bálsamo nas canções de Tom Jobim, Vinicius de Morais, Roberto Carlos, Moacyr Franco e Altemar Dutra. A devoção à música americana veio pelos acordes de “My Way” e “New York, New York”, com Frank Sinatra. Ou por “Unforgettable”, de Nat King Cole.

A “mão” da idade pesa nos ombros da minha existência. Resguardo no coração a tristeza de ter assistido a partida de tantos amigos para a eternidade, agradecendo a Deus com fervor pela minha vida, e mais ainda pela dos que ficaram.

Observando bem o ontem, fico genuflexo aos céus pela não contemporaneidade com os jovens de hoje. Não vejo muita graça no divertimento dos adolescentes do presente. Os jogos eletrônicos e as redes sociais como passatempo não superam os jogos de bola nos terreiros com carrascos de pedra de antanho. O passado é história. O hoje é o amanhã de ontem. E o hoje será o ontem de amanhã. Por aqui, conto o passado, sem saber o porvir.

Espero que meus filhos possam reproduzir memórias felizes. A minha meta de vida? Apenas gastar o resto da areia da ampulheta, antes que chegue ao fim!

Marcos Araújo é advogado, escritor e professor da Uern

“Há Quem diga…” (ou, o prazer sádico de produzir boatos)

Por Marcos Araújo

Sérgio Sampaio era um compositor conterrâneo de Roberto Carlos (de Cachoeiro do Itapemirim-ES), conhecido pelo seu temperamento forte e arredio, tendo recebido o apelido no meio musical de “Maldito”, dado ao seu jeito insurreto de oposição a qualquer tipo de disciplina ou ordem social. Embora tivesse um lastro cabedal musical, as gravadoras não lhe davam oportunidade.animação-que-ouvem-e-falam-sobre-boato-desenhos-desenhados-à-mão-as-pessoas-uma-colagem-de-rumores-205636235

Vítima da maledicência permanente dos colegas músicos, revolveu escrever uma canção (“Eu quero é botar o meu bloco na rua”), onde ele relata a sua indiferença à boataria, aludindo o seu desejo apenas de viver. A música ficou famosa após sua apresentação no Festival Internacional da Canção do Rio, em 1972.

Para os que não conhecem a letra, a canção registra a desvalia e o desdém que o cantor era submetido (“Há quem diga que eu não sei de nada, Que eu não sou de nada e não peço desculpas, Que eu não tenho culpa, mas que eu dei bobeira, e que Durango Kid quase me pegou …”). Embora não tenha vencido o festival, a composição virou marchinha e passou a ser executada em muitos carnavais…

                                      Aproveitando o fim da folia momesca e sob os auspícios de Sérgio Sampaio, e tomando por empréstimo esse tempo propício em que se inicia a Quaresma, período no qual somos chamados a uma penitência em relação aos nossos sentidos e vícios humanos, a nós mossoroenses, uma boa sugestão de penitência quaresmal seria a da “língua” (conter a fala).

É que, além do sal, da fruticultura e do calcáreo, um dos nossos produtos mais genuínos nos últimos dias tem sido a fofoca, o boato. Para empregar um termo da moda, as fake News… Não há um só dia, neste abrasivo sol mossoroense, que uma vivalma não queira introduzir um fato negativo (e falso!) sobre um citadino.

Os boatos não são novidades na história da humanidade. Desde a Antiguidade, verdade e mentira se misturaram muitíssimas vezes, e essas realidades falsas influenciaram nosso presente. O grande historiador francês Paul Veyne bem definiu essa fusão entre verdade-mentida histórica em seu ensaio “Os Gregos Acreditavam em Seus Mitos?” (Unesp): “Os homens não encontram a verdade, a constroem, como constroem sua história”.

Alguns exemplos do uso maléfico do boato…

No ano 64 da era cristã, a cidade de Roma foi incendiada. Pelas provas históricas, não há uma autoria determinada. A plebe, aproveitando a alta rejeição do Imperador Nero, difundiu o boato de que o autor teria sido ele. Se não fora ele, teria cometido a aberração bárbara de se deleitar com o fato, compondo uma ode às chamas devoradoras. Como defesa, Nero lançou mão do recurso do contraboato, fazendo circular a notícia de que os cristãos haviam ateado fogo à cidade. E aos coitados dos cristãos, transformados em vítimas expiatórias, foi devotada a fúria da plebe, que esqueceu por um momento a hostilidade em relação ao Imperador.

Um boato mandou Sócrates à morte, acusado de perverter os jovens de Atenas e incitá-los à rebelião. Durante a Idade Média, as guerras religiosas, as inquisições, as cruzadas, eram sustentadas recorrendo-se a relatos exagerados, a milagres, feitiçarias e pilhagens.

A difusão e propagação da mentira encontrou abrigo nos meios de comunicação de cada época. É muito significativa, nesse sentido, uma cena de “Um Estudo em Vermelho”, o primeiro romance de Sherlock Holmes, publicado em 1887, em que o detetive e Watson repassam os diferentes jornais – The Daily Telegraph, Daily News, Standard – e todos contam uma versão falsa do crime que estão investigando, impulsionada por motivos políticos: uns culpam os europeus, outros os estrangeiros, ou os liberais. Nenhum cita uma pista confiável. No momento, os boatos de Mossoró, são replicados com redobrado exagero por um blog regional.

A propaganda falsa e os boatos servem como elementos de guerra. Diz um velho ditado que na guerra, a primeira vítima é a verdade. O mais correto talvez fosse dizer que a verdade é vítima recorrente em qualquer sociedade organizada.

Marc Léopold Bloch, um famoso historiador francês, assassinado pelos nazistas em 1944, sobrevivente da Primeira Guerra Mundial e um vivaz expectador do “teatro de mentiras” montado na guerra em que participou, demonstrou profunda preocupação com a eficácia e a propagação das notícias falsas em uma guerra. Seu pequeno texto de 1921 (Réflexions d’Un Historien Sur les Fausses Nouvelles de la Guerre – “reflexões de um historiador sobre a notícias falsas das guerra”), serviriam muito bem para orientar a sociedade sobre o que estão fazendo neste momento a Rússia e a Ucrânia, na produção de boatos, com seus aliados paralelos (China, de um lado, Estados Unidos do outro…).

Dizia ele nesse texto: “As notícias falsas mobilizaram as massas. As notícias falsas, em todas as suas formas, encheram a vida da humanidade. Como nascem? De que elementos extraem sua substância? Como se propagam e crescem?”

O século XX e o que já vivemos do XXI são a era das mentiras em massa. Três dos grandes conflitos em que os Estados Unidos se meteram neste período começaram com invenções: a guerra de Cuba (1898), com a manipulação dos jornais; a guerra do Vietnã (1955-1975), com o incidente do golfo de Tonkin, e a invasão do Iraque de 2003, com as inexistentes armas de destruição em massa de Saddam Hussein.

As matanças maciças promovidas totalitaristas no Século XX colocaram como biombo histórico notícias falsas. As ditaduras nazista e soviética não só fabricaram falsidades tremendas como também foram capazes de construir outra realidade, em que o verdadeiro e o falso eram elementos acessórios. Enquanto Stálin assassinava e deportava milhões de pessoas, a bondade do socialismo se mantinha como um dogma em grandes setores do Ocidente.

Estamos em vias de uma terceira guerra mundial, de resultados imprevisíveis dado o grau de indigência mental dos atores bélicos envolvidos. Milhões de pessoas estão neste momento passando fome. A falência econômica de nações e empresas, causa da maior onda de desemprego mundial, deveria alarmar ao mais incauto dos viventes. Teremos uma crise internacional por escassez de alimentos; catástrofes ambientais assolam diversas regiões do Brasil e do planeta, comprometendo moradia, a vida, o abastecimento e o consumo de água potável para centenas de milhões de pessoas…

Em que pese a gravosidade deste cenário nacional e mundial (e que nos toca profundamente!), como na canção de Zé Geraldo (“tudo isto acontecendo e eu aqui na praça, dando milho aos pombos”), continuamos imersos diariamente na mais intensa produção da fofoca e da fake News. Mudamos às vezes apenas os personagens e o cenário, mas o enredo e a criação são os mesmos. Transparece ser prazerosa a calúnia. Rossini, na ária “Calúnia”, da ópera “O Barbeiro de Sevilha”, bem escreve esse deleite: “… é uma brisa madrugadora, uma brisa muito suave, que entorpece, sutil, leve, docemente, começa, começa a sussurrar…” – “… è an venticello, un’auretta assai gentile, che insensibile, sottile , leggermente, dolcemente, incomincia, incominicia a susurrar…” – Da ária La Callunnia de II Barbiere di Siviglia de ROSSINI.

Por fim, que esta Quarentena religiosa – chamada Quaresma – sirva de penitência para a contenção da palavra que distorce, estropia e maltrata. Que nossas atitudes e nossas ações criadoras sejam somente voltadas para a disseminação do amor e da paz!

Feliz quaresma a todos nós!

Marcos Araújo é advogado e professor da Uern

Van Gaal mostra novamente o futebol como “metáfora da vida”

Por Carlos Santos

Zapeando canais de TV, minutos antes das cobranças de pênaltis no jogo Holanda 0 x 0 Costa Rica (sábado, 5), deparo-me com o “comentarista” e ex-jogador de futebol Roberto Carlos em mais uma de suas pérolas. Outro disparate. Sobretudo para quem já jogara futebol, era uma estupidez esférica.

 

Krul pula novamente no canto certo e resolve jogo para sua equipe: ousadia e conhecimento (Foto: reprodução do G1)

Ficou abismado porque o treinador da Holanda, o azedo Van Gaal, colocou o terceiro goleiro do seu time – Tim Krul – no lugar de quem jogara toda a partida e prorrogação, o titular Cillesen. Krul entrara “só” para pegar pênaltis, sem o calor do jogo jogado.

Para o ex-jogador, aquilo era um “desrespeito” ao goleiro que atuara toda a Copa do Mundo, o jogo e a prorrogação que terminava em 0 x 0.

Quanta besteira.

Van Gaal, Krul e a história mostraram que o novo comentarista global soltou outra bomba, parecida com aqueles seus chutões, que raramente acertavam o gol adversário.

O goleiro defendeu dois pênaltis e levou a laranja holandesa para a semifinal. Em todas as cobranças, acertou a direção do arremate adversário.

Robeto Carlos sequer teve a palavra retomada para se despedir do público ou comentar o resultado final do que muitos veem como loteria, de forma errônea. Pênalti não é loteria.

Van Gaal e Krul ensinaram ao comentarista, ex-jogador e que se arvora em ser treinador fora do país, que um jogo pode ser decidido pela ousadia e conhecimento.

Deve ser lembrado, que a Holanda fora eliminada nos pênaltis nas Eurocopas de 1992, 1996 e 2000. Lembre-se que também parou nas mãos de Cláudio Taffarel na Copa do Mundo de 1998? Sobravam-lhe maus presságios.

A ciência prova que algumas pessoas tem a capacidade quase “paranormal” de responderem a estímulos externos com maior agilidade que outras.

A reação e simbiose neuromuscular de Krul lhe dão, tudo indica, maior capacidade de percepção quanto ao canto escolhido pelo batedor. Responderia com maior agilidade/velocidade/elasticidade ao toque da bola na direção do gol.

Contabilize-se, ainda, uma estatura de 1,93 metro, envergadura que cresce diante do batedor, além de muito, muito treinamento e estudo quanto aos adversários.

Claramente, o treinador holandês provou que conhece bem seu plantel e tem o domínio da equipe, recheada de jogadores famosos e outros nem tanto.

LOUIS VAN GAAL (Treinador da Holanda, sobre Tim Krul): “Cada jogador tem suas habilidades específicas. Todos nós achamos que o Krul era o melhor goleiro para uma decisão. Vocês devem ter percebido que ele sempre mergulhava para o canto certo. Temos grande orgulho que isso tenha funcionado.”

O próprio goleiro substituído, com cara chorosa, foi o primeiro a saltar para dentro do campo após o resultado vitorioso. Abraçou afetuosamente quem o substituiu.  Antes, recusara um aperto de  mão de Gaal, irritado, sentindo-se humilhado.

No próximo jogo, deverá ser novamente titular.

Num gesto de humildade, é provável que tenha pedido desculpas ao chefe.

Talvez o comentarista, ex-jogador e imberbe treinador Roberto Carlos tenha aprendido a lição que lhe servirá muito adiante.

Desrespeito, em futebol, é tratar adversário como inimigo; cuspir no rosto alheio, dar cotoveladas, entrar com “carrinho” por trás, na ânsia de sequelar o contendor ou tentar fazer um gol usando a “mão boba”.

Da mesma forma que um treinador muitas vezes faz substituição no curso do jogo de alguém de linha, para bater pênalti, por considerá-lo mais preparado,  pode e deve mudar o goleiro por outro com maior potencial neuromuscular e psicológico.

Na vida lá fora, também é assim: às vezes precisamos ser mudados de lugar, de função, de papel, para que o time possa vencer – para ganharmos também.

Não é uma regra infalível, mas quem comanda precisa ser Van Gaal, assumindo risco pela ousadia, mas com base no conhecimento que possui da equipe e o foco no resultado.

Enfim, eis o futebol de novo ensinando. Como costumo dizer, “o futebol é a metáfora da vida”.

Biografias, santos e demônios

O cantor-compositor Roberto Carlos dá um passo atrás na celeuma das biografias. Admite “conversar”, mas avisa que prepara a sua autobiografia.

Deu entrevista exibida ontem à noite ao programa “Fantástico”, da Rede Globo de Televisão.

Enfim, vem aí uma “hagiografia” (biografias de santos, excessivamente elogiosas).

Já imaginou convivermos só com “biografias autorizadas”?

Família de Al Capone o transformaria num benemérito de Chicago dos anos 20.

Veja só: se o jornalista-escritor Lira Neto não tivesse mergulhado de forma densa na vida de Getúlio Vargas, como saberíamos detalhes tão ricos da vida desse personagem controverso que faz parte da história moderna do Brasil?

Mas claro que não estamos livres de biografias “encomendadas” para satanização de quem não pode se defender, contratada por poderosos.

O tema envolve liberdade de expressão e direito à privacidade, interesses econômicos e outros aspectos.

Vai render mais polêmica.