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O despautério da chapa que não virá

“Nascemos todos loucos, alguns continuam”. (Estragon, personagem de ‘Esperando Godot’)

 

A mais nova bobagem da indústria da especulação política no RN é a chamada “chapa dos empresários”.

Querem ‘vender’ a ideia de que nos intramuros políticos se negocia de verdade um chapão com empresários, de cabo a rabo, às eleições 2018 no estado.

Nem vale a pena detalhar ou citar nomes, para não concorrermos com esse despautério.

Os empresários citados têm juízo, não obstante considerável pressão da vaidade. Não venceram no business por acaso.

Na época do império do jornalismo impresso, dir-se-ia que “em papel cabe tudo”.

Imagine hoje com esse latifúndio interminável que é o ciberespaço.

A imaginação fértil dos propagandistas da “salvação” do RN mistura o “realismo fantástico” de Gabriel García Márquez em Cem Anos de Solidão, com o “teatro do absurdo” de Samuel Beckett em Esperando Godot.

Esperem sentados.

Essa chapa não virá.

Aproveitem e leiam Márquez, anotando a complicada genealogia dos Buendia-Iguaran em Macondo, “uma aldeia de vinte casas de barro e taquara, construídas à margem de um rio de águas diáfanas que se precipitavam por um leito de pedras polidas, brancas e enormes como ovos pré-históricos”.

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‘Teatro do Absurdo’ mistura Rosalba com Robinson e “Salomé”

Tem um sentido tragicômico, próprio do “Teatro do Absurdo”, o enredo da suposta retomada de voos comerciais em Mossoró no Aeroporto Dix-sept Rosado. A história não está concluída, mas já produziu disparates que revelam como é fácil manipular a boa-fé de milhares de pessoas com mentiras deslavadas e propaganda fantasiosa.

Seus efeitos colaterais podem ser igualmente catalogados, atingindo em cheio os autores de tanto faz-de-conta. O povo, de novo ludibriado, é um detalhe.

Em janeiro, Rosalba alardeou 'realizações', como o voo "confirmado" (Foto: reprodução)

O governador Robinson Faria (PSD) e a prefeita Rosalba Ciarlini (PSD), cada um com seu aparato de divulgação remunerada e “mídia espontânea”, se digladiaram até bem poucos dias no anúncio de paternidade-maternidade de algo que nunca existiu. Ambos, por desconhecimento de causa, orientação equivocada de auxiliares e boa-fé/ma-fé asseguraram o que não podiam oferecer.

Protagonizaram uma versão “aérea” do que podemos definir como outro estelionato político-administrativo. Os dois saem perdendo. Rosalba, mais ainda, principalmente porque sua gestão não tem qualquer responsabilidade legal sobre gestão do aeroporto e o próprio voo. Tentou tirar proveito do feito alheio e se deu mal.

Oportunismo

Desde 2015, seu primeiro ano de governo, que Robinson havia prometido reativar o aeroporto comercialmente e pulverizou informação de que tudo estaria “certo” com a Azul. Rosalba Ciarlini entra nessa trilha por oportunismo, na ânsia de mostrar serviço no inicio de sua gestão.

No dia 4 de janeiro deste ano, Rosalba é orientada e puxa para seu gabinete no Palácio da Resistência, executivos da Azul Linhas Aéreas (veja AQUI). A audiência foi fabricada às pressas e fora da agenda oficial. A delegação tinha encontro em Mossoró apenas com emissários do governo estadual.

Mas sua Comunicação oficial e não oficial espalhou que entrara nas discussões para “garantir” os voos. Sem ela e a prefeitura, nada prosperaria.

Dependeria dela, Rosalba, o sucesso da operação. Em caso de fracasso, claro que se encontraria algum culpado. O governador, por exemplo.

Sua milícia cibernética caprichou na estratégia de repetir a inverdade em escala industrial, para tentar transformá-la numa verdade irrefutável.

Robinson também apostou na guerra da comunicação, mas perdeu feio em volume e projeção.

Vídeo, “Betinha” e Salomé

O desenrolar dos acontecimentos mostrou que a decisão da prefeita foi precipitada e quixotesca, a transformando num mico ambulante. Poderia ter ficado caladinha em seu canto. Levaram-na à ridicularização pública.

ó do borogodó dessa situação que deveria envergonhar governador e, prefeita, veio mais adiante. O estopim para um duelo midiático, que torpedeou Mossoró e o estado, foi anúncio de que a Azul Linhas Aéreas começaria rota Recife-PE-Mossoró no dia 12 de março (veja AQUI).

A máquina de propaganda rosalbista divulgou vídeo nas redes sociais com diálogo dela com uma interlocutora ao telefone, alcunhada por “Betinha”. Na fala, Rosalba antecipava a ‘sua’ conquista e prometia que em breve a amiga pernambucana estaria voando para Recife. A cena, própria de esquete de programa humorístico de quinta categoria, rendeu vários memes (postagens de humor) na Internet, como um que a remetia ao personagem “Salomé”, do humorista Chico Anysio.

"Salomé" de Chico Anysio foi resgatada (Foto: reprodução)

Com o avanço dos dias e semanas, o certo foi ganhando forma de incerto, improvável e impossível. O próprio governador desembarcou em Mossoró em março, para ser mais realista com os fatos (veja AQUI).

Paralelamente, Rosalba passou a ser retirada da cena do “crime”. Nesse ínterim, a ordem era colocar no local as impressões digitais do contendor, o governador Robinson Faria.

Até hoje, o governador é empurrado para assumir o fracasso. Ele é parcialmente culpado, mas é desonesto creditar a ele toda essa pantomima por pura deslealdade.

O caso parece, por seu lado, típico de assessoramento por incapazes e ansiedade para acertar.

Desse episódio lamentável, os seus protagonistas podem tirar valiosas lições. Uma delas, ensinada pelo gênio político-militar Napoleão Bonaparte em duas assertivas:

– Do sublime ao ridículo, não há nada mais do que um passo.

– Nunca interrompa seu inimigo enquanto este estiver cometendo um erro.

À sociedade, resta-lhe ficar mais atenta e ser menos babaquara com promessas de fancaria de políticos que vivem situações administrativas desgastantes. Eles, com raríssimas exceções, sempre precisam de algum tipo de bandeira para dar demonstração de competência, não importando se a verdade seja a sua primeira vítima. Depois, o povo.

Veja AQUI série de matérias que conta fatos recentes envolvendo a retomada dos voos comerciais em Mossoró.

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Desembargador determina nova mudança de prefeito

Do Blog Panorama Político (Anna Ruth)

O desembargador Amaury Moura Sobrinho determinou à tarde dessa sexta-feira (21) o afastamento de Ney Lopes Júnior (DEM) do cargo de prefeito de Natal.

Segundo o magistrado, o afastamento se dá “por ilegitimidade em sua investidura, do vereador”.

Por conseguinte, ele determina que o vereador Edivan Martins (PV), assuma o cargo de prefeito ou, caso contrário, renuncie ao cargo de presidente da Câmara Municipal de Natal.

Nota do Blog – Pobre Natal!

Terá o quarto prefeito em pouco mais de 40 dias e rumo para o quinto, Carlos Eduardo Alves (PDT), no dia 1º de janeiro.

Já tivemos a afastada Micarla de Sousa (PV), o vice e vereador eleito Paulinho Freire (PP) que assumiu poucos dias e resolveu “picar a mula” e agora o vereador não-reeleito Ney Lopes Júnior.

Situação rocambolesca, própria do “Teatro do Absurdo.”

Em política, quando a cabeça não pensa o povo padece.

Sem fazer oposição, Larissa encena “teatro do absurdo”

Rosalba não apoiará Larissa, nem sofre oposição

Um grande mistério da sucessão mossoroense é saber quando o grupo da deputada estadual Larissa Rosado (PSB) vai começar a fazer oposição ao Governo Rosalba Ciarlini (DEM).

E aí?

Outra vez, o grupo caiu no conto do “enrolation”. Em 1988, já fora o pai de Larissa, então deputado estadual Laíre Rosado (no PMDB), que – esperou em vão – o aval do prefeito e tio Dix-huit Rosado à sua postulação à prefeitura. Ele apoiou Rosalba, que venceu.

Como no célebre texto de Samuel Beckett, “Esperando Godot”, aguarda o improvável apoio do rosalbismo ao projeto de Larissa à Prefeitura de Mossoró.

O que não ocorrerá.

Há incontáveis meses que o Blog antecipa o erro crasso dessa estratégia e a esperteza do rosalbismo, que simplesmente não tem oposição nenhuma em Mossoró. Melhor do que ser presidente de Cuba.

O grupo da deputada Larissa faz oposição apenas ao governo da prefeita de direito Fafá Rosado (DEM), que em breve estará deixando a cadeira executiva. Ou seja, nem a ela fará mais oposição.

Como no enredo do autor irlandês, testemunhamos o “teatro do absurdo” que pode ser fatal às pretensões de Larissa na campanha deste ano à prefeitura.