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O sucesso do Brasil…

Brasil, bandeiraPor François Silvestre

…incomoda Bolsonaro.

O Brasil é um país de poucas admirações internacionais. Mas, há dois sucessos brasileiros que são reconhecidos internacionalmente.

Programa de vacinação nacional, tanto na rede pública quanto na rede privada de saúde, merece aplauso e respeito pelo mundo todo. Unanimidade que nada tem de burrice, tem de orgulho nacional.

Sistema eleitoral brasileiro, após a implantação das urnas eletrônicas, substituindo a forma precária dos votos em papel, que produziam fraudes quase como regra, as famosas bejeiras, substitutas das eleições da República Velha, do bico de pena, é também motivo de respeito internacional.

Será mera coincidência o fato de que Bolsonaro detesta, com todo vigor da sua fúria, exatamente essas duas ferramentas? Claro que não. Bolsonaro não gosta do Brasil, não gosta do povo, não gosta da Democracia. Bolsonaro gosta de Bolsonaro. Só. Pouco se lhe dá os sucessos do Brasil. Porém, entretanto, mas porém, há estupidez pra todos os gostos. A estultice não é privilégio apenas dos imbecis. Há instruídos no meio desse cipoal.

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China atacada – vacinação em risco

Por Ney Lopes

Tenho reafirmado a posição de que a CPI da Covid poderia ter sido adiada a sua instalação, embora considere legal a decisão do Supremo Tribunal Federal (STF) e o cumprimento do acórdão pelo senador Rodrigo Pacheco (DEM-MG).

Justifico invocando outra alternativa que poderia ter sido acolhida pelo STF, com base na sua própria jurisprudência.Negócios-Brasil-e-China-1A Corte acumula entendimento diverso, quando constata a existência de “situações atípicas”, que não anulam a regra de que toda ofensa legal é reprovável. Apenas, define o alcance e os limites dos juízes.

Nos casos anteriores, em que o STF considerou “situações atípicas”, aplicou-se o “juízo de conveniência”, que consiste nos princípios da “proporcionalidade, razoabilidade, conveniência e oportunidade”. Tais critérios ponderam os valores e riscos envolvidos na demanda.

Na realidade atual, a crise sanitária é indiscutivelmente uma “situação atípica”. Desde 1993, a Corte legitimou essa jurisprudência (Adin n° 855-2? PR), ao interpretar o parágrafo 2º, art. 5º, da Constituição, que abrange as partes não-escritas dos direitos e garantias constitucionais.

Tal entendimento se justificaria, por ser público e notório, que a pandemia está em ascensão e a CPI afetará as ações de combate, além de antecipar o debate eleitoral de 2022.

Diante do fato consumado, não há como lamentar o leite derramado.

O que se observa é a transformação da CPI em palco de conflitos e “bate boca”, que podem conspirar para a indispensável credibilidade do relatório final.

Os desvios cometidos envolvem oposição e governo.

Vejamos.

O ministro da Saúde, Marcelo Queiroga, prestou depoimento com humildade, calmo, defendendo pontos de vista médico-sanitários.

Foi acusado de não ter denunciado o presidente Bolsonaro de omisso e criminoso pelo uso indevido da cloroquina

O ministro Queiroga esclareceu várias vezes, que defende todas as medidas sanitárias preventivas. Entretanto, ao ser jogado de encontro a parede, para opinar “sim” ou “não” sobre certas posições (realmente equivocadas) do presidente, ele preferiu não fazer juízo de valor.

O ministro exerceu direito, garantido na lei.

A testemunha não emite opinião. Se o fizer, incorrerá em falso testemunho. A CPI não pode exigir somente respostas, que lhes convenham.

De outro lado, o presidente Bolsonaro não se cansa de dar tiro “no próprio pé”.

Em solenidade no Planalto, insinuou que a China fez guerra química e o vírus foi propagado pelo país.

O presidente diz não ter citado a China. Mas, disse claramente, que seria “aquele país que o PIB cresceu na pandemia”. Ora, esse país obviamente é a China.

A China já reagiu, através do porta-voz Wang Wenbin, que condenou a “politização e estigmatizarão do vírus”.

Enquanto isso, o Butantan está à beira de paralisar a produção da Coronavac, pelo fato de depender da chegada dos insumos chineses, em tempo.

Não se sabe o que irá acontecer, diante do risco de represálias às declarações do presidente.

A única verdade é que a China atacada, a vacinação no Brasil estará em risco.

Nesse quadro complicado, dois auxiliares diretos da Presidência são candidatos a “ataques cardíacos” iminentes,

São eles: o ministro das Relações Exteriores, que não tem como explicar a reincidência de ataques à China.

E o ministro da Saúde, a toda hora sendo desmentido pelos comportamentos do presidente, contrários às cautelas recomendadas e criando atritos desnecessários.

Nesse torvelinho, o risco maior é faltar vacina e a terceira onda chegar.

Deus proteja o Brasil!

Ney Lopes é jornalista, ex-deputado federal e advogado