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“Conversa de Alpendre” estreia nessa quinta-feira

Tony e Pablo na TCM (Foto: divulgação)
Tony e Pablo na TCM (Foto: divulgação)

Do Blog Carol Ribeiro

Pós-eleição 2022 e os próximos dois anos são o tema do Conversa de Alpendre 2023. Um dos programas de Verão da TV Cabo Mossoró (TCM Telecom), irá ao ar todas as quintas-feiras de janeiro, às 20h15.

Tendo a política mossoroense e regional como fio, a produção semanal passeará por outros assuntos, como a história de vida dos convidados, história na política e o que os trouxe até o contexto atual.

O programa de estreia terá os vereadores Pablo Aires (PSB) e Tony Fernandes (SDD), nesta quinta (5).

Demais edições terão ainda como convidados o prefeito Allyson Bezerra (SDD), o presidente da Câmara Lawrence Amorim (SDD), Sandra e Larissa Rosado (União) e a deputada estadual Isolda Dantas (PT).

O Conversa pode ser acompanhado pelo Canal 10 da TCM, no Portal TCM ou no app TCM Play.

A reprise acontecerá nos domingos, às 13h.

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Morros de areias coloridas

Por Odemirton Filho

Tibau não é somente uma praia. É muito mais. É, para mim, e certamente para outros, a inocência da infância, os arroubos da juventude e a maturidade da vida adulta.

É passado, presente e desejo de futuro.

Em tempos de outrora, era-me comum ir aos morros de areias coloridas brincar no famoso “labirinto”, no qual a infância não encontrava medo.A “guerra” com pedras de areia entre os amigos e primos era a diversão. Um verdadeiro salve-se quem puder, pois a pontaria poderia acertar qualquer parte do corpo.

Cadê o morro? O labirinto?

Foram destruídos para dar lugar a modernidade atual.

Cedinho ou à tardinha, as jangadas com suas velas brancas traziam peixes aos montes, em um espetáculo que somente a natureza pode nos ofertar.

As ruas eram sem calçamento, onde andávamos a esmo, descalços, sem nenhum compromisso com a formalidade, com os pés sujos do barro vermelho das ruas.

Éramos crianças livres.

Armar redes e dormir à noite nos alpendres das casas, sem medo da violência, já que violência só conhecíamos nos filmes.

Nada de ficar grudado com o rosto na tela de um aparelho celular. À época se tinha, no centro da cidade, um posto telefônico, no qual, somente se necessário, faziam-se ligações.

Dia sim, outro também, faltava energia. E na escuridão da noite as histórias de assombração faziam com que as crianças ficassem quietas.

Pela manhã ir à praia. O almoço poderia ser servido a qualquer hora. À tarde esperar o “grude” para sorver um café. À noite, o jantar com os pais que passavam o dia em Mossoró, trabalhando.

Mas, e os morros das areias coloridas?

Estão, sem dúvida, preservados no melhor recanto das saudades.

Odemirton Filho é bacharel em Direito e oficia de Justiça

A pedra do chapéu

Por Odemirton Filho

A chamada “Questão de Grossos” foi uma disputa judicial entre os estados-membros do Rio Grande do Norte e do Ceará pelos limites territoriais, que hoje, contemplam os municípios de Tibau e Grossos.

Sobre o tema, ensina-nos o historiador Geraldo Maia:

(…) “No século XVIII, a economia do Rio Grande do Norte tinha por base apenas a agricultura e a indústria pastoril. O Oeste potiguar, principalmente Mossoró, era grande fornecedor de gado para a Província de Pernambuco, tanto gado de corte como de tração para os engenhos. A boiada era tangida com grande dificuldade, chegando sempre ao seu destino menor e mais magra, o que causava prejuízos para os fazendeiros. Para evitar essas perdas, resolveram que ao invés de fornecer gado vivo, passariam a charquear a carne, como já era feito no Ceará, pois dessa forma a carne podia ser enviada para grandes distâncias sem prejuízo da qualidade. Assim foram instaladas oficinas de charqueamento em Mossoró e Açu”.E continua:

“A medida causou, no entanto, descontentamento tanto da parte do Ceará quanto de Pernambuco. Os cearenses não gostaram da concorrência das charqueadas mossoroenses e os pernambucanos reclamavam da falta de boi para tração dos engenhos.  Medidas foram tomadas para acabar com as charqueadas do Rio Grande do Norte, inclusive fechando os portos de Açu e de Mossoró. As carnes secas só poderiam ser fabricadas no Ceará, conforme determinações reais. Mas para charquear a carne, o Ceará precisava do sal que era produzido no Rio Grande do Norte. A Câmara de Aracati sugeriu então estender seus limites, penetrando em território potiguar” (…).

Da disputa judicial, que teve Rui Barbosa em defesa do RN, esse saiu vencedor, ficando a área que, atualmente, são as cidades de Tibau e Grossos sob os seus domínios territoriais.

Em Tibau a pedra do chapéu delimita o território entre os dois estados. Em um lado está a praia que pertence ao Ceará e, do outro, a praia sob o domínio potiguar.

A praia de Tibau, sem dúvida, é sinônimo de beleza. A pedra do chapéu adorna, ainda mais, a singular paisagem que a caracteriza.

Caminhar na areia da praia é sentir a natureza. Vislumbrar a imensidão do oceano é descortinar um horizonte que resgatam lembranças e vicejam sonhos. Mergulhar em suas águas é a certeza de emergir com a alma renovada.

Em Tibau o passado e o presente se encontram. A infância encontrava na pedra do chapéu e nos morros de areias coloridas os seus momentos mais doces.

Era comum, quando a maré estava alta, atravessar de um lado ao outro, arriscando-se, já que a pedra do chapéu é banhada por fortes ondas, que nela quebram. Não havia preocupação em escorregar e cair. A infância, como sabemos, não conhece o medo.

Na juventude, percorrer os vários quilômetros da praia em um buggy ou motocicleta era a “ostentação” à época. As paquera e namoro tinham o cenário perfeito.

À tarde caminhar na praia, sem compromisso. Esperava-se à noite, na qual a adolescência, por vezes, não encontrava limites.

O tempo passa. As lembranças insistem em assaltar a alma.

A divisão territorial é típica de uma Federação. Porém, não importa a quem pertença o lugar, a pedra do chapéu continua a embelezar a praia, imponente, em uma escultura que somente a natureza sabe talhar.

Por fim, como sabemos, o passado sempre visita o presente na vã tentativa de reviver.

Esqueçamos o pretérito imperfeito. Resgatemos do passado, somente, os melhores momentos.

Que 2019, caro leitor, seja um ano que nos traga, no futuro, saudosas lembranças.

Odemirton Filho é bacharel em Direito e oficial de Justiça

As escadarias de Zé Félix

Por Odemirton Filho

O veraneio em Tibau se aproxima. Lembranças daquele tempo. A nossa infância e juventude são marcadas por momentos, alegres e tristes, pitorescos, que afloram na nossa mente. É o passado que sempre assalta o presente, na vã tentativa de resgatá-lo.

Na infância, as ruas não eram pavimentadas, pisávamos na areia, descalços, sem compromisso de formalidade ou de vestimenta adequada. Livres, leves e soltos, como se diz. As moças não tinham no rosto as maquiagens, eram simples, também bonitas. Os rapazes sem cultuar os músculos ou seus corpos. Somente éramos.

Pela manhã, íamos à praia sob um sol escaldante, ficávamos horas a fio, sem medo do bronze. O picolé barato, de morango, derretia em nossas mãos. À tarde, no alpendre das casas, esperávamos o “gelé” e o grude, que logo passavam, regado a café.

No fim da tarde o morro de areias coloridas era o nosso parque de diversões. Com amigos e primos brincávamos, atirando pedra de areia uns nos outros. Era o labirinto. Nos escondíamos e voltávamos sujos, mas alegres.

Na adolescência eram as festas no Creda, clube do português Patrício, no qual as paqueras e namoros se desenhavam, sem compromisso. Brigas? Quase não existiam, um ou outro amigo mais afoito, que logo conseguíamos acalmar.

Mas, eram nas escadarias de Zé Félix que tudo acontecia. Paqueras, conversas, bebedeiras.

O vai e vem dos carros na rua principal era, como se diz, o “point” da galera. A juventude se encontrava e marcava para depois tomarem outro rumo. Todos estavam ali. O comerciante, no seu jeito de atender os clientes, era respeitado. Não se ousava desafiá-lo.

Hoje, o ponto de encontro mudou, é na entrada da cidade. Paredões de som disputam entre si, na tentativa de impressionar. O medo e a insegurança, marca atual do RN, pairam sobre cada um.

Os alpendres já não são seguros. O grude e o “gelé” quase não se encontram. A escadaria de Zé Félix está silenciosa. O Labirinto foi destruído pelo  crescimento da cidade. O Creda já não promove suas memoráveis festas. Do álibi se extrai pouco som.

Ressalte-se, por fim, que não são críticas à realidade atual. São lembranças. Cada época tem a sua magia e suas saudades.

Em cada recorte da vida temos momentos que nos marcam.  A vida são saudades.

Que venha o próximo ano! Traga-nos paz.

Odemirton Filho é professor e oficial de Justiça