Escolas fecham temendo violência, diz professor

A violência urbana em Mossoró está aterrorizando  o cidadão comum e até os abastados. Ninguém está imune.

Mesmo que as autoridades públicas procurem escamotear a verdade, o “enrolation” não se sustenta.

– Semana passada, duas escolas do Alto São Manoel tiveram que fechar as portas por causa de um toque de recolher, que circulava nas redes sociais – comenta o professor Rômulo Arnaud em seu endereço no Facebook.

Hoje, uma escola amanheceu depredada na mesma região da cidade (veja postagem mais abaixo), no Conjunto Walfredo Gurgel.

O simples hábito de prosearmos à calçada, uma tradição ancestral, passou a ser algo perigoso.

Escola estadual é depredada em Mossoró

Notícia muito triste na manhã de hoje em Mossoró. A Escola Estadual Duarte Filho (Conjunto Walfredo Gurgel) amanheceu depredada.

Um crime hediondo.

As primeiras aulas da manhã foram canceladas. Direção e equipe de apoio da instituição removem entulhos, arrumam o que é possível, para que possam dar sequência à programação de aulas mais adiante – ainda hoje.

Quadro de insegurança se agrava.

O cidadão comum é vítima, o bacana é vítima, os bens públicos também.

Cada um por si e Deus por todos.

E ainda temos que aguentar muito “enrolation” de discursos, entrevistas e propaganda enganosa.

P.S (10h20 de 05 de novembro de 2012) – Uma fonte – que preferiu não se identificar – da Escola Duarte Filho esclarece que esse equipamento público é da esfera municipal e não estadual. Mas confirma as demais e essenciais notícias desta postagem.

Há poucos minutos, também conversei com dois professores da própria escola, que ratificaram o que é noticiado e acrescentaram maiores detalhes: o clima é de insegurança. O medo é uma companhia constante na atividade desses profissionais.

Governo evita divulgar auditoria especial

Do Tribuna do Norte

Em paralelo ao relatório da Secretaria Estadual de Saúde Pública (SESAP), um outro documento acerca do contrato do Governo do Estado para fazer funcionar o Hospital da Mulher (Hospital Materno-Infantil Parteira Maria Correia) ainda não veio a público.

A governadora Rosalba Ciarlini (DEM) determinou no dia 28 de junho, logo após a “Operação Assepsia”, que colocou suspeitas sobre a atuação da Associação Marca no Estado, a realização de uma auditoria extraordinária.

A Controladoria Geral do Estado (CGE) ficou a cargo de concluir a apuração em 30 dias. Desde então, o assunto foi esquecido e o relatório não foi publicizado.

Uma comissão do Governo do Estado será enviada na próxima semana para averiguar in loco a situação do Hospital da Mulher.

“Eu como ordenador de despesas não posso autorizar nenhum pagamento enquanto houver dúvida. Se houver despesas a mais, não iremos pagar”, disse o secretário de Saúde, médico Isaú Gerino.

Como o restante do pagamento para a Marca é uma parcela de R4 2,59 milhões, e os gastos indevidos já identificados são de R$ 3,16 milhões, o simples bloqueio não seria suficiente para ressarcir o suposto pagamento irregular.

Nota do Blog – Esta página já publicou várias postagens perguntando o destino do relatório da “auditoria especial”. O trabalho tinha que ser entregue em 30 dias.

Foi concluído, mas não foi apresentado à sociedade, sobretudo devido a campanha eleitoral deste ano.

Paralelamente, o Ministério Público apura o caso. Esse órgão, desde o princípio do contrato firmado com a Associação Marca que apresentou denúncia de irregularidade e pode trazer à tona mais novidades nocivas ao erário.

Será que no relatório da auditoria especial consta dados sobre plantões e pagamentos a serviços ao Hospital Regional Tarcísio Maia (HRTM)?

Só para lembrar: o novo titular da Controladoria Geral é o ex-secretário chefe do Gabinete Civil e da pasta de Administração e Recursos Humanos, José Anselmo de Carvalho Júnior (veja postagem mais abaixo), que alugou um imóvel à Associação Marca “sem saber”.

Sinistro, muito sinistro…

Veja demais matérias sobre o assunto em postagens mais abaixo.

Secretário aluga casa à entidade suspeita “sem saber”

Do Tribuna do Norte

Anselmo: fidelidade canina

Ao instalar em Mossoró a máquina necessária para gerir o Hospital da Mulher (Hospital Materno-Infantil Parteira Maria Correia), a Associação Marca precisou alugar um local para utilizar como sede administrativa.

Acompanhe mais notícias por nosso Twitter AQUI.

Localizada a apenas dois quarteirões do hospital, a casa escolhida é de propriedade do ex-secretário do Gabinete Civil do Governo do Estado, e atual controlador-geral, Anselmo Carvalho.

Confrontado com a informação, Anselmo disse que o contrato de aluguel não se repetirá durante a gestão do Inase (nova entidade contratada para terceirização do hospital), que desde a última segunda-feira administra a unidade.

Aluguel

A casa em questão, localizada na rua Raimundo Leão de Moura, número 21, tem 115 metros quadrados de área construída e 360 metros quadrados. De acordo com o que o próprio Anselmo Carvalho declarou à reportagem, o valor do aluguel era de R$ 2,5 mil mensais.

A propriedade está em nome do controlador-geral do Estado e da sua esposa, Jailma Gomes de Souza Carvalho.

Anselmo disse também que as tratativas para fechar o contrato de aluguel foram feitas pelo seu irmão e por uma imobiliária. O controlador disse que, à época do aluguel, não tinha conhecimento que seria a sede administrativa da Associação Marca em Mossoró.

Nota do Blog – Anselmo desembarcou no Governo do Estado como secretário de Administração e Recursos Humanos, depois foi deslocado para o Gabinete Civil e à semana passado foi aboletado na Controladoria-Geral.

Antes já servira à governadora Rosalba Ciarlini (DEM) na Prefeitura de Mossoró, em gestões da própria Rosalba e da atual prefeita de direito, Fátima Rosado (DEM), a “Fafá”, em postos como Procuradoria-Geral e Planejamento.

É de uma fidelidade canina aos seus líderes políticos.

Hospital da Mulher tem folha suspeita e serviços reduzidos

Do Tribuna do Norte

A auditoria da Secretaria Estadual da Saúde Pública do Estado (SESAP) identificou outras situações de irregularidades no Hospital da Mulher de Mossoró (Hospital Materno-Infantil Parteira Maria Correia) que chamam a atenção.

Há uma contradição entre o custo da folha de pessoal do Hospital da Mulher e os repasses para a empresa Salute Sociale, que era responsável pelo fornecimento e gestão de recursos humanos da unidade de saúde.

Enquanto a folha custava em torno de R$ 325 mil por mês, os repasses para a Salute Sociale nos quatro meses de contrato sob análise da auditoria foram de R$ 2,4 milhões, todos eles em abril deste ano.

Uma operação matemática simples demonstra que a folha de pessoal custou de fato nesse período R$ 1,3 milhão, o que significa R$ 1,1 milhão a mais de repasse nos quatro primeiros meses de contrato. “Concluímos a existência de uma disparidade entre os valores transferidos para custeio da folha de pagamento”, diz o relatório preliminar de auditoria.

Rapinagem

Esse dado tem como complemento uma análise acerca da projeção feita da demanda de pessoal e de atendimentos.

O orçamento de gasto com pessoal presente no estudo para implantação do Hospital da Mulher é de R$ 890 mil para 363 funcionários. Como já foi demonstrado, o gasto mensal de fato é menor que a metade do orçado, em torno de R$ 325 mil.

Fontes da Secretaria Estadual de Saúde informam que o número de funcionários do Hospital da Mulher nunca chegou aos 363 presentes no planejamento. Além disso, a demanda da unidade de saúde não acompanhou o planejamento do Governo do Estado.

A previsão mensal presente em documento assinado pelo secretário de saúde à época, Domício Arruda, era de 370 partos por mês.

Contudo, em março e abril foram realizados 91 e 130 partos respectivamente.

Veja a seguir:

– Auxiliar de governadora aluga imóvel para empresa gestora de hospital;
– Relatório de auditoria especial não é apresentado.

Hospital da Mulher tem desvio de mais de R$ 3 milhões

Do Tribuna do Norte

Disparidades nos valores repassados pelo Governo do Estado e as despesas reais das empresas que administravam o Hospital da Mulher, em Mossoró, apontam para a possibilidade do erário ter sido fraudado em mais de R$ 3 milhões nos quatro primeiros meses deste ano.

Os indícios de irregularidades estão apontados em um relatório preliminar produzido por técnicos da Secretaria Estadual de Saúde, ao qual a TRIBUNA DO NORTE teve acesso.

A administração do Hospital da Mulher foi terceirizada pelo Governo do Estado à Associação Marca, a mesma organização social alvo da Operação Assepsia que apontou fraudes em contratos similares com a Prefeitura do Natal.

O contrato do Governo do Estado com a Associação Marca para gerir o Hospital da Mulher foi encerrado na última segunda-feira, mas a auditoria na prestação de serviço realizada pela Organização Social não acabou.

No último semana de outubro, o secretário estadual de Saúde, Isaú Gerino, recebeu um relatório produzido pelos próprios técnicos da secretaria de saúde onde se aponta gastos indevidos de R$ 3,160 milhões nos quatro primeiros meses do contrato (março a junho). A auditoria preliminar tomou como base as prestações de contas enviadas pela Marca ao Governo do Estado.

Por conta das supostas irregularidades, os técnicos da Sesap recomendaram a suspensão do último pagamento restante para a Organização Social, referente ao último mês de prestação de serviço.

Esse pagamento é da ordem de R$ 2,59 milhões. Segundo o relatório, o pagamento deve ser suspenso “diante das graves irregularidades detectadas preliminarmente, bem como diante da relação custo-benefício dos serviços prestados pela Entidade Social, que fere frontalmente o princípio da economicidade que deve ser perseguido pela Administração Pública, e que a nosso ver em caráter preliminar está causando fortes prejuízos ao Erário Estadual”.

Os gastos “indevidos” têm relação com três situações consideradas irregulares pelos técnicos da Secretaria de Saúde. A primeira delas diz respeito às despesas contraídas de forma antecipada pela Associação Marca, antes da formalização do contrato.

A Tribuna do Norte noticiou há três meses a existência dessas despesas.

Contratos

O relatório coloca a existência de R$ 758 mil de gastos antes de haver contrato com a Associação. Outro ponto citado pela auditoria foi a inclusão de guias de depósitos judiciais de processos trabalhistas do Rio de Janeiro. Foram quatro pagamentos, que totalizaram R$ 280 mil.

Os técnicos estranharam a existência de pagamentos referentes a processos judiciais de fora do Rio Grande do Norte.

O último ponto apontado pela auditoria é relativo ao pagamento do fundo de garantia dos funcionários da empresa Salute Sociale, que era “quarteirizada” pela Marca para fornecer mão de obra para o Hospital da Mulher.

Na prestação de contas, segundo o relatório preliminar da auditoria, foi incluído o pagamento de todos os funcionários da empresa, que tem contrato em várias cidades do Brasil. Por conta dessa inclusão, o valor incluído na prestação de contas é significativamente superior ao devido pelo Estado.

Saiba mais adiante:

– Folha de pessoal de Hospital tem valor “estourado”;
– Auxiliar de governadora aluga imóvel para empresa gestora de hospital;
– Relatório de auditoria especial não é apresentado.

Só Pra Contrariar

Mais percalços com “Sal Grosso”

Ouvido ao chão como bons índios Sioux, Navajo, Cherokee, Apache e Comanche.

A célebre “Operação Sal Grosso” – que eclodiu em 2007 em Mossoró, gerando as primeiras condenações pela Justiça este ano (veja AQUI), logo estará com novidades.

Teremos mais desdobramentos e percalços para alguns personagens.

Decifra-me ou te devoro.

A triste partida do “matuto” Alcino Costa

Alcino: "matuto" dos bons

Já faz algum tempo, porém continua inesquecível: atravessar esse sertão de meu Deus e arranchar na divisa do Pernambuco, onde haveria o “Cariri Cangaço” de 2010.

Está tudo muito vivo. Não me sai da memória.

Entretanto, ao final desta semana, uma notícia triste. Um fato que de imediato me transporta de novo para o Cariri cearense.

Morreu Alcino Alves Costa (1940-2012).

Esse pesquisador/escritor bom de prosa e, amante das coisas sertanejas, faleceu na última quinta-feira (1º).

Auto-intitulava-se um “Matuto de Poço Redondo” – município de Sergipe.

Era uma pessoa muito extrovertida e querida. Eu e o amigo Honório de Medeiros, que saímos cá do Rio Grande do Norte para o eixo Crato-Juazeiro do Norte, consumimos horas o ouvindo.

Deixa saudades.

Em mim, boas lembranças.

Que descanse em paz!

A política e a lenda de Diógenes, “o cínico”

Por Honório de Medeiros

“Aqueles que atravessaram
de olhos retos, para o outro reino da
morte
nos recordam – se o fazem – não como
violentas
almas danadas, mas apenas
como os homens ocos
os homens empalhados”.
Os Homens Ocos” (Thomas S. Elliot)

Li, certa vez, há muito tempo, a lenda de Diógenes, O Cínico.

Refiz imprecisamente, claro, na imaginação, a cena: ao ver Diógenes uma criança se dessedentar na margem de um riacho utilizando o côncavo da mão, desfez-se de sua caneca e, a partir de então, somente passou a ter, de seu, o manto com o qual ocultava sua nudez e o tonel onde dormia. A caneca era desnecessária.

Acreditava Diógenes que em nada possuindo, seria um homem livre. E o era, em certo sentido. Há muito de Diógenes na ira de Proudhon ao dizer “toda a propriedade é um roubo!”

Instado por Alexandre, O Grande, seu admirador, a lhe dizer o quê desejava, Diógenes respondeu de pronto pedindo que não fosse obstruída a passagem do sol com o qual se banhava.

Heroicos tempos, aqueles, nos quais homens como Empédocles preferiam descobrir uma só lei causal a governarem o mundo; assim era Atenas, a Hélade, berço da civilização ocidental, aurora da democracia cuja essência repousa no conceito ético de “homem público virtuoso”.

Qual a ligação existente entre a ingênua concepção de mundo de Diógenes e esse homem público virtuoso cujo perfil Péricles tão bem delineou em sua célebre “Oração aos Mortos de Maratona?”

Entre outras uma dicotomia aparente: a virtude privada, de um lado, e, do outro, a virtude pública.

Para Diógenes, o homem somente se realizava através do rompimento com os grilhões que a vida em sociedade impõe; para Péricles, o homem somente se realizaria na medida em que esses grilhões, ou seja, as leis, os costumes, a moral, estabelecidos voluntariamente a partir de uma cultura comum, transformassem o homem em “cidadão”, e em o transformando, concretizassem um ideal de sociedade virtuosa. Ou seja, esse “cidadão” deveria ter altruísmo social, subordinando sua ambição pessoal ao projeto de construção de uma sociedade democrática tal qual a delineada pela “Paidéia” ateniense.

Hoje, ao observarmos o cenário político no qual vivemos, não podemos deixar de nos lastimar. Os políticos pouco ou nada fazem para ocultar a ambição pessoal que origina suas ações políticas, e suas aparições públicas são de um ridículo atroz.

Pior: as agressões pessoais, a lavagem de roupa suja em público, a indigência oratória, a ignorância generalizada, o cinismo deslavado, atingem os eleitores e permitem a continuidade de um processo eleitoral que lembra, a todo instante, para os observadores mais avisados, quão atrasados estamos…

São tais políticos os homens ocos aos quais se refere Elliot. Em ambientes políticos como o que vivemos, florescem as mais exóticas e nocivas plantas.

Trata-se, segundo os cientistas políticos herdeiros do liberalismo, do ônus da democracia. E, assim, por sermos democratas, somos obrigados a conviver com alpinistas sociais, corruptos, mentirosos, hipócritas, arrivistas, aventureiros, e assim por diante.

O homem comum, por não entender a complexidade das forças que dispõem acerca de tal estado de coisas, passa a ansiar pela concretização de fantasias esdrúxulas: alguém que lhe traga ordem, segurança, que restabeleça o “status quo” anterior, o passado mítico…

Torna-se, assim, presa fácil de messiânicos, manipuladores, ilusionistas. Como aconteceu na eleição de Fernando Collor de Mello. Na de Jânio Quadros. Como pode acontecer novamente se nossas instituições continuarem frágeis como o são.

Como pode acontecer novamente se não forem realizadas as reformas econômicas, políticas e sociais das quais tanto necessitamos, e o Brasil se enrodilhe, mais uma vez, na teia de interesses escusos que a ambição de alguns, neste presente momento, com certeza, está tecendo para nossa angústia.

E, em se enrodilhando, em se alienando nessas armadilhas todas, ao longo do tempo amplie, na Sociedade, um sentimento funesto de desencanto com a democracia. Argumentos contra a Democracia não faltam. Sempre existiram, existirão sempre. Inteligentes, sutis, perigosos…

Não faz muito tempo que Jorge Luis Borges a chamou de mera “ficção estatística”.

Argumentos como esses, em ambiente construído e manipulado pelo capitalismo selvagem, no qual a ótica do lucro se impõe à ética do altruísmo social, são apropriados para aventuras tais como censura à imprensa, desprezo às leis e juízes, aplicação do “olho por olho, dente por dente”, corrupção de Estado… Aventuras nas quais todos perdem, inclusive quem as provoca e delas supõe usufruir!

Honório de Medeiros é professor, escritor e ex-secretário da Prefeitura do Natal e do Estado do RN

Notícia sobre “Toque de recolher” gera controvérsia

A postagem “Marginais impõem toque de recolher” (veja AQUI), que o Blog publicou na última sexta-feira (2), retratando pânico de moradores entre os bairros Planalto 13 de Maio e Papoco, recebe réplica de um representante da Polícia Militar.

Mas também é reiterada por quem vive na área. Há um medo real e uma cobrança para que as autoridades possam intervir de forma enérgica.

Veja, abaixo, dois registros sobre o assunto. O primeiro, do major Correia Lima; o segundo, do advogado e ex-vereador Sérgio Coelho.

Caro Carlos,

Gostaria de dizer que patrulhamento no bairro citado vai ser aumentado. Quanto a estória de toque de recolher, com certeza não há. Estão dizendo coisas que sinceramente não existe, nem confirmado pelo serviço reservado da PM e PC.

Me coloco a inteira disposição da população para encontrarmos soluções viáveis para o problema abrindo as portas do batalhão. Entre em contato com sua fonte e peça para me procurar ou eu vou até a ele sem problemas.

Grato.
Major Correia Lima

Carlos Santos,

É verdade. Aqui no conjunto Inoccop nao se vê mais qualquer pessoa nas calçadas ou caminhando pelas ruas depois das 18h. Todos os dias temos notícias de assaltos aqui na redondeza. O nosso conjunto é na divisa entre os bairros Alto de São Manoel e Planalto 13 de Maio.

Inclusive, há poucos dias, foi assaltada aqui de frente à minha casa, um vizinha às 8 e deliberadamente, no meio da rua, inclusive invadindo a casa da mesma, mostrando o rosto e ameaçando a todos que passavam, ou seja, renderam, praticamente, uma rua inteira.

Para sairmos de casa, é feita uma vistoria com meio portão aberto.

Sérgio Coelho (ex-vereador e advogado)

Outra fachada

Por Otto Lara Resende

Foi na passagem do ano, em Angra dos Reis. Mais uma vez eu me encontrava num momento de transição. O fm do ano traz, inconsciente, esse desejo de mudar. Só me dei conta disso há pouco tempo, vendo a minha carteira profssional.

Várias demissões no mês de dezembro. Época do Advento, Natal à vista, uma força nos impele e a gente admite que é possível recomeçar. O que passou e o que virá.

Essa pretensão de me reinaugurar. Pulsa nela uma expectativa que se abre, quase eufórica. Um alvoroço de asas. Deixar para trás o arquivo morto, fechar a porta, selada como um túmulo. É preciso morrer para renascer.

Os opostos se misturam, mas se impõe no horizonte uma promessa de aurora. Pouco importa que não seja clara. Tanto melhor. Há na penumbra, nesse claro-escuro, uma nota propícia. Esse respiro que se acelera e exalta.

Poxa, quanta filigrana para chegar aonde eu quero.

Visto pelo lado de fora, é só isto: deixei a barba crescer. Mudei a fachada. A gente na vida deve ter uma cara só. Se é raspada, vá raspada até o fim. Barba, pera, cavanhaque, costeletas. Os vários bigodes, cheio, fno, de pontas. Passa-piolho, ou em leque. Feita a escolha, que esteja feita. Adolescente, preservei intocado o recente buço. No afã de ser adulto, virou bigode sem conhecer navalha.

Até que um dia deitei-o abaixo aqui no Rio, no barbeiro da Associação Cristã de Moços. Estava feita a minha opção. Vou de cara limpa, escanhoada.

Aí estou um dia em Angra, fim de ano, começo de ano, e não fiz a barba. Eu mais que vivido. Revivido. Três, quatro dias e, mais depressa do que esperava, a barba compareceu. Hirsuta, como intratável se pretendia o remoto bigode adolescente.

Com o tempo, eu saía de manhã pra andar com o Hélio Pellegrino, de repente ele estacava.

E me olhava, estupefato. Começava a rir. Eu não era eu. Aquele barbaças, ainda por cima a barba branca, se metia entre nós. O Hélio me fitava e em vão me procurava. E ria.

Curioso é que a princípio me deu a maior força. Barba de protesto, dizia ele. De desgosto, dizia eu. Desgosto de quê? Já não sei, nunca soube. Talvez estivesse cansado de mim. Aí chegou julho. Aniversário da minha mãe e da minha filha Helena.

Que presente me pediram? Raspar a barba!

Raspei — e isso é outra história.

Otto Lara Resende (1922-1992) era escritor e cronista

Confraria marcante

Drummond, Vinícius, Manuel Bandeira, Mario Quintana e Paulo Mendes Campos no Rio de Janeiro em 1966

Queria testemunhar este papo.

Da esquerda para a direita, Carlos Drummond, Vinícius de Moraes, Manuel Bandeira, Mario Quintana e Paulo Mendes Campos na casa do cronista Rubem Braga. Seria o ano de 1966 e a foto foi publicada na revista Manchete – em agosto daquele ano.

Claro que Rubem Braga não está na foto. Os amigos contam que ele sempre era avesso a fotos, meio antissocial. Figuraça. Como os demais dessa “chapa”.

Queria estar aí, só para ouvir o bate-papo, repito.

A foto revela também a personalidade de cada um, na forma de se vestir. Carlos, formal sem afetação. Vinícius, despojado. Manuel, formalíssimo.

Meu querido Mario Quintana, impecável. E Paulo Mendes com aquele jeito largadão, tomando uma ao lado de Vinícius. Copo à mão e na luta.

Figuraças, repito.

Blusa fátua

Por Vladimir Maiakóvski

Costurarei calças pretas
com o veludo da minha garganta
e uma blusa amarela com três metros de poente.
pela Niévski do mundo, como criança grande,
andarei, donjuan, com ar de dândi.

Que a terra gema em sua mole indolência:
“Não viole o verde de as minhas primaveras!”
Mostrando os dentes, rirei ao sol com insolência:
“No asfalto liso hei de rolar as rimas veras!”

Não sei se é porque o céu é azul celeste
e a terra, amante, me estende as mãos ardentes
que eu faço versos alegres como marionetes
e afiados e precisos como palitar dentes!

Fêmeas, gamadas em minha carne, e esta
garota que me olha com amor de gêmea,
cubram-me de sorrisos, que eu, poeta,
com flores os bordarei na blusa cor de gema!

Vladimir Maiakóvski (1893-1930) – poeta russo

Viva a preguiça intensamente

Por Luís Antônio Giron

Já passei tantas ocasiões sem fazer coisa nenhuma. A ética cristã costuma ensinar que foram dias perdidos. Os provérbios da Bíblia afirmam que o preguiçoso se acha sábio, mas não passa de um tolo. A preguiça consta da famosa lista dos sete pecados capitais.

No entanto, apesar de tudo, jamais me senti tão recompensado quanto nessas ocasiões em que a mente e o corpo flutuaram pelo nada e meus atos significaram nada para o progresso da humanidade. É o estado de ser que os italianos chamam de “dolce far niente”, o doce fazer nada.

Mas, salvo esta expressão e a filosofia taoísta, que preconiza a extrema relevância ética e política do “wu-wei”, a perfeita inação, não conseguia encontrar apoio teórico à minha filosofia de existência.

Isso até encontrar o oblomovismo. Essa doutrina originária da literatura russa insuflou um novo entusiasmo em minha hiperinatividade. Ela pode ser explicada como a teoria da preguiça de alto desempenho, que, caso seja aplicada, poderia salvar a humanidade do abismo.

Ela serve, pelo menos, para me salvar do excesso de obrigações. Na verdade, adaptei o oblomovismo a minhas necessidades. Tropicalizei suas lições. Não é Macunaíma, o “herói sem nenhum caráter” de Mário de Andrade, que vive a bocejar “ai, que preguiça”? Ele tinha razão.

Mas voltemos ao oblomovismo. O nome deriva de Oblómov, o incrível romance satírico de Ivan Gontcharóv (1812-1891), publicado em 1859, agora publicado no Brasil (CosacNaify, 736 páginas, R$119) em tradução de Rubens Figueiredo.

O herói epônimo do romance é um senhor de terras preguiçoso, que gasta seus dias na cama ou no sofá, sonhando em reformar sua propriedade e recebendo visitas de amigos. Personagens, ações e diálogos ocorrem em torno dele, como se ele fosse o centro de um universo. Seu antagonista é seu amigo, o “alemão” Andrei Stoltz, um empreendedor entusiasmado com as conquistas da indústria.

Oblómov não se emociona com o capitalismo que se instala na velha Rússia. Prefere ficar parado. Quando Stoltz o convence a sair para uma festa, ele conhece uma amiga de Stoltz, Olga Ilinskaya. Apaixona-se por ela, pede-a em casamento, mas nada acontece. Em seu pendor pela inação, Oblómov se muda para o subúrbio de São Petersburgo, onde amarga a decadência sem reclamar.

Na verdade, consegue ainda se apaixonar pela viúva Agáfa Matviéievna Pchenítsina. O casal tem um filho. Enquanto seu espírito se apaga, Olga e Stoltz se unem e adotam o filho de Oblómov. Para nosso herói, a vida continua igual a ela própria. Assim Goncharóv descreve Oblómov: “Os pensamentos voavam como pássaros pelo rosto, chegavam até os olhos, paravam nos lábios semicerrados, escondiam-se no franzir das sobrancelhas.

Depois desapareciam de vez, e então todo o rosto coruscava com a luz da despreocupação”.

Não parece um enredo promissor, não contivesse ele uma alta densidade simbólica. E, como todo símbolo, o significado se altera com o tempo. Para os compatriotas de Goncharóv daquele tempo, o personagem Oblómov representava uma sátira da alma russa que se afundava paralisada em suas tradições. Nos anos 1850 e 1860, a literatura refletia e dramatizava as mudanças históricas.

No ensaio “O que é o oblomovismo” (1859), Dóbroliubov caracteriza os tipos da Rússia dos anos 1860, nos últimos estertores da escravidão e do feudalismo. Ele percebeu em Oblómov os vícios do antigo senhor feudal, um homem supérfluo incapaz de se adaptar à nova realidade do país. Assim, Oblómov refletia a imagem de uma elite russa retrógrada, agora estigmatizada pelos intelectuais.

O oblomovismo é a inação da elite. Três anos depois, em 1862, no romance Pais e filhos (1862), Ivan Turguêniev retrataria as contradições revolucionárias daquele tempo, em especial o niilismo, que suplantava as outras correntes revolucionárias.

Outra é a imagem de Oblómov aos olhos dos estudiosos de literatura do século XX, para os quais a política importava menos que a linguagem e a intertextualidade.

“Oblómov é certamente um personagem que merece lugar na galeria de figuras imortais criada pela imaginação humana”, escreveu o especialista em literatura russa italiano Renato Poggioli (1907-1963), comparando o protagonista a Don Quixote de Cervantes e a Ulisses, da Odisseia de Homero. É que a vida interior do protagonista é tão rica e contemplativa, que é capaz de encenar epopeias sem que saia de sua cama.

Oblómov é um preguiçoso sublime. Poggioli termina seu ensaio em tom grandiloquente: “Oblómov é, com efeito, o herói máximo de um grande poema cíclico, de um vasto épico em prosa, mesmo que seja apenas uma Odisseia dos chinelos ou uma Ilíada do roupão”.

Nessa excêntrica epopeia, quanto mais o herói recua dos desafios e aventuras, mais ele se aprofunda no que interessa: as trepidações do espírito, das ideias que farfalham as asas, voam e vão embora, para dar lugar ao mais delicioso bocejo. Espreguiçar-se, ensina Oblómov, pode ser a mais nobre das formas de ação.

Como o oblomovismo pode ser convertido em atitude inovadora em nossos dias?

Ora, em um mundo de supercompetição e cobrança de produtividade, o ócio criativo ou mesmo a preguiça desprovida de imaginação podem servir como antídoto aos abusos do mundo do trabalho e sua exigência de performances perfeitas. Por essa razão subversora, os sociólogos andam reabilitando a ética dos sambistas malandros dos anos 1920, que diziam “trabalhar só obrigado, por gosto ninguém vai lá” (“Se você jurar”, samba de Ismael Silva e Nilton Bastos, de 1928).

Para responder ao mundo do trabalho desenfreado e da automação, da despersonificação e da alienação, nada mais eficiente que a preguiça exercida em modo turbo, em alto desempenho. A preguiça ganha a reputação de verdadeiro ato de heroísmo de nossos tempos hiperativos.

Assim, consigo justificar e até enobrecer meus atos antes considerados abjetos: isolar-me na cama, fechar os olhos e ouvir a linda canção do nada. Ao inverter a Bíblia, torno-me um sábio que se pensa tolo. E valendo-me do oblomovismo tropical, arvorar-me em me julgar a um só tempo preguiçoso, revolucionário e respeitável.

Siga o oblomovismo. Cultive o próprio bocejo e tome posse do universo. Viva a sua Jornada nas estrelas de calção e chinelos.

Luís Antônio Giron é editor da seção Mente Aberta da revista Época

MP pediu a prisão de Micarla de Sousa

Do Blog Território Livre (Laurita Arruda)

Aos poucos,  informações sobre o processo que levou ao afastamento da prefeita Micarla de Sousa (PV) vão surgindo em doses homeopáticas.

Hoje, a notícia do DN online sobre o pedido de prisão da Prefeita Micarla de Sousa feito pelo Ministério Público do Estado.

“O afastamento foi solicitado na investigação criminal, como  medida cautelar alternativa ao pedido de prisão preventiva prevista na legislação processual penal (art. 319, inciso VI do CPP), em face da existência de fortes indícios da prática de crime contra a administração pública pela investigada. “

Segundo o procurador federal Fernando Rocha,  essa lei – que possibilita o afastamento do servidor público como alternativa à prisão -beneficia o investigado,cuja prisão somente pode ser decretada em último caso se a outras medidas não forem suficientes.

DO TL: Ou seja, por esse ângulo penalista, Micarla está no lucro com o afastamento da Prefeitura. Poderia estar presa.

Nota do Blog Carlos Santos – Esta página assinalou em postagem de ontem, que realmente Micarla tinha saído no lucro. É para estar satisfeita.

Como se diz no meu sertão, ela “escapou fedendo”.

Minirreforma pode fortalecer PMDB e PR

O Governo Rosalba Ciarlini (DEM) não deve ficar “apenas” na nomeação do ex-deputado estadual Carlos Augusto Rosado (DEM) na chefia do Gabinete Civil. Outras peças tendem a ocupar cargos na gestão, numa espécie de minirreforma.

As sondagens começaram.

As acomodações vão seguir critério mais político do que técnico, mesmo que feitas com nomes de maior qualificação burocrática.

Partidos como PMDB e PR, que saíram bastante fortalecidos nas eleições municipais, têm cacife para indicações.

O governo tem-os como indispensáveis à governabilidade e ao futuro sucessório em 2014.

Se houver abalo nessa coabitação, Rosalba estará inviabilizada para o projeto de novo mandato.

Tribunal terá mudança em momento muito difícil

O Tribunal de Justiça do Rio Grande do Norte (TJRN) vai mudar de presidência em janeiro.

O próximo dessa corte será o desembargador Aderson Silvino.

Ele vai substituir na presidência a desembargadora Judite Nunes.

A desembargadora vem tendo uma atuação destacada no comando desse poder, sobretudo em face de enormes dificuldades quanto à gestão financeira, embate institucional com o Governo Rosalba Ciarlini (DEM) e credibilidade da Corte.

A missão do desembargador Aderson Silvino é de enormes exigências.

Rede Globo mostra drama da falta de água no RN

O Jornal Nacional (Rede Globo de Televisão) mostrou hoje à noite uma reportagem especial, em que a jornalista de rede Michele Rincon retratou a falta de abastecimento de água em Luís Gomes (RN) há mais de um ano.

O descaso, a falta de respeito com o ser humano, deu a dimensão de um problema mais do que secular: a falta de prioridade que atenda aos interesse público e não às aspirações politiqueiras.

De São Paulo, diante da TV, um dos filhos mais ilustres de Luís Gomes, o professor, consultor político e escritor Gaudêncio Torquato desabafou através de seu endereço no Twitter:

– Acabo de ver matéria de Michele Rincon sobre a falta d’água em Luis Gomes, RN. Uma vergonha nacional!

– Um ano sem água nas casas. Água de carro-pipa. Parece que vivemos governo da década de 30. Governo Estadual.

– Luis Gomes é minha querida cidade natal. Pois é, naqueles velhos tempos – saudosos tempos = a água era abundante. E os governos funcionavam.

Veja AQUI a reportagem na íntegra, em vídeo.

Marginais impõem ‘toque de recolher’ ao cidadão

Converso com uma pessoa amiga que mora na região dos bairros Planalto 13 de Maio e Papoco, em Mossoró, que me relata um drama inimaginável até bem poucos anos.

Ela simplesmente foi obrigado a dormir fora de casa, por temor de retornar à sua casa pilotando uma moto.

A informação era de que a marginália tinha imposto “toque de recolher”.

Muita gente, como esse interlocutor, preferiu não arriscar.