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868, o jogo da imitação

Por Bruno Ernesto

Máquina alemã (Foto de origem não identificada)
Máquina alemã (Foto de origem não identificada)

Durante a Segunda Guerra Mundial, havia uma máquina alemã que, em grande parte, foi a responsável pelo sucesso das operações das forças armadas de Adolf Hitler, a Whermacht.

Sua função era enviar mensagens criptografadas com as ordens do líder alemão, o Führer, para que as forças armadas alemãs atacassem os aliados.

Ela parecia uma máquina de datilografia. Possuía três rotores no tampo superior, com números gravados nos discos que, uma vez posicionados na sequência correta daquele dia específico, tal como um cadeado com segredo, embaralharam a sequência de cada letra que ia sendo digitada e, como camada extra de segurança, o operador escolhia uma letra do alfabeto, posicionando uma outra chave no painel inferior frontal da máquina, o que potencializava a criptografia, e enviava a mensagem eletrônica com mais de um sextilhão de combinações possíveis.

Dessa forma, ainda que a mensagem fosse interceptada por seu inimigo, seria impossível de decifrá-la antes do próximo ataque alemão, caso quem a interceptasse não possuísse uma máquina enigma e não soubesse a sequência exata dos três números dos rotores que deveriam estar posicionados naquele dia específico da leitura daquela mensagem.

Sem isso, a mensagem até poderia ser interceptada, entretanto, não poderia ser compreendida.

Essa máquina foi um pesadelo para os países aliados que lutavam contra Adolf Hitler e sua poderosa Whermacht.

Ninguém conseguia decifrar as mensagens alemãs e, assim, Adolf Hitler avançava na conquista do mundo com a famosa Blitzkrieg, ou guerra-relâmpago. Um ataque feroz, rápido e de surpresa.

O sucesso de um combate, e, portanto, da guerra, depende, basicamente, de três fatores: poderio bélico, bom treinamento dos combatentes e o segredo de suas mensagens.

Importante pontuar que a justificativa inicial de Hitler para a guerra era, segundo a história conta, que ele afirmava que Alemanha tinha direito de preservar a cultura e o espaço alemão por serem superiores. O que ele chamava de espaço vital ou, em alemão, lebensraum.

O conceito de espaço vital deriva de uma doutrina norte-americana, denominada Doutrina Monroe, estabelecida no ano de 1823 pelo então presidente James Monroe, e que tinha como preceito a não possibilidade de qualquer tipo de interferência externa em relação às políticas norte-americanas. Daí surgiu a expressão “América para americanos”.

No caso da Alemanha, essa doutrina foi introduzida por Friedrich Ratzel no final do século XIX, que, deturpando-a, defendia que raças ou povos tidos como superiores na escala civilizatória, intelectual e cultural, tinham direito a um maior espaço físico para o seu pleno desenvolvimento, sem que pudesse haver qualquer contestação por parte de outros países. E Hitler se achava superior.

Para quem tem curiosidade de saber um pouco de como funcionava a mente dele, a obra “A mente de Adolf Hitler”, de autoria de Walter Langer, é bem interessante e acessível.

Trazendo para o contexto literário, na escrita, a transmissão de mensagens, ideias, pensamentos e opiniões, tal qual uma mensagem criptografada, segue uma sequência lógica de encadeamento que, ao final é decodificada pelo receptor dela. Entretanto, ao invés de algoritmos matemáticos, na literatura, observam o gênero literário, que está relacionado à composição do texto.

Um exemplo fácil de criptografia é a alteração da sequência de números e letras, com substituição de uns e outros, a chamada cifra de troca, ou, cifra de César.

O gênero literário leva em consideração os critérios semânticos (significado da palavra isoladamente e a combinação delas), sintático (estrutura e regras da língua que tornam possíveis a compreensão do texto), contextuais, etc. Todos seguem uma regra bem definida.

Entretanto, diferentemente, há o estilo literário, que é a particularidade da escrita. Que nada mais é senão, a forma que o autor escreve e transmite a sua mensagem. Necessariamente, não é preciso observar as regras definidas do gênero literário.

No estilo, o autor tem, ou se dá, uma liberdade para compor o seu texto e transmitir a sua mensagem de uma forma particular, porém compreensível e identificável. É tão marcante, que o leitor correlaciona o texto com a autoria, apenas pela forma como é escrito; o estilo empregado.

José Saramago é um exemplo claro acerca do que vem a ser um estilo literário.

Nos seus textos, ele escreve parágrafos gigantescos. Sequer utiliza vírgulas ou outro sinal de pontuação. Muitas vezes o leitor precisa de um fôlego tremendo para lê-lo e, por si próprio, pontuá-lo, para que ele tenha sentido e transmita a intensidade que Saramago quis empregar.

Ele transfere para o leitor uma função que era dele, autor do texto. Esse é o estilo de Saramago. Se o leitor não se familiarizar ou não admirar o seu estilo, não o lerá da forma correta. Quem tentar imitá-lo, fatalmente será taxado de inautêntico. Não que não seja permitido.

Para um desavisado, ou não familiarizado com o seu estilo, certamente, o considerará um péssimo escritor.

Mesmo assim, o texto é plenamente compreensível e original, e, não à toa, José Saramago foi laureado com os prêmios Nobel de Literatura e Camões. Ele, sim, é original.

Na literatura, como forma de transmitir uma mensagem cifrada, muitos autores lançam mão de artifícios literários, tais como, alterar o nome dos personagens, contextualizar uma estória com base nas características de uma pessoa ou baseado na sua vida, lugar que mora ou frequenta, sua rotina e profissão.

Alguns, por modéstia ou conveniência ocasional, utilizam pseudônimo. Outros, no entanto, carentes de reconhecimento, se autodenominam.

Quem não tem familiaridade com aquele personagem, não consegue identificá-lo. Quem tem, ou é o próprio, facilmente o identifica.

Conta-se, como na criptografia, até mesmo as letras do nome do personagem para confirmar todo o contexto de uma estória. Por isso aquele famoso aviso de que qualquer semelhança na estória, é mera coincidência.

Entretanto, na literatura, há autores que sequer nominam seus personagens. E, ainda assim, estória continua fazendo sentido. Como José Saramago o fez na sua obra “Ensaio sobre a cegueira”. Nela, nenhum personagem é nominado. Apenas suas características, intenções e atitudes.

Há quem tente imitar os grandes escritores, empregando todas as técnicas de escritas possíveis, manipulando as palavras e a linguagem. E tem quem acredite que seja um bom escritor, como o narcisista Adolf Hitler se achava um excelente desenhista nos seus tempos de juventude (Ele foi rejeitado por duas vezes pela Academia de Belas Artes de Viena, posto que foi tido como desenhista medíocre).

Entretanto, para esses outros escritores que imitam os grandes mestres, tal como na criptografia da enigma, lhes faltam a sequência secreta dos três números, para que, tal como na máquina alemã enigma, o leitor possa decodificar e compreender a verdadeira mensagem que lhe foi transmitida.

Voltando à enigma, caro leitor, apesar de toda a tecnologia da máquina de criptografia alemã, e a visão impossível de se decifrar as mensagens antes do próximo ataque alemão, contra todas as probabilidades, o matemático inglês Alan Turing, considerado o pai da computação, conseguiu.

E o fez, explorando uma falha na criptografia da máquina enigma, que consistia no fato de que toda mensagem continha uma sequência que nunca era alterada.

Com base nisso, a máquina de Turing, uma espécie de calculadora eletromecânica, foi capaz de reconstruir a sequência exata das letras embaralhadas pela enigma antes de uma nova Blitzkrieg, e, assim, conseguiu quebrar o código de criptografia alemão, encurtando a guerra e contribuindo, decisivamente, para a derrota e queda de Adolf Hitler, o anticristo.

A sequência inalterada de todas as mensagens alemãs, era uma famosa saudação. Hitler caiu por puro narcisismo.

Assim, em tempos de guerra, as mensagens devem ser lidas a todo custo, não há escolha. Em tempos de paz, os textos são escolhidos, como os de Saramago. Por mais difícil que seja.

Bruno Ernesto é professor, advogado e escritor

Bebelplatz

Por Bruno Ernesto

Bebelplatz (Foto do autor do texto)
Bebelplatz (Foto do autor do texto)

Em mais uma tarde escura e num frio intenso e persistente – porém agradável -, caminhávamos em direção à Universidade de Humboldt para alguns registros e, enfim, conhecer pessoalmente a tão conceituada universidade que Leonardo Martins, meu professor de direito constitucional alemão na época do mestrado, em Direito na UFRN, tanto me incentivou a lá cursar o doutorado e que, por circunstâncias da vida, não foi possível.

Já havíamos passado por lá no dia anterior, entretanto, posterguei a parada diante do roteiro já traçado, hermeticamente confirmado, reconfirmado e ratificado por e-mail pelo controle de acesso ao Bundestag, que fica um pouco mais adiante, já próximo ao portão de Brandemburgo.

Embora já familiarizado com a cultura alemã, a fama de sistematicidade alemã ainda é muito amadora em relação à, digamos, hermenêutica empírica brasileira. Keith Rosenn certamente fica extasiado e envaidecido em relação à sua obra “O jeito na cultura jurídica brasileira”. Recomendo a leitura aos interessados no assunto.

Quem quiser visitar o parlamento e o prédio histórico do Reichstag alemão – aquele que foi criminosamente incendiado no dia 27 de fevereiro de 1933, quatro semanas após a ascensão de Adolf Hitler ao cargo de Chanceler do Reich alemão – , deve enviar por e-mail ou Fax – sim, ainda utilizam o fac-símile – um formulário um tanto extenso por eles disponibilizados, escolhendo um dos dias, horários e roteiros disponíveis para que eles analisem a sua requisição e, se for o caso, você conseguirá visitá-lo.

No dia pretendido não havia mais a possibilidade de visitar apenas o prédio do Reichstag e, assim, acessar o terraço panorâmico e a cúpula, uma vez que seria apenas por visita guiada, razão pela qual não me restou outra alternativa, senão, apenas assistir à sessão do Parlamento.

A propósito, tal cúpula é bem famosa e foi milimetricamente posta acima do plenário do Bundestag, de modo que você pode ver os parlamentares sentados naqueles simples assentos cor púrpura, os quais, frente aos do nosso homérico Parlamento, mais parecem de um anfiteatro de uma faculdade, enquanto faz sua caminhada pela espiral em direção ao terraço panorâmico.

Se bem que a cor púrpura no mundo místico significa espiritualidade, mistério e libertação do medo, algo que não deve ter nenhuma correlação séria diante dos sisudos parlamentares e da tépida receptividade dos alemães, apesar de no trajeto entre Berlim e Amsterdã o restaurante do trem só vender comida vegana. Vá entender.

Me perguntaram algumas vezes se eu portava alguma arma. Só tive coragem de brincar quando uma senhorinha muito elegante também me perguntou, porém com um sorriso sincero. Respondi: apenas armas nucleares. Por sorte ela sorriu fervorosamente e disse que isso não seria problema.

Após assistirmos à sessão, a primeira após ao que já se tem considerado como sendo um colapso político da coalizão que governa a Alemanha, uma vez o chanceler Olaf Scholz acabara de demitir o ministro das Finanças e agendou uma moção de confiança para o início do próximo ano, na saída do plenário, perguntei à mesma senhorinha – perguntei seu nome, porém acabei por esquecer – se poderíamos ir à cúpula; ela sorriu e disse que não haveria problema. Bem, objetivo alcançado.

Lá, tal qual o túnel que liga o edifício principal ao anexo II do Senado, que é conhecido como o “Túnel do Tempo”, há a cronologia política do Estado alemão moderno.

Lá pude ver a famosa constituição de Weimer, assinada em 11 de agosto de 1919 e que é um marco para os direitos sociais, os quais, nos últimos dias, são objeto de uma acirrada discussão acerca da redução da jornada de trabalho no Brasil e que vendo algumas postagens de alguns advogados autointitulados experts, despejam nas redes sociais uma verdadeira verborragia. Alguns eu até admiro pela coragem de passar tanta vergonha em público.

Sim, no conjunto do tempo, havia um destaque para Hitler. Eles não omitiram esse fato histórico e obscuro que ocorreu no país entre os anos trinta e quarenta do século XX.

O detalhe é que ninguém correlaciona o nazismo ao povo alemão. O próprio povo alemão se enoja por isso e levam muito a sério e repudiam veementemente quem ousa correlacioná-lo.

Você, caro leitor, deve me perguntar, pois, qual a correlação entre a minha visita ao Reichstag, a Universidade de Humboldt e a Bebelplatz.

É simples: na mesma quadra, Adolf Hitler foi nomeado Chanceler da Alemanha em 30 de janeiro de 1933; no dia 27 de fevereiro de 1933, incendiaram o prédio do Reichstag e no dia 10 de maio de 1933, queimaram milhares de livros na Bebelplatz, que fica em frente à Universidade de Humboldt.

O que se seguiu, também se resumiu a queimar e pude ver com meus próprios olhos.

Mas isso ainda serão outras histórias.

Bruno Ernesto é advogado, professor e escritor

O “General Inverno” em todos nós

Ilustração da Web
Ilustração da Web

Napoleão Bonaparte e Adolf Hitler foram derrotados pelo “General Inverno”, expressão consagrada na antiga Rússia, que traduz a força avassaladora da temporada invernosa no vasto território dos czares e dos ditadores comunistas.

Cada um em seu tempo, séculos XIX e XX, começou a perder campanhas militares gigantescas na teimosia e na autossuficiência.

Foram devorados pelo ego, sejamos claros.

O General Inverno vive em todos nós, precisando ser respeitado e administrado.

868, o jogo da imitação

Por Bruno Ernesto

Máquina alemã (Foto de origem não identificada)
Máquina alemã (Foto de origem não identificada)

Durante a Segunda Guerra Mundial, havia uma máquina alemã que, em grande parte, foi a responsável pelo sucesso das operações das forças armadas de Adolf Hitler, a Whermacht.

Sua função era enviar mensagens criptografadas com as ordens do líder alemão, o Führer, para que as forças armadas alemãs atacassem os aliados.

Ela parecia uma máquina de datilografia. Possuía três rotores no tampo superior, com números gravados nos discos que, uma vez posicionados na sequência correta daquele dia específico, tal como um cadeado com segredo, embaralharam a sequência de cada letra que ia sendo digitada e, como camada extra de segurança, o operador escolhia uma letra do alfabeto, posicionando uma outra chave no painel inferior frontal da máquina, o que potencializava a criptografia, e enviava a mensagem eletrônica com mais de um sextilhão de combinações possíveis.

Dessa forma, ainda que a mensagem fosse interceptada por seu inimigo, seria impossível de decifrá-la antes do próximo ataque alemão, caso quem a interceptasse não possuísse uma máquina enigma e não soubesse a sequência exata dos três números dos rotores que deveriam estar posicionados naquele dia específico da leitura daquela mensagem.

Sem isso, a mensagem até poderia ser interceptada, entretanto, não poderia ser compreendida.

Essa máquina foi um pesadelo para os países aliados que lutavam contra Adolf Hitler e sua poderosa Whermacht.

Ninguém conseguia decifrar as mensagens alemãs e, assim, Adolf Hitler avançava na conquista do mundo com a famosa Blitzkrieg, ou guerra-relâmpago. Um ataque feroz, rápido e de surpresa.

O sucesso de um combate, e, portanto, da guerra, depende, basicamente, de três fatores: poderio bélico, bom treinamento dos combatentes e o segredo de suas mensagens.

Importante pontuar que a justificativa inicial de Hitler para a guerra era, segundo a história conta, que ele afirmava que Alemanha tinha direito de preservar a cultura e o espaço alemão por serem superiores. O que ele chamava de espaço vital ou, em alemão, lebensraum.

O conceito de espaço vital deriva de uma doutrina norte-americana, denominada Doutrina Monroe, estabelecida no ano de 1823 pelo então presidente James Monroe, e que tinha como preceito a não possibilidade de qualquer tipo de interferência externa em relação às políticas norte-americanas. Daí surgiu a expressão “América para americanos”.

No caso da Alemanha, essa doutrina foi introduzida por Friedrich Ratzel no final do século XIX, que, deturpando-a, defendia que raças ou povos tidos como superiores na escala civilizatória, intelectual e cultural, tinham direito a um maior espaço físico para o seu pleno desenvolvimento, sem que pudesse haver qualquer contestação por parte de outros países. E Hitler se achava superior.

Para quem tem curiosidade de saber um pouco de como funcionava a mente dele, a obra “A mente de Adolf Hitler”, de autoria de Walter Langer, é bem interessante e acessível.

Trazendo para o contexto literário, na escrita, a transmissão de mensagens, ideias, pensamentos e opiniões, tal qual uma mensagem criptografada, segue uma sequência lógica de encadeamento que, ao final é decodificada pelo receptor dela. Entretanto, ao invés de algoritmos matemáticos, na literatura, observam o gênero literário, que está relacionado à composição do texto.

Um exemplo fácil de criptografia é a alteração da sequência de números e letras, com substituição de uns e outros, a chamada cifra de troca, ou, cifra de César.

O gênero literário leva em consideração os critérios semânticos (significado da palavra isoladamente e a combinação delas), sintático (estrutura e regras da língua que tornam possíveis a compreensão do texto), contextuais, etc. Todos seguem uma regra bem definida.

Entretanto, diferentemente, há o estilo literário, que é a particularidade da escrita. Que nada mais é senão, a forma que o autor escreve e transmite a sua mensagem. Necessariamente, não é preciso observar as regras definidas do gênero literário.

No estilo, o autor tem, ou se dá, uma liberdade para compor o seu texto e transmitir a sua mensagem de uma forma particular, porém compreensível e identificável. É tão marcante, que o leitor correlaciona o texto com a autoria, apenas pela forma como é escrito; o estilo empregado.

José Saramago é um exemplo claro acerca do que vem a ser um estilo literário.

Nos seus textos, ele escreve parágrafos gigantescos. Sequer utiliza vírgulas ou outro sinal de pontuação. Muitas vezes o leitor precisa de um fôlego tremendo para lê-lo e, por si próprio, pontuá-lo, para que ele tenha sentido e transmita a intensidade que Saramago quis empregar.

Ele transfere para o leitor uma função que era dele, autor do texto. Esse é o estilo de Saramago. Se o leitor não se familiarizar ou não admirar o seu estilo, não o lerá da forma correta. Quem tentar imitá-lo, fatalmente será taxado de inautêntico. Não que não seja permitido.

Para um desavisado, ou não familiarizado com o seu estilo, certamente, o considerará um péssimo escritor.

Mesmo assim, o texto é plenamente compreensível e original, e, não à toa, José Saramago foi laureado com os prêmios Nobel de Literatura e Camões. Ele, sim, é original.

Na literatura, como forma de transmitir uma mensagem cifrada, muitos autores lançam mão de artifícios literários, tais como, alterar o nome dos personagens, contextualizar uma estória com base nas características de uma pessoa ou baseado na sua vida, lugar que mora ou frequenta, sua rotina e profissão.

Alguns, por modéstia ou conveniência ocasional, utilizam pseudônimo. Outros, no entanto, carentes de reconhecimento, se autodenominam.

Quem não tem familiaridade com aquele personagem, não consegue identificá-lo. Quem tem, ou é o próprio, facilmente o identifica.

Conta-se, como na criptografia, até mesmo as letras do nome do personagem para confirmar todo o contexto de uma estória. Por isso aquele famoso aviso de que qualquer semelhança na estória, é mera coincidência.

Entretanto, na literatura, há autores que sequer nominam seus personagens. E, ainda assim, estória continua fazendo sentido. Como José Saramago o fez na sua obra “Ensaio sobre a cegueira”. Nela, nenhum personagem é nominado. Apenas suas características, intenções e atitudes.

Há quem tente imitar os grandes escritores, empregando todas as técnicas de escritas possíveis, manipulando as palavras e a linguagem. E tem quem acredite que seja um bom escritor, como o narcisista Adolf Hitler se achava um excelente desenhista nos seus tempos de juventude (Ele foi rejeitado por duas vezes pela Academia de Belas Artes de Viena, posto que foi tido como desenhista medíocre).

Entretanto, para esses outros escritores que imitam os grandes mestres, tal como na criptografia da enigma, lhes faltam a sequência secreta dos três números, para que, tal como na máquina alemã enigma, o leitor possa decodificar e compreender a verdadeira mensagem que lhe foi transmitida.

Voltando à enigma, caro leitor, apesar de toda a tecnologia da máquina de criptografia alemã, e a visão impossível de se decifrar as mensagens antes do próximo ataque alemão, contra todas as probabilidades, o matemático inglês Alan Turing, considerado o pai da computação, conseguiu.

E o fez, explorando uma falha na criptografia da máquina enigma, que consistia no fato de que toda mensagem continha uma sequência que nunca era alterada.

Com base nisso, a máquina de Turing, uma espécie de calculadora eletromecânica, foi capaz de reconstruir a sequência exata das letras embaralhadas pela enigma antes de uma nova Blitzkrieg, e, assim, conseguiu quebrar o código de criptografia alemão, encurtando a guerra e contribuindo, decisivamente, para a derrota e queda de Adolf Hitler, o anticristo.

A sequência inalterada de todas as mensagens alemãs, era uma famosa saudação. Hitler caiu por puro narcisismo.

Assim, em tempos de guerra, as mensagens devem ser lidas a todo custo, não há escolha. Em tempos de paz, os textos são escolhidos, como os de Saramago. Por mais difícil que seja.

Bruno Ernesto é professor, advogado e escritor

‘O homem mais perigoso da Europa’

Do História Definitiva e outras fontes

Alguém poderia pensar que, de todos os membros seniores do regime nazista, alguém como Adolf Hitler, o líder dos nazistas, ou Heinrich Himmler, o chefe da SS, seria considerado “O homem mais perigoso da Europa”.

Otto Johann Skorzeny cumpriu missões de alto risco e foi inocentado em Nurenberg (Foto: Reprodução)
Otto Johann Skorzeny cumpriu missões de alto risco e foi inocentado em Nurenberg (Foto: Reprodução)

Mas não foi esse o caso. No final da Segunda Guerra Mundial em 1944, o homem que ganhou esse apelido era Otto Johann Skorzeny, engenheiro de 1,90 de altura. Então, quem era ele e como ele ganhou esse título?

Otto Skorzeny nasceu em Viena em 1908. Os Skorzenys eram uma família militar. Otto começou a esgrima desde muito jovem, um passatempo que o deixou com uma cicatriz dramática na bochecha esquerda depois de ser cortado em uma luta na universidade.

Em 1932 ele se juntou ao ramo austríaco do Partido Nazista. Após a anexação alemã da Áustria em março de 1938 e, em seguida, a eclosão da Segunda Guerra Mundial no ano seguinte, ele se ofereceu para o serviço militar alemão, terminando na Waffen-SS e treinando para se tornar parte da guarda pessoal de Adolf Hitler. Ele então serviu na Frente Oriental na Rússia em 1941.

O tempo de Skorzeny nas forças militares nazistas poderia ter permanecido bastante normal se não fosse pela nomeação de Ernst Kaltenbrunner, um colega nazista austríaco, como chefe do Escritório Central de Segurança do Reich no início de 1943, em sucessão a Reinhard Heydrich, que havia sido assassinado no verão anterior.

Kaltenbrunner conhecia Skorzeny e o promoveu para se tornar o chefe de uma unidade de Operações Especiais que estava sendo treinada para se envolver em missões de sabotagem e espionagem enquanto os Aliados partiam para a ofensiva contra a Alemanha nazista em 1943. Foi uma promoção que tornaria Skorzeny infame.

Libertação de Mussolini

A primeira missão liderada por Skorzeny, que atraiu a atenção generalizada, ocorreu em 12 de setembro de 1943. Ela recebeu o codinome Operação Carvalho (Unternehmen Eiche, em Alemão; em italiano Operazione Quercia), mas é mais conhecida como Raid Gran Sasso.

Mussolini e comando alemão começam fuga para Viena, após libertação do ditador (Foto: Reprodução)
Mussolini e comando alemão começam fuga para Viena, após libertação do ditador (Foto: Reprodução)

O objetivo era libertar Benito Mussolini, ditador fascista da Itália desde 1922, da prisão domiciliar a que fora submetido pelo governo italiano. Após a invasão aliada da Sicília no verão de 1943, o governo fascista em Roma decidiu que Mussolini não era mais adequado para liderar a Itália. Assim, eles o retiraram do poder e o prenderam antes de entrar em negociações de rendição com os americanos e britânicos.

Mas Hitler estava determinado a manter o controle da Itália. Assim, ele enviou tropas alemãs ao país e ordenou a Skorzeny que supervisionasse uma missão para resgatar Mussolini, que estava detido em um hotel no topo de uma montanha em Gran Sasso, perto de Roma.

Os agentes especiais de Skorzeny atacaram no dia 12 de setembro, pousando em Gran Sasso depois de parapente na montanha. “Duce, o Führer me mandou aqui para libertá-lo”, anunciou Skorzenu, ao que o ditador respondeu: “Eu sabia que meu amigo não ia me abandonar!”.

Ele foi então levado para Viena e depois para o norte da Itália, onde foi instalado como chefe de um novo governo italiano, que era efetivamente um estado fantoche alemão na cidade de Salo. Otto Skorzeny foi promovido a tenente-coronel e recebeu a grande honraria militar do regime nazista, a Cruz de Cavaleiro da Cruz de Ferro.

Outras operações

Várias outras missões foram planejadas ou executadas por Skorzeny no ano e meio que se seguiu, notadamente uma missão abortada para tentar assassinar os três principais líderes aliados, Winston Churchill, Joseph Stalin e Franklin Delano Roosevelt.

Isso não foi realizado, mas a Operação Greif foi em dezembro de 1944. Esta missão foi realizada como parte da Batalha do Bulge naquele inverno, uma contra-ofensiva alemã contra os Aliados na Floresta das Ardenas da Bélgica e Luxemburgo.

Skorzeny organizou unidades de tropas alemãs que se disfarçaram de soldados americanos e foram atrás das linhas inimigas a partir de meados de dezembro. Eles causaram o caos nos dias que se seguiram. Em alguns casos, eles viraram as placas de sinalização ao contrário e enviaram as forças aliadas na direção errada.

Os soldados, que falavam inglês e tinham sotaque americano razoável, até abordaram brigadas de tropas americanas e disseram que tinham ordens para recuar. Em poucos dias, os Aliados sabiam que tinham soldados alemães em seu meio, o que causou ainda mais caos, pois verificações excessivas de identidade viram generais aliados presos por seus homens sob a suspeita de que poderiam ser as tropas alemãs.

Finalmente, no início de 1945, Skorzeny foi encarregado de organizar um plano para continuar lutando contra os Aliados mesmo após o fim da guerra, mas isso foi abandonado quando a liderança nazista começou a cometer suicídio em Berlim no final de abril de 1945. A guerra terminou dias depois .

Fim da guerra

Após o fim da Segunda Guerra Mundial, Skorzeny foi levado a julgamento pelo Tribunal Militar Internacional, que processava criminosos de guerra nazistas na cidade de Nuremberg durante a segunda metade da década de 1940.

Skorzeny em sua cela em Nuremberg (Reprodução)
Skorzeny em sua cela em Nuremberg (Reprodução)

Ele foi, no entanto, absolvido após o testemunho de um oficial britânico de Operações Especiais que afirmou que ele teria agido da mesma maneira que Skorzeny agiu no Gran Sasso Raid e na Operação Greif e que as forças britânicas também enviaram suas tropas para trás das linhas inimigas vestidas como alemães.

Um segundo julgamento estava pendente em 1948, quando ele fugiu de um centro de detenção. Seus últimos anos foram passados ​​de forma variada na Espanha, onde foi protegido pelo governo fascista do general Francisco Franco; Argentina, onde o governo de Juan Perón abrigou muitos nazistas depois da guerra; e a Irlanda, um país que havia sido neutro na guerra e que mantinha uma relação profundamente antagônica com a Grã-Bretanha.

Ao longo desses anos, surgiram rumores de que ele facilitou a fuga de criminosos de guerra nazistas da Europa para a América do Sul e também que, contraditoriamente, ajudou o serviço de inteligência israelense, Mossad, a caçar nazistas envolvidos no Holocausto dos judeus da Europa.

Ele morreu de câncer em 5 de julho de 1975, aos 67 anos de idade, em Madrid, Espanha. Teve corpo cremado e suas cinzas foram enterradas no jazigo da família em Döblinger Friedhof, Viena.

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Busto de Hitler é guardado em segredo no Senado

Por Hugh Schofield (BBC News em Paris)

Escondido no porão, de paradeiro conhecido apenas por alguns poucos iniciados, está um busto de Adolf Hitler.

Nesta semana, a existência do busto foi revelada graças a uma investigação do jornal Le Monde. Também foram achados uma bandeira nazista de 3m x 2m e vários outros documentos e itens da época da Ocupação (período da Segunda Guerra em que a França foi ocupada pelas tropas alemãs).

O busto de Hitler foi exposto ao público durante a Ocupação em Paris (Foto: Getty Imagens)

O repórter Olivier Faye disse que ouviu de uma fonte a informação de que uma estatueta de Hitler havia sido mantida no Senado desde o final da Segunda Guerra Mundial, quando o palácio era a sede da Força Aérea da Alemanha Nazista (Luftwaffe).

Depois de muita resistência das autoridades, ele finalmente recebeu a confirmação do principal arquiteto do Senado, Damien Déchelette, que lhe perguntou: “Como você descobriu?”

Por que o busto ainda estava escondido?

A história exata de como o busto e a bandeira foram guardados nas entranhas de um edifício público tão importante permanece um mistério. Mas o resumo dos eventos provavelmente pode ser adivinhado com bastante precisão.

Em agosto de 1944, Paris estava tumultuada quando o exército alemão se rendeu às tropas do exército francês e da Resistência.

No palácio de Luxemburgo, funcionários da Luftwaffe em fuga deixaram para trás um cenário de caos, com paredes quebradas e móveis em pilhas. O mesmo acontecia no prédio vizinho, conhecido como Petit Luxembourg, então residência do comandante da Força Aérea alemã, marechal-de-campo Hugo Sperrle, e agora do presidente do Senado, Gérard Larcher.

Segundo o historiador Cécile Desprairies, para os franceses libertadores foi um momento de êxtase. “As bandeiras foram tomadas como troféus. Os prédios foram saqueados. Os libertadores levaram o que podiam. O mercado negro de mercadorias nazistas floresceu – e, de fato, ainda existe”.

O general Hugo Sperrle ocupou o escritório durante a ocupação na Segunda Guerra Mundial (Foto: Getty Imagens)

Em algum momento, na desordem, alguém no Palácio de Luxemburgo deve ter deixado de lado o busto de Hitler e a bandeira. Eles estavam encobertos e escondidos no porão, e o conhecimento de sua existência foi repassado ao longo dos anos entre um pequeno grupo de funcionários, depois que o prédio retomou suas funções como Senado.

Procurados pelo Le Monde, nenhum serviço ou ex-senador se disse ciente do tesouro nazista. Mas, como afirmou uma autoridade (pedindo anonimato) do Senado a Olivier Faye, “os senadores vêm e vão”. Eles não são os verdadeiros repositórios da tradição do edifício.

“Imagino que, de vez em quando, os conhecedores os vislumbrem, para se irritar um pouco”, diz Olivier Faye.

O que mais sobrou da Guerra?

Menos secreto – mas ainda pouco conhecido e certamente fora dos limites para os visitantes – é um bunker subterrâneo de concreto nos jardins do Petit Luxembourg. Foi construído antes da guerra como um abrigo antiaéreo para parlamentares e foi usado possivelmente como escritório ou para armazenamento pelos alemães.

Paris estava em caos quando a ocupação nazista terminou, em agosto de 1944 - nazismo, ocupação da França (Foto: Getty Imagens)

O bunker é, por si só, uma fascinante cápsula do tempo, contendo curiosidades como um “ciclomotor” para carregar baterias no caso de um blecaute, roupas de proteção de borracha para ataques de gás e um aparelho de rádio.

Há também duas relíquias militares alemãs: uma caixa contendo um aparelho de respiração e outra contendo uma lamparina a gás.

Em resposta às perguntas do Le Monde, o Senado finalmente produziu um inventário do que diz serem todos os itens alemães em sua posse. Estes também incluem um grande número de documentos e vários itens de mobiliário estampados com a águia do Terceiro Reich.

O que fazer com essa herança nazista complicada agora se tornou uma questão delicada.

O presidente do Senado, Gérard Larcher, ordenou uma investigação. Um destino provável é o novo Museu da Libertação de Paris, na Place Denfert-Rochereau, cuja peça central é o bunker de comando subterrâneo usado pelo chefe da Resistência Henri Rol-Tanguy.

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Os grandes malvados da história tem algo em comum

Por Lola Moróm (El País)

O que os grandes malvados da história têm em comum? Todos eram vaidosos e impuseram a sua verdade em nome de um bem maior.

filósofa alemã Hannah Arendt definiu o tão celebrado quanto criticado conceito de “banalidade do mal” em referência ao que observou durante o julgamento de Adolf Eichmann, realizado em Jerusalém, em 1961. Coronel da SS, o trabalho diário de Eichmann consistia em garantir o transporte das massas de judeus para a morte nos campos de concentração.

Arendt falou de um mal banal, sem sentido, devido à submissão cega de quem o havia exercido e à absoluta ausência de um critério próprio. Eichmann era um ser despojado de toda humanidade, porque o ser humano é dotado de capacidade reflexiva e voluntariedade. O seu era um mal sem intenção direta; um mal impessoal, submisso e irrefletido. Um mal diante do qual, segundo Arendt, “as palavras e o pensamento se sentem impotentes”.Quando nos deparamos com atos desapiedados tão difíceis de explicar, nos vemos tentados a considerar aqueles que os cometem como seres especiais, irracionais e doentes. Seres diferentes de nós, já que nós, afirmamos, teríamos sido capazes de desobedecer a uma ordem para escolher o bem. Não estamos interessados em pensar nesses indivíduos como pessoas “normais”. “Não, eles não podem ser como eu”, dizemos a modo de consolo.

Os atos banais, mas malignos, só podem ser cometidos em nome de alguém ou de algo sempre por “obediência devida”; isto é, porque um terceiro nos indica e inclusive nos obriga a fazê-lo. As críticas ao conceito da banalidade do mal afirmam que os autores desse tipo de crimes não são pessoas obedientes, mas seres absolutamente cruéis —desse modo voltamos a nos excluir como vulneráveis, pois sabemos que não somos cruéis— que têm a habilidade de oferecer um argumento que justifique seus atos.

Sem nos determos para avaliar a pertinência do conceito, é verdade que não é aplicável a todo ato malvado. Quando o mal é exercido em nome de si mesmo, quando alguém é inteiramente uma pessoa física e psíquica, quando sou eu e não outro quem empreende de forma direta o ato malvado, este não é banal. A maldade individual nunca é banal. É um ato de soberba, um ato de vaidade. A natureza do homem, sua humanidade, não reside no bem nem no mal. O que nos torna humanos é a capacidade, a possibilidade e o dever de resolver o conflito que existe entre ambos.

Quando agimos, tomamos uma decisão. Se diante de nós se abre a possibilidade de escolher entre um ato bom e um mau, estamos diante de um conflito de valores. Para resolver o dilema, estabelecemos uma série de critérios de acordo com nossos próprios valores e com a forma como consideramos os valores do outro. Quando eu imponho meu benefício ao de outra pessoa, isso é egoísmo, outra forma de vaidade. Quando o único benefício que obtenho é provar minha teoria, é pura vaidade.

O estuprador que, frente à liberdade sexual de uma mulher e o dano físico e psíquico que lhe inflige —com seu rastro  inquebrantável— escolhe a possessão e seu próprio prazer é cruel e é vaidoso. Quando escolhemos ter mil retuítes diante do direito à honra e à dor que causamos a uma pessoa ou a um grupo, estamos sendo vaidosos em nossa maledicência. O mal é vaidoso.

Hitler era vaidoso, como vaidosos são todos os grandes malvados da história. Na ficção, Thanos, o supervilão de Vingadores: Guerra Infinita, acaba com metade do universo vivo, caótico e hiperpovoado, pelo bem do próprio universo. Mais repercussão teve a decisão final de Daenerys Targaryen, na famosa série Game of Thrones, quando se dispõe a arrasar todas as aldeias para começar de novo sobre as bases do que para ela é aceitável, conveniente e tolerável, erigindo-se em luminar da verdade e impondo-a em nome de um bem maior. Isso é vaidade.

O supremacismo é vaidade. Matar ou governar pela graça de Deus é vaidade. Existe maior vaidade do que se arrogar o papel de ferramenta divina? Matar ou governar com a exoneração de culpa castrista —“A história me absolverá”— é vaidade.

No curso da história, a tendência foi minimizar e tentar eliminar os atos que hoje consideramos inaceitáveis. Há pouco mais de um século, bater-se em duelo não era apenas legal, mas obrigatório. Dar morte a uma pessoa para resolver uma ofensa.

A honra como valor estava acima da vida como valor. Antes dos duelos, o forte se limitava a executar aquele que o ofendia, sem oferecer-lhe sequer a possibilidade de se defender, sem jogar nesse mesmo ato sua própria vida para limpar sua honra. Isso faz parte da evolução moral do coletivo: se honra e vida são valores comparáveis, ao menos que a parte ofendida esteja disposta a arriscar também a sua. E um passo adiante está a proibição de que duas pessoas possam arriscar suas vidas por honra. Quem mata é um assassino, não um duelista.

A vida se torna o valor mais precioso. Nada justifica o assassinato. Nada.

Isso não significa que sejamos melhores ou piores do que os homens das cavernas, significa apenas que nos adaptamos a sistemas de conduta que respondem a uma aprendizagem trans-histórica. As sociedades que prosperam são aquelas regidas por sistemas de conduta mais benéficos para a evolução.

Lola Morím é psicanalista e especialista em neuropsiquiatria

O fascismo de cada lado

Por François Silvestre

O fascismo não é uma doutrina ideológica cristalizada numa das pontas da Rosa dos Ventos. É sim uma atitude comportamental que se agrega em qualquer ideologia. Seja à direita, à esquerda, ao Leste, ao Oeste, ao Norte ou ao Sul.

Hitler e Mussolini encarnavam o fascismo. Stalin e Tito também. Franco e Salazar eram fascistas. Mao-Tsé Tung e Brejnev também. Portanto, o fascismo não é uma ideologia, e sim um componente de caráter que se aboleta em qualquer lado do embate político, ideologizado ou não.Getúlio Vargas e o Estado Novo estabeleceram uma forma de poder constitucionalmente fascista. A Carta de Chico Ciência, que dele foi dito, “Quando as luzes de Chico Campos se acendem, apagam-se as luzes da democracia”, copiou em princípios e textos o ideário do  neo fascismo polonês e do fascismo italiano.

Getúlio, de pendores fascistas, apoiou o fascismo na guerra? Não. Aliou-se aos que derrotaram o Eixo. Seu fascismo era de atitude, de conveniência, para garantir o centralismo do poder, o personalismo e o controle ditatorial do Estado.

O fascismo se exerce em todos os níveis. No poder do Estado, de uma associação, num clube, num time, numa igreja, numa autarquia, e até numa casa. Um pai fascista ou uma mãe fascista.

A República do Brasil nasceu de um golpe, que teve componentes de todas os matizes e naturezas. Até um chifre que uma namorada de Deodoro da Fonseca lhe pôs com Silveira Martins, teve papel relevante. Quanto à feição doutrinária, essa República nasce no estuário do positivismo.

O positivismo é uma doutrina preparatória do fascismo. Próceres do movimento republicano pregavam e militavam sob a orientação do ideário criado por Augusto Comte. Dentre eles, destacava-se o coronel Benjamim Constant.

Prima essa doutrina pelo centralismo do poder, disciplina rígida, controle dos costumes, ordem e comando sob determinação hierárquica, encarnada na figura do líder. É ou não é o pré-fascismo? Liberdade, nesse estuário, só por concessão. E não um direito inalienável do indivíduo.

O antissemitismo é fascista. O sionismo também. Toda forma de racismo é fascista. Os alemães, da era nazista, tinham sobre os judeus a mesma opinião que tinham os russos, da era soviética.

O governo atual fala em escoimar o fascismo da legislação trabalhista, mas promete aprofundar o fascismo em matéria de costumes. É apenas um remanejamento do fascismo.

Resta saber, e o tempo dirá, onde o fascismo é mais nefasto. Té mais.

François Silvestre é escritor

De volta ao passado?

Por Paulo Linhares

Charles Baudelaire, imortalizado como “poeta maldito”, afirmou certa vez “que a mais bela das astúcias do Diabo é persuadir-vos que ele não existe” (“la plus belle des ruses du Diable est de vous persuader qu’il n’existe pas!”). Sem dúvida, uma tática literalmente infernal para coletar almas ingênuas daquelas pessoas candidamente crédulas de que o mal não lhes pode atingir. Ledo engano.

Não se deve esquecer, caro leitor,  que quando nos deslumbramos com o vertiginosos progresso da iluminação filosófica, das ciências e da tecnologia, a obsolescência do mal e a inexistência de Lúcifer, essa enganosa “estrela da manhã”, são perigosos equívocos e sua é a voz dos falsos profetas, que procuram satisfazer desejos egoístas, como ter poder, dinheiro ou influência; usam do engano, da chantagem emocional e do medo para conseguir seus intentos, segundo  a advertência  bíblica contida em Romanos 16:17-18.

Isto vem a ser lembrado, nestes ásperos tempos de incertezas e inquietações, em que os verdadeiros valores da dignidade humana e  da convivência pacífica dos povos são olvidados e substituídos pelo culto da violência e da intolerância. Isto faz lembrar a história daquele rapaz de humilíssima origem que, depois de galgar confortável posto na hierarquia estatal, conseguiu  precocemente um razoável aposentadoria e passou a viver às expensas do Erário, porém, não antes de defender com doentia obstinação valores canhestros perfilados no ideário daquilo que a filosofia política entende como “extrema direita”.Ver os seus olhos esbugalhados, o rosto crispado, a boca a babar numa gratuita demonstração hidrófoba de ódio, parecia ser apenas algo exótico de um fascista temporão que se consumiria em seu próprio delírio olavocarvalheano e no fraquejar das débeis coronárias. É bem certo que, vê-lo nessas insanas performances, faz lembrar o personagem da peça “Apareceu a Margarida”, o vitorioso texto do dramaturgo Roberto Athayde, escrito em 1973, que se tornou um dos clássicos da dramaturgia brasileira e que teve uma primeira montagem de sucesso com direção de Aderbal Freire-Filho e Marília Pêra no papel-título, no Teatro Ipanema, Rio de Janeiro.

Uma hilariante e bem construída metáfora do poder: numa louca viagem, dona Margarida esgrime seus dotes autoritários no exercício da bela arte de ensinar e defende valores que de há muito deveriam estar banidos da vida social. O mesmo ideário que nos rondam, nestes dias que correm.

O mais engraçado é que esse Dom Quixote às avessas, vendo em seu gorducho interlocutor a imagem irritante de um Sancho Pança a dizer incômodas verdades, rebatia com rútilos olhos e aos berros que “no Brasil não existe direita; todo mundo é de esquerda: Sarney, Fernando Henrique, Sobral Pinto, José Serra etc.” E se estas lideranças nacionais não eram suficientes, completava esse time ‘esquerdista’ com Adolf Hitler e Benito Mussolini.

O mais intrigante, e não menos hilário, era o ódio seminal que essa criatura temível dedicava a Antonio Gramsci, filósofo italiano cuja obra principal fora escrita  na prisão romana de Regina Coele, no longínquo 1934 que, após posto em liberdade, morreu precocemente aos 46 anos de idade. E deixou uma invejável produção intelectual que até hoje divide opiniões. Um pensador gigante, compreenda-o ou não.

Para tão bizarra figura – um Dom Quixote ao avesso, repita-se – esse tal Gramsci  irremediavelmente envenenou o “espírito universitário” brasileiro com suas teorias malsãs que tratam do conceito de hegemonia e de bloco hegemônico,  ademais de focar no estudo dos aspectos culturais da sociedade, tendo como eixo a chamada superestrutura na condição de fator  primordial para realização de uma ação de prevalência dos mecanismos políticos e ideológicos do Estado, bem assim das formas capazes de criar e de reproduzir o domínio político, a hegemonia.

Quando o interlocutor, numa  atitude de santa ingenuidade, argumentou que se Gramsci, com seus “Quaderni del carcere”, vem espraiando suas influência sobre pensadores de universidades do mundo inteiro, marxistas  e não necessariamente marxistas, é porque sua obra tem enorme vigor filosófico, foi ‘brindado’ com uma avalanche de impropérios dos mais chulos, óbvio, contra o desventurado pensador que foi vítima do fascismo de “Sua Excelência, Benito Mussolini, Chefe de Governo, Duce do Fascismo e Fundador do Império”, na verdade um ridículo e  caricato troglodita cujo fim foi ser dependurado, como algo menos que um reles suíno, num posto de gasolina de Milão. Aliás, um fim adequado para alguém que tanto mal fez ao seu povo e mesmo ao mundo.

Incrível que, com acertos e erros, Antonio Gramsci, continue vivo no pensamento de tantos estudiosos; é vigorosa presença no chão libertário das “universitas”. Bem a propósito disto, colaciona-se aquela assertiva de Lord Keynes, para quem “as ideias dos economistas e dos filósofos políticos, tanto quando estão certas ou quando estão erradas, são mais poderosas do que se pensa. Sem dúvida, o mundo é governado por pouco mais do que isso. Os homens práticos, que se acreditam imunes a qualquer influência intelectual, geralmente são escravos de algum economista já falecido. Os líderes loucos, que ouvem vozes vindas do ar, destilam sua exaltação de algum escrevinhador acadêmico de alguns anos atrás. Tenho certeza de que o poder de capitais investidos é enormemente exagerado em comparação com a gradual usurpação de ideias.”

Esta reflexão fragmentária e ligeira não deixa de estar centrada no momento ímpar e, até pouco tempo inimaginável, que vive a sociedade brasileira, uma das maiores democracias formais do mundo. Aliás, não deixa de ser ingênua a presunção de que os avanços das sociedades são sempre contínuos e irrefreáveis. Ora, os recuos e retrocessos lastimáveis estarão sempre na pauta das coisas humanas: de repente, um indivíduo civilizado pode regredir ao estado mais precário de barbárie, dadas as condições que o cercam, segundo a percepção de pensadores do porte de Robert Heilbroner e Karl Popper.

A extrema direita brasileira, que não existiria na alegoria daquele figadal inimigo do fantasminha Gramsci, ou queria fazer-nos crer que inexiste, embora definitivamente esteja no palco da política brasileira. E o mais grave é que essa versão outonal do extremismo de direita tupiniquim fica cada vez mais visível, animada pela campanha do seu candidato Jair Bolsonaro, vencedor da corrida presidencial no primeiro turno e vencedor no segundo turno com expressiva votação que ultrapassa os 57 milhões de votos, dez milhões a mais, em números redondos, do que obteve seu adversário Fernando Haddad.

A despeito da sua enorme aceitação popular, Bolsonaro apresenta elementos arcaicos e grosseiros que o diferenciam das experiências da extrema direita da maioria dos países europeu, exceto os fascistas de Mussolini e os nazistas do Alemanha. Por isto, será difícil fazê-lo entender, e aos seus seguidores também, que os 47 milhões de votos dados a Fernando Haddad merecem republicana consideração e respeito: na democracia contemporânea, a vitória da maioria jamais pode significar o esmagamento político da minoria.

Para quem já viu a chegada desses novos inquilinos do Palácio da Alvorada, finda sendo de enorme enfado essa “entrée triomphale” de mais uma trupe exótica que fala o dialeto do interior de ‘SanPaulo’,  assim mesmo, bem cantado e arrastado. Em primeiro de janeiro de 2019, os seguidores do capitão-presidente  amarrarão seus cavalos no mastro daquela bandeira enorme. E não adianta desejar outro cenário.

Aliás, em entrevista à imprensa nacional Bolsonaro declarou que o objetivo de seu governo é fazer “o Brasil semelhante àquele que tínhamos há 40, 50 anos atrás”. Essa nostálgica viagem “back to past” (ideal seria grafar isto em itálico que, porém, não serve para postagens nas redes sociais), é assustadora uma perspectiva de retrocesso de tudo o que a sociedade brasileira evoluiu nas conquistas da cidadania, sobretudo, na valorização social do papel das mulheres ou na inclusão política, social e econômica de extensos segmentos da população historicamente ‘tatuados’ com o signo da exclusão.

Mais curioso é que o dístico da campanha de Bolsonaro à presidência da República – “Brasil acima de tudo, Deus acima de todos” – é uma tradução quase literal do lema nazista “Deutschland Über Alles”, que significa “Alemanha acima de tudo” e do “Gott mit uns” (“Deus conosco”) que os soldados nazistas usavam na fivela do cinto. Como alento aquela advertência do filósofo Karl Marx, a quem a tosca extrema-direita chama de “vagabundo”, “beberão” etc., de que “A história se repete, a primeira vez como tragédia e a segunda como farsa”. Vai ser o que dessa feita: tragédia ou farsa? Independentemente de qualquer resposta, certo é que a eleição de Jair Bolsonaro, em 28 de outubro de 2018, se constitui, ainda, num voo cego de imprevisíveis consequências.

Uma coisa é certa: os extremistas de direita já aparecem nas ruas e praças, nas universidades, igrejas,  nos quartéis e parlamentos, com suas próprias caras e não mais usam da astúcia de persuadir as pessoas de que a extrema direita não existe. Ainda mais agora, que venceram nas urnas, escorados em bordões rasteiros, factóides, “fake news” e num amontoado de propostas difusas. O mais grave é que pessoas de boa índole passam a incorporar o discurso granítico do ultraconservadorismo e deixam no meio do caminho os postulados que imantam o Estado Democrático de Direito.

Inolvidável que Jair Bolsonaro chega à presidência da República com alto grau de legitimação política, o que lhe permite colimar algumas promessas de campanha, em especial se tiver jogo de cintura para domar o Congresso Nacional, na configuração que tomará a partir de 1º de fevereiro de 2019. Manda o credo republicano que seja acatada a fala das urnas, que é a expressão maior da soberania popular: Bolsonaro é o presidente eleito, deve tomar posse e tentar fazer um bom governo, não apenas para retribuir a confiança depositada nele por 57 milhões de brasileiro, como também para convencer os outros 47 milhões, que apostaram em Haddad, do seu propósito de respeitar a Constituição, preservar o sistema de direitos e garantias fundamentais do cidadão, sobretudo, aqueles referidos às liberdades civis.

O nostálgico olhar de retrovisor de Bolsonaro soa como uma piada de péssimo gosto, justo quando todos os indicadores mostram que, a partir de 1º de janeiro de 2019, o imponderável será sempre uma possibilidade, e mesmo os mais avançados segmentos da sociedade brasileira podem retroceder cinco décadas, num enorme salto do tipo “de volta para o passado”, para aterrissar perigosamente em 1968, “o ano que não terminou” tão dramaticamente retratado na obra homônima de Zuenir Ventura. Quem viver, ou sobrevier, verá.

Paulo Linhares é professor e advogado

A fábrica de extermínio em massa de Adolf Hitler

Por Luís Antônio Giron (IstoÉ)

O historiador e documentarista inglês Laurence Rees, de 61 anos, se tornou especialista no Holocausto judeu porque ficou intrigado com o surgimento e o progresso do monstruoso modo de produção e destruição nazista. Por isso, sentiu necessidade de compreendê-lo para estabelecer uma interpretação racional de um dos maiores monumentos à incoerência, à violência e ao genocídio.

Sua pesquisa durou 25 anos e resultou no livro “O Holocausto — Uma Nova História”, lançamento da Editora Vestígio. Rees entrevistou centenas de sobreviventes, soldados e oficiais nazistas responsáveis pelos campos de concentração. Tratou de organizar depoimentos inéditos em uma narrativa que busca explicar o nexo entre a chamada “solução final” e a dinâmica da guerra. O resultado é uma história sistemática de um tema muito abordado, mas, até agora, superficialmente analisado.

Rees descortina o nascimento do monstro e o descreve do seguinte modo: no final de 1941, o exército alemão dava aos primeiros sinais de que começava a perder a Segunda Guerra Mundial para os Aliados. Era preciso incentivar a produção das indústrias do Terceiro Reich com um aporte numeroso de mão de obra produtiva — e eliminar aqueles que atrasavam o avanço econômico, como os deficientes físicos e mentais, além da população de judeus. O chanceler alemão Adolf Hitler acreditava que o afluxo de migrantes judeus inviabilizaria o estoque de alimentos e resultaria em fome para toda a população.

Três anos antes, na Conferência de Evian, convocada pelo presidente americano Franklin Delano Roosevelt, que reuniu representantes de 32 países no balneário francês, Hitler havia proposto que todos os países acolhessem os judeus radicados na Alemanha. Ele os culpava por terem desencadeado a Primeira Guerra Mundial.

O Führer (em alemão, “condutor”, “guia”, “líder”) se dispusera a expulsar os judeus aos países que simpatizassem com eles, “até em navios de luxo”, como declarou. Mas ninguém aceitou recebê-los, fato que Rees identifica como um dos dois fatores causadores do Holocausto, como ficou conhecido o extermínio judeu, além do de outras populações, como poloneses, ciganos e minorias, como os homossexuais.

O segundo fator foi a crescente escassez de recursos da Alemanha. Isso acelerou a construção da indústria da morte nazista.

Adolf Hitler em rara aparição no fim da guerra: atribuiu a derrota aos judeus (Crédito:Walter Frentz)

“Evian foi um momento crucial do Holocausto”, diz Rees em entrevista.

“Por que os Aliados não tomaram providências? Ainda que o restante dos países tenha se manifestado de forma simpática, agiram muito pouco. Mesmo assim, ainda era cedo para imaginar os horrores que se seguiriam.”

Van de gás

Com o recrudescimento da guerra, os nazistas se sentiram obrigados a pôr em prática o extermínio. A solução foi encontrada por Hans Frank, chefe do Governo Geral. “Os judeus devem desaparecer”, disse. “São tremendamente prejudiciais a nós devido à quantidade de comida que devoram.” Para conter a escalada que colocava em risco a vida dos “arianos”, Frank criou o primeiro dispositivo para matar judeus: a van de gás. O veículo passou a transportar deficientes físicos e mentais, crianças e mulheres.

Enquanto a viagem ocorria, gás carbônico era despejado no compartimento traseiro, matando os passageiros, que eram enterrados no caminho. Morreram centenas, mas as vans chamavam atenção e não davam conta da demanda.

Para resolver o problema, os nazistas inauguraram uma câmara de gás fixa em Chelmno, na Polônia. Foi o primeiro dos 48 campos de concentração que se espalhariam pelo Reich e assassinariam 6 milhões de judeus e outras etnias até o fim da guerra, em 1945. Um milagre econômico.

O Campo de Concentração de Auschwitz exibia o lema que define uma certa ética: “O trabalho liberta” (Arbeit macht Frei). Leia-se: “O trabalho extermina”.

Tais operações, segundo Rees, não foram planejadas no início da guerra, mas resultaram de ações graduais.

“É preciso entender o genocídio no contexto da guerra e não de um projeto racional”, diz.

“Ele cresceu à medida que os nazistas eram derrotados, os recursos se tornavam escassos e era preciso usar prisioneiros para garantir a estrutura do país.” À medida que eram encurralados, eliminavam-se os “imprestáveis”. Ao mesmo tempo, negociavam prisioneiros para servir às indústrias nas franjas do regime para gerar lucros.

Visão inédita

Os historiadores tentaram explicar como uma nação civilizada perpetrou a barbárie total.

Duas teorias vigoraram nos últimos 70 anos: a intencionalista, segundo a qual a matança partiu de Hitler, e a funcionalista, que afirma haver na origem das execuções uma combinação entre o poder de Hitler e forças externas.

Rees contesta ambas. Segundo sua visão inédita, o extermínio não resultou de um ato apoteótico e nem de um método sistemático.

“A jornada rumo ao Holocausto foi gradual e cheia de idas e vindas, até encontrar sua expressão final nas fábricas de morte nazistas.”

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