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Mais de 12 mil agentes de segurança vão atuar em eleições

Coronel Araújo adianta que existe um "planejamento pronto" (Foto: Governo do RN)
Coronel Araújo adianta que existe um “planejamento pronto” (Foto: Governo do RN)

O Governo do Rio Grande do Norte detalhou nesta sexta-feira (4), em coletiva de imprensa, o esquema de segurança pública que será aplicado na Operação Eleições 2024. O esquema reforça a segurança em todos os 167 municípios do estado. O primeiro turno das eleições municipais acontece neste domingo (6). Forças de segurança estarão presentes em todos as cidades do estado com um investimento de quase R$ 10 milhões.

Para este pleito, a Secretaria de Estado da Segurança Pública e da Defesa Social (SESED) utilizará a mesma estratégia de pleitos anteriores. Todo o efetivo que atua no estado, mais de 12 mil homens e mulheres, será empregado.

Assim, com exceção dos servidores de férias ou em cumprimento de licença médica, todos os ativos da Polícia Militar, Polícia Civil, Corpo de Bombeiros Militar e Instituto Técnico e Científico de Perícia (ITEP) foram convocados para trabalhar no dia da eleição.

Em razão do emprego de todo o efetivo das forças estaduais no pleito, o Governo do Rio Grande do Norte vai investir quase R$ 10 milhões em diárias operacionais.

A Operação Eleições 2024 também contará com participação da Polícia Penal, com servidores da Secretaria de Estado da Administração Penitenciária, de guardas municipais, além da participação da Polícia Federal, Polícia Rodoviária Federal (PRF), Agência Brasileira de Inteligência (ABIN) e Neoenergia Cosern.

“Planejamento pronto. Todos os 167 municípios, 60 zonas eleitoras e mais de 1.500 locais de votação, terão servidores do sistema de segurança pública, que irão trabalhar de forma integrada para garantir o pleito eleitoral”, afirmou o coronel Francisco Araújo, titular da SESED.

Em tempo real

A Operação Eleições 2024 em todos os 167 municípios do estado será acompanhada em tempo real pela SESED. Será ativado no domingo, (6) o Centro Integrado de Comando e Controle Estadual (CICCE), coordenado pelo Centro Integrado de Operações de Segurança Pública (CIOSP), que contará com servidores dos órgãos do sistema de segurança pública para gerenciar as ocorrências relacionadas ao pleito eleitoral.

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‘Abin paralela’ espionou autoridades e favoreceu clã Bolsonaro, diz PF

Abin é órgão para cumprir papel apenas institucional (Foto: Marcelo Ferreira/Estado de Minas)
Abin é órgão para cumprir papel apenas institucional (Foto: Marcelo Ferreira/Estado de Minas)

Do Canal Meio e outras fontes

O monitoramento ilegal da Agência Brasileira de Inteligência (Abin) durante a gestão de Jair Bolsonaro (PL) incluiu políticos, magistrados e jornalistas, segundo as investigações da Polícia Federal. A chamada “Abin paralela” também produzia dossiês e disseminava notícias falsas contra adversários. Na decisão que autorizou a Operação Última Milha da PF, o ministro do Supremo Tribunal Federal Alexandre de Moraes diz que as investigações mostraram que a “utilização dos recursos da Abin” teve o objetivo de “obter vantagens políticas”.

Entre as autoridades monitoradas estão o próprio Moraes, Arthur Lira (PP-AL), que preside a Câmara dos Deputados, e o senador Renan Calheiros (MDB-AL), assim como as jornalistas Mônica Bergamo e Vera Magalhães. A Abin utilizou um programa chamado FirstMile para monitorar a localização de alvos pré-determinados por meio dos aparelhos celulares. (Globo)

E a PF encontrou o áudio de uma reunião em que Bolsonaro, o general Augusto Heleno, então chefe do Gabinete de Segurança Institucional, ao qual a Abin é subordinada, e o ex-chefe da Abin Alexandre Ramagem discutem um plano para anular o inquérito das “rachadinhas” contra o senador Flávio Bolsonaro. Segundo aliados, o ex-presidente está furioso por Ramagem ter mantido no celular um áudio tão comprometedor. (Estadão e Globo)

A estrutura da “Abin paralela”, segundo a PF, mandava marcar o vereador Carlos Bolsonaro em postagens nas redes sociais com fake news que miravam adversários políticos. Também foi utilizada para produzir provas a favor de Jair Renan, que era alvo de um inquérito pela suspeita de tráfico de influência. (Globo)

Os detalhes do caso foram divulgados depois que Moraes levantou o sigilo da quarta fase da Operação Última Milha, realizada ontem. A PF cumpriu cinco mandados de prisão preventiva e sete de busca e apreensão em Brasília, Curitiba, Juiz de Fora, Salvador e São Paulo. (UOL)

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Investigação da ‘Abin paralela’ leva PF a Carlos Bolsonaro

Do Canal Meio e outras fontes

Vereador Carlos Bolsonaro é um dos principais investigados (Foto: Sérgio Lima/AFP)
Vereador Carlos Bolsonaro é um dos principais investigados (Foto: Sérgio Lima/AFP)

O vereador carioca Carlos Bolsonaro (Republicanos) foi o principal alvo de uma operação da Polícia Federal na manhã de ontem. A ação, que incluiu busca e apreensão em endereços ligados ao filho Zero Dois de Jair Bolsonaro (PL) – incluindo a casa de praia da família em Angra dos Reis (RJ) –, faz parte da investigação sobre o uso ilegal de um software de monitoramento pela Agência Brasileira de Inteligência (Abin) para espionar adversários do ex-presidente e de seus familiares.

Assessores de Carlos, que também estão sendo investigados, pediam informações ao ex-diretor da Abin e hoje deputado federal Alexandre Ramagem (PL-RJ). Na quinta-feira passada, a PF fez uma operação em endereços ligados ao parlamentar, apreendendo um celular e um computador da agência que ainda estavam em poder dele. Três notebooks, 11 computadores e quatro celulares foram apreendidos nas ações de ontem da PF. (g1)

Uma conversa entre assessoras de Carlos e Ramagem é citada pelo ministro do Supremo Tribunal Federal Alexandre de Moraes para justificar a ação da PF, demonstrando que o vereador integraria o “núcleo político” da chamada “Abin paralela”. Pelo WhatsApp, Luciana Almeida, assessora de Carlos, pede “ajuda” a Priscilla Ferreira e Silva, a serviço do então diretor-geral da Abin. Ela envia o nome da delegada Isabela Muniz Ferreira, do núcleo da PF responsável por investigações sensíveis, e cita dois inquéritos, afirmando que envolvem “PR e 3 filhos”, em possível menção ao ex-presidente e seus filhos.

“Como ressaltado pela autoridade policial, as ‘demandas’ eram tratadas por meio de assessoras, e não diretamente entre os investigados, ‘corroborando ainda mais o zelo em relação aos vestígios das condutas delituosas’”, afirma Moraes. Além de endereços ligados a Carlos, a PF realizou buscas nas casas de Luciana, Priscilla e de Giancarlo Gomes Rodrigues, militar cedido para a Abin na gestão Ramagem. (UOL)

Por pouco, os policiais não encontraram Carlos, o pai e os irmãos na casa de praia em Angra dos Reis. O ex-presidente e os filhos haviam saído de barco para pescar às 5h, conta Mônica Bergamo. Os Bolsonaro estavam em uma praia quando receberam a notícia da operação. “Querem me esculachar, me fazer passar por constrangimento”, disse o ex-presidente à jornalista. “Estão jogando rede, pescando em piscina. Não tem peixe.” Além de Carlos, a PF vê indícios de uso indevido da Abin para beneficiar o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) e o irmão mais novo, Jair Renan. (Folha)

Carlos prestará depoimento à PF hoje. A afirmação foi feita por seu pai, que explicou à CNN Brasil que o depoimento já estava marcado há alguns dias como parte de um processo que corre em segredo de Justiça. Sobre as suspeitas envolvendo o vereador, o ex-presidente disse que é normal pedir informações, o que não pode é haver interferência, e que jamais pediria algo que não fosse legal.

Também disse desconhecer qualquer pedido dos filhos a Ramagem sobre assunto confidencial. Bolsonaro afirmou ainda que a apreensão de objetos de pessoas não investigadas, como o computador de um de seus assessores, é um abuso. (CNN Brasil)

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O apagão e nossa dependência energética

Lanterna, escuridão , iluminação, luz, foco, energia artificialO apagão em boa parte do país hoje, levando internet e telefonia a um redemoinho, mostrou como estamos dependentes desse sistema.

Até para pagar uma conta simples, tentar localizar parceiro de trabalho, foi difícil.

Ainda estou tentando me achar.

Simbora!

*Segundo o UOL, Hoje (terça-feira, 15) pela manhã, uma série de quedas no fornecimento de energia elétrica foi reportada em várias cidades de 25 estados e no Distrito Federal, abrangendo todas as cinco regiões do Brasil.

O Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS) disse que a “ocorrência” foi registrada às 8h31 e ocasionou uma “separação elétrica” no sistema interligado entre as regiões Norte e Nordeste em relação às regiões Sul e Sudeste.

O ministro de Minas e Energia, Alexandre Silveira (PSD-MG), afirmou que vai oficiar o Ministério da Justiça para que seja aberto um inquérito policial, com colaboração da Polícia Federal e da Agência Brasileira de Inteligência (ABIN), para investigar as causas do apagão.

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Senador implica Bolsonaro em trama para golpe, mas recua

Do Canal Meios e outras fontes

Em 9 de dezembro do ano passado, o presidente Jair Bolsonaro (PL) e o deputado Daniel Silveira (PTB-SP) tentaram aliciar o senador Marcos do Val (Podemos-ES) em um plano para prender o presidente do TSE, Alexandre de Moraes, e impedir a posse do presidente eleito Luiz Inácio Lula da Silva (PT).

Marcos do Val gravou entrevista, mas bolsonarismo o sitiou depois (Foto: Geraldo Magela/Senado)
Marcos do Val gravou entrevista, mas bolsonarismo o sitiou depois (Foto: Geraldo Magela/Senado)

A revelação, registrada em áudio, foi feita pelo próprio senador. O plano, segundo Val, consistia em ele gravar uma conversa com Moraes e arrancar dele alguma declaração que indicasse parcialidade na condução das eleições.

O equipamento de escuta seria fornecido pela Agência Brasileira de Inteligência (ABIN) e pelo Gabinete de Segurança Institucional da Presidência (GSI). Com a gravação, Bolsonaro interviria no TSE e se perpetuaria na presidência. O senador afirmou ter procurado Moraes e denunciado a trama, mas, como se recusou a depor pessoalmente, o ministro disse não poder tomar providências. (Veja)

O relato de Marcos do Val pode dar contexto à minuta de um decreto golpista encontrado pela Polícia Federal na casa do ex-ministro da Justiça Anderson Torres. Segundo o documento, seria decretado “estado de Emergência no TSE” para impedir a posse de Lula. A gravação que o senador deveria obter seria a justificativa para a ação. (Globo)

Tão logo ficou clara a dimensão da denúncia de Val, a cúpula bolsonarista traçou uma estratégia, como revelou Luciana Lima: jogar a responsabilidade nas largas costas de Daniel Silveira. (Meio)

Na pressão, outra versão

O senador mudou sua versão após receber telefonemas de Flávio e de Eduardo Bolsonaro. À Veja, ele disse e a revista gravou, que a reunião foi agendada pelo presidente. Após as conversas com os filhos do presidente, passou a dizer que a iniciativa fora do deputado e que este apresentara os detalhes do plano, embora mantivesse que isso aconteceu na presença de Jair Bolsonaro.

Do Val também voltou atrás na ideia de renunciar ao mandato, o que tinha manifestado. (Estadão)

O senador e filho Zero Um Flávio Bolsonaro (PL-RJ) argumentou, em discurso no Senado, que a conversa relatada por Marcos do Val “não configura crime”. “Ainda que fosse verdade — porque eu não sei se é — conversar sobre isso não é um crime. Executar isso seria”, disse. (g1)

Já Daniel Silveira foi acordado pela PF em sua casa de Petrópolis, Região Serrana do estado do Rio. Ele voltou a ser preso por ordem de Alexandre de Moraes, mas a decisão não tem relação com as denúncias de Val. A justificativa foi o descumprimento sistemático de ordens do Supremo, danificando a tornozeleira eletrônica que deveria usar, abrindo novas contas em redes sociais e reiterando os ataques às instituições. (UOL)

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O Golbery do Paraguai

Heleno: o general (Foto: Sérgio Lima)

Por François Silvestre

Começo pedindo desculpas ao Paraguai. Deveria dizer, o Golbery do Brasil de hoje. A quem me refiro? Ao general Heleno, esse velhinho aparentemente suave, que era chefe de gabinete do Sílvio Frota, que foi defenestrado por Ernesto Geisel, ao tentar um golpe para evitar a distensão lenta e gradual proposta por Golbery do Couto e Silva e encampada pelo general presidente Geisel.

O aparentemente suave é uma cilada. O general Heleno é tudo, menos suave. Se pudesse já teria fechado o Supremo e o Congresso. É um fascista de carteirinha.

Golbery criou e chefiou o Serviço Nacional de Informação (SNI), que tinha a função de chafurdar a vida das pessoas; mandar investigar, prender, exilar, torturar e matar. Um dia, meio entre remorso e medo, ele declarou: “Criei um monstro”.

Pois bem. Seu sucessor de hoje é o general Heleno, de cujo primeiro nome esqueço, e o o antigo SNI virou Agência Brasileira de Inteligência (ABIN). Agência Brasileira de Inteligência. Que é agência, não se discute. Que é brasileira, também não. Mas, inteligência? Kkkkkkkkkkkk. Tão inteligente esse órgão que qualquer revista das que circulam por aí, consegue saber o que esses espiões do Heleno tramam. Bando de cagões.

Agora vazou uma atribuição do órgão que nem o 007 imaginaria. Inteligência para corrupção. Pois foi. Um trabalho minucioso para ajudar na defesa do senador Flávio Bolsonaro, aquele da corrupção do esquema Bolso Queiroz.

Os auditores do fisco federal declararam, numa nota, que é o maior escândalo dos novos tempos. Taí um trecho da nota:

“Se não bastasse a gravidade de se ter uma agência de inteligência mobilizada para defender o filho do presidente da República, acusado de atos ilícitos, como a “rachadinha” na Alerj, não se pode admitir que um órgão de governo busque interferir num órgão de Estado, protegido pela Constituição Federal, sugerindo afastamentos de servidores públicos”…

Leia também: Abin não fez relatórios para Flávio Bolsonaro; defesa confirma documentos.

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Temer favorece relator de processo contra ele no TCU

Bruno foi indicado ao TCU pelo MDB no Senado (Foto: TCU)

Do Congresso em Foco

Às vésperas de o Tribunal de Contas da União (TCU) julgar o Decreto dos Portos, que colocou o presidente Michel Temer (MDB) no centro de uma investigação criminal, o governo federal promoveu o irmão do relator do processo, o ministro Bruno Dantas.

O irmão do ministro, Hugo Dantas Silva Nascimento, foi nomeado como adido auxiliar da Agência Brasileira de Inteligência (ABIN) em Buenos Aires, na Argentina. A nomeação foi publicada no Diário Oficial da União no último dia 18.

O nome de Hugo não aparece no decreto, apenas o número de sua matrícula no órgão. O documento é assinado por Temer e pelo general Sérgio Etchegoyen, ministro-chefe do Gabinete da Segurança Institucional (GSI), órgão ao qual a Abin é subordinada.

O próprio Etchegoyen ligou para a diretoria da Abin com o objetivo de exigir a nomeação de Hugo Dantas, segundo apurou a reportagem do Congresso em Foco. E disse que a indicação era uma demanda de Temer.

Bruno Dantas foi indicado ao TCU em 2014 com apoio do MDB e do então presidente do Senado Renan Calheiros (AL).

Saiba mais detalhes clicando AQUI.

Nota do Blog – Ainda bem que esse tipo de toma-lá-dá-cá só acontece em Brasília.

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Prisão de Lula realiza sonho dos militares

Por Pedro Paulo Rezende

prisão do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva realizou o sonho da maioria dos militares, principalmente do Exército. Não há uma pesquisa científica, mas, em conversas privadas, são poucos os oficiais e subalternos que não compartilham o desejo de ver a cúpula do Partido dos Trabalhadores na cadeia. As ações do juiz federal Sérgio Moro, da 13ª Vara Criminal Federal, em Curitiba, coordenadas com o Tribunal Regional Federal da 4ª Região, são aprovadas e elogiadas.

O interessante é que essa indignação não se espalha em igual intensidade para os partidos conservadores, como o MDB e o PP. A rejeição é forte também em relação a essas legendas, mas ninguém chega ao ponto de defender sua extinção pura e simples.

Essa situação contrasta com o grau de atenção que as administrações do PT deram ao reequipamento das Forças Armadas. Lula encontrou o aparato militar brasileiro em situação de total penúria. Investiu em programas importantes. A Marinha ganhou novos submarinos convencionais, dos quais o primeiro será entregue neste ano, e reativou o projeto de fabricação de um submarino nuclear.

A Força Aérea contratou a aquisição de aviões de combate Gripen E/F com a Suécia e deu início ao desenvolvimento de um avião de transporte capaz de atender uma demanda mundial de 2 mil unidades. O Exército poderá substituir suas velhas viaturas de transporte blindadas Urutu por novos Guaranis, tecnologicamente mais avançados. Além disso, desenvolve o primeiro míssil de cruzeiro de fabricação nacional, que poderá entrar em operação em 2020.

Há inúmeros outros projetos em curso, inclusive um míssil ar-ar avançado, em cooperação com a África do Sul, e um fuzil de projeto inteiramente nacional. Apesar disso, a antipatia dos militares em relação ao PT é evidente. Isso é fácil de explicar.

O conflito com Celso Amorim

Em sua passagem pelo Ministério da Defesa, o ex-chanceler Celso Amorim verificou que o coronel Wilson Dias Machado ainda ministrava aulas de Organização Social e Política do Brasil no Colégio Militar de Brasília. No primeiro encontro com o então comandante do Exército, general-de-exército Enzo Martins Peri, em 2011, ele exigiu a exoneração do oficial, ligado à repressão e envolvido no atentado ao Riocentro em 30 de abril de 1981, quando uma bomba explodiu no colo do sargento Guilherme Pereira do Rosário, que estava ao seu lado no carro, um esportivo Puma GTE.

Mesmo com esse passado, Machado construiu uma carreira no magistério militar. Amorim também defendeu uma reformulação do currículo das academias e escolas militares. Na época, foi acusado pelo Clube Militar de querer aparelhar as Forças Armadas com a ideologia petista.

O movimento de 31 de março de 1964, que instalou um regime autoritário que durou 21 anos, ainda é comemorado nas organizações militares. Não existe mais a pompa e circunstância dos velhos tempos, mas os comandantes ainda emitem uma ordem do dia que alerta para o risco do comunismo. Para eles, o golpe foi uma resposta aos anseios da sociedade brasileira contra as ideologias de esquerda. Esse ideário é ensinado nas escolas de sargentos e nas academias que formam os futuros oficiais da Marinha, do Exército e da Aeronáutica. A proposta de Amorim era esvaziar esse conteúdo, que se transformou em dogma entre os militares.

O PT é visto como um partido de ideologia marxista, apesar de Lula ter feito um governo muito longe disso, que economicamente foi mais próximo de correntes do pensamento liberal. Mas incomodam, por exemplo, as relações entre o partido e organizações como o Movimento dos Trabalhadores Sem Terra (MST) ou o Movimento dos Trabalhadores Sem Teto (MTST), que os militares identificam como braços da esquerda radical.

No ideário, caberia às Forças Armadas evitar a transformação do Brasil em um regime similar ao da Venezuela, com todas as mazelas vividas pela nação vizinha, como focos de fome e desabastecimento generalizado de alimentos e remédios. Ninguém analisa a dependência extrema do governo venezuelano ao petróleo, quase que único produto de exportação do país.

Legalismo e contatos com o Judiciário

Apesar disso, a nova liderança militar é essencialmente legalista e respeita os limites impostos pela Constituição. Os laços de lealdade da tropa com os três comandantes militares também são fortes, o que reduz os riscos de uma aventura.

Na véspera do julgamento pelo Supremo Tribunal Federal (STF) do habeas corpus impetrado pela defesa do ex-presidente Lula, o comandante do Exército, general-de-exército Eduardo Villas Bôas, soltou dois tuítes: no primeiro, que assinalava a posição oficial da força, destacou o respeito às instituições; no segundo, jogou para a torcida, o público interno, essencialmente antipetista, ao afirmar que a instituição não aceita a impunidade nem a corrupção.

O Alto Comando do Exército agrupa 16 generais-de-exército, o posto mais alto da carreira. Segundo oficiais da ativa, o general Villas Bôas instituiu uma rotina semanal: compartilhar e analisar os dados obtidos pela inteligência da força com a cúpula do Exército em Brasília e, por meio de teleconferência, com os comandantes de área. Nestas reuniões forjou-se um consenso de que uma ação só se justificaria em um quadro de completa falência das instituições nacionais.

Além disso, as Forças Armadas oferecem a garantia de independência do Judiciário por meio de contatos diretos com autoridades que atuam de maneira direta na Operação Lava Jato, incluindo o relator no STF, ministro Edson Fachin, e a presidente da corte, ministra Cármen Lúcia. Oficiais generais também costumam visitar o juiz Sérgio Moro e os desembargadores do Tribunal Regional Federal da 4ª Região, em Porto Alegre. Apesar dessa ligação, existe o respeito à legalidade e à ordem constitucional. Há um consenso de que os militares pagaram um preço alto pelo regime militar. São esses os limites que impedem uma pressão maior contra o Partido dos Trabalhadores e os movimentos sociais.

A verdade é que, enquanto não houver uma mudança radical na formação de oficiais e subalternos, continuará a desconfiança das Forças Armadas em relação aos partidos de esquerda. Ela também atinge um segmento importante da Agência Brasileira de Inteligência (ABIN) que, até hoje, prioriza a vigilância interna, a exemplo do que ocorria nos tempos do velho SNI criado pelo regime militar. São resquícios de 21 anos de governo autoritário que se recusam a morrer. Infelizmente.

Pedro Paulo Rezende é jornalista especializado na área de defesa. Em mais de 30 anos de atuação profissional, foi o correspondente brasileiro de uma das principais publicações do mundo nessa área, a James Defense Weekly, e trabalhou nos jornais O Globo e Correio Braziliense

* Texto originalmente publicado no Congresso em Foco