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As mulheres no palco da memória

Por Marcos Araújo

Mulheres (Getty Images)
Mulheres (Getty Images)

A história não tem sido justa com as mulheres. Em grande parte, elas foram colocadas a lattere, dessignificadas. A historiadora francesa Michelle Perrot denunciou isto em um livro (As mulheres ou os silêncios da história).

Já que estamos em período eleitoral, cabe lembrar sobre a importância da participação da mulher na política. O cenário nacional segue desfavorável à participação feminina na política: as mulheres somam 52% dos votantes, mas representam apenas 15% dos parlamentares do Congresso. Na prática, a política no Brasil tem sido conduzida por homens.

Algum misógino poderia até dizer que a política é ambiência masculina. Até esbarrar no exemplo de Golda Meir, Margareth Thatcher, Indira Gandhi, Angela Merkel, Madeleine Albright, Kamala Harris…

Nos Estados Unidos, dizem que Rosa Parks se sentou para que Martin Luther King pudesse marchar, e que King marchou para que Barack Obama pudesse correr, numa referência à expressão em inglês “run for office”, usada para se referirem à disputa pela Casa Branca.

Por justiça, deve ser destacada a contribuição das mulheres potiguares na história política brasileira: a cidade de Mossoró/RN teve a primeira eleitora alistada – a professora Celina Guimarães em 1927; em Lajes, em 1929 foi eleita a primeira prefeita – Alzira Soriano. Desde o início da República, em 1889, o país teve uma única presidente, Dilma Rousseff, e apenas oito governadoras foram eleitas para o cargo, sendo três delas no Rio Grande do Norte.

Os “apagões” da participação feminina são visíveis em todos os setores sociais, e em todos os recantos do planeta.  Alguns exemplos na ciência: Esther Lederberg não teve permitido o registro de sua pesquisa. A Universidade de Stanford, onde lecionava, atribuiu aleatoriamente ao seu esposo, Joshua Lederberg, que levou o crédito — e o Nobel de Medicina em 1958. Outro caso: Jocelyn Bell descobriu os pulsares da eletromagnética. Em 1974, sua pesquisa venceu o prêmio Nobel de Física, mas seu nome nem sequer foi mencionado — os homenageados foram Antony Hewish e Martin Ryle, coadjuvantes na descoberta. Hedy Lamarr desenvolveu um sistema para lançamento de torpedos, mas teve o seu uso tomado indevidamente pela Marinha Americana e somente em 2014 entrou para o Hall da Fama Nacional de inventores, ficando conhecida como “a mãe do wi-fi”.

Poderia ir além, citando mulheres em todas as áreas do saber humano que tiveram seus nomes sonegados a registro da história.

Por aqui (no RN), devemos exaltar a biografia das mulheres na política e suas relevâncias na construção social. Não se olvide nunca a importância intelectual e política de Nísia Floresta, Auta de Souza, Alzira Floriano, Celina Guimarães Viana, Maria do Céu Pereira Fernandes, Lindalva Torquato Fernandes, Ana Floriano, entre outras.

É preciso resgatar o protagonismo feminino no palco da história. E incentivar a participação da mulher em todos os espaços da vida pública brasileira.

Marcos Araújo é advogado, escritor e professor da Uern

Alemanha decide o seu futuro

Por Ney Lopes

Neste domingo (26) realiza-se eleição na Alemanha, que indicará o sucessor de Ângela Merkel, a chanceler desde 2005 e líder do partido de centro-direita – União Democrata-Cristã (CDU) de 2000 a 2018.

O mundo democrático aguarda esse resultado, sobre a União Europeia, pela importância germânica na economia e na política global.

Angela Merkel é chanceler da Alemanha, com perfil vitorioso (Foto: Reuters)
Angela Merkel é chanceler da Alemanha, com perfil vitorioso (Foto: Reuters)

A possibilidade de uma guinada à esquerda na Alemanha colocou até Ângela Merkel, que está prestes a se aposentar, na campanha. Seu partido, a conservadora CDU, corre o risco de sair do poder após a eleição deste mês e passou a agitar o velho fantasma da ameaça socialista.

Três partidos ou alianças de partidos indicaram candidatos oficiais para o cargo de chanceler federal da Alemanha. São eles:  Olaf Scholz (socialdemocrata), Armin Laschet (direita, candidato de Merkel) e Annalena Baerbock (ecologista).

Merkel entrou na política fora do sistema democrático, quando a Alemanha ainda estava dividida entre uma área de influência soviética e outra dos aliados.

Com a queda do muro de Berlim e reunificação, após 1990, seu partido — formado originalmente na Alemanha Oriental, onde ela vivia — foi incorporado pela União Cristã-Democrata (CDU), onde ela ascendeu graças às suas habilidades políticas.

A economia da Alemanha se saiu bem durante os 16 anos de Ângela Merkel como chanceler federal do país. Mas a líder alemã também deixa várias grandes obras em andamento para seu sucessor.

Os principais nomes à sucessão de Merkel participaram até ontem, 25, de seus últimos grandes eventos de campanha em diferentes cidades. Acirrada como nunca, disputa pela Chancelaria Federal segue indefinida, segundo as pesquisas.

O candidato da direita, apoiado por Merkel, mostrou ligeira ascensão.

Os processos eleitorais na Alemanha ocorrem a cada quatro anos, assim como no Brasil. O voto é obrigatório a partir dos 18 anos.

Enquanto no Brasil a votação é feita através do processo eletrônico, essa forma foi considerada inconstitucional na Alemanha, por dificultar o acompanhamento da apuração pelo cidadão.

O sistema eleitoral alemão é parlamentarista. O líder da nação é o chanceler (primeiro ministro). O voto distrital misto é usado com duas fases: na primeira o eleitor vota no candidato do seu distrito.

Na segunda fase o eleitor escolhe um partido político, que pode ou não ser o partido do qual o candidato da primeira etapa faz parte.

A Alemanha permite as candidaturas independentes, desde que o candidato receba pelo menos 200 votos em seu distrito.

As formas de financiamento podem ser: estatal (o financiamento estatal partidário parcial), de pessoas físicas ou jurídicas e pelos matching funds (a cada 1 euro doado pelo cidadão, o governo doa também 1 euro. Não existe um teto de doações.

Para o Brasil, a eleição na Alemanha tem importância vital.

Com um volume comercial superior a 14 bilhões de euros (2020), a Alemanha está na 4ª posição entre os maiores parceiros comerciais do Brasil.

Pelo exemplo de estabilidade política e econômica na União Europeia, o mundo aguarda os novos horizontes caminhos políticos e econômicos serem percorridos pela Alemanha, a partir da eleição deste domingo.

 Ney Lopes é advogado, jornalista e ex-deputado federal

Experiência alemã mostra como é difícil guerra contra Covid-19

O jornalista Ricardo Senra, da equipe da BBC News Brasil, baseado em Londres, mostra como um dos países mais ricos do mundo, com uma estrutura de saúde invejável e alto Índice de Desenvolvimento Humano (IDH), a Alemanha, está enfrentando a Covid-19.

A experiência alemã se baseia em quatro pontos fundamentais, descritos por Senra.

Os resultados preliminares no enfrentamento são bons, mas não significa que a doença está vencida e superada. Os alemães sabem que o pior está por vir e o tamanho do estrago depende só deles.

O relato do jornalista revela profundas diferenças com o que testemunhamos, por exemplo, no Brasil.

Outra guerra

Tem relação direta com perfil do próprio povo (disciplinado, consciente, austero) e a liderança de seu governo, comandado pela premier Angela Merkel.

A antecipação de medidas logo ao surgimento dos primeiros casos, até aqui tem sido um dos pontos cruciais nessa guerra que é vista por Merkel como o grande desafio da Nação pós-Segunda Guerra Mundial.

Nessa postagem, também colocamos um pronunciamento de Merkel, feito há poucas semanas (20 de março), em que fala dos problemas e da necessidade de superação. As dificuldades estavam apenas começando.

Um país destruído por duas guerras mundias na primeira metade do século passado, obrigado a assumir enorme sacrifícios de reparações a vencedores dos conflitos, dividido em dois durante décadas e reunificado no fim dos anos 80, tem muito a nos ensinar.

Óbitos

Mesmo com todos os esforços, a nação unida e grande volume de recursos, a Alemanha tem hoje 2.736 óbitos, 65.522 registros da doença e 53.913 recuperados.

Acompanhe por esse visualizador (clique AQUI) atualizado, como está a pandemia em todo e qualquer país do mundo.

Às 8h18 deste sábado (11), o mundo contabiliza 103.502 óbitos (6.05% dos registros), com 1.225.017 de casos ativos382.053 (22,33%) recuperações.

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Faz somente seis meses, “taokey”?

Por Odemirton Filho

O governo do presidente Jair Messias Bolsonaro (PSL) chegou aos seis meses. Com sua linguagem coloquial e costumeiros arroubos, o presidente vem se notabilizando por dizer aquilo que lhe vem à cabeça, sem receio de ofender quem quer que seja.

É nítida a sua incapacidade para articular ideias e proferir um discurso coeso, não muito diferente, nesse particular, da ex-presidente Dilma Rousseff.

Com efeito, todo início de mandato traz a inexperiência daqueles que ainda não estão afeitos à máquina administrativa, sobretudo, porque o presidente nunca esteve à frente de qualquer Poder Executivo.

A equipe que formou, tem como expoentes os ministros Paulo Guedes, conduzindo a Pasta da Economia, e o ministro Sérgio Moro, capitaneando o Ministério da Justiça e Segurança Pública.

É precipitado, a meu ver, creditar fracasso ao governo. Ainda há um longo caminho para concluir seu mandato (se concluir). Porém, já se pode antever qual seu será o seu estilo de governar.

A pauta conservadora dos costumes será uma constante, além de se imiscuir em debates nas redes sociais que somente inflamam o já politicamente dividido país.

O presidente, como se diz, ainda não desceu do palanque e insiste em travar disputas ideológicas que nada acrescentam ao seu governo, como o combate ao tal marxismo cultural e a ideologia de gênero.

Com o Congresso Nacional a relação do governo é feita de altos e baixos, não sendo tão harmoniosa como prevê a Constituição Federal, a despeito do presente ter estado no Parlamento por quase trinta anos.

Na seara econômica o ministro Paulo Guedes tem envidado esforços com o escopo de aprovar a Reforma da Previdência, como crucial para equilibrar as contas públicas e atrair investimentos.

Entrementes, é interessante notar, que os especialistas na área econômica asseveram que somente a reforma previdenciária não é suficiente para retirar o país da crise e fazer o Produto Interno Bruto (PIB) voltar a crescer de forma significativa.

Uma das principais promessas de campanha do então candidato à Presidência era a ampliação do porte e posse de armas o que, de fato, cumpriu, expedindo Decreto nesse sentido.

Contudo, posteriormente, ante a resistência do Congresso Nacional, revogou o Decreto e expediu três novos, além de projeto de lei sobre o tema.

Nessa mesma linha, o ministro Moro encaminhou seu pacote anticrime ao Parlamento, todavia, a tramitação do projeto caminha a passos lentos.

No aspecto político, a primeira baixa se deu com o ministro Gustavo Bebianno, da Secretaria Geral da Presidência, envolto no escândalo das candidaturas laranjas do PSL. Com a prisão de assessores do ministro do Turismo, Marcelo Álvaro Antônio, no caso do laranjal, poderá ser o próximo a cair.

Posteriormente, o ministro da Educação, Ricardo Vélez, foi à lona, por manifesta incapacidade administrativa, além de frases infelizes, como a que os brasileiros se comportam como “canibais” quando no estrangeiro, bem como querer recontar o golpe de 64 por outro viés, minimizando aquele período negro.

Houve, de igual modo, uma baixa na equipe econômica do até então intocável ministro Paulo Guedes, quando o presidente do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), Joaquim Levy, pediu exoneração, após declarações do presidente.

O ministro Sérgio Moro está no meio do fogo cruzado em razão do vazamento de conversas pelo site The Intercept Brasil entre ele e o Procurador da República, Deltan Dallagnol, na operação Lava Jato.

Entretanto, o ex-juiz ainda goza de credibilidade perante o governo e a opinião pública, mas se forem comprovadas a autenticidade dos diálogos sua permanência ficará, sem dúvida, insustentável.

Não se pode esquecer, ainda, as “pérolas” da ministra da Mulher, da Família e dos Direitos Humanos, Damares Alves, do atual ministro da Educação, Abraham Weintraub e dos filhos do presidente (um deles sob suspeita de práticas nada republicanas). Tudo sob o olhar vigilante e mal-educado do guru ideológico dos Bolsonaro, Olavo de Carvalho.

Cabe ressaltar que o ministro da Infraestrutura, Tarcísio Gomes de Freitas, mostra-se, até o momento, o mais proativo, adotando medidas para “destravar os projetos de melhoria da logística do País, remover entraves burocráticos e reduzir exigências para a participação do setor privado em novos empreendimentos”.

Houve, é certo, uma baixa significativa no número de homicídios no país, mas não se pode aferir se existe uma relação direta com ações do governo federal ou se os estados-membros estão mais firmes no combate à violência.

Por outro lado, o desemprego continua em alta, na casa de 13 milhões de pessoas, e o consumo das famílias ainda não atingiu níveis que possam fomentar o crescimento da economia.

Faltam investimentos do setor produtivo, sem esses não há criação de postos de trabalho, aumento da renda e arrecadação de impostos.

Para o ministro Paulo Guedes a aprovação da Reforma da Previdência é uma verdadeira panaceia. Contudo, vale lembrar, que a Reforma Trabalhista iria criar milhões de empregos e, o que vemos, até o momento, foi mera retórica.

Cabe, ainda, menção ao relacionamento do governo com a comunidade internacional.

De início, a pretensão da mudança da Embaixada de Tel Aviv para Jerusalém causou mal-estar com os países árabes, tendo o presidente, de forma prudente, recuado. Aliás, não se entende a subserviência de Bolsonaro ao governo norte-americano. A vassalagem a Trump não condiz com o nacionalismo apregoado pelo presidente.

Ademais, recentemente, a Chanceler alemã, Angela Merkel, afirmou que é “dramática” a situação do Brasil em questões ambientais e de direitos humanos sob o atual governo e que ver com preocupação as ações do governo brasileiro em relação ao desmatamento.

Destaque-se, porém, que um acordo comercial entre o Mercosul e a União Europeia está iminência de ser celebrado o que é um alento para a economia da nossa região.

Eis, em linhas gerais, os seis primeiros meses do governo Bolsonaro.

Por fim, é de se esperar que o governo pare de promover “um show de besteiras”, conforme afirmou o general Carlos Alberto dos Santos Cruz, resgatando o país da crise social e econômica vivenciada há tempos.

Odemirton Filho é bacharel em Direito e oficial de Justiça