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Bispo emérito vai viajar à sua terra natal após Páscoa

Dom José Freire (esquerda) passou episcopado em 17 de outubro de 2004 para dom Mariano (centro) no adro da Catedral de Santa Luzia (Foto: Arquivo da Diocese e do BCS)
Dom José Freire (esquerda) passou episcopado em 17 de outubro de 2004 para dom Mariano (centro) no adro da Catedral de Santa Luzia (Foto: Arquivo da Diocese e do BCS)

Dom Mariano Manzana, bispo emérito da Diocese de Mossoró, substituído no último dia 17 de fevereiro por dom Francisco de Sales (veja AQUIAQUI), tem planos para voltar à Itália após a Páscoa (31 próximo) deste ano.

Mas, que fique claro: não será uma travessia em definitivo.

Vai ao reencontro de irmãos, outros familiares e amigos em sua terra natal – Mori, na região de Trentino-Alto Ádige na Itália.

Seu lugar é por aqui mesmo.

Manzana foi o sexto bispo da Diocese de Mossoró, episcopado com mais de 19 anos. Sua nomeação aconteceu em 15 de junho de 2004 e sua ordenação no bispado em 5 de setembro do mesmo ano, em Trento, na Itália. A posse no adro da Catedral de Santa Luzia foi logo depois, em 17 de outubro. Recebeu o báculo (do latim baculus, cajado), símbolo do pastoreio, do antecessor – dom José Freire de Oliveira Neto.

No dia 13 de outubro de 2022 (data de seus 75 anos de idade), ele enviou carta de renúncia do seu episcopado ao Papa Francisco – veja AQUI, procedimento padrão e obrigatório, conforme o Código Canônico da Igreja Católica.

Seu legado à toda circunscrição eclesiástica da Diocese de Mossoró com 56 municípios, mais de 900 mil católicos, numa área de 18 847 km² e 39 paróquias, é um acervo de grande importância evangelizadora e organização institucional.

Conheça AQUI biografia resumida de Dom Mariano Manzana.

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A Festa de Santa Luzia em outros tempos

Por Odemirton Filho

As festividades religiosas em louvor aos santos padroeiros há muito é uma tradição nas cidades brasileiras, sobretudo, interioranas.

Aqueles que professam a religião católica veneram os santos de sua devoção, em uma mistura de fé e tradição histórico-cultural.

Em Mossoró não é diferente. Todo dia 03 de dezembro a cidade começa a celebrar as festividades de sua padroeira, Santa Luzia, estendendo-se até o dia 13, com a procissão que reúne milhares de fiéis.

Porém, o que me vem à memória, é a Festa de Santa Luzia de outros tempos.

O período da festa, por coincidir com o período do Natal, sempre envolveu uma certa magia.

Era o momento de vestir a melhor roupa, assistir às novenas e caminhar na rua defronte à Catedral.

Era, e ainda é, naquela rua e nas cercanias, que se desenvolve a maioria das atividades da festa, como barraca de comidas típicas, barracas de jogos recreativos e vendedores de outras cidades.

Quando criança o que me interessava era atirar com espingarda para acertar e ganhar algum brinde, jogar argolas entre objetos, ou ficar entre as barracas que dispunham das mais variadas brincadeiras.  Era o lúdico que me fazia atraído pela festa.

No aspecto religioso, admirava-me as senhoras que, com o rosto coberto e com o terço entre as mãos, devotam sua fé na Santa protetora dos olhos. Uma religiosidade simples, sem adorno.

Sobre o altar, as novenas celebradas ou concelebradas, pelo Bispo Dom José Freire de Oliveira Neto, com seu semblante sisudo, que impunha respeito.

Gostava de saborear as comidas típicas que minha tia, Socorro de “Puca”, levava para vender.

Os leilões, de igual modo, faziam-me ficar vidrado naquela disputa de lances para arrematar os brindes.

O concurso, “A mais bela voz”, era o momento de escutar talentos da terra e da região. À época não se encenava o Oratório de Santa Luzia.

Na adolescência, o bom era passear pela rua da Catedral, “de ponta a ponta”, com familiares e amigos e à procura de alguma paquera da juventude. Cansávamos de percorrer várias vezes o percurso.

Eram dias intensos. Praticamente todas às noites íamos participar de algum movimento ou, simplesmente, andar sem compromisso. O importante era estar na festa.

No dia da procissão, ficar nas esquinas ou, às vezes, acompanhar todo o trajeto, observando os milhares de fiéis. Alguns andavam com os pés descalços. Senhoras e crianças vestidas com os trajes de Santa Luzia. Outros caminhavam com pedras sobre as cabeças. Ainda hoje é assim. Tudo em nome da fé.

Certa feita, o grupo de escoteiros do qual fazia parte, ficou incumbido de fazer a proteção do andor de Santa Luzia. Ao final da procissão, chegando à Catedral, a multidão queria tocar à imagem e, ainda adolescentes, quase fomos “esmagados” pelos fiéis.

Já adulto, acompanhando meus filhos, refiz, ano a ano, toda essa tradição religiosa-cultural que pertence à nossa terra.

Hoje, devido ao crescimento da cidade e à violência desenfreada, a festa já não é mais a mesma. Para mim, falta algo. O quê? Talvez a ingenuidade da infância ou os arroubos da adolescência.

Por fim, de todas as lembranças, a que mais ecoa em minha memória é a voz inconfundível do saudoso Monsenhor Américo Vespúcio Simonetti:

“Mossoró com alegria!”

“Saúda Santa Luzia”!

Odemirton Filho é professor e oficial de Justiça