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Ouço trovões, e tudo

Por François Silvestre

Sete e meia da noite, daqui na minha rede, neste quarto que dá para o nascente de Cajuais da Serra, ouço trovões. Saudade dos trovões da infância? Não. Desses eu tinha medo. Eram eles os pais da coalhada.

Dela, eu gostava. E da chuva, e tudo. Terminei essa frase imitando Holden Caulfield, como se fosse um adolescente no campo de centeio.

Desses trovões de agora eu gosto muito mais. Matam a saudade e seus estrondos me fazem esquecer que vivo num tempo de merda, num país de merda e num estadozinho de cocô, e nada.

De novo imito o apanhador num campo de esterco, e tudo.

Só a chuva e seus açudes salvam essa noite, dessa terra onde as “autoridades” satisfazem sua necessidades na privada fedida das sua salas, e tudo. E se reúnem para cagar juntos, e nada.

E chamam o povo para limpar-lhes as bundas com sabugos macios, após a colheita do milho esfregado nas fogueiras dos bajuladores. E cuspo.

Chove, chuva. O riacho está encharcado de todo o esterco dessa caganeira, e tudo. Toda água será pouca, e nada.

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Wilma de Faria – uma crônica vitoriosa

Por François Silvestre

Disse um poeta, na sua lira, que “a morte não separa ninguém, quem separa é a vida”. Soube ainda de madrugada, pela Coluna do Herzog, de Carlos Santos, do falecimento da ex-Governadora Wilma de Faria.

Veio-me à memória um episódio da campanha para o Governo do Estado em 2002, em que ela foi candidata e vitoriosa.

Wilma: no palanque, governadora, em 23-07-06 (Foto: arquivo)

Dormimos em Martins, e após o café da manhã em Cajuais da Serra, descemos para uma movimentação em Umarizal. Fomos no meu carro, em cujo trajeto eu alertei para possíveis reações negativas contra ela. Wilma disse: “Não se preocupe. Estou acostumada”.

Faríamos uma caminhada pela feira e, se possível, um comício. A feira de Umarizal espalha-se por vários lugares da cidade. A primeira parada foi na feira da Rua Nova, onde há um pequeno mercado de carnes e vendedores ambulantes de cereais e legumes. Além de bancas com bebidas e comidas. Tem de tudo.

Ao descermos, caminhamos para o meio do burburinho. Aí, minha surpresa. Até pessoas que diziam não votarem nela trataram-na com gentileza. Ela foi cumprimentando as pessoas e o aglomerado aumentando.

A coordenação da campanha entendeu que a ocasião se prestava a um comício relâmpago. Os candidatos, inclusive a senador, Ismael Wanderley, decidiram que só falaríamos Wilma e eu. Não havia palanque.

Um feirante ofereceu sua camioneta, com sacos de feijão, para substituir o palanque. E assim foi. Não poderia haver um palanque mais sertanejo. Em cima do feijão, na feira de Umarizal, falamos Wilma e eu.

Tempos depois, ela me disse: “Foi um dos momentos mais bonitos da campanha”.

Que lhe seja leve a terra da sua terra!

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