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Paulo Maia

Por Honório de Medeiros

Da esquerda para a direita de quem olha: Fred, Paulo Maia, Hélton, eu, Fernando Negreiros, Segundo Paula, Lenilson, Anchieta, Delevan, Jânio Rêgo. Turma da Quarta Série Ginasial, 1972, Colégio Diocesano Santa Luzia, reunidos em 2011 (Foto: arquivo do autor)
Da esquerda para a direita de quem olha: Fred, Paulo Maia, Hélton, eu, Fernando Negreiros, Segundo Paula, Lenilson, Anchieta, Delevan, Jânio Rêgo. Turma da Quarta Série Ginasial, 1972, Colégio Diocesano Santa Luzia, reunidos em 2011 (Foto: arquivo do autor)

Paulo Maia dizia que era baixinho por minha culpa: eu tinha roubado o leite dele, quando recém-nascido.

Tudo porque eu nasci três dias depois do 23 de abril de 1958, no qual ele veio ao mundo, ambos na Maternidade Almeida Castro, em Mossoró.

Como mamãe não conseguia matar minha fome com seu pouco leite, valeu-se da generosidade da mãe dele, Manolita Pereira, que nos alimentou.

Manolita diz que é minha mãe de leite. Eu respondo, sempre respondi, que eu e Paulo tínhamos que ser irmãos, estava escrito no livro da vida, e beijo a mão dela, reverente.

Entre idas e vindas, altos e baixos, seguimos próximos vida afora, sempre próximos. Amigos desde a maternidade.

Ontem (05/01/2023 – veja AQUI), eu lá pelas bandas de São João do Sabugi, muito longe, em busca das misteriosas raízes genealógicas do meu avô paterno, acordo cedo, abro o celular, e leio a notícia de sua morte.

Um baque. Boto o carro na estrada e venho mudo, de lá até Mossoró, rasgando o centro do Estado, percorrendo um mundão de terra.

Uma espécie de solidão amarga, ensimesmada, uma onda de tristeza que teima em vir, toma conta da gente. Sensação de impotência. Solidão, tristeza e impotência.

Falam que há conforto na partida de alguém que lutou bravamente por dois anos contra essa maldita doença cujo nome, amedronta tanto, que o abreviaram.

Pode ser. Sei que lutou ele, a esposa, filhos, a família toda, os amigos, os amigos dos amigos. Rezamos muito. Luta vã. Que seja feita a vontade de Deus.

Descansou, então, e por fim.

E a saudade?

Paulo, você se lembra daquele dia no qual Antônio de Bé nos levou em sua jangada, começo da madrugada, para além da última visão de terra, como companheiros de pescaria?

Lembra das tardes de cerveja e Belchior, lá no Asfarn, em Natal?

Lembra dos veraneios em Tibau? Do jipe, das meninas, dos amigos comuns, das pescarias no Arrombado?

Do Diocesano e da turma da quarta série ginasial de 1972?

Lembra como decidimos, junto com Delevam, quem seria o padrinho de Paulinha?

Lembra daquele dia no qual fomos barrados na ACDP?

Lembra daquele dia… melhor não contar, não é?

Ê Paulo, são tantas e tantas memórias. Um dia eu conto para meus sobrinhos! As que eu puder, claro.

Ei, Paulo, aguarde aí. Um dia, chego.

Descanse em paz, meu irmão.

Honório de Medeiros é professor, escritor e ex-secretário da Prefeitura do Natal e do Governo do RN

Nova denúncia atinge Wilma, Lauro e ex-secretário

Do Jornal de Hoje

O Ministério Público do Rio Grande do Norte ofereceu nova denúncia como desdobramento da Operação Sinal Fechado. Desta feita, a acusação atinge o engenheiro civil Delevam Gutemberg Queiroz, ex-secretário adjunto de Infraestrutura, ex-diretor do DER e ex-diretor da Companhia de Águas e Esgotos (CAERN) durante a gestão Wilma de Faria (PSB), de 2003 a 2010.

A ação foi distribuída à 3ª Vara Criminal da Zona Sul de Natal.

Segundo o Ministério Público, Delevam negociou o recebimento de propina para si e para a então governadora Wilma de Faria e seu filho, Lauro Maia, já réus no processo que investiga as condutas criminosas relacionadas à operação Sinal Fechado.

Segundo a nova denúncia apresentada, a cada contrato registrado, Wilma recebia R$ 15,00 (quinze reais), enquanto Delevam e Lauro Maia dividiam o montante de R$ 3,00 (três reais), sendo que o valor integral da corrupção era pago normalmente a Delevam, para posterior repasse aos demais acusados.

Delevam foi fundamental para a consecução do esquema em benefício de Wilma e Lauro e dele próprio e também, depois, para o governador Iberê Ferreira de Souza que sucedeu Wilma de Faria no governo.

Wilma e Lauro já foram denunciados no que atine à celebração do convênio entre o DETRAN/RN e o Instituto de Registradores de Títulos e Documentos de Pessoas Jurídicas do Rio Grande do Norte (IRTDPJ/RN).

Segundo o MP, Wilma, à época governadora e valendo-se de tal posição, autorizou a celebração do convênio entre o IRTDPJ/RN e o DETRAN/RN, em troca de valores indevidos pagos por George Olimpio. De acordo com o MP, Lauro Maia, para defender os interesses da organização criminosa perante a administração pública estadual, cuja gestora máxima era a sua própria mãe, patrocinou os interesses da organização.

“A percepção de vantagens por parte de Wilma e Lauro foi toda intermediada por Delevam”, diz o MP.

Veja matéria completa AQUI.