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Entidade cultural é contra “desomenagem” para lembrar padre Sátiro

Presidente da ACJUS mostra posição firme da entidade (Foto: Redes sociais)
Presidente da ACJUS mostra posição firme da entidade (Foto: Redes sociais)

A Academia de Ciências Jurídicas e Sociais de Mossoró (ACJUS) opina de forma contrária à tramitação e aprovação do projeto 513/2023 – de iniciativa do deputado Ivanilson Oliveira (União Brasil), que altera o nome do Campus Central da Universidade do Estado do RN (UERN), localizado em Mossoró. Pela proposição, sairia o nome “Prefeito Raimundo Soares de Sousa, para se fixar “Padre Sátiro Cavalcanti Dantas.”

Em nota, assinada pelo advogado e seu presidente, Wellington Barreto, a ACJUS afirma: “Não foi feliz o citado deputado.  Não se faz justa essa homenagem e desomenagem. Nesse sentido, sugerimos a retirada de tramitação desse projeto de Lei, mantendo-se a já consolidada homenagem ao inolvidável Raimundo Soares de Sousa, por ser justa e perfeita, bem como  dentro dos  termos históricos da nossa cidade.”

Assinala, na mesma nota, que “o acadêmico e Padre Sátiro Cavalcanti Dantas, nosso sócio fundador, primeiro ocupante e patrono da cadeira 28, patrono da nossa biblioteca e da medalha do mérito educacional, merece todas as honras, glórias e homenagens extras, no entanto, não podemos ‘desomenagear’ um dos maiores prefeitos da história constitucional do município de  Mossoró.”

Nota do BCS – A ACJUS está certíssima na ponderação. Existe precipitação no sentido de se homenagear o professor e religioso Sátiro Dantas, falecido há poucos dias (veja AQUI). Nesse caso específico, uma desonrosa desomenagem contra Raimundo Soares de Sousa, que Sátiro abominaria com todas as letras.

Um pouco antes, já se apresentou proposta na Câmara Municipal para transformação da Avenida Diocesana, em Mossoró, em “Avenida Diocesana Padre Sátiro Cavalcanti Dantas.” Quem a chamará assim, caso realmente ocorra a mudança? É como a “Arena das Dunas Marinho Chagas.” Quase ninguém sabe ou proclama esse batismo.

Por que não colocar o nome do grande Sátiro no Anel Viário que vai unir as BR-304 e 110? Mas, sobretudo, por que não nos empenhamos para manter viva sua memória através das obras que deixou, que são tantas? Quem bem lembrou e defendeu essa tese foi o advogado, professor e colaborador deste Nosso Blog, Marcos Araújo (veja AQUI).

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Por uma questão de princípios, visão de mundo e valores humanos

É injustificável o que a Prefeitura de Mossoró fez em relação ao reordenamento de denominação de um equipamento público, desomenageando a assistente social e educadora assuense Maria Helena Barbalho, falecida em 2011.

Conheci-a episodicamente. Não fazia parte do seu círculo próximo ou de compadrio.

Educadora Maria Helena Barbalho partiu deixando um legado importante para incontáveis pessoas simples, amigos e familiares (Foto: reprodução)
Educadora Maria Helena Barbalho partiu deixando um legado importante para incontáveis pessoas simples, amigos e familiares (Foto: reprodução)

Fez vida, família e dedicou muitos anos de sua inteligência e esforços à formação educacional e zelo afetivo por mais carentes em Mossoró.

A retirada de seu nome de um equipamento público, para fixação de homenagem anterior, tem explicação com argumento precário.

Na sessão da terça-feira (18), a Câmara de Mossoró aprovou o projeto de Lei 119/2022, que revogou a lei 3.826/2020, que dava o nome de Maria Helena Barbalho à Creche do Proinfância do Bairro Papoco. O novo nome dado ao equipamento foi o de Elineide Carvalho Cunha, que anteriormente era a lembrada e foi desomenageada.

Um pecado não justifica o outro.

Coube ao vereador Lucas das Malhas (MDB) a proposição para mudança. Errou, errou feio. O senhor é muito jovem, tem tempo para reavaliar esse tipo de inclinação. Neto da ex-vereador Maria das Malhas, portanto de ótima extração, mulher de coração boníssimo, com certeza transmitiu gene especial aos seus – incluindo o parlamentar.

A sanção pelo prefeito Allyson Bezerra (Solidariedade) também é um deslize. Repense. Não tens compromisso com o erro, como repetia Kubistchek. Votei em você (o tratamento é esse mesmo), vesti sua camisa, e não me arrependo um milímetro, porque sei exatamente quem és, sua índole, caráter e devoção a Mossoró – também meu amor.

Pronuncio-me por respeito a princípios, visão de mundo e valores humanos que aprendi em décadas com o velho Chico e Dona Maura. E, para eles, nunca trabalhei ou articulei qualquer homenagem em logradouro público. Eternizados estão em mim. Basta.

Se eu fugir a esses primados estarei os envergonhando, mesmo que tenham partido há tantos anos. Não tem um único dia de minha vida que eu não me espelhe em ambos e não tema maltratá-los por minha conduta, ação ou omissão.

Não sou influencer, não tenho milhões de pessoas acompanhando minhas páginas, sou blogueiro nacionalmente ignorado e ‘escritor’ mundialmente desconhecido. Porém, faço questão de manifestar o que penso para manter minha consciência serena.

Para finalizar, deixo nesta postagem um testamento virtual e vontade explícita: quando eu bater as botas, por favor evitem qualquer tipo de homenagem a meu nome em beco sem saída, travessa ou campinho de várzea. Deixem-me em paz. Meus filhos e amigos ser-lhe-ão muito gratos.

É isso.

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