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Governadora encerra agenda oficial em reunião com embaixador

Governadora afirma que Estado "conseguiu atrair a atenção de várias empresas" Foto: Governo do RN)
Governadora afirma que Estado “conseguiu atrair a atenção de várias empresas” (Foto: Guia Dantas)

A governadora Fátima Bezerra (PT) encerrou nesta sexta-feira (06) a missão internacional na Dinamarca. Durante a semana, representantes do Governo do Rio Grande do Norte participaram de agendas para conhecer o modelo dinamarquês de hubs industriais portuários, com o objetivo de promover a cooperação internacional e atrair investimentos ao projeto potiguar do Porto-Indústria Verde, que será instalado no município de Caiçara do Norte.

Na última agenda oficial em Copenhague, capital dinamarquesa, a governadora Fátima Bezerra participou de uma audiência com o embaixador brasileiro no país nórdico, Leonardo Nogueira Fernandes. Ela convidou o diplomata para visitar o Rio Grande do Norte e conhecer os projetos de energias renováveis do estado.

Na reunião, a governadora frisou que o Governo do Estado lançará ainda este ano novos editais voltados aos setores de energias renováveis e infraestrutura. Um será para a elaboração dos estudos de viabilidade do Porto da Indústria Verde. Outro, para a contratação dos estudos técnicos para o Programa de Eficiência Energética. “O embaixador ficou de fazer a divulgação desses editais junto às empresas dinamarquesas, para que elas possam concorrer”, pontuou a governadora.

A chefe do Executivo detalhou, ainda, que o Rio Grande do Norte lidera a transição energética no Brasil. O estado ostenta uma matriz elétrica com 98% de fontes limpas e renováveis. Essa posição é consolidada por 400 empreendimentos de geração. Eles somam 11,7 GW de potência outorgada. A energia eólica se destaca, com 309 usinas em operação, totalizando 10,1 GW.

Sobre a missão internacional, a governadora considerou positivos os quatro dias na Dinamarca. “O Governo do Estado do Rio Grande do Norte conseguiu atrair a atenção de várias empresas, vários players do mercado na área de infraestrutura portuária”, ressaltou.

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Músico potiguar faz turnê com filarmônica dos países nórdicos

A Filarmônica do Mar Báltico, orquestra nórdica que reúne músicos da Dinamarca, Estônia, Finlândia, Alemanha, Letônia, Lituânia, Noruega, Polônia, Rússia e Suécia, está em turnê pela Europa, mas com um tempero bem potiguar: a presença entre seus músicos do trompetista Grácio Zaqueu.

Trompetista Grácio Zaqueu, de Campo Grande-RN para o mundo (Foto: divulgação)
Trompetista Grácio Zaqueu, de Campo Grande-RN para o mundo (Foto: divulgação)

Nascido em Campo Grande, cidade do Médio Oeste potiguar, Zaqueu iniciou seus estudos em música, ainda criança, no Instituto Gentil. Primeiro na Escolinha de Flauta Doce e, posteriormente, dedicou-se ao trompete.

Continuou seus estudos na Escola de Música da Universidade Federal do RN (UFRN). Seu talento e sua dedicação o levaram à Helsinki, Finlândia, onde mora e faz mestrado na Academia Sibelius, um dos maiores conservatórios europeus.

“Sempre que falo sobre minha carreira de músico, gosto de citar o Instituto Gentil, onde iniciei meus estudos na flauta doce e onde, além da música, eu tive acesso a livros, à aula de informática e a outros cursos, o que ajudou muito a me tornar a pessoa que sou; se eu não tivesse esta oportunidade que o Instituto me deu, de poder aprender música, talvez eu não estivesse onde estou hoje”, ressalta Grácio Zaqueu.

E ele não esquece de seus primeiros professores, os maestros Ranieri Soares e José Wilson, já falecidos, e Cláudio Jales.

Em sua turnê, a Filarmônica do Mar Báltico já se apresentou esta semana na Sala Queen Elizabeth, na Antuérpia (Bélgica), e fará mais dois concertos: na Sala de Concerto da Filarmônica de Berlim, na Alemanha, e no Centro Europeu de Solidariedade, na cidade polonesa de Gdańsk.

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Fátima Bezerra passa governo a vice para cumprir missão na Dinamarca

Com um aperto de mãos e votos de boa sorte, a governadora Fátima Bezerra (PT) transferiu o comando do Governo do Estado para o vice-governador Antenor Roberto (PCdoB), e embarcou nesse domingo (07) à noite para uma agenda administrativa de três dias na Dinamarca, voltada para os negócios na área de energias renováveis. Em Copenhague, a governadora terá reuniões com representantes da Agência de Energia da Dinamarca, da Dansk Industri (Federação das Indústrias) e de empresas interessadas em investir no Rio Grande do Norte.

Antenor Roberto assumiu governo das mãos de Fátima Bezerra, nesse domingo (Foto: Sandro Menezes)
Antenor Roberto assumiu governo das mãos de Fátima Bezerra, nesse domingo (Foto: Sandro Menezes)

“A expectativa desta viagem é muito boa. Vamos trazer investimentos para gerar mais empregos para o povo do Rio Grande do Norte”, disse Fátima, que antes da transmissão do cargo teve uma reunião reservada com o vice. “Com certeza, o Rio Grande do Norte estará em boas mãos, como sempre.” Esta é a terceira viagem ao exterior da governadora em missão oficial.

Noruega

No dia anterior ao embarque, Fátima recebeu do senador Jean-Paul Prates e do secretário de Desenvolvimento Econômico, Jaime Calado, que estão em missão oficial na Noruega, a confirmação de que a empresa Scatec Solar vai investir R$ 1,6 bilhão no projeto Mendubim para geração de energia limpa. A instalação da planta solar vai gerar 532 MW de energia em seu pico e deve criar 1.200 empregos durante a fase de implantação, no município de Assu.

No primeiro semestre deste ano, o RN captou R$ 6,56 bilhões em contratos para energias renováveis e caminha para fechar o ano com cerca de R$ 13 bilhões em 2021.

Líder nacional em potência instalada (6,0 Gigawatts) em eólica, sendo o principal gerador e exportador dessa fonte para o Sistema Elétrico Nacional, o RN tem uma matriz energética composta por 87% de fontes renováveis e um potencial ainda não explorado de geração de energia offshore (no mar) estimado em 140 gigawatts.

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A Dinamarca não é aqui

Todo mundo achou lindo o programa “Fantástico” da Rede Globo de Televisão mostrar pedreiro que ganha o equivalente a R$ 18 mil e deputado federal em torno de R$ 23.

Isso, na Dinamarca (veja AQUI).

Quem abre mão de privilégio aí em cima, para encurtar essa distância social também no Brasil?

Francamente!

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É preciso respeito ao serviço e servidor público

Por Honório de Medeiros

Há uma nítida distinção, em termos ontológicos, entre serviço público e iniciativa privada. No primeiro caso, o paradigma que norteia a ação pública (iniciativa pública) é cumprir as expectativas da Sociedade, definidas constitucionalmente; no segundo, a ação privada é impulsionada pelo objetivo do lucro.

A própria Constituição Federal, embora estabeleça como princípio constitucional a livre iniciativa e o modelo capitalista de organização da economia, ressalva o caráter social da propriedade.

Essa característica, segundo a melhor hermenêutica, referenda o primado de que o público está acima do privado, como o corrobora, também, a própria legislação infraconstitucional: assim são as previsões de intervenção do Estado na Ordem Econômica sem que, entretanto, se anatematize o lucro.

Quando tratamos de ações voltadas para a Sociedade, do primado do público sobre o privado, temos que convir que dada a especificidade dessa demanda de natureza essencialmente complexa, não somente quanto ao aspecto ético, político e social, mas, também, quanto a quantidade (a Sociedade) e a qualidade, elas necessariamente são, no mínimo, de médio prazo, não obstante as demandas emergenciais, enquanto as ações privadas, por serem pautadas pelo lucro são, essencialmente, instáveis e voláteis.

Se a ação pública se desenvolve, o mais das vezes, a médio e longo prazo, torna-se fundamental a preservação da sua memória, ou seja, qual o recurso humano nela envolvida e a consequente experiência advinda no trato com a questão trabalhada. Sem a preservação dessa memória não é possível a continuidade das políticas públicas, e a consequência é o comprometimento das ações estatais.

E somente é possível a preservação da memória aludida com o respeito ao serviço público, ao servidor público e a sua carreira diferenciada, assegurando-se-lhe o direito de ser credor do investimento de Estado em sua vida profissional, através de aposentadoria distinta, remuneração razoável e estabilidade na carreira.

Trocando em miúdos: o serviço e o servidor público devem ser um investimento do Estado, dadas as peculiaridades do exercício da função pública, que exige sacrifícios indiscutíveis.

Por que essas políticas públicas – aquelas consistentes – demandam tempo para serem implementada? Porque envolvem parcela significativa da Sociedade durante um longo tempo.

É o caso, por exemplo, da erradicação do analfabetismo. As ações públicas que ao longo do tempo efetivamente originaram melhoria na qualidade de vida da Sociedade foram desenvolvidas sob o prisma da permanência, para além dos humores político-partidários.

Podemos comprovar essa afirmação analisando o segmento da Saúde e Educação em países comprovadamente desenvolvidos. Acresça-se outra assertiva: o desenvolvimento – não o econômico, mas, sim, o da qualidade de vida – desses países foi decorrente de políticas públicas, nunca privadas (lembremos a Escandinávia).

Mesmo no Brasil, onde faltam políticas de Estado, embora abunde as de Governo, muitos avanços foram obtidos graças a políticas públicas permanentes. Na área de saúde, citemos, o Brasil é referência mundial não somente no que concerne à erradicação definitiva de algumas moléstias como, também, em relação ao combate preventivo à AIDS.

Parece óbvio que, no caso do Brasil, os parâmetros estabelecidos pelo Consenso de Washington que originaram o cânone neoliberal encontraram solo fértil na tradicional ojeriza da Sociedade à utilização do serviço público e burocracia como instrumentos de obtenção e manutenção de privilégios de classe.

É certo, também, que faz parte da cultura brasileira – embora a raiz possa ser rastreada até Portugal, como lembra Raymundo Faoro em “Os Donos do Poder” – a construção dessa histórica instrumentalização do aparelho estatal por parte do estamento burocrático. É certo, ainda, que o capital internacional considera a presença do Estado na economia como um obstáculo à sua desenvoltura, bem como anatematiza a concepção de desenvolvimento econômico por ele impulsionado.

A conclusão, portanto, errada, do senso comum e das elites atrasadas, é a crença de que o servidor e o serviço público, são alavancas do atraso. Entretanto, a verdade é bem outra.

Podemos desconsiderar o diagnóstico apresentado pelo senso comum da sociedade e teóricos do neoliberalismo em relação ao serviço público brasileiro em seus fundamentos; podemos e devemos criticar veementemente a causa por eles encontrada dos descaminhos específicos do Brasil.

O Estado não é um mal em si mesmo.

Com efeito, condenar o Estado, o serviço e o servidor público na sua totalidade, pelos desacertos da elite governamental, seria como propor igual condenação do Capital pelas falências e concordatas inerentes à iniciativa privada. Contra esse ideário quase consensual que se tornou lugar comum no Ocidente, e que nos legou a permanente fragilidade de nossas instituições, e a favor da compreensão do papel fundamental do serviço e servidor público na obtenção do bem-estar social almejado pela Sociedade, argumenta Jânio de Freitas, em seu artigo intitulado “O Bolso e a Vida”, publicado na Folha de São Paulo de 19 de janeiro de 2003:

– A iniciativa privada não faz um país, no sentido de vida social e econômica organizada. Só o serviço público pode fazê-lo. Os estudos sobre a recuperação da Europa, da devastação do pós-guerra ao bem-estar de hoje, sem igual no mudo, demonstram que o êxito não se explica pelo Plano Marshall, mas pelo papel decisivo do serviço público e pela função atribuída ao Estado naqueles novos ou restaurados regimes democráticos.

Não levar em consideração tal princípio pode nos levar a passarmos por cima do legado histórico de políticas públicas que foram extremamente úteis à Sociedade brasileira e que, com certeza, não poderiam ser implementadas pela iniciativa privada: um exemplo banal é a informatização das eleições no Brasil.

As políticas públicas foram possíveis graças à preservação, governo após governo, qualquer que tivesse sido seu matiz, da memória das instituições.

Esta somente é possível quando o servidor público tem respeitada sua diferença com o privado e a exclusividade de suas atribuições, tal como não trabalhar em nada além daquilo para o qual foi investido (seu cargo) – o que seria um desvio de função -, e que é uma garantia de Estado.

Por fim, da mesma forma como deve ter acontecido ao longo do processo histórico pelo qual passaram países altamente desenvolvidos e nos quais a participação do Estado foi fundamental – lembremo-nos da Dinamarca, Suécia, Canadá, França, Noruega, Japão -, para que o serviço e o servidor público sejam devidamente respeitados, necessário é combater a burocracia, a corrupção, e a ineficiência.

Em o fazendo, asseguramos passaporte para um futuro melhor, capitaneado por um Estado que reflita os anseios da Sociedade. Pois, afinal, o Estado não é um mal em si mesmo.

Honório de Medeiros é professor, escritor e ex-secretário da Prefeitura do Natal e do Governo do RN