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O porquê do civil law

Por Marcelo Alves

Arte ilustrativa do Jusbrasil
Arte ilustrativa do Jusbrasil

Como sói acontecer na grande maioria dos países do Novo Mundo, a configuração do direito brasileiro pode ser vista como o resultado de uma mistura de herança histórica, filosofias sucessivamente em voga e disposições legislativas, antigas e recentes.

A origem histórica do direito da República Federativa do Brasil está no estabelecimento de uma colônia portuguesa, no chamado Novo Mundo, no início do século XVI. Cerca de três séculos depois, em 1815, o Brasil foi promovido de colônia a reino soberano, unido a Portugal. Em seguida, em 7 de setembro de 1822, o filho mais velho do rei português João VI e regente do Brasil, o príncipe Pedro, declarou a independência do país de Portugal.

O príncipe Pedro foi declarado e coroado (em outubro e dezembro de 1822, respectivamente) o primeiro governante do Brasil independente, como Imperador Dom Pedro I. Foi durante esse Primeiro Império, em 25 de março de 1824, que a primeira Constituição brasileira foi promulgada. Pedro I abdicou em 7 de abril de 1831, deixando o seu filho mais velho como sucessor, que viria a ser o Imperador Dom Pedro II.

Assim como o exemplo célebre da conformação inicial do direito estadunidense à fundação, pelos ingleses, nos albores do século XVII, de colônias independentes na América do Norte, no início da história do Brasil, as antigas normas importadas de Portugal ofereciam soluções satisfatórias para a maioria das questões jurídicas da nova colônia e, em seguida, do novo país. Por exemplo, as Ordenações Afonsinas (1492) e as Ordenações Manuelinas (1512), bem como as Ordenações Filipinas (1603), foram aplicadas por vários anos no Brasil, estas últimas mesmo já durante o Primeiro Império.

Em forma e substância, entretanto, o direito brasileiro foi progressivamente se adaptando às condições específicas do país. Primeiramente, além do direito civil português, um direito rudimentar foi desenvolvido no Brasil durante o período do Primeiro Império. Surgiram as primeiras codificações brasileiras, como o Código Penal de 1830 e o Código de Processo Penal de 1832 (o primeiro Código Civil só surgiu em 1916), que auxiliaram na administração da Justiça. Em segundo lugar, além da influência do direito ibérico (de Portugal e também da Espanha), o desenvolvimento do direito brasileiro foi fortemente influenciado pelo direito produzido em países da Europa Continental, como França, Alemanha e Itália, o que certamente já sinaliza a associação brasileira com o civil law.

É realmente devido a esse contexto que o direito brasileiro está historicamente ligado à tradição romano-germânica, e que os conceitos de civil law prevalecem sobre a prática do common law. Vários ramos do direito brasileiro são codificados, embora leis não codificadas também desempenhem um papel substancial na estrutura do sistema jurídico. Obras doutrinárias têm forte influência no desenvolvimento legislativo e nas decisões judiciais. Os precedentes judiciais, até bem pouco tempo, eram geralmente apenas persuasivos (neste ponto, a coisa é hoje um pouco mais complexa).

Atualmente, todo o sistema jurídico brasileiro deve obediência à Constituição Federal de 1988 (promulgada em 5 de outubro do referido ano), a lei fundamental do Brasil. Até hoje, já foram aprovadas e incorporadas 135 emendas à Constituição Federal, além das seis emendas constitucionais de revisão e dos quatro tratados internacionais aprovados com equivalência às emendas constitucionais, totalizando, assim, 145 alterações ao texto original. De acordo com o princípio da soberania da Constituição, o restante da legislação e as decisões judiciais devem estar em conformidade com suas disposições. Isso inclui as constituições estaduais e as leis orgânicas dos Municípios e do Distrito Federal, que também não devem contradizer a Constituição Federal.

Marcelo Alves Dias de Souza é procurador Regional da República, doutor em Direito (PhD in Law) pelo King’s College London – KCL e membro da Academia Norte-rio-grandense de Letras – ANRL

A independência que mudou o Brasil, para mantê-lo o mesmo…

Por Cesar Amorim

Nesse 7 de setembro a agenda nacional, as redes sociais e os veículos de comunicação esbanjam “patriotismo”, é o multiproclamado Dia da Independência do Brasil. Foi o que vi, o que acompanhei, com olhos no passado, em nossa história real.

Independência ou Morte, quadro de Pedro Américo (Reprodução)
Independência ou Morte, quadro de Pedro Américo (Reprodução)

Diante desse quadro, o momento é oportuno para repensarmos História como de fato ela aconteceu e acontece. Não a história feita para agradar “príncipes e reis”, a história (ou estória) encomendada, que transforma heróis em traidores e traidores em heróis. Falo da história real e desnudada.

Não sou contrário à comemoração deste dia. É preciso relembrar, no entanto, não com tanto entusiasmo e de modo reflexivo.

Diria que, no mínimo, é preciso ter consciência do contexto e dos fatos que levaram à “Independência” do Brasil, bem como do pós-independência, para que possamos olhar para as nuances do passado e projetar o futuro. Afinal, a história é um profeta com o olhar voltado para trás, como bem disse o escritor uruguaio Eduardo Galeano.

É preciso compreender que em 7 de setembro de 1822 o Brasil deixava de ser uma colônia de Portugal e passava a ser uma Monarquia (a única na América do Sul), diferentemente das outras colônias espanholas que declaravam independência e proclamavam Repúblicas.

No Brasil pós-independência, a escravidão e o latifúndio permaneciam como base econômica que sustentava um território completamente dominado pelas elites aristocráticas.

A estrutura do sistema econômico continuou basicamente igual, ou seja, os privilégios de uma minoria não cessaram. Nada ou, quase nada mudou. Fato!

Não bastasse, quando Dom João VI voltou para Portugal, levou no porão do seu navio todo o montante financeiro que havia nos cofres do Banco do Brasil, deixando, sem nada as pessoas que tinham recursos guardados no Banco.

Como garantia do seu domínio e com a intenção de recolonizar posteriormente a “terra brasilis”, D. João VI deixou o Brasil sob o poder do seu filho, Pedro de Alcântara (Dom Pedro I).

A partir daí, sem reservas e sem nada, com apenas uma independência que saiu de um grito fingido, tivemos que inaugurar aquilo que ficou conhecido como “dívida externa”, tendo em vista que para Portugal “reconhecer” nossa independência, fez-se necessário ser pago a cifra “simbólica” 2 milhões de libras esterlinas (uma média de 9 milhões de reais) a título de indenização.

Tal fato nos custou um empréstimo junto aos banqueiros ingleses. Desse modo, deixamos de ser Colônia de Portugal e passamos à súditos econômicos da metrópole comercial inglesa, que era a grande potência econômica da época.

Portanto, em verdade, o trecho “o sol da liberdade, em raios fúlgidos, brilhou no céu da pátria nesse instante” do hino nacional, não retrata bem a realidade e o contexto histórico.

Não bastasse isso, o conhecido quadro de Dom Pedro I as margens do Rio do Ipiranga não é o que de fato ocorreu. Para quem não sabe, essa pintura foi feita sob encomenda, em 1888 (66 anos após a independência ser proclamada), ao pintor Pedro Américo, pelo filho de Dom Pedro I, o então imperador Dom Pedro II, retratando um ato heroico que jamais existiu.

O quadro retrata uma grande comitiva, no entanto, existiam ali cerca de 14 pessoas, que sequer estavam vestidas com aqueles uniformes de gala. Tampouco D. Pedro I montava um imponente cavalo, e sim uma mula (uma burra, nome dado ao cruzamento entre um jumento com uma égua ou vice versa). Ele voltava de uma viagem do litoral para São Paulo, sendo que as mulas eram os animais utilizado na época para grandes deslocamentos.

Hoje, só temos certeza de uma coisa: a terra é adorada, amada e idolatrada por nós, bem como pelos visíveis exploradores. Contudo, na hora do “… Salve! Salve!”, ninguém quer salvar o Brasil.

Uma coisa haveremos de aplaudir: O Brasil ainda é o “gigante pela própria natureza”. Com as suas riquezas naturais, com a sua extensão territorial e sua grande diversidade étnica e cultural.

Viva um Brasil para brasileiros!

Cesar Amorim é advogado e um amante da história

Independência e respeito à democracia

Por Odemirton Filho

“Às quatro e meia da tarde, montado em sua besta, assoberbado pelo mal-estar, fatigado pela viagem, mas convocado pelo momento, d. Pedro formalizou o que já era realidade: arrancou a fita azul-clara e branca (as cores constitucionais portuguesas) que ostentava no chapéu, lançou tudo por terra, desembainhou a espada, em alto e bom som gritou: “ é tempo… independência ou morte (…) estamos separados de Portugal…” multidão-de-povos-com-bandeira-e-cartaz-que-andam-na-manifestação-demonstração-direitos-ilustração-do-vetor-da-parada-135814951

Eis o relato descrito pelas historiadoras Lilia M. Schwarcz e Heloisa M. Starling, no livro Brasil: Uma Biografia.

Passando ao lado do romantismo da cena acima, na próxima terça-feira vamos comemorar mais um 07 de setembro.

Contudo, há algumas semanas, partidários a favor do presidente da República e a oposição acenam para um dia da independência diferente, no qual o povo irá às ruas para se manifestar. Uns, em defesa do presidente, outros, criticando alguns atos do Chefe do Executivo Federal ou pedindo o seu impeachment.

A democracia pulsa quando os cidadãos vão às ruas em busca de seus direitos, pois todos podem reunir-se pacificamente, sem armas, em locais abertos ao público, independentemente de autorização, desde que não frustrem outra reunião anteriormente convocada para o mesmo local, sendo apenas exigido prévio aviso à autoridade competente. (Art. 5º, XVI da CF).

Todavia, qual o objetivo das manifestações? Pedido de uma intervenção Militar? Ameaças aos membros do Congresso Nacional e ao Supremo Tribunal Federal (STF)?

Nas redes sociais circulam notícias para todos os gostos. Ir às ruas para criticar a administração do presidente da República, a atuação dos parlamentares ou discordar de decisões do STF, faz parte da parte da liberdade de expressão, pois nenhum agente político está imune a críticas.

Entretanto, se as manifestações têm por objetivo o fechamento do Congresso Nacional e do STF, a coisa muda de figura, uma vez que se estará minando as bases da democracia. Quero crer que as manifestações serão ordeiras, uma vez que se constitui crime inafiançável e imprescritível a ação de grupos armados, civis ou militares, contra a ordem constitucional e o Estado Democrático. (Art. 5º, XLIV da CF).

E mais: no último dia primeiro, o presidente sancionou a lei n. 14.197/21, prevendo os crimes contra o Estado Democrático de Direito, com vigência noventa dias após sua publicação, tendo o seguinte teor:

“Tentar, com emprego de violência ou grave ameaça, abolir o Estado Democrático de Direito, impedindo ou restringindo o exercício dos poderes constitucionais”: Pena – reclusão, de 4 (quatro) a 8 (oito) anos, além da pena correspondente à violência. (Art. 359-L do Código Penal).

Segundo a mencionada norma, não constitui crime a manifestação crítica aos poderes constitucionais nem a atividade jornalística ou a reivindicação de direitos e garantias constitucionais por meio de passeatas, de reuniões, de greves, de aglomerações ou de qualquer outra forma de manifestação política com propósitos sociais.

Há quem diga que o STF tem solapado a independência e a harmonia entre os Poderes “por não deixar o presidente trabalhar”. Para outros, porém, a Suprema Corte está cumprindo o seu papel constitucional do sistema de freios e contrapesos.

Enfim. Apesar dos atritos entre os Poderes, e dos inúmeros defeitos de nossa democracia, precisamos lutar, permanentemente, para mantê-la e aperfeiçoá-la.

Assim, esperemos o povo nas ruas no próximo dia 07 de setembro, comemorado a independência do Brasil e reivindicando aquilo que lhe pareça legitimo, sem atos de violência, ameaças ou vandalismo. Tudo, como diz a expressão da moda, dentro das quatro linhas da Constituição Federal, respeitando-se à democracia e às instituições.

Odemirton Filho é bacharel em Direito e oficial de Justiça.

Curiosidades sobre o 7 de Setembro

Por Ney Lopes

Terça próxima, em clima de tensão política, a independência do Brasil estará sendo comemorada.

O historiador Laurentino Gomes escreveu o livro “1822”, em que aborda o 7 de setembro histórico.

Neste livro há fatos pitorescos sobre o grito do Ypiranga. A seguir algumas transcrições de relatos ligados à nossa Independência.quadro independência ou morte, Dom Pedro I, pintor Pedro Américo“O destino cruzou o caminho de D. Pedro em situação de desconforto e nenhuma elegância.

Ao se aproximar do riacho do Ipiranga, às 16h30 de Sete de setembro de 1822, o príncipe regente, futuro imperador do Brasil e rei de Portugal, estava com dor de barriga.

Testemunha da ocorrência, o coronel Manuel Marcondes de Oliveira Melo, subcomandante da guarda de honra e futuro Barão de Pindamonhangaba.

“A montaria usada por D. Pedro nem de longe lembrava o fogoso alazão que, meio século mais tarde, o pintor Pedro Américo colocaria no quadro “Independência ou Morte”.

O coronel Marcondes se refere ao animal como uma “baia gateada”.

Acompanhavam D. Pedro o coronel Marcondes; o padre Belchior; o secretário itinerante Luís Saldanha da Gama, futuro Marquês de Taubaté; o ajudante Francisco Gomes da Silva e os criados particulares João Carlota e João Carvalho. (Todos eles se tornaram testemunhas da Independência).

“Só ao cair da tarde daquele Sete de setembro, a comitiva chegou à colina do Ipiranga. D. Pedro ainda estava no alto da colina quando chegou a galope, vindo de São Paulo, o alferes Francisco de Castro Melo e Canto.

Ao se encontrar com a comitiva real, Melo e Canto trazia notícias inquietantes.

A notícia dizia que informações vindas de Lisboa davam conta do embarque de 7 100 soldados que, somados aos 600 que já tinham chegado à Bahia, tentariam atacar o Rio de Janeiro e esmagar os partidários da Independência.

“Quatro anos mais tarde, em depoimento por escrito, o padre Belchior registrou o que havia testemunhado a seguir:

“D. Pedro, tremendo de raiva, arrancou de minhas mãos os papéis e, amarrotando-os, pisou-os e deixou-os na relva. Depois, virou-se para mim e disse: – “E agora, padre Belchior?”

Eu respondi prontamente: “Se Vossa Alteza não se faz rei do Brasil será prisioneiro das Cortes e, talvez, deserdado por elas. Não há outro caminho senão a independência e a separação.

“D. Pedro caminhou alguns passos, silenciosamente, acompanhado por mim, Cordeiro, Bregaro e Carlota.

De repente, estacou já no meio da estrada, dizendo-me:

“Padre Belchior, eles o querem, eles terão a sua conta. As cortes me perseguem, chamam-me com desprezo de rapazinho e de brasileiro. Pois verão agora quanto vale o rapazinho. De hoje em diante estão quebradas as nossas relações. Nada mais quero com o governo português e proclamo o Brasil, para sempre, separado de Portugal”.

Respondemos imediatamente, com entusiasmo: – Viva a Liberdade! Viva o Brasil separado! Viva D. Pedro!

“Pela descrição do padre Belchior não houve sobre a colina do Ipiranga o brado “Independência ou Morte”.

  1. Pedro arrancando do chapéu que ali trazia a fita azul e branca, a arrojou no chão, sendo nisto acompanhado por toda a guarda que, tirando dos braços o mesmo distintivo, lhe deu igual destino.

– “E viva o Brasil livre e independente! ”, gritou D. Pedro.

“Acompanhado pela guarda de honra, desde aquele momento rebatizada com o pomposo nome de “Dragões da Independência”, D. Pedro chicoteou a sua “baia gateada” para vencer os últimos cinco quilômetros do total de setenta que percorria naquele dia.

Faltava uma hora para o pôr do sol, quando entrou em São Paulo saudado pelos sinos das igrejas e pelos escassos moradores que se aglomeravam nas ruas de terra batida”.

Ney Lopes é jornalista, ex-deputado federal e advogado

A independência do dia 8

Por François Silvestre

O Sete de Setembro é apenas mais uma das mirabolantes mentiras da nossa historiografia, mascarando a História. Não pelos fatos narrados, que ocorreram, mas pela informação de heroica decisão unilateral. Não foi. Ocorreu o desfecho de um acordo montado e arquitetado de muito tempo passado, quando da decisão de retorno de D. João VI a Portugal.

Quando as Cortes de Lisboa exigiram a ida do Príncipe D. Pedro para Portugal, deixando o Brasil sem o comando de um Bragança, foi o sinal para a consumação do acordo. “Antes que um aventureiro lance mão”.

No dia O8 de Setembro foi definida uma indenização à Portugal, pela perda da Colônia, de quantia satisfatória para acalmar as Cortes. Dinheiro muito, uma parte oficialmente declarada e outra que nunca se soube o montante.

Os militares portugueses aqui sediados, insatisfeitos, foram abandonados pela metrópole e lutaram em vão, acreditando que o Príncipe Pedro traíra sua pátria. Tudo farsa, menos o sacrifício deles, que lutaram e perderam.

Tanto é mentira que o mesmo príncipe “traidor”, ao abdicar, voltou a Portugal e lá tornou-se rei, com o título de D. Pedro IV. Essa festa do dia Sete tem o erro do dia e a marca do número da mentira.

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Presidenciável fará palestra sobre Constituição em Natal

Na próxima quinta-feira (12), às 15h, no  Auditório da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), em Natal/RN no bairro de Candelária, rua Barão de Serra Branca, haverá palestra sobre os “30 anos da Constituição do Brasil”.

Eymael: PSDC (Foto: divulgação)

A presença do presidente nacional do PSDC e pré candidato à presidência da República, José Maria Eymael, ensejará a abordagem do tema.

Na condição de constituinte escolhido entre os mais atuantes, ele abordará o tema para filiados, militantes e público em geral.

Aprovada pela Assembleia Nacional Constituinte em 22 de setembro de 1988 e promulgada em 5 de outubro de 1988, a Constituição da República Federativa do Brasil em vigor é a sétima do país.

As Constituições anteriores são as de 1824, 1891, 1934, 1937, 1946 e 1967. Das sete Constituições, quatro foram promulgadas por assembleias constituintes, duas foram impostas – uma por D. Pedro I e outra por Getúlio Vargas – e uma aprovada pelo Congresso por exigência do regime militar.

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Independência, um sonho a ser alcançado

Por Gutemberg Dias

No dia 7 de setembro parte dos munícipios brasileiros e mais o Distrito Federal comemoraram o dia da Independência do Brasil com a apresentação do desfile cívico-militar. Vale ressaltar que reduzido em número de participantes, tanto daqueles que desfilaram como dos que foram para assistir.

Já participei várias vezes desses desfiles, principalmente, na infância quando ainda o regime militar mantinha o controle rígido desse ato. Lembro da ansiedade de ir às ruas e fazer a marcha bem feita para que não fosse recriminado pelas professoras. Estava ali porque era obrigado e sem saber efetivamente qual o propósito. Era a época da escola sem partido!?

Hoje talvez não seja muito diferente. Tenho a certeza que muitos que fazem parte desse cortejo estão presentes devido o chamamento da escola que por outro lado é chamada pela gestão municipal a se fazer presente. E qual é o sentimento de cada jovem daquele? Será que o propósito da Independência está assentada nos seus corações?

Depois dos quarenta e poucos anos de vida, tenho a convicção que a Independência é um sonho a ser alcançado. Basta vermos que desde o famoso Grito do Ipiranga dado por D. Pedro I, em 7 de setembro de 1822,  que estamos lutando por ela. D. Pedro I ao exclamar “Independência ou morte” entrou para a história, mas o nosso Brasil quanto ao uso real da palavra ainda não conseguiu se ver na fala do imperador.

Não consigo ver Independência, pois quando fazemos uma análise da construção do estado brasileiro o que mais vemos são golpes dados nos momentos que o Brasil procura ser independente. Desde a Proclamação da Independência que toda vez que o país se prepara para ser protagonista no cenário mundial, alguém em nome do Brasil toma o poder do povo. Será que isso é independência?

Não vejo Independência quando a maior parte do povo desse país não tem acesso a uma educação ou uma saúde de qualidade. Parece besteira, mas a dependência vem a tona nos momentos de precisão quando muitos que fazem a política usam o poder de acesso aos equipamentos para amarrar o cidadão a seus projetos, que, por vezes, são sórdidos. Onde está o povo independente?

Que Independência é essa onde o cidadão não pode se quer caminhar sem ter medo de ser assaltado pelas ruas de seu bairro? São coisas assim que mostram que não atingirmos nossa plenitude de liberdade. Ainda estamos subjugados a algo que D. Pedro I não foi capaz, no ato de seu grito, de proporcionar ao povo brasileiro.

Olhar para a corrupção que assola esse país, consumindo todos os poderes (judiciário, legislativo e executivo – em letras minúsculas, sim) que por regra deveriam resguardar o Estado brasileiro, não é algo comum e, sobretudo, não condiz com uma nação independente.

Acredito que chegou a hora de ser dado um novo Grito do Ipiranga. Dessa vez, quem deve dar é o povo brasileiro sem ter medo do amanhã. Conviver com tudo que está acontecendo nesse Brasil não pode ser projeto desse povo e, sem pestanejar, as ruas precisam ecoar o grito da Independência que, lá em 1822, D. Pedro I “ensaiou” às margens do Riacho Ipiranga.

Acredito que o brasileiro é um povo lutador. Mas, parece que anda meio entorpecido com tudo que anda acontecendo. Termino esse texto citando Vandré  que diz: “vem, vamos embora que esperar não é saber, quem sabe faz a hora, não espera acontecer”.

O Brasil Independente só depende de nós!!!!

Gutemberg Dias é graduado em geografia, mestre em Ciências Naturais e empresário

Dia do Cínico

A voz do poder mais forte da República continua imperando.

O Poder de Renan Calheiros (PMDB-AL).

Nas redes sociais o poder de Renan sobre o STF é tratado com bom humor (Montagem: portal Metrópoles)

O Supremo Tribunal Federal (STF) não tem moral ou força alguma para tirá-lo da presidência do Senado, revelando a fragilidade das instituições republicanas brasileiras.

Pobre Brasil!

Nota do Blog – A montagem mostra paródia com o “Dia do Fico”, que deu-se em 9 de janeiro de 1822, quando o então príncipe regente Dom Pedro de Alcântara foi contra ordem da Corte Portuguesa, que determinava sua volta à Lisboa, ficando no Brasil.

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