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As fronteiras simbólicas do saber

Por Marcos Araújo

Arte ilustrativa com recursos de Inteligência Artificial para o BCS
Arte ilustrativa com recursos de Inteligência Artificial para o BCS

Construiu-se no imaginário brasileiro a ideia de que a maior capacidade profissional e a melhor produção intelectual se situam nos grandes centros do Sul e Sudeste. O Nordeste, mesmo com sua riqueza intelectual, cultural e tradição acadêmica, foi — e em muitos casos ainda é — relegado ao papel de coadjuvante. Essa lógica centralizadora alimenta um complexo de inferioridade entre profissionais, escritores, pensadores e leitores nordestinos. Tal sentimento, infelizmente, não é raro entre os próprios potiguares.

Se no início do Século XX a regra social vigente para a elite nordestina era a formação dos filhos na Europa, nas cinco últimas décadas o epicentro tem sido São Paulo.  O garbo paternal nas rodas de conversa é uníssono:

– Meus filhos estudam em São Paulo!

Entre comuns, escuto com desalento o aparente descrédito aos profissionais com formação em universidades nordestinas. Com extensão do sentimento aos nossos autores e literatos. “O nordestino tem complexo de vira-lata”, já se ouviu em salas de aula e rodas literárias locais. Talvez o problema não esteja na autoestima, e sim na invisibilização sistemática de quem está fora do eixo Rio-São Paulo.

Sou um entusiasta do nordeste. E do Rio Grande do Norte com muito mais afinco e intensidade. Ao mesmo tempo, incorporo um crítico ácido aos que supõem que o saber tenha uma justificação geográfica. O Sudeste precisa conhecer nossos autores e intelectuais.

Posso citar alguns dos nossos e seus textos, para contrapor a dominância “sudelista”. Nísia Floresta, amiga de Augusto Comte, autora de “Direitos das mulheres e injustiça dos homens” (1857), foi pioneira na educação feminista no Brasil.  Zila Mamede, a grande poetisa que fundou a Biblioteca Central da UFRN, em antanho já dizia: “Canto, porque há pressa em desentranhar o grito.” Luís Carlos Guimarães, uma das vozes mais potentes da lírica potiguar, era insurgente aos novos “donos” da escrita: “Sou do tempo em que as palavras eram respeitadas, e um verso tinha o peso de um tijolo na mão.” Câmara Cascudo, um dos maiores intelectuais do Brasil, universalizou o folclore nacional com obras como História da Alimentação no Brasil (1967) e Dicionário do Folclore Brasileiro (1954). Ele foi o maior etnólogo de todos os tempos.

A escrita como instrumento, o argumento e a estética linguística como elementos informativos pautam os trabalhos de escritores genais como Carlos Santos, Vicente Serejo, Rejane Cardoso, Marcos Ferreira, Honório Medeiros e outros mais.

A história da produção intelectual potiguar vai além da literatura. O pensamento jurídico e as ciências humanas também tiveram aqui um solo fecundo. Miguel Seabra Fagundes é o autor do primeiro trabalho nacional sobre atos administrativos. Outros, como Eloy de Souza, Olavo de Medeiros Filho, Mário Moacyr Porto, Floriano Cavalcanti, Múcio Vilar Ribeiro Dantas, João Medeiros Filho, Ivo Cavalcanti, Manoel Dantas, Djalma Marinho, Claudionor Telógio de Andrade, Manoel Varella, Eider Furtado, Ney Lopes de Souza e Hélio Vasconcelos, intelectuais de grande vulto, foram responsáveis pela formação de gerações de bons profissionais.

A UFRN e a UERN têm se tornado polo de formação de juristas com inserção nacional. Marcelo Alves, que escreve no BCS, é um deles.  Na academia nacional da docência do direito estão emoldurados os nomes de Marcelo Navarro Ribeiro Dantas, Luiz Gurgel de Faria, Paulo Linhares, Ana Monica Amorim, Keity Saboia, Fernanda Abreu, Inessa Linhares, Lauro Gurgel, Adilson Gurgel de Castro, Armando Holanda, Barros Dias, Edilson Nobre, Erick Pereira, Ricardo Tinoco, Miguel Josino Neto, Xisto Tiago, Yara Gurgel, Erica Canuto, entre outros… Apenas para nomear alguns nascidos aqui.

Os cursos jurídicos do RN capacitam para a vida humana. Cumprem o mandato profético do professor Carlos Roberto de Miranda Gomes, autor de diversos artigos e ensaios sobre hermenêutica: “A letra da lei não deve sufocar a voz do povo. Direito sem humanidade é só uma norma fria.”

A sabença do Direito, a literatura e o pensamento não se medem por CEP. A boa escrita nasce da experiência, da escuta do mundo — e disso o Nordeste é mestre. A exclusão simbólica dos autores do Nordeste não reflete a sua qualidade, mas a desigualdade histórica de acesso a meios de publicação, circulação e crítica. É preciso romper com a lógica centralizadora que associa prestígio à geografia. Se os profissionais e escritores “Sudestinos” são chamados de “melhores”, talvez seja porque o Nordeste — como o sol que o ilumina — é tão intenso que ofusca os olhos de quem olha de cima.

Temos por aqui os melhores profissionais, escritores, pensadores e intelectuais brasileiros. Nada a dever aos de outras regiões. É hora de quebrar o espelho torto em que o Nordeste se vê. A produção intelectual potiguar não precisa pedir licença. Ela existe, resiste e contribui com a identidade brasileira de forma decisiva. O que falta não é talento ou sabedoria — é espaço e autorreconhecimento!

Marcos Araújo é advogado, professor da Uern e escritor

TRE/RN debaterá temas relacionados ao processo eleitoral 2022

Acontece na próxima semana o Prata da Casa, evento realizado pela Escola Judiciária Eleitoral do Rio Grande do Norte que contará com transmissões de debates sobre temas atuais relacionados ao processo eleitoral brasileiro. As lives acontecerão diariamente de 13 a 15 de outubro. Às 17h na quarta e quinta e às 10h na sexta.

Elas serão transmitidas no canal do YouTube do TRE-RN.

Essa iniciativa, que celebra os 25 anos de utilização da Urna Eletrônica no processo eleitoral brasileiro, busca disseminar o funcionamento do processo eletrônico de votação ao eleitorado potiguar.

“O tema urna eletrônica tem sido um dos mais comentados do momento e nosso papel é mostrar à sociedade que a urna eletrônica é um sistema seguro de votação e acompanha os avanços tecnológicos. E para isso, nada melhor que debater sobre a segurança dos sistemas eletrônicos de votação da Justiça Eleitoral”, disse o presidente do TRE-RN, desembargador Gilson Barbosa.

Em razão da pandemia do Coronavírus, só será permitida a presença dos magistrados, servidores e autoridades convidadas. A imprensa poderá realizar a cobertura do evento, de forma presencial, com limitação de dois profissionais por veículo de comunicação. A população poderá acompanhar o evento através do canal do TRE-RN no YouTube. TRE-xx102021-post-semana-de-live-25-anos-da-urna-2

Segurança no Processo Eleitoral – 13/10/2021

Palestrantes:

Bruno Andrade – Secretário de Modernização, Gestão Estratégica e Socioambiental do TSE

Edilson Nobre – Ex-Procurador Regional Eleitoral

Mediação: Anna Ruth Dantas – JornalistaTRE-xx102021-post-semana-de-live-25-anos-da-urna-3

Participação Feminina no Processo Democrático – 14/10/2021

Palestrantes:

Adriana Magalhães – Juíza da Corte Eleitoral do RN

Nina Souza (PDT) – Vereadora do município de Natal

Mediação: Geraldo Mota – Juiz da Corte Eleitoral do RNTRE-xx102021-post-semana-de-live-25-anos-da-urna-4

Desinformação e Fake News – 15/10/2021

Palestrantes:

Fernanda Zauli – Jornalista e Coordenadora do G1RN

Liz Nóbrega – Jornalista e mestre em Estudos da Mídia pela UFRN

Medição: Fernando Jales – Juiz da Corte Eleitoral do RN.

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Fugas em massa e outros problemas da segurança “vão piorar”

O secretário de Justiça e Cidadania do Estado – Edilson Nobre – admite que “não há muito o que fazer” no sistema prisional e o quadro “vai piorar”.

Tudo isso o Blog tem dito e repetido há tempos, enfrentando a lufada de ufanismo e desinformação que propagam no Rio Grande do Norte.

A realidade é muito mais dura do que se diz e divulgam.

São fugas em massa de Alcaçuz, assaltos, homicídios, considerável déficit de homens nas polícias Civil e Militar, Itep sucateado e sem profissionais e até racionamento de munição.

Problemas gerados lá atrás que agora explodem com tudo no colo do governador Robinson Faria (PSD).

Ontem mesmo, Ministério Público Federal (MPF) e Ministério Público do RN (MPRN) anunciaram ação por improbidade contra a ex-governadora Rosalba Ciarlini (DEM). Ela devolveu recursos federais (veja AQUI) para construção e recuperação de vários presídios, proporcionando o cenário que hoje testemunhamos no sistema prisional.

Discurso de otimismo não resolve. Pode até piorar o quadro, alimentando um cenário irreal e causando em breve uma revolta incontida da população, sentindo-se ludibriada.

Anote, por favor.

Nota do Blog – Demitiram Dinorá Simas, diretora do Presídio de Alcaçuz. E daí?

E daí, nada.

Botem Rambo e o Homem de Ferro na direção e os problemas vão continuar.

Seminário discutirá o novo Código de Processo Civil

O novo Código de Processo Civil. Esse será o tema do seminário que ocorrerá nos dias 7 e 8 de maio, no auditório da Justiça Federal do Rio Grande do Norte (JFRN), em Natal.

O evento está com inscrições abertas através do site www.jfrn.jus.br . Os interessados podem se inscrever gratuitamente, mas a efetivação da inscrição é feita mediante a doação de um brinquedo, que deve ser entregue no dia do evento.

No seminário, o presidente do Tribunal Regional Federal da 5ª Região (TRF), Desembargador Federal Marcelo Navarro, falará sobre “O novo sistema recursal”.

Já o Desembargador Federal Edilson Nobre trará como tema da palestra “O novo CPC e a Fazenda Pública em Juízo”.

Já o Procurador Federal Luiz Henrique Diniz Araújo destacará “Tutelas provisórias no novo CPC”.

O seminário é promovido pela Escola de Magistratura Federal junto com a Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN) e a Advocacia Geral da União (AGU).