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Cônego Bernardino e a Casa Grande da Fazenda João Gomes

Por Honório de Medeiros

Cônego Bernardino José de Queirós e Sá (1820-1884), com melhoria de imagem feita com recursos de Inteligência Artificial para o BCS
Cônego Bernardino José de Queirós e Sá em imagem refeita com recursos de Inteligência Artificial para o BCS

Muitos anos depois, ao recordar, com a leitura de As Brumas de Avalon, de Marion Zimmer Bradley, o relato do desaparecimento lento e inexorável da cultura celta na Bretanha do ciclo Arturiano, substituída pela opressiva aliança entre o cristianismo, tal qual o entendia a Igreja Católica de então, e o poderio do Estado romano, associei o sentimento quanto a essa perda à minha própria amargura com a extinção, também impossível de ser detida, da antiga tradição cultural sertaneja nordestina, iniciada no ciclo do gado, nos idos do século XVI.

Rcordei, então, enquanto caminhava, garoto, pelas ruas da minha infância, tangido suavemente por meu pai, a cumprimentar, tímido, os vizinhos, dentre eles seu colega de trabalho, Francisco Alves Cabral (Seu Chico Cabral), a quem eu conectava imediatamente, por ser filho de Pedro Alves Cabral, com a Casa Grande da Fazenda São João, uma das três ou quatro construídas no “início das eras” naquela Região, o Alto Oeste Potiguar, de onde os Fernandes, todos descendentes de Mathias Fernandes Ribeiro, filho de portugueses, se espalharam pelo Brasil.

Pedro Alves Cabral nasceu lá, na lendária Casa Grande que Lampião recusou atacar, por artes de Massilon, quando invadiu o Rio Grande do Norte dirigindo-se a Mossoró, e ouvira suas histórias e estórias nos serões familiares, testemunhou algumas e foi, ele mesmo, o epicentro de um evento contado aos sussurros entre os adultos Fernandes, mas escutados por meninos de ouvidos ávidos, que atribuía seu nascimento em 1879, no dia de São Pedro, às infidelidades do Capitão Childerico José Fernandes de Queirós e Sá, então proprietário do solar senhorial, por casamento com Maria Amélia Fernandes, a Dona Marica do João Gomes, única herdeira de todo o patrimônio do Tenente Coronel Epiphanio José Fernandes de Queirós, conhecido como Major Epiphanio, falecido em 1884, e seu construtor.

Childerico I se casou duas vezes. A primeira com Guilhermina Fernandes Maia, filha do primeiro casamento de Diogo Alves Fernandes Maia com Maria Fernandes Maia. Desse casamento nasceram:

1. Adolpho José Fernandes, conhecido por Sinhô, casado com Primitiva Fernandes;

2. Marcionila Fernandes;

3. Childerico José Fernandes Filho;

4. Maria Fernandes Ferreira;

5. Joana Fernandes Ribeiro;

6. Levina Fernandes;

7. Guilhermina Fernandes de Queiróz;

8. Honorina Fernandes;

9. Francisca Fernandes de Souza.

Do seu segundo casamento, com Maria Amélia Fernandes (Dona Marica do João Gomes), teve os seguintes filhos:

1. João Câncio Fernandes;

2. Ernesto Fernandes de Queiróz;

3. Umbelina Fernandes da Silveira;

4. Francisca Fernandes Távora.

A história de Dona Marica é, por si mesma, uma lenda na família Fernandes.

Consta que Antônio Fernandes da Silveira Queirós (o Major do Exu) teve vários filhos, dentre eles o Major Epiphanio e o Cônego Bernardino José de Queirós e Sá, que foi vigário de Pau dos Ferros de 1849 a 1884.

O Major Epiphanio não teve filhos; o Padre, dez a doze, segundo alguns, dezesseis, dizem outros, de várias mulheres, dentre eles Dona Marica, a primogênita, adotada por seu irmão e dele futura e única herdeira.

Ao assumir a fazenda João Gomes, o Capitão Childerico, ao que consta, segundo as lendas, manteve a tradição inaugurada pelo Cônego Bernardino de povoar os oitões, sótãos e porões da Casa Grande, e dele nasceu Pedro Alves Cabral, pai de Seu Chico Cabral, a quem eu sempre associei ao lendário Solar da família e a proteção que recebeu, ao longo da vida, dos Fernandes descendentes do seu avô.

Bem como lembro, imediatamente, de outras tantas e preciosas histórias e estórias que o pó do tempo insiste em sepultar, lentamente encaminhando toda uma cultura da qual, hoje, quase não há mais testemunhas vivas, para o desaparecimento.

Honório de Medeiros é professor, escritor e ex-secretário da Prefeitura de Natal e do Governo do RN

“Memorial político dos Veras e Saldanhas” será lançado dia 18

Divulgação
Divulgação

Os primos Francisco Galbi Saldanha e Fabiano André da Silva Veras vão lançar o livro “Memorial político dos Veras e Saldanhas.”

Será na quinta-feira da próxima semana, dia 18, às 10 horas, no Salão Nobre da Assembleia Legislativa do RN, Cidade Alta, em Natal.

A obra faz um inventário sobre nomes e sobrenomes desses ramos familiares que se cruzam no sertão nordestino, em especial no RN e Paraíba, mostrando caminhos e destaques na atividade pública. É uma pesquisa com componente genealógico, que mergulha em fontes históricas, orais e documentais sobre os primórdios de Veras e Saldanhas e sua marcha nos escaninhos da política.

Nota do BCS – Convite recebido, senhores.

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Subsídios para a história da família Rêgo

Por Marcos Pinto

Antônio Florêncio, de Pau dos Ferros, quatro mandatos (Foto: Arquivo)
Antônio Florêncio, de Pau dos Ferros, quatro mandatos (Foto: Arquivo)

A saga da indômita família Rêgo, nordestina, revela luta medonha. Percorre caminhos que não passavam de picos rasgando sertões nunca antes habitado, atravessando matas e caatingas fechadas, varando elevações como a “Serra da Micaela” e a “Serra dos Quintos,” vadeando as nascentes do rio Apodi e com destaque na performance colonizadora/povoadora dos estados do Ceará, Pernambuco, Bahia, Piauí e Rio Grande do Norte.

A consagrada obra genealógica “Nobiliárquia Pernambucana” do celebrado genealogista Antonio José Vitoriano Borges da Fonseca enfoca relevante presença do Capitão Alberto de Morais Rêgo, natural da Bahia, nos volumes I (pág 223) e vol. IV (pág 474) sem, contudo, envidar pela descendência deste laborioso patriarca. Este capitão era filho legítimo do capitão-mor Pedro de Souza Rêgo, natural de Oeiras, no Piauí.

Foi agraciado com uma sesmaria denominada de “Campo Grande” medindo três léguas de comprimento por uma légua e meia de largura, cujas terras estão encravas nas áreas territoriais de Portalegre e Pau dos Ferros. O Capitão Alberto faleceu no ano de 1821 e foi inventariado de forma amigável no ano de 1822, na vila de Portalegre-RN, comarca do RN.

Era casado com Josepha Rita Cavalcanti que na “nobiliarquia pernambucana” aparece como Josepha Cavalcanti de Albuquerque (vol. I. pág 223) (vol IV. Pág 474). O casal teve a seguinte prole: F.01 a F.06: Lourenço José de Morais Rêgo, Vicente de Morais Rêgo, José Cavalcanti de Morais Rêgo, José Cavalcanti de Morais Rêgo, Félix Manoel de Morais Rêgo, Antonia Maria Cavalcanti, Joana Rita Cavalcanti.

A prole conhecida como “os albertos” herdou terras denominadas de “Aroeira”, Campo Grande, São Miguel, “Tesoura”, “Cachoeira”, e “Jatobá”. Dominaram vastidões de terras na antiga ribeira do Apodi, marcando o chão que iam pisando com tacões das suas botas, onde uma palavra, um obscuro domínio possessório fora firmado pela lei da força e da violência.

Até hoje são lembradas e relembradas as famosas desavenças surgidas na família de forma ferrenha na disputa às vezes por um ou 2 palmos de terras situados em seus lados confinantes detentora de uma acentuado ranço sertanejo vinculado a tradições. Destacaram-se e ainda destacam-se pelo relevante espírito da iniciativa e a formidável capacidade de trabalho.  Daí o destaque da existência de um ente familiar que chegou ao pomposo cargo de governador do estado, Garibaldi filho, descendente do casal Vanice Chaves do Rêgo e Garibaldi Alves,  tendo inclusive presidido o Congresso Nacional uma vez que presidia o Senado federal.

Outro expoente referencial familiar foi o inteligente Antônio Florêncio de Queiroz, eleito deputado federal na década de 70 e 80 (quatro mandatos), bem como o professor universitário Francisco Canindé Queiroz e Silva, que foi dirigente da Fundação Universidade Regional do RN (FURRN), com genitora que foi admirável e destacada matriarca de família nos rincões pau-ferrense.  É certo afirmar-se que seu perene espírito de luta laboral familiar foi inutilizado pela subserviência de uns e pela intolerância de outros. Alguns envidaram esforços em sentido contrário aos ditames do bom senso.

Adentremos aos primórdios da família. Há que se efetuar um sucinto histórico da famosa “data de sesmaria Campo Grande”, feudo de Souza Rêgo, com parte histórica acima descrita.

Assim é que já no ano de 1825 foi inventariado pelo falecimento de Domingos Rodrigues da Silva, a viúva meeira Maria Francisca de Oliveira. Em 1832, a viúva Maria Francisca vendeu a sua meação aos Srs. Zacarias Ferreira  da Silva e a Francisco Antonio de Souza, casado com Tereza Maria de Jesus, que é a mesma Tereza Ferreira de Souza, falecida e inventariada no ano de 1835, deixando o esposo e 11 filhos:

  1. 01 a F. 10: Francisca Tereza de Jesus, André Avelino de Souza, Zacarias Raimunda, Tereza, Joel, Cecílio Alcino de Souza, Francisca Moisés de Souza, e Ana Tereza de Jesus, casada com Manoel Rêgo Leite (aqui o início dos Souza Rêgo).

O Patriarca Manoel do Rêgo Leite (filho de Luís do Rêgo Leite – o 2°/ e de Ana Ferreira do Rêgo) casou em segunda núpcias com Ana Rodrigues, filha de Zacarias Ferreira da Silva, inventariado no ano de 1853. A segunda esposa de Francisco Antonio de Souza faleceu no ano de 1867, deixando os filhos Florêncio Valamira de Souza Rêgo e Francisco Antonio de Souza Rêgo, e os co-herdeiros Florêncio do Rêgo Leite e Francisco França Fernandes Pimenta. Aqui a origem do ramo familiar “Valamira do Rêgo”.

A memória dos antigos da família evocam a bravura e o destemor do velho patriarca  sertanejo Antonio Francisco de Souza, falecido no ano de 1875, deixando viúva a terceira esposa Ignácia Etelvita de Giralifa e os filhos:

  1. 01 – Maria Thereza de Jesus (3° esposa de Manoel do Rêgo Leite).
  2. 02 – Antonia Maria do E. Santo – casada com Zacarias Ferreira da Silva (o 2°)
  3. 03- Simforosa Maria do E. Santo – casada com Manoel Francisco do Nascimento.
  4. 04 – Raimunda Tereza de Jesus – casada com Antonio Manoel Filgueira.
  5. 05 – Josefa Adelina de Souza Rêgo – casada com Zacarias de Freitas Guimarães. F. 06 – Paulina Avenida de Souza – casada com Norberto do Rêgo Leite.
  6. 07 – Carolina Querubina de Souza Rêgo.

Há um manancial de subsídios histórico-genealógicos nos vetustos arquivos dos cartórios judiciários das comarcas do Apodi, Portalegre, Pau dos Ferros e Martins. À luz do inventário do ano de 1787, resta comprovado que o inventariado tenente José Pereira do Rêgo é o referencial mais antigo desta nobre e tradicional estirpe. Segundo a tradição oral, ele seria pernambucano.

Do inventário depreende-se que faleceu em sua fazenda “Prados Finos” município de Pau dos Ferros a 25 de junho de 1786, deixando a viúva D. Ana Eufêmia Ferreira e os filhos:

  1. 01- Francisco Pereira do Rêgo (nasceu em 1763) – casou com Bárbara Maria de Jesus.
  2. 02 – Luís (nasceu em 1764)
  3. 03 – Benta (nasceu em 1769) – casou com Luís do Rêgo Leite (o 2°) – no sítio “Malhada de Areia”. Faleceu em 1834 deixando os filhos Umbelina e José.
  4. 04 – Manoel Pereira do Rêgo (nasceu em 1772).
  5. 05 – Josefa (nasceu em 1774).
  6. 06- Paula (nasceu em 1777).
  7. 07 – Antonio Pereira do Rêgo.

Foi Sesmeiro no lugar chamado “Panati”, Ribeira do Apodi (atual Marcelino Vieira). (Víde sesmaria n°378 – pag 118 – 3°vol/sesmarias do RN 1742-1764).

Ainda referindo às datas de sesmarias do RN, na petição de Marçal Francisco de Brito, fundador de Pau dos Ferros, datada de 15 de junho de 1753, consta que suas três léguas de terras por uma légua e meia de largura encostam com as terras de Manoel do Rêgo Leite, o que significa que eram vizinhos/confinantes (fonte: sesmarias do Rio Grande do Norte / sesmaria n° 392 – 3°vol – período 1742-1764/ coleção mossoroense – fundação Ving-Tun Rosado/Março 2000).

Compulsando inventários de Pau dos Ferros deparei-me com o inventário de Bárbara Maria de Jesus do ano de 1857, casada que foi com Francisco Pereira do Rêgo (filho do tenente José Pereira do Rêgo e de Ana Eufêmia Ferreira). Consta que o casal Francisco e Bárbara encontrava-se separado, posto que Bárbara residia no seu sítio denominado de “Capoeira Grande” em Pau dos Ferros, e Francisco residia na povoação de São Miguel-RN. O casal deixou a seguinte prole:

  1. 01 – Faustina Maria de Jesus.
  2. 02 – Bernardina Maria de Jesus.
  3. 03 – Marcos Pereira do Rêgo.
  4. 04 – Ana Maria de Jesus.
  5. 05 – Isabel Maria de Jesus – casou com seu parente Agostinho de Souza Rêgo, filho de Manoel do Rêgo Leite e Ana Tereza de Souza Rêgo. Pais de (dentre outros) F. 01 – Jeremias Félix da Costa Rêgo (é o mesmo Jeremias de Souza Rêgo) que casou com Marcionila Adélia do Rêgo, filha de Francisco Severiano da Costa e Cecília Adélia do Rêgo. São os bisavós maternos do pesquisador apodiense Marcos Pinto. Nasce daí a estirpe dos “Severiano do Rêgo” através de João Severiano da Costa, casado com Thereza Maria de Jesus, (por sua vez filha de Francisco Thomaz de Aquino e Isabel Maria da Silva) pais de Francisco Severiano já citado.

Para que não ocorra um hiato de gerações, há que se adentrar no inventário do capitão Simão do Rêgo Leite, natural de Goiana, em Pernambuco. Inventário do ano de 1824 – cartório/comarca do Apodi-RN. Simão faleceu em sua fazenda “Santa Cruz” (Apodi-RN) no dia 09 de outubro de 1823, casou em Apodi, em primeira núpcias com Lourença Ferreira da Mota (filha do português Antonio da Mota Ribeiro e Josefa Ferreira de Araújo) nascida na fazenda “Santa Cruz” no ano de 1752, e faleceu na mesma fazenda em 10.09.1807, aos 55 anos de idade, deixando os filhos:

  1. 01 – José do Rêgo Leite e Araújo – residia na fazenda Sta. Cruz.
  2. 02 – Isabel Maria da Conceição – casou com Francisco Pedro de Carvalho, natural do Aracati.
  3. 03 – Josefa do Rêgo Leite – casou com Antonio da Mota Ferreira, filha do português Manoel Antonio da Costa e Thereza Maria de Jesus.
  4. 04 – Maria da Conceição do Rêgo Leite – casou com o Português Luís da Costa Mendes e foram pais de: N. 01 – símplicio da Costa Leite (aqui a origem dos “Ferreira Leite” do Apodi e Mossoró-RN.
  5. 05 – Antonio do Rêgo Leite e Araújo – por ocasião do inventário do pai, era escrivão do crime e do cível e tabelião na Vila Nova da Princesa (Assu-RN) de onde outorgou poderes para os filhos, sem procuração, Vicente Ferreira Leite e Araújo e José Ferreira Leite e Araújo.

O Patriarca Simão do Rêgo Leite contraiu segunda núpcias com a sua cunhada Damiana Antonia da Mota, nascida a 15.12.1757, que era viúva do português Cristóvão José de Souza. Simão não teve prole deste segundo casamento. Damiana faleceu a 09 de abril de 1822.

A vastidão de subsídios genealógicos desta honrada família sertaneja requer continuidade, abordando as vertentes Rêgo/Gameleira, Rêgo/ Santos Rosa/ Peixoto do Rêgo/ Aquino- Rêgo/ Albuquerque/Nunes do Rêgo/ Rego-Nobre/ Hermógenes do Rêgo/ Guedes do Rêgo/ Lopes do Rêgo/ Rêgo-Monte/ Rêgo-Lemos/ Rêgo Almeida/ Rêgo Mota/ Rêgo Feitosa, etc.

Inté.

Marcos Pinto é advogado e escritor

Nas pegadas da família Maia

Por Marcos Pintotestes-geneticos-genealogia-960x540

Em Genealogia o começo é sempre hoje. Por ser uma temática instigante e elucidativa, desperta infinitas atenções que adentram o túnel do tempo, onde o retiro e a solidão dão livre curso à ansiedade cognitiva. As abordagens histórico-genealógicas restringir-se-ão aos sertões do Apodi, Itaú, Martins, Tabuleiro do Norte, Pereiro-CE e Catolé do Rocha-PB.

Mantém-se assim a coletividade da tradicional família Maia em sintoma com o tempo. Há muito da tradição oral norteando apontamentos genealógicos dignos de nota, observando-se, porém, vez por outra, algumas incongruências cronológicas. Ao certo, temos a tradição oral informando a chegada do Sr. Antonio Alves de Araújo Maia ao Apodi, oriundo do Tabuleiro da Areia (atual Tabuleiro do Norte-CE), vetusto rincão da Ribeira do Jaguaribe, da freguesia das Russas. Antonio casou em Apodi com Antonia Barbosa de Amorim, filha de João Barbosa Corrêia (2° deste nome e neto do 1°) e de Josefa Martins de Macedo (esta por sua vez filha do Tenente Manoel João de Oliveira, do Assu-RN, e Antonia Maria de Jesus).

A honrada descendência de Antonio Alves de Araújo Maia e Antonia Barbosa de Amorim está disseminada na cidade e município de Itaú-RN, de cujo casal nasceu Vicente Alves de Araújo Maia em 05 de fevereiro de 1825. Em 1844 nascia outro filho deste casal, de nome Joaquim Alves Maia, que veio a casar em primeira núpcias com Laurinda de Holanda Cavalcanti (filha de Laurindo de Holanda Cavalcanti e Josefina Oliveira…) e foram pais de Manoel Alves Maia, nascido no ano de 1879. Enviuvando, Joaquim casou em segunda núpcias com Maria Luiza Maia, que lhe sobreviveu e foram pais de:

F.01- José Alves Maia – casado com Josefa Maia Pinheiro.

F.02- Francisco Alves Maia – casado com Maria do Carmo Maia.

F.03- Cristalino Alves Maia –

F.04- Raimundo Alves Maia (nasceu a 04/01/1889)

F.05- Antonio Alves Maia.

F.06- Adelino Alves Maia.

F.07- Gonçalo Alves Maia.

Em minhas incontidas pesquisas nos inventários apodienses encontrei o inventário de José Sebastião Maia (o 2° deste nome) falecido no sítio ‘Caboclo’ (Apodi) a 25/02/1921, casado com Josefa Carlota de Oliveira (falecida a 30/12/1910) filha legítima de Joaquim Felício Maia, natural do Limoeiro do Norte-CE, e Carlota Antonia de Oliveira. Deixaram os filhos:

F.01- Ana Josefa de Oliveira, casada com Francisco Porfírio de Oliveira.

F.02 a F.09 – Joaquina (casada com Manoel Moreira Filho), Pedro, José, Carlota, Francisco, Maria Cota, Maria, Catarina e Raimundo (gêmeos).

Encontramos no denso inventário da lendária e arrojada matriarca Rosa Maria do Espírito Santo (Apodi, ano 1840) filha do português Manoel Raposo da Câmara e Antonia da Silva), casada que foi com Caetano Gomes de Oliveira. Dentre os filhos deste vetusto casal encontramos Tereza Maria de Jesus, casada com Ildefonso Alves Maia, de quem não conseguimos encontrar dados biográficos. No mesmo inventário encontramos uma neta de Dona Rosa, de nome Catarina Francisca das Flores, casada com o Sr. Antonio Freire da Silva Maia.

A antiga povoação denominada de “Angico” encravada na antiga data de sesmaria “Gitirana” emancipou-se do Apodi com a denominação de “Itaú” onde nos deparamos com o óbito de Vicente Martins da Silva, falecido a 13/09/1912 aos 61 anos de idade, tendo casado em primeira núpcias com Úrsula Doricélia da Câmara, com quem teve os filhos Eduardo Alves Maia, Patrício Alves Maia. Vicente casou em segunda núpcias com Amélia de Oliveira Maia, filha do Prof. Francisco Alves de Oliveira Maia, com quem teve dois filhos: F.01- Francisca Amélia de Oliveira, casada com Euclides Pinheiro da Silva, e o F.02- Cícero Alves Maia.

A fonte de pesquisa e documentação é como cacimba de areia, quanto mais produz, mais espontâneo se torna o manancial, fluindo perenemente, como que desobstruindo o veeiro de abastecimento. Daí que encontramos nas conversas dos alpendres sertanejos da ribeira e freguesia do Apodi a constatação de que existem duas vertentes da família Maia, conhecidos como sendo da família “Maia Fogo” e “Maia Bofe”.

O liame genealógico dos “Maia Fogo” advém da lendária matriarca Francisca das Chagas do Amor Divino, que por ter gerado uma prole de 16 filhos, tendo criado diligentemente e com muito amor esta notável prole, evidenciando notória carga de libido, atribuíram-lhe o apelido de “Dona Chica Fogo”. Era filha de João Alves de Oliveira e Francisca das Chagas de Oliveira.

Na celebrada obrada intitulada “Velhos inventários do oeste potiguar” – coleção mossoroense- série c- vol 742- ano 1992- de autoria do consagrado genealogista potiguar Marcos Antonio Filgueira, as p[aginas 79 a 86 consta a transcrição do inventário do padre Faustino Gomes de Oliveira, pernambucano, de Olinda, cavaleiro professo da ordem de Cristo, que foi vigário na Paróquia de Apodi no período de 1813-1856. No dito inventário encontra-se um testamento do Padre, lavrado a 05/01/1853 no qual afirma textualmente ter mantido relacionamento com mulher solteira de nome Francisca das Chagas do Amor Divino com quem teve uma prole de 07 filhos, os quais nominou-os.

Nesse ano do testamento Dita encontrava-se casada em primeira núpcias com Manoel de Jesus de Oliveira. Enviuvando, Dona Chica Fogo casou em segunda núpcias com o meu trisavô paterno Manoel Félix Ferreira, filho de Joaquim Félix Ferreira e Joana Batista do Nascimento (vide livro “memorial da família Maia do Ceará- pág114- 1717-2022, autor: José Nelson Bessa Maia. Nasce daí os “Maia Fogo”. O padre Faustino faleceu em Apodi a 05/02/1856.

O patriarca da família “Maia Fogo” Manoel Félix Ferreira nasceu em Catolé do Rocha-PB no ano de 1819. Manoel e Francisca das Chagas foram pais de 11 filhos:

F.01- Manoel Félix Ferreira Júnior

F.02- Izaías Alves de Oliveira- casado com Francisca Gomes de Oliveira.

F.03- Vicente Alves de Oliveira- casado com Antonia de Oliveira Maia.

F.04- Eufrosina Benigna de Oliveira- casada com Manoel Antonio de Souza.

F.05- Aquilino Alves de Oliveira- casado com Emilia Rosenda de Oliveira.

F.06- Felino Alves de Oliveira- casado com Maria Francisca das Chagas.

F.07- Felinto Alves de Oliveira- casado com Maria Gomes de Oliveira.

F.08- Jovino Alves de Oliveira- casado com Filomena Amélia de Oliveira.

F.09- Deodato Jovino de Oliveira- casado com Maria Lima de Oliveira (do Pará);

F.10- João Alves de Oliveira.

F.11- Benjamin Alves de Oliveira- casado com Maria Filadélfia Maia (meus bisavós paternos).

Nas fantásticas pegadas dos “Maia”surge a vertente “Maia Bofe” através dos admiráveis patriarcas João Alves Maia (João Bofe) nascido em 1819 em Tabuleiro da Areia (Tabuleiro do Norte-CE). Casou na matriz do Apodi a 04/02/1845 com Antonia Maria de Jesus (falecida a 08/12/1920 aos 90 anos) filha de Manoel Pinto da Cruz e Thereza Maria da Conceição,pais de: F.01 a F.05: Mafalda, Thereza, Marina Honorina, Henrique, Onofre. João Bofe faleceu no “alto da missão em 28/01/1913” e era filho de José Alves Maia e Maria da Conceição Paiva.

Na fértil várzea do Apodi, lugar denominado de “baixa fechada” faleceu a 20 de setembro de 1913 o respeitável patriarca Galdino Alves Maia (Galdino Bofe) natural de Russas, filho de João Alves Maia e de Maria Inácia da Conceição. Era casado com senhorinha Maria da Conceição. Galdino faleceu aos 84 anos de idade (nasceu no ano de 1819). Do primeiro enlace deixou uma prole de 06 filhos:

F.01- Lúcio Alves Maia- casado com Cândida.

F.02- Antonia Senhorinha da Conceição- viúva (1° vez) de Joaquim Ferreira Lima e (2°) vez de Simão Corrêia Lima.

F.03- Luzia- casada com João Domingos do Nascimento.

F.04- Francisca Senhorinha do Amor divino (falecida) casou com Julião Escolástico Benevides.

F.05- Maria- casada com Manoel Domingos do Nascimento.

F.06- Lucia Maria da Conceição- casou com Pedro José Marinho (são avós maternos do ex-prefeito do Apodi Sr.Isauro Camilo).

Prolífico, laborioso e inteligente, Galdino Bofe casou em segunda núpcias com Ana Maria de Jesus(filha do cearense Simão Corrêia Lima e Maria do Espírito Santo) tendo falecido no sítio “estreito” (margem da lagoa do Apodi) a 29/09/1934 aos 80 anos, deixando a seguinte prole:

F.01- Manoel Alves Maia.

F.02- Praxédia Maria da Conceição.

F.03- Maria Matildes da Conceição- casou com Julião Escolástico Benevides (pais de Galdino Julião).

F.04- Damásia.

F.05- Joaquim Alves Maia.

F.06- Pia.

F.07- Galdino Alves Maia Filho.

F.08- Alvino Alves Maia.

F.09- Pedro Alves Maia.

F.10- Antonio Alves Maia.

Há que se observar a existência de um outro Galdino Alves Maia, natural de Tabuleiro de Areia (Tabuleiro do Norte-CE) nascido no ano de 1837, filho natural de Ana Alves Maia (filha de Antonio Alves de Araújo Maia e Maria Clara Ferreira Maciel, da freguesia de Russas-CE). Galdino faleceu na cidade do Apodi a 24/09/1929 e era viúvo de Francisca de Tal, deixando as filhas: Maria Galdina, Caetana, Rita, Sebastião e Antonia.

Do vetusto casal Gabriel Joaquim de Barros e Luíza Francisca do Espírito Santo (inventário do ano de 1868):

Gabriel era filho de João Álvares Camelo e Maria Cleofa do E.Santo. João casou em 27 de jinho de 1725, era filho de Pedro da Silva Camelo e Josefa da Conceição de Jesus. Gabriel faleceu no ano de 1813 e Luiza faleceu no sítio Umari, onde residia, aos 26 de fevereiro de 1868, deixando uma prole de 07 filhos:

F.01- Quitéria Maria de Jesus, moradora do Pereiro, Ceará, representada pelo filho Thomaz Alves Ferreira Maia.

F.02- Rita Franklina de São Pedro, falecida, representada por sua filha Luzia Idalina dos Passos, casada com Claudino Dias da Cunhas, moradores no Pereiro.

F.03- João Alves Ferreira Maia, casado com Quitéria Vieira da Silva, moradores no Pereiro.

F.04- Maria Cleofas de Jesus, falecida, casada com seu primo Manoel Alves Ferreira Maia, com descendência em Catolé do Rocha-PB.

F.05- Antonio Gabriel Ferreira Maia- residia no seu sítio Umari (Martins-RN).

F.06- Joaquim Félix Ferreira Maia- casado com Joana Batista do Nascimento.

F.07- Ruberto Alves Maia- casado com Luíza Francisca do E.Santo. Moradores no Catolé, pais de:

BN.01- Maria Filadélfia Maia (mãita)- nasceu em Catolé em 1870. Casou com seu primo Benjamin Alves de Oliveira, filho de Manoel Félix Ferreira e Francisca das Chagas do Amor Divino (chica fogo). Pais de:

TN.01- Cleonice Maia de Oliveira (dona Nicinnha)- nasceu em Apodi a 26/04/1910. Faleceu viúva de Aristídes Ferreira Pinto a 18/08/2004. São os avós paternos de Marcos Pinto… e assim brilharam e brilham prolíficos e laborosos homens e mulheres desta tradicional família.

Marcos Pinto é advogado e escritor

“Famílias Pioneiras dos Açores e do Seridó” será lançado dia 8

O engenheiro eletricista José Roberto Bezerra de Medeiros, de Caicó, após décadas de trabalho dedicadas a cargos de gestão e presidência das concessionárias de distribuição de energia elétrica como a Neoenergia Cosern e a Neoenergia Coelba, agora, segue outro rumo, o da literatura. No dia 08 de dezembro será lançada a primeira obra do autor, “Famílias Pioneiras dos Açores e do Seridó”, na Galeria Fernando Chiriboga, no 3º piso do Midway Mall, Natal, das 18h às 21h.

Livro tem mais de 500 páginas e foi produzido durante pandemia (Foto: Divulgação)
Livro tem mais de 500 páginas e foi produzido durante pandemia (Foto: Divulgação)
José Roberto é autor do livro (Foto: Divulgação)
José Roberto é autor do livro (Foto: Divulgação)

Evento é voltado para todo o público e convidados. Também haverá lançamento em Caicó e a data será divulgada em breve.

Resultado de pesquisas históricas e genealógicas para a comprovação da ascendência sefardita (termo usado para referir aos descendentes de judeus originários de Portugal e Espanha) de sua família e de outras tantas que compõem a teia familiar formadora da sociedade dos sertões do Seridó do Rio Grande do Norte, o livro convida para uma tocante viagem no tempo. É literalmente uma viagem.

Pandemia

Dividida em 17 capítulos em mais de 500 páginas, nas quais são traçados relevantes contextos históricos das famílias pioneiras dos Açores (região de Portugal) e do Seridó (região do RN), a obra faz revelações de como se formaram e como elas se relacionaram nos dois lados do Atlântico.

As histórias impressas na obra, trazem hábitos, costumes, fé, devoção e os elos familiares, entregando ao leitor, uma fiel delineação das sociedades açoriana e seridoense no período da Idade Moderna.

A revisora da obra e irmã do autor, Leila Maria Medeiros de Chiriboga, descreve o livro como “uma obra de inestimável valor, que vem contribuir grandemente para a compreensão de importantes acontecimentos que marcam a história do nosso Seridó. Retrata, sobretudo, a saga dos valentes colonizadores da região, que deixaram sua terra natal em busca de um novo porvir”. Começou a ser gerada durante a pandemia.

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Apontamentos para a história dos sítios Passagem Funda e Brejo

Por Marcos Pinto

O  processo  de  colonização  e  povoamento  dos sítios Passagem Funda e Brejo  foi  efetivado  de forma  lenta  e gradual, tendo  o  rio  Apodi  como  fator  de  atração  e  fixação  do  povoador inicial  –  o conhecido  fenômeno  denominado  HIDROTROPISMO.

O  sítio  “Passagem  funda”  teve  no paraibano  DOMINGOS  ALVES  FERREIRA  CAVALCANTI   o  seu  primeiro  povoador, tendo chegado  por  volta  do  ano  de  1780, através  de  convite  que  lhe  fora  feito  pelo  seu  primo, Capitão  LEANDRO  BEZERRA  CAVALCANTI, pernambucano  do Cabo, fundador  de  Caraúbas-RN, onde  era  possuidor  da  fazenda  “Cachoeira”.

Ruínas de antigo casarão em Passagem Funda, rota importante no comércio até Mossoró durante muitas décadas (Foto: reprodução)
Ruínas de antigo casarão em Passagem Funda, rota importante no comércio até Mossoró durante muitas décadas (Foto: reprodução)

Leandro  era casado  com  Brites  Lins de Vasconcelos, falecida  a  18.12.1791,filha do Tenente-General Francisco  de  Souza  Falcão, pernambucano  do  ramo  familiar  MARINHO  FALCÃO.

Dois  irmãos de  Domingos participaram  ativamente  da  Revolução  de  1817  no  RN  –  Os  Srs. Capitão  Antonio  Alves Ferreira  Cavalcanti, comandante  do  Regimento  de  Cavalaria  da  Vila de Portalegre-RN, e Manuel  Januário  Bezerra  Cavalcanti, que  foram  presos  e  depois  anistiados em  1821.

Esses intrépidos  revolucionários  tinham  contato  direto  com  os também  revolucionários  do Apod, Capitães  Manoel  Freire da  Silveira, José  Francisco  Ferreira  Pinto  e  José  Ferreira  da  Mota. A famosa  “Data do Boqueirão” foi o centro irradiador de  todo o processo de povoamento da  “Várzea  do  Apodi”, começando  do  sítio  “Passagem  Funda”, indo  até  as  ilhargas  das  Datas de  Sesmaria  “Santa  Rosa”  e  “Santa  Cruz”.

Todos  os  que trazem  o  sobrenome  familiar Cavalcanti em  Felipe  Guerra  e  Apodi  descendem do patriarca  DOMINGOS ALVES FERREIRA CAVALCANTI,  que  faleceu  no  seu  sítio  “Passagem  Funda”  em  20  de  Outubro de 1830.

Reza  a  tradição  oral  que  a  Capela  deste  sítio  foi  edificada  no  ano  de  1800, com recursos econômicos  de  Domingos, que  tinha  também  outro  irmão  com  expressiva  atuação em Assu-RN  o  Capitão  José Joaquim Bezerra Cavalcanti, nascido  na  Paraíba (Bananeiras)  no  ano  de  1777  e  falecido  no  Assu  em  1859, onde  recebeu  concessão  de  Data  de  Sesmaria.

Domingos  e seus  irmãos  eram  filhos  legítimos  do  Capitão  André  Cavalcanti  de Albuquerque e Rosa Maria de Albuquerque. (FONTE: “Nobiliarquia  Pernambucana”  – Autor: Borges  da  Fonseca).

Enfatizando  os  liames  genealógicos, resta  comprovado  que  o  renomado e prestigiado  Coronel ANTONIO  FERREIRA  PINTO, do  Apodi,  era  casado (Em  1º núpcias) com  uma neta materna deste Capitão José Joaquim, de nome MARIA  LUÍZA  DE  SÃO  BRAZ  BELTRÃO.

Domingos  era  avô  materno  deste  Coronel  Ferreira  Pinto. A família  Cavalcanti   é  a  mais  famosa  e  numerosa  do  Brasil, principalmente  no  Nordeste, onde  foram  abastados  senhores  de engenho e detentores  dos  melhores  cargos  das  Capitanias, que  depois  passaram  a  Províncias.

A  família  Cavalcanti   da  cidade  do  Icó-CE   tem  origem  em  dois  filhos  deste  DOMINGOS CAVALCANTI, nascidos  no   sítio  “Passagem  Funda”:  Domingos  Alves  Ferreira  Cavalcanti  Jr., nascido  em  1810, que  veio  a  casar  a  08.03.1834  na  Matriz  de  N. Sra.  da  Expectação  do  Icó, dispensado  o  4º  grau  de  consanguinidade  com  a  noiva Maria Felícia de Jesus Maia, natural de  Tabuleiro  do  Norte-CE, antiga  Tabuleiro  de  Areia, filha de  José  Moreira de  Souza  e  de  Luzia  Francisca  Maia.

O outro  filho  foi  o  Sr. Antonio  Alves  de  Alcântara  Landim, nascido  no  ano  de  1814,  que casou  na  Matriz  de  N. Sra. da  Expectação  do  Icó  a  08.07.1834  com Luzia Francisca Maia Neta, natural  de  Russas-CE, filha  de  José  Moreira  de  Souza  e  de  Luzia   Fca. Maia.

Como  vê-se, casaram-se  dois  irmãos  com  duas  irmãs. (FONTE: Vide  livro “BESSA  E  MAIA” pág. 117 – Autor:  Fco. Augusto, Sócio-Correspondente  da  Academia  Apodiense  de  Letras – AAPOL).

Sítio “Brejo do Apodi”

Nasceu  como  extensão  do  feudo  territorial  da  família  OLIVEIRA  e   MARINHO, por  seu patriarca  o Tenente MANOEL JOÃO DE OLIVEIRA, natural do Assu-RN, filho  do  Capitão Manoel  da  Costa  Travassos e Leandra  Martins de  Macedo (Por sua vez  filha  do  Capitão João  Marinho  de  Carvalho  e  Ana  Martins  de  Macedo).

Manoel  João  fixou  residência  na  “Data  do  Boqueirão”  após  casar  com Antônio Maria de Jesus, filha  do  Alferes  José  Fernandes  Pimenta e de Josefa  Maria  da  Conceição.

A  fertilidade  destas  terras  proporcionaram  a  criação  extensiva  do  grande  rebanho  de  gado deste  patriarca.  As sedes  dos  sítios  “Passagem  Funda”  e  “Brejo”  situam-se  ao  longo  da estrada  que  ligava  as  regiões  do  Médio e Alto Oeste potiguar ao efervescente comércio mossoroense, permitindo  o  contato  diário  com  as  notícias  dos  grandes  centros.

Manoel  João  e  Antonia  foram  pais  de: F.01- Tenente  FRANCISCO  MARINHO  DE OLIVEIRA:Nasceu  no  sítio  “Boqueirão”  a  04.07.1794  e  faleceu  em  seu  sítio  “Joazeiro”, na várzea  do  Apodi  a  04.01.1859, deixando  a  viúva  Josefa  Maria  da  Conceição (Falecida  a 08.05.1863)  e  16  filhos, os  quais  casaram  e  tiveram  grandes  proles, sendo  hoje  a  família mais numerosa da fértil e rica “várzea” do Apodi.

Inté.

Marcos Pinto é advogado e escritor

Apontamentos para a genealogia nordestina

Por Marcos Pinto

A  Genealogia  tem  se  constituído  em  um  dos  pilares  mais  relevantes  a  sustentar  o  arcabouço  dos umbrais  da  história.  Quer  seja  nos  preceitos  bíblicos,  ao  elencar  a  descendência  das  doze  tribos  de  Judá, quer  seja  nas  expressivas  obras  que  descrevem  ás  heroicas  e  primitivas  famílias, desbravadoras  dos  mais  recônditos  rincões  do  Brasil. Predominam  as  forças  naturais  e   hereditárias  referenciando  normas  e   ditames   com  elos  ancestrais  seculares.

É  certo que,  nestes  últimos  anos, tem surgido  elementos  inescrupulosos  posando  de  genealogistas, pseudos  pesquisadores  que  só  almejam  angariar   exorbitantes  remunerações  para  efetuar  pesquisas, na  maioria  das  vezes  forjando  nomes  e  cronologias, ao  ponto  de  citar  inventários  setecentistas (Séc. XVIII) e   Oitocentistas (Séc. XIX) existentes  em  antigos  Cartórios   da  região  nordestina,  geralmente  dos  estados  do  Ceará, Paraíba  e  Rio  Grande  do  Norte.  Não raro,  estes Personas   cometem  quando  da  aplicação  das  nominatas  no  esboço  genealógico, observando-se  grosseiros  erros  cronológicos, configurando, assim,  um  cometimento  de  estupro  da  verdade  histórico-cultural da  nossa  terra.genealogia - árvore genealógica

Não  há história  sem  DNA  genealógico.  Não  há   genealogia  sem  a  moldura  exata  da  história,  descrita  sem  as  matizes  do  memorialismo  oficial  deturpador.  Representam  as  linhas  mestras, confluentes, que  entreteceram  as  nossas  individualidades  ancestrais.   Revelam  heranças  mentais, evidenciando  atavismos  acumulados  das  taras, dos  legados  mórbidos, num  deslumbramento  a  romper  a  bruteza  pré-histórica  das  nossas  assombrosas  e  misteriosas   ascendências.  Nada  mais  que  componentes  insustentáveis  da  alma  bravia e  desordenada. Se  nos  apresenta  como  duas  figuras  dignas  de  serem  agudamente  observadas.

Os  referenciais  genealógicos   amplamente  contidos  em  famigeradas  obras  da  Genealogia  dos  colonizadores enfatiza  um  manancial  de  conclusões  convincentes,  amalgamando   nominatas   de  bravos  homens  e  mulheres. É  memória   demonstrada  de maneira  irrefutável.   Formam  uma  corrente  etnográfica  sedutora  e  inexpugnável.

E  foi  assim,   com  altanaria  indômita, baseada  no  enriquecimento  oriundo  da  exploração  das  nossas  riquezas  naturais, que  o  elemento  europeu, geralmente  o  português, enfrentou  toda  sorte  de  perigos  e   anseios  na  longa  e  penosa  travessia  do  Atlântico, transcorrendo  o  cansativo  tempo  de  três  meses  para  aportar  na  famosa  “Terra   Brasilis.

É  certa,  a  afirmativa  deveras  incontestável,  de  que  as  Capitanias  do  Rio  Grande  do  Norte,  Ceará  e  Paraíba   começaram  a  ser  povoadas e  a  nascer  para  a   civilização  já  sob  o  inteiro  domínio  da  Capitania  de  Pernambuco. Cresceram  sob   a  concentração  de  povoadores  do  Rio  São  Francisco  e  com  vínculos  bem  profundos  com  os  sertões  pernambucanos.

Naqueles  tempos (Sécs. XVII  e  XVIII)  quase  tão  próximas  de  Olinda, via  Itabaiana-PB, dado  o  grande  intercâmbio  comercial  decorrente  da  compra  de  rebanhos  de  gado  em  Pernambuco. Posteriormente, no Séc. XIX,  este  movimento  comercial   passou  a  ser  efetuado   em  Oeiras-PI.   Este  desiderato  levou  o pernambucano  Capitão  Francisco  Pinto  da  Cruz  a  requerer  Data  de  Sesmaria  no  Ceará,  explorando  pessoalmente  a  região  de  Milagres.  Neste  mesmo  contexto,  vieram  da  região  dos  açores (Portugal)  para  o  Rio  Grande  do  Norte  as  famosas  e  tradicionais  famílias  RAPOSO  DA   CÂMARA   e   MEDEIROS (Vide  Livro “Um  Ramo  Judaico dos  Medeiros  no  Seridó” –  Luiz  Fernando  Pereira  de  Melo)  para  fixarem-se  nas   Ribeiras  do  Apodi  e  do  Seridó.

Depois  de  Natal  foi  a  região  do  Assu  que,  ainda  no final  do  séc. XVI, passou  a  ser   polo  irradiador  da  colonização  da  região  Oeste  potiguar.  A  fixação  do  famoso  “Terço dos  Paulistas” no  Assu   constituiu  meio  atrativo  para  assentamento  de  Praças  e  Soldados, onde  alguns casaram  e  deixaram  vasta  descendência.  De   Portugal  para  o  Assu-RN  vieram:  O  Coronel  Carlos  de  Azevedo  do  Vale;  o  Licenciado  Manoel  Lopes  de  Macedo, nascido  a  24.09.1670, filho  de  outro  de  igual nome  e  de  Adelaide  Cabral  de  Macedo (Origem da  família  Cabral no  RN), tendo  embarcado  para  o  Brasil na  cidade  do  Porto  a  12.10.1706  com seus  oito  filhos.  Era  casado  com  D. bárbara  Freire  de  Amorim, filha  de  Antonio  Freire  de  Amorim  e  Bárbara  Freire  de  Amorim.

Outro português  a radicar-se  no  Assu  foi  o  Capitão  João  de  Souza  Pimentel, que  casou  com Josefa  Lins  de  Mendonça, bisneta  de  Gaspar  Wanderley. Vindos  de  Pernambuco, chegaram  à  terra  assuense  em meados  do  Séc. XVIII.  Tereza   era  filha  de  Tereza   Wanderley, pernambucana, e  de   Silvestre  de  Mendonça, residentes  nas  Alagoas.

Já  a  tradicional família  Cavalcanti,  do  Assu,  veio  da  Paraíba  através  de  José  Joaquim  Bezerra  Cavalcanti e  Domingos  Alves  Ferreira  Cavalcanti, que  casou  com D. Maria  Joana  do  Espírito  Santo, irmã  de  José  Joaquim, e  foram  residir  no  lugar  “Brejo  do  Apodi”, onde deixaram  numerosa  descendência, espraiada  no  Icó-CE (Vide  Nobiliarquia  Pernambucana, Vol. IV, pág.474 – Coleção  Mossoroense – Série  C – Volume  823 –  Ano  1993.

Residindo  em  terras  à  margem do  rio  São  Francisco, Manuel  Filgueira  de  Carvalho   veio  para  o  Assu   com  muito  gado, procurando  viver  em paz  com  os  indígenas que  eram  sempre  entrave  no  povoamento  das  terras  assuenses.

Para  o  sertão  do  Apodi  vieram  os  portugueses Alexandre  Pinto Machado, natural  de  São  Miguel  de  Caldas  de  Vizela, do Bispado  de  Lamego, filho  de João  Machado  e  Maria  Pinto,  que  casou  na  Matriz  de  Apodi  a  22.11.1768   com  Francisca  Barbosa  de  Amorim, natural  do  Icó-CE, filha  do  Capitão-Mor  o  português  João  Barbosa  Corrêia, natural  de  Ponte  do  Lima,  e  de  Rosa  Maria  de  Jesus, natural  da  Freguesia  da  Várzea, em  Pernambuco.(Origem da  família  PINTO,  do  Oeste  potiguar).

O  português  Antonio  da  Mota  Ribeiro  nasceu  a  13.06.1710  na  Freguesia  de  São  Clemente, Arcebispado  de  Braga e  falecido  em  Apodi  a  19.08.1796.Era  casado  com Josepha  Ferreira  de  Araújo,  filha  do  porruguês Carlos  Vidal  Borromeu  e  da  índia  Isabel  Araújo (Vide  livro “Velhos  Inventários  do  Oeste  Potiguar – Marcos  Antonio  Filgueira –  Coleção  Mossoroense  –  Série  C – Vol. 740, ano  1992.

Temos , ainda, o  entrelaçamento  da  família do português  MOTA   com  os  portugueses:  Antonio  da  Rosa Machado,  natural  da  Freguesia  de  Santa  Bárbara,  casou  com  Cosma  Ferreira  da  Mota (Nasceu  a  19.12.1757); José  Luiz  Vieira  de  Veras, natural  da  Vila  de  Setúbal, filho de  Luiz José  Vieira  e  Josefa  Maria  de  Jesus (de  Setúbal);  Já  o  Capitão  José  Ferreira  da  Mota (Nasceu  em  1768) casou  em  06.05.1791  com  Florência  Maria  de  Jesus, filha  do  português  José  de  Paiva  Chaves  e  Ignácia  Maria  do  Rosário.

Florência  nasceu na fazenda  Patu de  Fora  a  01.02.1770  e  faleceu  na  fazenda  Santa  Cruz (Apodi)  em  1823.  José  de  Paiva  Chaves  era  natural  de  Vizeu, e sua  espoa  Ignácia  era  natural  do  Piancó,e  moradora  no  Patu  de  Fora. Florência  era  neta  materna de  Antonio  Pimentel  de  Araújo, natural  do  Assu, e  de  Isabel  Soares da  Silva, natural da  Freguesia  de  Nossa  Senhora  do  Desterro  de  Itambé-PE.

Inté!

Marcos Pinto é advogado e escritor

Um livro que emblematiza um século

Por Marcos Pinto

Nestes últimos meses, há uma flagrante e instigante constatação de alavancagem nos anais da Bibliografia potiguar, de cunho  imensurável. Neste contexto, evidencia-se um vasto cabedal de conhecimentos que ampliam a nossa visão, no sentido de que somos detentores de acentuadas  e  variadas  paralelas e dotes  culturais. Esta Bibliografia tem sido inserida em ínclita   performance, enfocando e  enfatizando  a certeza de que estamos ampliando novos e importantes   meridianos  em  termos  de  pesquisa  em  fontes   primárias.Sertão nordestino - foto ilustrativa

Em  sua  própria  definição,  a  bibliografia  projeta  a  essência  do  que representa.  Emoldura  autores  cujas  lutas  envidadas  para  a  concretude  do  prelo  não  conheceram  tréguas ou  armistícios de  ordem  temporal  ou econômica.  Às vezes, ampliam a  nossa conscientização  de  que  somos detentores de  intenso  e  extenso potencial  da  cultura  e  da  intelectualidade, variada  em  suas  origens.

Argamassam valores  humanos, projetando  homens  e  títulos  como  fermento  da  história  e  da  pujança  da  inteligência.  É  certa  a  assertiva  de  que  a  bibliografia  potiguar revela  fases  distintas  quanto  a  sua  evolução  referencial  aos  títulos  estoicamente  publicados  e  efusivamente   celebrados.  Intimamente  se  entrelaçam  na  comunhão  dos  fenômenos  que  regem  a  natureza  das  projeções  culturais.  Q

uanto  nos  comove  o  extenso  rol  de  títulos  publicados, englobando  atividades  culturais  as  mais  variadas, componentes  do  concerto  geral  da intelectualidade.  A  emblemática  obra intitulada  “CÔNICA  DO  SERTÃO  DO  APODI”,  resultado  de  densa  e  abissal  pesquisa  efetivada  pelo já  consagrado  historiador  e  genealogista  potiguar, Luiz  Fernando  Pereira  de  Melo,  provocou  ressonâncias  históricas  contextuais  nos  quatro  cantos  do  país, dado  a  sua  extensa  abordagem  temática  abrangendo  referenciais que  despertam  interesses  de  ordens  genealógicas  e  biográficas.

Com esmero  retórico, perfilo o   eminente  autor  da  já  famigerada  obra  “CRÔNICA  DO  SERTÃO  DO  APODI”  como  lição  de  determinação, coragem, grandeza  de  objetivos  e  paciência, virtudes  imprescindíveis  para  qualquer  caminhada.  Com  invejável  verve   e  retórica, eis  que  o  autor  adentra  o   limiar  da  longa  vida.  Aconselha  a  ética  o  evocar  a sua  idade. Quando  esta  longa  vida  é  atingida  com  a  lucidez  e  a  fortaleza  do ânimo (No  caso  do  lépido  e fagueiro  Luiz  Fernando)  melhor  ainda  para  a  celebração  efusiva.

Adentremos  ao  título   do  presente  artigo.  A  magnânima  obra  “CRÔNICA  DO SERTÃO  DO  APODI”  condensa  acendradas  pesquisas  efetivadas  ao  longo  de  mais  de  quatro  décadas. O  título  é  instigante  e  auspicioso  em  suas  373  páginas,  obra  conclusa  com  denodado  esforço  em  Setembro  de  2020.

Cabe-nos  ressaltar  que  o  profícuo  historiador  e  genealogista  já  publicara  duas  memoráveis  e reverenciais  obras  intituladas  “UM  RAMO   JUDAICO  DOS  MEDEIROS  NO SERIDÓ (Maio  de  2020)  e  o   não  menos  celebrado  livro  “OS  FERNANDES  PIMENTA” (Julho  de  2020). A  obra  ora  elencada  foi  finalizada  em  Setembro  de  2020.  Orgulha-nos  a  fecunda  produção  de três  memoráveis  e  imprescindíveis  obras  em  apenas  cinco  meses.  A  prodigalidade  merece  alvíssaras  de  toda  intelectualidade  potiguar.

A   vastíssima  e  já  celebrada  obra  “CRÔNICA  DO  SERTÃO  DO  APODI” arrancou  do  olvido  documentos  oficiais  denotativos  de  fatores  que  proporcionaram  a  ocupação  do  solo  na  extensa  e  fértil  RIBEIRA  DO  APODI,  cujas  áreas  limítrofes  com  o  Ceará  e  a  Paraíba  eram  cobiçadas  pelos  potentados  reinóis  dos  séculos  XVII  e  XVIII.

Conclui  um  cenário de  periodicidade  para  contar  e  separar o  tempo  histórico  através  da  ocupação  do  solo  via  potentados  sesmeiros  e seus   prepostos.  Vastas  extensões  de  terras  eram obtidas na  maioria  das  vezes  através  de  tráfico  de  influência  e  de  poder,  como  denota  a  concessão  feita  ao  Conde   de  Alvor  Francisco  de  Távora em  21.07.1706,  que  nunca  saiu  de Portugal para  ocupar  suas  três  léguas  de  terras  de  comprimento  por  uma de  largura  no  lugar  “Pau  Ferro”,  Ribeira  do  Apodi.

Hoje,  não  há  como  se  efetivar   estudo  preciso  e  conciso  sobre  o  processo  histórico  da  região  Oeste  potiguar  sem  compulsar  esta valorosa  “CRÔNICA  DO  SERTÃO  DO  APODI”,  manancial  repositório  dos  registros  da  crônica  social  e  econômica   das  inóspitas   paragens.

É  um  trabalho  de  resgate  e  valorização  histórica. “Não  se  inventa  iniciativa  espiritual. São  produtos  e  maneiras de  ser  de  um  povo, de  uma raça”. (Sílvio  Romero). Inté.

Marcos Pinto é escritor e advogado

Os Álvares Affonso, dos Chaves e Mello – de Portugal ao RN

Almino Álvares Affonso (Reprodução)
Almino Álvares Affonso (Reprodução)

Por Misherlany Gouthier

Escrever e resgatar as origens das famílias da Oeste potiguar sempre foi uma das principais metas que abracei como forma de tirar do olvido as lendas, tradições e histórias de uma gente que muito contribuiu para o desenvolvimento do lugar. Foi com esse pensamento que há anos reuni informações bibliográficas, cartoriais e paroquiais a respeito da origem e presença dos Chaves e Mello no Brasil, especialmente nas províncias do Piauí, Paraíba, Ceará e Rio Grande do Norte. Pesquisa de campo in loco, registrando, fotografando, anotando. Tudo de forma a construir uma obra de referência para o estudo da família portuguesa na região.

Os Chaves e Mello, tratados por este autor, originários das Ilhas dos Açores, vieram para o Brasil por volta de 1780, inicialmente residindo no Rio de Janeiro. De família abastada, tradicional, estiveram envolvidos em vários movimentos políticos no Brasil, dentre os quais a Revolução de 1817, Confederação do Equador, Revolta Pinto Madeira.

Alexandre José Leite de Chaves e Mello foi um dos grandes nomes dessa família, que tendo tomado parte na Revolução de 1817, acedeu ao posto de Comandante das fronteiras do Ceará e Rio Grande do Norte, salientando-se pelo seu brilhante trabalho no combate aos revoltosos.

Ao passo do tempo, um ramo dos Chaves de Mello deixou de usar esse sobrenome, passando a usar Álvares Affonso, descendentes de Manoel Alvares Affonso, avô do Dr. Almino.

Estes mesmos Chaves de Mello quando chegaram ao Ceará, vindos do Piauí, se entrelaçaram com as famílias Feitosa, Jácome de Araújo-Bezerra, Pereira do Canto, Ferreira de Melo. No Rio Grande do Norte, situaram-se na Serra do Martins, constituindo numerosa descendência. Aí, alguns varões dessa família casam-se com descendentes dos Souza Martins, também de origem portuguesa, cuja linhagem se estendeu por toda zona oeste do Rio Grande do Norte.

Destes merece destaque Almino Álvares Affonso, político brasileiro, abolicionista, Senador do Império, promotor de justiça, advogado, jornalista panfletário, poeta, cujo nome empresta ao município norte-rio-grandense. Também são citados Dr. Melquíades Pinto Paiva, o Desembargador Manoel Onofre Junior, e os políticos Zezito Martins, ex-Senador, e José Dias, atual deputado estadual.

Almino Álvares Affonso também integra a gens da família Saraiva Moura, de tradição secular, sendo neto do Capitão-mor Geraldo Saraiva de Moura, um dos maiores patriarcas das fraldas da Serra do Martins, que viveu toda sua existência em Patu, onde deixou uma das maiores proles do Estado.

Padre Antônio de Souza Martins (Reprodução)
Padre Antônio de Souza Martins (Reprodução)

Esse estudo de genealogia mapeia a ancestralidade e parentela de Almino Affonso, mostrando suas ramificações até os dias atuais. Trabalho documentado, ilustrado, pioneiro no estudo a respeito da descendência do Tenente José de Souza Martins Pereira e do Padre Antônio de Souza Martins. “Os Álvares Affonso dos Chaves e Mello” também apresenta um veio dos Nunes Reis, Paiva, Nascimento, Cordeiro, Leite.

Nele escreveu o médico e pesquisador Luciano Canuto de Oliveira: “Gouthier lança mão de fontes primárias que facilmente demonstram aos descendentes dos Chaves e Mello, a cada geração, sua contribuição na formação do povo nordestino, por meio de relatos da sociabilidade entre açorianos e famílias de origem pernambucana e paraibana, suas convivências, trazendo o autor um retrato do Oeste Potiguar quando principia seu processo de colonização.”

Também teve participação na crítica deste trabalho o escritor e pesquisador cearense Heitor Feitosa de Macedo, em Prefácio: “Misherlany Gouthier é um desses que se esmera em desvendar, pouco a pouco, as respostas guardadas nos tortuosos labirintos do passado humano. A ferramenta utilizada por ele é, especialmente, a genealogia, ou seja, o estudo das imbrincadas teias parentais que se formaram ao longo dos anos nos sertões do Rio Grande do Norte, antigo reino dos valentes Tarairús e invadido pelos brancos desembarcados da Europa, isso há pouco mais de três séculos.

Com uma tiragem limitada, OS ÁLVARES AFONSO DOS CHAVES E MELLO encontra-se à venda no SÊBADO (Shopping Oasis), em Mossoró, contato: 84-988374402, e em Almino Afonso, na loja SÓ PRA HOMENS (com Unilton), contato: 84-999867780.

Misherlany Gouthier é escritor e genealogista

Entrelaçamento familiar como fator de povoamento do Oeste

Por Marcos Pinto

Dentre os  diversos  tipos  de  relações  sociais  existentes  na  história  da  humanidade, destaca-se  com  veemência  um  estatuto  dominante  denominado  de  tráfico  de  influência.  Costumo  dividi-lo  em  patrimonial  e   espiritual.  Naturalmente, é  encontrado em todos os  segmentos  sociais,  do  mais  humilde  às  tradicionais  famílias, espécies  de  castas  com  fito  único  de  predominância  sobre  os  menos  favorecidos  pelos  detentores  do  poder.  Nesse  contexto, assume  nuances  estonteantes,  quando  se  adentra  em  estudo  minucioso  sobre  o  desiderato  histórico  das   primitivas  famílias  que  povoaram  a  região  Oeste  potiguar.

Há  notórios  tipos  de  entrelaçamentos  familiares  seletivos, destacando-se  aqueles  entre  famílias  afrodescendentes  com  os  famosos  Caboclos, gente  oriunda  da  presença  do  elemento  branco  colonizador   preando  e   prenhando  índias  em  tenra  idade, denominadas  de  cunhãs.

Surgem, com destaques, os  famosos  entrelaçamentos  familiares  endogâmicos,  espécie  de  instituição  social  normativa-intuitiva, objetivando  a  manutenção  da  posse  e  domínio  das  terras  sob  o  comando  de  uma  mesma  família, consolidando,  assim, costumes  e  tradições  ético-familiares.   Neste quadro, destacamos o  fechado  grupo  familiar  caraubense    denominado  de  “Caboclos  da  Cachoeira”,  referencial  toponímico  às  terras  da  antiga  Data  de  Sesmaria  “Cachoeira”,  que  media  três  léguas  de  comprimento  por  uma  de  largura.

Tem  origem  povoadora  no  Tenente-General  Francisco  de  Souza  Falcão.

Afirma  a  tradição  que  este  militar  seria  português, tese  esposada  pelo  celebrado  historiador  Raimundo  Soares  de  Brito (“Município  de  Caraúbas, Ano  1958, Coleção  Mossoroense Série  B número  914, 1991). Já  o  renomado   historiador   e  genealogista  Marcos  Antonio  Filgueira   lançou  nova  tese  de  que “considerando  o  nome  desse  povoador  e  dos  seus  filhos, deve  ser  descendente  de  Vasco  Marinho  Falcão, marido  de  Ignez  Lins, tronco  dos  Marinhos  e  Falcão  do  Nordeste,  e  que  tiveram  um  filho  Francisco  de  Souza  Falcão (Marcos  Antonio  Filgueira  in  “Velhos  Inventários  do  Oeste  potiguar” –  Série  C – Volume  740 –  Ano  1992).

Há  outro  famoso  grupo  familiar   oestano-potiguar  em  Portalegre-RN,  denominados  de  Pêgas  ou  Caboclos  do  Pêga, em  referência  à  fechada  comunidade  rural  de  nome  “Pêga”.

Existe  estudo   histórico,  antropológico  e  cultural  ainda  inédito, que  sintetiza  a  história  desta  comunidade   vinculando-a  ao  fato  da  comprovada  existência  do  cacique  indígena  Tapuia  Paiacu  batizado  com  o  nome  de  João  do  Pêga, mencionado  em  documento  oficial  sobre  a  chacina  de  70  índios  tapuias  paiacus  no  sopé  da  serra  de  Portalegre-RN, no  ano  de  1825, tendo  escapado  milagrosamente  o  dito  João  do  Pêga.

No “Pêga” assentava-se  a  aldeia  deste  resistente  indígena.  Escravos  fugitivos  de  distantes  plagas   procuravam  refúgio  e  abrigo  nesta  comunidade, surgindo  com  o  passar  do  tempo  os  inevitáveis  entrelaçamentos  familiares  negro  com  índio,  nascendo  daí  o  Cafuzo.

Os  notáveis  historiadores  Rocha Pombo, Tavares de Lyra e Câmara Cascudo foram unânimes  na  afirmativa  de  que  o  processo  de  ocupação  e  povoamento  do  interior  do  RN  fora  lento, penoso  e  gradual.  É  certo  afirmar-se  que  o  primeiro  passo  para  a  ocupação  destas  terras  teve  o  Entradista  paraibano  Manoel Nogueira  Ferreira e  Ferreira (05/05/1655/ Aldeia  do  Lago  Pody  17/01/1715).

Estes mesmos   historiadores  afirmam que  Apodi  foi  o  polo  irradiador  de  todo  o  processo  de  ocupação  do  solo  nesta   citada  região, espraiando sua  influência  até  os  contrafortes  da  região  lindeira, divisa  com  os  estados  da  Paraíba  e   Ceará.   É  indubitável  que  todo  o   processo  de  povoamento  teve  como  elemento  norteador   na  presença   dos  famosos  Terços  militares  acossando  a  indiada   hostil  em  seus  feudos  naturais  Assu, Apodi  e  região  Jaguaribana.

Inté, amigo webleitor.

Marcos Pinto é advogado, historiador e pesquisador

Livro percorre caminho familiar de “Jesuíno Brilhante”

Novo livro de Misherlany Gouthier: genealogia e história (Foto: reprodução)

Estudando há mais de 20 anos as primitivas famílias da região da zona Oeste do estado, em que produziu alguns trabalhos sobre genealogia – “Os Vitorinos da Caieira”, “Lunário Perpétuo – um veio dos Nunes Reis”, “Delmiro Rocha – história, origem e descendência” -, o escritor e pesquisador Misherlany Gouthier lançará outro trabalho nesse mesma linha. Agora, ele apresentará o livro “Os Alves de Melo e a Lenda do Carvoeiro”.

A apresentação do livro será dentro da Semana da Cultura em Almino Afonso, promovido pela municipalidade. Ocorrerá em meio à 115ª Festa do Sagrado Coração de Jesus, padroeiro dos católicos locais, sábado (16), às 19h40, na Praça Aurino Carlos (Centro).

Jesuíno Brilhante

Gouthier, que é de Almino Afonso, percorre nessa publicação o intrincado caminho da árvore genealógica da família Daniel, de Almino Afonso, com ramificações em Patu e em algumas cidades da Paraíba.

Remonta o novel título à origem do famoso bandoleiro Jesuíno Alves de Melo, “Jesuíno Brilhante”. Içado ao patamar de “fora da lei”, deixou seu nome registrado nos anais da história do cangaço, num enredo que mistura banditismo, política e relações sociais delicadas no final do século XIX no sertão potiguar e paraibano.

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Família Cavalcanti na Ribeira do Açu

Por Marcos Pinto

Verificando   minuciosamente   os documentos oficiais do final do Sec.  XVII   existentes no vetusto acervo do venerando Instituto Histórico e Cultural Do Rio Grande Do Norte – (IHGRN), resta sobejamente comprovado que todo o processo de colonização e povoamento da região do Açu está intrinsecamente ligado ao combate à indiada hostil, cujo movimento bélico passou a ser denominado de “A guerra dos bárbaros” (16871697).

Surge  daí  a  certeza  de  que  a  Ribeira  do  Açu  constituiu  uma  importante  corrente  de  colonização  da  região  do  Oeste  potiguar, citando-se como exemplo  o  caso  da  família  Nogueira  Ferreira, oriunda da  Paraíba, comandada  pelo  bandeirante  Manoel  Nogueira  Ferreira, que  antes  de  fundar  a  cidade  do  Apodi  em  1680, requereu e conseguiu  uma   concessão  de  “Data de Sesmaria”  na  região  do Açu, tendo  desistido  da mesma, após  ter  descoberto  as  paradisíacas  paragens  do  rincão  Apodiense.

Com certeza o célebre bandeirante seguira as veredas indígenas que faziam o intercâmbio dos Janduís do Assu com os tapuias Baiacus da lagoa do Apodi.  As tradicionais famílias do Assu descendem de bravos homens que participaram do combate aos índios Jardins, destacando-se as famílias Soares, do bravo combatente nonagenário Manoel de Abreu Soares, Rodrigues Santiago, do Capitão Manoel Rodrigues Santiago, Vieira De Melo, do fundador do Arraial de Nossa Senhora dos Prazeres (Atual Assu) Bernardo Vieira de Melo.

 

Armas da Família Cavalcanti da Itália, região de Florença (Foto: reprodução)

Até meados do séculos XVIII, a terra rica em lavoura e pecuária do vale do rio Açu era habitada pelos andus, nome do chefe indígena que se estendeu à tribo. Nessa época, o homem branco já havia começado a explorar os potenciais da região, gerando amplo conflito de interesses com os índios. O homem branco partia para a criação bovina, enquanto os andus consideravam legítima a caça ao gado.

Devido à intensidade das lutas entre brancos e índios, um grande conflito, conhecido como a guerra dos Bárbaros, marcou a década compreendida entre 1687 a 1697.

Em 1696, Bernardo Vieira de Melo, então Governador da Capitania do Rio Grande, colocou-se à frente de uma pequena expedição e fundou à margem esquerda do Rio Açu ou Piranhas o Arraial de Nossa Senhora dos Prazeres, ponto de reforço para a conquista do sertão.  Instalou-se com seus soldados no novo arraial, iniciando o aldeamento dos índios e assegurando o estabelecimento dos colonos.

Surgiu daí o povoado com a denominação de “Povoação de São João Batista da Ribeira do Açu”.  Aos perscrutadores da genealogia açuense, sugiro que comecem a pesquisa   pela leitura da lista dos nomes dos estoicos homens que compunham o famoso “Terço dos Paulistas”.

Como leitor contumaz da exponencial obra de genealogia nordestina intitulada “Nobiliarquia Pernambucana”, pude encontrar os liames genealógicos desta nobre família na Ribeira do Açu, nos Volumes II e IV. Houve tempo em Pernambuco em que predominava um famoso bordão de que “Quem não era Cavalcanti era cavalgado”.

Esta família é das mais antigas e nobres de Pernambuco, onde teve princípio em Felipe Cavalcanti, ilustre fidalgo natural de Florença, na Itália, filho de João Cavalcanti e de Genebra Mandelli. Segue esboço genealógico:

* Felipe Cavalcanti (Vôlei, pág. 413) – Casou em Olinda-PE com Catharina De Albuquerque, filha de Jerônimo de Albuquerque e da índia Maria do E. Santo Arcoverde, filha do   Principal dos Tabajaras, que habitavam em Olinda.  Foram pais de:

F.01- Antônio Cavalcanti De Albuquerque (1º – Vol. II, pág. 415) –  Casou com Isabel De Góes, filha de Arnaud de Holanda, Natural de Utrecht, na Holanda, e de Brites Mendes de Vasconcelos, sendo neta paterna de Henrique de Holanda de Regensburg e Margarida Florência, irmã do Papa Adriano IV.  Foram pais de:

N.01- Isabel Cavalcanti. (Vol. II, pág. 419): – Casou a primeira vez com Manoel Gonçalves De Cerqueira, filho de Pedro Gonçalves de Cerqueira, por apelido “Peru Peco” e Catharina de Friezas.  Foram pais de:

BN.01- Antônio Cavalcanti De Albuquerque (Vol. II, pág. 420): Conhecido com o nome de Antônio Cavalcanti, o da guerra.  Aos seus prudentes conselhos deveu João Fernandes Vieira a resolução de restaurar Pernambuco. Faleceu durante a Guerra Holandesa em 1645, em Igarassu, comandando tropas que iam em socorro a Goiana-PE. Casou com Margarida De Souza, filha de Antônio de Oliveira, português, e Leonard Velho.  Foram pais de:

TN.01-  João Cavalcanti De Albuquerque (Vol. II, pág. 423):  A quem chamaram “O de Santana”, por ser Senhor deste Engenho, na Freguesia de Santo Amaro de Jaboatão.   Em 1645 já se achava casado com MARIA PESSOA, filha de Arnaud de Holanda Barreto, Senhor do Engenho de São João, da Freguesia de São Lourenço da Mata-se, e de Luísa Pessoa.  Foram pais de:

QN.01- Francisco Xavier Cavalcanti. (Com sucessão na região Oeste Potiguar, que será objeto de outro artigo).

QN.02- Bertoleza Cavalcanti – (Vol. II, págs. 424 e 473, e Vol. IV, pág. 475): Casou em segunda núpcias com Marcos Dantas Da Cunha, natural da Paraíba, e foram pais de:

PN.01- Antônio Dantas De Barros, natural da Paraíba. Casou com IGNEZ, filha do Cel. Pedro da Silva Cardoso. Foram pais de:

Sexto-Neto 01- Pedro De Barros Dantas -. Assentou Praça em 27.07.1789, e era morador na Ribeira do Açu, tinha 45 anos de idade, Branco, casado, estatura ordinária, barba fechada, olhos azuis, cor rosada, testa grande.  Foi pai de Joaquim de Barros Franco, que em 1789 tinha 12 anos de idade, quando assentou Praça.

PN.02- Capitão-mor Francisco Dantas Cavalcanti –  Casou no Assú com Ana Maria De Santiago, filha do Capitão Antônio Cabral de Macedo e Josefa Martins de Sá (Esta filha do Capitão-mor José Ribeiro de Faria, português, e de Joana Martins de Sá. (Fonte: Livro “Documentos do Arquivo – Potes. De Províncias – Vol. II, págs. 43 a 45 – Secretaria do Governo de Pernambuco – Recife 1943)”.  Foram pais de:

Sexto-Neto 02-  Antônio Dantas Cavalcanti – Casou com Maria José De Menezes, sobrinha do famoso Padre Francisco Correia Telles de Menezes, que faleceu e foi sepultado no ano de 1845, com a idade de 100 anos.  Foram pais de:  Manoel Ignácio Cavalcanti, Pedro de Barros Cavalcanti, Antônia, Antônio e Manoel Correia Telles, que por sua vez foi o pai do General José Correia Telles (1835-04.01.1897. (Vide livro “O RN na Guerra do Paraguai” – Adauto da Câmara – pág. 82).

Sexto-Neto 03- Bertuleza Dantas Cavalcanti – Casou com o Capitão Manuel Varela Barca (0 1º deste nome), natural do Cabo-PE, filho legítimo de José Varela Barca (Português) e de Brites Paes Barreto.  Manuel casou em primeira núpcias com Luzia Florencia Da Silva, filha do Capitão-mor João Ferreira da Silva, falecido em sua fazenda “São Lourenço” das Várzeas do Apodi a 05.02.1788, e de Brites Maria de Melo. Com descendência. Casou em 2º   núpcias com Francisca Ferreira Souto, e em 3º   núpcias com BERTULEZA.  Manuel e Bertoleza foram pais de:

– Francisca Ferreira Santos –  Casada com João Pio Lins Pimentel.

– Domingos Varela Barca.

– Rosa Francisca Ferreira.

– Manuel Varela Barca (2º) – Pai de Maria Beatriz Paes Barreto, casada com Manuel de Melo Montenegro Pessoa, e de Maria Francisca Silvina, casada com João Rodrigues da Costa Júnior. (FONTE: Vide  livro  “Velhos Inventários do  Oeste  Potiguar” – Pág.16 – Marcos  Antônio  Filgueira -Coleção Mossoroense – Série  C – vol. 740 – ano  1992.

Marcos Pinto é advogado e escritor