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Preta Gil morre aos 50 anos nos Estados Unidos

Preta Gil tinha 50 anos e estava nos EUA (Foto: Divulgação)
Preta Gil descobriu a doença em 2023 e fazia tratamento experimental atualmente  (Foto: Divulgação)

Do G1

Morreu neste domingo (20) a cantora Preta Gil, aos 50 anos. A artista morreu em Nova York em decorrência de complicações de um câncer no intestino. A cantora estava nos Estados Unidos fazendo um tratamento experimental contra a doença que ela tratava desde janeiro de 2023.

Após o tratamento inicial no Brasil com quimioterapia e radioterapia, e uma cirurgia para remoção de tumores em agosto de 2024, o câncer retornou em outras regiões do corpo, levando à retomada de intervenções médicas.

Nos EUA, a artista continuou seu tratamento contra o câncer, com foco em terapias experimentais. Ela estava hospedada em Nova York e viajava para Washington para receber o tratamento em um centro médico especializado.

À noite, o pai dela, Gilberto Gil, divulgou uma nota nas redes sociais informando que a família está organizando a repatriação do corpo da filha.

Veja íntegra da matéria AQUI.

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O fogo eterno de Gilberto Gil em sua última jornada no palco

Por Caio Barretto Briso (Do Canal Meio)

No palco, resultado de trabalho árduo, exigência máxima de si e equipe para qualidade no show (Foto: Tempo Rei)
No palco, resultado de trabalho árduo, exigência máxima de si e equipe para qualidade no show (Foto: Tempo Rei)

Gilberto Gil está no centro do palco, braços cruzados, guitarra no ombro, ouvidos atentos. É sexta-feira, dia de Oxalá, e o filho de Xangô veste branco dos pés aos cabelos. Não escolheu medicina, como o doutor José Gil sonhou, mas está mais sério do que médico em hora de cirurgia. “Tá esquisito. Não tô sentindo a harmonia”, diz o baiano de Ituaçu, 82 anos no mundo, quase 83.

O efeito de Gil insatisfeito é imediato e faz a banda emudecer. Bem Gil, baixista e diretor musical que escolheu cada um dos 15 músicos que os acompanham, responde rápido: “Vamos passar de novo e ver a harmonia pro meu pai”, e todos recomeçam Funk-se Quem Puder.

Tocam apenas três segundos. “Peraí, peraí, peraí, peraí”, interrompe Gil, erguendo os braços como um maestro. “Nesse tam tam ram ram tam tam tam tem uma coisa complicada”, repara, e todos tentam descobrir o que está complicado, ou quem está complicando. “Não é só a harmonia. Tem uma intervenção de alguém aí. Não sei se são as cordas.” Se o próprio Gil não sabe, como descobrir? Um a um, cada músico repassa suas notas. Depois de alguns minutos examinando as partes e o todo, Gil dá o diagnóstico: o problema “não é a execução, é a escrita” — a partitura da música.

Ninguém lembra a última vez que Gil cantou essa canção, gravada há 42 anos no álbum Extra. Ele mesmo demora a recordar os versos e pede ajuda à Nara Gil, sua primogênita, backing vocal e mãe do guitarrista João Gil, também no palco. Finalmente os músicos chegam ao primeiro verso: “É imperativo dançar”, ele canta, antes de parar o ensaio de novo, repetindo o verbo “dançar”, esticando a última sílaba, entoando a palavra de jeitos diferentes, buscando no baú da memória o tom exato.

Arrisca um agudo em “sentir o ímpeto”. “A nota é lá em cima”, observa, pedindo à filha e à nora Mariá Pinkusfeld, cantora e mulher do baterista José Gil — oitavo e último filho, também no palco —, que cantem mais alto.

Sua voz não estava alcançando o agudo desejado.

Ensaio e detalhismo

São os primeiros minutos de um ensaio da turnê Tempo Rei, a última de Gil, que está arrebatando multidões e lotando estádios por onde passa. Se o show tem sido definido como catártico e muitos outros adjetivos por quem o assiste, o ensaio no meio da turnê é, por sua vez, uma obra para poucos e ajuda a explicar o sucesso do espetáculo grandioso.

Flora Gil, mulher do artista há 43 anos e diretora da Gege Produções, já disse que ensaiar é o que Gil mais gosta de fazer na vida. Cada ensaio é uma costura, um dia de trabalho que começa difícil e vai se resolvendo aos poucos, ponto a ponto, linha a linha. No desafio de “repetir, repetir, até ficar diferente”, como escreveu o poeta Manoel de Barros, Gil tem a manha.

Por ser um processo com imprevistos e segredos, como os nomes dos convidados daquele fim de semana — Anitta no sábado e Caetano Veloso no domingo, nomes que precisam ser mantidos em sigilo até o momento final —, é incomum a presença de jornalistas nesse momento. E, ainda assim, lá estava eu, assistindo a um espetáculo particular de aperfeiçoamento. Aquele era um dia difícil para o artista e sua equipe, que também tem a filha Maria Gil na produção.

O motivo é que Preta Gil, que trata um câncer no intestino há dois anos e a princípio ensaiaria naquela sexta-feira para cantar a música Drão com seu pai no domingo, teve de ser internada em São Paulo e só ganhou alta no dia 17. Por isso Caetano foi convidado, fato que provocaria o momento mais emocionante desde a estreia da turnê, em março: os dois amigos cantando Super-homem (A Canção), no show do dia 7, com Gil muito emocionado e Caetano inseguro, segundo ele próprio, por Djavan estar na plateia.

Esperado no palco às 13h30 naquele ensaio de sexta-feira, véspera do show, Gil entra em cena às 13h29, mas estava no camarim havia uma hora. Cumprimenta de longe os músicos, que começaram a passar o som 20 minutos antes, enquanto é observado por uma legião de técnicos, produtores e assessores nas coxias, na frente do palco e até embaixo dele. Gil precisava ir embora às 16h e aproveitou até o último minuto para ensaiar.

Funk-se Quem Puder foi incluída naquela tarde no setlist para marcar a entrada de Anitta. A música entraria no meio de Aquele Abraço, um dos clássicos da música brasileira que ele escreveu logo após saber, no início de 1969, que iria para o exílio. Após Anitta subir ao palco ao som de Funk-se, a banda voltaria a tocar Aquele Abraço, só que num tom diferente: a pedido da cantora, em Sol maior em vez de Dó.

A “deusa-música”

A obsessão de Gil pela “deusa-música” — como ele a chama em Palco, primeira canção do espetáculo — está na forma minuciosa de Gil trabalhar. É um artista do detalhe. Não à toa o ensaio em que precisaria passar apenas três músicas — Funk-se Quem PuderSuper-homem (A Canção) e Aquele Abraço em outro tom — dura o mesmo tempo que um show inteiro, no qual ele canta 30 sem contar algumas vinhetas, como Retiros Espirituais.

“Ainda não tá clara essa harmonia pra mim”, diz ele, após 45 minutos passando Funk-se. Fora do microfone, Bem conversa com os músicos e combinam algo inaudível. De repente, a magia acontece e a música assenta. Nada mais incomoda Gil e tudo parece fluir. Mesmo assim, ele continua ensaiando a música por uma hora e meia no total — até ficar diferente. “Está bom”, diz, de repente. “A entrada da Anitta vai ser um alvoroço. O que temos agora?”, indaga, antes de Bem respondê-lo. “A mudança em Aquele Abraço e depois Super-homem.”

Além de mudar o tom, é preciso puxar o andamento de Aquele Abraço um pouco mais para frente. “Vamos cantar até a metade. Quando você sambar, a gente muda para uma levada de funk. Anitta entra e continuamos em Sol”, anuncia Bem, de 40 anos, mais velho dos três filhos de Gil com Flora. Bem cresceu sentindo um certo distanciamento do pai.

Era comum ele e seus irmãos passarem mais tempo com a empregada e o motorista — que apresentou a Bem, por exemplo, o Flamengo — do que com Gil, embora o jantar em família fosse sagrado. A música os aproximou. Aos 18 anos ele já tocava com o pai no Carnaval de Salvador. Aos 21, virou integrante oficial da banda. Hoje é um multi-instrumentista e braço direito do pai, seu herói, sua maior inspiração.

Gil pergunta que horas são. “Quinze horas”, alguém grita. “Temos tempo”, aquiesce, gostando da brincadeira. Ele está em pé há uma hora e meia e agora começa a dançar no palco, cantando em um tom mais agudo para fazer o papel de Anitta. Esse homem completará 83 anos em dois meses e parece de outro mundo. Não parou nem mesmo para beber um gole de água.

Enquanto isso, José, também diretor musical do show junto com Bem, fica de pé para se alongar. Apenas na hora de tocar Super-homem, Gil olha o banquinho ignorado antes de sentar. Logo nos primeiros acordes, um efeito especial é acionado sem querer, soltando faíscas para o alto a poucos metros do cantor. Ele está tão concentrado que não olha para as faíscas, nem sequer se move. “Ok?”, pergunta Gil às 15h54. “Ok”, responde Bem. Fim do ensaio.

O show

É sábado, dia do show. Para que tudo saia como planejado na véspera, um novo ensaio é marcado às 15h, desta vez com Anitta. Dura pouco tempo, cerca de 30 minutos. A cantora se empolga com a ideia de Gil repetir o verso Funk-se Quem Puder oito vezes, para que ela tenha mais tempo de subir ao palco entre uma e outra vez. “Assim é perfeito, Gil”, comemora Anitta.

O show está marcado para 20h, mas começará às 20h30. Enquanto Gil e a banda descansam nos camarins, um batalhão de bombeiros, seguranças, faxineiros, recepcionistas e vendedores de bebidas começa a chegar para o trabalho. Por volta das 17h, chegam também os primeiros fãs, que ficam horas esperando do lado de fora da Farmasi Arena, palco dos quatro primeiros shows no Rio de Janeiro.

Tempo Rei é a consagração de seis décadas de carreira de um dos gigantes da música, fruto de uma geração de artistas de fazer inveja a qualquer outra, de qualquer época, de qualquer país. Uma geração da qual também fazem parte Caetano Veloso, Milton Nascimento, Chico Buarque, Maria Bethânia, Paulinho da Viola, além de outros já falecidos, como Gal Costa e Tim Maia. De todos, ninguém está em melhor forma do que Gil — um homem, segundo sua comadre Fernanda Torres, de quem ele é padrinho do filho mais velho, “talhado para o palco, que nasceu para a estrada, com alma de Chuck Berry”.

Antes de estrear em Salvador, a turnê foi preparada ao longo de um ano inteiro. O diretor artístico, Rafael Dragaud, ainda tem no celular as anotações que fez durante a primeira reunião, no dia 1º de abril de 2024, quando Flora o convidou para a missão. “Estreia em março de 2025. Fazer algo histórico, mas não linear. Pensar na equipe de luz e cenografia. Apesar de ser a última turnê, uma despedida, tudo é recomeço, tudo evolui e retrocede ao mesmo tempo, o tempo todo”, lê Dragaud. Diretor e roteirista de TV experiente, responsável por reformular o Criança Esperança, da TV Globo, ele compara o convite a uma convocação para a seleção brasileira de futebol.

Após aquela reunião, Dragaud começou a pensar no conceito do show. Conversou com Bem e José, que tinham suas próprias ideias. Decidiram que o conceito seria o próprio Gil. “Eu tinha na cabeça que precisa ter um início impactante, começar pelas essências musicais de Gil, o início de carreira, chegar a Londres e depois enlouquecer de ácido — e, a partir de então, virar um flow musical, para que fosse histórico, para que fosse Gil, para que fosse não-linear e, principalmente, para que não fosse um show de despedida. Não é um fim de tarde, é um alvorecer”, reflete.

Para a equipe técnica, convidou profissionais como Daniela Thomas (cenografia) e Samuel Betts (iluminação). Daniela pensou em um vórtex, uma espécie de escultura em dois painéis que se entrelaçam sem se tocar. Além disso, há três telões gigantescos em LED no palco que transmitem o show em tempo real, a partir das imagens de 14 câmeras, entre elas um drone que sobrevoa Gil, sua banda e a plateia. É uma forma de usar as câmeras como nunca se viu em um show no país.

Além disso, houve um esmero nos vídeos que são exibidos: as imagens de uma romaria, na música Procissão, foram gravadas na cidade natal de Gil. O céu que aparece nos telões não é de qualquer lugar: é o céu de Ituaçu, da infância do pequeno Beto, como era chamado em casa.

Temperatura altíssima

Às 20h30, o show começa. Não por acaso, o primeiro verso cantado é “subo neste palco”. É a música que Gil compôs nos anos 80 quando pensou em parar de cantar. As primeiras três canções (PalcoBanda Um e Tempo Rei) já abrem o espetáculo com a temperatura altíssima — e ela não cai em momento nenhum.

Em seguida vem o mergulho na história do menino que sonhava ser Luiz Gonzaga, o moleque que começou na música tocando um dos instrumentos mais difíceis, o acordeon. Como a ordem das músicas não é cronológica, a canção que representa a influência de Gonzagão é um forró de Dominguinhos e Anastácia (Eu Só Quero um Xodó), que Gil gravou em 1973.

Gil tocou sanfona no grupo Os Desafinados, em Salvador, entre 1959 e 1961. O ano em que a banda nasceu foi o mesmo em que João Gilberto lançou seu álbum seminal, Chega de Saudade. Gil, que já estava encantado com o violão de Dorival Caymmi, apaixonou-se pela batida do pai da bossa nova. Logo o violão Di Giorgio que dona Claudina comprou na Mesbla para o filho se tornou seu amigo inseparável.

Enquanto alguns músicos têm rituais estranhos antes dos shows — Keith Richards, por exemplo, sempre come uma torta inglesa com carne e creme de batatas, enquanto Beyoncé reza e usa uma cadeira de massagem enquanto é maquiada —, o que Gil gosta de fazer é tocar violão. E como ele vai embora assim que o show acaba — para não ficar preso nos abraços e depois no trânsito —, costuma receber convidados antes das apresentações.

Um dos momentos emocionantes é quando Gil canta Refazenda, que ele apresenta como parte de uma espécie de trilogia de sua obra, que inclui também Refavela e Realce. Gil conta que ele e sua irmã, Gildina, não foram à escola no primário porque a avó os alfabetizou em casa. A Refazenda refere-se a Ituaçu, base de toda a permanência do mundo rural que não sai de Gil. “Todos os lugares do interior que vi no mundo me remetiam a Ituaçu, que ocupa uma função mítica na minha vida”, disse uma vez. Ele considera Refazenda a primeira música filosófica de sua obra.

A impressão que se tem durante o show é que se trata de um espetáculo cênico que não deve nada às grandes produções internacionais que chegam ao Brasil. E que se coloca acima de outras grandes turnês recentes, como A Última Sessão de Música, que marcou o adeus de Milton Nascimento dos palcos. O show de Gil é uma raridade: mal acaba e já dá vontade de ver outra vez. Passa uma semana e seu eco continua reverberando em quem o assistiu, como um bom filme ao qual voltamos em pensamento involuntariamente.

Para quem tem ao menos 35 ou 40 anos de idade, é um mergulho na própria história, embalada pelas músicas de Gilberto Gil em suas muitas fases.

Quando o show caminha para o fim, as luzes iluminam a plateia e o que se vê é uma multidão de olhos marejados sob impacto de algo profundo que acabou de acontecer — algo que nos torna maiores do que antes do show e que poucos conseguem definir com exatidão. Não é raro ouvir frases como “é o melhor show da minha vida”. Todos os grandes temas da obra de Gil estão presentes: amor, separação, liberdade, morte, Deus, tempo.

A vida é sempre ruim e sempre boa ao mesmo tempo, acredita Gil, com seu estoicismo baiano, seu taoísmo sertanejo. Enquanto todos se deslumbram com o que viram, ele volta correndo para o camarim já sabendo o que precisa melhorar para o dia seguinte. Marca um novo ensaio às 15h de domingo, antes de mais uma noite inesquecível.

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O Sobrenatural de Almeida anda por aí

Por Carlos Santos

Recorro a um lugar-comum sempre usado no início das campanhas eleitorais, para tratarmos sobre a disputa deste ano no RN: “A sorte está lançada” (Alea jacta est).

A frase em latim é atribuída ao general romano Júlio César, ao decidir cruzar o rio Rubicão (em 49 A.C) no retorno de uma longa operação militar na região da Gália (hoje, a França, Bélgica e parte de outros países).

O todo-poderoso César violou a lei romana que determinava, que nenhuma legião (unidade militar) podia entrar em Roma armada e sem autorização, vinda de campanha.

Nelson Rodrigues, criador do célebre "Sobrenatural de Almeida" (Foto: Web)

Tanto na antiguidade como agora, o jogo não é uma questão de sorte ou azar. “O Sobrenatural de Almeida”, personagem do jornalista e dramaturgo Nelson Rodrigues, que ele citava para se referir a algo inesperado e negativo, é mera figura de linguagem.

Àquele tempo, como agora, uma campanha militar e ação política não viviam do acaso. Tudo tem relação direta com planejamento, organização, preparo, astúcia e outros fatores que se somam.

O pleito deste ano oficialmente encolheu. Serão apenas 45 dias, mas a própria legislação e a cultura do eufemismo (ou do jeitinho legalizado) produziram o fenômeno de se esticar esse processo eleitoral para trás. É a pré-campanha.

A campanha de fato começou há meses, com exposição de pré-candidatos em incontáveis endereços nas redes sociais, mídias convencionais e eventos públicos e privados.

Muito do que foi feito nessa pré-temporada (comum aos clubes de futebol), lógico que terá eco na campanha e eleição. Escolha de bons nomes, equipe de trabalho, organização partidária, estratégias, nominatas, alianças e outros componentes pesarão no resultado final.

E o tal do Sobrenatural de Almeida? Bem, ele existe. Anda por aí. Vez por outra dá as caras numa campanha política. Mas não confie na sorte ou justifique o insucesso com ele.

PRIMEIRA PÁGINA

Fábio assumiu articulações políticas do governismo e surpreendeu com o "improvável" (Foto: Canindé Soares)

O articulador Fábio Faria em ação – Quase invisível e imperceptível, sem alardes, o deputado federal Fábio Faria (PSD) é o responsável direto por grandes cartadas de bastidores no campo da articulação política atual. Praticamente selou a própria reeleição e formatou a mais densa e numerosa teia interpartidária da campanha que se avizinha, em torno da candidatura à reeleição do governador-pai Robinson Faria (PSD). Conseguiu um feito “improvável”, como atrair para vice o empresário e ex-candidato a prefeito de Mossoró Tião Couto (PSDB).

Quem ganha e quem perde – Num programa de rádio e outro de televisão nesta segunda-feira (6), fui indagado sobre quem ganha e quem perde com a decisão do ex-candidato a prefeito de Mossoró Tião Couto (PR) em ser vice na chapa de Robinson Faria (PSD). “Bom para Robinson, ruim para Tião, generoso para a prefeita mossoroense Rosalba Ciarlini (PP) e ótimo para a candidata petista ao governo, Fátima Bezerra (PT)”.

Em desnutrição, Zenaide precisa repensar estratégia para campanha – Na pesquisa Instituto Consult/Blog do BG/FM 98.7 (veja AQUI), a candidata ao Senado e atual deputada federal Zenaide Maia (PHS) apareceu com nítida desnutrição. Até bem pouco tempo, ela tinha maior consistência e passou a ser vista como virtual eleita, a ponto de obrigar o senador José Agripino (DEM) a mudar de rota, candidatando-se à Câmara Federal. Mas a entrada em cena do Capitão Styvenson Valentim (REDE) a atingiu em cheio. Ele é quem pode ser a “novidade” do pleito, o “fato novo”. No dia 9 de julho (há quase um mês), afirmamos na Coluna do Herzog: Styvenson ameaça primeiramente Zenaide Maia. Teve quem considerasse a análise um disparate. Vamos a outra avaliação: se não ajustar eficientemente sua campanha, a “Doutora Zenaide” (sem o Maia) vai morrer na praia.

Carlos repete fórmula de Gutemberg, que agora é candidato a deputado estadual

Campanha de Carlos Eduardo ‘clona’ slogan de Gutemberg Dias – “O RN Tem Jeito”, slogan da campanha do candidato ao governo pelo pedetismo, Carlos Eduardo Alves, é o “clone” do que foi utilizado em 2016 em Mossoró pelo então candidato a prefeito Gutemberg Dias (PCdoB): “Mossoró Tem Jeito”. Em 2018, ele é candidato a deputado estadual.

Jorge do Rosário não acompanha Tião Couto em decisão – Que fique consignado: o candidato a deputado estadual Jorge do Rosário (PR), não acompanhou Tião Couto (PSDB) na Convenção Estadual do PSD no domingo (5) em Natal, que formalizou a chapa encabeçada pelo governador Robinson Faria (PSD) à reeleição. A decisão de Tião Couto de ser vice nessa chapa, também o surpreendeu. E como? Ô!

Perplexidade muda do Sertão Central para o Oeste com o vice – Na sexta-feira (3) à noite, o anúncio do nome do ex-prefeito de Lajes Benes Leocádio (PTC) – veja AQUI – como vice de Robinson Faria (PSD) causou perplexidade entre eleitores do Sertão Central. No domingo (5), com a confirmação de Tião Couto (PSDB) como o vice, boquiabertos ficaram os mossoroenses no Oeste.

Dois fantasmas rondam a candidatura de Fátima Bezerra – Pelo menos dois espectros rondam a candidatura governista da senadora Fátima Bezerra (PT). Primeiro: o clima de já-ganhou (o que não se justifica). Na pesquisa recente, o índice cumulativo de Indecisos e Nenhum – veja AQUI – chegou a 83,77% na Espontânea. Segundo: o papel que alguns eventuais “aloprados” podem ocupar em sua campanha, tomando decisões e promovendo ações inconsequentes.

Contas de “eleitos” para Câmara e Assembleia são imprecisas – Pelas contas feitas em todas as coligações à disputa à Câmara Federal e à Assembleia Legislativa no RN, parece até que estamos na Paraíba. Em vez de oito vagas na Câmara e 24 na AL, teríamos 12 e 36, como ocorre no vizinho estado nordestino. Hoje, a grosso modo, podemos estimar que a coligação de Carlos Eduardo Alves (PDT) poderá fazer três federais. O governismo de 3 a quatro. A Frente Popular de Fátima Bezerra (PT) tende a eleger um. Poderemos ter surpresas entre coligações de pequenos partidos com a eleição de um federal. No plano da Assembleia Legislativa, o quadro de avaliação é bastante confuso, tamanho o número de coligações. Mas há tendência que o governismo faça maior parte dos eleitos/reeleitos. Depois iremos amiudando impressões e avaliações ao longo da campanha. Hoje, é muito cedo para afirmações ou ilações mais consistentes.

Salto duplo carpado evangélico-eleitoral – O deputado federal Antônio Jácome (Podemos) é candidato ao Senado na chapa de Carlos Eduardo Alves (PDT). Já seu filho e atual deputado estadual Jacó Jácome (PSD), é candidato à reeleição em coligação do governador e concorrente à reeleição Robinson Faria (PSD). Entendeu? Ãn? Tem muito evangélico que já compreendeu, sim.

O RN não tem ânimo para escolher um governador – Nenhuma candidatura estadual desperta empolgação nessa fase preliminar da campanha oficial ao Governo do RN. Ninguém aparece até aqui com capacidade de galvanizar o eleitor. Caminhamos para uma escolha por exclusão.

EM PAUTA

Preto e Branco – O 5º Baile Preto e Branco, organizado pelas lojas maçônicas de Pau dos Ferros, acontecerá a partir das 22 horas do próximo dia 11. Está definido para a AABB Clube. Thásya Araújo, Glauco Meireles e Tremendões de Mossoró serão as atrações musicais.

Feira do Livro – Está definida para o dia 1º de setembro próximo, no Museu do Sertão em Mossoró, a “I Feira de Livros de Autores Mossoroenses”. Acontecerá entre 8 e 12 horas, em meio à XIII Jornada Cultural do Museu do Sertão. Mais informações por este númerode WhatsApp:  (84)9972-2139.

Groove e D'Sosa: música (Foto: divulgação)

Tributo a Gil – A organização do Fest Bossa & Jazz inicia a semana com mais uma novidade para a programação do Festival a ser realizado em Mossoró, de 13 a 15 de setembro na Estação das Artes Elizeu Ventania. A primeira atração confirmada e divulgada na semana passada foi o retorno da cantora Roberta Sá ao palco do Fest com a SESI Big Band. E, a novidade desta semana, é a realização de um belo Tributo a Gilberto Gil. Será comandado pelo renomado multi-instrumentista potiguar Sérgio Groove, além do guitarrista Lu D’Sosa.

Na TV – A jornalista Nathália Rebouças vai estrear horário matinal na TV Terra do Sal (Canal 173 no sistema Cabo Brisanet e 14 aberto) ainda este mês. Paralelamente, compõe equipe de assessoria do candidato a vice-governador Kadu Ciarlini (PP).

Academia – O ministro do Superior Tribunal de Justiça (STJ), Luiz Alberto Gurgel de Faria, será empossado na próxima sexta-feira, na Academia Norte-rio-grandense de Letras (ANL). O evento está marcado para às 20h, no Salão Nobre da Academia. O ministro ocupará a Cadeira 7, que tem como Patrono Ferreira Nobre, sendo fundador Antonio Soares e sucessores Mariano Coelho e Nestor dos Santos Lima.

Gessinger – Humberto Gessinger (letrista, multi-instrumentista, escritor e vocalista da banda Engenheiros do Hawaii) vai apresentar seu novo show no dia 15 de setembro em Natal. Será às 21 horas no Teatro Riachuelo do Shopping Midway Mall.

SÓ PRA CONTRARIAR

Em que eleição o “não voto” (branco/nulo/abstenção) foi capaz de mudar a política e a gestão pública para melhor?

GERAIS… GERAIS… GERAIS…

A Rádio Difusora de Mossoró realiza reestruturação física e técnica do seu estúdio principal. Obra que há muito era necessária.

Obrigado à leitura do Nosso BlogPinto Júnior (Parnamirim), Aluísio Barros (Mossoró) e Tatiana Mendes (Natal).

Veja a edição anterior da Coluna do Herzog (30/07) clicando AQUI.

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Valdemar dos Pássaros “In concert” e muitas histórias

Por Carlos Santos

Meu domingo (27) foi especialmente agradável. Além de ótimo papo, a companhia de um artista incomum. Falo sobre seu Valdemar Gomes da Silva, 75.

Esse paraibano que adotou Mossoró ainda em tenra idade, é um showman.

Recém-chegado da Espanha, onde encaminha estudos de doutorado, o advogado-professor David Leite proporcionou-nos tal presente. Levou-o para uma reunião recheada de múltiplas alegrias.

A apresentação de “Valdemar dos Pássaros” foi no apartamento do advogado André Luís de Oliveira/bióloga Patrícia, em Mossoró. “Entrada” para o almoço.

Causos, músicas, imitações e seu jeito simplório no manuseio de instrumentos de fabricação própria encantaram a adultos e crianças. Fizeram nosso domingo muito maior.

Deu margem ainda à narrativa do próprio David sobre o sucesso de Valdemar há 20 anos, na estreia do “Domingão do Faustão”, da Rede Globo de Televisão.

Os bastidores nos levaram ao riso incontido.

Diante da Xuxa, Valdemar permitiu-se a um comentário mordaz à época: “Ela não é essas coisas toda não”.

Abraçado pelo cantor-compositor Gilberto Gil, logo após aparecer diante das câmeras, recebeu elogios:

– O senhor é um grande artista! Meus parabéns.

Olhar desconfiado, incomodado pelo abraço caudaloso, perguntou a David – que o acompanhava:

– Quem é esse neguim?

E completou, depois de não associá-lo à condição de estrela da Música Popular Brasileira (MPB): “Ele devia é apanhar algodão lá no RN”.

Antes de aparecer ao vivo no Faustão, em 1999, Valdemar teve direito a conhecer o Cristo Redentor e Copacabana, sob os auspícios da própria Globo. Foram pedidos pessoais.

No calçadão da praia poética e cartão postal do Brasil, deparou-se com o ex-governador Tarcísio Maia em caminhada mansa:

– O que você está fazendo por aqui, Valdemar?

Peito estufado, voz rouca inconfundível, nosso personagem bradou: “Vim me apresentar na Globo”.

Valdemar em disco gravado no ano de 1991

Despedindo-se do nosso artista e do acompanhante, David Leite, Tarcísio não ouviu seu desabafo. “Pensei que ele fosse deixar algum dinheiro. Miserável”, protestou.

– Eu achava que Valdemar sequer tinha conhecido doutor Tarcísio, pois às vezes divaga mesmo. “Num é o  governador, homem!?”, esclareceu ao próprio David, antes de resmungar da munheca fechada do ex-governador.

Antes mesmo de voltar a Mossoró, em avião, Valdemar ainda teve tratamento de pop-star na aeronave. Foi reconhecido por passageiros e tripulantes. Tocou e fez imitações em meio às poltronas, sob aplauso intenso. De quebra visitou a cabine de comando.

– O que você achou, Valdemar?

– É buracão grande! – exclamou, depois de se deparar com o céu sem fim ao lado de piloto e co-piloto.

Ao chegar a Mossoró, interpelado de como tinha sido seu encontro com Fidel Castro, que visitava o Memorial da América Latina em São Paulo, onde ele também fez show, titubeou. Desconhecia-o.

Alertado quanto a detalhes físicos do comandante da revolução cubana, Valdemar despertou com vivacidade:

– Ah, sim! Sei quem é. É aquele soldadão grande, ?!

Carlos Santos é criador e editor desta página

* Texto originalmente publicado no Blog Carlos Santos no dia 28 de setembro de 2009, às 12h10. É nossa singela homenagem a esse artista, falecido no último dia 22 (veja AQUI) em Baraúna.

A paz

No rosto, na cabeça, na atitude diária perene e incansável, é o que queremos

Por Gilberto Gil

A paz invadiu o meu coração
De repente, me encheu de paz
Como se o vento de um tufão
Arrancasse meus pés do chão
Onde eu já não me enterro mais

A paz fez um mar da revolução
Invadir meu destino; A paz
Como aquela grande explosão
Uma bomba sobre o Japão
Fez nascer o Japão da paz

Eu pensei em mim
Eu pensei em ti
Eu chorei por nós
Que contradição
Só a guerra faz
Nosso amor em paz

Eu vim
Vim parar na beira do cais
Onde a estrada chegou ao fim
Onde o fim da tarde é lilás
Onde o mar arrebenta em mim
O lamento de tantos “ais”

* A foto, linda e representativa, é do meu querido amigo jornalista/fotógrafo e ativista social incansável Cézar Alves, extraída de sua sensibilidade.

A imagem diz tudo. Mossoró quer paz.

Chegaaaaa!!! de violência!