Alendes aprofunda pesquisa com base científica, como fontes primárias à sua obra (Foto: divulgação)
Após o sucesso de vendas da primeira edição, lançada em 2021, o historiador, professor e servidor público estadual, Luan Alendes Ferreira Batista, acrescentou novas informações e lançou a 2ª Edição do livro “Lampião em Boa Esperança.” O topônimo é o atual município de Antônio Martins, no Oeste do RN.
O livro é um trabalho de pesquisa historiográfica que traz à tona mais uma vez os acontecimentos da ocupação de Boa Esperança por Lampião e seu bando sanguinário.
“Na marcha de Lampião para chegar em Mossoró (alvo principal), nenhum lugarejo sofreu mais do que Boa Esperança, literalmente saqueado, com cangaceiros se apossando de tudo e de todos, fatos que essa obra imortaliza em letras garrafais e transmite agora de geração para geração”, destaca o advogado César Carlos de Amorim, que escreveu apresentação na contracapa da 2ª edição da obra.
Lampião em Boa Esperança trata-se de pesquisa séria, que vem contribuir significativamente com a história local e regional, trazendo novas e ricas informações. Detalha a sequência dos fatos ocorridos em 11 de junho de 1927, dois dias antes dos cangaceiros invadirem Mossoró.
A obra desnuda fatos extremamente interessantes de personagens de Boa Esperança no trato com os bandidos, dentre eles, a coragem da Dona Rosina Novaes, que em determinado momento fez parar o ataque à vila; a astúcia de seu esposo, Augusto Nunes, a capacidade de diálogo de Justino Ferreira e a facada de Jararaca em pessoa por nome de Vicente Lira, personagens reais que sentiram na pele o terrível ataque do bando.
Reservas da obra podem ser feitas pelo telefone / WhatsApp (84) 99942-7195
Acompanhe o novo Instagram do Blog Carlos Santos clicando @blogcarlossantos1
O livro “Manda quem pode, obedece quem tem juízo”, do escritor e historiador Sérgio Trindade, sócio do Instituto Histórico e Geográfico do RN (IHGRN), será lançado na próxima edição da Quinta Cultural. Acontecerá na quinta-feira (29), no Salão Nobre da instituição, em Natal. A partir das 17h, o autor ministra uma palestra sobre o tema abordado no livro e às 18h inicia uma sessão de autógrafos para os leitores e espectadores presentes.
O livro é um documento elucidativo sobre o cenário político e eleitoral recente no Rio Grande do Norte.
A obra foi editada sob o selo da Escribas Editora, que tem 20 anos de atuação no mercado. É o segundo livro do autor Sérgio Trindade. Segundo Carlos Fialho, editor à frente da Escribas, foi dado ao trabalho um tratamento estético à altura da excelência do seu conteúdo.
Trabalho minucioso
Sérgio Trindade fez um minucioso estudo no qual expõe como os tempos vividos em décadas recentes mudou a configuração do tradicional “coronelismo”, termo popularmente usado para designar influências externas, muitas vezes com ênfase e força, sobre a decisão de voto dos eleitores, sobretudo das camadas mais populares. A pesquisa traz dados obtidos a partir de comunicadores que souberam usar os meios de massa nos quais estavam inseridos para obter vitórias eleitorais expressivas.
Na orelha do livro, o jornalista Rubens Lemos Filho declara “No Brasil, a democracia da mídia pertence aos interesses dos donos de veículos de comunicação social e Sérgio Trindade atira na mira.”
O autor
O autor é um escritor e historiador natalense, graduado em História e mestre em Ciências Sociais, ambos pela Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN). Também possui doutorado em Ciências da Comunicação pela Universidade do Minho (UMinho-Portugal).
Acompanhe o novo Instagram do Blog Carlos Santos clicando @blogcarlossantos1
A envolvente história do cangaço lampionesco encontra-se repleta de fatos referenciais que não resistem ao mínimo cotejo com a realidade existente à época do protagonismo. A análise sucinta capta o cenário redimido, mesmo permanecendo no imaginário popular as falácias, o engodo, a débil transfiguração das elites egoístas e predatórias.
Antes de consolidar-se como historiador, o admirável caraubense Raimundo Soares de Brito cerrara fileira política seguindo fervorosamente as hostes partidárias comandadas pelos truculentos irmãos Benedito e Quinca Saldanha, proprietários da Fazenda “Setúbal” no município de Caraúbas. Antes, residiram no município de Brejo do Cruz, onde Quinca era dono da Fazenda “Amazonas”.
Benedito era dono da Fazenda “Várzea Grande”, encravada no município de Limoeiro do Norte-CE, isto já no ano de 1923. Observe-se que o ainda pouco conhecido cangaceiro Massilon Leite/Massilon Benevides cometeu crime de homicídio na feira de Belém do Brejo do Cruz -PB, no ano de 1923, matando um fiscal de feira. Daí, passou a protegido dos irmãos Quinca e Benedito. Acabou sendo acolhido na casa da Fazenda de Benedito, no Vale do Jaguaribe.
Em 1926, Massilon ataca a cidade de Brejo do Cruz na Paraíba, onde mata Manuel Paulino de Morais, Dr. Augusto Resende (juiz municipal) e fere Dr.Minervino de Almeida, o “Joca Dutra (juiz municipal) e Severino Elias (telegrafista). O Quinca Saldanha aparece como um dos autores intelectuais.
No início de Maio de 1927, Lampião encontrava-se “acoitado “ na , Fazenda “Bálsamo”, pertencente ao Décio Holanda, genro de Tilon, quando deu-se o encontro com o cangaceiro Massilon, protegido dos Saldanhas, Quinca e Benedito, ocasião em que Décio entregou duas mil balas de fuzil para serem usadas no ataque a Mossoró.
Ainda na fazenda de Décio Holanda, este informou ao Lampião que o Massilon era cabra de confiança e protegido dos Saldanhas. Acrescentou que o Massilon vivia homiziado vezes em Caraúbas com o seu padrinho Quinca, e ainda no Ceará, na fazenda de Benedito Saldanha.
Reportando a estória
Valendo-se da sua consagrada fama de historiador, Raimundo Soares de Brito (Raibrito) forjou a esdrúxula “estória do gato vermelho”, disseminando-a no imaginário popular como um fato histórico verossímil concreto. Observe-se que durante o mês de maio de 1927 o convívio diário de Lampião com o Massilon o fez usufruir da estreita amizade dos Saldanhas com o Décio Holanda e o Massilon, descartando-se desde logo qualquer investida a Caraúbas, onde predominava a liderança política dos irmãos Saldanhas.
Certa vez, indaguei ao historiador Raibrito, se ele sabia informar o nome do informante que, supostamente presenciara e ouvira o Lampião afirmar, quando se encontrava no sítio “Santana Várzea do Apodi”, que “não atacaria Caraúbas porque lá tinha o gato vermelho”. O historiador esboçou um sorriso e disse desconhecer qualquer informação sobre essa versão.
Confrontando com a realidade histórica, esta estória morre à míngua de veracidade. Não passa de “resto”, sobrevivência anacrônica e ridícula no imaginário popular, “silêncio” cuidadosamente mantido ou simples ruído ocultado no silêncio.
Em verdade, individualmente os irmãos Quinca e Benedito nunca foram valentes. Quando Benedito exercia o cargo de prefeito nomeado do Apodi, no ano de 1933, teve uma conversa áspera com o famoso temido apodiense Joaquim Ferreira Lima (Quinca Amarelo). Esse puxou de sua faca e chamou Benedito para o embate físico, que preferiu se esquivar, resmungando estridentemente.
Todas as análises acuradas conduzem à certeza irredutível de que os Saldanhas só tinham coragem quando se faziam acompanhar da sua jagunçada, espécie de milícia particular. Ressalte-se que esses jagunços eram acoitados em Caraúbas (na Fazenda Setúbal) e na zona rural de Limoeiro do Norte-CE (Fazenda Várzea Grande).
À luz dos jornais das décadas de 20 e 30 (1920-1939) constata-se a existência de três grupos de jagunços/cangaceiros. Era a milícia particular dos Saldanhas, a de Décio Holanda (genro de Tilon Gurgel) acoitada no “Brejo do Apodi” até maio de 1925 quando foi expulsa por um contingente policial do Estado comandado pelo Tenente Napoleão Agra. O episódio é conhecido como “O fogo de Pedra de Abelhas”, objeto de publicação de plaquete pela coleção mossoroense, de nossa autoria.
O terceiro grupo de jagunços pertencia ao virulento Balthazar Meireles, acoitado em sua fazenda situada no município de Luis Gomes. Existiam dois subgrupos esporádicos, pertencentes a Juvêncio Barreto, que os acoitava em sua Fazenda “Unha de gato” à época município de Apodi, e depois ao município de Itaú-RN.
Vez por outra este subgrupo atrelava-se aos grupos dos Saldanhas e do Décio Holanda. O outro subgrupo pertencia ao sr. Joaquim Cirilo de Andrade, com várias incursões criminosas nos sertões do Vale Jaguaribano, conforme consta nos jornais do RN e do Ceará.
Há uma curiosidade reinante nesses grupos armados, concernente ao fato de que alguns donos dessas milícias aproveitavam o gasto no acoitamento desses elementos criminosos utilizando-os na lida do campo, quer seja na agricultura ou na pecuária extensiva. Os mais afoitos e ousados eram eliminados sumariamente como queima de arquivo e sepultados nas caatingas de suas fazendas.
A história de Mossoró será contada de uma maneira diferente neste sábado, 03 de dezembro, com a realização da Caminhada Histórica de Mossoró.
Praça da Redenção e Biblioteca Ney Pontes Duarte (Foto: divulgação)
Com os pés no presente, através do passeio por diferentes locais, suas praças, prédios e monumentos, a história e os feitos do passado dos mossoroenses serão contados e destacados de um jeito lúdico, divertido e marcante. O percurso tem paradas em locais como a Praça da Redenção, Biblioteca Ney Pontes Duarte, Museu Lauro da Escóssia, Loja Maçônica 24 de Junho, Catedral de Santa Luzia, Estação das Artes e mais dez pontos históricos.
“Nesse percurso de caminhada os participantes poderão se surpreender com histórias já conhecidas e também por outras bem curiosas, que as pesquisas realizadas na literatura histórica revelaram. A pé os monumentos deixam de ser velhos pois com a História eles são mais presentes do que se imagina. É um passeio imperdível para toda a família”, ressalta Alexandre Rocha, historiador que elaborou o percurso desta caminhada.
Para participar dessa caminhada basta agir com solidariedade e doar 2kg de alimentos não perecíveis na loja na DCell (centro) em troca do voucher para retirar o kit da caminhada a partir das 14h, no ponto de troca que será instalado no dia 03, nas proximidades da Catedral de Santa Luzia. A organização recomenda ao participante chegar cedo para fazer a retirada do seu kit com tranquilidade.
A realização da Caminhada Histórica de Mossoró é uma iniciativa da Viva Promoções com patrocínio do Governo do Estado do RN através da Lei Câmara Cascudo, apoio da Prefeitura de Mossoró, Tchê Restaurante e incentivado por empresas como SolarBR Coca-Cola, Água Crystal, Sadio Condimentos e Riograndense Distribuidora.
Caminhada Histórica
Quando – Dia 03 de dezembro, sábado à partir das 16h
Ponto de partida: Catedral e Praça Vigário Antônio Joaquim
Participação aberta ao público – Para ter acesso ao kit da caminhada composto de camiseta e guia histórico, é só doar 2kg de alimentos não perecíveis
Percurso
1 – Catedral de Santa Luzia
2 – Estátua Dix-Sept Rosado
3 – Praça Vigário Antônio Joaquim
4 – Biblioteca Municipal Ney Pontes
5 – Praça da Redenção
6 – Estátua da Liberdade
7 – Loja Maçônica “24 de Junho”
8 – Museu Lauro da Escóssia
9 – Câmara Municipal de Mossoró
10 – Estação das Artes Eliseu Ventania
11 – Igreja de São Vicente
12 – Palácio da Resistência
13 – Residência do Industrial Antonio Floriano de Almeida
14 – Corredor Cultural
15 – Memorial da Resistência
16 – Teatro Municipal Dix-huit Rosado
Acompanhe o Canal BCS (Blog Carlos Santos) pelo Twitter AQUI, Instagram AQUI, Facebook AQUI e YouTube AQUI.
O Instituto Histórico e Geográfico do Rio Grande do Norte (IHGRN) promove a próxima edição da Quinta Cultural no dia 20 de outubro. O evento, que oferece palestras e diálogos sobre temas históricos variados, traz desta vez a palestra “Deífilo, amigo de Deus e de todos”, ministrada por Alexandre Gurgel, jornalista e sócio do IHGRN.
Imagem de Maria Simões
O evento, que é aberto para o público geral, ocorre às quintas-feiras, no Salão Nobre do Instituto. A palestra tem início às 17h e tem capacidade para 50 pessoas, não sendo necessária inscrição prévia.
A edição homenageia a figura de Deífilo Gurgel, folclorista areia-branquense falecido há 10 anos. Também foi advogado, professor universitário, administrador público, antropólogo, poeta e historiador, tendo se tornado um dos principais nomes da cultura local.
Sobre o palestrante
Alexandre Gurgel é jornalista, escritor e poeta. Formado em Jornalismo pela Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN), organizou o livro “Autorretrato do Poeta”, obra que reúne poemas inéditos do folclorista. A obra conta, inclusive, com 25 poemas de autoria de Alexandre Gurgel, dedicados a Deífilo Gurgel, seu pai.
Acompanhe o Canal BCS (Blog Carlos Santos) pelo Twitter AQUI, Instagram AQUI, Facebook AQUI e YouTube AQUI.
Sir Karl Raimund Popper (Viena, 28 de julho de 1902 — Londres, 17 de setembro de 1994) foi, na minha opinião, o maior filósofo do século XX. Levo em consideração, para pensar assim, a importância de sua obra.
Matemático, físico, lógico, filósofo da ciência e filósofo político, historiador, músico, tradutor, um polímata, enfim, provavelmente o último, dado o crescimento avassalador do conhecimento após o epifenômeno da computação, que lhe foi praticamente posterior.
É muito difícil aquilatar o tamanho de sua contribuição intelectual, construído no embate contra a metafísica, o marxismo, positivismo e a psicanálise, mas, também, no estudo da relação entre teoria da evolução e epistemologia.
Suas análises de Platão e Parmênides são, no mínimo, monumentais: para tal, dominou o grego arcaico.
De sua vasta obra, talvez os mais impactantes livros sejam The Logic of Scientific Discovery, A Sociedade Aberta e seus Inimigos, Conhecimento Objetivo: uma abordagem evolucionária, Lógica das Ciências Sociais, Conjecturas e Refutações (o progresso do conhecimento científico) e, post mortem, O Mundo de Parmênides: ensaios sobre o iluminismo pré-socrático.
Creio ter sido Sir Karl Popper o último dos grandes, e o maior de todos.
Honório de Medeiros é professor, escritor e ex-secretário da Prefeitura do Natal e do Governo do RN
Há 100 anos nascia o primogênito de uma família potiguar: Raimundo Soares de Brito. Na cidade de Caraúbas, cresceu, conheceu o Oeste Potiguar, trabalhou nas capitais alencarina e do RN.
O Doutor Honoris Causa da Universidade do Estado do Rio Grande do Norte (UERN) inscreveu-se como historiador, escritor e colecionador de História.
Na oportunidade do centenário de seu nascimento, organizamos a Exposição Virtual “Raibrito, um observador do cotidiano”, para celebrar o homem, o pesquisador e sua contribuição à cultura norte-rio-grandense.
A exposição, pensada inicialmente nos seus moldes tradicionais, em razão do isolamento social em vigor, adquiriu o formato virtual.
As páginas que antes foram pensadas como painéis, agora podem ser visualizadas pelo celular ou computador, sendo essa ferramenta que permite uma visão mais abrangente das páginas.
Nesta quinta-feira (23 de abril), data do nascimento de Raibrito, a Exposição passa a ser disponibilizada pelo endereço www.raibrito.com.br.
Visite e conheça um pouco da história deste caraubense, cujo legado engrandece a cultura potiguar.
Nota do Blog – Tudo que for feito para manter viva a memória e o trabalho hercúleo que foi realizado por Raimundo, merece aplausos. Conheci-o, visitei sua hemeroteca que era instalada em sua própria casa. Quanto zelo por nossa história.
Acompanhe oBlog Carlos Santos pelo Twitter AQUI, Instagram AQUI, Facebook AQUI e Youtube AQUI.
A sistemática e truculenta colonização e povoamento dos ermos sertões potiguares traz em seus anais históricos a detestável configuração eivada de interesses escusos, de ordem econômica da Corte portuguesa. Nesta singularidade, sobeja a ostensiva participação da religião católica entremeando a sua emblemática e poderosa cruz, protagonizando acentuada conivência voluntariosa diante as atrocidades cometidas pelas incursões exploradoras, geralmente de cunho militar e exterminador do gentio indígena. Eram comandadas por Sargentos-Móres e Capitães-Móres, auxiliados por pessoas de menor patente e também recrutadas entre o próprio gentio tornado cativo. No fundo estava o ciúme do mando e o interesse pecuniário em jogo.
Houve Padre catequizador dos índios do Jaguaribe que, instado acerca dos crimes cometidos contra a indiada hostil, respondia que as Expedições deveriam queimar madeira seca e também a madeira verde, ou seja, os catequizados e os não catequizados, mesmo já tendo sido batizados por eles. Estas incursões promoviam constantes deslocamentos de tribos indígenas belicosas, permutando índios dos sertões do Apodi com os dos sertões do Jaguaribe.
Os historiadores cearenses citam como exemplo a fixação de tapuias paiacus para povoar a atual região de Pacajus-CE, oriundos da Lagoa do Apodi, de onde foram coercitivamente arrancados do seu feudo natural e conduzidos por força militar comandada pelo Desembargador Soares Reymão.
Em 1694 o Capitão Francisco Dias de Carvalho comandou uma expedição na qual adotava as mais terríveis e cruéis táticas de dominação e extermínio, com fim específico de ocultação das tiranias cometidas. Geralmente faziam uma espécie de triagem na preagem, preferindo Columins e Cunhãs, além de robustos índios de meia idade, muito procurados pelos senhores de Engenho de Cana-de-Açúcar, para utilização de mão-de-obra no campo e na moagem.
A Coroa portuguesa dava-lhes cobertura para que, com a venda dos índios feito cativos na tal “Guerra Justa”, ser pago O quinto do total da venda à Coroa. Estes traslados indígenas eram guiados por uma pessoa que tinha a função denominada de “Prático do Sertão”, personagem conhecedor dos caminhos e estratégias indispensáveis à mobilidade das Expedições.
Em 1740 o português Domingos João Campos foi enviado pelo Capitão-Mór da então Capitania do Rio Grande, Francisco Xavier de Miranda Henriques, para efetuar medições e demarcações nas terras que compreendiam a Ribeira do Apodi. O seu Ofício de Agrimensor era feito mediante escolta militar, feita pelo célebre Sargento-Mór Manoel da Silva Vieira, famanaz preador de índios nos sertões do Apodi e do Jaguaribe.
Dentre as famosas escaramuças promovidas por este diabólico patenteado Vieira destaca-se a que se deu quando o Agrimensor encontrava-se demarcando em fase final a famosa e fértil “Data de Sesmaria “Boqueirão”,(Apodi-RN), cuja medição totalizava três léguas de comprimento por uma de largura, começando dos lugares Brejo e Boqueirão, e terminando no lugar Várzea da Salina, vizinho à Data “Santa Rosa”.
Conta a tradição oral que o agrimensor vira passar bonita Cunhã em terreno descampado perto do lugar “Lagoa Redonda”, tendo de imediato determinado ao ajudante militar que empreendesse meios para apreender tão garbosa adolescente, no que o mesmo obedeceu saindo em desabalada carreira montado em seu fogoso cavalo alazão, tendo alcançado logo, descendo do cavalo e a imobilizando pelas mãos e pés com cordas que trazia à tiracolo. A partir deste evento de tormentoso sequestro da indiazinha tapuia, tal lugar ficou sendo conhecido como a “Várzea da Carreira”.
A conclusão da Demarcação da Data do “Boqueirão” deu-se a 2.04.1740. Com o passar dos anos e dos sucessivos entrelaçamentos entre ocorridos entre índios e elementos componentes das famílias pioneiras, as terras que ficam nos arredores da Várzea da Carreira passaram a receber a denominação de “Tabuleiro dos Caboclos”, passando depois à atual denominação de sítio “Bico Torto”. Como já tinha uns índios feitos cativos, o Sargento-Mór Vieira incorporou dita índia à essa turma de cativos indígenas.
Ao chegar à cidade do Natal o Sargento-Mór Manoel da Silva Vieira vendeu a dita Cunhã ao Capitão Hilário de Castro Rocha, que para ocultar a etnia da mesma fez constar nos registros da Igreja como tendo sido exposta em sua residência, dando-lhe nome familiar da sua esposa Maria Madalena de Mendonça, passando a índia a ter o nome de Rosa Maria de Mendonça.
Surge fato histórico emblemático quando o português Domingos João Campos se casa com a referida índia Rosa Maria de Mendonça em 24.11.1745, tendo prole de 08 filhos.. Outro fato histórico digno de menção refere-se ao casamento de um filho do Domingos o Sr. José Fernandes Campos (O 1º) com uma filha do tal Sargento-Mór Manoel da Silva Vieira, de nome Ana Antônia da Conceição. Desse venturoso casal nasceu José Fernandes Campos (o 2º), que nasceu em Natal a 15.08.1775, tendo casado casou com Joana Gomes de Jesus, e passado a residir em Apodi no seu sítio “Baixa Grande”, perto do feudo indígena dos Fernandes Campos, denominado de “Lagoa Redonda”, perto do lugar onde nascera a sua avó raptada.
Este segundo José Fernandes Campos faleceu em seu sítio em Julho de 1848, deixando a viúva e nove filho (Tenho cópias do inventário, para quem interessar possa). Esta iniciativa do neto de Domingos João Campos fixar residência nas terras de origem da sua avó paterna conduz à certeza de que a tradição oral corrente no seio dos “Fernandes Campos” do Apodi concretiza a veracidade da etnia indígena desta tradicional família do rincão apodiense.
Café Filho: origem indígena (Foto: arquivo)
Uma irmã deste segundo José Fernandes Campos, de nome Ana Clara de Jesus, casa-se em 09.07.1789 com Francisco Xavier da Câmara, filho de Antonio Câmara da Silva, que por sua vez era irmão tio paterno de João Paulo da Silva Câmara, João Pedro da Silva Câmara e Francisco Paulo da Silva Câmara, residentes no sitio “Santa Rosa”, em Apodi, onde faleceram e foram inventariados.
Esta honrada e tradicional família apodiense Fernandes Campos é conhecida popularmente como sendo a família dos “FONOM”, apelido que surgiu devido ao fato da maioria de seus membros apresentar a voz anasalada.
O Ex-Presidente da República João Café Filho, natural de Natal-RN, cujo nome civil oficial era João Fernandes Campos Café Filho fez retificação judicial do seu nome, que passou a ser João Café Filho, retirando, assim, o referencial familiar tradicional FERNANDES CAMPOS, quem sabe com objetivo de dar continuidade a encoberta da etnicidade.
Café Filho descende de um filho do português Domingos João Campos/Rosa Maria de Mendonça, de nome Manuel Fernandes Campos,(F.1) que por sua vez foi pai de Lourenço Fernandes Campos (N.1), que foi pai de Lourenço Fernandes Campos Júnior (BN.1), que foi pai de João Fernandes Campos Café (TN.1 – * 16.04.1865), que foi pai de João Fernandes Campos Café Filho (Café Filho – Natal *03.02.1899/ Rio de Janeiro + 20.02.1970). E assim, resta comprovado o parentesco da humilde família apodiense Fernandes Campos (Fonom) com o renomado Ex-Presidente da República.
Louvo a plenitude da razão, presente na figura do historiador de nomeada Manoel Rodrigues de Melo, Quando faz a exortação para a importância da pesquisa, sobre o quanto existe de labor, sacrifício, desgosto, alegria, entusiasmo,tudo ficando no bojo silencioso da história, sem a compreensão devida pelos que vivem a posteridade. Inté.
Historiador e um dos palestrantes mais requisitados do país atualmente, Leandro Karnal diz que o discurso de ódio sempre existiu nas sociedades mas chama a atenção para a facilidade com que ele se propaga, hoje, graças à internet.
“Hoje é um clique e um site, com muitas imagens. Facilitamos muito para quem odeia. O ódio tem imenso poder retórico. Ele sempre existiu. Agora, existe este ódio prêt-à-porter, pronto, onde você se serve à la carte e pega seu prato preferido”, disse ele à BBC Brasil.
Leandro Karnal afirma que o 'ódio é o mais poderoso opiáceo já criado' (Foto: divulgação)
Mas apesar da maior facilidade, hoje, de propagação do discurso de intolerância, o professor de história da Universidade Estadual de Campinas diz que “os mais sólidos preconceitos e violências humanos são muito anteriores à globalização”.
Leia abaixo trechos da entrevista:
BBC Brasil – Uma das suas frases que mais viralizou e foi repetida em 2016 diz que “não existe país com governo corrupto e população honesta”. O sr. acha que a população não se enxerga como responsável também pelo processo de corrupção?
Leandro Karnal – Característica nossa e da humanidade: excluir da parte negativa da equação o pronome pessoal reto EU. Em nenhum momento quis dizer que todos nós, brasileiros, somos corruptos, mas que a corrupção é algo forte na política e que a política é uma das camadas constituidoras do todo social, como um mil-folhas.
A política não é descolada da sociedade, mas nasce e volta ao mundo que a gerou. Os políticos são eleitos por nós. Denúncias são feitas e o político é reeleito. Seria coisa de grotões?
De forma alguma, eu me refiro também aos grandes centros urbanos. A expressão rouba mas faz não nasceu no sertão mas na maior e mais rica cidade do país. Meu alunos costumavam assinar lista de presença por colegas e, depois, ir a uma passeata contra corrupção na política.
A mudança não pode ser somente numa etapa do processo. Se você usa – a metáfora é importante – um lava-jato para limpar seu carro e a estrada continua sendo de terra batida, você precisará de uma nova lavagem todos os dias.
BBC Brasil – Mas de certa forma, responsabilizar a população pela corrupção da classe política pode parecer culpar a sociedade pelos erros cometidos pela elite governista, não?
Karnal – O que eu desejo sempre afirmar é que não existe uma elite separada do todo. Um político ladrão deve ser preso e devolver o que roubou. A culpa é dele e só dele. Mas, se queremos um novo país, devemos discutir na base, na educação, na família, na fila do aeroporto e em todos os campos para uma sociedade mais ética.
BBC Brasil – Nesse sentido, é a desigualdade mesmo nosso maior problema?
Karnal – A desigualdade é a base do problema e colabora para a má formação escolar. Uma sociedade que seja desigual já é um problema, mas uma que não educa nega a chance de corrigir a desigualdade. Como sempre, educação escolar básica é a chave da transformação.
Mudar isto muda tudo, como vimos no Japão e na Coreia do Sul após a guerra. Educação é músculo e osso, limpeza ética do Senado é maquiagem, mesmo quando necessária, como toda maquiagem, passageira.
BBC Brasil – Tivemos nesse fim de ano o episódio do ambulante morto a pancadas após defender uma transexual, também tivemos uma chacina em Campinas na qual o autor deixou uma carta criticando o feminismo. O que explica essa intolerância – racial, de gênero, de classe -, e de que forma ela pode ser combatida?
Karnal – Sempre existiu este ódio que flui por todos os lados. Não é fácil existir e acumular fracassos, dores, solidão, questões sexuais, desafetos e uma sensação de que a vida é injusta conosco. O mais fácil é a transposição para terceiros.
Um homem fracassa no seu projeto amoroso. O que é mais fácil? Culpar o feminismo ou a si? A resposta é fácil. Tenho certeza absoluta de que o autor do crime não era um leitor de Simone de Beauvoir ou Betty Friedan. Era um leitor de jargões, de frases feitas, de pensamento plástico e curto que se adaptava a sua dor.
Esses slogans são eficazes: “toda feminista precisa de um macho”, “os gays estão dominando o mundo”, “sem terra é tudo vagabundo”. Curtos, cheios de bílis, carregados de dor, os slogans entram no raso córtex cerebral do que tem medo e serve como muleta eficaz.
No cérebro rarefeito a explicação surge como uma luz e dirige o ódio para fora. Se não houvesse feminismo, o assassino continuaria sendo o fracassado patético que sempre foi, mas agora ele sabe que seu fracasso nasceu das feministas e ele não tem culpa. Isto é o mais poderoso opiáceo já criado: o ódio.
BBC Brasil – De que forma as redes sociais acabaram potencializando essa intolerância e esse discurso de ódio. Eles são reflexo da nossa sociedade ou acabam estimulando os comportamentos mais intolerantes e polarizados?
Karnal – Antes era preciso ler livros para criar estes ódios. Mesmo para um homem médio da década de 1930, ele precisava comprar o Mein Kampf de Hitler e percorrer suas páginas mal redigidas. Ao final, seus vagos temores antissemitas era embasados numa nova literatura com exemplos e que fazia sentido no seu universo. Mesmo assim, havia um custo: um livro.
Hoje é um clique e um site, com muitas imagens. Facilitamos muito para quem odeia. O ódio tem imenso poder retórico. Ele sempre existiu. Agora, existe este ódio prêt-à-porter, pronto, onde você se serve à la carte e pega seu prato preferido.
Exemplo? Uma pessoa me disse: “Quem descumpre a lei deveria ser fuzilado! Bandido deveria ser executado”. Eu argumentei: “Pela sua lógica, descumprimento da lei merece pena capital. Como a lei brasileira proíbe a pena capital, você está defendo crime e incitação ao crime, na sua lógica, deveria ser punida com pena de morte.”
Era uma maneira socrática de argumentar a contradição do enunciado. O caro leitor pode supor que a resposta do indivíduo não foi socrática nem platônica.
BBC Brasil – Pensando num contexto geral, a globalização deu errado? Com esse discurso de fechar fronteiras, de medidas protecionistas…Estamos vivendo um retrocesso, um avanço ou uma estagnação?
Karnal – Não havia um mundo harmônico e feliz antes, e não existe agora. O que varia em história é como produzimos a dor. Nosso método atual mudou este método. Os mais sólidos preconceitos e violências humanos são muito anteriores à globalização.
BBC Brasil – Para muitos, 2016 foi um ano marcado pelo avanço de forças conservadoras. Em 2017, haverá eleições na França e na Alemanha, com os partidos de extrema-direita em ascensão. O que vem pela frente?
Karnal – Difícil falar de futuro para um historiador, profissional do passado. A tendência é de uma onda conservadora por alguns anos em quase todos os lugares. Provavelmente, seguindo o que houve antes, depois de experimentar candidatos conservadores que prometem o paraíso e não vão conseguir, os eleitores estarão de novo inclinados a candidatos de outro perfil que oferecerão o paraíso.
As coisas mudam, mas não mudam porque o presidente usa topete ou é conservador. Presidente democratas estavam no poder com Kennedy e Johnson e a violência racial chegou ao ponto máximo. No período Obama, muitos policiais mataram muitos negros, tendo um presidente negro no poder. Então, de novo, não estamos abandonando um paraíso e ingressando no inferno.
BBC Brasil – O dicionário Oxford escolheu “pós-verdade” como palavra do ano de 2016. A definição é “circunstâncias em que os fatos objetivos têm menos influência sobre a opinião pública do que apelos à emoção e a crenças pessoais”. O conceito é de que a verdade perdeu o valor, e acreditamos não nos fatos, mas no que queremos acreditar que é verdade. Qual sua avaliação sobre essa “nova era” e novo comportamento, que acaba reforçado pelas redes sociais?
Karnal – Sempre fomos estruturalmente mentirosos em todos os campos humanos. A mudança é que antes se mentia e se sabia a diferença entre mentira e verdade, hoje este campo foi esgarçado. O problema talvez seja de critério. Com a ascensão absoluta do indivíduo, o que ele considerar verdade será para ele.
Perdemos um pouco da sociologia da verdade, ou de um critério mais amplo de validação do verdadeiro. No século 18 era o Iluminismo: o método racional que tornava algo aceito como verdade. No 19, foi a ciência e o método empírico para distinguir falso de verdadeiro.
Hoje o critério é a vontade individual. “A água ferve a 100 graus centígrados ao nível do mar”. Verdade? A resposta seria diferente no (século) 19 e hoje.
Acompanhe o Blog Carlos Santos pelo Twitter clicando AQUI.
“O conservantismo, o irrealismo, o personalismo e a corrupção são defeitos da minoria e deles resultam as insuficiências populares. A arte de furtar é nobre e antiga, praticada pelas minorias e não pelo povo. O povo não rouba é roubado (…) A estrutura social rígida constitui também um sério obstáculo porque não só impede a emergência de novos valores na sociedade, como mantém o sistema de privilégios na distribuição da riqueza e da renda.”
E mais: “Os privilégios enfraquecem os incentivos à atividade econômica e não se refletem no índice de formação liquida de capital, mas nos padrões extravagantes de consumo conspícuo nas altas camadas da sociedade, em face das desumanas condições de vida dos grandes grupos sociais modestos. Estes padrões, por mais contraditórios que pareçam o desenvolvimento e o consumo conspícuo, são aplaudidos pelos cronistas sociais, que possuem largas colunas nos principais orgãos de imprensa, avidamente lidas não só por aqueles grupos sociais, mas pelas classes médias, sempre ambicionado o gozo dos mesmos privilégios e padrões.”
Conciliação e Reforma no Brasil; RODRIGUES, José Honório. págs 119 e 210.
João Bosco Souto (Bosquinho) – Webleitor
Nota do Blog – Sua cultura e inteligência, além de visão social aprofundada, sempre ajudam sobremodo em nosso debate aqui no Blog, meu caro. Escreva mais, fomente mais o debate.
Sobre o autor, um dos nossos maiores intelectuais, acadêmico, sou especialmente afeiçoado por seu trabalho no encalço da verdadeira história do Brasil.