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A corrida para o cinza

Por Honório de Medeiros

Foto do próprio autor da crônica
Foto do próprio autor da crônica

O sertanejo nordestino raiz não é muito chegado a que lhe peçam favores. Faz parte de sua cultura que cada um cuide de si, pois Deus cuida de todos.

Entretanto, gosta de ser solidário sem que lhe peçam, pois tal gesto nasce de uma decisão sua, depois de ponderação cuidadosa, na qual o passado do vivente é muito levado em conta.

É claro que isso está desaparecendo na torrente destrambelhada dos tempos:  o rio da vida e suas correntezas estão sendo amoldados pelo chicote castrador das modernidades tecnológicas, que desfaz o que tem substância, transformando-o em farinha rala.

Então é essa corrida para o cinza, onde tudo é igual, e quando aparece um vermelho, amarelo ou verde, com seus matizes, um avalanche de insipidez os desmancha e as cores vivas e belas desaparecem lentamente para que tudo afunde em ordem sem progresso.

Tudo isso me veio à cabeça dia desses, quando de visita ao Serrame do Sertão do Norte de Baixo, mais precisamente na Serra do Camará, lá no Sítio Feijão, quando de uma conversa desapegada, tipo miolo-de-quartinha, que rebentam em qualquer calçada onde tenha mais de um desocupado.

Pois Seu Antônio de Luzia saiu com uma daquelas que até os sabiás cantores,  dos cajueiros que ficam defronte, espiando a conversa, emudeceram. Não é exagero, não. Pode até ser que eles tenham calado o bico espantadas por seu Antônio ter falado.

Ele começou uma das suas raras conversas, no fim da tarde, quase na hora coalhada, dizendo assim: “Outrora…” Todo mundo parou para escutar, mas eu notei que João de Cota ficou mais cismarento que os outros.

Depois do dito, quando saímos caminhando no rumo das ventas, que é como chamamos esse descambo para o centro, João de Cota me perguntou: “Homem de Deus, o que danado é esse ‘outrora'” que Seu Antônio falou?

Fiquei macambúzio um pedaço. Como dizer para ele que essa palavra, mais que uma palavra, é uma era que estava desaparecendo?

Uma era encoivarada por uma atualidade despida daquela magia que as coisas arcaicas possuem e exalam, como uma água-de-cheiro antiga, uma toada de viola perdida no ontem, o sabor de uma comida da nossa meninice, preparada na banha de porco, que se foi sem deixar rastro, o sorriso gaiato de uma bela mocinha que passa para a missa dominical sustentando um olhar e um meio sorriso a dizer tudo, sem prometer coisa alguma?

É difícil. Muito. Sei que respondi secamente: é o mesmo que “antigamente”, ele até se assustou, e não é do meu feitio, mas eu estava mentindo, pois não era somente isso.

Tanto não era tal qual, que amanhã, um por de sol nunca vai ser igual àquele que eu via naquele instante, enquanto caminhava na roça, os sabiás cantando, a noite se indo, enquanto e uma ou outra estrela despontava, ainda tímida, e nos fazia companhia, a zombar de nossa ignorância…

Ô Deus, que saudade.

Honório de Medeiros é professor, escritor e ex-secretário da Prefeitura de Natal e do Governo do RN

Perdidos do Brasil

Após cerca de um ano e 4 meses de pandemia no país, com medidas universais de prevenção consagradas (uso de máscara, distanciamento social e álcool gel), ainda tem quem seja insubordinado a essas orientações e normas.

Do zé-ninguém ao dotô!

Um, por ignorância;

O outro por estupidez.

Ambos, vítimas em potencial e fortes vetores do vírus.

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Dois analfabetos ignorantes

Por François Silvestre

Bolsonaro e seu Raimundo Cocada. Bolsonaro nunca leu um livro, não sabe o que é filosofia, nem teologia. Duvida dos movimentos dos astros e não acredita que o homem foi à lua. Eleito, não sabe sair da campanha e mantém o país em pastoril permanente; ele numa barraca, a do Azul, arrematando num leilão maluco e provocando a outra barraca, a do Encarnado, que incompetentemente aceita o jogo bruto.

Seu Raimundo Cocada também nunca pegou num livro. Não acredita que o homem foi à lua, nem que a terra gira. “Tudo mentira. Se a terra rodasse, eu acordava cedinho e pegava café barato quando São Paulo passasse puraqui”. E ainda completa, “A lua né grande não. É do tamãe duma arupemba“.

Ele é um dos últimos, se não o último, que ainda carrega água para casa num jumentinho com ancoretas. Vai todo dia à cacimba, na fonte da Marizeira.

Analfabeto e ignorante, igualmente ao presidente do Brasil. Mas há um adjetivo dessa ignorância aboletado em Bolsonaro, que não habita em seu Raimundo.

Seu Raimundo não é irresponsável. Ele torce por sua barraca, no pastoril da Padroeira. Briga, arremata, desfaz dos torcedores da outra barraca, mas passada a festa, a amizade volta, o convívio normal.

Durante a festa, nem se falam.

Quando informaram a ele sobre essa epidemia, ele passou a levar para a cacimba um pedaço de sabão. Antes de abastecer as ancoretas ele lava as mãos com sabão. quando chega em casa, repete o gesto. E ainda obriga todos da casa a fazerem o mesmo, após acordarem.

Seu Raimundo é analfabeto e ignorante, mas, diferentemente de Bolsonaro, não é irresponsável.

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Ejaculação no gozo alheio

Por François Silvestre

Bolsonaro disse que não vai retaliar os Estados Unidos. E o Brasil teria cacife pra isso? Só sendo. Nem o Brasil tem estatura para retaliar ninguém nem o presidente do Brasil tem autoridade para tanto.

A relação do presidente do Brasil com o presidente americano é de vassalagem lagarteante. Réptil. Do nível da continência e do “I love you”.

Agora sai uma avaliação de que nosso nível educacional fica próximo de Angola, com ligeira vantagem para o país africano. Esperar o quê?

O presidente da Funarte, cujo nome não sei, declarou-se terraplanista. O nome bonito para apelidar imbecis notórios. Ele desse que a Terra não é esférica, mas plana. E essa chapada terrestre sustenta-se em quê? Nas costas de Hércules, em torno da qual gira todo o Universo.

A Terra, não sei. Mas o Brasil é uma planitude de estupidez. Um governo estúpido de plano e uma oposição fanatizada em torno de um ídolo.

Cada lado com o seu Hércules. E o povo ejaculando no gozo alheio.

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