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Prefeita sofre ataque de injúria racial e ameaça de morte

Print de uma das postagens do agressor (a) anônimo (Reprodução do BCS)
Print de uma das postagens do agressor (a) anônimo (Reprodução do BCS)

Agressões verbais, injúria racial e ameaça de morte. Em síntese, é o isso que a prefeita de Parnamirim, Raimunda Nilda da Silva Cruz (Solidariedade), a “Professora Nilda”, enfrenta com postagens virulentas despejadas diretamente em seu endereço pessoal no aplicativo WhatsApp.

O assunto veio à tona nesta segunda-feira (28).

Como reação, a prefeita que está no início do seu primeiro mandato, passou a andar com escolta armada.

Paralelamente, foi formalizado Boletim de Ocorrência e os fatos comunicados à Secretaria de Estado da Segurança e da Defesa Social (SESED).

Nas mensagens que foram se acumulando nas últimas semanas, ela é tratada como “macaca gorda e esquisita”, além de ser alertada que será assassinada “dentro de dez dias.”

“Eu vou te matar e vou sair pela porta da frente como se nada tivesse acontecido. Não vou dizer o dia nem a hora, mas dentro de 10 dias você vai morrer, sua macaca gorda e esquisita!!!”, vomita uma das mensagens.

Em vídeo gravado em suas redes sociais, o ex-deputado estadual e atual secretário de Planejamento de Parnamirim, Kelps Lima (Solidariedade), falou de sua perplexidade diante do quadro. Em sua ótica, a vitória de uma mulher vinda de origem tão humilde e com identificação popular, ainda não é digerida por setores doentios da política.

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Crime de injúria racial

Por Odemirton Filho 

De vez em quando são divulgados casos da prática do crime de injúria racial. Os fatos acontecem, principalmente, em estádios de futebol. Contudo, existem casos ocorrendo aqui e ali.

Um crime, diga-se, repugnante. A atitude de algumas pessoas beira a incivilidade, pois viver em sociedade requer respeito aos semelhantes, em qualquer nível social e econômico.  csm_Policia_indicia_ex-professor_de_Maceio_por_injuria_racial__perseguicao_e_ameaca_9b89463217 Diz o Código Penal que a injúria racial consiste na utilização de elementos referentes a raça, cor, etnia, religião, origem ou a condição de pessoa idosa ou portadora de deficiência, com pena de reclusão de um a três anos e multa.

Sobre o tema, o professor Silvio de Almeida diz que “o racismo é uma decorrência da própria estrutura social, ou seja, do modo com que se constituem as relações políticas, econômicas, jurídicas e até familiares, não sendo uma patologia social e nem um desarranjo institucional”.

Aliás, o crime de injúria racial é espécie do gênero racismo. Portanto, é imprescritível, conforme o artigo 5º, XLII, da Constituição. Esse foi o entendimento firmado no dia 28 de outubro de 2021 pelo Plenário do Supremo Tribunal Federal (STF).

Cabe fazer a distinção entre o crime de racismo, previsto na Lei n. 7.716/89, e o crime de injúria racial, disciplinado no Art. 140. § 3º, do Código Penal.

O crime de racismo consiste em praticar, induzir ou incitar a discriminação ou preconceito de raça, cor, etnia, religião ou procedência nacional (Art. 20). O objetivo é segregar a pessoa ou grupo de pessoas. Protege-se a igualdade. Por outro lado, no crime de injúria racial, o bem jurídico tutelado é a honra subjetiva do ofendido.

Pois bem. O pior é que não estamos vendo essa irracionalidade somente em jogos de futebol.  Tornou-se comum. Algumas pessoas praticam o crime de injúria racial como se fosse a coisa mais natural do mundo.

É claro que a prática do crime de injúria racial sempre existiu. Não é de hoje, nem de ontem, pois é da índole de cada um. Mas, quem assim agir, que seja devidamente punido, e que a sanção tenha efeito pedagógico para sociedade.

Portanto, de acordo com o julgamento do STF que firmou a imprescritibilidade do crime de injúria racial, “depreende-se das normas do texto constitucional, de compromissos internacionais e de julgados do Supremo Tribunal Federal o reconhecimento objetivo do racismo estrutural como dado da realidade brasileira ainda a ser superado por meio da soma de esforços do Poder Público e de todo o conjunto da sociedade”.

Odemirton Filho é bacharel em Direito e oficial de Justiça

Pai denuncia injúria racial contra filho em Jogos Escolares do RN

Numa disputa dos Jogos Escolares do RN (JERNs), nessa segunda-feira (27), no Ginásio Poliesportivo Engenheiro Pedro Ciarlini Neto, em Mossoró, um dos atletas foi xingado com expressões que caracterizam injúria racial. A denúncia é feita por seu pai,

Em suas redes sociais, ele postou vídeo em que aparecem o jogo de basquete em andamento, enquanto torcedores adversários rosnam agressões como a palavra “macaco” e produzem sons uníssonos, como se imitassem o guinchar de primatas.

“Infelizmente, meu menino hoje sofreu um ato repugnante de racismo (sic)”, postou Jamerson. “Vamos atrás de justiça e todas as medidas cabíveis e por dentro da lei do Brasil que é totalmente falha. Vamos atrás de justiça. Boletim de Ocorrência (BO) já foi feito”, desabafou.

“Na hora meu filho sentiu muito, agora tá um pouco melhor”, adiantou.

Nota do Canal BCS (Blog Carlos Santos) – Comportamento desses agressores é reflexo do que ouvem e veem em casa. Falta reprimenda à altura. Educação é em casa que se dá. Ou não. A escola tem o dever do ensino formal. Não o contrário. Como dizia minha santa mãezinha: “uso de casa vai à praça.”

*Preservamos nome do rapaz e colégio por zelo à sua imagem.

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Justiça exclui Grêmio de competição por atitudes racistas

Do portal UOL Esporte

O Grêmio está fora da Copa do Brasil. O time gaúcho foi excluído do torneio nesta quarta-feira (03), em sessão da 3ª Comissão Disciplinar do STJD (Superior Tribunal de Justiça Desportiva), por causa de ofensas racistas proferidas por torcedores contra o goleiro Aranha, titular do Santos, em partida válida pelas oitavas de final da competição nacional.

O clube ainda recebeu uma multa de R$ 50 mil, e as pessoas que foram identificadas xingando o jogador foram proibidas de entrar em estádios por 720 dias.

O árbitro Wilton Pereira Sampaio (Fifa-GO) foi multado em R$ 800 e suspenso por 45 dias por não relatar o incidente na súmula, e os auxiliares também foram punidos por esse motivo (multa de R$ 500 e suspensão de um mês).

A diretoria do Grêmio já decidiu recorrer da decisão, que agora será levada ao pleno do STJD.

Ao UOL Esporte, um representante do clube gaúcho disse que não acredita que a punição seja mantida na instância superior.

Veja matéria completa clicando AQUI.

 

Torcedora que manifestou atitude racista tem casa apedrejada

Do jornal O Globo

Patrícia Moreira, a moça que foi flagrada chamando o goleiro Aranha de ‘macaco’ na partida entre Grêmio e Santos, pela Copa do Brasil, na última quinta-feira, deixou a casa onde mora, em Porto Alegre. Com a casa vazia, um vizinho apedrejou uma janela, o que indignou os outros moradores.

Patrícia, a plenos pulmões, cometeu injúria racial durante jogo (Foto: reprodução)

Proprietário de um mercado ao lado da casa da jovem, Márcio Traslatti, de 49 anos, relata que a conhece desde que ela era bebê. Ex-árbitro de futebol, ele presenciou a pedrada e acredita que Patrícia errou e deve se justificar. Porém, entende que a gremista foi no embalo do estádio e pediu calma:

– Ela entrou no clima de todo mundo e gritou, no embalo. Tenho certeza absoluta que ela não é racista, mas errou, sim.

Amigo de infância de Patrícia, Misael Chaves, que é negro, garantiu ao portal ‘Zero Hora’ que ela nunca teve atitudes racistas com ele.

– Nos criamos juntos e nunca sofri um ato de racismo da parte dela, bem como nenhum familiar meu. Hoje existe uma onda com relação ao racismo. Eu, enquanto pessoa negra, não me ofendi pela situação – afirmou.

Afilhado dos pais da jovem, José Luís Assunção se manifestou em nome da família. Ele lamentou as reações violentas contra ela, principalmente nas redes sociais.

– Foi uma cena lamentável. Ela é educada com as pessoas e nunca teve problemas aqui, acho que foi empolgação. Em nome da família, quero que ela peça perdão e seja perdoada. Vejo os comentários, muita gente fala em bater, apedrejar. Uma atitude não justifica a outra – disse.

Delegacia

Investigadores da 4ª Delegacia de Polícia de Porto Alegre foram até a residência da jovem, mas não a encontraram. Os policiais ainda farão uma nova investida e esperam que ela se apresente para depor na próxima semana.

– Ela deve ter se recolhido com familiares e provavelmente vai aparecer com advogado. Ela não está foragida, nada disso. Apenas envolvida numa suspeita de praticar um crime de injúria racial. Não acreditamos que possa fugir. Ela vai aparecer – diz o responsável pela investigação, Lindomar Souza.

Segundo ele, o Grêmio está colaborando muito com a investigação da Polícia Civil, que já tem as imagens e busca identificar outros suspeitos. Além de Patrícia, outros gremistas também foram mostrados imitando gestos e sons de macaco. Cinco deles foram identificados pelo Grêmio, e dois suspensos do Quadro Social, incluindo Patrícia, que também foi afastada do emprego. Ela era auxiliar de um centro odontológico da Brigada Militar, em Porto Alegre.