Capa do livro de João Almino (Foto: do autor da crônica)
É um deleite “As cinco estações do amor” do conterrâneo João Almino. Domingo desacelerado, não tenho pressa também à leitura. Nem poderia.
Em casa, em Mossoró, testemunho a neblina fugaz e extemporânea desse quase setembro que zomba, lá fora, do perpétuo verão. Inverno? Não. Talvez apenas um flerte com a estação que se foi, nosso “tempo bom” sertanejo.
No livro, sigo os passos de Ana, parágrafo a parágrafo. Não sei o que me espera adiante. Mas gosto da companhia e do que começa a ser descortinado por ela.
“Sem que eu percebesse, o tempo tornou-se um bem raro e fez sumir a disponibilidade que toda amizade exige.”
João Almino na ACJUS fala com acadêmicos e convidados (Foto: Bruno Ernesto)
No último dia 11 de agosto de 2025, a Academia de Ciências Jurídicas e Sociais de Mossoró (ACJUS), recebeu em sua sede, Palácio Cultural Acadêmico Milton Marques de Medeiros, o mossoroense, acadêmico e imortal João Almino, único potiguar a integrar a Academia Brasileira de Letras (ABL), eleito em 8 de março de 2017, na sucessão de Ivo Pitanguy na Cadeira nº 22, e empossado em 28 de julho de 2017, da prestigiada academia literária fundada em 26 de julho de 1897, e presidida por Machado de Assis.
João Almino traduz e é a prova maior de que Mossoró é um berço profícuo da cultura e que tem alcance para muito além de suas fronteiras.
A simplicidade de João Almino pode ser constatada em sua trajetória de vida, marcada pelas suas vívidas lembranças de uma Mossoró que lhe acolheu aquela criança nos primeiros anos de vida até, literalmente, ganhar o mundo como diplomata.
Sua mente e criatividade literária, aliada à sua sensibilidade como um observador atento do cotidiano e das transformações sociais e interrelacionais, refletem prodigiosamente em suas obras literárias, como nos romances “As cinco estações do amor”, “Samba-Enredo”, “Homem de papel”, “Cidade livre”, “Enigmas da primavera”, “Ideias para onde passar o fim do mundo”, “Entre facas, algodão” e “O Livro das Emoções”.
Além para esse olhar literário, suas obras não-ficcionais também demonstram que o seu olhar técnico como diplomata enxerga muito além da crítica comum, como nas obras “Os Democratas Autoritários”, “A Idade do Presente”, “500 anos de Utopia” e tantas outras.
Ao contrário daqueles encontros mais formais ou ritualísticos, sua passagem por Mossoró, segundo ele próprio registrou, foi um reencontro com o seu passado, com os personagens reais que marcaram sua primeira fase de vida e, visivelmente emocionado, detalhou sua trajetória e o orgulho de ser mossoroense, demonstrando como a força de vontade e, sobretudo, uma mente brilhante e criativa, o fez trilhar um caminho sempre amparado na literatura.
Foi interessante constatar que suas memórias de infância e juventude nas ruas de Mossoró, assim como nos sítios da família, em muito se assemelha a outras tantas, como nos episódios de livramento que teve, ao quase sofrer de um choque elétrico fatal ao brincar; ao quase ser arremessado cerca a fora pela freada do cavalo em disparada, e ao ser salvo pela irmã de um atropelamento – certamente fatal – quando partiu em disparada bem em frente à sua casa. A diferença, talvez, seja que ele consiga contar esses episódios com vontade de repeti-los.
Sua passagem por Mossoró essa semana também foi marcada ao ser homenageado na vigésima edição da Feira do Livro de Mossoró, onde participou de uma sessão de autógrafos e uma conversa literária com os leitores.
Almino testemunha foto sua sendo fixada em mural da ACJUS (Foto: Bruno Ernesto)
Aliás, em sua recepção na sede da Academia de Ciência Jurídicas e Sociais de Mossoró, registrou que foi com um prêmio literário – o seu primeiro -, que conseguiu as passagens para poder ir ao Rio de Janeiro e prosseguir com a sua formação acadêmica, graduando-se em Direito pela Universidade do Estado do Rio de Janeiro, mestrado em sociologia pela UnB, doutorado em História Comparada das Civilizações Contemporâneas pela École des Hautes Etudes en Sciences Sociales de Paris e pós-doutorado no Centro de Estudos Avançados da USP, além de ter sido agraciado com a Medalha de Ouro do Rio Branco, após ter sido aprovado em primeira colocação no Curso de Preparação à Carreira Diplomática do Instituto Rio Branco, o qual dirigiu posteriormente.
Numa conversa franca e direta, portanto, João Almino fez questão de registrar que valoriza todas as instituições de promoção e preservação da cultura e da literatura, pois são o contraponto e o elo entre quem produz e quem vive a cultura, e que é importante manter viva e a veia cultural pulsante de todas as formas possíveis.
De fato, João Almino é um exemplo para todos que ainda acreditam que a cultura, arte e, sobretudo, a literatura, ainda vivem, e que é necessário resistir para ser cada vez mais valorizada.
É interessante notar, todavia, que poucos veículos de comunicação registraram a passagem histórica de João Almino por Mossoró essa semana. Não por onde, isso reflete e faz constatar que a pauta literária e cultural vem perdendo espaço para outras menos proveitosas, embora resista.
Aliás, se não fosse a criatividade literária, que nos permite essa fuga da realidade controlada, se assim podemos dizer, a vida – bem ou mal – seria menos interessante para todos nós e, talvez, o narrador de “O Empréstimo”, conto do Bruxo do Cosme Velho, tivesse razão, ao dizer que podemos elogiá-la à vontade: está morta.
A Feira do Livro de Mossoró será palco, na quinta-feira (14), às 19h30, do lançamento de “Só sei que foi assim: a trama do preconceito contra o povo do Nordeste”, de Octávio Santiago, publicado pela Autêntica no final de maio. A programação inclui um bate-papo sobre o tema com os jornalistas Rilder Medeiros e João Paulo Cirilo.
A obra investiga as raízes históricas e culturais que sustentam o preconceito contra nordestinos, analisando como narrativas e estereótipos se formaram e continuam a moldar o olhar do Brasil sobre a região. Lançado em São Paulo, durante a Feira do Livro, o trabalho ganhou repercussão nacional e esgotou sua primeira tiragem em apenas 29 dias. Nas três primeiras semanas, também figurou entre os mais vendidos da Amazon.
O encontro em Mossoró promete aprofundar o debate e abrir espaço para reflexões sobre identidade, memória e resistência cultural no Nordeste. O autor mossoroense João Almino escreveu a orelha do livro.
Sobre o autor
Octávio Santiago é jornalista e doutor em Ciências da Comunicação. Pesquisador nas áreas de estereótipos, identidade e pertencimento, é servidor de carreira da Assembleia Legislativa do Rio Grande do Norte e membro efetivo do Instituto Histórico e Geográfico do RN (IHGRN). É autor de “Só sei que foi assim: a trama do preconceito contra o povo do Nordeste” e de “Coisa fraca no sal não prospera” (escribas).
Almino é mossoroense e membro da Academia Brasileira de Letras (Foto: Rede social)
A Academia de Ciências Jurídicas e Sociais de Mossoró (ACJUS) recepciona o seu sócio honorário João Almino nesta segunda-feira (11), às 20h30, no Palácio Cultural Acadêmico Milton Marques de Medeiros. Ele será homenageado pela casa. A visita representa um marco histórico para a entidade.
Ocupante da cadeira 22 da Academia Brasileira de Letras (ABL), nascido em Mossoró, João Almino está na cidade também para participar da Feira do Livro de Mossoró (FLIM), que acontece no Campus Central da Universidade do Estado do RN (UERN) – veja AQUI, participando de sua abertura nesta tarde de segunda-feira.
Perfil
João Almino, escritor e diplomata brasileiro, nasceu em Mossoró, no Rio Grande do Norte, em 1950. Ele é membro da Academia Brasileira de Letras e autor de vários romances premiados, além de escritos de história e filosofia política reconhecidos como referência para o estudo do autoritarismo e da democracia.
Ideias para Onde Passar o Fim do Mundo, Samba-Enredo, As Cinco Estações do Amor, O Livro das Emoções, Cidade Livre e Homem de Papel são alguns dos seus romances. Mas existem incursões a outros gêneros com ensaios como Os Democratas Autoritários, Era uma Vez uma Constituinte e 500 Anos de Utopia.
Academia e diplomacia
Almino tem uma formação acadêmica sólida, com bacharelado em direito pela Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ), mestrado em sociologia pela Universidade de Brasília (UnB), doutorado em História Comparada das Civilizações Contemporâneas pela École des Hautes Études en Sciences Sociales de Paris e pós-doutorado na USP.
No campo diplomático, trabalhou em representações brasileiras na França, México, EUA (Washington, Miami, São Francisco), Líbano, Inglaterra, Espanha e é Embaixador do Brasil no Equador. Também lecionou em instituições como UNAM, UnB, Instituto Rio Branco, Berkeley, Stanford e Universidade de Chicago .
Autores participantes na 20ª Edição (Banner de divulgação)
Começa nesta segunda-feira (11) a Feira do Livro de Mossoró (FLIM). Iniciativa chega à sua edição comemorativa de 20 anos e promete movimentar o Campus Central da Universidade do Estado do Rio Grande do Norte (UERN) até a sexta-feira (15).
Serão cinco dias com mais de 12 horas diárias de atividades literárias e culturais, reafirmando o papel da feira como um dos maiores eventos de incentivo à leitura no interior do estado.
Um dos marcos desta edição é o número recorde de escritores confirmados: 75 nomes, com forte presença de autores potiguares.
Neste ano, 35 escolas da região confirmaram presença na feira, número também recorde.
A edição deste ano homenageia o escritor mossoroense João Almino, único potiguar a integrar a Academia Brasileira de Letras (ABL).
Confira a programação completa:
DIA 11/08 (SEGUNDA-FEIRA)
=> Auditório da FASSO – Faculdade de Serviço Social 16h – Cerimônia de abertura Convidado especial: João Almino, escritor e membro da Academia Brasileira de Letras (ABL);
=> Palco das Letras
– Faculdade de Educação 10h –
Contação de histórias com Fernanda Martins
Mesa com escritores potiguares – 19h
Maria Elza Bezerra Cirne – Viúva Machado: A grandeza de uma mulher
João Maria Souza da Silva – E a vida? Um olhar para possibilidades…
Marcos Antônio de Oliveira – Bilhetes misteriosos
Mini-auditório 9h – A poética de Belchior Com Alberto Perdigão e Caio César Muniz
DIA 12/08 (TERÇA-FEIRA)
Palco das Letras 10h – Contação de histórias com Fernanda Martins
18h – Ciência também é vida (EDUERN)
19h – A Noite do Cordel Gustavo Luz Augusto Araújo Robson Renato
Mini-auditório 9h – Conversa com João Almino e Leila Tabosa
No próximo dia 17 de novembro, o escritor mossoroense e diplomata João Almino lançará o seu mais novo livro: “Entre facas, algodão”. O evento acontecerá no Teatro Municipal Dix-huit Rosado.
A noite de autógrafos se somará à homenagem da Academia de Ciências Jurídicas e Sociais de Mossoró (ACJUS) ao escritor, que recentemente foi empossado como novo imortal na Academia Brasileira de Letras (ABL).
Nascido em Mossoró em 1950, Almino foi diretor do Instituto Rio Branco, se formou em direito pela Universidade do Estado do RJ (UERJ) e é mestre em sociologia pela Universidade de Brasília (UNB).
Entre seus livros, podem ser listados “Ideias para onde passar o fim do mundo”, “As cinco estações do amor” e “O livro das emoções” – destaques da crítica.
Foi eleito para a ABL no dia 8 de março deste ano e tomou posse no dia 28 de julho último.
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É hoje (sexta-feira, 28), às 21h, a posse do diplomata e escritor mossoroense João Almino, na Academia Brasileira de Letras (ABL), no Rio de Janeiro-RJ.
Almino: grande momento (Foto: Veja)
A solenidade acontecerá no Petit Trianon, local para as reuniões regulares dos Acadêmicos e para as Sessões Solenes comemorativas e de posse de novos membros da ABL (conheça AQUI).
Ele ocupará a cadeira que anteriormente era de Ivo Pitanguy, a de número 22. A acadêmica Ana Maria Machado fará discurso de recepção ao novo integrante da casa
Livros
Nascido em Mossoró em 1950, Almino foi diretor do Instituto Rio Branco, se formou em direito pela Universidade do Estado do RJ (UERJ) e é mestre em sociologia pela Universidade de Brasília (UNB). Entre seus livros, “Ideias para onde passar o fim do mundo”, “As cinco estações do amor” e “O livro das emoções” são alguns destaques de crítica.
Foi eleito para a ABL no dia 8 de março deste ano.
Uma delegação de amigos e escritores potiguares viajaram ao Rio de Janeiro para prestigiá-lo.
Leia também: Escritor mossoroense chega à Academia Brasileira de Letras AQUI;
Leia também: João Almino e o pulsar das letras, por David Leite AQUI.
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A cidade de Mossoró, no Rio Grande do Norte, tem história. Foi lá, em 1927, que, pela primeira vez, uma mulher votou em eleições brasileiras.
Agora, um filho da terra, João Almino, 67 anos, diplomata e escritor, que experimentou segunda-feira (5) o seu fardão, com o alfaiate Diógenes, foi eleito para integrar a Academia Brasileira de Letras.
João Almino e o alfaiate Diógenes: emoção com conterrâneos de Mossoró (Foto: Fernando Lemos)
“O que mais me emocionou foi a reação de meus conterrâneos de Mossoró e, muito especialmente, a da minha família”, conta Almino, que toma posse em 28 de julho, da Cadeira 22 da ABL, que pertenceu a Ivo Pitanguy. Radicado em Brasília, ele vai lançar, este ano, seu 7º romance, “Entre facas, algodão”, pela Record.
O livro, como a maioria de sua obra, é ambientada na capital do país e nas cidades do entorno. “É a história de um homem que deixa a família em Taguatinga e vai para o Nordeste em busca de amor e vingança”, explica o cabra arretado.
Aliás, o primeiro livro dele, lançado há 30 anos, “Ideias de onde passar o fim do mundo”, parece atual. E é.
Nota do Blog – Aplauso, aplauso. Ascensão que realmente orgulha o mossoroense, mexe com nosso sentimento nativista, aviva nossa auto-estima.
Nem tudo é perdido ou está perdido por essas plagas.
Leia também: João Almino e o pulsar das letrasAQUI.
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Novembro de 2015. Lá estávamos numa sala de apoio da Feira do Livro de Mossoró: João Almino, Jotta Paiva e eu. Jornalista, Jotta Paiva tinha o objetivo preciso de entrevistar João Almino. Enquanto que a minha “obrigação” era a de acertar detalhes para a sequência da “mesa”, que logo se desenrolaria no palco principal do evento, onde Almino seria o protagonista e eu, um mero coordenador.
Naqueles poucos minutos, estava meio complicado avançarmos nas tarefas, pois éramos interrompidos constantemente: primos e amigos de João adentravam à saleta desejosos em abraçá-lo, saudá-lo, ávidos em manifestarem a satisfação do reencontro. Por outro lado, representantes de entidades literárias e culturais também irrompiam reivindicando alteração no roteiro pré-estabelecido, no afã de prestar-lhe homenagens.
Intuitivamente fiquei observando o comportamento de João Almino. Aos parentes e amigos, João esboçava humanísticas reações, ou seja, sem alardes descabidos, contudo extremamente afetuoso, dispensava uma cordialidade que se estendia, na medida do possível, ao esforço de corroborar com as “reconstruções” das lembranças, muitas das quais sacadas dos recôncavos das memórias.
Almino e David Leite na Feira do Livro (Foto: cedida)
Em relação aos representantes das entidades, João delineava concordância quanto às ampliações propostas, porém sempre olhando para mim, como a perguntar se eu, como coordenador, não se opunha. Claro que a minha resposta era de aquiescência.
Seria descabido tolher aquele espectro de euforia que pairava no ar. Afinal de contas, era um filho ilustre que voltava à sua cidade numa condição especialíssima.
Particularmente, até então, não conhecia pessoalmente o nobre conterrâneo. Éramos amigos “virtuais”, vamos assim dizer; e, há tempo, fazíamos o chamado “escambo” de livros.
Enviei-o, por exemplo, nosso livro Cartas de Salamanca (Sarau das Letras, 2011), e recebi dele um agradecimento mais ou menos assim: “David, gostei especialmente desse seu livro, pois tanto fala sobre a Espanha, onde estou servindo como diplomata, como retrata aspectos de nossa Mossoró”.
Ainda estava em Salamanca, nos últimos meses do doutorado, quando João chegou à Espanha, na qualidade de cônsul. Costumava brincar com os colegas: “Estou doido que apareça um problema em meu ‘visto de permanência’ para eu ir ao consulado em Madri. Afinal de contas, seria muito bom um mossoroense ser atendido por outro mossoroense”.
Claro que era da boca pra fora, pois nem augurava o problema e, muito menos, queria importuná-lo.
Mas a vida nos reservou o momento de convergência literária. Significativo momento, diria. Já havia lido outros livros de João, entretanto Enigmas da Primavera (Record, 2015) me propiciou um prazer especial. Ambientado entre Brasília e Espanha, o romance desenrola-se dentro de uma perspectiva jovial, movimentada e calcada em um lastro de bem urdidas abordagens histórica e filosófica, num melhor diapasão possível.
Sem pedantismo, a obra nos leva a navegar, avaliar e sopesar sentimentos religiosos e políticos, que se tangem, na maioria das vezes, de forma equivocada. Naquela tarde-noite, tive oportunidade de entabular perguntas sobre o referido livro, para que o público pudesse ouvir esclarecedores comentários do próprio autor.
Ao fim e ao cabo, já nos bastidores, João Almino me fez um comentário, deixando-me com uma ponta de vaidade, confesso: “David, depois das perguntas, posso dizer que a sua leitura foi atenta e perspicaz”.
Bem, agora, quando da eleição de João Almino para uma das cadeiras da Academia Brasileira de Letras (ABL), me veio logo a vontade de escrever estas linhas. Por vivermos um momento ímpar: é o primeiro filho de Mossoró a galgar uma cadeira no mais festejado templo das letras brasileiras. Registre-se, o quarto potiguar.
Porém, por um cacoete mnemônico ou bairrista, derivado, talvez, pela aproximação dos nomes, o que não para de ressoar em minha cabeça é uma frase de Almino Afonso, tribuno da Abolição: “Os ventos do deserto prologam ainda estrofes suavíssimas de primor patriótico, repetindo, cem vezes o nome de Mossoró”.
Canhestramente, valho-me da frase de Afonso, para dizer que desta feita é o outro Almino, o João, que reverbera o nome de nosso chão com seu primoroso pulsar das letras. Elevando-o, assim, por inesperadas alturas.
David Leite – Doutor pela Universidade de Salamanca (Espanha) e professor da Universidade do Estado do RN (UERN).
O diplomata e escritor João Almino foi eleito o novo imortal pela Academia Brasileira de Letras (ABL). Por unanimidade, o vencedor vai ocupar a Cadeira 22, antes pertencente ao médico Ivo Pitanguy, que morreu em agosto de 2016.
Almino: escolha na ABL (Foto: Veja)
A votação contou com 23 acadêmicos presentes e 10 por cartas de 37 possíveis votantes. Quem não o escolheu, optou por abster-se.
Natural de Mossoró, no Rio Grande do Norte, Almino foi diretor do Instituto Rio Branco, se formou em direito pela UERJ e mestre em sociologia pela UNB.
O acadêmico elegeu a cidade de Brasília como principal cenário de seus romances mais populares, entre eles Ideias para Onde Passar o Fim do Mundo, As Cinco Estações do Amor e, o mais recente, Enigmas da Primavera.
Também assinou livros de ensaios filosóficos e políticos, como Era uma Vez uma Constituinte e Naturezas Mortas.
Nesta quinta-feira, dia 9, a ABL elege outro imortal, substituto de Ferreira Gullar. O poeta Antonio Cicero segue como favorito, após ficar de fora na primeira votação para escolher quem ocuparia o lugar de Pintaguy.
Na ocasião, nenhum nome alcançou a maioria simples para se eleger.
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