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Sino da vitória

Por Odemirton Filho

Paciente agradece a cura, após tocar sino (Foto: Arquivo do Primeira Página)
Paciente agradece a cura, após tocar sino (Foto: Arquivo do Primeira Página)

Na semana passada, assisti a uma reportagem bastante emocionante, que tocam o nosso coração e a nossa alma. Em um hospital para tratamento de câncer em Cuiabá, salvo engano, ao final do tratamento os pacientes batem um sino, comemorando a remissão.

O ato é de um simbolismo sem igual. Comemora-se a vitória, após um longo e doloroso tratamento. Quem já padeceu desse mal ou acompanhou o sofrimento de uma pessoa querida, sabe o quão é importante agradecer e festejar a recuperação.

Muitas são as batalhas da vida, as quais travamos diuturnamente. Enfrentamos lutas de todos os tipos, num embate sem trégua pela nossa sobrevivência. Cada um de nós tem a sua labuta individual, uns mais, outros menos.

E vencer uma batalha, por vezes desigual, é motivo de regozijo. Quantas pessoas não estão a padecer nos leitos de hospitais ou de suas casas? Muitos venceram, muitos perderam. A ciência, infelizmente, ainda não conseguiu descobrir a cura para o câncer. Há, sem dúvida, investimentos de bilhões em pesquisas, mas, até o momento, não se conseguiu a cura para todos os tipos, embora existam tratamentos.

Entendo as famílias que passam por esse momento delicado da vida, pois há mais de vinte anos perdi um sobrinho quando ele ainda era criança. A nossa família sofreu demasiadamente, foi um dor sem igual, até hoje sentimos o gosto amargo da saudade. Ao ver a vitória de pessoas que lutam contra esse mal, fiquei imensamente feliz.

Certa vez, John Donne (1572 – 1631), um dos maiores poetas da língua inglesa, escreveu:

“Nenhum homem é uma ilha, inteiramente isolado, todo homem é um pedaço de um continente, uma parte de um todo. Se um torrão de terra for levado pelas águas até o mar, a Europa fica diminuída, como se fosse um promontório, como se fosse o solar de teus amigos ou o teu próprio; a morte de qualquer homem me diminui, porque sou parte do gênero humano. E por isso não perguntai: Por quem os sinos dobram; eles dobram por vós”.

Aliás, foi inspirado nesse texto, que Ernest Hemingway, escritor norte-americano, escreveu um dos seus mais famosos romances. Que muitas pessoas possam continuar batendo o sino da vitória. Afinal, a vitória de um é a vitória de todos.

Odemirton Filho é colaborador do Blog Carlos Santos

Uma disputa idiota

Por François Silvestre

“A morte de qualquer homem me diminui porque faço parte do gênero humano, por isso não perguntes por quem os sinos dobram. Eles dobram por ti”. Foi deste verso de John Donne que Hemingway retirou o título do seu famoso romance, celebrizado pelo filme de Sam Wood.

O país está tão idiotizado que há disputa até sobre qual morte merece mais repúdio. Uns, de um lado, cobram dos outros, do outro lado, protesto pela morte dos “seus”. Os mortos não têm lado. Seja policial, militante civil ou pessoa do povo.

Nem os bandidos merecem o assassinato. Por piores que sejam. Não há pena de morte legal, por que então se defende a pena de morte ilegal?

Quando um policial é assassinado e não se sabe quem o matou, nem há inquérito elucidativo, é o próprio Estado, pelos seus órgãos de controle e repressão, o assassino.

Quando uma pessoa do povo é morta e não se sabe quem a matou, o Estado não é o assassino, mas é cúmplice.

Cumplicidade da ação omissiva.

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