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O descanso de Deífilo Gurgel

O corpo do folclorista Deífilo Gurgel foi velado e sepultado no Cemitério Morada da Paz, em Emáus, hoje. Após longo período de internamento hospitalar, ele faleceu nesta segunda-feira  (6).

“Professor universitário, folclorista, poeta e escritor, Deífilo Gurgel nos legou vasta obra literária sobre os diversos movimentos da cultura popular norte-rio-grandense. A sua atividade intelectual sempre foi pautada pela simplicidade, sabedoria e integridade”, registra nota do Governo do Estado.

Várias outras instituições públicas e da iniciativa privada, ligadas à cultura, também manifestam-se.

Nota do Blog – Que Deífilo Gurgel descanse em paz.

Lembro que há alguns anos, ele me deu a honra de uma generosidade sem tamanho: apresentá-lo e ao seu livro “Areia Branca – A Terra e a Gente”, em sua terra natal: Areia Branca.

Ficamos instantaneamente amigos. Eu, por admiração. Ele, por generosidade.

Convite especial de um escritor mundialmente desconhecido

"Só Rindo 2", hoje no La Tavola

Natal, aguardo-a a partir das 19h de hoje no restaurante La Tavola (Rua Rodrigues Alves, 44, Petrópolis).

Lanço o meu segundo livro. É o “Só Rindo 2 – A política do bom humor do palanque aos bastidores”.

O prefácio é do reitor da Universidade do Estado do Rio Grande do Norte (UERN), professor Milton Marques. O professor, escritor e ex-secretário do Estado do RN e da Prefeitura do Natal, Honório de Medeiros, faz a apresentação. As editoras Herzog e Sarau das Letras são responsávaeis pela edição.

O projeto gráfico de Augusto Paiva, ilustrações de Túlio Ratto, fina impressão da Gráfica Expressão de Fortaleza (CE), este livro tem 160 histórias hilariantes que revelam o “lado B” dos políticos e aquelas figuras que gravitam em torno do poder.

A coletânea tem acontecimentos atemporais que envolvem personalidades conhecidas do universo político potiguar, em tiradas inteligentes, micos etc.

Espero um número incalculável de meia dúzia de pessoas por lá. Não falte. Precisamos fazer número.

Afinal de contas, um escritor mundialmente desconhecido como eu não pode perder a chance de “vitimá-lo” com o Só Rindo 2.

Até mais tarde.

Veja AQUI reportagem do Nominuto.com sobre o lançamento.

Ao filho querido; vivo para ser amado

Convite oficial de lançamento do "Só Rindo 2" nos jardins da TCM nesta terça-feira, 21

É hoje, amigo internauta, o lançamento do livro “Só Rindo 2 – A política do bom humor do palanque aos bastidores”.  Será a partir das 19h30 nos jardins da TV Cabo Mossoró (TCM), em Mossoró.

O jornalista Givanildo Silva – amigo-irmão – será o cerimonialista, despido de maiores formalidades. O reitor da Universidade do Estado do RN (UERN), professor Milton Marques, fará a apresentação, naquele diapasão sereno de seu estilo.

Nosso encontro promete ser leve, em ambiente enxuto, como uma confraria à esquina de casa. Ah! não precisa levar cantil, encomendar uma quartinha, empunhar garrafinha com água mineral ou portar saco com gelo! Ninguém vai morrer desidratado: água e refrigerante serão fartos.

O livro é um trabalho que reúne 160 histórias ambientadas no universo político do Rio Grande do Norte, em especial.

Nele não há interesse no escárnio, não se busca o enxovalhamento da imagem de políticos, seus asseclas e anônimos e, sim, documentar o inusitado e pitoresco. É isso que procuro apresentar, ao assiná-lo.

O convite formal, por escrito, entregue solenemente em mãos, ficou a cargo de uma das editoras responsáveis pela edição, a “Sarau das Letras”, parceira do meu selo próprio – a “Editora Herzog”. Entretanto como é comum a quase toda produção do gênero, chegou “em cima da hora”, impedindo distribuição mínima.

Tudo bem.

A grande maioria dos meus convidados não tem rosto, não conheço pessoalmente; falta-me a intimidade da prosa à calçada, nem sei endereço físico. Se é gordo, magro; baixo, alto. Evangélico, cristão, islâmico, agnóstico…

São médicos, advogados, jornalistas, professores, comerciantes, empresários, engenheiros, políticos. Mas são também taxistas, frentistas, policiais, estudantes, donas-de-casa, engraxates, comerciários, desempregados etc.

É um mosaico humano, gente de todos os matizes, que ao longo dos últimos anos foi se reunindo por aqui, transformando esta página numa “ágora” grega, num fórum de debates.

Convidá-los um a um, impossível. Humanamente, impossível.

Quem não estiver presente, não estará ausente.

É! Meu novo filho nasceu. Outros virão. Cada um, em papel ou carne e osso, é único. Querido! Incensado. Com história própria. Título e subtítulo; nome e sobrenome. Feito em partilha, vivo para ser amado.

A paternidade responsável tem ônus e bônus. Topei fazer para me realizar sendo. Só isso.

Que belo dia para dizer “muito obrigado”.

Até mais tarde!

A “metrópole” do livro “no metro” e seus valores fúteis

 

Por Carlos Santos

Como são estúpidos os parâmetros que o grosso da sociedade mossoroense tem adotado, para dimensionar sua ascensão social. Tudo baseado na superficialidade e babaquice do “parece ter”.

Estamos medindo esse novo status nos prédios que sobem, nos milhares de carros que invadem ruas, avenidas e ocupam até calçadas. Naqueles que muitas vezes para subir, precisam descer aos subterrâneos.

Ontem eu tive mais um testemunho do atraso e da distância em que nos encontramos, da inversão de valores e confusão em que nos metemos, em nome do hipotético progresso.

Fuçando livros em um sebo, seu proprietário me fez um relato que fica entre o bizarro e o jocoso. Vamos a ele.

Há algum tempo, esse sebista foi procurado por uma “nova rica”, interessada em comprar “um metro de livro”. Isso mesmo. Não era um título específico, coleção ou tomo de encadernamento especial. Tinha que ser no metro, sim.

Explico, reproduzindo o que ouvi: a deslumbrada precisava preencher um espaço em estante desenhada por sua arquiteta, sendo recomendada a colocar livros com a mesma dimensão estética. O espaço disponível pro “enfeite”? Um metro. Um metro de livros simetricamente alinhados.

Mossoró, até o início do século passado, vivia a influência europeia do movimento conhecido como “art nouveau” – daí nascendo até a corruptela de sua área de prostituição, transformada em “Alto do Louvor”, décadas depois.

Era uma cidade com requintes em roupas, moveis, arquitetura, mas também na cultura, desde o teatro ao hábito da leitura e música. Tínhamos cerca de 100 pianos. E as moças bem educadas tocavam. Eles não serviam apenas de ornamento na decoração.

Falar francês era normal para os jovens de ótima extração. Muitos eram poliglotas. Os janotas transitavam sempre impecáveis e ser rico, em verdade, era transformar dinheiro em bem-estar e referência de conteúdo.

Hoje testemunhamos a “Metrópole do Futuro” exultante com seu “crescimento” baseado em carrões pra exibição, TV de LCD e home-theater na sala do apartamento, gente mal-educada saracoteando ao som de “lapada na rachada” e enchendo  sacolas com bugigangas de grife.

Os que se salvam dessa manada são tratados como estranhos e afetados, ou seja, anormais.

Portanto não é por acaso que da atividade produtiva à política, estejamos “dominados” pela ignorância que mesmo rica, não reluz.  É opaca ou furta-cor, mas certamente abobalhada e fútil.

Empobrecemos, em verdade, porque na ânsia de ser diferente, a grande maioria é apenas mais um  nessa multidão pasteurizada, uniforme, feita em escala industrial: modelo standart. Faz da aparência a sua essência, da borra cosmética a sua alma.

Acredita que Paris é “a cidade luz” por ser muito iluminada; toma Old Parr com Coca-cola, mas preferia um legítimo “Odete”, por ser mais barato.

A propósito, bota uma bicada de Serra Limpa aí, amigo. O sertão é aqui.