8ª Feira do Livro de Mossoró no dia 11 de agosto de 2012, há quase 13 anos, o editor do BCS e Lira Neto (Foto: Arquivo)
O jornalista e escritor cearense, Lira Neto, anunciou neste domingo (23):
“Estou trabalhando no livro que, acredito, será o melhor e mais importante de minha carreira como autor de não ficção. A biografia de Luiz Gonzaga, que já tem contrato assinado com a Companhia das Letras.”
Lira tem mais de dez livros publicados e venceu quatro vezes o Prêmio Jabuti de Literatura (2007, 2010, 2013 e 2014).
Na lista de livros, esses, por exemplo:
Padre Cícero: Poder, Fé e Guerra no Sertão;
Castello: A marcha para a ditadura;
O Inimigo do Rei: Uma biografia de José de Alencar;
Maysa: Só numa multidão de amores;
Trilogia sobre o presidente e ditador Getúlio Vargas;
Oswald de Andrade – O mau selvagem.
Vem à minha memória, uma oportunidade especial de intermediar bate-papo dele com plateia, na 8ª Feira do Livro de Mossoró, dia 11 de agosto de 2012.
Artista é de origem mossoroense (Foto: divulgação)
O cantor, poeta e escritor mossoroense Marcus Lucenna está em sua terra natal e lançará no próximo dia 08 de fevereiro, às 10h no espaço Rustcafé a segunda edição do seu livro “As Aventuras de Marcus Lucenna na Corte do Rei Luiz”, pela editora cearense IMEPH.
A primeira edição da obra esgotou rapidamente e a nova tiragem promete encantar o leitor com novidades em relação à edição anterior que já foi lançada na Bienal do Livro de São Paulo e no Rio de Janeiro durante as comemorações alusivas ao Dia Nacional do Forró e aniversário de Gonzagão (13 de dezembro), na Feira de São Cristóvão.
“O livro retrata a trajetória de alguém que se apaixonou por forró, por isso costuma dizer: ‘A sanfona deu um nó em mim, quando eu ainda era um garotinho, lá na minha Mossoró-RN’. Esse nó que a Sanfona me deu, me fez o Cantador dos Quatro Cantos, um defensor ferrenho da Cultura Nordestina, do Forró, da Literatura de Cordel e da Feira de São Cristóvão. Ao chegar no Rio de Janeiro, tive a sorte e o privilégio de conviver com meus grandes ídolos, como o próprio Luiz Gonzaga, João do Vale, Marinês, Carmélia Alves, Luiz Wanderley, Fagner, Belchior, Ednardo, Jackson do Pandeiro, dentre tantos outros”, relata Marcus.
“É uma obra que descreve a história da música nordestina nos últimos 100 anos, seguindo as peripécias do protagonista em sua jornada épica pela Corte do Rei do Baião, Luiz Gonzaga, durante metade dessa história. Quanto a outra metade, ela é narrada à partir das histórias ouvidas por mim diretamente dos grandes mestres da música nordestina, com os quais convivi”, complementa.
Marcus é cantor, compositor e escritor conhecido por vasta obra na literatura de cordel, tendo também publicado o livro “A sociedade planetária mundo natural e a competitividade fraterna”, pela Editora Europa. Apresentou programas de rádio e TV e assinou colunas em jornais de grande circulação. É cidadão carioca, cidadão fluminense e cidadão exuense, títulos recebidos dessas três casas legislativas pelo seu empenho na defesa da Cultura Nordestina.
Homenagem
O Clube do Vinil Mossoró, organizador do evento, também entregará, na ocasião, a segunda edição da Comenda do Mérito Musical Hermelinda Lopes, instituída no ano passado e já entregue ao músico mossoroense Lázaro Carvalho Batista (AMAB). Marcus fará um bate-papo sobre a sua trajetória artística e sobre a obra.
Diversos cantores que primam ou sempre dão prioridade a um trabalho bem elaborado, ou seja, músicas em que as letra se traduzem em mensagens que falam por nós, externando sentimentos, angústias, paixões, amor, romantismo, injustiça social e conflitos entre as nações, têm recorrido à poesia popular nordestina. Não faltam obras musicando poemas em formas diversas.
Esses cantores/compositores ou só intérpretes, garimpam o que há de melhor na produção poética contextualizado na poesia popular nordestina, para adornarem com músicas e melodias contagiantes, seus poemas irretorquíveis. Com isso, a poética nordestina ganha mais projeção e pode elevar bem mais o nome e imagem de seus verdadeiros autores. Isso tem ocorrido devido a repercussão positiva de suas obras, gravadas por nomes respeitados da nossa música.
Mas, nem tudo são flores. Existem exceções, ocorrem desrespeitos, alguns ‘esquecimentos’ inaceitáveis.
Algumas obras poéticas gravadas por talentosos intérpretes da música brasileira estão aí, fazendo sucesso, sendo eternizadas: “Triste Partida” de Patativa do Assaré, gravada por Luiz Gonzaga, O Rei do Baião; “Vaca estrela e Boi fubá” dentre outras também do filho do Assaré, musicadas por Fagner; “Difícil Demais” dos Nonatos’, é carro chefe de um dos Cds de Flávio José, e na voz do forrozeiro, essa composição tem sido muito bem ouvida pelos que se identificam com o romantismo e apreciam o gênero forró. Ele e outros discípulos do maior ícone da música brasileira, o pernambucano de Exu, Luiz Gonzaga, exaltam essa poética nordestina.
Acrescente-se aqui, que Amado Edilson gravou do norte-rio-grandense de Ouro Branco, Sebastião Dias, recentemente falecido, a “súplica dos ecólogos”, que posteriormente Fagner fez ecoar com o título modificado para “Canção da Floresta”. Essa mudança de título ocorreu em comum acordo entre o autor e o cearense de Orós, o que não aconteceu com Amado Edilson, pois, esse teve que reconhecer a autoria do poema musicado de Sebastião Dias e consequentemente pagar um valor em dinheiro ao autor referente ao direito autoral.
O poema em decassílabos “Mulher nova bonita e carinhosa, faz o homem gemer sem sentir dor,” com autoria de Otacílio Batista (in memoriam), poeta repentista e escritor, tem a coautoria do também saudoso poeta repentista José Gonçalves. Esse introduziu a melodia diferenciada ao trabalho, deixando-a pronta à gravação. No entanto, Zé Ramalho lança mão da referida composição e ‘autoriza’ Amelhinha a gravá-la, sem a permissão dos legítimos autores. Essa situação terminou provocando judicialização, tendo o indesejável imbróglio sido resolvido em acordo proposto no campo judicial.
Alceu Valença, uma das expressões da nossa música, também se utiliza da mesma prática, cantando modalidades do gênero coco de embolada, em suas apresentações, deixando transparecer que essas modalidades são de domínio público, mas sem apresentar provas contundentes para tal, enquanto os coquistas (emboladores coco) insistem na tese de que são os legítimos autores das referidas obras.
E assim, a “banda vai passando” e muitos se dando bem nas costas dos magistrais artistas e poetas populares, que produzem pérolas transformadas em músicas de melhor qualidade.
Apesar do exposto, vemos como positiva para os nossos poetas e compositores populares, a boa repercussão dos seus trabalhos gravados pelas grandes referências da música brasileira. O que se faz necessário, e com urgência, é que esses que estão em maiores patamares artísticos e, usufruem do talento alheio, venham a fazer o certo e reto – por dever legal e por reconhecimento moral.
Por favor, respeitem os autores.
Aldaci de França é poeta repentista, escritor, cordelista e coordenador do Festival de Repentista do Nordeste no Mossoró Cidade Junina (MCJ)
Desde criança me interessei por colecionar todo tipo de coisa que você possa imaginar: selos postais, moedas, cédulas, cartão telefônico, álbuns de figurinhas, revistas em quadrinhos, embalagens de cigarros, lata de cerveja etc. Em relação a esses dois últimos, registre-se, não fiz uso. Pelo menos não naquele tempo.
Por volta dos meus 12 anos de idade, comecei a cultivar outro hábito: guardar recortes de jornal.O que ia achando interessante, ou guardava a folha inteira do jornal, ou passava a tesoura e guardava o que me interessava. Alguns colava na porta do meu guarda-roupa.
Após tantos anos, restaram apenas um imagem de Noel Rosa, Luiz Gonzaga, o Nogueirão e um recorte sobre fobias.
Por sinal, minha mãe ainda conserva meu velho guarda-roupa num dos quartos da casa dela, apesar de destoar de todos os outros móveis feitos sob medida.
Numa das portas, ainda está bem conservado um recorte de jornal que colei, lá pelos meus dezesseis anos de idade, onde consta mais de sessenta fobias dispostas em quatro colunas. Tem de fobia pra tudo. Sabia que um dia me serviria.
Recentemente, por volta das 14h de uma quarta-feira, eu e minha namorada fomos almoçar num restaurante aqui em Mossoró. Um bristô bem aconchegante e reservado na Nova Betânia, e que não é tão movimentado nesse horário, de modo que poderia ficar aguardando enquanto ela ia ao salão fazer as unhas e aproveitar o restaurante vazio, com um ar-condicionado geladíssimo para aplacar esse calor infernal do verão e, assim, fazer render esse tempo de espera.
Aproveitei para continuar lendo uma tese de doutoramento sobre sátira na literatura brasileira contemporânea que achei bastante interessante e havia guardado – sim, agora coleciono textos digitais -, aproveitando o gancho que escrevi sobre sátira no texto anterior (Concórdia //blogcarlossantos.com.br/concordia/ ).
Após uns vinte minutos de leitura, entrou um casal; ele aparentando ter por volta de 25 anos de idade e ela, 20.
Pelo adiantado da hora, só tinha a minha mesa ocupada, e o único som que podia escutar, além da música estilo lounge ambiente, era o do tilintar da louça sendo lavada na cozinha do restaurante, mas algo suportável.
Ocuparam uma mesa ao lado da minha. Para o meu azar.
Pediram dois croissants. Para beber, o rapaz pediu um refrigerante; ela um suco.
Conversavam a meio tom, trocando sorrisos e olhares de soslaio enquanto comiam. Ela aparentava estar bem encabulada. Tensa.
Você deve estar pensando, caro leitor, o porquê de eu estar tão curioso, observando o jovem casal. Decerto.
Entretanto, o motivo era outro mais obscuro, e tive a prudência de proceder com olhares rápidos e discretos.
O que me chamou a atenção, na verdade, foi o mastigado do rapaz, que me desconcertou a leitura a ponto de não conseguir mais prosseguir.
Era um mastigado mole, intercalado com diálogos com a boca cheia de croissant e coca cola; chupados esquisitos, uns assobios: um tipo de simbilado bem esquisito.
Alguém já me disse que sofro de misofonia. Penso que deva considerar procurar uma fonoaudióloga ou uma neurologista.
Agora, pondere. Quem nunca se irritou com mastigado de boca mole, chupado de canudo, bicada em café e sopa quente feito aspirador de pó; gente mastigando gelo ou comida crocante em um ambiente não adequado, como sala de aula, biblioteca, e até mesmo, no ambiente trabalho?
E mais! E aquelas pessoas falando com a boca cheia, roçando o talher nos dentes para arrancar a comida dele e o famigerado palitar dos dentes?
Calma! Você, por acaso, já reparou na quantidade de gente que arrasta os pés no supermercado? À vezes observo para ver se estão tentando tirar algo preso na sola do calçado.
Ledo engano meu: é a mania irritante da pessoa que parece estar sendo arrastada a força pelos corredores do supermercado em direção à guilhotina. Antes fosse. Justificaria, e até me compadeceria com o seu final.
Enquanto isso, no restaurante, a situação só se agravava. Pensei em abordar o rapaz e perguntar se ele estava bem, no intuito de interromper aquela sinfonia em dó sustenido maior.
Porém, abortei a ideia, pois, certamente, estragaria o encontro amoroso. Poderia ferir de morte o galanteio.
Não vendo uma solução compatível com a urbanidade, me fiz de covarde e bati em retirada decorosamente.
Antes o calor que fazia fora do restaurante, a permanecer naquela tortura ou estragar o encontro amoroso.
Ponderei a situação e pensei no futuro de uma família. A minha, claro! Poderia sair dali direto para o xilindró.
Minha namorada quando me viu sentar num banco em frente ao salão, no calor, já mudou a fisionomia. Sabendo como sou calorento, decerto já imaginou que algo de grave ocorrera para eu não estar no restaurante.
Perguntou, via mensagem de texto, se eu estava bem. Apenas disse que estava com dor de cabeça. Desconversei. Vi de longe que ela não acreditou.
Não sei se, de fato, sofro de misofonia ou mesmo de fonofobia. Agora, toda vez que abro o velho guarda-roupa e ponho os olhos no recorte de jornal, mais me identifico.
Lembrei o fato de que na tradição japonesa, tomar sopa sem sugar fazendo um barulho terrível é sinal de má educação e que não gostou da sopa. Entretanto, o rapaz não tinha feições nipônicas.
Talvez o ditado de que o costume de casa vai à praçaesteja em pleno vigor no caso do tipo de cena que vi no restaurante.
Entretanto, penso que não seria o caso. Sei da tarefa que os pais têm de combater isso. E me incluo nessa peleja.
Apesar de tudo, a conclusão que tive foi a de que aquela garota teve, em verdade, muita sorte, pois o rapaz poderia ter pedido uma refeição acompanhada com farofa; e, a considerar a empolgação da conversa, teria sido um desastre. Apesar de que há quem até assobie chupando cana, numa harmonia impressionante.
A bem da verdade é que, misofônico ou não, é melhor manter a calma e sair de perto numa situação dessa.
Perder a calma fará com que apenas você saia prejudicado. Ainda que a tentação seja grande e possa valer a pena em certos momentos.
Começa nesta quarta-feira (15) na Estação das Artes Elizeu Ventania, às 19h, o 1º Encontro Mossoroense de Cultura Popular. Na programação, nomes como o poeta e escritor mossoroense Antônio Francisco, principal referência do cordel no RN e de Paulo Vanderlei, autor de uma biografia em homenagem aos 110 anos de Luiz Gonzaga. Ele ministrará palestra sobre Gonzagão com a mediação do pesquisador Kydelmir Dantas na sexta-feira (17), além de lançar a obra num momento de autógrafo.
Paulo Vanderlei lançará livro sobre Gonzagão em evento (Foto: divulgação)
Aprovado no Programa Câmara Cascudo de Incentivo à Cultura (Lei Câmara Cascudo) e contemplado no Edital “Natural Como Fazer o Bem”, da Potigás, o evento contará ainda com recitais, shows musicais, oficinas e feira de livros, cordéis, artesanato e artes plásticas, sempre a partir das 19h de quarta (15) à sexta (17).
O projeto é uma iniciativa da Liga Operária de Mossoró, uma das mais antigas instituições de Mossoró e faz parte da programação em homenagem ao Dia Nacional da Poesia (dia 14), reunindo artistas de várias regiões do Estado.
Veja a programação
5 de Março – Noite Antônio Francisco
19h às 20h
– Abertura.
– Instalação da Feira de livros e cordéis.
– Lançamento do Concurso de Cordel “Como fazer o bem”.
20h às 21h
– Recital aberto
– Antonio Francisco;
– Segundo Neto (neto de Antonio Francisco);
– Manoel Cavalcante (Pau dos Ferros/RN).
21h às 22h
Maurílio Santos;
Concriz;
Nildo da Pedra Branca.
16 de Março – Noite Elizeu Ventania
19h às 20h
Feira de livros e cordéis.
– Documentário sobre Elizeu Ventania;
– Nilson Silva;
– Raimundo Lira; (Martins/RN) e Lúcio da Silva (Mossoró/RN);
– Espetáculo “O fabuloso mundo do ‘Era uma vez”, performance de contação de história com Marcus Vinicius, Mago Anastácio e Maria Furdunço.
20h à 21h
– Recital e intervenções livres por instituições e autores diversos.
21h às 22h
– Genildo e Geová Costa (Grossos/RN).
17 de Março – Noite Gonzagão
(8h às 11 // 13h às 16h – Na Estação das Artes)
– Oficina de xilogravura com Jeffferson Campos (Bom Jesus/RN).
19h à 20h
Exposições da oficina de xilo;
– Feira de livros e cordéis;
– Palestra com Paulo Vanderlei e Kydelmir Dantas sobre Luiz Gonzaga;
– Lançamento da biografia de Gonzagão por Paulo Vanderlei.
20h à 21h
Recital:
– Jadson Lima (Bom Jesus/RN);
– Robson Renato (Pau dos Ferros/RN);
– Poetas-mirins (04).
21h à 22h
– Encerramento com forró pé-de-serra de Ailson Forrozeiro.
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Thiago, Marineide e Dinarte: o sobe e desce da política em Carnaubais (Foto: Arquivo)
Para compreender melhor o título desta matéria, é preciso passar a lupa nas eleições e observar um fato que se repete na política de Carnaubais (Vale do Açu) desde o início deste século: os perdedores conseguiram dar a volta por cima.
Vamos lá…
Em 2000, o racha no grupo do então prefeito Nelson Gregório, com o rompimento de Dr. Zenildo e vereadores da base aliada, levou os dois à derrota.
Quatro anos depois, após lamberem as feridas, unidos tomaram a prefeitura de Luiz Gonzaga, que havia se aproveitado da separação e venceram a disputa com 37% dos votos.
Já em 2008, Luiz Gonzaga deu o troco após a traumática derrota anterior e repetiu a dose em 2012, embora tenha perdido o mandato por ilicitudes praticadas na campanha contra Dinarte Diniz.
Em 2016, com o racha entre Luiz Gonzaga e Junior Benevides, Dinarte chegou indiretamente ao poder com sua esposa – Marineide Diniz – na chapa vencedora com Dr. Thiago Meira, eleito prefeito com 42,49% dos votos.
Em 2020, após ruptura do grupo, Junior Benevides se aliou a Dinarte e deu a volta por cima elegendo o irmão Gleudinho vice-prefeito de Dona Marineide, eleita com 36,67% da votação.
Nas disputas eleitorais desde 2000 os perdedores, como mostram os resultados, conseguiram se sobressair nas eleições seguintes, numa espécie de sobe e desce do pódio do poder.
Perde e ganha
A história revela que ter a caneta na mão não garante vitória. Desde que foi criado o advento da reeleição todos os gestores que passaram na prefeitura até agora amargaram derrota.
Após ter sido derrotado ao tentar se reeleger prefeito em 2020, Dr. Thiago conseguirá dar a volta por cima em 2024 ou se juntará a Luiz Gonzaga e seus apoiados que não conseguiram mais se reerguer politicamente?
Isso, o tempo dirá!
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Falar sobre Luiz Gonzaga é um prazer tão grande quanto é ouvi-lo. Orgulho-me de ter tido um momento com ele, foi no final do ano de 1974.
Na época eu era Diretor Técnico e Executivo da Cimparn e estávamos concluindo a implantação física do projeto das vilas rurais da Serra do Mel, quando o governador Cortez Pereira me chamou e disse:
Luiz Gonzaga na Revista O Cruzeiro, edição de 12 de setembro de 1952 (Reprodução de página de Rostand Medeiros)
– “Cabeludo” (como carinhosamente me chamava), meu mandato foi reduzido em um ano e quero encerrá-lo com uma grande festa de inauguração do Projeto lá na Serra do Mel. Prepare tudo, você tem 15 dias!
Aí lhe respondi: “Sem problema, doutor Cortez.”
Tratei de arrumar tudo e na véspera da dita, fui ao Palácio Potengi para fazer uma checagem das coisas com ele. Ao final, o governador olhou para mim e disse:
– Só está faltando uma coisa, mas um amigo vai mandá-lo para nós. É o Luiz Gonzaga que está fazendo um show no Recife hoje à noite e amanhã o Zé Lins ( José Lins de Albuquerque, superintendente da Sudene na época) traz ele para nós no Asa Branca (nome do avião da Sudene).
E completou: “Já está tudo acertado, volte para Serra e me espere amanhã cedo.”
No dia seguinte chega doutor Cortez e logo em seguida Luiz e Zé Lins.
Caro amigo Carlos Santos, foi um dia inteiro na companhia do rei. Tanto ele cantava, como tocava, como contava piadas e conversava. Era só alegria e terminei indo deixá-lo no Recife no avião do estado, pois o Zé Lins, em razão de compromissos, teve que ir antes.
Luiz atendeu a todos tocando, cantando e autografando. Para se ter uma ideia da dimensão do evento, só famílias já assentadas havia no projeto 518 com cerca de 6,2 pessoas em média para cada uma e todas estavam presentes.
Faltaram guardanapos e pratos de papelão. Todos viraram autógrafos. O autógrafo que pedi, único de minha vida por anos, se juntou anos mais tarde ao de Tânia Alves (cantora e atriz) que quando me deu o dela e soube que ia fazer companhia ao de Luiz Gonzaga, saiu com esta:
– É uma honra fazer companhia ao meu rei. Mas Nilson, bote o meu bem coladinho ao dele, quem sabe eu faça umas carícias nele!
E deu aquela risada gostosa que só ela sabe dar.
Meu neto que ainda não “inteirou” três anos, quando vou visitá-lo, ele olha para mim e diz: “Vovô, vovô Nilson”. E logo vai cantando (só as duas primeiras estrofes) “Estrada de Canindé”, que segue para quem quiser:
Ai, ai, que bom Que bom, que bom que é Uma estrada e uma cabocla Cum a gente andando a pé Ai, ai, que bom Que bom, que bom que é Uma estrada e a lua branca No sertão de Canindé Artomove lá nem sabe se é home ou se é muié Quem é rico anda em burrico Quem é pobre anda a pé Mas o pobre vê nas estrada O orvaio beijando as flô Vê de perto o galo campina Que quando canta muda de cor Vai moiando os pés no riacho Que água fresca, nosso Senhor Vai oiando coisa a grané Coisas qui, pra mode vê O cristão tem que andá a pé.
Amigo, desculpe a extensão do comentário, mas estou falando do único rei brasileiro que reverencio.
E encerro meu texto com uma frase do discurso de Cortez a quem, sem ser rei, exalto também e tenho saudades do dia da inauguração, final de1974:
– Este projeto nasceu da coragem e imaginação de um governo que soube antecipar o futuro!
Nilson Gurgel é economista
*Crônica originalmente publicada em nossa página no dia 28 de outubro de 2012 (veja AQUI), há quase dez anos, por um amigo falecido no dia 7 de junho de 2016 (veja AQUI).
Reproduzir essa crônica é uma forma, modesta, de homenageá-lo. Que Nilson Gurgel descanse em paz.
Carlos André: reconhecimento vivo (Foto: divulgação)
Cantor, compositor, músico, produtor musical, o mossoroense Carlos André é um fenômeno no universo artístico. E quem traça o perfil dele é a revista on-line “Papangu na Rede” em sua nova edição.
Em matéria assinada por seu editor e criador, o chargista caricaturista Túlio Ratto, Carlos André fala de sua trajetória, desde os primórdios da música no rádio mossoroense e ao lado de irmãos no “Trio Mossoró”.
Com 82 anos, 1,90 de altura, Oséas Almeida Lopes, o Carlos André (nome artístico), se vangloria de não tomar remédio algum nesse estágio da vida. “Sou juventude acumulada, só tomo caldo de cana com pastel”, sustenta o artista.
Mágoas e sucessos
Ele tem mágoas de como é tratado em Mossoró, diferente do reconhecimento fora dos limites da cidade e divisas do RN. E avisa que não quer ser lembrado depois de morrer.
Compositor de sucesso, com mais de 100 músicas gravadas, Oséas Lopes também ficou conhecido como produtor musical, tendo trabalhado com dezenas de artistas de forró, entre eles Luiz Gonzaga, com quem produziu 5 LPs. O primeiro, Danado de Bom, vendeu mais de um milhão de cópias em seis meses. Sanfoneiro Macho, Forró de Cabo a Rabo, Forró de Fia Pavi, Duetos Luiz Gonzaga & Raimundo Fagner foram alguns outros trabalhos desta parceria.
Além do forró, Oséas Lopes também produziu diversos cantores românticos, como Cauby Peixoto, Nilton Cesar, Vanusa, Luiz Ayrão, Silvinho, Núbia Lafayete, Trio Yrakitan, Paulo Diniz, Lana Bittencourt, Orlando Dias, José Ribeiro, Balthazar, Fernando Mendes, Odair José, Waleska, Leonardo Sullivan, Anísio Silva, Bartô Galeno, Genival Santos, Roberto Muller, Adilson Ramos, Adelino Nascimento, Ivanildo Sax de Ouro, Messias Paraguai, Claudia Barroso, Valdirene, Abílio Farias, Banda Labaredas e Alípio Martins.
A cruel morte do vaqueiro virou sinônimo de protesto, de luta e letra de música do Rei do Baião, Luiz Gonzaga, que era primo de Jacó.
“Raimundo Jacó era um vaqueiro muito valente, muito popular, muito querido, mas muito pobre. Era de Exu, meu primo legítimo e, por isso, eu senti a ausência de justiça diante de sua morte. Então, achei que uma canção seria boa para servir como denúncia”, contou o próprio Luiz Gonzaga, em entrevista ao jornalista Ernesto Paglia para o programa Globo Repórter.
A toada “A Morte do Vaqueiro” foi gravada no ano de 1963 em um disco de 78RPM, tendo Nelson Barbalho como parceiro de autoria. Em depoimento à jornalista francesa, Dominique Dreyfus, que escreveu a biografia “Vida do Viajante – A Saga de Luiz Gonzaga”, Nelson Barbalho relembrou o momento da composição:
“A Morte do Vaqueiro foi composta na rua Vidal de Negreiros, nº 11, no Recife. Nós almoçamos juntos e depois fomos para a sala. Tinha um relogiozinho feito de coco, daqueles que balançam e Luiz ficou olhando o relógio e, daqui a pouco, falou: ‘eu sempre tive vontade de prestar uma homenagem a um primo meu, que era vaqueiro e foi assassinado lá no Sertão’. E ele contou a história de Raimundo Jacó que foi assassinado na caatinga, e nunca ninguém soube quem era o culpado. Eu disse que isso podia fazer um baião danado de bom, e na mesma hora ele pegou na sanfona e fez: ‘Lá lari lari lara’ e eu fiz ‘Numa tarde bem tristonha’; e ele: ‘Larará lará Lara’ e eu: ‘Gado muge sem parar/ relembrando seu vaqueiro/ que não vem mais aboiar’ e, no final da tarde, a música estava pronta”. (texto extraído do site //www.folhape.com.br/)
Neste domingo, a seção Letra e Música do Blog Carlos Santos avança na caatinga, a natureza viva de Luiz, de Jacó, do vaqueiro… do Nordeste sempre tão sofrido e bravio.
Sai ziguezagueando, riscando o chão, levantando poeira com o Quinteto Violado e Luiz Gonzaga em apresentação nos anos 80 na Rede Globo de Televisão, programa Som Brasil.
Demais!!
A morte do vaqueiro
Numa tarde bem tristonha
Gado muge sem parar
Lamentando seu vaqueiro
Que não vem mais aboiar
Não vem mais aboiar
Tão dolente a cantar
Tengo, lengo, tengo, lengo,
tengo, lengo, tengo
Ei, gado, oi
Bom vaqueiro nordestino
Morre sem deixar tostão
O seu nome é esquecido
Nas quebradas do sertão
Nunca mais ouvirão
Seu cantar, meu irmão
Tengo, lengo, tengo, lengo,
tengo, lengo, tengo
Ei, gado, oi
Sacudido numa cova
Desprezado do Senhor
Só lembrado do cachorro
Que inda chora
Sua dor
É demais tanta dor
A chorar com amor
Tengo, lengo, tengo, lengo,
tengo, lengo, tengo
Tengo, lengo, tengo, lengo,
tengo, lengo, tengo
Ei, gado, oi
E… Ei…
O músico Dominguinhos morreu nesta terça-feira (23), aos 72 anos, no Hospital Sírio-Libanês, em São Paulo. Ele lutava havia seis anos contra um câncer de pulmão. De acordo com o hospital, o músico morreu às 18h em decorrência de complicações infecciosas e cardíacas.
Ao longo do tratamento, ele desenvolveu insuficiência ventricular, arritmia cardíaca e diabetes. Dominguinhos foi transferido para a capital paulista em 13 de janeiro. Antes, esteve internado por um mês em um hospital no Recife.
A filha do músico, Liv Moraes, confirmou nesta segunda-feira (22) que o cantor havia voltado para a Unidade de Terapia Intensiva (UTI) porque o estado de saúde dele tinha piorado.
Herdeiro
Considerado o sanfoneiro mais importante do país e herdeiro artístico de Luiz Gonzaga (1912-1989), José Domingos de Morais nasceu em Garanhuns, no agreste de Pernambuco.
Conheceu Luiz Gonzaga com 8 anos. Aos 13 anos, morando no Rio, ganhou a primeira sanfona do Rei do Baião, que três anos mais tarde o consagrou como herdeiro artístico.
Ainda criança, Dominguinhos tocava triângulo com seus irmãos no trio “Os três pinguins”. Quando ele tinha 8 anos, foi “descoberto” por Gonzagão ao participar de um show em Garanhuns. A “benção” lhe foi dada pelo rei do baião quanto tinha 16 anos.
“Gonzaga estava divulgando para a imprensa o disco ‘Forró no Escuro’ quando ele me apresentou como seu herdeiro artístico aos repórteres”, lembrou-se Dominguinhos em entrevista ao G1 no fim de 2012. “Foi uma surpresa muito grande, não esperava mesmo.”
Vi hoje à noite “De pai para filho”, filme sobre a relação conflituosa de dois gênios, pai e filho: Luiz Gonzaga e Gonzaguinha. Bravo, bravíssimo.
Impossível não se emocionar com tudo.
Enredo, texto, figurino, locações, fotografia, edição de imagens e interpretações estão ótimos.
Para homenagear pai e filho, eis “A vida do viajante” que marcou o primeiro encontro de ambos no palco no início dos anos 80. O vídeo acima tem o acompanhamento do grande Wagner Tiso, mineiro dos bons, embalando Gonzagão e Gonzaguinha.
Minha vida é andar Por esse país Pra ver se um dia Descanso feliz Guardando as recordações Das terras por onde passei Andando pelos sertões E dos amigos que lá deixei.
Chuva e sol Poeira e carvão Longe de casa Sigo o roteiro Mais uma estação E a saudade no coração
Minha vida é andar…
Mar e terra Inverno e verão Mostra o sorriso Mostra a alegria Mas eu mesmo não E a alegria no coração
Falar sobre Luiz Gonzaga é um prazer tão grande quanto é ouvi-lo. Orgulho-me de ter tido um momento com ele, foi no final do ano de 1974.
Na época eu era Diretor Técnico e Executivo da Cimparn e estávamos concluindo a implantação física do projeto das vilas rurais da Serra do Mel, quando o governador Cortez Pereira me chamou e disse:
– “Cabeludo” (como carinhosamente me chamava), meu mandato foi reduzido em um ano e quero encerrá-lo com uma grande festa de inauguração do Projeto lá na Serra do Mel. Prepare tudo, você tem 15 dias!
Aí lhe respondi: “Sem problema, doutor Cortez.”
Tratei de arrumar tudo e na véspera da dita, fui ao Palácio Potengí para fazer uma checagem das coisas com ele. Ao final, o governador olhou para mim e disse:
– Só está faltando uma coisa, mas um amigo vai mandá-lo para nós. É o Luiz Gonzaga que está fazendo um show no Recife hoje à noite e amanhã o Zé Lins ( José Lins de Albuquerque, superintendente da Sudene na época) traz ele para nós no Asa Branca (nome do avião da Sudene).
E completou: “Já está tudo acertado, volte para Serra e me espere amanhã cedo.”
No dia seguinte chega doutor Cortez e logo em seguida Luiz e Zé Lins.
Caro amigo Carlos Santos, foi um dia inteiro na companhia do rei. Tanto ele cantava, como tocava, como contava piadas e conversava. Era só alegria e terminei indo deixá-lo no Recife no avião do estado, pois o Zé Lins, em razão de compromissos, teve que ir antes.
Luiz atendeu a todos tocando, cantando e autografando. Para se ter uma idéia da dimensão do evento, só famílias já assentadas havia no projeto 518 com cerca de 6,2 pessoas em média para cada uma e todas estavam presentes.
Faltaram guardanapos e pratos de papelão. Todos viraram autógrafos. O autógrafo que pedi, único de minha vida por anos, se juntou anos mais tarde ao de Tânia Alves (cantora e atriz) que quando me deu o dela e soube que ia fazer companhia ao de Luiz Gonzaga, saiu com esta:
– É uma honra fazer companhia ao meu rei. Mas Nilson, bote o meu bem coladinho ao dele, quem sabe eu faça umas carícias nele!
E deu aquela risada gostosa que só ela sabe dar.
Meu neto que ainda não “interou” três anos, quando vou visitá-lo, ele olha para mim e diz: “Vovô, vovô Nilson”. Ee logo vai cantando (só as duas primeiras estrofes) “Estrada de Canindé”, que segue para quem quiser:
Ai, ai, que bom Que bom, que bom que é Uma estrada e uma cabocla Cum a gente andando a pé Ai, ai, que bom Que bom, que bom que é Uma estrada e a lua branca No sertão de Canindé Artomove lá nem sabe se é home ou se é muié Quem é rico anda em burrico Quem é pobre anda a pé Mas o pobre vê nas estrada O orvaio beijando as flô Vê de perto o galo campina Que quando canta muda de cor Vai moiando os pés no riacho Que água fresca, nosso Senhor Vai oiando coisa a grané Coisas qui, pra mode vê O cristão tem que andá a pé.
Amigo, desculpe a extensão do comentário, mas estou falando do único rei brasileiro que reverencio.
E encerro meu texto com uma frase do discurso de Cortez a quem, sem ser rei, exalto também e tenho saudades do dia da inauguração, final de1974:
– Este projeto nasceu da coragem e imaginação de um governo que soube antecipar o futuro!
O aguardado filme Gonzaga – De Pai Para Filho, que tem o patrocínio da Petrobras, estreia nesta sexta-feira (26) nos cinemas de todo o país.
Dirigido por Breno Silveira, de 2 Filhos de Francisco, o longa narra a trajetória de Luiz Gonzaga, uma das mais importantes figuras da música popular brasileira, e do filho Gonzaguinha.
Sempre acompanhado de sua sanfona, Gonzaga, que completaria 100 anos em 2012, inventou o Baião, gravou mais de 600 músicas e participou de 266 discos. Seu grande sucesso, ‘Asa Branca’, tornou-se um hino para os sertanejos.
Gonzaguinha seguiu os passos do pai e criou, entre outros sucessos, a música que é considerada um marco da MPB: ‘O que é, o que é?’
Para retratar a vida de Gonzaga, desde sua infância em Exu, no sertão pernambucano, passando pelo início da carreira nas ruas do Rio de Janeiro, até sua histórica turnê ‘Vida de Viajante’ com o filho Gonzaguinha, foram gravadas cenas no Nordeste e recriado o Rio de Janeiro dos anos 40.
O diretor Breno Silveira conta que o filme foi rodado com riqueza de detalhes. Foram mais de 200 atores e 600 figurantes. Segundo Breno, o que o motivou a levar a história de Gonzaga para as telonas foi a emoção que sentiu ao conhecer os detalhes da relação entre pai e filho.
“Não são biografias que me interessam, mas boas histórias, que emocionem e toquem em questões universais, sentimentos que digam respeito a todas as pessoas. Há sete anos, a Marcia Braga, produtora, e a Maria Hernandez, idealizadora do projeto, me procuraram com umas fitas cassetes gravadas pelo Gonzaguinha, em que ele tentava resgatar a história do pai”, conta o diretor.
– Quando eu comecei a escutar, em cada fita eu percebia a emoção deles e ia me emocionando também. Fiquei impressionado ao entender que pai e filho estavam se conhecendo ali. Até que, numa das últimas fitas, o Gonzaguinha dizia: ‘Estou entrando no sertão, sertão que era do meu pai. À minha direita tem uma lua… Deve ser ele, o Velho Lua me olhando… Eu não conheci meu pai direito e, amanhã, é o enterro dele’ – narra o mesmo diretor.
” Fiquei emocionado e com vontade de contar essa história”, atesta.
Nota do Blog – Emocionei-me com o trailler do filme (incluído nesta postagem). A história por si só, é um filme. Aí você junta dois gênios, Gonzagão e Gonzaguinha, como não se emocionar, heim?
Conhecido nacionalmente por suas pesquisas acerca de cultura popular, bem como por seus cordéis, o poeta, cangaceirólogo e estudioso de Luiz Gonzaga – Kydelmir Dantas, ex-presidente da Sociedade Brasileira de Estudos do Cangaço (SBEC) lança, em Natal, “Luiz Gonzaga e o Rio Grande do Norte”.
Será durante a Feira de Livros e Quadrinhos (FLIQ), às 19h3 de 26 de outubro, na Praça Cívica do Campus da Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN).