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Eu já vi de tudo, mas ainda não vi tudo

Foto ilustrativa
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Espiando os rumos da política nacional contemporânea, eis que me vejo na obrigação de repetir uma frase cunhada há anos, para atestar como não estranho mais nada nessa vida:

– Eu já vi de tudo, mas ainda não vi tudo.

Estupidezes, mediocridade, despreparo, iniquidade e insensatezes marcam esse período obscuro, nossa Idade Média, tempo de trevas.

Em que pântano nos metemos e como sair disso?

Eis a questão.

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Disputa ao Governo do RN se desenha com um inusitado “WO”

Campanha ao governo estadual do RN este ano é uma das mais medíocres que já vi, em décadas.

Estamos realmente fechando um ciclo sem sabermos o que nos aguarda adiante, em face de tamanho empobrecimento dos quadros políticos.

Fátima Bezerra (PT) marcha para ser eleita com um inusitado “WO” (abreviatura da expressão inglesa “vitória fácil”, ou “sem oponente”).

Um adversário não faz campanha.

Outro, se faz, não é visto ou lembrado.

Pobre RN Sem Sorte.

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Dialética da mediocridade

Por François Silvestre

Tempos de miséria dialética. A considerar-se tudo que se confronta, enfrenta-se, afirma-se e se nega.

Hegel resgata da era clássica a dialética empírica e lhe dá feição idealista. A lógica, então método usual, foi superada na investigação filosófica. Arquivamento dos silogismos.

Um discípulo de Hegel, Karl Marx, repensou a dialética e contestou Hegel. Dizia ele que Hegel acertara na superação da lógica, mas pusera a dialética de cabeça para baixo. E quem fora discípulo, agora era revisor.confronto, dialética, pensamento,Mesmo que os marxistas detestem o revisionismo, não foi outra coisa o que Marx fez com Hegel. Desvestindo a dialética do idealismo para dar-lhe compleição materialista. Aliás, nesse aspecto, Engels foi mais profundo do que Marx.

A negação dos marxistas ao revisionismo vem dos diversos momentos em que foi preciso justificar o poder, mesmo negando princípios originários do próprio marxismo. Até Fustel de Coulanges, equivocadamente chamado de positivista, foi tachado de “precursor” do revisionismo. Daí negou-se a importância da sua obra clássica, “A Cidade Antiga”, que se debruçou sobre a religião, organização política e vida familiar nas Cidades-Estados da era Clássica.

É verdade que a dialética tem vida muito mais antiga do que Hegel e Marx. Aristóteles, Demóstenes, Heráclito de Éfeso são alguns ensaístas da dialética primitiva. Também operada por Tomaz de Aquino, na Escolástica. E arranhada por Santo Agostinho, na Patrística.

A tese, antítese e síntese superam e substituem as deficiências simplistas da lógica. Hegel tem o mérito histórico da sua transposição para o pensamento moderno. Marx e Engels cumpriram papel semelhante, na aplicação do método dialético ao pensamento político de transformação. Isto é, no materialismo histórico.

Cuja práxis prometida, negadora do idealismo, produziu o mais fantástico fracasso histórico de quantas revoluções houve.

Pois bem. O Brasil conseguiu, sem revolução, o feito de aprimorar a dialética do fracasso. A política brasileira é “A boneca de uma menina que não tem braços”, como a felicidade definida por Humberto de Campos.

O capitalismo brasileiro é pré-feudal, o socialismo brasileiro é pré-burguês e a política do Brasil ainda cisca no terreiro da caverna.

Tudo no contorno infindável da promiscuidade público- privada, estuário institucionalizado da trampolinagem e demagogia. Horta fértil de cujo estrume brotam “salvadores da pátria”.

A dialética, no Brasil, não tem tese. Só antítese, sem síntese. Desordem institucional, desonestidade administrativa e farsa de controle.

O único governo que tentou reformas de base, inclusive agrária, foi João Goulart, um latifundiário. E caiu por isso. Imprensado no meio da guerra fria, travada pelo império capitalista americano contra o império militarista da burocracia soviética.

A pátria dos quartéis vendeu-se. A pátria dos políticos prostituiu-se. O povo recebeu a sucata da pátria, cujo conserto, hoje, atropela-se na dialética da mediocridade.

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“Monopólio do Êxito”, um fenômeno político caricato

Em Mossoró, um fenômeno político a ser melhor entendido adiante é o “Monopólio do Êxito”, que tem o peso de dogma.

Nesse lugar, tudo que ameaça ter sucesso na gestão pública ou deu certo, tem narrativa com nome e sobrenome obrigatórios.Se algo saiu errado, é culpa dos outros.

Garachués de gabinetes e proxenetas do jornalismo reforçam a construção dessa mitologia caricata.

Mas não são os únicos responsáveis por isso.

Tudo nasce da arrogância e ego doentios de quem não suporta a iniciativa, a competência e o valor alheios.

Mediocridade implícita.

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O gigante apequenado

Por François Silvestre

O Brasil é grandioso na geografia, na exuberância da natureza, na cultura popular. É grandioso na arte. No festivo e nos folguedos. Mais ou menos no esporte, menos que mais no futebol. É um dos maiores, na hipocrisia.

Porém, entretanto, mas porém, como dizia Zé Limeira, é o Brasil um país institucionalmente apequenado. Historicamente duvidoso, juridicamente inseguro, socialmente injusto, culturalmente abandonado.

Acabamos de sair de uma eleição municipal, no meio de uma crise quase sem precedentes. Falência do erário e quebradeira empresarial. Promiscuidade nas relações do poder público com a atividade empresarial.

Eleições livres? Sim e não. Livres na forma da Lei. No aparato formal, na lisura da apuração. Não se nega. Mas a liberdade é muito mais do que isso.

Eleição realmente livre não se atrela ao poder econômico. Não depende de quem detém o poder, principalmente nos municípios, onde a dependência da população é quase insuperável.

Há exceções? Sim. Porém, o raciocínio analítico sustenta-se na regra. Mesmo reconhecendo as exceções.

E é com o arrazoado do excepcional que temos visto e lido todo tipo de constatação sobre o resultado dos pleitos. Das constatações pueris aos argumentos mais fronteiriços da asneira.

Uma coisa é certa: O Brasil vive um dos seus momentos históricos de maior pobreza. Aqui a palavra pobreza sai do campo da exceção generosa para a regra generalizada.

Pobreza política, institucional, social, econômica. Saímos de uma vasta mentira de inclusão social. Esmola sob a farsa dessa “generosidade”, que era apenas um projeto de poder. No processo de esmolar, só o doador se sai bem. Pois faz a catarse de consciência e aquieta o necessitado

Quando cessa o efeito da esmola, o “status quo” anterior retorna com mais violência e mais pobreza.

Abstenção, voto branco ou nulo, conscientemente, tem a força da contestação. Infelizmente, num país nivelado pela mediocridade de cidadania, fica difícil aquilatar o nível dessa consciência.

O voto obrigatório é uma demonstração de que nem os políticos nem a Justiça Eleitoral confiam no próprio taco. Na Democracia respeitável, o voto é direito e não dever.

Mediocridade política e institucional; na vida pública e privada, onde o que é privado se locupleta na teta pública, e o que é público se completa na privada. Com todos os sentidos.

Exemplo dessa promiscuidade deu-se no quase assassinato da nossa maior empresa. Um orgulho acabrunhado. A Petrobrás foi assaltada com uma brutalidade que a corrupção superou a si mesma. Caiu o mito da eficiência privada, com a constatação da roubalheira praticada por grandes empresas, cooptadas pelo poder público larápio.

É esse o nosso tempo. Sem segurança, sem saúde, sem educação. Sobra a ideologia da estultice e da mediocridade!

Té mais.

François Silvestre é escritor

* Texto originalmente publicado no Novo Jornal.

Aridez e mediocridade no cotidiano político

Em conversa com alguns webleitores, há uma queixa aqui e acolá, quanto à escassez de matérias atraentes da política nativa. A culpa não é apenas nossa, da imprensa.

Vivemos um período de aridez, com enorme empobrecimento de quadros políticos, raras vocações e quase nada é novo ou importante em suas declarações ou silêncio.

O blá-blá-blá repete-se.

As entrevistas de hoje, são praticamente iguais àquelas publicadas há um mês, três meses ou anos atrás. Não há nada de novo, impactante ou diferenciado.

Há muito faz-de-conta, desfaçatez, pura retórica ou nem isso.

A prioridade continua sendo nomes, em vez de ideias.

Por quê?

Porque não temos nada de ideias. Muito do que parece novo é requentado como uma cruzada cívica: Estrada do Cajueiro, ZPE´s, duplicação da BR-304 etc

Sobram declarações pobres ou lugares-comuns sobre conchavos e acordões. Quem fica com quem é o que interessa.

Oposição e situação são tão consistentes quanto uma porção de gelatina.

As assessorias inundam nossas caixas de emails com fotos e notícias de visita dos assessorados a velórios, casamentos, festa de padroeiro, carnaval fora de época e cultos religiosos.

Aniversário de aliado é tratado com esmero e cavilosa importância de Estado.

Uma notícia que não para de se repetir, por exemplo, é visita de políticos e outras autoridades à obra do estádio Arena das Dunas, símbolo do desperdício e falta de prioridade séria da política potiguar.

Raramente essa corriola faz o mesmo no tocanto ao Hospial Walfredo Gurgel, escolas públicas e presídios.

É dessa aridez que nasce nossa pobreza. Somos parte dela e signatários da mediocridade que assola o Rio Grande do Norte.

Pagamos caro e parece que não temos perspectivas de melhora.

Mas não custa tenta reagir.