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Lourdinha

Por Bruno Ernesto

Mercado da Cobal em Mossoró Foto: do autor da crônica/2025)
“Mercado da Cobal” em Mossoró (Foto do autor da crônica/2025)

Embora nos últimos tempos tenha se mostrado uma forma de ostentação involuntária para a maior parte da população, ir ao supermercado ainda é umas das coisas das quais sempre gostei de fazer, nem que seja para aplacar o calor com o ar condicionado e passar o tempo, se for preciso.

Dia desses, após descer do Uber – aos gritos -, uma passageira caiu desfalecida bem na porta do condomínio.

Foi perturbador; um desespero para quem presenciou aquela cena. O porteiro chamou o SAMU e avisou ao síndico.

Alguém gritou que tinha visto quando o Uber, mesmo vendo os acenos e gritos a plenos pulmões daquela passageira, e sabedor que seria rastreado pelo próprio aplicativo, arrancou em direção ignorada.

Coitada, aos prantos, a pobre mulher falou ao socorrista que esqueceu no banco do carro a sacola com dois pacotes de café que acabara de comprar no supermercado.

– Moço, era da nespresso!

A internet não perdoa. Memes e vídeos humorísticos sempre arrancam as maiores gaitadas do público.

Entretanto, pelo menos em Mossoró, nada melhor do que ir ao mercado da Cobal. Preferencialmente, o mais cedo possível. Tem coisas que a xepa não compensa.

Aquele furdunço de gente, os cheiros, as cores, os sons e os personagens são instigadores.

Tem de tudo. Mas prefiro os doidos e os vendedores sem paciência. Nada como perguntar repetidamente a um vendedor carrancudo, quase como numa maiêutica socrática, e, ao final, dizer que está caro ou pedir desconto.

Bem, antes que você ache que é brincadeira, relembre a estória acima. Não se pode esquecer mais nem um moi de coentro ou cebolinha no Uber. Tudo está não só pela hora da morte; mas também da missa, do enterro e da ressurreição.

Ah, claro! O estacionamento é terrível.

Tem vendedor que não faz muita questão de lhe vender. Se você pedir desconto, é capaz de apanhar.

Passei um bom tempo sem ir regularmente ao mercado da Cobal, além do que nem sou frequentador assíduo, a ponto de conhecer nominalmente os comerciantes ou alguns personagens, pois só vou quando preciso de algo bem específico – Lembre, caro leitor: o estacionamento; o estacionamento é terrível. -, mas é um excelente local para se frequentar e comprar delícias.

Como gosto de cozinhar e adoro comida sertaneja, numa sexta-feira dessas, já me deitei para dormir pensando no almoço do sábado: farofa d´água, arroz de leite da terra – cozinhado só com leite -, feijão de corda com cebola roxa, nata e um bom punhado de cebolinha e coentro – com talo e tudo; bem picado. -,  vinagrete bem azedo, carne de sol assada e uma bela pururuca.

A noite quase não passa. Roncamos eu e meu estômago, num dueto em si…se tivesse fava seria uma boa ideia. Talvez no outro sábado.

Outro dia fui à Cobal em busca de queijo de coalho e nata e, de longe, vi um amontoado de gente em frente a um box fincado bem nomeio da Cobal.

Encostei nele, e vi que estava repleto de produtos do sertão: queijo de manteiga, de coalho, nata, manteiga da terra, castanhas das mais variadas, mel de abelha e de engenho, leite e ovos caipiras. Cada coisa mais linda que a outra.

O balcão – tão organizado que, certamente quem o organiza ou é do signo de Virgem ou tem TOC – reluzia num amarelo intenso feito um altar de igreja banhado de ouro. Mas, ao contrário do altar santo, só despertava o pecado da gula.

Quem despachava era uma senhora por volta dos seus 65 anos de idade, muito ligeira, de voz firme, concentrada e de pouca conversa. Só estendia o assunto se fosse para rebater qualquer tentativa de desconcentrá-la.

Enquanto esperava a minha vez para ser atendido naquele amontoado de gente em frente ao box, um rapaz que tentou furar a fila sorrateiramente foi surpreendido com um olhar fulminante dela, que disparou sem hesitar:

– Vá pra fila. Tô atendendo ele!

Naquele instante, ela me arrebatou como cliente para o resto da vida. Gostei de pronto.

Pedi a ela queijo de coalho, nata e perguntei “como era a bandeja” de ovos caipiras.

– 30 ovos fica R$30,00. Amanhã deve passar para R$50,00. Do jeito que a coisa anda, segunda deve custar R$80,00!

Disse que uma bandeja com 30 ovos era muito pra mim. Perguntei se poderia ser só a metade.

– Pode.

Para descontrair, pedi que colocasse só dos ovos bons.

– Todos aqui são bons!

Tenório, com "Lurdinha" camuflada, caminha ao lado de aliados no RJ dos anos 60 Foto: Web)
Tenório, com “Lurdinha” camuflada, caminha ao lado de aliados no RJ dos anos 60 (Foto: Web)

Dobrei a aposta e disse, prendendo a gaitada: pois coloque os melhores.

Ela se virou e disse ao ajudante que estava lá pra dentro:

– Atenda ele aqui!

Na verdade, ela se virou para cortar o queijo de coalho que pedi.

Enquanto somava o meu pedido, tripliquei a aposta e perguntei se ela sabia quem foi Tenório Cavalcanti, o famoso “Homem da capa preta”, que foi deputado federal do Rio de Janeiro nos anos 1950 e 1960, que tocou o terror na Baixada Fluminense e cuja história virou até filme, estrelado pelo saudoso ator José Wilker, por esconder debaixo de sua capa preta uma submetralhadora modelo MP-40, para se proteger dos seus inimigos.

Séria, me fitou e disparou:

– Não, por quê?

Enquanto ela me olhava, perguntei se poderia pagar via PIX, pelo que ela apenas apontou para uma plaquinha de acrílico posta em cima do balcão, contendo um QRCode e o seu nome: Lourdinha.

Já com as minhas compras em mãos ela me reforçou a pergunta:

– Por quê?

Sorri pra ela e, apontando para a plaquinha, disse que Tenório Cavalcanti chamava sua submetralhadora carinhosamente de Lourdinha.

Ela deu uma gaitada e emendou:

– Por isso que o nome combinou!

Bruno Ernesto é advogado, professor e escritor

Obra da Cobal tem serviço assinado para ampliar e modernizar mercado

A Central de Abastecimento Prefeito Raimundo Soares (COBAL) passará por obras de reforma e ampliação. O investimento da Prefeitura de Mossoró vai garantir infraestrutura adequada e moderna aos comerciantes e consumidores, atendendo à antiga demanda dos que fazem uso diário do mercado público.

Prefeito assinou ordem nessa quinta-feira (12) na própria Cobal (Foto: Célio Duarte)
Prefeito assinou ordem nessa quinta-feira (12) na própria Cobal (Foto: Célio Duarte)

Na manhã desta quinta-feira (12), o prefeito mossoroense Allyson Bezerra (Solidariedade) assinou ordem de serviço que autoriza o início das obras desse equipamento.

“Estivemos aqui há um ano visitando o local, conversando com os comerciantes, com os consumidores, ouvimos as demandas e assumimos o compromisso de buscar os recursos e fazer o projeto para reformar a Cobal”, disse o prefeito.

Uma das apostas, da gestão, é reordenar o perfil da Cobal, dando-lhe também status de equipamento turístico à valorização gastronômica, como ocorre em comércios similares em grandes cidades do país e mundo. Exemplo: Mercado Municipal de São Paulo-SP, prédio histórico com praça de alimentação e boxes que vendem frutas raras, verduras, legumes e laticínios.

O investimento da Prefeitura de Mossoró na obra é de aproximadamente 3 milhões de reais. “Ela contempla ainda a ampliação da feira de verduras, acessibilidade para todos os público e sistema de combate a incêndios. Tudo muito bem pensado para atender às necessidades de todos”, frisou Rodrigo Lima, secretário municipal de Infraestrutura, Meio Ambiente, Urbanismo e Serviços Urbanos (SEIMURB).

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Prefeito faz aniversário com direito a bolo no Mercado da Cobal

Bolo e recepção na Cobal (Foto: Reprodução)
Bolo e recepção na Cobal (Foto: Reprodução)

O prefeito mossoroense Allyson Bezerra (Solidariedade) faz 29 anos nessa quarta-feira (12).

E sua festa foi no Mercado da Cobal (Central de Abastecimento Prefeito Raimundo Soares), com direito a bolo e coro de parabéns.

Logo pela manhã, ele visitou o local para anunciar obra de reforma e ampliação (veja AQUI) desse equipamento público.

Acabou recepcionado com festa ao lado de amigos, sua mulher Cínthia Raquel, feirantes, populares e alguns servidores públicos.

Em seguida, o prefeito foi para o Palácio da Resistência cumprir despachos normais, onde foi recepcionado por servidores e correligionários.

Nota do Blog – Saúde e paz, prefeito.

E êxito nessa tarefa de governar Mossoró.

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Chuvas causam outro dia de muitos transtornos

Mossoró teve mais um dia de transtornos devido fortes chuvas. Do centro comercial à periferia, as águas assombraram e atormentaram a vida de milhares de pessoas.

Lojas e casas invadidas por águas; ruas, avenidas e outras artérias transformadas em caudalosos rios.

No centro da cidade, o comércio de rua na Praça Rodolfo Fernandes e adjacências viveu um final de manhã e início de tarde bastante críticos.

Nem o sofisticado condomínio Alphaville escapou da “cheia”, sendo atingido em seu sossego e glamour, uma rotina do Santo Antônio, Barrocas e outros setores periféricos.

Um ponto histórico de alagamento absolutamente insolúvel é no setor da Central de Abastecimento (conhecido Mercado da Cobal). Por lá, a rotina de inverno ou mesmo chuvas esporádicas, não muda nunca.

Na Prefeitura Municipal de Mossoró, a Defesa Civil entrou em ação.

“Determinei que a equipe de defesa civil coloque todas as equipes nas ruas. Também temos varias câmeras espalhadas pela cidade monitorando 24h por dia as principais vias. Em caso de problemas, ligue 153 ou 199”, alertou a prefeita Rosalba Ciarlini (PP) em redes sociais.

Rua Duodécimo Rosado, com Lagoa do Bispo e área de descargas de um supermercado (Foto: WhatsApp)

Raríssimo encontrar uma cidade de portes grande e médio em condições de enfrentar esse tipo de adversidade.

No residencial Alphaville, as águas também tomaram proporções inesperadas (Foto: reprodução)

Com Mossoró não é diferente. A expansão imobiliária desordenada, escassez de estruturas de drenagem e a má educação da população sempre entupindo esgotos e galerias, concorrem para que cada dia mais esse problema se agrave.

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Um olhar sobre os mercados públicos

Por Gutemberg Dias

Hoje vamos falar um pouco dos mercados públicos de nossa urbe (Mossoró). Mercados esses que têm muita história para contar, já que por lá já passou boa parte da população, seja para comprar mantimentos ou comer uma bela panelada.

Infelizmente, esses equipamentos públicos, desde muito tempo, estão abandonados pela gestão municipal. Para se confirmar essa máxima basta fazer um tour pelo Mercado Central, Mercado do Bom Jardim, Mercado do Alto da Conceição e, também, a Central de Abastecimento – Cobal, que é possível ver o estado lamentável desses equipamentos.

Por pressão popular e cobrança de comerciantes instalados nesses logradouros comerciais, a gestão atual começou a realizar medida cosmética, verdadeiro “arranjo”, para tornar “respirável” esses ambientes.

É preciso que a gestão municipal assuma efetivamente a gestão desses espaços. Ela precisa, antes até de executar reformas físicas, criar regras de uso, recadastrar todos os cessionários, desenvolver mecanismos que garantam a autogestão e, sobretudo, regularizar juridicamente a relação de ocupação dos pontos.

Pensando na parte estrutural desses equipamentos já passou da hora da prefeitura iniciar reformas estruturantes que possam segmentar os serviços ofertados no âmbito desses equipamentos.

Se tomarmos por exemplo o Mercado Central é possível constatar vários segmentos entrelaçados (vestuários, alimentação, aviamentos etc) que juntos ocupam espaços que dificultam o trânsito daqueles que adentram o mercado para fazer compras. Vale destacar, que a forma que se encontram os pontos é um prato cheio para que possa ocorrer algum sinistro.

A segurança dos cessionários e dos clientes precisa ser garantida. E isso só irá ocorrer a partir de um processo de gestão eficiente desses espaços, onde regras claras precisam ser seguidas por todos que tem empreendimentos nesses equipamentos.

É preciso repensar esses espaços, repito.

Investir nesses equipamentos tem dois grandes feitos. O primeiro é revitalizar esses espaços públicos na perspectiva que possam se tornar atrativos aos mossoroenses e, também, aos turistas, passantes de outros municípios. Segundo, reordenar a estrutura interna dos mesmo com vistas a regular as atividades desenvolvidas neles.

Para mim o maior obstáculo a uma grande mudança é a quebra de paradigma. Haja vista que é preciso o entendimento dos que ocupam esses espaços quanto à realização de grandes mudanças. Bem como, a gestão municipal precisa dar o primeiro passo para que algo possa acontecer.

Nesse sentido é preciso que todo um trabalho de organização seja executado em parceira com entidades como o Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas (SEBRAE), que ajudam formação empresarial dos micros e pequenos empreendedores. Bem como, envolver várias áreas da gestão municipal como a Secretaria de Desenvolvimento Social, Infraestrutura, Vigilância Sanitária entre outros entes municipais.

Outras cidades como Salvador, Porto Alegre, Fortaleza e Campina Grande têm mercados públicos reformados e que atraem muitos turistas e, sobretudo, gente local.

Por que não pensar um projeto amplo para nossos mercados?

Gutemberg Dias é graduado em geografia, empresário e ex-secretário de planejamento de Mossoró

PT antecipa pré-campanha presidencial em favor de Lula

Com o intuito de dialogar com a população, será realizada neste sábado (15/07), a Caravana “#DiretasJá Eleições sem Lula é Fraude!”, com concentração às 15h, na antiga Cobal, bairro Paredões.

A iniciativa é do movimento Frente Brasil Popular que abriga movimentos sociais e partidos de esquerda, liderados pelo PT.

Segundo a vereadora e presidente do Diretório Municipal do PT/Mossoró, Isolda Dantas, a ideia é ir até o povo e explicar o que está acontecendo, de fato, no País.

“Nós compreendemos que o golpe foi dado na classe trabalhadora com a aprovação das reformas, especialmente a reforma trabalhista. Nesse sentido, definimos que vamos conversar com o povo e para isso montamos uma caravana que vai sair pelos bairros da cidade explicando a atual conjuntura do País”, explica.

Nota do Blog – O movimento faz parte de uma estratégia nacional do PT, de aposta desde já numa pré-campanha presidencial antecipada, que mantenha o nome do ex-presidente Lula em evidência, sob a aura de vítima de um complô político.

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