Mossoró possui a maior frota de helicópteros privados do Rio Grande do Norte, com cerca de sete aeronaves, mas não tem um médico de plantão em seu hospital de referência.
Inversão de prioridades.
“Metrópole do Futuro.”
Mossoró possui a maior frota de helicópteros privados do Rio Grande do Norte, com cerca de sete aeronaves, mas não tem um médico de plantão em seu hospital de referência.
Inversão de prioridades.
“Metrópole do Futuro.”
Prezado Carlos,
Gostaria de retratar o que ocorreu com um conhecido no último fim de semana, para ilustrar bem o que você está falando sobre a situação do Hospital Regional Tarcísio Maia (HRTM).
Um senhor conhecido de minha família foi vítima de um acidente de motocicleta, e sofreu múltiplas faturas em uma das pernas, e em um braço. Porém, ao chegar ao HRTM, o acidentado e sua família foram surpreendidos pela informação de que não havia possibilidade de atendê-lo por falta de médicos.
Diante de tal absurdo, e necessitando de atendimento imediato, pois corria o risco de perder a perna fraturada, o acidentado foi encaminhado às pressas para Parnamirim, onde foi realizado procedimento cirúrgico adequado.
O ortopedista que o atendeu em Parnamirim ressaltou que se houvesse uma demora maior no seu atendimento, teria que amputar sua perna.
Será que que os jornalistas da “Veja” que ressaltaram Mossoró como uma metrópole do futuro deram uma passadinha no HRTM?
Marcelo Barbosa – Webleitor
Nota do Blog – Pior, meu caro amigo, é que setores amestrados da mídia local concorrem para a produção de uma imagem fantasiosa do sistema de saúde, em nome de seus interesses menores.
Outra parte considerável da população, que nunca precisou e acha que não vai precisar do HRTM, o ignora ou o trata com desdém. Falta um pingo de bom senso e qualquer coisa de humanismo.
Se um dia precisar e sentir que o cenário é ainda pior, talvez caia na real e peça desculpas até a Deus por tantas besteiras e desatinos.
Por Carlos Santos
Como são estúpidos os parâmetros que o grosso da sociedade mossoroense tem adotado, para dimensionar sua ascensão social. Tudo baseado na superficialidade e babaquice do “parece ter”.
Estamos medindo esse novo status nos prédios que sobem, nos milhares de carros que invadem ruas, avenidas e ocupam até calçadas. Naqueles que muitas vezes para subir, precisam descer aos subterrâneos.
Ontem eu tive mais um testemunho do atraso e da distância em que nos encontramos, da inversão de valores e confusão em que nos metemos, em nome do hipotético progresso.
Fuçando livros em um sebo, seu proprietário me fez um relato que fica entre o bizarro e o jocoso. Vamos a ele.
Há algum tempo, esse sebista foi procurado por uma “nova rica”, interessada em comprar “um metro de livro”. Isso mesmo. Não era um título específico, coleção ou tomo de encadernamento especial. Tinha que ser no metro, sim.
Explico, reproduzindo o que ouvi: a deslumbrada precisava preencher um espaço em estante desenhada por sua arquiteta, sendo recomendada a colocar livros com a mesma dimensão estética. O espaço disponível pro “enfeite”? Um metro. Um metro de livros simetricamente alinhados.
Mossoró, até o início do século passado, vivia a influência europeia do movimento conhecido como “art nouveau” – daí nascendo até a corruptela de sua área de prostituição, transformada em “Alto do Louvor”, décadas depois.
Era uma cidade com requintes em roupas, moveis, arquitetura, mas também na cultura, desde o teatro ao hábito da leitura e música. Tínhamos cerca de 100 pianos. E as moças bem educadas tocavam. Eles não serviam apenas de ornamento na decoração.
Falar francês era normal para os jovens de ótima extração. Muitos eram poliglotas. Os janotas transitavam sempre impecáveis e ser rico, em verdade, era transformar dinheiro em bem-estar e referência de conteúdo.
Hoje testemunhamos a “Metrópole do Futuro” exultante com seu “crescimento” baseado em carrões pra exibição, TV de LCD e home-theater na sala do apartamento, gente mal-educada saracoteando ao som de “lapada na rachada” e enchendo sacolas com bugigangas de grife.
Os que se salvam dessa manada são tratados como estranhos e afetados, ou seja, anormais.
Portanto não é por acaso que da atividade produtiva à política, estejamos “dominados” pela ignorância que mesmo rica, não reluz. É opaca ou furta-cor, mas certamente abobalhada e fútil.
Empobrecemos, em verdade, porque na ânsia de ser diferente, a grande maioria é apenas mais um nessa multidão pasteurizada, uniforme, feita em escala industrial: modelo standart. Faz da aparência a sua essência, da borra cosmética a sua alma.
Acredita que Paris é “a cidade luz” por ser muito iluminada; toma Old Parr com Coca-cola, mas preferia um legítimo “Odete”, por ser mais barato.
A propósito, bota uma bicada de Serra Limpa aí, amigo. O sertão é aqui.