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Mossoró fica sem nome na Câmara dos Deputados após 78 anos

Com a posse dos novos deputados federais nesta quarta-feira (1º), em Brasília, às 10h, Mossoró passa a ter um vácuo em sua representação nesse poder, após 78 anos. O fim ou interrupção desse ciclo ocorre com o término do mandato do deputado federal Beto Rosado (PL), no dia passado.

Numa reportagem especial e exclusiva no dia 7 de outubro do ano passado, cinco dias após as eleições em primeiro turno, postamos levantamento minucioso dessa trilha mossoroense até a Câmara dos Deputados (Câmara Federal – Após 77 anos e dezenas de mandatos, Mossoró não elege ninguém).

Veja a íntegra abaixo. É um documento para a história, estudiosos, pesquisadores, jornalistas, diletantes da política. Esperamos apenas que, material sendo usado, seja dado o crédito a trabalho tão exaustivo:

Vingt Rosado colecionou 7 mandatos e seu lado familiar totalizou 13 desde 1962 (Foto: arquivo/reprodução)
Vingt Rosado colecionou 7 mandatos e seu lado familiar totalizou 13 desde 1962 (Foto: arquivo/reprodução)

Que lástima. O segundo maior colégio eleitoral do Rio Grande do Norte, com um total de 183.285 eleitores aptos ao voto, não elegeu sequer um deputado federal este ano. É, de verdade, uma situação inusitada, se computados os pleitos desde a retomada do Estado Democrático de Direito, pós-Estado Novo, ditadura de Getúlio Vargas.

Levantamento em primeira mão e exclusivo do Canal BCS (Blog Carlos Santos) mostra como Mossoró sempre esteve presente na Câmara dos Deputados, desde uma época em que a Capital Federal ainda era o Rio de Janeiro.

Essa trajetória de eleições e eleitos está listada abaixo, tendo início há 77 anos, precisamente no pleito de 1945:

1945 – Mota Neto

1950 – Dix-huit Rosado e Mota Neto (Ficou na suplência, mas assumiu com a eleição a vice-presidente do natalense Café Filho, também eleito deputado federal, simultaneamente)

1954 – Dix-huit Rosado

1958 – Xavier Fernandes e Tarcísio Maia (Nascido em Catolé do Rocha-PB, mas radicado em Mossoró)

1962 – Vingt Rosado

1966 – Vingt Rosado

1970 – Vingt Rosado

1974 – Vingt Rosado

1978 – Vingt Rosado

1982 – Vingt Rosado

1986 – Vingt Rosado e Wilma de Faria

1990 – Laíre Rosado

1994 – Laíre Rosado e Betinho Rosado

1998 – Laíre Rosado, Betinho Rosado e Múcio Sá

2002 – Sandra Rosado e Betinho Rosado

2006 – Sandra Rosado e Betinho Rosado (Ficou na suplência de Nélio Dias, mas com morte desse em 20 de julho de 2007, assumiu o mandato)

2010 – Sandra Rosado e Betinho Rosado

2014 – Beto Rosado

2018 – Beto Rosado (Assegurou mandato judicialmente, em decisões liminares. O eleito foi Fernando Mineiro, do PT)

2022 – Nenhum

O empresário Mário Rosado, filho do ex-prefeito Dix-huit Rosado, chegou a assumir mandato interinamente no dia 1º de janeiro de 1995, final da legislatura eleita em 1990.

Mota Neto, o "Motinha", abriu a série de mandatos (Foto: Reprodução)
Mota Neto, o “Motinha”, abriu a série de mandatos (Foto: Reprodução)

Xavier Fernandes, com a morte do deputado federal Aristófanes Fernandes no 8 de dezembro de 1965, no Rio de Janeiro, acabou efetivado para seu segundo mandato parlamentar federal.

Outra curiosidade, entre tantas outras, é que de forma contínua o clã Rosado tinha eleições à Câmara dos Deputados desde 1962, quando foi eleito Vingt Rosado. Ele também é o segundo político do RN com mais mandatos federais, num total de 7, só perdendo para o ex-deputado Henrique Alves que somou 11 a partir de 1970 – consecutivamente.

21 mandatos Rosados

Os Rosados cumulativamente foram eleitos 21 vezes à Câmara dos Deputados e ainda assumiram mais duas, em virtude de falecimento de um titular e renúncia de outro.

Desde a eleição de 1945, Mossoró teve entre eleitos e suplentes o total de 30 mandatos federais.

A ala Rosado do tronco familiar de Vingt Rosado somou desde 1962 o total de 13 mandatos: ele, com sete; além de Laíre Rosado e Sandra Rosado com três legislaturas cada um.

DTV

Em 1958 há um fato muito interessante sobre a eleição de Tarcísio Maia. Ele foi eleito deputado federal, seu único mandato obtido pelo voto direto. Aliado aos primos Vingt Rosado e Dix-huit Rosado, ele formou chapa ‘não oficial’ denominada de DTV – Dix-huit/Tarcísio e Vingt,

Dix-huit foi eleito ao Senado e Vingt à Assembleia Legislativa do RN, além do próprio Tarcísio Maia à Câmara dos Deputados.

Três 

Em 1998, dos oito deputados federais eleitos pelo Rio Grande do Norte, três foram de Mossoró. Uma marca única até hoje: na lista de vitoriosos, Laíre Rosado, Betinho Rosado e Múcio Sá.

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Após 77 anos e dezenas de mandatos, Mossoró não elege ninguém

Que lástima. O segundo maior colégio eleitoral do Rio Grande do Norte, com um total de 183.285 eleitores aptos ao voto, não elegeu sequer um deputado federal este ano. É, de verdade, uma situação inusitada, se computados os pleitos desde a retomada do Estado Democrático de Direito, pós-Estado Novo, ditadura de Getúlio Vargas.

Vingt Rosado colecionou 7 mandatos e seu lado familiar totalizou 13 desde 1962 (Foto: arquivo/reprodução)
Vingt Rosado colecionou 7 mandatos e seu lado familiar totalizou 13 desde 1962 (Foto: arquivo/reprodução)

Levantamento em primeira mão e exclusivo do Canal BCS (Blog Carlos Santos) mostra como Mossoró sempre esteve presente na Câmara dos Deputados, desde uma época em que a Capital Federal ainda era o Rio de Janeiro.

Essa trajetória de eleições e eleitos está listada abaixo, tendo início há 77 anos, precisamente no pleito de 1945:

1945 – Mota Neto

1950 – Dix-huit Rosado e Mota Neto (Ficou na suplência, mas assumiu com a eleição a vice-presidente do natalense Café Filho, também eleito deputado federal, simultaneamente)

1954 – Dix-huit Rosado

1958 – Xavier Fernandes e Tarcísio Maia (Nascido em Catolé do Rocha-PB, mas radicado em Mossoró)

1962 – Vingt Rosado

1966 – Vingt Rosado

1970 – Vingt Rosado

1974 – Vingt Rosado

1978 – Vingt Rosado

1982 – Vingt Rosado

1986 – Vingt Rosado e Wilma de Faria

1990 – Laíre Rosado

1994 – Laíre Rosado e Betinho Rosado

1998 – Laíre Rosado, Betinho Rosado e Múcio Sá

2002 – Sandra Rosado e Betinho Rosado

2006 – Sandra Rosado e Betinho Rosado (Ficou na suplência de Nélio Dias, mas com morte desse em 20 de julho de 2007, assumiu o mandato)

2010 – Sandra Rosado e Betinho Rosado

2014 – Beto Rosado

2018 – Beto Rosado (Assegurou mandato judicialmente, em decisões liminares. O eleito foi Fernando Mineiro, do PT)

2022 – Nenhum

O empresário Mário Rosado, filho do ex-prefeito Dix-huit Rosado, chegou a assumir mandato interinamente no dia 1º de janeiro de 1995, final da legislatura eleita em 1990.

Mota Neto, o "Motinha", abriu a série de mandatos (Foto: Reprodução)
Mota Neto, o “Motinha”, abriu a série de mandatos (Foto: Reprodução)

Xavier Fernandes, com a morte do deputado federal Aristófanes Fernandes no 8 de dezembro de 1965, no Rio de Janeiro, acabou efetivado para seu segundo mandato parlamentar federal.

Outra curiosidade, entre tantas outras, é que de forma contínua o clã Rosado tinha eleições à Câmara dos Deputados desde 1962, quando foi eleito Vingt Rosado. Ele também é o segundo político do RN com mais mandatos federais, num total de 7, só perdendo para o ex-deputado Henrique Alves que somou 11 a partir de 1970 – consecutivamente.

21 mandatos Rosados

Os Rosados cumulativamente foram eleitos 21 vezes à Câmara dos Deputados e ainda assumiram mais duas, em virtude de falecimento de um titular e renúncia de outro.

Desde a eleição de 1945, Mossoró teve entre eleitos e suplentes o total de 30 mandatos federais.

A ala Rosado do tronco familiar de Vingt Rosado somou desde 1962 o total de 13 mandatos: ele, com sete; além de Laíre Rosado e Sandra Rosado com três legislaturas cada um.

DTV

Em 1958 há um fato muito interessante sobre a eleição de Tarcísio Maia. Ele foi eleito deputado federal, seu único mandato obtido pelo voto direto. Aliado aos primos Vingt Rosado e Dix-huit Rosado, ele formou chapa ‘não oficial’ denominada de DTV – Dix-huit/Tarcísio e Vingt,

Dix-huit foi eleito ao Senado e Vingt à Assembleia Legislativa do RN, além do próprio Tarcísio Maia à Câmara dos Deputados.

Três 

Em 1998, dos oito deputados federais eleitos pelo Rio Grande do Norte, três foram de Mossoró. Uma marca única até hoje: na lista de vitoriosos, Laíre Rosado, Betinho Rosado e Múcio Sá.

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Maisa, história de exuberância no campo e um fim que deu frutos

Por Josivan Barbosa

Durante a semana conversei demoradamente com um ex-agrônomo da antiga Maisa (Mossoró Agro Industrial Sociedade Anônima). Lembramos das grandes áreas de maracujá, acerola, manga, melão, melancia e a cultura original, o caju. Na Maisa também havia uma área bem representativa com o cultivo de sapota.

No auge da produção da empresa, registrava-se uma área de cultivo por safra de cerca de 4000 ha de melão e melancia. A empresa foi a grande responsável pela abertura inicial do mercado do Reino Unido e depois conquistou a Europa e os Estados Unidos, colocando o melhor melão do mundo no mercado de frutas frescas mais exigente do planeta (veja vídeos abaixo produzidos nos anos 80 e 90, inclusive  reportagem nacional com o jornalista Goulart de Andrade, falecido em 2016, na ativa, com 83 anos).

A Maisa tinha ainda uma fábrica de suco e uma fábrica de castanha, ambas de excelente padrão técnico.

O escritório da Maisa, que ainda se pode observar as suas ruínas ao passar pela BR 304, era uma estrutura invejável para os padrões da época. Havia dentro do escritório um restaurante terceirizado para atender apenas aos funcionários que ali trabalhavam e que residiam na sede do município de Mossoró ou em Fortaleza.

Uma imagem que nos faz lembrar do padrão Maisa é a presença no estacionamento de diversos veículos importados usados pelos seus diretores. No final da década de 80 era raro encontrar um desses veículos rodando pelas ruas de Mossoró, mas no estacionamento do escritório eram vários os exemplares. Lembro bem que pela primeira que conheci uma Cherokee foi exatamente lá.

O fim

A pergunta que cabe e que já foi feita por vários leitores dessa coluna é: por que uma empresa do porte da Maisa fechou as suas portas?

Claro que não estamos aqui querendo trazer para o debate as inúmeras razões que levaram ao fracasso da empresa, mas a exemplo de outras agroindústrias que também fecharam as portas na mesma época, como a Frunorte Ltda, Agro Now e Fazenda São João, um ponto que pesou muito para a descontinuidade dessas empresas foi a instabilidade financeira que o país atravessou.

Todas essas empresas trabalhavam com crédito agrícola e se submeteram à inflação exorbitante que em março de 1990 alcançou 84,22%. Essas empresas também se submeteram a diversos planos econômicos, alguns deles de grande fracasso. Elas não alcançaram o período da nova matriz econômica instalada a partir de 1999 no segundo Governo de FHC.

Acreditamos que se tivessem ultrapassado a instabilidade econômica da década de 90, ainda estariam vivas.

Outro aspecto que contribuiu para o fechamento dessas empresas foi a instabilidade do câmbio, onde houve um período em que a valorização do real de forma artificial passou de 4 reais por dólar para 0,80. Isso foi fatal para as empresas exportadoras de frutos, pois os contratos dessas empresas eram todos feitos em moeda estrangeira. Foram poucas as empresas que conseguiram se readaptar e redirecionar o produto para o mercado nacional.

Também não podemos esquecer que a partir do momento em que alguma dessas empresas passaram a cumprir com os compromissos dos empréstimos bancários corrigidos pela gigantesca inflação, houve dificuldade de se manterem adimplentes com os bancos. Esse problema contribuiu muito para que algumas fossem tomadas pelos bancos e leiloadas ou mesmo vendidas para assentamentos rurais.

É o caso da Maisa em que o Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (INCRA) constituiu a partir do início da década de 2000 o assentamento Eldorado do Carajás II, formado inicialmente por mais de 1000 famílias assentadas e a Frunorte, onde em apenas uma das fazendas localizada no município de Carnaubais, o Incra instalou três assentamentos. Também em parte das terras da Fazenda São João, há dois assentamentos instalados. Um que fica na RN 015 e outro que fica na comunidade rural de Alagoinha.

Grande Maisa

A região que hoje é denominada de Grande Maisa é a mais produtiva do Polo de Agricultura Irrigada RN – CE que vai de Touros – RN até Limoeiro do Norte – CE, numa distância de cerca de 400 km.

A Maisa representou, na prática, uma verdadeira escola de produção de frutas. Os agrônomos que ficaram desempregados após o fechamento dela adquiriram áreas por compra ou arrendamento no seu entorno (Pau Branco, Sítio Jardim, Pedra Preta, Córrego Mossoró, Mata Fresca, Cajazeiras, Santa Maria, Aroeira, Cacimba Funda, entre outros) e se instalaram no formato de associações, cooperativas ou empresas individuais.

Esses técnicos representam o principal pool de produtores da região da Grande Maisa e continuam adquirindo áreas para ampliar a produção ou servir como alternativa para o plantio alternado ano após ano (descanso das áreas), prática muito necessária nas culturas de melão e melancia.

Preservação e construções

A nova lei aprovada na semana passada na Câmara dos Deputados pode mudar a realidade de construções ao longo do trecho urbano do Rio Apodi – Mossoró.

Rio Apodi-Mossoró no centro da cidade de Mossoró (Reprodução)
Rio Apodi-Mossoró no centro da cidade de Mossoró (Reprodução)

O plano diretor dos municípios poderá determinar uma área de preservação menor nas regiões urbanizadas do que a prevista hoje em lei federal, desde que estabeleça regras para “não ocupação de áreas de risco de desastres” e que os empreendimentos instalados sejam de “utilidade pública, interesse social ou baixo impacto ambiental”.

A lei hoje determina que as construções urbanas são proibidas a menos de 30 metros de rios e lagos menores. O tamanho da faixa aumenta de acordo com o tamanho do curso d’água, podendo chegar a até 500 metros de preservação no caso de rios ou lagos com largura superior a 600 metros. Se o projeto for sancionado, a área de proteção pode ser menor.

O texto que será discutido no Senado teve apoio do governo e do setor de construção civil, mas passou sob protestos de ambientalistas.

Como a nova Lei não estabelece uma faixa mínima para as cidades corre-se o risco de   que ocorra invasão de novas áreas por construções. Outro aspecto negativo é que os prefeitos e vereadores estarão mais sujeitos a pressões locais por flexibilização.

Josivan Barbosa é professor e ex-reitor da Ufersa

Dois ex-secretários são denunciados por fraude em contrato

O Ministério Público do Rio Grande do Norte (MPRN) ofereceu denúncia contra dois ex-secretários de estado, um representante do Comitê Organizador Local (COL), um arquiteto proprietário de uma empresa de consultoria e ainda servidores públicos potiguares por fraude em contrato relativo à Arena das Dunas, estádio construído em Natal que recebeu quatro jogos da Copa do Mundo de 2014.

Na denúncia, a Promotoria de Defesa do Patrimônio Público pede ainda que seja reparado o total de R$ 2.674.822,85 aos cofres públicos. A denúncia foi acatada pelo juiz da 6ª vara Criminal de Natal.

Projetos básicos

A denúncia é resultado de um inquérito civil instaurado para apurar a regularidade da contratação, pela Secretaria de Turismo do Rio Grande do Norte (Setur), da empresa Stadia Projetos Consultoria e Engenharia Ltda para a prestação dos serviços especializados no desenvolvimento dos projetos básicos complementares relativos à Arena das Dunas.

Essa contratação foi realizada mediante inexigibilidade de licitação em razão de uma suposta notória especialização da empresa, o que se mostrou direcionada, principalmente pelo fato de a Stadia ter sido constituída havia menos de um ano.

O ex-titular da Setur e ex-deputado federal Múcio Gurgel de Sá, o ex-secretário extraordinário para Assuntos Relativos à Copa do Mundo (Secopa) Fernando Fernandes de Oliveira, a ex-coordenadora da Assessoria Jurídica da Setur Adriana Andrade Sinedino de Oliveira, o principal sócio da empresa Stadia, Danilo Roberto de Carvalho, e ainda Carlos de La Corte, que foi membro do Comitê Organizador Local da Copa do Mundo 2014 (COL) foram denunciados pelo crime de inexigibilidade indevida, previsto no artigo 89 da Lei de Licitações.

Saiba mais detalhes clicando AQUI.

Com informações do MPRN.

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Diretor de jornal lembra denúncia contra Múcio Sá (bido)

Caro amigo;

Ao ler esta noticia sinto a sensação de impunidade que tanto tem motivado bandidos dessa estirpe. Fui o primeiro jornalista a divulgar e denunciar essa quadrilha com a matéria intitulada “(Sá)bedoria”, veiculada, em 2004, no nosso saudoso e combativo jornal Página Certa.

À época levantamos uma farta documentação, com provas irrefutáveis, e expomos toda logística dos desvios de verbas que envolviam a Fundação Aproniano Sá, com sede fantasma na extinta Maisa. A quantia superava os R$ 6 milhões, além de outros desvios cruzados, através de emendas e notas fiscais frias transacionadas, com membros da quadrilha, através de ONGs e fundações agregadas ao esquema de corrupção.

Ainda está viva na minha memória o modo prepotente e ameaçador, com que recebi na redação do jornal o protagonista e principal suspeito daquela quadrilha, o ex-deputado Múcio Sá – acompanhado de “guarda-costas” intimidadores. Mas, a pressão não foi suficiente para nos intimidar.

Deste então, enquanto a justiça caminhava lentamente para dar essa tardia sentença, o sr. Múcio Sá foi presenteado com cargos de secretário de estado nos governos Vilma de Faria e Iberê Ferreira.

Nesse ínterim, milhares de pessoas foram vitimas anônimas desses bandidos, enquanto eles desfrutavam do bem-estar promovido com o roubo do dinheiro público, destinado à saúde dos mais carentes, além das benesses de governo promovidas por políticos aliados e comprometidos com a súcia.
Lamentavelmente, pô-los atrás das grades é uma possibilidade remota.

Inescrupulosos como são, os membros da corja continuarão a zombar muito de todos, pois sabem que a morosidade da justiça os incentiva para que isso aconteça. As multas e ressarcimentos sentenciados são risíveis e até mesmo estimulantes.

Não dá para acreditar na seriedade de um país, quando os (pequenos) passos da Justiça não acompanham a celeridade de seu desenvolvimento e crescimento.

Um abraço fraterno,

Carlos Duarte – Webleitor e diretor do semanário Página Certa

Nota do Blog – Carlos, participei do projeto “Página Certa” desde o seu primórdio, partilhei das vitórias, agruras e como você, sua esposa Cleílma, fui vítima de umas das mais odiosas perseguições por fazermos jornalismo investigativo, de opinião e dialético.

O caso que envolve Múcio Sá e outros figurões – veja matéria AQUI – foi desencadeado pelo Página Certa, como vários outros que resultaram em procedimentos do Ministério Público, Polícia Federal e até em algumas condenações judiciais.

Um dia vamos ter que escrever a saga do Página Certa, para que seu legado fique à posteridade como prova de que é possível combater o bom combate, mesmo contra essas súcias, gente sem um pingo de pudor ou respeito pelo homem.

Ex-deputado, mulher e pai são condenados por corrupção

A Justiça Federal do Rio Grande do Norte condenou nove pessoas, envolvidas na chamada “operação sanguessuga”, onde a atuação da Controladoria Geral da União (CGU) revelou, em 2004, em municípios de diferentes regiões do Brasil, a existência de uma suposta organização criminosa que desviava verbas federais destinadas à compra de ambulâncias, medicamentos e materiais médico-hospitalares.

A sentença foi do Juiz Federal Magnus Augusto Costa Delgado, titular da Primeira Vara Federal.

Entre os condenados está o ex-deputado federal Múcio Sá, seu pai José Nilson de Sá (ex-sócio da construtora EIT e da extinta indústria Maisa) e até sua esposa, Aldanisa de Sá.

Eles – segundo o magistrado revela em sua sentença – usavam a entidade “filantrópica” Aproniano Sá para drenagem de dinheiro público, desviado de forma escandalosa, fria e desumana.

Os demais condenados são estes: ANDERSON LUIS BRUSAMARELLO, DARCI JOSÉ VEDOIN, LUIZ ANTÔNIO TREVISAN VEDOIN, ALDA PEREIRA RAMALHO, ADRIANO GURGEL DE SÁ e RAIMUNDO COSTA ITAMAR DE OLIVEIRA.

Todos condenados solidariamente a ressarcirem os cofres públicos em R$ 370.075,16.

Além disso, todos os réus deverão pagar como multa juntos o valor de R$ 739.410,32.

Veja mais detalhes AQUI, com informação da própria Justiça Federal.

Nota do Blog – Ainda tem gente defendendo a criação de mais algum imposto ou “contribuição” compulsória para melhoramento de recursos à Saúde. Precisa?

Não precisa.

Basta que essa récua pare de furtar tanto. Furtem menos que até sobra dinheiro para a Saúde.