Conhecida pela prodigalidade em “fazer praças” na cidade ao longo de três mandatos como prefeita, Rosalba Ciarlini (PP) está prestes a entrar no último ano do seu quarto mandato à frente da Prefeitura de Mossoró, marcada por uma simbologia inversamente proporcional. Ela é a prefeita que deprecia e destrói um dos logradores públicos mais simbológicos do município, no coração da urbe: a Praça Vigário Antônio Joaquim.

Desde o dia 10 de abril de 2018 (isso mesmo, veja AQUI, há um ano, seis meses e 11 dias) que ordem de serviço foi assinada para “obras de restauração, acessibilidade e manutenção”, no valor de R$ 95.491,66 e prazo de entrega para 120 dias, com responsabilidade da Lima Engenharia e Construções. Em agosto de 2018, ano passado, era para ter sido reinaugurada.
Desde então, no curso da campanha eleitoral do ano passado, quando tinha o filho Cadu Ciarlini (PP) como candidato a vice-governador do ex-prefeito natalense Carlos Eduardo Alves (PDT), ela e uma entourage fez várias visitas ao local e nunca entregou a obra nem justificou o porque de não abri-la ao uso da população.
Cotidiano do caos
O retrato do local é desolador. Num tour por onde antes circulavam adultos e crianças durante muitas décadas, logo encontramos monturos e estruturas físicas semidestruídas. Foi transformada em residência fixa de incontáveis moradores de rua que se entregam a seus vícios, fazem necessidades físicas e converteram bancos em varais para roupas ou camas, numa vida cotidiana dividida com pombos, lixo, ratos e baratas.

A Praça Vigário Antônio Joaquim é uma vergonha à céu aberto, mas escondida dos olhos de transeuntes por tapumes de alumínio. Os responsáveis por esse escárnio seguem preservados de críticas ou qualquer tipo de indignação da população.
O vizinho que deveria “fiscalizar”
Também são poupados de cobrança incisiva da Câmara Municipal. Inclusive, esse poder “fiscalizador” é vizinho – a poucos metros – do local. Na verdade, parceiro e cúmplice desse crime de lesa-Mossoró.
Impossível não perceber tanto acinte, haja vista que das janelas do seu plenário é possível ter uma visão panorâmica desse patrimônio da gestão de Rosalba Ciarlini, numa área de cerca de 1.900 metros quadrados.

Estranho também que a mesma Praça tenha passado a ter outra empresa contratada para realizar o mesmo serviço, sem que praticamente nada revele que ali um dia foi promovida qualquer tipo de restauração, acessibilidade e manutenção.
Outra empresa, outro valor, outro prazo
Desde o fim de setembro de 2018 que trabalhadores começaram a cercar a praça (veja AQUI), com a nova obra definida (e outra empresa, a Vita Comércio e Serviços Ltda.) no valor de R$ 425.132,44.
Em seis meses tudo seria entregue, garantia a propaganda municipal. Ou seja, março de 2019.
Outro prazo que foi e continua ignorado e nenhum esclarecimento é prestado ao contribuinte, ou seja, quem paga o desperdício.

A mesma praça com duas placas com especificações do empreendimento (a primeira já foi retirada do local), dois prazos, dois valores bem diferentes e uma mesma realidade: abandono, desprezo.
A “casa” da prefeita
A “prefeita das praças” anunciou na pré-campanha de 2018 que tinha 35 obras em andamento e mais 30 estariam em licitação, a maioria para reparos em praças, calçamentos, tapa-buraco.
“A nossa cidade é como a nossa casa, tem que ter manutenção frequente”, palavras dela no dia 10 de abril do ano passado.
Cabe um ditado popular para enquadrá-la à realidade: “Faça o que eu digo, mas não faça o que eu faço”.
Vale ainda lembrar um bordão que ela utilizou em sua campanha municipal vitoriosa em 2016: “Minha Mossoró, o que estão fazendo com você?”
Foi o mote para transformar o então prefeito Francisco José Júnior (PSD à época) em seu principal cabo eleitoral. Nas redes sociais, principalmente, muitas vozes se levantaram para julgá-lo e sentenciá-lo ao purgatório. Agora, não. Há um silêncio tumular.

Dezenas de pequenas obras seguem paradas ou quase parando, outras tantas não passaram de propaganda.
Entretanto o enredo ainda não está completo.
Estátua e Santa Luzia como testemunhas
Esta semana a Câmara Municipal de Mossoró deverá aprovar projeto de lei que autoriza o município a contratar empréstimo “de até” R$ 150 milhões (veja AQUI) para obras de calçamento, asfalto e construção de prédios públicos.
Dinheiro à mão do mesmo governo que não consegue concluir reparos banais numa praça diante de outros dois símbolos mossoroenses: a estátua do seu sogro, o governador Dix-sept Rosado, e a Catedral de Santa Luzia, padroeira dos católicos e dos olhos. Ela deve estar vendo tudo.

Leia também: Rosalba faz ‘duas’ obras na mesma praça e mantém abandono (24 de junho de 2019);
Leia também: Empréstimo de Rosalba é cartada político-eleitoral decisiva.
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