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“Como é trabalhar no paraíso?”

Por Clarissa Paiva

Fernando de Noronha (Foto do site Max Blog)
Fernando de Noronha (Foto do site Max Blog)

Já me perguntaram isto muitas vezes. Certamente posso dizer que é um alívio. Não me refiro à localização geográfica, mas aos contextos.  Aqui não há contagem do Observatório da Violência Letal Intencional do RN (OBVIO) – a coisa que eu mais detestava anunciar por toda dor que representa. Não há sequer registro de assalto. Aqui não há chacina, perseguição… Não há medo (não desse gênero).

No paraíso trabalhamos de rasteirinha, sem botox nem pranchinha – e de shorts; mas, sim: nossa como tem trabalho! Imagine o peso de manter tudo bem, tudo lindo, como o paraíso deve ser. Pronto. Já sabe que é meio impossível com a nossa presença humana, né?

Infelizmente, ou felizmente, hoje não é preciso merecer o paraíso. Basta ter dinheiro suficiente. Aí é que “o bicho pega”. Há portas que o dinheiro não abre; e se arromba, não consegue recompor. Dinheiro não altera o ritmo da vida natural nem ressuscita passarinhos que, em todo o planeta, só existem aqui (coisas de paraísos).

Dinheiro não reconstrói recifes de corais cirurgicamente esculpidos pelos dentinhos de budiões coloridos, nem poderia pagar o cachê dos mais de 100 golfinhos rotadores vistos diariamente por aqui.

Estamos em Fernando de Noronha, um arquipélago com 21 ilhas, ilhotas e rochedos num espaço a perder de vista em pleno Oceano Atlântico, com 26 km² de extensão. A principal ilha ocupa cerca de 91% desse território ultramarino. Daqui, o ponto mais próximo no continente brasileiro é Natal, a 360 km.

Voltando ao trabalho no paraíso, dinheiro também não paga. Com um custo de vida a peso de euro, o salário comum ao continente se evapora a cada refeição. Mas, coube a mim somar na comunicação por eles e elas: praias, ilhas e ilhotas , flora e fauna do único arquipélago oceânico brasileiro a ter funcionamento de cidade (com mais de 5 mil habitantes!).

Hoje, na Comunicação do Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio Noronha) – órgão federal responsável pelas Unidades de Conservação que cobrem toda a Ilha, eu me sinto profundamente grata. Sem esse trabalho, eu talvez demorasse a entender a importância dessa autarquia que muitos imaginam ser não-governamental.

Sem Noronha não teria conhecido nomes incríveis da conservação e das artes. Isso jamais teria acontecido!

Por aqui, dizem que a Ilha escolhe quem fica. Sou merecedora disso, e sei desde o primeiro minuto. Posso até dizer que nós sabemos: eu e os que ficaram e ficam. Só esses sabem o preço.  Nada em minha vida profissional poderia se igualar à responsabilidade que adquiro hoje – o que é desgastante para mim que sofro de ansiedade fulminante. Às vezes é como estar em Lost, às vezes é como estar no céu sem ter morrido.

Não sei se até aqui consegui expressar algo parecido com o que eu vivo em função do trabalho na ilha mais sonhada do Brasil; nem sei se ficou entendido o desapego que é morar em alojamentos compartilhando ainda que não queira a sua vida pessoal com dezenas de outros.

Clarissa Paiva na labuta, em pleno paraíso (Foto: cedida)
Clarissa Paiva na labuta, em pleno paraíso (Foto: cedida)

Ainda falta o básico, a começar pela internet razoável e um computador compatível – o que temos que compensar de forma pessoal. Mas, ah! Como isso é mínimo… Faria tudo igual, mil vezes, sem hesitar (aquele tão falado propósito, sabe?)

Não sei quanto tempo ficarei aqui, mas sei que eu e essa Ilha cheia de gente extraordinária seremos sempre boas amigas, daquelas que nem alzheimer faz esquecer.

Reconheço, Carlos Santos: não dá mesmo para responder tecnicamente à pergunta inicial que você me fez, cobrando-me em texto para seus webleitores e webleitoras, uma resposta. Espero, ao menos, ter deixado cada um com vontade de preservar os paraísos que encontrar por aí.

Eles custam bem caro, num valor que não conseguiríamos estimar.

E melhor:  podem estar mais perto do que imaginamos.

Clarissa Paiva é jornalista desde 2004, servidora terceirizada do ICMBio em Fernando de Noronha e redatora do podcast “Fala, Noronha”

Mossoró se destaca em feminicídio; prefeita veta orientação

Conforme um estudo realizado pelo Observatório da Violência Letal Intencional do RN (OBVIO), Mossoró é a segunda cidade onde mais se mata mulheres no Rio Grande do Norte, ficando apenas atrás da capital do Estado, do ano de 1995 para cá. São 65 mulheres mortas de forma violenta em Mossoró de um total de 530 em todo o território potiguar, o que equivale a 12,06%.

Existem vários casos insolúveis, como o assassinato de Valéria Patrícia, ocorrido em setembro de 2016.

Apesar dos índices, um Projeto de Lei do vereador Gilberto Diógenes (PT), aprovado na Câmara Municipal de Mossoró, onde se instituiria o ensino básico da Lei Maria da Penha nas escolas municipais, foi vetado pela prefeita Rosalba Ciarlini (PP).

O veto irá à Câmara nesta terça-feira (17) e será votado em plenário.

O vereador Gilberto Diógenes tem recolhido assinaturas em um abaixo-assinado e mobilizado vários segmentos da sociedade na tentativa de ter o PL aprovado em definitivo.

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Período do Carnaval teve 36 homicídios no estado do RN

O Rio Grande do Norte teve o registro de 36 homicídios no período do carnaval. Os dados são do Observatório da Violência Letal Intencional do RN (OBVIO),. Num comparativo com 2017, em igual período, houve diminuição nos números. Ano passado foram 50 homicídios.

O levantamento contabilizou as mortes entre a sexta-feira (09), e a noite da terça-feira (13).

O número é 28% menor que no mesmo período de 2017.

Segundo o levantamento do Obvio, os dias mais violentos foram o sábado e domingo, que contabilizaram nove registros de homicídios, respectivamente.

O estado contabilizou até terça-feira à noite o total de 314 homicídios em 2018, o que representa um aumento de 6,8% em relação a 2017. No mesmo período do ano passado, foram registradas 294 mortes violentas.

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RN tem 28 homicídios num único final de semana

Segundo o Observatório da Violência Letal Intencional (OBVIO), núcleo de estudos sobre segurança pública no RN – 28 pessoas foram assassinadas somente neste final de semana.

Um total de 81 homicídios em 14 dias no estado.

Mossoró atingiu o primeiro lugar com cinco vítimas, Natal ficou em segundo lugar com quatro, empatada com a pequena São Miguel do Gostoso com igual número.

Nesta segunda-feira (15), já madrugada, houve assassinato de um policial militar – André Mário Dantas Siqueira, de 40 anos. Crime aconteceu em São Gonçalo do Amarante, quando homens passaram atirando à porta de uma festa e ele foi atingido mortalmente.

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Ronda Cidadã e propaganda não suportam a realidade

Instalado em Mossoró precariamente no dia 18 de março, com policiais recrutados de companhias militares da própria cidade (a maioria do Trânsito), o Programa Ronda Cidadã não contém a violência em sua área de atuação. A ilusão da propaganda governamental não suporta a realidade.

Segundo dados do Observatório da Violência Letal Intencional do Rio Grande do Norte (OBVIO), núcleo de estudos sobre a violência no estado, a maioria dos homicídios em Mossoró em nove meses de 2017, aconteceu justamente na região do Ronda Cidadã.

Lidera o ranking o bairro Santo Antônio, com 23 homicídios. Ele é seguido pelo Santa Delmira (15), Belo Horizonte (14), Aeroporto (13), Costa e Silva (9).

A zona rural, registrou 13 mortes.

Perda de tempo

Foram 175 homicídios de janeiro a setembro deste ano em Mossoró e 1.875 em todo o estado.

Um “alento” é que o total em relação a Mossoró é igual aos nove primeiros meses de 2016.

Quanto ao Rio Grande do Norte, são 404 mortes a mais que o mesmo período do ano passado.

O levantamento não inclui roubos e furtos, além de outras modalidades de crime. É difícil até dimensionar, pois muitas vítimas de subtração de bens sequer faz registro, por considerar caso perdido e perda de tempo.

Ninguém espere melhoria nesse cenário. Tudo vai piorar a curto e médio prazos.

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Fim de semana tem 30 homicídios no RN; governo silencia

Do G1 RN

O Rio Grande do Norte teve 30 mortes violentas neste final de semana, entre sexta-feira (15) e domingo (17), segundo registrou o Observatório da Violência Letal Intensional (Óbvio). Com isso, chega a 1.780 o número de vítimas da violência em 2017, no estado. Uma média de quase sete pessoas morre por dia nos limite potiguares.

Maior parte dos homicídios foi com uso de arma de fogo, em números assustadores (Foto: Flávio Muniz/Intertv Cabugi)

A metade dos crimes do fim de semana aconteceu somente no domingo, quando 15 pessoas foram vítimas da criminalidade. Ao longo dos três dias, 22 homicídios ocorreram na Região Metropolitana de Natal. Somente Natal e Ceará-Mirim, juntas, tiveram 13 casos.

Já a região Agreste potiguar foi a única que não contou qualquer morte violenta nos três dias.

Espancamento e carbonização

A maioria das vítimas foram homens (28). Duas mulheres morreram de forma violenta. Um total de 24 homicídios foi por arma de fogo e três tiveram registro de arma branca. Também houve casos de espancamento e carbonização.

Com 1.780 homicídios, o estado registra crescimento de 26,7% entre primeiro de janeiro e 17 de setembro. Em relação a 2015, esse crescimento é de quase 60%. Até a mesma data, no ano passado, o estado tinha registrado 1.405 casos. Em 2015, foram 1.125.

Procurada pelo G1, a Secretaria de Estado da Segurança Pública afirmou que não comenta os números do instituto.

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Esse monstro chamado violência

Por Gutemberg Dias

A segurança pública no âmbito do município de Mossoró, assim como no estado do Rio Grande do Norte, é um grande problema que precisa de solução urgente independente de cores partidárias. Esse monstro de mil formas é onipresente e assustador.

Esse ano só o estado teve caminha célere para alcançar marca de 1.500 homicídios, a maioria provocada por armas de fogo. Se comparado com o mesmo período do ano anterior já se tem um aumento de aproximadamente 22%. Em Mossoró os números são uma reprodução do que acontece no estado e até agora já são mais de 140 homicídios.

Os números apresentados são do Observatório da Violência Letal Intencional do RN (OBVIO), que faz levantamento com base em metodologia científica e não tem ligação com qualquer entidade partidária.

Diante dos números fica a pergunta que muitos fazem todo santo dia: – o que fazer para solucionar esse grave problema? Existe solução a curto prazo?

Sei que não é fácil resolver esse sério problema que em suma é de competência da gestão estadual, já que é ela a responsável pela segurança pública no âmbito institucional, principalmente, quando grandes facções criminosas (PCC e Sindicato do Crime) duelam pelo poder e agravam ainda mais o quadro geral.

Mas, voltando à questão da segurança em Mossoró. Hoje está claro que a gestão municipal não tem foco nessa área e que as ações administrativas, pelo menos aparentes, não seguem uma sincronia com as envidadas pelo governo do estado. Isso ficou claro quando a gestora municipal discordou em público do gestor estadual quanto as ações de segurança para o município (veja link para matéria ao final desse artigo).

Com o encerramento do programa das BIC’s (Base Integrada Cidadã) que foi uma das bandeiras dos dois últimos gestores (Cláudia Regina e Francisco José) pela atual gestão, o município praticamente extinguiu ações mais efetivas de combate à violência.

Defendo que o município seja parceiro do estado na organização de estratégias de combate a violência. Isso é possível devido Mossoró ter uma secretaria voltada a segurança pública e ter um grande efetivo de guarda civil, ou seja, a base já está pronta.

A Guarda Civil Municipal com um contingente de mais de 300 homens tem um papel importante no relacionamento com a população. Acredito que ela deva ser utilizada no modelo de polícia de aproximação e estar muito mais presente junto à população.

Podemos dizer que ela poderia ser o grande elo entre o povo e a Polícia Militar que, constitucionalmente, é a responsável direta pelas ações de enfrentamento.

O Gabinete de Gestão Integrada (GGI) que se reúne basicamente em momentos de crise, deveria ter um calendário regular para que os entes que fazem a gestão da segurança pública possam dialogar constantemente. Tenho plena convicção que muitos projetos poderiam ser gestados no âmbito do GGI com foco no enfrentamento dessa grave crise que assola o sistema de segurança pública.

Em paralelo, o município poderia desenvolver ações voltadas à juventude nos bairros periféricos, principalmente, nos mais susceptíveis ao domínio do tráfico de drogas. Essas ações poderiam se alicerçar na implantação de projetos voltados ao esporte e cultura que consigam atrair a juventude e mantê-la longe das ruas e da influência deletéria do crime organizado.

Ainda, é importante frisar o papel da escola na discussão permanente desse tema. Dessa forma, a sala de aula deve ser mais um campo de difusão de práticas que impulsionem o distanciamento dos jovens da influência do crime organizado.

Escuridão

Outro ponto, que o próprio Blog Carlos Santos já salientou em várias postagens, alertando para maiores condições à prática de crimes, é a iluminação pública. Mossoró está às escuras, do centro à periferia. Nem o chamado “bairro nobre” do Nova Betânia escapa a essa realidade.

Diante disso, fica claro que o município de Mossoró tem muito a oferecer em relação ao enfrentamento da violência. Para isso é preciso muita organização e parceria com o governo do estado para que os projetos possam efetivamente acontecer.

Na atual crise que vive a segurança pública no estado e, obviamente, o reflexo acontece nos municípios, a junção de forças é de extrema importância para que tenhamos resultados efetivos. Bem como, os gestores precisam entender que esse problema é generalizado e sem parceria não chegarão a canto algum.

De um modo geral, o povo não precisa de um governador, prefeito ou seja lá o que for da segurança; na realidade o povo precisa de um estado forte que atue integrado para lhe dar, pelo menos, a sensação de segurança.

Leia também: Robinson cobra Rosalba por apoio à segurança e ela se esquiva AQUI.

Gutemberg Dias é graduado em Geografia, mestre em Ciências Naturais e empresário

Governo fica sem palavras para violência e escândalos

Por Carlos Duarte

Na madrugada do último sábado (27), o Rio Grande do Norte atingiu a marca de mil mortes por condutas letais intencionais (homicídios, latrocínios, etc), neste ano. Os dados da triste estatística são do Observatório da Violência Letal Intencional (Obvio-RN).

Os números apontam para um aumento de 27,6%, em comparação com igual período do ano passado, numa média de quase 7 mortes, por dia. A curva de crescimento da violência é muito preocupante e revela que as ações de combate, implementadas pelo governo do RN, são pífias, inadequadas e incapazes de estancar o avanço da criminalidade.

Existem ausências de políticas públicas em quase todos os setores da administração do Estado – que estejam relacionados com a segurança pública, gerando um célere ciclo vicioso, nocivo a toda sociedade.

Apesar da seriedade do problema, o governo Robinson Faria (PSD) diz que não comenta os dados do Obvio-RN. Talvez, porque não tenha argumentos capazes de contrapô-los.

Da mesma forma, não comenta também os descasos nas áreas de educação e saúde, entre outras de igual importância.

O menino nascido em “berço de ouro” também não comenta o seu envolvimento nas denúncias da Lava-Jato, JBS e Damas de Espadas. Sobre o escândalo do Idema, que envolve diretamente o seu governo, sequer emite uma nota a respeito. Ignora a tudo e a todos.

“Quem cala consente!”, diz um adágio popular.

Sem comentários…

SECOS & MOLHADOS

Segurança – Em Mossoró, são 110 mortes violentas em 147 dias, deste ano. O cidadão mossoroense, que já anda aterrorizado com tamanha violência, vive a expectativa do aumento de assaltos e roubos que sempre antecedem aos grandes eventos. Quais as ações preventivas de segurança tomadas para o Mossoró Cidade Junina 2017?

Idema – O novelo da corrupção no Idema começa a ser desfiado. O desvio de dinheiro do órgão, que serviu também para financiar campanhas de políticos do RN, ainda não cessou, segundo apontam as investigações. Ávidos por arrecadação, as autuações e multas impagáveis prosperam em nome dos princípios da prevenção e da precaução. Quem paga a conta é o contribuinte e o empreendedor potiguar.

Abandono – De acordo com a Inspetoria de Controle Externo do Tribunal de Contas do Estado do RN, existem em todo o estado, 313 obras iniciadas que se encontram paralisadas ou inacabadas. Isso significa que R$ 308 milhões estão entregues às intempéries do tempo. Nenhum gestor público foi responsabilizado por isso, até agora.

Cenário – O impacto da crise política, com as denuncias ao presidente Michel Temer pela JBS, são imediatas e devastadoras para a fragilizada economia brasileira. Do cenário positivo, que estava se desenhando, agora se espera, para 2017, uma retração do PIB brasileiro para 0,5%, numa estimativa mais otimista de perda de R$ 25 bilhões; ou um PIB negativo de 1,1%, para uma perda de R$ 127 bilhões, numa estimativa mais pessimista. Os dados são de especialistas ouvidos pelo Boadcast/Estadão.

Perdas – As empresas brasileiras perderam, com os primeiros impactos da crise política, R$ 161 bilhões em valores de mercado, segundo os indicadores financeiros. Por outro lado, as empresas brasileiras com dívidas em dólar tiveram os seus passivos aumentados em R$ 7,2 bilhões. As perspectivas de reversões desses números são pouco prováveis, no curto prazo. Essa corrosão da economia, fez com que as empresas adiassem os seus planos de investimentos e captações de recursos.

Risco – A crise também estimulou as agencias de classificação de riscos a colocarem o Brasil em observação para possível rebaixamento da nota soberana, alterando o ratingbrasileiro de “estável” para “negativo”. Entre os fatores citados pela Moody’s e pela Standard & Poor’s (S&P) estão as “dinâmicas políticas mais estressadas e o aumento das incertezas em relação ao momento favorável, após os últimos acontecimentos políticos”.

Prejuízo – De acordo com a Associação Brasileira da Indústria Hoteleira (Abih-RN), o Rio Grande do Norte deverá perder cerca de mil passageiros, por semana, somente com a suspensão dos três voos semanais da TAP (Lisboa/Natal). Essa é a única ligação intercontinental aérea do RN em voos comerciais. Isso está acontecendo porque a pista principal do aeroporto de São Gonçalo está interditada para reforma e ninguém encontrou uma solução alternativa, que pudesse minimizar o impacto sobre a economia do estado. Detalhe: o aeroporto, que foi construído com o dinheiro do povo, é novíssimo, mas já apresenta vários defeitos técnicos. Isso acabará prejudicando o setor turístico do RN, que emprega mais de 120 mil pessoas.

Pingo – O uso e ocupação de solo no percurso do Pingo da Méi Dia é novamente alvo de polêmica e criticas. Os organizadores do evento argumentam que as calçadas e praças pertencem ao município e que podem, sim, lotear os seus espaços durante o evento. Mas, é importante observarem os direitos de acessibilidades dos moradores e não repetirem os erros das edições anteriores.

Pingo II – Tivemos no passado a ocupação exacerbada de espaços comprimidos – onde não são observados os critérios mínimos de segurança, como áreas de exaustão e fugas em casos de pânicos. Em tempos de aumento de violência e enfraquecimento dos equipamentos de segurança pública é prudente prevenir. Felizmente, o evento não tem histórico de violências fora dos padrões. Que assim seja outra vez.

* Veja a coluna anterior clicando AQUI.

Carlos Duarte é economista, consultor Ambiental e de Negócios, além de ex-editor e diretor do jornal Página Certa

Temos sinalização de avanço com a reforma trabalhista

Por Carlos Duarte

O projeto de lei que dispõe sob a reforma trabalhista, recentemente aprovado na Câmara de Deputados, sinaliza um grande avanço no caminho do desenvolvimento e do crescimento econômico do país. É claro que isso não agrada aos sindicatos – que sempre foram corporativos grupos de pressão junto ao Estado, motivados pela generosa arrecadação da Contribuição Sindical “obrigatória”.

A nova proposta irá permitir acordos negociados, com benefícios positivos para os dois lados (patrões e empregados) de forma autônoma.

Veja pequeno resumo da enxurrada de dinheiro em 2016 que desembarcou em entidades sindicais

Trará mais flexibilidade às relações de trabalho e minimizará o cerco burocrático, que tanto degrada o ambiente de negócio. Retirará a trava que impede o progresso, trazendo para a realidade atual, as ultrapassadas normas da CLT, que estão em vigor há mais de 70 anos.

Com a terceirização e a reforma trabalhista, o setor produtivo terá a oportunidade de buscar novas alternativas e soluções que irão gerar enormes ganhos de competitividade, garantindo a empregabilidade de grande parte dos mais de 14 milhões de desempregados atualmente no Brasil.

É evidente que outros percalços ainda precisam ser retirados do caminho da prosperidade, como a urgente necessidade de uma reforma tributária, fiscal e ambiental, além de se rever a excessiva regulação dos direitos dos consumidores.

SECOS & MOLHADOS

Eike – O ministro do STF Gilmar Mendes manda tirar da cadeia Eike Batista, que agora vai ficar em prisão domiciliar. O que corre nos bastidores é que o falido empresário é cliente do escritório de advocacia em que a esposa (Guiomar) do ministro trabalha ou é sócia. Se essa acusação for procedente, o STF se iguala ao Congresso em termos de imoralidade. Como o jornalista Carlos Santos costuma asseverar, “o STH tem de tudo, menos o direito”.

Desemprego – Várias projeções de especialistas apontam que no ritmo de desemprego que se encontra o Brasil (atualmente com mais de 14 milhões de desempregados), ao final deste ano, poderá contabilizar cerca de 18 milhões. Muito preocupante mesmo.

Estrago – Nos últimos dois anos, o PIB brasileiro teve uma queda de 8%. Para recuperar esse estrago, o cenário mais otimista aponta que serão necessários de oito a dez anos. É o resultado da política econômica desastrada e irresponsável do PT de Dilma e Lula.

Homicídios – Dados atualizados do Observatório da Violência Letal Intencional do RN (OBVIO), ontem, sábado (28) apontam que em 118 dias, deste ano, o numero de homicídios no RN chegou a 801. A cada dia, 6,8 pessoas são assassinadas no estado, cuja bandeira principal de campanha do governador Robinson Faria era a Segurança Pública. O quantitativo é 30,67% maior do que igual período do ano passado e 51,14% maior do que igual período de 2015. Isso equivale a 22,84 assassinatos para cada grupo de 100 mil habitantes. No mesmo período, Mossoró contabiliza 87 assassinatos (e um recorde neste mês – AQUI, apesar das “grandes virtudes” do programa “Ronda Cidadã”, enfatizado na propaganda do Governo do Estado.

Transposição – Em entrevista à Tribuna do Norte, o engenheiro Rômulo Macedo, que foi coordenador potiguar da transposição do rio São Francisco, faz uma revelação surpreendente. Diz que “a água que virá para os rios potiguares não terá utilidade para o RN. E o pior: todos os cidadãos irão pagar por ela, usando-a ou não”. Faltam obras complementares e não há investimentos em perímetros irrigados para produção agrícola. Pobre RN!

Protestos – Os sindicatos, partidos políticos e entidades que convocaram a manifestação da greve geral, na última sexta-feira (28), vão ser responsabilizados pelos atos de vandalismo ao patrimônio público, no Rio de Janeiro e em São Paulo. Motoristas que interditaram o trânsito receberam multa de R$ 5.800,00 por infração, considerada gravíssima, além de sete pontos na carteira e da suspensão de poder dirigir. O ato de manifestação é um direito de todos, mas não com vandalismo. Mossoró deu um bom exemplo de civilidade com manifestações pacíficas.

Palocci – O ex-ministro Antônio Palocci contratou uma banca de advogados especialistas em delação. Já sinalizou que o alvo vai ser Lula e ainda com grandes respingos em Dilma, mega empresários, ministros, deputados, governadores, marqueteiros, fundações… . Não quer mofar sozinho na cadeia. Mas, autoconfiante, Lula acha que Palocci vai entregar todo mundo, menos ele.

Contrária – A vereadora e presidente da Câmara Municipal de Mossoró, Izabel Montenegro (PMDB) se posiciona contrária às reformas trabalhista e previdenciária, da forma como estão propostas. Segundo ela, a classe empresarial tem que abrir mão de parte do percentual de seus lucros. “Essas reformas não podem ser feitas sem passarem por uma grande e ampla discussão com a sociedade”, diz através de seu perfil no Facebook.

Belchior – Faleceu na manhã deste domingo (30), na cidade de Santa Cruz (RS), aos 70 anos, o cantor e compositor Belchior. A notícia saiu no Jornal do Povo, de Fortaleza. Mais uma noticia triste para o cenário artístico musical brasileiro. Belchior era natural de Sobral (CE), onde será sepultado.

Veja clicando AQUI nossa coluna anterior.

Carlos Duarte é economista, consultor Ambiental e de Negócios, além de ex-editor e diretor do jornal Página

Estudo aponta Natal como a cidade mais violenta do Brasil

Do G1RN

A capital potiguar – Natal – é a 10ª cidade mais violenta do mundo. É o que revela um ranking elaborado pela ONG mexicana Conselho Cidadão para Segurança Pública e Justiça Penal. A lista, que possui 50 cidades, inclui 19 cidades brasileiras. Destas, Natal é a primeira, com 69,56 homicídios para cada grupo de 100 mil habitantes.

Violência atinge números espantosos e avança ainda mais em Natal e no RN (Foto: ilustrativa)

Belém e Aracaju aparecem em seguida, como as cidades brasileiras mais violentas. Os dados são referentes a 2016.

“Das 50 cidades da lista, 19 estão no Brasil, 8 no México, 7 na Venezuela, 4 nos Estados Unidos, 4 na Colômbia, 3 na África do Sul, 2 em Honduras, 1 em El Salvador, 1 na Guatemala e 1 na Jamaica”, afirmou a ONG.

A lista inclui ainda Feira de Santana (15º), Vitória da Conquista (16º), Campos dos Goytacazes (19º), Salvador (20º), Maceió (25º), Recife (28º), João Pessoa (29º), São Luís (33º), Fortaleza (35º), Teresina (38º), Cuiabá (39º), Goiânia (42º), Macapá (45º), Manaus (46º), Vitória (47º) e Curitiba (49º).

A lista da ONG é baseada no número de homicídios por 100 mil habitantes e analisa municípios com mais de 300 mil habitantes. Mossoró, por exemplo, não aparece por estar fora desse critério populacional, possuindo menos de 300 mil habitantes.

Os números de 2016 assustam, mas os que se formam para 2017 parecerem ainda piores.

Em 2017, a violência segue desenfreada no Rio Grande do Norte. De 1º de janeiro até 2 de abril, foram contabilizados 622 homicídios no estado – uma média de um assassinato a cada três horas e meia.

Estes números representam um aumento de 28,78% no número de assassinatos em comparação com igual período de 2016, quando 483 pessoas foram vítimas de crimes letais intencionais.

Veja mais detalhes clicando AQUI.

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RN já contabiliza mais de 600 homicídios em três meses

Os cadáveres vão se amontoando. O Rio Grande do Norte contabiliza mais de 600 homicídios só este ano, sem a inserção de crimes letais ocorridos à madrugada e início da manhã de hoje.

Em Mossoró, por exemplo, em menos de 48 horas foram cinco homicídios, totalizando 62 só em 2017. O mais recente aconteceu na Favela do Velho, à madrugada deste sábado (01 de Abril de 2017).

Esse homicídio ainda não está contabilizado pelo Observatório da Violência Letal Intencional do RN (OBVIO), serviço derivado do Grupo de Pesquisa da Universidade Federal Rural do Semi-Àrido (UFERSA).

Mas os dados do Obvio revelam cenário estarrecedor. Em relação a igual período de 2016, o índice de homicídios aumentou 25,73%, dados coletados até às 22h de ontem (sexta-feira, 31 de Março).

Está ruim. Tende a ficar muito pior.

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Uma nova bomba-relógio prestes a explodir

Por Carlos Duarte

No Rio Grande do Norte os índices de violência continuam em alta, com projeção de novos recordes.  O número de homicídios no estado cresceu 31,37%, nos primeiros 60 dias deste ano, se comparado com igual período do ano passado, totalizando 402 assassinatos. Os dados são do Observatório da Violência Letal Intencional do RN (OBVIO).

O governo Robinson Faria (PSD) explica que o aumento expressivo de homicídios tem relação direta com a guerra das facções criminosas e pela disputa de espaço na rota do tráfico. Todos os cidadãos potiguares já sabem, há muito tempo, desse diagnóstico. O que ainda não se sabe é quais são as medidas e ações concretas que estão sendo tomadas, pelo “Governo da Segurança”, para reverter tamanha violência.

Num breve recorte do Mapa da Violência do RN, observa-se que o femicídio – crime de homicídio contra as mulheres – cresceu 14%, nos meses de janeiro e fevereiro de 2017, ficando atrás, apenas, dos homicídios convencionais. Já é a segunda causa de morte violenta (25%) e à frente dos latrocínios.

Também neste quesito, há omissão do governo do Estado do RN. As medidas protetivas não funcionam, na prática. Apenas, no papel – quando são tomadas. As Delegacias Especializadas na Defesa da Mulher (DEAM) não funcionam à noite e nem nos finais de semana e feriados.

Por outro lado, a Policia Militar não tem estrutura para atender as demandas urgentes e não está preparada para o acolhimento. Existem somente cinco DEAM para atender os 167 municípios do RN e estão localizadas em Natal (2), Parnamirim, Caicó e Mossoró.

Com essa “estrutura”, como a mulher potiguar poderá se proteger do companheiro com índole violenta?

O caos na segurança pública do RN continua progredindo de modo acelerado, em todas as suas variáveis. O governo do RN é gerencialmente incapaz para controlá-lo e toma, apenas, medidas paliativas, pontuais e reativas – de baixa eficácia.

Uma nova bomba-relógio, mais poderosa, já está acionada e o cidadão entregue à própria sorte.

Que Deus nos Proteja!

SECOS & MOLHADOS

Henrique – É inacreditável a desculpa dada pelo ex-ministro e ex-deputado federal Henrique Alves (PMDB-RN) para justificar o crédito de quase U$ 1 milhão em sua conta bancária na Suíça – apesar das muitas acusações de seu envolvimento com a Operação Lava Jato. Será que ele era “laranja”? De quem?

Crédito – As condições de crédito continuam muito ruins, e até piores, para a indústria brasileira. Isso é o que acha a Federação das Indústrias de São Paulo (Fiesp). Dessa forma, as empresas ficam desestimuladas à retomada do crescimento. Sem capital de giro, não produzem e não contratam.

Câmara – O TCE-RN notifica os vereadores da legislatura passada a explicarem como gastaram suas verbas de gabinetes, no período em que estavam sendo pagas. Essa polêmica ainda vai render muitas dores de cabeças aos edis de Mossoró. Há muitas controvérsias jurídicas a respeito deste assunto.

Insulina – O que se pode esperar de um governo que não consegue sequer manter um estoque básico de insulina para atender aos pacientes necessitados? Depois da recente expectativa frustrada do governo Rosalba Ciarlini (PP), constata-se que a doença está mesmo no gerenciamento da coisa pública. Essa contumácia perversa reduz a autoestima e humilha centenas de pessoas carentes e debilitadas pela diabetes. Um absurdo!

Saúde – Sob o ponto de vista técnico, a prefeita Rosalba Ciarlini está certa quando diz que vai priorizar a Atenção Básica de Saúde em seu governo. Entretanto, é também dever de seu governo buscar os meios de garantir o bom funcionamento da média e alta complexidade, junto aos governos do Estado e da União.

Desemprego – De acordo com o IBGE, o Rio Grande do Norte é um dos estados com maior população de desocupados no País. Com pouco mais de três milhões de habitantes, somente no último trimestre do ano passado, 225 mil pessoas estavam na condição de desempregadas. Em janeiro, deste ano, foram fechados 2.955 postos de trabalho. As projeções dos empresários potiguares não são, ainda, muito otimistas para 2017 – que deverá ser um ano de transição. Acreditam que o alento deverá acontecer, somente, a partir de 2018. O setor da Construção Civil é o que apresenta maior índice de desemprego no RN.

Previ – As finanças do Instituto Municipal de Previdência Social dos Servidores de Mossoró (Previ) são uma bomba relógio, de efeito retardado, prestes a explodir no colo da prefeita Rosalba Ciarlini. É aguardar para ver.

Acusados – A Operação Lava Jato, que já tira o sono e o sossego de muita gente, promete ampliar as denuncias no decorrer desta semana. Na lista do Procurador Geral da República, Rodrigo Janot, que pede a abertura de inquérito ao STF, consta mais de 40 nomes. Dentre eles, estão figuras carimbadas como Dilma, Lula, Mantega, Palocci, João Santana, governadores, ex-governadores e ex-parlamentares.

Da equipe de Temer, aparecem os ministros Eliseu Padilha, Moreira Franco e Kassab. Da bancada do Congresso, estão o presidente do Senado Eunício Oliveira, Renan Calheiros, Edison Lobão e Romero Jucá. Integram ainda a lista: José Serra e Aécio Neves. O que se pode esperar de um País que tem uma quadrilha suspeita no comando de seus Poderes?

Ironia – O PSDB agora é alvo da investigação que ele mesmo pediu para abrir. O tiro saiu pela culatra. Tudo Contaminado, mesmo!

Crise – Na terça-feira (7) deverão ser divulgados os dados do quarto trimestre do PIB em 2016. Os resultados ainda deverão ser de queda da atividade. A recessão brasileira, que teve início no segundo trimestre de 2014, foi a pior já vivida no País, tanto por sua duração quanto por sua intensidade de contração.  Mas, o cenário atual é de recuperação, embora ainda frágil, sem sustentabilidade. É o que apontam os indicadores recentes. Fatores positivos: melhora na demanda por commodities, safra agrícola em alta, queda da inflação e dos juros. Os entraves são: inflação e desemprego.

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Carlos Duarte é economista, consultor Ambiental e de Negócios, além de ex-editor e diretor do jornal Página Certa