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Antigo “Catetinho” será galeria comercial até junho

Até junho próximo, o imóvel onde durante décadas viveu a numerosa família do casal empresário Dix-neuf Rosado-Odete, Praça Bento Praxedes, número 98, centro de Mossoró, será inaugurado como uma galeria comercial.

As obras estão em sua fase final.

Imóvel era assim, antes de começar a ser desfigurado por herdeiros (Foto: Blog Carlos Santos)

O casarão era conhecido historicamente como “Catetinho”, alusão ao Palácio do Catete no Rio de Janeiro, sede do governo federal durante muitos anos.

Abrigou visitante ilustre, o então presidente Getúlio Vargas, em visita que fez a Mossoró em 13 de setembro de 1933.

Foi construído pelo banqueiro Sebastião Gurgel em 1918 e vendido em 1929 ao industrial Miguel Faustino do Monte. Em 1945, o industrial Dix-neuf Rosado comprou-o.

Corredor Cultural

O Catetinho original, no Rio de Janeiro, sediou o governo federal de 1897 a 1960.

O Catetinho mossoroense, apesar de listado como histórico e componente do “Corredor Cultural” do município, foi vendido em abril de 2014 pela família da ex-prefeita Fafá Rosado (PMDB), filha de  Dix-neuf e Odete. Não foi ao chão por inteiro, devido intervenção judicial (veja AQUI), que ensejou pelo menos a preservação de parte de sua estrutura física original.

Uma ironia triste desse enredo, é que durante sua gestão, Fafá pleiteou que Mossoró tivesse reconhecimento como “Capital da Cultura”, em concurso nacional.

Pronto, agora pode rir, webleitor.

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Gustavo Rosado é condenado a devolver dinheiro à prefeitura

Do Blog Panorama Político (Tribuna do Norte)

Gustavo: irmã incapaz; irmão capaz de tudo

O ex-chefe de Gabinete da Prefeitura de Mossoró, Jerônimo Gustavo de Góis Rosado (PV), foi condenado pelo Tribunal de Justiça do Rio Grande do Norte (TJRN) por improbidade administrativa. O réu deverá devolver aos cofres públicos R$ 111 mil 343 e 20 centavos (cento e onze mil 343 reais e vinte centavos) conforme determinou em sentença o Juiz de Direito Airton Pinheiro.

Em ação civil pública, o Ministério Público do Rio Grande do Norte (MPRN) demonstrou que o réu durante os 51 meses (entre janeiro de 2005 e abril de 2009) quando exercia o cargo de chefe de gabinete teria se beneficiado dos serviços oferecidos pela empresa SFE Segurança Patrimonial e Privada LTDA, contratada pela Prefeitura de Mossoró para fazer a segurança dos prédios públicos.

Na época, alguns funcionários da empresa faziam a segurança da residência do ex-chefe de gabinete e o acompanhavam em eventos que ocorriam na cidade sem que houvesse qualquer contrato ou legalidade jurídica.

Com o uso de serviço público em benefício próprio, Jerônimo Rosado teria enriquecido de forma indevida às custas do dinheiro público municipal – se fosse contratar pessoalmente segurança privada, ao tempo da instrução, um posto de segurança noturna custava na faixa de R$ 5 mil.

Réu e multa

Em face disso, os R$ 111,3 mil estipulados na sentença judicial correspondem ao prejuízo causado aos cofres municipais pelo tempo que o ex-chefe de gabinete se utilizou dos serviços públicos.

Metade do montante (R$ 55.671,60) será para ressarcir o erário municipal – valor que deve ser corrigido mês a mês pelo Índice Nacional de Preços ao Consumidor (INPC), na proporção do valor unitário mensal do contrato nos termos do tempo em que se beneficiou indevidamente pelo serviço de segurança privada. A outra metade deverá ser paga pelo réu como forma de multa civil, valor este atualizado na forma do art. 1º-F da Lei 9494/97, a partir da publicação da sentença.

Seguranças pagos por prefeitura davam guarda pessoal e em casa para Gustavo - Foto: Blog Carlos Santos

Jerônimo Rosado ainda fica proibido de contratar com o Poder Público ou receber benefícios ou incentivos fiscais ou creditícios, direta ou indiretamente, ainda que por intermédio de pessoa jurídica da qual seja sócio majoritário, pelo prazo de 10 anos.

Nota do Blog – A denúncia que originou a ação civil pública foi publicada em primeira mão por este Blog, em série de reportagens investigativas em 2008. A partir daí e por outras matérias denunciativas e investigativas, passamos a sofrer uma impiedosa perseguição que não poupou sequer familiares (como filhos).

Num único dia, o esquema de Gustavo, irmão da então prefeita Fafá Rosado (DEM, hoje no PMDB), chegou a protocolizar 11 (onze) processos contra o editor desta página. Ao todo, foram mais de 30, além de diversas ações de interpelação, usando a prefeitura e secretários municipais como autores.

Além disso, ele aparece como figura proeminente na montagem, organização e comando do chamado Blog do Paulo Doido, página apócrifa que foi utilizada durante vários meses, na Internet, para ataques, achincalhes e até ameaças (“cuidado com o que você escreve … Você tem filho morando em Natal”).

Contou com a colaboração remunerada de jornalistas do Correio da Tarde e Gazeta do Oeste e até a estrutura e equipamentos como computador e Internet, do Palácio da Resistência (sede da prefeitura). Processos – movidos por outras pessoas atacadas – correm em segredo de justiça, tratando dessa fase abjeta da administração pública mossoroense.

O agitador cultural Gustavo Rosado é uma das pessoas mais inescrupulosas e sem caráter que conheço. Inconsequente, irresponsável e sem limites quando contrariado.

Não tem profissão definida e sempre foi bancado por familiares e a coisa pública.

Virou “prefeito de fato” de Mossoró, pela incapacidade da irmã em organizar até o próprio cabelo, imagine governar uma prefeitura/município.

Era para estar preso, mas foi premiado como secretário pela prefeita afastada e cassada Cláudia Regina (DEM). Faz parte dos negócios do poder. O toma-lá-dá-cá que nivela todos por baixo.

Veja AQUI reportagem que desencadeou processo e fúria de Gustavo contra o editor deste Blog: “Irmão de prefeita tem vigilância paga pela prefeitura”.

Veja AQUI matéria com provas contra réu considerado culpado: “Gustavo Rosado depõe sobre uso de vigilante em sua casa”.

Veja AQUI outra matéria que desnuda esse “pequeno” abuso cometido na Prefeitura de Mossoró: “Irmão de Fafá Rosado deverá ser investigado”.

Fafá evita renúncia em honra à sua própria mãe

“Honra teu pai e tua mãe, para que se prolonguem os seus dias na terra, que o Senhor teu Deus, te dá”. (Êxodo 20.12)

Esse mandamento bíblico de repente passou a fazer parte do que parecia improvável: a política sucessória mossoroense. Sério. É só prestarmos atenção em filigranas de um recente acontecimento, que será fácil perceber essa nova faceta da pré-campanha municipal de Mossoró.

Em entrevista com a prefeita de direito de Mossoró, enfermeira Fátima Rosado (DEM), realizada pelo jornalista Julierme Torres, que foi ao ar na TV Cabo Mossoró (TCM), quinta-feira (5), um “off” terminou sendo mais importante do que as palavras da “governante”. Patético, mas verdade.

Expliquemos.

Dona Odete, com Fafá e Julierme, faz valer seu papel de matriarca

A conversa à parte que Julierme teve com dona Odete de Góis Rosado (veja postagem AQUI), 94, mãe de Fátima Rosado (a Fafá), ganhou dimensão acima das declarações de sua filha. Por quê? Pela lucidez da matriarca e a influência que exerce sobre sua numerosa prole.

– O pai dela (empresário Dix-Neuf Rosado) nunca foi de começar um trabalho e não terminar – alertou dona Odete para Julierme Torres, tendo ao lado a própria filha Fafá Rosado. Minutos antes, a prefeita gravara o programa “Conversa de Alpendre” com o jornalista.

A própria Fafá dissipara qualquer dúvida quanto ao seu futuro na Prefeitura de Mossoró. Foi claríssima. Mesmo assim, aquém da força moral e dimensão de sua mãe.

– Nossa decisão está tomada. Vamos concluir o mandato – afirmou textualmente Fafá (veja postagem clicando AQUI), diante das câmeras e microfones da TCM, tendo ao seu lado o marido e deputado estadual Leonardo Nogueira (DEM).

Por si só, as palavras de Fafá Rosado já se revelariam como um documento de próprio punho e de fé pública. Entretanto, a manifestação de Odete de Góis Rosado emerge como um sinalizador de vontade e de honra, remetendo o caso para o campo das mais fortes tradições da sociologia nordestina: o respeito ao comando patriarcal-matriarcal

Ao mesmo tempo, é uma herança arrimada em princípios cristãos. Honra a pai e mãe, é um mandamento do decálogo do profeta Moisés, que se incorporou à cultura nativa.

Agora, Fafá e seus irmãos que pontificam na Prefeitura de Mossoró, não devem explicações apenas ao eleitorado. Há o sobrepeso da dignidade cobrada por sua mãe, em respeito à memória do pai – o conceituado empresário Dix-neuf Rosado. Ela, Odete, está viva para não transigir.

E é preciso assinalar, que os rumores e notícias sobre hipotética renúncia da prefeita sempre emergiram no formato de uma abjeta negociata familiar. Todos se dariam bem, sem qualquer respeito à sociedade. Contudo, sua saída seria literalmente pela porta dos fundos do Palácio da Resistência, sede da prefeitura, tamanha a pequenez do gesto, em forma de escambo de submundo.

Com Odete de Góis Rosado intervindo, os valores são outros. Saem do campo ter para a seara do ser. Da decência.

A intenção frenética e obsessiva do líder do grupo rosalbista, ex-deputado estadual Carlos Augusto Rosado (DEM), de levar a prefeita à renúncia, ganhou esse inesperado componente. Tornou bem mais complexa essa operação sinuosa. Para viabilizar sua cunhada à sucessão municipal, vice-prefeita Ruth Ciarlini (DEM), é imprescindível descartar Fafá o mais rápido possível.

Altíssimo risco

A “aparição” de Odete de Góis Rosado deixa Carlos Augusto Rosado diante da mais sólida barricada contra seu projeto e de sua mulher, a governadora Rosalba Ciarlini (DEM). Não se trata apenas de impor sua vontade, acomodar alguns interesses políticos e empurrar sua candidata ao povo como uma escolha suprema. Os filhos de Dix-neuf precisam também desmoralizar a própria matriarca.

A postulação de Ruth Ciarlini torna-se uma aposta de altíssimo risco. Já era, bem antes desse episódio. Em todas as pesquisas de opinião pública o seu desempenho tem sido baixíssimo. Além disso, a exigência para ser viabilizada a partir da saída antecipada da prefeita, sempre teve odor insuportável.

Fafá e Ruth têm mudança complicada

Dentro do pacote de atrativos para convencimento da família de Fafá Rosado, estaria sua nomeação para compor o Tribunal de Contas do Estado (TCE), no cargo vitalício e bem-remunerado de conselheira. Ou seja, o TCE transformado em moeda política, quando deveria ser um órgão técnico de fiscalização da coisa pública.

Mossoró é estratégica para os projetos de poder do casal Carlos-Rosalba. Com o governo sendo vitimada de uma metástase de impopularidade em todo o estado, o município é um dos escassos lugares em que existe um bom crédito. Vencer o pleito municipal é ofertar um suporte à reeleição de Rosalba em 2014.

Se a prefeitura cair em mãos adversárias e com a iminente derrota em Natal e outros municípios estratégicos, o rosalbismo estará imerso nas trevas. Precisará de uma superação homérica em pouco mais de dois anos de administração, para garantir mandato suplementar.

O quadro sucessório no governismo municipal fica muito confuso. O casal Carlos e Rosalba passa a viver uma inusitada situação: perda das rédeas do processo eleitoral como bem entende e faz, há mais de duas décadas. Sua preferência não prevalece e os nomes disponíveis não o empolgam.

A princípio sobram os vereadores Chico da Prefeitura (DEM) e Cláudia Regina (DEM) como pré-candidatos à escolha. Uma chapa com ambos teoricamente seria muito forte. A possibilidade de aparecer uma outra postulação-surpresa, é pouco provável.

Autosuficiência

Uma composição com o esquema da deputada estadual e pré-candidata a prefeito Larissa Rosado (PSB), é possível – mas extremamente difícil. A deputada federal Sandra Rosado (PSB), líder desse grupo, não se sentiria confortável em ser liderada de Carlos. O mesmo incômodo com certeza ele revelaria em relação a ela – sua prima.

A autosuficiência de Carlos e Rosalba parece puni-los. Noutras ocasiões, eles foram salvos pela “sorte” e habilidade. Em 2000, por exemplo, prefeita pela segunda vez, Rosalba não tinha candidato à própria sucessão. Aí ganhou de graça a aprovação do instituto da reeleição para poder se reeleger sem maiores dificuldades.

Em 2004, puxou a própria Fafá – que tinha sido sua adversária em 2000, com apoio do grupo da deputada Sandra Rosado – para sucedê-la. Na época, também não tinha lapidado qualquer sucessor no seu grupo original. Em 2008, apostou na reeleição de Fafá, mesmo com o desgaste que a administração vivia.

Para 2012, os problemas se avolumam, apesar da enorme e inédita concentração de poder.

De sua cadeira de balanço, em antigo endereço na Praça Bento Praxedes, a conhecida e reformada “Praça do Codó”, dona Odete de Góis Rosado emerge como o novo personagem desse enredo. E, sem maiores esforços, entra em cena no seu papel principal: de matriarca.

O compromisso de Fafá, agora, mais do que nunca, é com ela.