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Sob chaves…

Por Marcos Araújo (Especial para o BCS)

Arte ilustrativa do Vaticano em estilo impressionista com recursos de IA para o BCS
Arte ilustrativa do Vaticano em estilo impressionista com recursos de IA para o BCS

Começa nesta quarta-feira (dia 07), o conclave que definirá o substituto do Papa Francisco. A palavra conclave vem do latim cum clave, que significa “com chave”, aludindo ao isolamento dos cardeais em local fechado até que escolham um novo Papa. Esse processo foi institucionalizado em 1274 pelo Papa Gregório X, após um longo período de instabilidade causado por eleições papais demoradas e politizadas.

A expressão “cum clave”, sob chaves, vem de um fato histórico ocorrido em Viterbo, na Itália em 1271.  Após a morte do Papa Clemente IV, os cardeais reunidos em Viterbo não conseguiam chegar a um consenso, reunidos que estavam de 1268 e 1271, durante impressionantes 33 meses. Neste período, três cardeais faleceram. A impaciência popular fez a cidade restringir comida e remover o telhado do Palácio de Viterbo, local do conclave. Ficaram os cardeais trancados à chave e com fome.

A pressão surtiu efeito, e finalmente, após quase três anos, foi eleito Teobaldo Visconti, que não era nem cardeal e não estava entre eles. Foi escolhido de fora, quando voltava de uma cruzada de guerreiros cristãos a Jerusalém, sendo coroado como Papa Gregório X. Da notícia de sua nomeação até a sua posse, levou seis meses para chegar à Roma.

O mais breve conclave moderno ocorreu em 1939, após a morte do Papa Pio XI. Em apenas um dia, o cardeal Eugenio Pacelli foi eleito e assumiu o nome de Pio XII. Foram necessárias apenas três rodadas de votação. Outro conclave extremamente curto foi o de 1503, em que Giulio della Rovere (Papa Júlio II) foi eleito em menos de 10 horas.

Na história papal, o Papa Pio XII (1939), foi o mais votado, eleito com 61 dos 62 votos possíveis. João Paulo I (1978) também foi eleito rapidamente com ampla maioria logo na quarta votação. O Papa Bento XVI (2005) também foi eleito em apenas dois dias e quatro votações, com maioria sólida, refletindo um bloco conservador coeso. O Papa Francisco (2013) havia sido o segundo mais votado no conclave anterior (2005), mas sua eleição em 2013 foi outra surpresa, fruto de articulações entre os cardeais reformistas.

O conclave de agora se apresenta muito confuso e indefinido, esperando-se longas votações pelas tendências dos dois lados da Igreja em embate (progressistas e conservadores).

Os vaticanistas apostam em surpresas. É lembrado que o Papa João XXIII (1958) era considerado um “papa de transição” e pouco cotado. Surpreendentemente, foi escolhido como figura de compromisso entre alas rivais.

O conflito entre as diferentes ideologias está agora em evidência. Conservadores e progressistas se engalfinharão para assumir o trono de Pedro. Não será fácil a escolha. Não devemos ter outro papa sul-americano nem tão cedo. Papa Francisco foi o primeiro papa jesuíta da América Latina e o primeiro não europeu em mais de 1.200 anos (desde Gregório III, sírio, em 741).

Uma dificuldade dos tempos modernos é a imposição do sigilo absoluto a todos que estão relacionados ao evento.  Além dos trabalhadores, os cardeais são proibidos de revelar discussões internas do conclave, sob pena de excomunhão.  Somente cardeais com menos de 80 anos podem votar. São 133, ao todo. Uma maioria de dois terços é necessária para eleger o novo pontífice.

Quinze se destacam entre os “papabili”, os papáveis. Entre os fortes candidatos, nove são europeus (quatro italianos – Pietro Parolin, Pierbattista Pizzaballa, Matteo Zuppi e Claudio Gugerotti; um francês – Jean-Marc Aveline; um sueco – Anders Arborelius; um maltês – Mario Grech; um húngaro – Péter Erdö, e um luxemburguês – Jean-Claude Hollerich). Dois são asiáticos (Antonio Tagle – Filipinas, e Charles Maung Bo – Belarus).  Dois do continente africano (Peter Turkson – Gana – e Fridolin Ambongo – República Democrática do Congo). Para finalizar, temos dois americanos (Robert Francis Prevost e Timothy Dolan – arcebispo de Nova York).

Entre os cristãos, tem-se a ideia (nem sempre realizada) de que o Espírito Santo guia os cardeais eleitores. Tivemos algumas situações de eleições papais que o Espírito Santo andou dando um “cochilo”.  Torço imensamente pela eleição de um cristocêntrico autêntico à semelhança de Bergoglio, e que a Igreja não retroceda ao conservadorismo canonista dos tempos de Ratzinger.  Que venha, com urgência, a exclamação, precedida da fumacinha branca: – Habemus papam!

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Marcos Araújo é advogado, professor da Uern e escritor

Bispo fala sobre legado e sucessão do Papa Francisco

Em entrevista à Rádio Rural de Mossoró nesta quarta-feira (26), o bispo diocesano Dom Francisco de Sales falou sobre o legado do Papa Francisco e sobre a sucessão papal.

Para ele, não há o que temer sobre quem vai suceder Francisco, uma vez que “quem conduz a Igreja é o Senhor”.

Também destacou que o pontificado do Papa Francisco conviveu com profundas transformações no mundo, exigindo muito do líder da Igreja Católica.

“Em seu testamento ele não deixa riquezas materiais”, assinalou.

🎥 BSV

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Diocese de Mossoró realiza missa em favor do Papa Francisco

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Diocese de Santa Luzia de Mossoró informa que realiza nesta terça-feira (22) uma missa em sufrágio do Papa Francisco.

Será às 19h, na Catedral de Santa Luzia, presidida pelo bispo diocesano Dom Francisco de Sales.

Todas as paróquias de Mossoró devem participar da missa.

O Papa Francisco, de 88 anos, morreu nesta segunda-feira (21) por AVC e insuficiência cardíaca.

A Conferência Nacional dos Bispos do Brasil, por meio da Comissão Episcopal para a Liturgia, convidou todas as comunidades da Igreja no Brasil a rezar na intenção do Papa Francisco.

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O passo a passo para escolha do novo papa

Arte ilustrativa em estilo impressionista com recurso de Inteligência Artificial para o BCS
Arte ilustrativa em estilo impressionista com recurso de Inteligência Artificial para o BCS

Com o falecimento do líder da Igreja Católica (veja AQUI), Jorge Mario Bergoglio, o Papa Francisco, um novo papa será escolhido por meio de uma eleição que reúne 120 cardeais com direito a voto, seguindo um meticuloso procedimento em três fases. A etapa inicial é o pré-escrutínio, onde as escolhas são registradas. Em seguida, ocorre o escrutínio, no qual os votos são efetivamente depositados e divulgados. Por último, na fase do pós-escrutínio, realiza-se a contagem, a análise e a queima dos votos.

“A principal expectativa em relação a um novo papa eleito é, justamente, conhecer o seu perfil e estilo. A pergunta que se faz, entre outras, é se o estilo do anterior vai se manter ou se ocorreão mudanças bruscas em relação ao passado. A Igreja, cada vez mais, precisa lidar com questões delicadas, pois todo novo papa é uma oportunidade de refazer o diálogo entre a sociedade e o mundo religioso”, afirma Gabriel Marquim, professor do curso de Comunicação Social da Uninassau e Doutor em Ciências da Religião.

Acompanhados pelo secretário responsável por supervisionar toda a assembleia, os cardeais permanecem isolados na área de votação. “A eleição de um papa, em si, não sofre interferência da tecnologia. Na verdade, há uma enorme proteção de dados para os cardeais não definirem seu voto pelas correntes da opinião pública. Isso não significa, é claro, que eles não sejam influenciados”, explica o especialista.

Divulgação

Após cada reunião, os cardeais ficam vigilantes diante da chaminé da Capela Sistina. São necessários dois terços deles para a eleição do pontífice. A fumaça preta sinaliza que o novo papa ainda não foi selecionado. Já a fumaça branca indica a escolha do líder da Igreja. Nesse momento, o cardeal protodiácono se dirige à varanda da Basílica de São Pedro para divulgar o nome.

Este momento marca o fim do processo de seleção e a entrada de um novo pontífice no Vaticano. “O papa, ainda hoje, pode mobilizar milhões de pessoas, tendo em vista o tamanho de fiéis da Igreja Católica. Há também a possibilidade dele mobilizar outras religiões e, até mesmo, pessoas sem convicção religiosa. Ou seja, essa eleição continua sendo um evento relevante em nosso mundo”, afirma.

A cerimônia é um rito simbólico que transmite a continuidade da Igreja Católica sob a liderança do novo papa. Dessa forma, esse procedimento une tradição, espiritualidade e um estrito sigilo.

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Papa Francisco morre aos 88 anos, anuncia o Vaticano

Papa Francisco era filho de italianos que chegaram à Argentina à nova vida (Foto: Vaticano)
Papa Francisco era filho de italianos que chegaram à Argentina à nova vida (Foto: Vaticano)

Do G1 e outras fontes

Jorge Mario Bergoglio, o papa Francisco, morreu aos 88 anos, às 2h35 pelo horário de Brasília, 7h35 pelo horário local, desta segunda-feira (21). As informações foram confirmadas pelo Vaticano, que ainda não deu detalhes sobre a causa da morte.

O pontífice, que ocupou o cargo máximo da Igreja Católica por 12 anos, se recuperava de uma pneumonia nos dois pulmões após ter ficado internado por 38 dias.

Nascido em 17 de dezembro de 1936 em Buenos Aires, na Argentina, Francisco foi o primeiro papa latino-americano da história. Ele também foi o primeiro pontífice da era moderna a assumir o papado após a renúncia do seu antecessor e, ainda, o primeiro jesuíta no posto.

À frente da Igreja Católica por quase 12 anos, Francisco foi o papa número 266. Em 13 de março de 2013, durante o segundo dia do conclave para eleger o substituto de Bento XVI, Bergoglio foi escolhido como o novo líder – inclusive contra a sua própria vontade, segundo ele mesmo admitiu.

Francisco nasceu em Buenos Aires, em 1936. Seus pais, ambos italianos, chegaram à Argentina em 1929, junto de uma leva de imigrantes europeus em busca de oportunidades de trabalho na América.

Arcebispo da capital argentina, ele era considerado um homem tímido e de poucas palavras, mas com grande prestígio entre seus seguidores. O religioso era admirado pela sua total disponibilidade e seu estilo de vida sem ostentação. O argentino também era reconhecido por seus dotes intelectuais, por ser considerado dialogante e moderado, além de ter paixões pelo tango e pelo time de futebol San Lorenzo.

Perfil

Antes de seguir carreira religiosa, Bergoglio formou-se técnico químico. Depois, ingressou em um seminário no bairro de Villa Devoto. Em março de 1958, entrou no noviciado da Companhia de Jesus, congregação religiosa dos jesuítas, fundada no século 16.

Em 1963, Bergoglio estudou humanidades no Chile e voltou à Argentina no ano seguinte para ser professor de literatura e psicologia no Colégio Imaculada Conceição de Santa Fé.>

Entre 1967 e 1970, foi estudar teologia e acabou sendo ordenado sacerdote no dia 13 de dezembro de 1969. Em menos de quatro anos chegou a liderar a congregação jesuíta local, um cargo que exerceu de 1973 a 1979.

Foi reitor da Faculdade de Filosofia e Teologia de San Miguel, entre 1980 e 1986, e, depois de completar sua tese de doutorado na Alemanha, serviu como confessor e diretor espiritual em Córdoba. Em 1992, Bergoglio foi nomeado bispo titular de Auca e auxiliar de Buenos Aires.

Em 1997, ele virou arcebispo titular de Buenos Aires. Em 2001, foi nomeado cardeal e primaz da Argentina pelo papa João Paulo II. Entre 2005 e 2011, ocupou a presidência da Conferência Episcopal do país durante dois períodos, até que deixou o posto porque os estatutos o impediam de continuar.

Na Santa Sé, Bergoglio foi membro da Congregação para o Culto Divino e a disciplina dos Sacramentos; da Congregação para o Clero; da Congregação para os Institutos de Vida Consagrada e das Sociedades de Vida Apostólica; do Pontifício Conselho para a Família e a Pontifícia Comissão para a América Latina.

Posições do Papa

Seu perfil jovial e descontraído — ele gostava de fazer piadas e brincadeiras — o tornou uma opção popular entre os colegas cardeais e uma escolha antes de mais nada conjuntural.

A Igreja Católica vivia então um de seus momentos mais delicados. A popularidade em baixa e os escândalos de pedofilia envolvendo padres em todo o mundo são apenas alguns dos desafios que o pontífice enfrentaria durante seu papado.

A modernidade também levou Francisco a lidar com outros assuntos delicados para a Igreja, como os direitos LGBTQIA+ e o sexismo.

Ele foi elogiado por avanços como o de permitir bênçãos de padres a casais do mesmo sexo, colocar mulheres em cargos mais altos no Vaticano e permitir que elas votassem no Sínodo dos Bispos — a reunião em que bispos debatem e decidem questões ideológicas e regimentos internos.

Mas também foi criticado por avançar menos do que o esperado na questão feminina. Francisco terminou seu papado sem permitir sacerdotes do sexo feminino, reivindicação histórica de parte das católicas.

O papa defendia que apenas cristãos do sexo masculino poderiam ser ordenados para o sacerdócio, usando como base a premissa da Igreja Católica de que Jesus escolheu homens como apóstolos.

Discursos políticos

O pontífice também ficou marcado por discursos políticos durantes sermões. Não poupou críticas a líderes de países em guerra, como o russo Vladimir Putin e o israelense Benjamin Netanyahu. Ele também apontou o dedo para a União Europeia ao citar a crise dos refugiados, que começou durante seu papado, em 2015.

Papa Francisco: benção à praça vazia (Foto: Calciopédia)
Papa Francisco: benção à praça vazia (Foto: Calciopédia)

Em uma das imagens mais impressionantes e sem precedentes na Igreja Católica, rezou sozinho na sempre lotada Praça São Pedro, no Vaticano, quando a Covid-19 se espalhou pelo mundo e fez vários países decretarem quarentena.

Mas o combate à pobreza sempre foi sua prioridade. Ao ser apontado como o novo papa, ele escolheu o nome de seu novo título em homenagem a São Francisco de Assis, protetor dos pobres. O lema de seu papado foi “Miserando atque eligendo” — “Olhou-o com misericórdia e o escolheu”, em português.

As reformas da Igreja Católica também foram outra marca do papado de Francisco. Ele iniciou um processo de reforma das estruturas da Cúria, que é o governo do Vaticano, com atenção especial para a parte econômica e financeira.

“Estou indo em frente”, disse ele na ocasião, contrariando declarações mais melancólicas feitas antes disso, em março de 2015: “Tenho a sensação de que meu pontificado será breve, quatro ou cinco anos”.

Francisco parecia impulsionado por uma missão urgente: incentivar uma Igreja desertada em alguns países a acompanhar com misericórdia os católicos em situações irregulares.

“Podemos falar de uma revolução, nos passos do Concílio Vaticano II” (1962-1965), que abriu a Igreja ao mundo moderno, disse à AFP o especialista em Vaticano Marco Politi, em 2016.

Politi classifica Francisco como “um grande reformador” que tentou fazer “com que a Igreja abandonasse a sua obsessão histórica em tabus sexuais”.

Ele foi o primeiro papa a ter convidado um transexual ao Vaticano e se recusou a julgar os homossexuais. Para Francisco, a Igreja era um “hospital de campanha, não um posto alfandegário”, que separa os bons e maus cristãos, disse Politi.

O argentino foi eleito, entre outros, para continuar a reestruturação econômica da Santa Sé iniciada sob Bento XVI com, por exemplo, o fechamento de contas suspeitas no banco do Vaticano, por muito tempo acusado de lavagem de dinheiro.

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Responsum paroquial

Por Bruno Ernesto

Foto ilustrativa do autor da crônica
Foto ilustrativa do autor da crônica

Nas últimas semanas temos acompanhado a batalha do Santo Padre, Papa Francisco, que tem resistido bravamente a uma infecção polimicrobiana em seus pulmões e, embora permaneça internado no hospital Gemelli, em Roma e, apesar dos momentos difíceis, a enfermidade está sendo debelada, tudo convergindo, ao que tudo indica, que, muito em breve, terá sua saúde plenamente restabelecida. É o que todos nós desejamos genuinamente.

Quem me conhece, sabe muito bem que nunca tive – e não tenho – o costume de citar a palavra sagrada, por não me achar conhecedor dela, nem me considerar muito merecedor da misericórdia divina, se lida ao pé da letra; estritamente.

Mas, neste caso específico, destacaria a passagem de Hebreus 11:1, que é o sentimento convergente de todos em relação à saúde de Jorge Mario Bergoglio: “Ora, a fé é o firme fundamento das coisas que se esperam, e a prova das coisas que não se vêem.”.

Embora não me considere um católico fervoroso e praticante dos atos formais e ritos do Catolicismo  Apostólico  Romano (Leia-se, ir à missa semanalmente, e comungar), me interesso pela filosofia cristã, costumo ler os documentos papais e gosto de ler as notícias do Vaticano na imprensa oficial do Estado Papal (Vatican News).

Há alguns anos, um registro de uma fala do Papa Francisco me chamou a atenção, pois lhe perguntaram se era necessário rezar constantemente para salvar a nossa alma, e a resposta dele foi a mais filosófica possível, ao dizer que nossa alma é como uma casa, sempre há o que se limpar e constantemente.

Quando, eventualmente, participo de alguma celebração ou reunião religiosa, percebo que, por vezes, não há uma padronização de algumas ideias e, até mesmo, de alguns ritos, que nada mais são que um conjunto de costumes, ações, prescrições e peculiaridades litúrgicas, praticados pela Igreja, segundo normas codificadas por ela mesma.

É bom que se consigne, desde já, que normas sempre serão normas em qualquer lugar que se deva aplicá-la, seja social ou jurídica.

Apenas no mundo secular, ou seja, na vida comum – por razões de laicidade estatal – deve, obrigatoriamente, haver a separação da esfera governamental da religiosa.

Assim, segue quem quer as normas religiosas. Assim como se adere à uma doutrina religiosa quem assim deseja. Porém, uma vez que decide seguir tal ou qual denominação religiosa, tem o dever de seguir as normas dela. Não há o que se discutir.

No caso da Igreja Católica, desde 21 de julho de 1542, por ordem do Papa Paulo III, foi instituída a Suprema e Sacra Congregação da Inquisição Universal, cujo o objetivo era defender a Igreja da heresia, tendo seu nome alterado em 2022 para a atual denominação, ou seja, Dicastério para a Doutrina da Fé, sendo até hoje responsável, tanto pela doutrina quanto pela disciplina da Santa Sé, de modo que a ambas se mantenham intactas.

Isso é absolutamente importante no que se refere às normas litúrgicas e que, se não observado, poderá, inclusive, anular um sacramento. Foi isso que a Congregação para a Doutrina da Fé afirmou no Responsum, publicado no boletim de 6 de agosto de 2020, ao responder duas perguntas sobre a validade de um Batismo conferido sem observar a fórmula correta.

Isso é muito sério, do ponto de vista da doutrina. Tanto é, que o próprio Vaticano, consignou recentemente que o Concílio Vaticano II, declara “a absoluta indisponibilidade do septenário sacramental à ação da Igreja”, estabelecendo que ninguém “mesmo se sacerdote, ouse, por sua própria iniciativa, acrescentar, remover ou alterar qualquer coisa em matéria litúrgica”, tudo isso em consonância com o Concílio de Trento.

Recentemente, participava de uma reunião para um batizado e, após as explicações sobre as regras para o Sacramento do Batismo – já no final da reunião -, alguém levantou a mão e questionou se para ser padrinho precisava ser católico, o que de pronto foi respondido por óbvio, gerando um misto de riso de muitos e perplexidade em outros.

Pude perceber, então, que, até na religião, por vezes, é preciso ir além da fé para se manter a unidade sacramental e, quem sabe, seja necessário um Responsum paroquial.

Bruno Ernesto é advogado, professor e escritor

Catedral de Santa Luzia será aberta 24 horas para o Senhor

Banner de divulgação
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O Papa Francisco escolheu para a “XII edição das 24 horas para o Senhor”, um lema particularmente significativo neste ano do Jubileu Ordinário de 2025: “Tu és a minha esperança” (Sl 71,5).

Cada Jubileu tem o seu modo particular de ser vivido, quer pelas circunstâncias históricas, quer pelo conteúdo profundo e o modo concreto de o realizar segundo a intenção do Santo Padre, particularmente expressa na Bula de proclamação.

Na Diocese de Santa Luzia, Forania Mossoró, a missa de abertura das 24 horas para o Senhor será celebrada nesta sexta-feira, dia 28 de março, às 17h30, na Catedral. Será presidida pelo pároco, padre Antoniel Alves.

Todas as paróquias que compõem a Forania e a própria comunidade estão convocadas a participar deste momento na Catedral, uma das Igrejas Jubilares da Diocese. Sábado, dia 29, às 17h, acontecerá o encerramento das 24 horas para o Senhor com missa presidida pelo Bispo Diocesano, Dom Francisco de Sales. A programação inclui oração, adoração ao Santíssimo Sacramento e confissão individual.

De uma e uma hora uma paróquia, movimento ou pastoral será responsável pela condução da oração e um padre estará disponível para confissão.

Já que a Catedral vai permanecer 24 horas aberta, foi requisitada ao Batalhão e Guarda Municipal a garantia de segurança para os fiéis que estarão participando da programação.24 horas para o senhor 28 e 29 de março de 2025 - Mossoró IMG-20250326-WA0010

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Um “Jumento” no Vaticano

Por Carlos Santos

Reprodução de quadro com charge e crônica
Reprodução de quadro com charge e crônica

O professor, advogado e ex-vereador mossoroense Tomaz Neto passeia pelas “Oropas”, com prioridade para visita ao Vaticano.

Ao lado de sua mulher, a professora Ceição, faz a segunda viagem internacional da vida.

Na primeira aos Estados Unidos, há alguns anos, foi apresentado ao WhatsApp e chamadas de vídeo por esse aplicativo. Os amigos sofreram bastante com essa descoberta científica dele.

Agora, creio, venha da Basílica de São Pedro com o domínio do Direito Canônico, amigo do Papa Francisco e alguma encíclica para pacificar o Brasil.

Tomaz, que a todo interlocutor trata carinhosamente por “Jumento”, ainda poderá contar em sua volta a Mossoró, que pela primeira vez um “animal” nordestino atravessou o oceano para receber a bênção papal.

O Jumento é nosso irmão!

Carlos Santos é criador e editor do Blog Carlos Santos

*Crônica originalmente publicada no dia 22 de outubro de 2022 (veja AQUI)

Nota do Blog Carlos Santos – O ex-vereador Tomaz Neto completou 70 anos essa semana e o presenteamos com  quadro espelhando charge constante desta crônica e o próprio texto, em trabalho do chargista, artista plástico e caricaturista Túlio Ratto. Saudação a uma amizade de mais de 35 anos de estrada, que sobreviveu ao tempo, às diferenças, conflitos de interesses e ao nosso temperamento por vezes trovejante.

Saúde, paz e juízo (se ainda for possível), Velho.

Novo bispo é recebido por Colégio de Consultores em Mossoró

Dom Mariano e Dom Francisco (na ponta da mesa) participaram de café da manhã com colegiado (Foto: Glauber Soares)
Dom Mariano e Dom Francisco (na ponta da mesa) participaram de café da manhã com colegiado (Foto: Glauber Soares)

Nesta segunda-feira (22) pela manhã, a Cúria Diocesana foi palco de um importante momento: o novo bispo da Diocese de Mossoró, Dom Francisco de Sales Alencar Batista, 55, tomou café e esteve reunido com Dom Mariano Manzana, bispo Emérito, e com o Colégio de Consultores (formado pelos padres Flávio Augusto, Charles Lamartine, Francisco Crisanto, Possídio Lopes, Wescley Paulo e Alison Felipe).

Na pauta, detalhes para condução da sua posse canônica, dia 17 de fevereiro, às 17h, no adro da Catedral de Santa Luzia, entrega dos primeiros relatórios, assim como, o agendamento de reuniões diocesanas deste ano.

“Eu chego como peregrino, com os pés descalços, pedindo hospedagem nessa grande Diocese de Mossoró. Que a gente possa se hospedar um no coração do outro. Reforço que no dia da minha posse alarguemos os braços para esse grande abraço entre nós, eu e povo desta Diocese, e que possamos seguir conforme a vontade de Deus”, comentou Dom Francisco.

Dom Mariano e Dom Francisco: abraços e passagem de episcopado Foto: Glauber Soares)
Dom Mariano e Dom Francisco: abraços e passagem de episcopado Foto: Glauber Soares)

Diocese de Mossoró

Eleito o sétimo bispo da Diocese de Mossoró, no Rio Grande do Norte, dom Francisco foi nomeado em 18 de novembro de 2023 (veja AQUI) pelo Papa Francisco, enquanto exercia a função de bispo de Cajazeiras no estado da Paraíba.

A Diocese de Mossoró foi instalada em 18 de novembro de 1934, com 40 paróquias e uma Área Pastoral com mais de setenta padres em 56 municípios.

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Substituto de Dom Mariano Manzana poderá ser anunciado

Bispo Dom Mariano conduz atos litúrgicos (Foto: Glauber Soares)
Bispo Dom Mariano conduz católicos da Diocese de Mossoró desde 2004 (Foto: Glauber Soares)

O mês de outubro, que começa amanhã (domingo, 1º), deverá trazer novidades à Diocese de Mossoró. Há informação nos intramuros do clero local, que aponta à proximidade de anúncio do substituto de Dom Mariano Manzana no episcopado.

Ao completar 75 anos de vida no dia 13 de outubro do ano passado, ele enviou carta de renúncia do seu episcopado ao Papa Francisco, procedimento padrão e obrigatório, conforme o Código Canônico da Igreja Católica.

Cabe ao Papa Francisco a nomeação a partir daí do 7º bispo da Diocese de Mossoró.

Dom Mariano Manzana está há mais de 19 anos como bisco. Sua nomeação aconteceu no dia 15 de junho de 2004.

Leia tambémPapa nomeia novo arcebispo de Natal em lugar de Dom Jaime Vieira

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Avós e netos

Por Ney Lopes

Foto ilustrativa
Foto ilustrativa

Comemora-se o Dia dos Avós e Netos.

Em 2021, o Papa Francisco instituiu na Igreja essa data, numa celebração anual, no quarto domingo de julho, que é hoje, domingo (23).

A comemoração integra a Jornada Mundial dos Avós e dos Idosos, em memória dos santos Joaquim e Ana, avós de Jesus.

O amor de avó/avô é um dos mais puros que existem em nossa sociedade.

A obra “Reinações de Narizinho”, de Monteiro Lobato, mostra a avó mais famosa da literatura brasileira. e personagem central de “O Sítio do Pica-Pau Amarelo”: Dona Benta.

Ao lado dos netinhos Narizinho e Pedrinho, ela com sabedoria ensinou-lhes coisas novas, informando-os sobre a cultura do Brasil e do mundo

“A casa do meu avô” de Carlos Lacerda é outra obra literária, que revive a figura do avô paterno e a antiga casa de fazenda onde o autor passou boa parte da infância.

Carlos Lacerda resgata um tempo único, em que o mundo em ocaso contrasta com as primeiras experiências de uma criança diante da vida.

Já a velhice foi abordada por Simone de Beauvoir, ao publicar o ensaio “A velhice”, quando propôs “quebrar a conspiração do silêncio”.

Ela denunciou que nada se discutia sobre a velhice, que era vista como um “segredo vergonhoso”: velhas e velhos condenados à miséria e ao esquecimento pela sociedade.

Entre os motivos que levaram Beauvoir a escrever sobre a velhice estavam o seu medo de envelhecer e o horror que tinha da morte.

Por tal motivo, ela sempre valorizou a companhia dos outros, de amigos, com quem pudesse dialogar.

O seu biógrafo afirmou que “se há algo a aprender com a vida de Simone de Beauvoir, é que ninguém se torna o que é sozinho”.

Já na velhice, ela confessou o maior estímulo para viver: “São as relações com eles – cooperação, luta, diálogo – que durante toda a minha vida valorizei mais que tudo”.

A ligação entre avós (idosos) e netos contribui para que a criança se desenvolva com a crença de que é alguém que possui qualidades e é digna de ser amada.

Sentir-se aceito e amado pelos avós é relevante para a construção de autoestima elevada em qualquer criança,

Por exemplo, os conselhos carinhosos dos avós são levados para a vida adulta.

Eles passam de geração alertando para os “perigos” de sair de casa sem levar um agasalho;  tomar sorvete com dor de garganta; sair do banho quente e pegar vento faz mal; abrir a geladeira depois do banho ou tomar café no sol entorta a boca.

A maioria destes conselhos não têm comprovação científica, mas alguns até fazem sentido.

Em 2030, Brasil terá a quinta população mais idosa do mundo. O  problema é a ausência de sensibilidade administrativa para conduzir a indispensável assistência para idoso.

É necessário que o poder público desenvolva políticas de acolhimento e visibilidade para que sejam extintos os preconceitos criados.

Enfim, todos nós vamos envelhecer e precisamos ter qualidade de vida e longevidade.

E os netos desejam isso também para os seus avós!

Ney Lopes é jornalista, advogado e ex-deputado federal

Morre o Papa Emérito Bento XVI

Papa Bento 16 renunciou de forma inesperada ao papado e era Papa Emérito (Foto: arquivo)
Papa Bento 16 renunciou de forma inesperada ao papado e era Papa Emérito (Foto: arquivo)

O Papa Emérito Bento XVI morreu neste sábado (31), aos 95 anos, após passar por uma piora repentina de saúde nos últimos dias. O velório está marcado para começar na segunda-feira (2) na Basílica de São Pedro, sendo que o funeral será na quinta-feira (5) na Praça de São Pedro, presidido pelo Papa Francisco, segundo o Vaticano.

“É com pesar que informo que o Papa Emérito Bento XVI faleceu hoje às 9h34 [5h34 no horário de Brasília] no Mosteiro Mater Ecclesiae no Vaticano”, escreveu o perfil de notícias do Vaticano no Twitter.

Pouco antes das 11h locais (7h em Brasília), os sinos da basílica de São Pedro tocaram pela morte do Papa Emérito, enquanto centenas de pessoas foram à praça no Vaticano para recordar a figura de Joseph Ratzinger.

A saúde de Joseph Ratzinger vinha se debilitando nos últimos anos. O Vaticano havia dito nesta sexta-feira (30) em um comunicado sua condição era grave, mas estável, com atenção médica constante. Desde a renúncia, em 10 de fevereiro de 2013, o teólogo alemão vivia em um pequeno mosteiro no Vaticano.

Veja matéria na íntegra AQUI.

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Um “Jumento” no Vaticano

O professor, advogado e ex-vereador mossoroense Tomaz Neto passeia pelas “Oropas”, com prioridade para visita ao Vaticano.

Ao lado de sua mulher, a professora Ceição, faz a segunda viagem internacional da vida.

 Tomaz Neto, com Ceição, deve voltar com o domínio do Direito Canônico (Foto: cedida)
Tomaz Neto, com Ceição, deve voltar com o domínio do Direito Canônico e encíclica papal (Foto: cedida)

Na primeira aos Estados Unidos, há alguns anos, foi apresentado ao WhatsApp e chamadas de vídeo por esse aplicativo. Os amigos sofreram bastante com essa descoberta científica dele.

Agora, creio, venha da Basílica de São Pedro com o domínio do Direito Canônico, amigo do Papa Francisco e alguma encíclica para pacificar o Brasil.

Tomaz, que a todo interlocutor trata carinhosamente por “Jumento”, ainda poderá contar em sua volta a Mossoró, que pela primeira vez um “animal” nordestino atravessou o oceano para receber a bênção papal.

O Jumento é nosso irmão!

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Bispo Dom Mariano Manzana aniversaria e renuncia a episcopado

O bispo Diocesano Dom Mariano Manzana completa hoje, dia 13 de outubro, 75 anos de vida e envia carta de renúncia do seu episcopado ao Papa Francisco, o que é decisão obrigatória.

O Vaticano nos próximos meses, sem prazo definido, nomeará o seu substituto, para ser o 7º bispo da Diocese de Mossoró.

“Roga-se ao Bispo diocesano, que tiver completado setenta e cinco anos de idade, que apresente a renúncia do ofício ao Sumo Pontífice, o qual providenciará depois de examinadas todas as circunstâncias”, diz a determinação do cânon 401 do Código Canônico.

Acompanhe o que diz a carta no vídeo desta postagem.

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Eu sou, porque nós somos…

Por Marcos Araújo

Apesar do atual uso (e abuso!) de palavras como resiliência, sororidade, solidariedade, tolerância, diversidade, e, por razões de saúde pública, distanciamento e isolamento social, opostos que significam – e ressignificam – o comportamento humano, vale a pena trazer à reflexão a reestruturação social que estamos vivenciando no final deste primeiro quartel do século XXI.

Crianças Xhosa mostram o que é ubuntu - eu sou porque nós somos (Reprodução)
Crianças africanas mostram o que é ubuntu – “eu sou, porque nós somos” (Reprodução)

Tudo que é sólido desmancha no ar, escreveu o filósofo  estadunidense Marshall Berman para criticar a modernidade, e ele tem absoluta razão. Nas últimas décadas, só se falou em energia limpa (solar, eólica e hidráulica), e agora, com a guerra da Rússia x Ucrânia, percebemos que a energia “suja” (carvão mineral e vegetal, energia nuclear, petróleo e gás natural) é quem predomina no mundo.

O risco de desabastecimento de combustíveis fósseis obrigou recentemente Joe Biden a se ajoelhar diante do Conselho de Cooperação do Golfo (a união de seis estados do Golfo Pérsico: Omã, Emirados Árabes Unidos, Arábia Saudita, Qatar, Bahrein e Kuwait).

Também em razão da guerra, as nações estão refluindo suas exportações de alimentos e outros bens de primeira necessidade, buscando a autossuficiência. O mundo em breve deixará de ser a “aldeia global”, na expressão do filósofo canadense Marshall McLuhan, pois barreiras nacionalistas estão sendo erguidas rapidamente. Contam-se já aos milhões os refugiados e apátridas…

O pessimismo, a descrença, a depressão e outras patologias psíquicas avassalam a humanidade. Tem muita gente se armando e outro tanto se matando, sem causa aparente. A prática de doomscrolling (o termo se refere à tendência de navegar na internet e redes sociais em busca de más notícias) está disseminada. Um vazio existencial coletivo tomou de “assalto” a alegria e a vida de nossas cidades. Até Paris (e seus bistrôs), que no dizer de Ernest Heminguay era uma festa, ficou sem graça. O Rio deixou de ser lindo, e Roma não pode mais ser chamada “a cidade eterna”.

A regra agora é a desconfiança, prevalecendo a máxima de Paul Léautaud de que “ser inteligente é ser desconfiado, mesmo em relação a si próprio”.  Nem no médico,  que em tempos de outrora segurava sua mão no momento da cirurgia, nem mesmo no Padre, que amparava suas angústias e guardava suas confissões…

Existirá ainda alguma esperança neste mundo cáustico e caótico?  Claro que sim! A experiencia humana ao longo da história tem demonstrado que a sobrevivência da espécie depende da fórmula racional musicada por Tom Jobim na sua canção “wave”: “fundamental é mesmo o amor, é impossível ser feliz sozinho”. Somos todos interdependentes. Ninguém é capaz de viver sozinho, ainda que se noticie uma proposta idiota de um hotel para mínimos em órbita espacial.

É PRECISO revitalizar o sentido etimológico da palavra “Sociedade”, que em termos mais precisos significaria “sócio na metade”. Somos todos “sócios” uns dos outros. Como afirma Durkheim, a sociedade não deve ser um amontoado de indivíduos, mas um sistema organizado deles, numa unidade cultural, solidária, econômica, política e plural.

O sociólogo francês Edgar Morin insistia que “não só os indivíduos estão na sociedade, mas a sociedade também está nos indivíduos”.  O sentimento de pertença a uma comunidade deve ser o instinto de sobrevivência prevalente. Se eu sou “sócio” na “metade” do outro, essa outra metade pode estar passando fome, desempregada, sem escola, sem perspectiva, doente, sofrendo preconceito…

As pessoas devem saber que o mundo não é uma ilha. Eu sou humano, e a natureza humana implica compaixão, partilha, respeito, empatia. Uma sociedade sustentada pelos pilares do respeito e da solidariedade faz parte da essência de Ubuntu, filosofia africana que trata da importância das alianças e do relacionamento das pessoas, umas com as outras.

Na língua Zulu, Ubuntu significa “Eu sou, porque nós somos”. Aos que se dizem cristãos a filosofia do Ubuntu deve ser um frontispício mental, posto que, como enfatizado pelo Papa Francisco, “No diálogo com Deus não há espaço para o individualismo”.

Marcos Araújo é advogado e professor da Uern

Missa lembrará Dia Mundial das Comunicações Sociais

Missa em Ação de Graças pelos Comunicadores - 30-05-22 - Catedral de Santa Luzia - Padre FlávioA Igreja Católica, Diocese de Mossoró,  marcará o 56º Dia Mundial das Comunicações Sociais com uma Missa em Ação de Graças pelos Comunicadores.

Acontecerá na Catedral de Santa Luzia, às 11 horas do próximo domingo (29).

O ato litúrgico será presidido pelo pároco da Catedral, padre Flávio Augusto Forte Melo.

“Escutar com o ouvido do coração” é o tema da mensagem do Papa Francisco à data.

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Um encontro no limiar dos apóstolos

Registro foi feito nessa sexta-feira (Foto: divulgação)
Registro foi feito nessa sexta-feira (Foto: divulgação)

O bispo da Diocese de Mossoró, Dom Mariano Manzana, publicou postagem neste sábado (21), com foto ao lado do Papa Francisco. O encontro ocorreu nessa sexta-feira (20), no Vaticano.

Ele compôs programação em grupo composto por 20 bispos dos estados de Pernambuco, Alagoas, Sergipe, Paraíba e Rio Grande do Norte. Estiveram em reuniões e encontros em diversos Dicastérios (departamentos do governo da Igreja Católica que compõem a Cúria Romana).

Nordeste 2

O Episcopado do Regional NE2 cumpriu visita Ad Limina Apostolorum, no Vaticano, de 10 a 20 deste mês.

Literalmente, do latim, o termo quer dizer “no limiar dos apóstolos”.

“Na simplicidade de Papa Francisco traspassa o calor da sua humanidade, a profundidade da sua espiritualidade, a riqueza de sua sabedoria, a alegria de sua existência. Valeu sim tanta espera,” manifesta-se Dom Mariano.

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Dom Mariano participa de visita ao Papa Francisco

Dom Mariano estará ao lado de outros bispos no Vaticano (Foto: arquivo)
Dom Mariano estará ao lado de outros bispos no Vaticano (Foto: arquivo)

O Bispo da Diocese de Mossoró, Dom Mariano Manzana, e os demais bispos do Regional Nordeste 2, embarcam na próxima terça-feira (10) para Roma, na Itália. Vão da visita Ad Limina Apostolorum, no Vaticano, de 10 a 20 deste mês.

Literalmente, do latim, o termo quer dizer “no limiar dos apóstolos”. Significa que os bispos, que hoje são os sucessores dos apóstolos, vão estar no limiar, na soleira, às portas da Basílica de São Pedro.

Durante a visita, o grupo composto por 20 bispos dos estados de Pernambuco, Alagoas, Sergipe, Paraíba e Rio Grande do Norte participará de reuniões e encontros em diversos Dicastérios (departamentos do governo da Igreja Católica que compõem a Cúria Romana).

No dia 20, o episcopado do Regional NE2 participará do encontro com o Papa Francisco.

“Com a visita consolidam-se os vínculos de fraternidade episcopal, de fé e comunhão com o Bispo de Roma. Um momento importante para nossa Diocese, que neste ano se rearticula e renova pastoralmente com o intuito de intensificar a evangelização”, afirma Dom Mariano.

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Cristo ressuscitou

Por Odemirton Filho 

“Este é o dia que o Senhor fez para nós: alegremo-nos e nele exultemos”! (Salmo 117). Tomb Empty With Shroud And Crucifixion At Sunrise - Resurrection Of Jesus Christ

“Tiraram o Senhor do túmulo, e não sabemos onde o colocaram”.

Essas foram as palavras ditas por Maria Madalena a alguns discípulos. Eles ainda não tinham compreendido o que diziam as escrituras:

“Derrubai esse templo, e em três dias eu o reconstruirei”.

Sim, Jesus de Nazaré ressuscitou. Cumpriu o prometido. Agora ressurgiu para nunca mais nos deixar. Ele continua vivo no coração de cada um que Nele crer.

O mundo, carente de tudo, ainda não entendeu a dimensão do seu amor. Estamos cada vez mais distantes de seus ensinamentos e, principalmente, de realizar aquilo que Ele pregou e fez.

Nesses tempos difíceis, sempre é momento de reviver, de renascer, de ressuscitar com o Cristo. Momento de repensar valores e atitudes. Momento de ser, verdadeiramente, Igreja. Não somente a Igreja que ora, mas, sobretudo, de ação.

A humanidade atravessa um momento sensível de sua história. Muitos ainda não entenderam que, doravante, a vida será outra. O novo normal, talvez, seja uma realidade. É preciso aceitar e enfrentar essa nova forma de conviver em sociedade.

Até quando viveremos com as limitações que a pandemia nos impõe? Só Deus sabe. O caminho que estamos percorrendo é doloroso. No país, mais de trezentas e vinte mil vidas foram ceifadas e pessoas padecem nos leitos dos hospitais. Muitas famílias dilaceradas. Dor e lágrimas.

Mas, por outro lado, milhões de pessoas venceram o vírus e já foram vacinadas. É motivo de regozijo e alento. Continuemos com a esperança que Cristo ressuscitado caminhará conosco, nos guiará na escuridão e nos mostrará, finalmente, a luz.

Devemos nos valer das palavras do Papa Francisco: “Cristo, minha esperança, ressuscitou! É um contágio diferente, que se transmite de coração a coração, porque todo o coração humano aguarda esta Boa Nova. É o contágio da esperança”.

Não percamos a fé. Dias melhores virão.

Odemirton Filho é bacharel em Direito e oficial de Justiça

Convite ao diálogo

Por Odemirton Filho

“Porque é ele a nossa paz, ele que de dois povos fez um só, destruindo o muro de inimizade que os separava”. (Efésios 2, 14).

Em um diálogo Socrático ressalta-se a imperiosa necessidade de se saber ouvir, aceitar críticas as nossas ideias, respeitar-se o outro, compreender que o errar é inerente ao humano e crescer com a troca de experiências. Em outras palavras: devemos cultivar a nossa humanidade.

Pois bem.

diálogo, vocabulário, conversa,A Campanha da Fraternidade Ecumênica deste ano tem como tema: Fraternidade e Diálogo: Compromisso de Amor”. E como lema: “Cristo é a nossa Paz: do que era dividido, fez uma unidade”.

O período quaresmal para a Igreja Católica, como se sabe, é momento de reflexão sobre a vida, fazendo-se mea-culpa, sendo um momento para rever nossas ações.

A Campanha tem a finalidade de “convidar comunidades de fé e pessoas de boa vontade para pensar, avaliar e identificar caminhos para a superação das polarizações e das violências que marcam o mundo atual”.

Nesses tempos de polarização a Campanha da Fraternidade vem a calhar. Vivemos tempos de radicalismo político e violência, sendo imprescindível repensar nossas palavras e atitudes.

A falta de diálogo tem tornado difícil a convivência dos contrários, deixando as relações sociais ásperas, sem o mínimo de razoabilidade, principalmente, nas redes sociais.

Segundo o Texto-Base da Campanha da Fraternidade:

“A paz é nosso horizonte. Ela passa necessariamente pelo enfrentamento das desigualdades econômicas. Todos sabemos que o Brasil é um dos países mais desiguais do mundo. Aqui, a elite econômica, formada por 1% das pessoas mais ricas, não se sente constrangida em ganhar 33,7 vezes mais do que os 50% mais pobres da população brasileira”.

E acrescenta:

“Como falar de paz, quando pessoas passam fome e não têm trabalho, nem terra e teto? Como falar em paz, sem denunciar essas injustiças econômicas, sociais e ambientais”?

Sim. É preciso denunciar tudo isso e, sobretudo, que aqueles que praticam corrupção, desviando recursos, como uma ferrugem que corrói a saúde, a educação, a segurança e vários direitos sociais do cidadão brasileiro, sejam devidamente punidos. Principalmente o gestor público que se aproveitou da pandemia para a meter a mão nos recursos.

A sadia discussão política é salutar para se alcançar objetivos individuais e sociais para o bem de toda a coletividade. Infelizmente, a marca atual da sociedade é a intolerância, fechando-se ao diálogo, minando pontes que poderiam levar a um país com um mínimo de respeito à dignidade da pessoa humana, aliás, um dos fundamentos de nossa República.

A Campanha da Fraternidade quer despertar, também, a discussão sobre “os efeitos do discurso de ódio, do fundamentalismo religioso, de vozes contra o reconhecimento dos direitos das populações LGBTQI+ e de outros grupos perseguidos e vulneráveis”.

Ademais, ressalta a imperiosa necessidade de nesses tempos de pandemia que haja união contra um inimigo comum: o coronavírus. É preciso a junção de esforços, sem a negação da ciência e dos efeitos deletérios da Covid-19.

De acordo com os especialistas somente com a vacinação em massa e a medidas de prevenção poderemos conter a propagação do vírus, agravada por novas variantes. A mutação oriunda de Manaus, dizem, tem um potencial dez vezes maior de transmissão.

Que fique bem claro: o Supremo Tribunal Federal, no início da pandemia, decidiu que a União, Estados, Distrito Federal e Municípios têm competência concorrente na área da saúde pública para realizar ações de mitigação dos impactos do novo coronavírus, conforme esclarecimento feito pela própria Corte Maior.

Ou seja, é responsabilidade de todos os entes da federação adotarem medidas em benefício da população brasileira no que se refere à pandemia

Mesmo porque a saúde é um direito de todos e dever do Estado, garantido mediante políticas sociais e econômicas que visem à redução do risco de doença e de outros agravos e ao acesso universal e igualitário às ações e serviços para sua promoção, proteção e recuperação, como preceitua a Constituição Federal no seu Art. 196.

A saúde é um direito fundamental que deve ser efetivado pelas três esferas de Poder, isto, União, estados e municípios. Entretanto, não podemos esquecer que há limitação orçamentária para que o direito à saúde seja plenamente concretizado. Sem dinheiro não há como se fazer milagres.

Não se pode deixar de mencionar, ainda, que enquanto milhares de profissionais da saúde estão no front de batalha, colocando em risco à vida, parte da sociedade fica promovendo festinhas e aglomerações numa total falta de respeito e empatia com o próximo.

Sair para trabalhar ou ir ao médico, por exemplo, é necessário, mas curtir uma “balada”, não. A conta da irresponsabilidade chegou e, agora, estamos pagando um preço alto, enfrentando o pior momento da pandemia, com o número de casos e mortes aumentando a cada dia.

E mais: a abertura de leitos de UTI para atender a demanda nunca será suficiente se a sociedade não fizer a sua parte, afirmam os profissionais de saúde. É preciso toda uma estrutura material e humana e os recursos não são infinitos.

Doutro lado, Estados e municípios começaram a decretar, novamente, lockdown e toque de recolher, fragilizando, ainda mais, a nossa combalida economia.

Como permitir que as pessoas possam trabalhar para garantir o pão de cada dia e, ao mesmo tempo, diminuir a disseminação do vírus e garantir atendimento médico-hospitalar às pessoas que venham a adoecer? Eis o enorme desafio dos governantes.

Sem esquecer que para os mais vulneráveis o auxílio emergencial é para ontem, pois o tempo urge e a fome não espera. É preciso agilidade do Congresso Nacional e do governo Federal.

Em suma: é um desafio que deve ser enfrentando por todos, União, Estados, Municípios e sociedade, em um verdadeiro pacto pela vida. Somente através de um acordo nacional e do diálogo conseguiremos alcançar o objetivo comum, qual seja, vencer o vírus e ter a vida de antes.

Enfim, há outros pontos abordados pela Campanha da Fraternidade, todavia, enfatizamos apenas alguns.

Que as palavras do Papa Francisco sejam benfazejas, reflexivas e um convite ao diálogo:

“A fecundidade do nosso testemunho dependerá também de nossa capacidade de dialogar, encontrar pontos de união e os traduzir em ações em favor da vida, de modo especial, a vida dos mais vulneráveis”.

Odemirton Filho é bacharel em Direito e oficial de Justiça

A importância da fé

Por Odemirton Filho

“E logo Jesus, estendendo a mão, segurou-o e disse-lhe: Homem de pouca fé, por que duvidaste?

(Mateus 14:31)

A crença em algo superior sempre fez parte da alma do homem. Mesmo com o Iluminismo, no qual a racionalidade ganhou autoridade e legitimidade, a fé jamais deixou de fazer parte do coração humano.

Não é tarefa simples conceituar a fé, pois é um ato de íntima ligação com Deus. Sente-se a fé e, através dela, encontra-se a força necessária para enfrentar as batalhas da vida e seguir em frente.

Contudo, a fé pode ser entendida como “um dom de Deus, uma virtude sobrenatural infundida por Ele. Para prestar esta adesão da fé, são necessários a prévia e concomitante ajuda da graça divina e os interiores auxílios do Espírito Santo, o qual move e converte o coração para Deus, abre os olhos do entendimento, e dá a todos a suavidade em aceitar e crer a verdade”.A palavra  é derivada do latim. Sua origem é o termo FIDELITAS, que significa adesão, por sua vez, este se originou de FIDELIS, fiel, que se derivou de FIDES, que tem o significado de fé, no sentindo de crença ou confiança.

Para quem acredita em um ser superior, sobretudo, nesse período de pandemia, é importante essa união com o divino, em busca do fortalecimento do espírito.

De toda forma, apesar de muitos não professarem uma religião ou não acreditarem no metafísico, não se observa como absoluta essa dicotomia entre razão e fé, pois essa pode ser vista além da perspectiva divina. Existe a fé na própria natureza humana, bem como em dias melhores, ou seja, existe uma força motriz que nos faz acreditar em algo que desejamos.

Aliás, o pensamento tomista, ou seja, de Santo Tomás de Aquino, procurou compatibilizar essas duas perspectivas humanas.

Dante, na Divina Comédia, descreve a fé como uma “centelha que se expande depois em viva chama e, como estrela no céu, em mim cintila”.

Em sua Carta Encíclica sobre a fé, Lumen Fidei (luz da fé), o Papa Francisco ensina-nos que: “A fé não é luz que dissipa todas as nossas trevas, mas lâmpada que guia os nossos passos na noite, e isto basta para o caminho”.

Mesmo diante da fé, não há como fugir a algumas indagações: como será o mundo pós-pandemia? O mundo voltará à normalidade?

Ressalte-se que, segundo alguns, o mundo terá que adotar com um “novo normal”. Isto é, as relações pessoais, sociais e econômicas conceberão uma nova convivência social, a fim de garantir a nossa sobrevivência.

Ou, talvez, esse exercício de futurologia não seja a melhor opção. Como diz a colunista Lucília Diniz, “não acredito que seja hora de ficar imaginando o nosso futuro. É um exercício meio inútil, porque o futuro, tal como o passado, não existe de fato, a não ser em nossa cabeça: o passado na forma de memória, o futuro como projeção. Tudo o que temos, de verdade, é o presente”.

Assim, viver o hoje, sem dúvida, é o que vale a pena.

Desse modo, apesar de toda a incerteza do porvir, deixo como alento as palavras do Papa Francisco: “Urge recuperar o caráter de luz que é próprio da fé, pois, quando a sua chama se apaga, todas as outras luzes acabam também por perder o seu vigor”.

Odemirton Filho é bacharel em Direito e oficial de Justiça