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Fátima e Garibaldi, uma união possível; Lula é quem decide

Em 2021, tentando eleger Fernando Haddad prefeito de São Paulo, Lula foi buscar o adversário histórico Paulo Maluf (Foto: Web)
Em 2021, tentando eleger Fernando Haddad prefeito de São Paulo, Lula foi buscar o adversário histórico Paulo Maluf (Foto: Web)

Do Blog Tio Colorau

A possível união entre a governadora Fátima Bezerra (PT) e o ex-governador Garibaldi Filho (MDB) tem provocado calorosas discussões nos intramuros petistas.

A ala mais radical critica a união com oligarcas, a mais moderada fala em pragmatismo.

Discussões infindas.

Nota do Canal BCS – Blog Carlos Santos – Quem decide é o ex-presidente Lula. Quem quiser que siga em discussões, pregações, contra ou a favor. Normal. Faz parte.

Vai valer o pragmatismo, o mesmo que já atraiu Paulo Maluf, Antônio Carlos Magalhães, Renan Calheiros, Collor de Mello, José Sarney e tantos outros que são satanizados até hoje pelas bases, aqueles militantes mais ortodoxos.

Quem achar ruim que pegue o beco.

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Conjugar o verbo “malufar” ficou sem graça

O deputado federal paulistano Paulo Salim Maluf (PP) finalmente foi cassado (veja AQUI). Já cumpre prisão domiciliar, que se diga, desde março deste ano, em face de condenação por lavagem de dinheiro em maio de 2017.

Maluf é um personagem que desdenha da lei desde sempre.

Maluf: muito tempo gargalhando (Foto: web)

Ao longo de décadas foi driblando aqui e ali os problemas judiciais, escapando do xilindró e irradiando uma crença inabalável na sua “inocência” e de que era intocável.

Desde o fim do regime militar que Maluf é associado à situações nebulosas. O verbo/neologismo “Malufar” surgiu nos anos 80, como sinônimo de corrupção.

Ele resistiu ao tempo e chegou a se consorciar com adversários que antes o tratavam como corrupto, mas que passaram a tê-lo como companheiro e vê-lo como aliado.

Enfim, nunca deixou de simbolizar o Brasil da impunidade.

Mas perdeu força. Há muito saiu de moda.

Conjugar o verbo malufar ficou mesmo sem graça.

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Carniça atrai urubus

Por François Silvestre

Paulo Maluf dominou boa parte da vida pública brasileira por meio da corrupção e trampolinagem. Foi governador do maior Estado do Brasil, prefeito da maior cidade, deputado federal com votações acachapantes.

Maluf: prisão (Foto: Web)

Acólito da Ditadura, mandou agredir operários e estudantes. Financiou torturas e protegeu torturadores.

Quase chega à Presidência da República. Tudo isso sob acusações às escâncaras de aparelhamento do erário para fins de enriquecimento ilícito, seu e dos seus. Enquanto exerceu esses cargos e teve poder de agir, ninguém mexeu com ele.

Navegou em mar sereno, nas barbas da Justiça e dos órgãos de controle. Impunemente.

Agora, quase moribundo é alvo da fúria ética. Enquanto carne, ninguém o molestou. Após carniça, alvoroçam-s e os urubus.

É o Brasil…

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Tarda, falha, mortalha

Por François Silvestre

Havia nos tempos do sertão profundo um adágio que dizia: “Quem aos vinte não barba, aos trinta não casa, aos quarenta não tem; não barba, não casa, não tem”.

Pois bem.

Prenderam Maluf e Marin. Dois corruptos notórios.

Maluf foi delegado diligente da Ditadura. Marin bancou com dinheiro roubado um esquema de tortura em São Paulo.

Todo mundo sabia disso. Menos a justiça.

Agora, a justiça se fez.

Tardou, falhou e oferece a mortalha.

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Maluf entre amigos

Maluf: só rindo (Foto: Web)

Em entrevista nesse domingo (15) ao jornalista Roberto Cabrini no SBT, Paulo Maluf defendeu com unhas e dentes Lula e Temer.

Conhece-os muito bem, sublinhou.

Apoiou um; apoia o outro.

Gosta de ambos. De graça.

Nem um nem outro será preso, assim como ele, previu.

Cá para nós: há tempos Maluf saiu de moda e ficou sem graça.

Quase ninguém lembra ou sabe, que um dia ele até virou verbo pejorativo: “malufar”.

Deixa para lá!

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Paulo Maluf se rebela contra negociata do Governo Dilma

Vivi para ver.

Deu a louca no Brasil.

Paulo Maluf, deputado federal do PP paulista, rebela-se contra postura da direção nacional da sigla, de apoio ao Governo Dilma Rousseff (PR), pelo menos até a votação do pedido de impeachment da presidente.

Ele faz combate à negociata do Governo, que troca cargos por votos contra impeachment.

Risível!

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Beto Rosado é pressionado a votar em favor do impeachment

O movimento pró-impeachment da presidente Dilma Rousseff (PT), em Mossoró, fez colagem de cartazes no dia passado na sede do Diretório Municipal do PP na cidade.

Cartazes foram colados na parece frontal, cobrando voto de Beto Rosado (Foto: cedida)

O partido anunciou ontem que segue na base de apoio do Governo até o dia da votação do pedido de impeachment na Câmara Federal.

De Mossoró, há um voto em jogo: é do deputado federal Beto Rosado.

“Diante do quadro que se visualiza, acredito que o partido vai saber escolher o melhor caminho para o país e, como progressista que sou, será o caminho que seguirei, a favor do Rio Grande do Norte”, manifestou-se o parlamentar pepista (veja AQUI).

O grupo articula para os próximos dias, a colocação de vários outdoors pela cidade.

Sem consenso

Cartaz é incisivo (Foto: reprodução)

Nos cartazes colados na sede e proximidades do PP, é expressa a seguinte mensagem, que contorna uma foto de Beto Rosado:

Deputado, nós queremos saber: Você está a favor do Brasil ou contra ele? Impeachment Já!

No dia passado, o PP pronunciou-se através do senador Ciro Nogueira, manifestando a posição do partido (veja AQUI).

Contudo há pressão dentro do próprio PP, para rompimento e voto em favor do impeachment. Os dissidentes reforçaram pressão logo após entrevista de Ciro, inclusive emitindo nota de reprovação à postura partidária e assegurando que não há consenso.

Desafio ao comando partidário a listar os 40 votos que anunciou favoráveis ao governo – disse ao Blog do Carlos Santos o deputado federal do PP gaúcho, Jerônimo Goergen.

Paulo Maluf (do PP de São Paulo) chegou a declarar que votará contrário à postura decidida pelo PP, em protesto contra a “barganha” por cargos.

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Paulo Maluf está fora da disputa eleitoral

Nem tudo está perdido.

Por maioria dos votos, o Plenário do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) negou, na sessão plenária desta terça-feira (23), provimento ao recurso ordinário interposto pela defesa de Paulo Maluf, candidato a deputado federal pelo Estado de São Paulo.

Com isso, a Corte manteve a decisão do Tribunal Regional Eleitoral paulista (TRE-SP) que indeferiu o registro de candidatura.

Paulo Maluf foi condenado pelo Tribunal de Justiça do Estado de São Paulo (TJ-SP) em 4 de novembro de 2013 pela prática de improbidade administrativa na construção do túnel Ayrton Senna, quando era prefeito da capital paulista, em 1996.

Entre as sanções impostas ao candidato, consta o pagamento de multa e a proibição de contratar com o Poder Público ou receber benefícios ou incentivos fiscais, direta ou indiretamente, ainda que por intermédio de empresa da qual seja sócio majoritário pelo prazo de cinco anos, além de suspensão dos direitos políticos pelo mesmo prazo.

A estupidez do legalismo

Por François Silvestre

Ou o legalismo da estupidez. Lênin afirmou que “o esquerdismo é a doença infantil do comunismo”. Ouso dizer que o legalismo é o sarampo da legalidade.

O mal das virtudes é a sua deformação. O moralismo deforma a moral, o puritanismo deforma a ética e o legalismo desmoraliza a lei.

A Constituição de 88, ciosa dos seus defeitos, previu uma reforma geral para cinco anos após a promulgação. Por covardia ou conveniência escusa não a fizeram.

Hoje, o país clama por uma Carta Constitucional que não se confronte com a realidade. A mesma covardia ou preguiça institucional impede a coragem cívica de convocar uma Constituinte originária e exclusiva para a elaboração de uma nova Constituição.

Se é verdade que ninguém está acima da Lei, também é verdade que a Lei não está acima da realidade.

Veja que a Constituição, no seu artigo 196, impõe: “Saúde é direito de todos e dever do Estado”. Pergunto: Isso é verdade? Não. Desde 88 que a realidade desmente a Constituição. E vai continuar desmentindo. Porque a Constituição é a Carta das corporações e quem banca a vida social do Brasil são as corporações. De todas as naturezas. As castas e seus interesses.

Não fica só nisso. Nem a Suíça, represa dos ladrões do mundo, tem o padrão de vida que a nossa Constituição mentirosamente oferta ao Brasil. É o patronato do legalismo.

E como toda deformação só vê suspeitas nos outros, os legalistas não fogem à regra. Vigilantes, de holofotes, a sentir o cheiro de irregularidade em tudo e em todos, são espertamente condescendentes com os próprios desvios.

Exemplos? Um prédio comprado com função inútil, sem prévia avaliação de custo e uso, largado ao abandono no centro da cidade. Fosse outro órgão o comprador, na mesma semana dois inquéritos teriam sido instaurados. Um cível e outro criminal. Além da pergunta que eles sempre fazem: “Quem ganhou o quê com esse negócio suspeito”?

Outro legalista é flagrado numa ação de tortura contra um investigado, “eu espremo até conseguir alguma informação”. Tudo para levar à sebosa delação premiada. Tortura não é só o pau-de-arara. A ameaça é crime previsto em Lei, e no inquérito é tortura. Até o Papa Francisco declarou que tortura não é pecado, é crime.

Voltemos à Constituição. A carta foi elaborada num momento de “euforia cívica”, onde todos negociaram com todos. Sob o comando de Ulysses Guimarães, Sarney, Lula, Maluf.

Ruralistas e reformistas rurais, esquerda e direita urbanas. Todo mundo se compôs. Sob o amparo das corporações. O PT ameaçou não assinar. Tudo pantim.

E num país de instrução precária, a ordem jurídica a depender de legislação irreal. Sob a fiscalização de legalistas e não da legalidade.

É o pais que temos. Geograficamente exuberante, economicamente desigual, socialmente injusto e juridicamente hipócrita.

mais.

François Silvestre é escritor

* Texto originalmente publicado no Novo Jornal.

A rendição do Congresso ao chiqueiro da política

Editorial do portal Congresso em Foco

chiqueiro (sentido figurado)casa ou lugar imundo”

Sintomático que o presidente do Senado, José Sarney, tenha proibido a manifestação contra o senador Renan Calheiros (PMDB-AL), convocada por várias entidades e apoiada pelo Congresso em Foco.

Os manifestantes pretendiam fazer ontem a lavagem simbólica da rampa do Senado para expressar a indignação que levou, até o momento em que é publicado este texto, mais de 250  mil brasileiros a subscrever o abaixo-assinado contra a volta de Renan à presidência do Senado.

O problema é que limpeza é algo que não combina muito com o Congresso. Nas  últimas duas décadas, ele proporcionou seguidas demonstrações de afronta aos cidadãos que custeiam suas bilionárias despesas (perto de R$ 8 bilhões no ano passado): escândalo do orçamento em 1993, compra de votos para aprovar a emenda da reeleição em 1997, violação do painel em 2001, mensalão em 2005, sanguessugas em 2006, farra das passagens e atos secretos em 2009… a lista é infindável.

Mas sempre pode ser enriquecida, aumentando o tamanho dos golpes contra a cidadania, prova agora o processo em curso de eleição das Mesas do Senado e da Câmara. Estamos diante de uma daquelas tristes situações que nos levam a constatar que, em se tratando do Congresso brasileiro, sempre é possível piorar.

Exemplar é o caso de Renan. Na iminência de receber a maioria folgada de votos dos seus pares, foi até agora incapaz de esclarecer as denúncias que, seis anos atrás, o obrigaram a renunciar à presidência do Senado para preservar o mandato de senador.

Reconduzir Renan ao posto, antes de eliminar todas as dúvidas quanto à sua conduta, põe sob suspeita todo o Legislativo. Um poder que já apresenta um gigantesco passivo no que se refere ao “controle interno” dos seus integrantes e das suas ações. E daí? O Congresso, que tem um terço de seus parlamentares às voltas com acusações criminais, continua a dar sinais de preferir a imundície dos chiqueiros ao asseio das normas impostas por aquilo que, algo pomposamente, poderíamos chamar de moralidade pública.

Com menos pompa, poderíamos dizer que se espera atenção a pelo menos duas normas básicas: não roubar o dinheiro dos contribuintes e investigar ou colaborar com a investigação de crimes contra a administração pública, sobretudo quando os acusados forem deputados e senadores.

Oposta é a regra que prevalece no Congresso. Ali, cidadãos sob suspeita gozam de proteção oficial, tapinhas solidários nas costas, carro e despesas pagas pelo erário, e abusam da paciência de um povo que demonstra excessiva complacência em relação a políticos bandidos.

Desfilam pelos corredores do Legislativo desde políticos condenados a prisão até a espantosa figura de Paulo Maluf, alvo de um mandado da Interpol que lhe impede de pisar em qualquer outro país do mundo, sem ir imediatamente para a cadeia, mas que pode, legalmente, ser deputado no Brasil.

A precária mobilização popular, muito aquém do tamanho dos desaforos que o Parlamento tem metido pela goela abaixo da sociedade, contribui para o escárnio não ter fim.

Apoiado por todos os grandes partidos, inclusive da oposição, é dado como favorito na disputa da presidência da Câmara outro político sob fortes suspeitas, o atual líder peemedebista, Henrique Eduardo Alves (RN).

Questionados sobre possíveis desvios de conduta, ele e Renan reagem de modo semelhante. Ignoram a denúncia, ao mesmo tempo em que instruem adversários a atribuir os graves questionamentos que lhes são feitos a meros preconceitos contra nordestinos. Esta, aliás, é uma das imbecilidades preferidas da meia dúzia de militantes pró-Renan que nos últimos dias tenta infestar este Congresso em Foco com centenas de comentários, invariavelmente usando nomes falsos e termos ofensivos.

Como não há limites para o abismo moral, o PMDB, outrora valente combatente da ditadura e hoje confortável abrigo para novos e velhos suspeitos, prepara-se para eleger como líder outro parlamentar sob investigação, Eduardo Cunha (RJ). Também deve explicações à Justiça seu rival na disputa, Sandro Mabel (GO).

Em comum a Renan, Henrique, Eduardo Cunha e Mabel, a facilidade com que se aliam aos governos de plantão, sempre multiplicando os instrumentos a serviço de um tipo de política que, definitivamente, não cheira bem.

O Congresso em Foco sente-se no dever de manifestar perplexidade diante de tudo isso e se colocar à disposição dos brasileiros que pretendem ver um Congresso radicalmente diferente. Afinal, fazemos jornalismo na esperança de contribuir para as coisas mudarem para melhor – não para pior.

Veja postagem original clicando AQUI.

O pensamento nacional e o fim da Ciência Política

Precisamos com urgência fazer uma releitura dos grandes clássicos da Ciência Política. Ou jogarmos tudo fora e começarmos do zero, outro ponto de partida, depois de mais de 2.500 anos de estudos sobre o tema.

Rousseau, Montesquieu, Schopenhauer, Bobbio, Aristóteles, Marx, Maquiavel, Platão, Gramsci, Hobbes, Locke etc. estão ultrapassados, se formos seguir a moderna política do pindorama nacional.

Ao criar o PSD, o prefeito paulistano Gilberto Kassab afirmou que o partido não seria de direita, centro ou esquerda. Deixou os revolucionários franceses boquiabertos, remexendo-se em túmulos com ou sem cabeça pós-guilhotina.

Paulo Maluf (PP) decretou o fim da direita e da esquerda. Segundo ele, os conceitos que firmaram o pensamento universal sobre essas ideologias políticas estão ultrapassados.

Lula, como não sabe e nunca soube o que é uma coisa nem outra, concorda com Maluf e com Kassab. Para ele, o que vale é a “política de resultados”, vencer a qualquer preço e a governabilidade de qualquer forma, com qualquer aliado.

Enfim, temos aí a política à brasileira.

‘Jogada’ de Lula atraindo Maluf causa estrago no PT

Blog do Josias de Souza (UOL)

O gênio muitas vezes esbarra no erro e passa adiante sem desconfiar que o erro é o erro. Só o idiota, com sua espantosa clarividência, é capaz de olhar para o erro e exclamar: ‘Ali está o erro.’

Lula, por genial, não farejou o erro ao posar para fotos ao lado de Maluf. Sorriu para o erro, apertou a mão do erro, empurrou o erro para perto do pupilo Haddad e fechou um acordo eleitoral com o erro.

O Datafolha foi ao meio-fio para saber quanto custa o lulocentrismo malufista do PT. O preço é alto: para 62% dos eleitores, o petismo agiu mal ao buscar o apoio do erro. A rejeição é maior entre os partidários do PT: 64% de desaprovam.

Muitos partidos sofrem de falta de miolos. O PT vive o mesmo drama, mas com uma cabeça só. Por um minuto e pouco de tempo de tevê, o gênio é capaz de entregar a alma ao erro com uma fluorescente aura de genialidade.

Veja detalhes da pesquisa clicando AQUI. Lula, em mais uma investida de sua “política de resultados”, causa estrago. Já Luíza Erundina (PSB), que não aceitou ser  vice de Fernando Haddad (PT), devido o apoio de Paulo Maluf (PP), recebe apoio pelo gesto de 67% dos entrevistados.

Um Paraguai para nos desviar das próprias mazelas

Quero saber o que é pior para o Brasil: o impeachment de um presidente no Paraguai ou a lição de “política de resultados” de Lula da Silva (PT) em aliança com Paulo Maluf (PP)?

Para muita gente, é melhor comentar e estrilar contra o suposto golpe no país vizinho do que discutir nossa crescente insalubridade moral na coisa pública.

Causa menos desconforto.

Luíza Erundina condena lógica do “vale-tudo” na política

A deputada federal Luiza Erundina (PSB/SP) desistiu oficialmente de ser vice na chapa do ex-ministro Fernando Haddad (PT/SP) à Prefeitura de São Paulo.

Uma gotinha de bom senso e dignidade no pantonoso ambiente político brasileiro. A doce Uiraúna, na Paraíba, cidade-berço de Erundina, deve estar toda prosa e orgulhosa com sua filha ilustre.

Hoje, Luíza Erundina dá entrevista ao Estadão e justifica sua posição política. Pondera que a foto de Lula (PT) ao lado de Haddad e de Paulo Maluf (PP) lhe causou “repulsa”. E mais: admite que a pressão recebida através das redes sociais (novamente a Internet mostrando sua força) foi decisiva à decisão.

Por Christiane Samarco, no Estadão:

A foto do ex-presidente Lula com o deputado Paulo Maluf nos jardins pesou na decisão?

A aliança com esse sistema político exaurido que está aí é norma mesmo quando não há identidade ideológica. Mas a foto provocou repulsa, uma reação em cadeia. Fui bombardeada nas redes sociais.

Lula agiu mal ao fazer o gesto de visitar o ex-prefeito Maluf em sua casa?

O gesto de Lula foi ruim. Nós que temos história de militância temos responsabilidade de qualificar o processo eleitoral, temos que ter um cuidado para não estragarmos a prática política.

O que a senhora quis sinalizar com a sua saída da chapa?

Engrandecer este homem no momento em que queremos passar a limpo o regime militar, o regime da ditadura, não dá, não dá. O Maluf atuou na ditadura e quando eu fui prefeita, 22 anos atrás, encontrei uma vala clandestina no cemitério de Perus, com 1049 corpos, sendo cinco corpos de desaparecidos políticos… Subir no palanque com ele, não vou.

Não dava para permanecer na chapa…

Não permanecer na chapa é não aceitar a lógica política do vale-tudo que predomina no país todo. Isso só se resolve com reforma política, mas política tem um simbolismo. Eu faço política com uma preocupação de ordem pedagógica. Tanto podemos educar como deseducar. Nós da geração que está passando não podemos aceitar práticas políticas condenáveis que afastem a juventude do processo político.

Lula ensina o PT a conjugação do verbo “malufar”

Lula, Haddad e Maluf: política de resultados

A chegada de Paulo Maluf (PP) ao palanque do PT é uma espécie de consagração do verbo “malufar”, agora na versão petista.

Petismo, sinônimo de malufismo. Ou vice-versa.

Hoje, o ex-presidente Lula da Silva (PT) posou (veja foto) ao lado do pré-candidato a prefeito de São Paulo-SP pelo PT, Fernando Haddad, saudando o reforço de Maluf.

Há algum tempo, Maluf era sinônimo de corrupção e a besta-fera aos olhos do petismo. Hoje, cabe até uma poesia para passar uma borracha no passado.

“Lula, que detestava Maluf, que odiava Lula, mas que agora estão juntos porque não existe mais direita e esquerda”. É uma poesia de resultado.

O ex-presidente Lula levou para a política partidária o modelo do “sindicalismo de resultados” que imperou nas relações entre trabalhadores e patrões em São Paulo, durante muitos anos. O que não é a mesma coisa. Parece, mas não é.

Na política sindical, o importante era ganhar; na política partidária, fundamental é vencer a qualquer preço.

Bem, depois que Maluf disse que “não existe mais direita e esquerda”, para amparar a aliança com Lula e o PT, falta apenas esperarmos que as montadoras fabriquem carros sem sinaleiras. Não é preciso sentido de direção.