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OAB cobra que investigados não ocupem ministérios

Do G1

O presidente nacional da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), Claudio Lamachia, defendeu que políticos investigados pela operação Lava Jato, que apura corrupção na Petrobrás, não devem ocupar ministérios do governo do presidente em exercício Michel Temer.

Lamachia: rigor (Foto: OAB)

“Quem é investigado pela Operação Lava Jato não pode ser ministro de Estado, sob o risco de ameaçar a chance que o Brasil tem de trilhar melhores rumos”, diz Lamachia em nota. “Faço o alerta de que a nomeação de investigados contraria os anseios da sociedade e não deveria ser feita.”

Dois ministros de Temer, Romero Juca (PMDB-RR), do Planejamento, e Henrique Eduardo Alves (PMDB-RN), do Turismo, são investigados pela Lava Jato. A decisão do presidente em exercício dá aos dois foro privilegiado.

O ex-diretor da Petrobras e delator Paulo Roberto Costa afirmou que negociou com Jucá apoio para sua permanência no cargo em troca de propinas ao partido. Já Alves é suspeito de receber propina disfarçada de doações eleitorais de Léo Pinheiro, dono da OAS.

Justiça

Lamachia afirma que a OAB poderá entrar na Justiça para pedir a saída desses ministros, caso eles se tornem réus nos processos que apuram as suspeitas de envolvimento com o escândalo na estatal.

“No futuro, se necessário, a Ordem avaliará o uso dos instrumentos jurídicos cabíveis para requerer o afastamento das funções públicas dos ministros que se tornarem réus. Foi com base nesse entendimento que a OAB pediu o afastamento do deputado Eduardo Cunha e do então senador Delcídio do Amaral.”

Ainda na nota, Lamachia diz que “todos os cidadãos têm direito à ampla defesa e ao devido processo legal.” Entretanto,  aponta que o ministério “precisa estar acima de qualquer suspeita.”

“Os investigados devem poder se defender sem, para isso, comprometer a credibilidade dos ministérios.”

Legitimidade

Para o presidente da OAB, é preciso que Temer faça de seu governo “um exemplo ético” para “validar a legitimidade.”

“Considero que o novo governo, alçado ao poder pela via constitucional e não pela via eleitoral, precisa ser um exemplo ético para poder atender aos anseios da sociedade e validar sua legitimidade.”

“A OAB torce pelo sucesso do Brasil. Por isso, cobrará que, diferentemente do anunciado, o novo ministério não seja composto por pessoas sobre as quais pesem dúvidas”, diz Lamachia na nota.

“Estadão” mostra lista de supostos envolvidos em corrupção

O Estado de São Paulo

Primeiro delator da Lava Jato, o ex-diretor de Abastecimento da Petrobrás Paulo Roberto Costa citou em 80 depoimentos que se estenderam por duas semanas, entre agosto e setembro, uma lista de 28 políticos – que inclui ministro e ex-ministros do governo Dilma Rousseff (PT), deputados, senadores, governador e ex-governadores.

O Estado obteve a lista completa dos citados. A relação inclui ainda parlamentares que integram a base aliada do Palácio do Planalto no Congresso como supostos beneficiários do esquema de corrupção e caixa 2 que se instalou na petrolífera entre 2004 e 2012.

Há nomes que até aqui ainda não haviam sido revelados, como o governador do Acre, Tião Viana (PT), reeleito em 2014, além dos deputados Vander Luiz dos Santos Loubet (PT-MS), Alexandre José dos Santos (PMDB-RJ), Luiz Fernando Faria (PP-MG) e José Otávio Germano (PP-RS). Entre os congressistas, ao todo foram mencionados sete senadores e onze deputados federais.

O perfil da lista reflete o consórcio partidário que mantinha Costa no cargo e contratos bilionários da estatal sob sua tutela – são 8 políticos do PMDB, 10 do PP, 8 do PT, 1 do PSB e 1 do PSDB. Alguns, segundo o ex-diretor de Abastecimento, recebiam repasses com frequência ou valores que chegaram a superar R$ 1 milhão – dinheiro que teria sido usado em campanhas eleitorais. Outros receberam esporadicamente – caso, segundo ele, do ex-senador Sérgio Guerra, que foi presidente nacional do PSDB e em 2009 teria pedido R$ 10 milhões para arquivar uma CPI da Petrobrás no Senado.

Sobre vários políticos, o ex-diretor da estatal apenas mencionou o nome. Não revelou valores que teriam sido distribuídos a eles ou a suas agremiações.

Foram citados os ex-governadores do Rio Sérgio Cabral (PMDB), do Maranhão Roseana Sarney (PMDB) e de Pernambuco Eduardo Campos (PSB) – que morreu em um acidente aéreo em 13 de agosto, durante campanha presidencial.

Primeiro escalão. A lista inclui também o ex-ministro Antonio Palocci (PT), que ocupou a Esplanada nos governos Luiz Inácio Lula da Silva e Dilma; os presidentes do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL), e da Câmara, Henrique Eduardo Alves (PMDB-RN), o atual ministro de Minas e Energia, Edson Lobão, e ex-ministros Gleisi Hoffmann (Casa Civil) e Mário Negromonte (Cidades).

Os 28 nomes são exclusivamente de políticos que teriam sido beneficiários dos negócios da diretoria de Costa. A Polícia Federal e a Procuradoria da República trabalham com outros nomes de políticos que se relacionavam com os ex-diretores da estatal Renato Duque (Serviços) e Internacional (Nestor Cerveró).

As revelações foram feitas em depoimentos prestados por Costa à força tarefa da Lava Jato e fazem parte do acordo de delação premiada firmado pelo ex-diretor com o Ministério Público Federal em troca de redução da pena. Desde que sua delação foi aceita pelo Supremo Tribunal Federal, ele cumpre prisão em regime domiciliar, no Rio.

Alguns nomes dessa lista também aparecem na relação fornecida pelo doleiro Alberto Youssef, que firmou acordo semelhante – ainda não homologado pelo ministro Teori Zavascki, do STF. O procurador-geral da República, Rodrigo Janot, deve denunciar os envolvidos no esquema de desvios da estatal em fevereiro, quando tem início a nova legislatura (mais informações no texto abaixo).

A delação do ex-diretor da Petrobrás, já homologada pelo Supremo, estava com Janot desde novembro. Ele aguarda o teor do depoimento de Youssef para cruzar os nomes citados, o que deverá ser realizado até o início da próxima legislatura.

Foro

Na troca da composição do Congresso, alguns dos citados perdem foro privilegiado e passam a ser julgados pela Justiça de primeira instância. Por decisão do ministro Teori Zavascki, as investigações permanecem divididas entre a Suprema Corte e a Justiça Federal no Paraná, onde serão investigados os acusados que não têm mandato.

A lista de 28 nomes foi revelada por Costa exclusivamente no âmbito da delação premiada. Como são citados políticos com foro privilegiado, o caso foi parar no STF. Em depoimentos à primeira instância da Justiça Federal, o ex-diretor da Petrobrás não falou de políticos, mas citou que o PP, o PMDB e o PT recebiam de 1% a 3% sobre o valor dos contratos da estatal para abastecer caixa de campanha.

A investigação desvendou uma trama de repasses a políticos na estatal. A Lava Jato foi desencadeada em março e identificou a parceria de Costa com o doleiro Youssef. Na última fase da operação, deflagrada em 14 de novembro, foram presos os principais executivos e dirigentes das maiores empreiteiras do País, todos réus em ações penais por corrupção ativa, lavagem de dinheiro, crimes de cartel e fraudes a licitações.

Esquema da Petrobras “acontece no Brasil inteiro”

Paulo abre o jogo (Foto: Laycer Tomaz)

O ex-diretor de Abastecimento da Petrobras Paulo Roberto Costa afirmou nesta terça-feira (2) que desde o governo José Sarney (1985-1989) as indicações para postos de comando na estatal sempre foram reservados à indicação política. Em declaração feita à Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) da estatal, ele acrescentou que o esquema é repetido pelo “país inteiro”.

Ele evitou dar detalhes sobre a delação premiada que presta à Justiça, e fez um pronunciamento sobre questões sem ligação direta com a Operação Lava Jato, da Polícia Federal.

“Não há como virar diretor da Petrobras sem indicação política. Isso aconteceu em todos os governos. Todos! Com todos os diretores da Petrobras. Se não tivesse apoio político não chegava a diretor. Isso é fato”, disse Costa, em neste momento passa por acareação com o ex-diretor da área internacional da Petrobras Nestor Cerveró.

“Assinei minha demissão em 2012 porque não aguentava mais a pressão,” disse.

Roubalheira em todo o país

De acordo com Paulo Roberto, a forma de indicações políticas se repete por todo o país.

“Não se iludam. Isso que acontece na Petrobras acontece no Brasil inteiro. Em ferrovias, portos, aeroportos. Tudo. Acontece no Brasil inteiro”, afirmou. Sem se estender sobre o assunto, a declaração do ex-diretor de Abastecimento dá margem para entender que, da mesma forma que existiu cobrança de propina na estatal, ocorre o mesmo em outras empresas governamentais.

Sobre as ações penais da Operação Lava Jato, Paulo Roberto afirmou ter fornecido aos procuradores federais e ao juiz Sérgio Moro “fatos, dados e nomes” nos mais de 80 depoimentos que compõem a delação premiada. “Tudo que eu falei na delação eu confirmo”, comentou.

Na última vez que compareceu à CPMI da Petrobras, o ex-diretor de Abastecimento exerceu o direito de ficar calado, e não fez nenhum depoimento na comissão. Desta vez, apesar de não tratar de forma específica, falou de política e família.

Veja matéria completa AQUI.

Nota do Blog – Se as investigações chegarem ao Rio Grande do Norte… sei não.

Nomeação de diretores, por exemplo, propiciou uma das fases mais nefastas da estatal em solo potiguar.

Propina assola o país de “Norte a Sul”

Coluna Painel (Folha de São Paulo)

A Polícia Federal encontrou indícios de que os pagamentos de propina revelados pela Operação Lava Jato continuam sendo feitos na Petrobras.

Relatório da última etapa da investigação diz que o esquema “apresenta continuidade mesmo após a demissão do então diretor Paulo Roberto Costa” e “assola o país de Norte a Sul até os dias atuais”.

A PF vai apurar pagamentos feitos pelas empreiteiras ao doleiro Alberto Youssef já em 2014 para encontrar obras em que pode ter havido propina.

Dilma admite, pela primeira vez, corrupção na Petrobras

O Estado de São Paulo

A presidente e candidata à reeleição pelo PT, Dilma Rousseff, admitiu neste sábado (18), que “houve desvio” na Petrobras, conforme denúncias do ex-diretor da estatal Paulo Roberto Costa. Foi a primeira vez que a presidente confirmou a existência de desvio. A confirmação pela candidata ocorreu durante entrevista coletiva nesta tarde, no Palácio da Alvorada, residência oficial da Presidência. “Se houve desvio de dinheiro público queremos ele de volta. Se houve não, houve, viu?”, afirmou.

Dilma afirmou também que o governo pretende pedir o ressarcimento de todos os recursos desviados pelo esquema comandado por Costa, com recursos desviados por meio de construtoras para financiar partidos políticos – entre eles, o PT, o PMDB e o PP. “Eu tomarei todas as medidas para ressarcir tudo e todos”, disse. “Farei todo o possível para ressarcir o País.”

Bandeira da ética

A presidente, contudo, disse que ainda não foi informada sobre valores que poderiam voltar para a estatal em razão da recusa do Supremo Tribunal Federal (STF) de permitir o acesso do governo a detalhes da delação premiada de Costa. “Ninguém sabe o que tem para ser ressarcido, porque os dados mais importantes da delação premiada não foram entregues a nós”, disse.

Ao ser questionada sobre se o pagamento de R$ 10 milhões por Costa ao ex-presidente do PSDB, Sérgio Guerra, morto no início deste ano, tiraria dos tucanos a bandeira da ética, ela afirmou que “ninguém está acima de suspeita”. “Não acho que ninguém no País tenha a primazia da bandeira da ética. Até o retrospecto do PSDB não lhe dá essa condição. Acho que não dá a partido nenhum” comentou. “Acho que ninguém está acima de qualquer suspeita no Brasil.”

 

A “privatização” da Petrobras

O próximo presidente da República Federativa do Brasil, seja Dilma Rousseff (PT) ou Aécio Neves (PSDB), tem a obrigação de devolver a Petrobras ao Brasil.

Sua “privatização”, nos termos que estamos vendo, enoja.

Chega!

Veja AQUI 10 áudios e vídeos relacionados à Operação Lava Jato.

Estão incluídos depoimentos do ex-diretor da Petrobras Paulo Roberto Costa e do doleiro Alberto Yousseff, concedidos à Justiça Federal nesta 4ª feira (8.out.2014) nos autos da ação penal decorrente da Operação Lava Jato.

Depoimento revela elo entre Mensalão e esquema Petrobras

Revista Época

Os dois períodos de Lula na Presidência foram marcados por crescimento econômico, disseminação de programas sociais – e também por dois grandes escândalos de corrupção. No primeiro mandato, reinou o mensalão. Ele acabou na prisão de seus principais operadores e articuladores, depois de julgados e condenados pelo Supremo Tribunal Federal (STF). No segundo mandato – soube-se nos últimos meses, por meio de investigações da Polícia Federal (PF) e do Ministério Público Federal (MPF) –, floresceu um esquema de pagamento de propina em troca de contratos bilionários com a Petrobras, esquema que continuou durante o governo de Dilma Rousseff.

Neste momento, as autoridades investigam a conexão entre os dois escândalos. Já se sabia que parte da estrutura financeira do mensalão fora usada no esquema da Petrobras. As últimas investigações vão além da questão financeira e se debruçam sobre os personagens comuns aos dois enredos.

Papel dos atores

O ex-deputado federal José Janene (que morreu em 2010), o doleiro Alberto Youssef e o executivo Paulo Roberto Costa aparecem no mensalão e no esquema da Petrobras. Um depoimento dado no dia 22 de julho deste ano – revelado por ÉPOCA em primeira mão e disponível em vídeo em epoca.com.br –, ajuda a detalhar o papel dos atores que participaram dos dois esquemas.

O autor do depoimento é o empresário Hermes Freitas Magnus, de 43 anos. Ele reafirma a participação do mensaleiro Janene – deputado do PP que, em troca de apoio político, embolsou R$ 4,1 milhões do mensalão petista – como figura central que liga os dois escândalos. Magnus foi sócio de Janene – e, segundo diz no depoimento, frequentava sua casa e ouvia confidências dele.

Segundo Magnus, o esquema da Petrobras “era a extensão do mensalão, um cala-boca para que (Janene) permanecesse quieto”. Janene sempre dizia, segundo o depoimento de Magnus, que poderia “derrubar Lula”, porque sabia do esquema do PT tanto quanto o ex-ministro da Casa Civil José Dirceu, condenado por corrupção.

Veja matéria completa AQUI.

Agripino cobra acesso a depoimento de ex-diretor da Petrobras

O líder do Democratas no Senado, José Agripino (RN), disse ser imprescindível que a comissão parlamentar mista de inquérito (CPMI) da Petrobras tenha acesso imediato às declarações do ex-diretor da estatal Paulo Roberto Costa sobre esquema de desvio de dinheiro na estatal.

Na manhã desta quarta-feira (10), Agripino e outros parlamentares de oposição se reuniram com o presidente da CPI do Senado e a CPI mista da Petrobras, senador Vital do Rêgo (PMDB-PB), para exigir novos direcionamentos na investigação.

Após a reunião, a comissão parlamentar anunciou que vai entregar no Supremo Tribunal Federal (STF) petição para que a CPI mista tenha acesso às declarações de Paulo Roberto à Polícia Federal.

Operação Lava Jato

Além disso, o presidente da comissão disse que vai pedir audiência com o ministro do STF, Teori Zavascki, relator do processo da Operação Lava Jato, para reforçar o pedido da CPI para ter acesso às declarações de Costa.

“O Paulo Roberto Costa tem que vir à CPI e, vindo, tem que falar. Agora mais importante que ele vir é o peticionamento ao Supremo Tribunal Federal para que o que foi dito na delação premiada venha para o Congresso, para a CPI”, disse o senador. “É um direito do Congresso. A CPI é um poder e nós vamos exigir que aquilo que chega ao Supremo venha para a CPI, que é a voz da sociedade”, acrescentou Agripino.

Os parlamentares marcaram para a próxima quarta-feira (17) o depoimento de Paulo Roberto Costa na CPMI.

 

O pior talvez apareça na próxima edição

Caso da reportagem sobre “delação premiada” (veja AQUI), que virou reportagem da revista “Veja”, pode não ter sido o pior.

O pior ainda pode estar por vir.

Com vários dias prestando depoimento à Polícia Federal, o ex-diretor da Petrobras Paulo Roberto Costa entrou em minudências.

Essas minudências, é muito provável, estejam no “alforje” da revista, como é comum ela fazer.

Não costuma despejar tudo de uma vez.

Aguardemos a próxima edição.

Presidente de CPI pede cópia de depoimento sobre Petrobras

Do site do Senado

O presidente da CPI Mista da Petrobras, Vital do Rêgo Júnior (PMDB-PB), já solicitou à Justiça Federal do Paraná, cópia dos depoimentos do ex-diretor da Petrobras Paulo Roberto Costa, que teria citado nomes de políticos que, segundo ele, receberam recursos de contatos da Petrobras com fornecedoras.

A convocação de Paulo Roberto já foi aprovada pela comissão.

O senador José Agripino (DEM) defende o depoimento de Paulo Roberto só depois após a delação premiada.

Vital do Rego tem a mesma opinião.

Henrique nega envolvimento e alerta para manipulação

O presidente da Câmara dos Deputados e candidato a governador pela Coligação União para a Mudança, Henrique Eduardo Alves (PMDB), se pronunciou sobre envolvimento de seu nome em escândalo – mais um – envolvendo Governo Dilma Rousseff (PT) e a Petrobras.

Depoimento do ex-diretor da Petrobras, Paulo Roberto Costa, o envolveria (veja AQUI).

Leia nota na íntegra abaixo:

Nunca pedi nem recebi quaisquer recursos por meio do senhor Paulo Roberto Costa. As insinuações publicadas pela revista Veja, de forma genérica e sem apresentar evidências sobre o meu nome, não podem ser tomadas como denúncia formal nem fundamentada.

Foram feitas em um processo de delação premiada, sem apresentação de provas. E delação premiada exige provas. Peço a todos que fiquem atentos à manipulação do episódio na campanha eleitoral, por candidatos sem respeito pela verdade dos fatos.

Henrique Eduardo Alves

A delação premiada e o linchamento moral antecipado

Detalhe sobre “delação premiada”: não basta apontar nomes; é preciso oferecer provas.

O depoimento do ex-diretor da Petrobras, Paulo Roberto Costa (veja AQUI), é extremamente importante.

Mas ele é base de investigação, um meio. Não é o fim.

Trancafiado, Paulo Roberto tem consciência de que recai sobre ele pesada carga de problemas e negocia para remissão de parte dos pecados.

Delatar, ou seja, alcaguetar, parece algo feio e costuma ser um “delito” punido com severidade no submundo.

Para a sociedade-contribuinte, nesse caso, é um instrumento capaz de clarear um universo muito obscuro – o porão da maior transnacional brasileira.

A Petrobras funciona como se fosse um Estado dentro do Estado ou descolada do Estado. Tudo é gigantesco nela. A corrupção, também.

A delação premiada é um benefício legal concedida a um criminoso que aceite colaborar na investigação ou entregar seus companheiros.

Mas só abrir o bico não basta. Precisa se formar um cabedal de provas endossando o que é denunciado. A Justiça, em muitas situações, tem rechaçado pedidos dessa natureza e desconsiderado “certezas” denunciativas.

Caberá ao Ministério Público Federal (MPE) a condução do caso, oferecendo denúncia. Muitos dos denunciados terão foro privilegiado, ou seja, serão julgados no âmbito do Supremo Tribunal Federal (STF).

Ao final, talvez tenhamos alguns culpados, certamente inocentes.

Hoje, o juízo de valor de boa parte da sociedade é que todos são culpados. Existe uma sentença prolatada em cada cabeça.

Difícil sustentar certas reputações, até porque mais do que justiça, muitos querem mesmo o linchamento moral, para rápido resultado “político-eleitoral”.

Enfim, todo cuidado é pouco no tratamento da notícia. O que não é fácil, reconheçamos.

A Petrobras “deles” precisa ser devolvida ao povo do Brasil

O caso que trato por “Propinobras” (propina na Petrobras) é outro exemplo típico do “imponderável de almeida”, diria o grande dramaturgo brasileiro Nelson Rodrigues. Mas a delação do ex-diretor da Petrobras Paulo Roberto Costa (veja AQUI), nem deveria nos surpreender.

Essa expressão criada por Rodrigues define o inesperado, o que estaria fora do ‘script’, surgindo do nada e alterando história e destinos. Pode ter esse peso no processo eleitoral presidencial e em vários estados.

A Petrobras já foi “nossa”, ufanisticamente. Há muitos anos a Petrobras passou a ser “deles”, ocupada, aparelhada, manipulada, vilipendiada, surrupiada, expropriada, sugada, ROUBADA.

Até para nomeação de cargos nos estados, como no RN, o critério é politiqueiro.

Gente que não sabe diferença entre óleo e água virou diretor. É o caso de Luiz Antônio Pereira (veja AQUI), irmão de Emanoel Pereira, ministro do Tribunal Superior do Trabalho (TST). Antônio, conhecido na “Base” de Mossoró pelo nefasto apelido de “O monstro”, é um bacharel de direito de desempenho acadêmico sofrível que virou diretor geral da Petrobras na região de Mossoró durante a era PT/Lula/Dilma.

Saiu na marra, mas arranjaram um cargo compensatório para ele em Natal. Os mesmos amigos de sempre, os mesmos figurões influentes de sempre.

Sigo abastecendo meu transporte na rede BR, porque confio. Mas os “donos” da Petrobras vão continuar assaltando o que é nosso até quando?

Estado democrático de direito é incompatível com muitas figuras ‘republicanas’.

Como não são banidos, seguem imunes e impunes até outro escândalo.

A Petrobras precisa ser devolvida ao povo do Brasil.

Ex-diretor ‘entrega’ de aliados de Dilma a Eduardo Campos

Do Congresso em Foco

A edição da revista Veja que começou a circular neste sábado traz a relação de políticos (confira abaixo) que, segundo a semanal, foram apontados pelo ex-diretor da Petrobras Paulo Roberto Costa como beneficiários de um esquema de corrupção na estatal operado por ele em sua passagem pela diretoria de Abastecimento, entre 2004 e 2012.

Os nomes remetem a aliados das duas candidatas que lideram as pesquisas eleitorais para a Presidência da República, Dilma Rousseff (PT) e Marina Silva (PSB).

Dilma, em 2011, visita plataforma no RJ; às suas costas, o delator Paulo Roberto põe o próprio autófrafo (Foto: (Roberto Stuckerr Filho)

A relação dos citados pelo ex-executivo vai dos atuais presidentes da Câmara, Henrique Eduardo Alves (PMDB-RN), e do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL) – dois dos principais aliados de Dilma no Congresso – até o ex-governador de Pernambuco Eduardo Campos (PSB), morto em um desastre aéreo no último dia 13 e de quem Marina era candidata a vice-presidente. A participação de cada um dos mencionados ainda será objeto de investigação.

Nos depoimentos que prestou até agora à Justiça, por meio da chamada delação premiada – acordo que prevê a redução da pena do acusado em caso de colaboração efetiva com as investigações –, Paulo Roberto apontou o envolvimento dos seguintes políticos no desvio de dinheiro público da estatal:

Edison Lobão (PMDB) – ministro das Minas e Energia

João Vaccari Neto (PT) – secretário nacional de finanças do partido

Henrique Eduardo Alves (PMDB-RN), presidente da Câmara

Renan Calheiros (PMDB-AL), presidente do Senado

Ciro Nogueira (PP-PI), senador e presidente nacional do partido

Romero Jucá (PMDB-RR), senador e ex-líder dos governos FHC, Lula e Dilma

Cândido Vaccarezza (PT-SP), deputado federal

João Pizzolatti (PP-SC), deputado federal

Mario Negromonte (PP), ex-ministro das Cidades, ex-deputado e atual conselheiro do TCM-BA

Sergio Cabral (PMDB), ex-governador do Rio de Janeiro

Roseana Sarney (PMDB), governadora do Maranhão

Eduardo Campos (PSB), ex-governador de Pernambuco e ex-candidato à Presidência, morto no dia 13 de agosto em um desastre aéreo

Segundo a revista Veja, Paulo Roberto entregou, ao todo, os nomes de três governadores (considerando-se aí a atual governadora Roseana Sarney e os ex-governadores Sergio Cabral e Eduardo Campos), um ministro (Edison Lobão), um ex-ministro (Mário Negromonte), seis senadores e 25 deputados, além do secretário de finanças do PT.

Pasadena

O ex-diretor da Petrobras também confirma que houve pagamento de propina no negócio que resultou na polêmica compra da refinaria de Pasadena, nos Estados Unidos. O prejuízo bilionário para a empresa brasileira com a compra da unidade norte-americana motivou a instalação da CPI da Petrobras.

O esquema partia de grandes empresas – a maior citada por ele é a Camargo Corrêa – que, para fechar contratos milionários com a Petrobras, transferiam parte do lucro a funcionários da estatal, a partidos da base do governo e a políticos. Estes, antes de receber, tinham o dinheiro lavado por doleiros.

Revista usa fundo vermelho na capa, a exemplo do que fizera em edição com depoimento de Marcos Valério sobre o mensalão em 2012

De acordo com Paulo Roberto, relata Veja, algumas das maiores empreiteiras do país, como a Camargo Corrêa, participavam do esquema. Segundo o ex-diretor contou, elas transferiam parte do lucro a funcionários da estatal, a partidos e políticos da base aliada para fechar contratos milionários com a Petrobras. Antes de chegar ao destino final, o dinheiro era lavado por doleiro, diz a revista.

Os números dos envolvidos pelo ex-diretor no esquema operado e, agora, delatado por ele variam conforme a apuração. Segundo o jornal O Estado de S. Paulo, Paulo Roberto disse que 32 parlamentares, um governador e cinco partidos políticos recebiam 3% de comissão sobre o valor de cada contrato da estatal no período em que ele comandava a diretoria de Abastecimento.

Único nome mencionado

único nome mencionado na reportagem do Estadão é o do presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL).

De acordo com a Folha de S. Paulo, 61 congressistas e pelo menos um governador receberam dinheiro desviado da empresa. A  exemplo de Veja, a Folha cita o envolvimento direto de três partidos da base de Dilma: PT, PMDB e PP.

Por envolverem parlamentares e ministro de Estado, os depoimentos serão remetidos ao Supremo Tribunal Federal (STF), responsável por andar andamento e julgar processos contra autoridades federais. Réu em duas ações penais – uma sobre ocultação e destruição de documentos e outra sobre corrupção –, o ex-diretor da Petrobras aceitou a delação premiada para escapar de uma pena que poderia chegar a 50 anos.

Um dos principais alvos da Operação Lava Jato, da Polícia Federal, Paulo Roberto é acusado de ter recebido propina e de participar de um esquema de lavagem de dinheiro e evasão de divisas que teria movimentado cerca de R$ 10 bilhões.

Ele está preso em Curitiba, mas, pelo acordo firmado, deverá ser posto em liberdade com uma tornozeleira assim que concluir a série de depoimentos.

Veja matéria completa e outras correlatas clicando AQUI.

Ex-diretor entrega 32 parlamentares e um governador

Paulo Roberto abriu o "bocão" (Foto: Steferson Faria / Petrobras,Divulgação)
Paulo Roberto abriu o "bocão" (Foto: Steferson Faria / Petrobras,Divulgação)

Do jornal Zero Hora e O Estado de São Paulo

O ex-diretor de Abastecimento da Petrobras, Paulo Roberto Costa, delatou pelo menos 32 deputados e senadores e um governador em depoimento à Polícia Federal nesta sexta-feira. Eles receberiam 3% de comissão do valor de cada contrato firmado pela Petrobrás durante a sua gestão. As informações são do jornal O Estado de São Paulo.

O ex-diretor relatou a formação de um cartel de empreiteiras dentro da Petrobrás. Segundo ele, cinco partidos políticos eram beneficiários de recursos desviados por meio de comissões em contratos arranjados.

Ainda de acordo com Costa, os desvios nos contratos envolveriam desde funcionários do terceiro escalão até a cúpula da empresa, durante sua gestão – entre 2004 e 2012.

Mais gente

Como os políticos tem foro privilegiado, os depoimentos serão remetidos para a Procuradoria Geral da República, que só irá receber a documentação ao final do processo de delação.

Paulo Roberto está prestando depoimento em regime de delação premiada para obter perdão judicial.

O número de políticos mencionados ainda pode aumentar até o final do processo, que começou no dia 29 de agosto.

Ele é réu da Operação Lava-Jato que desmantelou um esquema de lavagem de dinheiro e corrupção na Petrobras.

 

Assessor de Garibaldi pede exoneração após escândalo

O jornalista José Wilder, amigo de longas datas do senador licenciado e ministro da Previdência Social, Garibaldi Filho (PMDB), pediu exoneração do cargo que detinha em sua equipe ministerial.

Segundo foi noticiado hoje à noite pelo Jornal Nacional, da Rede Globo de Televisão, Wilder justificou a decisão, para evitar qualquer relação de prejuízo à imagem do ministro.

Afirmou, em justificativa, lida pelo âncora William Bonner, que “sai para se defender e afastar Garibaldi de qualquer ilação indevida”.

Petrobras

Assessor especial de Garibaldi Filho, com passagem também por assessoria no Senado e no Governo do Estado, Wilder entrou no redemoinho dos escândalos envolvendo a Petrobras.

A revista Veja, em recente reportagem, sob o título “O Clube dos Corruptos”, lista o jornalista e amigo desde a infância, de Garibaldi, como um dos beneficiários do doleiro Alberto Youssef e do ex-diretor da estatal, Paulo Roberto Costa.

Ambos foram presos por lavagem de dinheiro.

A Veja garante que José Wilder socou R$ 20 mil no bolso.