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Cultura nordestina perde a voz e o talento de Marcus Lucenna

Lucenna tinha longa trajetória na defesa das tradições nordestinas (Foto: Reprodução)
Lucenna tinha longa trajetória na defesa das tradições nordestinas (Foto: Reprodução)

Cantor, compositor, radialista, poeta e músico por profissão, o mossoroense Marcus Lucenna, 68, conhecido como “O Cantador dos Qu4tro Cantos”, pela sua trajetória no ramo artístico e andanças pelo Brasil, faleceu à noite desta quinta-feira (05), no Rio de Janeiro (RJ), onde residia desde os anos 70. As primeiras informações apontam que sofreu uma parada cardíaca. Casado, pai de cinco filhos, Lucenna será velado e sepultado no RJ.

Com atividade artística diversificada e militância pela cultura nordestina sendo pontos fortes de sua trajetória, Marcus Lucenna era cidadão fluminense e cidadão carioca.

Natural da cidade de Mossoró, no Rio Grande do Norte, adquiriu gosto pela música por influência do pai, que, além de radialista, era poeta, repentista e cordelista. E também do seu “heroivô”, como costuma chamar seu avô, com quem ouviu, em um showmício na cidade natal, em 1968, “Asa Branca” pela primeira vez. A música vinha diretamente da voz daquele que viria ser a sua principal inspiração: Luiz Gonzaga do Nascimento, o Rei do Baião.

Chegada ao RJ

Em 1977, aos 16 anos, desembarcou no Rio de Janeiro com o sonho de fazer carreira na vida artística. Além de Luiz Gonzaga, sua inspiração vinha dos cantadores-repentistas, dos emboladores de coco, dos cordelistas e de nomes como Jackson do Pandeiro, Raul Seixas, Belchior, Fagner, Ednardo, no Brasil, e Bob Dylan, Charles Aznavour etc., no exterior.

Começou cantando no calçadão de Copacabana, onde com seu carisma e qualidade musical encantou cariocas e turistas. Ali conheceu gente influente do meio musical e da sociedade carioca. Entre eles, os atores e cantores Mário Lago e Zezé Mota, Zé do Norte – o autor de “Mulher Rendeira”, trilha do filme O Cangaceiro, premiado em Cannes – e Jaguar, editor dO Pasquim, jornal que lhe prestou os primeiros louros da carreira.

O primeiro LP (Cantolínia Psicordélica) veio em 1989, pela Polygram, uma das maiores gravadoras do mundo à época. O álbum foi gravado na companhia de grande artistas da MPB, como Joca de Natal, Zé Américo e Severo do Acordeon. O disco foi o pontapé inicial para uma produção fonográfica que envolve 4 vinis e 11 CDs.

Parcerias

Embora se considere um artista um tanto solitário, acumula na carreira diversas parcerias importantes. Musicou letras ou teve poemas musicados por nomes como Luiz Vieira, Mirabô, Capinam, Mario Lago Filho, Maria Rio Branco, Vicente Telles, Zé Lima, Roque da Paraíba, Edson Show, Chico Pessoa e Zé do Norte.

Marcus Lucenna dividiu o palco com diversos artistas como Fagner, Elba Ramalho, Ednardo, Geraldo Azevedo e Tânia Alves.

Mas além da trajetória musical, Marcus Lucenna se destacou pelo engajamento em ações que valorizavam e davam visibilidade ao seu ofício – a música e a poesia – e a cultura popular.

Na mídia

No rádio, dirigiu e apresentou os primeiros programas regulares de forró em horário nobre no Rio, em emissoras como Imprensa FM e Tropical FM. Também esteve à frente dos programa “Nação Nordeste”, na Rádio Viva Rio, do Sistema Globo, e “Marcus Lucenna – a Voz do Povo”, na Rádio Carioca AM. Na TV, dirigiu, produziu e apresentou “Marcus Lucenna De Repente”, programa da NGT (canal 17 da NET). E em jornal, assinou a coluna “Canto do Povo Nordestino”, do Povo do Rio, e fundou o “Nação Nordeste”.

Também esteve “do outro lado do balcão”, como entrevistado e artista convidado em importantes programas televisivos, como Jô Soares e Domingão do Faustão, da TV Globo.

Artista multifacetado, Marcus Lucenna morada há décadas no RJ (Foto: Reprodução)
Artista multifacetado, Marcus Lucenna morada há décadas no RJ (Foto: Reprodução)

Feira de São Cristovão

Idealizador de projetos de valorização da cultura popular e em defesa das causas do migrante nordestino, ocupou por 6 anos o cargo de gestor do Centro Municipal Luiz Gonzaga de Tradições Nordestinas, a famosa feira de São Cristóvão, no Rio de Janeiro. Não só impediu que a Feira fosse retirada do bairro por força da especulação imobiliária, como liderou o movimento que a levou para dentro do Pavilhão de São Cristóvão, onde está localizada até hoje.

Amante das letras, principalmente das manifestações literárias nordestinas, Marcus Lucenna ocupa a cadeira número 7 da Academia Brasileira de Literatura de Cordel (ABLC). Morador do bairro do Flamengo, no Rio, foi condecorado com os títulos de Cidadão Fluminense, pela Assembléia Legislativa, e Cidadão Carioca, pela Câmara de Vereadores.

Nota do Blog – Descanse em paz, poeta.

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Morre em Natal o poeta Paulo de Tarso Correia de Melo

Paulo de Tarso Correia de Melo: um adeus que não queríamos (Foto: IHGRN/Arquivo)
Paulo de Tarso Correia de Melo: um adeus que não queríamos (Foto: IHGRN/Arquivo)

A cultura e a inteligência potiguar estão mais pobres. Morreu nessa terça-feira (21), o escritor, poeta e professor natalense Paulo de Tarso Correia de Melo, 81. Estava internado com problemas renais, na Casa de Saúde São Lucas, em Natal, vindo a óbito na madrugada de hoje.

Sócio efetivo do Instituto Histórico e Geográfico do RN (IHGRN), ocupou a cadeira nº 175, cujo patrono é Newton Navarro Bilro. Também fazia parte da Academia Norte‑Rio‑Grandense de Letras (ANRL), ocupando a cadeira 21, doo patrono Padre João Maria.

Pedagogo de formação, lecionou durante mais de trinta anos no Departamento de Educação da Universidade Federal do RN (UFRN), de onde era professor aposentado.

Tido como um grande expoente da poesia potiguar, publicou dezenas de livros de poesia, entre o erudito e o popular.

Desde jovem integrou um seleto grupo de intelectuais da cidade, compondo obras que o tornaram um nome significativo da nossa literatura escrita.

Abaixo, um exemplar de seu verbo, que o BCS publicou dia 14 de março de 2012, há mais de 13 anos (veja AQUI):

Rocas-Quintas

Vive no subúrbio, a moradia

alugada, o trabalho extraordinário,

o ônibus, o dia a dia

e a aventura do crediário.

A novela-poesia

ao alcance do salário.

A televisão-fantasia

e a mágica do mobiliário.

Restos de infância e graça:

cinema de bairro, carrossel na praça

e o mar, quatro festa do ano.

Mas o corpo é belo e passa:

frágil alvenaria, perecível massa.

Hoje te amo.

Nota do BCS – Conheci Paulo pelas mãos generosas dos escritores David Leite e Clauder Arcanjo. Lembranças de sua presença no lançamento do meu segundo livro em Natal, em 2011.

Vá em paz, meu caro.

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Poesia popular nordestina fica órfão do talento e luta de “Zé Teles”

Zé Teles tinha 74 anos e sofria de câncer Foto: cedida)
Zé Teles tinha 74 anos e sofria de câncer Foto: cedida)

“Não chove no Maranhão,
Rio Grande e Ceará;
Tanta seca no Nordeste,
Tanta chuva no Pará,
Se Deus dividisse as águas
Dava pra nós e pra lá…”

Zé Teles

A arte popular nordestina perdeu um de seus braços fortes. Partiu o poeta repentista e promotor de cantorias José Teles de Almeida, 74, o “Zé Teles.”

Ele faleceu na segunda-feira (01) em Mossoró, vítima de câncer. Seu velório ocorreu no templo da Assembleia de Deus no bairro Santo Antônio, em Mossoró, com sepultamento nessa terça-feira (02).

Natural de Alexandria no Oeste do RN, Zé Teles residia à Rua Juvenal Lamartine, 1676, em Mossoró, onde promovia muitas cantorias ao lado de repentistas de vários estados.

Foi mestre de obras por profissão, associado da Casa do Cantador do Oeste Potiguar, pai de duas filhas e casado com Zoraide Maniçoba.

Sempre muito receptivo e bem relacionado, com sua arte contribuiu de forma expressiva para manter vivo a poesia e o repente, expressões da cultura nordestina.

“Fica uma saudade desse cidadão e poeta que sempre promoveu nossa cultura com amor e dedicação,” exalta Aldaci de França, poeta, professor e coordenador do Festival de Repentistas do Nordeste há mais de 20 anos, em Mossoró.

Nota do Blog – Descanse em paz, poeta.

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Para lembrar Zé Lima, a poesia de Lalauzinho de Lalau

Lalauzinho de Lalau, poeta, radialista e locutor de eventos esportivos ligados ao campo, homenageia o também poeta, compositor e cantor José Ivan de Lima, 67, o “Zé Lima”, falecido nessa sexta-feira (07).”

E o faz, com poesia, claro.

Hoje a morte levou Zé
Poeta humilde e pacato!
Era um apresentador,
Era um cordelista nato!
Um cantador natural,
A sua terra natal
Era, Santana do Mato.

Zé Lima era um porta-voz
Das festas de cantoria!
Levou coisas do sertão,
Onde ninguém conhecia!
Ganhou vários festivais
Com canções boas demais;
Mas, que pena chegou seu dia.

E a viola companheira,
Triste com o seu violão!
Mar de Lama, Forró bom,
Também a Flor do Algodão!
Vem Morena e Cerrado;
São canções que eu tenho lembrado
Da sua composição.

Adeus amigo Zé Lima,
Vejam a vida como é!
Meus sentimentos a família,
Que lhes conforte na fé!
Hoje só resta a saudade;
Partiu pra eternidade,
Hoje a morte levou Zé.

Não sabemos quando vamos,
Só Jesus de Nazaré!
E o poeta quando morre,
Morre sabendo quem é!
Isso é a coisa mais certa;
Um poeta, vai ser sempre um poeta,
Adeus, meu amigo Zé.

Leia tambémMorre em Mossoró o poeta, compositor e cantor Zé Lima

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“As Aventuras de Marcus Lucenna na Corte do Rei Luiz”

Artista é de origem mossoroense (Foto: divulgação)
Artista é de origem mossoroense (Foto: divulgação)

O cantor, poeta e escritor mossoroense Marcus Lucenna está em sua terra natal e lançará no próximo dia 08 de fevereiro, às 10h no espaço Rustcafé a segunda edição do seu livro “As Aventuras de Marcus Lucenna na Corte do Rei Luiz”, pela editora cearense IMEPH.

A primeira edição da obra esgotou rapidamente e a nova tiragem promete encantar o leitor com novidades em relação à edição anterior que já foi lançada na Bienal do Livro de São Paulo e no Rio de Janeiro durante as comemorações alusivas ao Dia Nacional do Forró e aniversário de Gonzagão (13 de dezembro), na Feira de São Cristóvão.

“O livro retrata a trajetória de alguém que se apaixonou por forró, por isso costuma dizer: ‘A sanfona deu um nó em mim, quando eu ainda era um garotinho, lá na minha Mossoró-RN’. Esse nó que a Sanfona me deu, me fez o Cantador dos Quatro Cantos, um defensor ferrenho da Cultura Nordestina, do Forró, da Literatura de Cordel e da Feira de São Cristóvão. Ao chegar no Rio de Janeiro, tive a sorte e o privilégio de conviver com meus grandes ídolos, como o próprio Luiz Gonzaga, João do Vale, Marinês, Carmélia Alves, Luiz Wanderley, Fagner, Belchior, Ednardo, Jackson do Pandeiro, dentre tantos outros”, relata Marcus.

“É uma obra que descreve a história da música nordestina nos últimos 100 anos, seguindo as peripécias do protagonista em sua jornada épica pela Corte do Rei do Baião, Luiz Gonzaga, durante metade dessa história. Quanto a outra metade, ela é narrada à partir das histórias ouvidas por mim diretamente dos grandes mestres da música nordestina, com os quais convivi”, complementa.

Marcus é cantor, compositor e escritor conhecido por vasta obra na literatura de cordel, tendo também publicado o livro “A sociedade planetária mundo natural e a competitividade fraterna”, pela Editora Europa. Apresentou programas de rádio e TV e assinou colunas em jornais de grande circulação. É cidadão carioca, cidadão fluminense e cidadão exuense, títulos recebidos dessas três casas legislativas pelo seu empenho na defesa da Cultura Nordestina.

Homenagem

O Clube do Vinil Mossoró, organizador do evento, também entregará, na ocasião, a segunda edição da Comenda do Mérito Musical Hermelinda Lopes, instituída no ano passado e já entregue ao músico mossoroense Lázaro Carvalho Batista (AMAB). Marcus fará um bate-papo sobre a sua trajetória artística e sobre a obra.

Obrigado, caros acadêmicos

Por Aldaci de França

Aldaci de França agradece escolha ao alado de membros da Amil (Foto: cedida)
Aldaci de França agradece escolha ao alado de membros da Amol (Foto: cedida)

Nesse 20 de novembro de 2024 ocorreu mais uma eleição na Academia Mossoroense de Letras (AMOL). Pleito escolheu através do voto direto um acadêmico para ocupar a cadeira 36, antes preenchida pelo intelectual, jornalista e imortal Canindé Queiroz.

Me inscrevi para concorrer no certame em que outras pessoas identificadas com a literatura manifestaram o mesmo desejo, mas desistiram de providenciar as suas inscrições, ou seja, tornei-me candidato único. E como tal, fiquei entusiasmado e apostando numa possível eleição.

Porém, nunca e jamais pensei que o meu nome como homem de cultura (atuante na poesia escrita e na poesia oral, através do difícil ofício de fazer repente) fosse tão expressamente reconhecido pelos que fazem a Amol.

É fato que, concluída a apuração dos votos, constatou-se que de 20 votantes, 19 sufragaram o meu nome, havendo somente uma abstenção, ou seja, faltou pouco para a unanimidade.

Confesso, que com tal resultado fiquei surpreso, e, ao mesmo tempo, consciente do peso da responsabilidade que passo a ter em corresponder às expectavas dos (as) que me elegeram acadêmico.

Indubitavelmente, a referida Academia é o ponto mais alto da nossa literatura, tendo em vista a qualificação cultural dos seus membros atuais e dos que já por essa instituição passaram e deixaram seu legado literário e cultural.

Daqui para a frente, cabe a mim entrar no ritmo desses intelectuais, aprender com eles e também colaborar para o crescimento cultural da Amol. Ao mesmo tempo, defender os valores culturais de nossa civilização, haja vista a importância dessa identidade.

Diante do exposto, manifesto minha GRATIDÃO aos integrantes da Amol, palavra que sintetiza e diz melhor o que sinto.

Aldaci de França é poeta repentista, escritor, cordelista e coordenador do Festival de Repentistas do Nordeste no Mossoró Cidade Junina (MCJ)

“Um Inspirador Eternizado” lembra Zenóbio Oliveira

Luz! Câmera! Emoção. Está no ar o documentário “Zenóbio Oliveira – Um Inspirador Eternizado.” Traz a história e trajetória de Zenóbio Oliveira contada por familiares, amigos e colegas de profissão. Revela como ele se transformou numa referência para essa e futuras gerações, deixando o seu legado de sonhos, lutas, conquistas e ensinamentos.

Jornalista, poeta, escritor, cinegrafista, um professor da vida, Zenóbio Oliveira, o “Zenóbio das Aguilhadas”, numa referência à comunidade rural onde nasceu, em Governador Dix-sept Rosado, RN, foi também um mestre na tessitura de amizades. Cordial, generoso, humilde, sempre com disponibilidade para ensinar e aprender, Zenóbio fez do ofício jornalístico um apostolado marcado pelo talento.

O documentário com direção-geral e roteiro de Marcos de Jesus, Produção de Pollyana Mirtis, apoio de Aline Cristiane e Lídia Cristina, além de imagem e edição de Pedro Bill, faz parte do Prêmio Zenóbio Francisco de Souza Oliveira, através do Edital nº 001/2023, da Prefeitura Municipal de Governador Dix-sept Rosado, que fomenta apoio ao audiovisual, com recursos da Lei Paulo Gustavo.

Zenóbio Oliveira faleceu dia 12 de julho de 2023. Estava começando suas atividades normais na área de Comunicação da Universidade do Estado do RN (UERN), quando sofreu infarto (veja AQUI).

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Linhas póstumas

Por Marcos Ferreira

Paulino Duarte Morais, o "Paulo Doido", faleceu no último dia 22 (Foto: redes sociais)
Paulino Duarte Morais, o “Paulo Doido”, faleceu no último dia 08 (Foto: redes sociais)

Tenho para mim que o nosso poeta Aluísio Barros já disse tudo de prosaico e honroso. Refiro-me a uma merecida e bonita homenagem ao senhor Paulino Duarte Morais, que Mossoró conhecia (continuará a conhecer) pela notória alcunha de Paulo Doido. É isso mesmo. Acredito que Aluísio escreveu uma bela página em memória de Paulo. O texto foi publicado, se não me engano, no Facebook.

Paulo, cuja natureza de loucura sempre me pareceu um misto de urbanidade, inocência e pacatez, deixa um vazio irremediável. Pois, em relação a um louco deveras autêntico e benquisto, estamos gravemente desfalcados.

Duvido que exista ou tenha existido outro como ele. Claro que não conheço a história de Mossoró como, por exemplo, Marcos Pinto, Rocha Neto, Bruno Ernesto ou Odemirton Filho. No meu ponto de vista, portanto, nunca tivemos um doido oficial do calibre e estima do já saudoso Paulino Duarte Morais.

Ao contrário de mim, ressalto, Paulo era um doido legítimo. De tão liberto, de tão expansivo em suas doidices inofensivas, nem sei dizer se tomava remédios, se frequentava algum alienista deste mundo louco em que vivemos. Talvez o Dr. Roncalli Guimaraes, profissional do ramo, saiba alguma coisa a esse respeito. Mas acho que não. Paulo não tinha jeito de quem fazia uso de psicotrópicos.

Era livre, estável e feliz com sua loucura andarilha. O Centro de Mossoró, sobretudo, apesar dos esforços do prefeito Alysson Bezerra, que tem caprichado na ornamentação junina, agora está um negócio meio morto.

Por acaso, mexendo ontem em textos mais antigos, descobri que em 2021, precisamente no dia 4 de julho, foi publicada aqui no Blog Carlos Santos uma crônica minha intitulada “O portão”. Nesse ensejo, de relance, faço uma breve referência a Paulo Doido. Foi a primeira e única vez, salvo engano, que escrevi algo sobre o personagem em destaque. Agora, com atraso, vêm estas linhas póstumas.

E agora? O que será de Mossoró e de sua fria sanidade sem a loucura mansa e risonha de Paulo Doido? Não quero nem imaginar.

Marcos Ferreira é escritor

Leia também: Após vários dias intubado “Paulo Doido” morre no Tarcísio Maia.

Ficar em casa

Por Carlos Drummond de Andrade

O poeta/contista/cronista em seu apartamento em 1980 (Foto: Rogério Reis)
O poeta/contista/cronista em seu apartamento em 1980 (Foto: Rogério Reis)

Passar quatro dias e quatro noites em casa vendo o carnaval passar; ou não vendo nem isso, mas entregue a uma outra e cifrada folia, que nesta quarta-feira de cinzas abre suas pétalas de cansaço, como se também tivéssemos pulado e berrado nos clubes.

Não ligar televisão, esquecer-se de rádio; deixar os locutores falando sozinhos, na ânsia de encher de discurso uma festa à base de movimento e de canto. Perceber apenas o grito trêmulo, trazido e levado pelo vento, de um samba que marca a realidade lúdica sem nos convidar à integração.

Beneficiar-se com a ausência de jornais, que prova a inexistência provisória do mundo como arquitetura de notícias.

Ter como companheiro o irmão gato Crispim, exemplo de abstenção sem sacrifício, manual de silêncio e sabedoria, aventureiro que experimentou a vertigem da luta livre nos telhados e homologa a invenção da poltrona.

Penetrar no vazio do tempo sem obrigações, como num parque fechado, aproveitando a ausência de guardas, e descobrindo nele tudo que as tabuletas omitem.

Aceitar a solidão; escolhê-la; desfrutá-la. Sorrir dos psiquiatras que falam em alienação do mundo e recomendam a terapêutica de grupo. Estimar a pausa como um valor musical, o intervalo, o hiato. O instante em que a agulha fere o disco sem despertar ainda qualquer som.

Andar de um quarto para outro, sem ser à procura de objetos: achando-os. Descobrir, sem mescalina, as cores que a core esconde; os timbres entrelaçados nos ruídos.

Olhar as paredes, ou melhor: olhar as paredes, em torno dos quadros.

Sentir a casa com um todo e como partículas densas, tensas, expectantes, acostumadas a viver sem nós, à nossa revelia, contra o nosso desdém.

Habitar realmente a casa, quatro dias: como ilha, fortaleza, continente: infinito no finito.

Reconsiderar os livros; arrumá-los primeiro com método, depois com voluptuosidade, fazendo com que cada prateleira exija o maior tempo possível; verificar que é preciso antes tirar a poeira de um, remover a boba capa de celofane que envolve a encadernação de outro.

Reler dedicatórias; abrir ao acaso os livros de poetas que preferimos e que infelizmente não são os mais modernos nem os mais célebres; copiar meia estrofe por onde corre um arrepio verbal; separar volumes que não nos falam mais nada e que devem tentar seu destino em outras casas.

Sentir chegada a hora dos álbuns de pintura com pouco ou nenhum texto, e dos volumes iconográficos que nos contam Paris ou a vida de Mallarmé.

Viajar em fotografias; sentir-se imagem flutuando entre imagens; a terra domesticada em figura, tornada familiar sem perda de sua essência enigmática. Reconhecer que muitos livros comprados a duras penas, pedidos ao estrangeiro ou longamente minerados nos sebos, não têm mais do que essa oportunidade de comunicação durante o ano; deixar que fiquem a sós conosco e nos confiem seu segredo.

Admitir a fome, sem exigência de horário, e matá-la com o que houver à mão; renunciar à ideia de almoço e jantar, em reverência ao sagrado direito que assiste a todos, inclusive e principalmente às cozinheiras, de brincarem o seu carnaval, achar mais gosto nessa comida, porque não é a regulamentar nem é seguida de nada: todas as obrigações estão suspensas, e só valem as que soubermos traçar a nós mesmos.

Descortinar na preguiça um espaço incomensurável, onde cabe tudo; mas não enchê-lo demais, devassá-lo à maneira de um explorador que não quer ser muito rico e sente tanto prazer em descobrir como em procurar.

Assim vosso cronista passou o carnaval: sem fugir, sem brincar, divertido em seu canto umbroso.

Carlos Drummond de Andrade (1902-1987) foi poeta, farmacêutico, contista e cronista brasileiro

*Texto originalmente publicado em 3 de março de 1960 no jornal Correio da Manhã do RJ.

Chegou a hora de ir embora

Lalauzinho tem história de 20 anos na emissora (Foto: redes sociais)
Lalauzinho tem história de 20 anos na emissora (Foto: redes sociais)

A Rede Potiguar de Comunicação (RPC), ex-Tapuyo de Mossoró, segue atrofiando.

Após a saída gradativa de alguns nomes que eram cara e voz, da emissora, chegou a vez do radialista e poeta Lalauzinho de Lalau.

Ele deixa mensagem em suas redes sociais nesta quinta-feira (7), em que anuncia o fim de um ciclo, na emissora.

História de quase 20 anos no prefixo, salienta.

Nota do BCS – Sucesso, meu caro. Em prosa, em verso, na vida.

*Veja AQUI vídeo de despedida de Lalauzinho, em forma de poesia, logicamente. Uma belezura.

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“O torto andar do outro” chega ao Municipal em dois espetáculos

O torto andar do outro da Cia. Pão Doce de Teatro de Mossoró 15-14 de Agosto de 2023 no Teatro Municipal Dix-huit RosadoA Cia. Pão Doce de Teatro de Mossoró apresenta nessa terça-feira (15), no Teatro Municipal Dix Huit Rosado, o espetáculo “O Torto Andar do Outro”. É baseado no cordel “Um conto bem contado” do poeta e cordelista Antônio Francisco.

A apresentação faz parte da 17ª Mostra Sesc de Arte e Cultura, que acontecerá entre os dias 15 e 20 de Agosto, com uma ampla programação gratuita. Será apresentado em duas sessões: às 14h para o público de escolas públicas e privadas e às 20h para o público em geral.

A entrada será mediante a doação de 1kg de alimento, que será doado para o projeto Mesa Brasil.

“O Torto Andar do Outro”, que estreou em 2018, conta a história de uma cidade existente dentro de uma cuia pendurada num galho de jatobá, onde todos andam para  o  lado. Quando  surge  uma  criança  que  anda  para frente, ela passa a ser perseguida pelo rei e sua corte.

Tem a direção compartilhada da Cia. Pão Doce juntamente com Marcos Leonardo, que também assina figurino e cenografia.  Texto e música são de Romero Oliveira.

No elenco Lígia Kiss, Mônica Danuta, Raull Davyson e o ator e músico convidado Diogo Rocha. A técnica e iluminação ficam com Paulo Lima e sonoplastia de Medson Rigne. A peça já esteve presente em alguns festivais nacionais do Circuito Sesc de Artes 2022.

Cia. Pão Doce

Desenvolvendo projetos na área de artes cênicas, música, audiovisual, dramaturgia e formações desde 2002, a Cia. Pão Doce de Teatro tem em sua história montagens de 11 espetáculos, circulações por 19 estados, entre mais de 130 cidades brasileiras. Participou dos principais Festivais de Teatro do país, grandes circulações a nível nacional, como “Palgo Giratório”, “Circuito SESC”, “Funarte Artes nas Ruas” e também pelas zonas rurais do município de Mossoró, com o “Pão Doce na Rural”.

Atualmente a Cia. mantém uma sede/espaço cultural, onde desenvolve ensaios, encontros, pesquisas, oficinas e atividades culturais no bairro Alto de São Manoel.

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literalmente gótico

Por Marcelo Alves

Da página terror under the bed
Da página Terror: under the bed

“O Castelo de Otranto” (“The Castle of Otranto”), de 1764, é convencionalmente considerado como o título fundador da denominada ficção gótica. O seu autor é Horace Walpole (1717-1797), escritor, político e aristocrata inglês, filho de Robert Walpole (1676-1745), 1º Conde de Oxford, considerado, também convencionalmente, como o primeiro Primeiro-Ministro da Grã-Bretanha. Curiosa família de “primeiros”.

É certo que “O Castelo de Otranto” possui as características que costumam ser apontadas como marcantes no gênero (literário) gótico. Segundo consta da minha edição do dito cujo (Oxford World’s Classics, Oxford University Press, 2008): “Primeiramente publicado pseudonimamente em 1764, The Castle of Otranto alegava ser uma tradução de uma estória italiana do tempo das cruzadas. Nele, Wolpole buscou, como ele declarou no prefácio da segunda edição, ‘misturar dois tipos de romance: o antigo e o moderno’.

Ele nos dá uma série de catástrofes, intervenções sobrenaturais, revelações de identidades e intrigas excitantes. Repleto de invenção, entretenimento, terror e sofrimento, o romance foi um imediato sucesso e tornou-se o favorito do próprio autor entre os seus numerosos trabalhos. Seu amigo, o poeta Thomas Gray, escreveu que ele e sua família, tendo lido Otranto, restaram doravante com medo, todas as noites, de ir para a cama”.

Hoje difícil de se ler, “O Castelo de Otranto” ganhou status de cult, sendo objeto de referências em outras paragens, como no caso do mui querido “O nome da rosa” (“Il nome della rosa”, 1980), de Umberto Eco (1932-2016), um romance que, embora perpassando outros gêneros da ficção (romance histórico, medieval, policial, sobre livros e por aí vai), é uma obra marcadamente “gótica”: a personagem Adelmo de Otranto, o primeiro frade morto na trama de Eco, é uma referência ao livro seminal de Walpole. E é fato: inseminado por “O Castelo de Otranto”, o romance gótico, com sua “sedutora mistura de bizarro e macabro”, com seus “castelos, caixões e claustrofobia”, com seus “segredos e vinganças”, ganhou o mundo, sendo adorado por muitíssimos leitores. Eu adoro! Registro.

Surfando na onda, dia desses até dei de cara com um artigo/lista da BBC Culture, intitulado “The eight best gothic books of all time”, por Freya Berry, que achei deveras interessante. E antes que vocês me indaguem o porquê desse número de “oito” melhores (confesso que achei bizarro), da lista vou destacar dois títulos: “Frankenstein” (1818), de Mary Shelley (1797-1851) e “A Sombra do Vento” (“La sombra del viento”, 2001), do espanhol Carlos Ruiz Zafón (1964-2020).

“Frankenstein” é provavelmente o clássico dos clássicos dos livros góticos. Nele, Victor Frankenstein cria um ser vivo em seu laboratório. Mas as coisas não saem como ele imaginava. E ele tem de lidar com as consequências. “Frankenstein” é tido também como pioneiro na ficção científica. Mas ele é muito mais do que isso. É sobretudo uma profunda discussão filosófica sobre ambição, criatividade, ciência, educação, paternidade, natureza, humanidade, vida e morte.

Já acerca de “A Sombra do Vento”, repito um trecho do artigo da BBC Culture: “Stephen King [e aqui temos um craque do jogo] disse sobre esta obra espanhola que, ‘se você pensou que o verdadeiro romance gótico morreu com o século 19, ela vai mudar sua opinião’. O best-seller mundial de Zafón de 2001 é de fato quase matematicamente gótico – segredos, castelos, belezas etéreas, bibliotecas perdidas e amor proibido – embora isso ainda não faça justiça a esta fantasia encantadora. Se você quer uma obra-prima na criação de uma atmosfera sombria, leia este livro, de preferência à luz de velas enquanto a noite tudo domina”. No mais, “A Sombra do Vento”, com o seu “Cemitério dos Livros Esquecidos”, é marcadamente um romance sobre livros. E isso é mais que uma maravilha!

De minha parte, acho difícil qualquer romance superar “O Nome da Rosa”, que é também uma estória sobre livros e o poder infinito, muitas vezes macabro, das palavras. O livro de Eco é ainda o meu romance preferido, o número 1 mesmo. Mas vou em busca da “Sombra do Vento”, cair para dentro dele, enterrar-me ali, no seu “Cemitério dos Livros Esquecidos”, já nos próximos dias. Quem sabe algo de ainda mais bizarro e maravilhoso não me acontece?

Marcelo Alves Dias de Souza é procurador Regional da República e doutor em Direito (PhD in Law) pelo King’s College London – KCL

Verbo sertanejo

Por Marcos Ferreira

Zenóbio Oliveira faleceu na última quarta-feira (Foto: cedida)
Zenóbio Oliveira faleceu na última quarta-feira (Foto: cedida)

Escrevi, talvez há três semanas, uma pequena crônica que intitulei de “Vida fugaz” (veja AQUI). Tratava, obviamente, sobre o quanto a nossa despedida deste plano terreno pode ser precoce e repentina. Ou seja, discorri acerca de algo que todo mundo está careca de saber. E por qual motivo (indagarão) volto a requentar esse tema? Retomo tal assunto porque na quarta-feira passada, como foi divulgado pela imprensa, perdemos mais um poeta relevante: o jornalista e cinegrafista Zenóbio Oliveira (veja AQUI).

Sim, a arte poética está de luto. Arrebatado por um infarto inapelável, o autor de Verbo sertanejo, seu primeiro e único livro de poesia, partiu e deixou por aqui um sem-número de admiradores e amigos. Pois, além de homem de letras e competente repórter cinematográfico, Zenóbio era uma figura humana das melhores, benquista em todos os segmentos sociais e profissionais por onde passou.

Pena que somente hoje estou repetindo o que é público e notório. Com o mesmo atraso com que outros indivíduos teceram justos e oportunos depoimentos sobre o profissional e vate das Aguilhadas. Temos (salvo pequenas exceções) essa lamentável tradição de só louvarmos, valorizarmos os nossos artistas depois que estes são chamados para o além-túmulo. Então, a exemplo de alguns, findei não dizendo ao sonetista de “Trajetória”, não ao menos com a merecida ênfase, quanto respeito e admiração eu tinha por sua pessoa e arte da escrita. Deixei isso para depois e depois.

É verdade que vez por outra me deparei com ele nas redes sociais, de maneira que nossa relação nunca foi próxima fisicamente. Melhor dizendo, jamais sentamos à mesa para um café e trocar umas ideias, bater um papo. Permito-me dizer, entretanto, que nutríamos um pelo outro, sobretudo enquanto sonetistas, gênero que Zenóbio Oliveira cultivava com rara mestria, uma estima recíproca.

Então, para desfalque de nossa literatura, perdemos o escritor de Verbo sertanejo. Era bom no que se propunha a realizar. Em especial na debulha do verso. Seus sonetos e sextilhas, entre outras formas versíficas, estão aí para comprovar o que digo e todos admitem. Sabia rimar e metrificar de verdade. Não era (aqui não aponto ninguém) autor de cordéis do pé-quebrado. Até qualquer dia, poeta!

Marcos Ferreira é escritor

Dia de despedida e nada mais

Vou fechando o dia em marcha lenta, produção mínima, ânimo pequeno.

Hoje, despedida de mais um amigo; algo que tem-se tornado frequente nos últimos anos.

Dessa vez, Zenóbio Oliveira (veja AQUI).

Cinegrafista, jornalista, poeta, figura de coração boníssimo…

Amanhã será um novo dia.

Espero.

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Clauder Arcanjo: leitor-escritor

Por Hildeberto Barbosa Filho

Parece já existir certa bibliografia em torno dos tempos pandêmicos. O confinamento em suas respectivas casas levou alguns escritores a pensar, refletir e escrever, a partir das circunstâncias singulares dessa tragédia que se abateu sobre o mundo e sobre a humanidade.

Clauder Arcanjo (Foto: arquivo)
Clauder Arcanjo (Foto: arquivo)

O isolamento, a solidão, o sentimento de exílio, associados ao medo e à ansiedade diante de tempos tão nublados, como que cria condições especiais para o ato de escrever, de escrever e de ler, numa voltagem mais intensa, sobretudo se pensarmos nos gêneros íntimos e testemunhais.

Ocorrem-me estas considerações porque tenho, diante de mim, o livro Confidências literárias (Mossoró, RN: Sarau das Letras, 2021), do escritor Clauder Arcanjo, no qual exercita um diálogo com alguns autores e autoras de suas “afinidades eletivas”, primando sempre pelo cuidado poético com a palavra.

Clarice Lispector, Beatriz Alcântara, Emily Dickinson, Walt Whitman, Hilda Hilst, Miguel de Cervantes, Eugênio de Andrade, Nicanor Parra, Ferreira Gullar, Fernando Pessoa, Cora Coralina, Cecília Meireles, Lília Souza, Adélia Prado, Carlos Drummond de Andrade, Mário Quintana, Manoel de Barros, Helena Kolody, Marcos Ferreira, Manuel Bandeira, Adélia Maria Woellner e Vinícius de Morares constituem o seleto elenco dos seus interlocutores.

Vê-se logo que Clauder Arcanjo mescla, em suas escolhas, poetas e prosadores, clássicos e modernos, consagrados e desconhecidos, sinalizando, assim, para a riqueza e a diversidade de seu olhar de leitor sensível à variedade dos métodos de produção literária e à particularidade de cada visão de mundo.

Na “Nota ao Leitor”, o autor assinala: “Lembro quando os escrevia, uns três por semana, à época em que estava ´confinado` em um hotel em Vitória (ES), lendo e escrevendo para não enlouquecer, em pleno início da pandemia”, e, num recado mais direto para o leitor, faz este apelo: “Que Confidências literárias o faça (re)visitar as obras dos autores e autoras que me acompanham ao longo da minha vida de leitor-escritor; e que você, assim como eu, sinta-se motivado a se confidenciar com eles (as). A boa leitura nos é altamente inspiradora”.

Sem dúvida: a criação literária tem, na leitura, especialmente na leitura das obras literárias, uma de suas fontes mais ricas e um de seus processos mais decisivos. Quando um Harold Bloom assegura que um poema dialoga ou está em conflito com outro poema; quando um T. S. Eliot afirma que nenhum poeta pode ser conhecido sozinho, ou quando um Jorge Luís Borges fala de precursores desse ou daquele escritor, temos aí o selo de uma corrente unindo vozes e visões.

Clauder Arcanjo é um leitor-escritor e, por isto mesmo, poderia situá-lo muito bem dentro da tradição moderna de uma poética da leitura. Uma leitura que não se esgota na simples experiência emocional ou intelectiva, no indispensável prazer da subjetividade, no estímulo à meditação e ao pensamento, no gozo da sensibilidade e no voo da imaginação. Mas, principalmente, numa leitura que tende a encaminhar o leitor para o desafio da sua própria criação e, portanto, da realização de sua própria obra.

No diálogo com Clarice, há certa altura, escreve o autor: “No sereno da tarde, volto para dentro. Dentro de onde? De mim? De ti? Um silêncio anterior ao mundo dito civilizado. O oco de tudo a me revelar que é preciso abrir mão das platitudes para sentir as altitudes. {…} A literatura é um tributo à loucura de si mesmo”. Já no primeiro parágrafo do diálogo com Whitman, afirma que “O homem sofre de um silêncio absurdo”, e no prosear com Fernando Pessoa, revela: “Preso às obviedades da vida, caminho como se o infinito estivesse à minha frente. {…} E a Poesia teima em renascer, sem metafísica, na esquina menos festejada”.

Atento ao estilo e à técnica, assim como ao universo emotivo e intelectual, de cada escritor, Clauder Arcanjo traz à tona, na medida do possível, as inclinações psicológicas e as atitudes perceptuais de cada um deles, nas suas diferenças e aproximações, ao mesmo tempo em que se descortina a si mesmo, na sua geografia sentimental, nos seus predicados ideológicos e nas suas preferências estéticas.

Fazendo suas confidências literárias, este cearense de Santana do Acaraú, poeta, romancista, contista, editor, convida-nos a uma viagem de volta ou a uma viagem de descoberta pelas páginas artísticas dos escritores que leu e cuja leitura nos sugere, a seu modo também artístico e pessoal.

Hildeberto Barbosa Filho é poeta, escritor e professor da UFPB, além de membro da Academia Paraibana de Letras

Crispiniano Neto é nomeado para cargo no Ministério da Cultura

A governadora Fátima Bezerra (PT) anunciou em suas redes sociais nessa quinta-feira (6), a nomeação do ex-presidente da Fundação José Augusto (FJA), em sua primeira gestão, Crispiniano Neto (PT), para cargo no Ministério da Cultura (MINc).

Crispiniano ocupou a FJA na gestão anterior de Fátima (Foto: Carmem Félix)
Crispiniano ocupou a FJA na gestão anterior de Fátima (Foto: Carmem Félix)

Crispiniano vai integrar equipe em Brasília da ministra Margareth Menezes.

Poeta, jornalista, também escritor, ele vai atuar na área de incentivo ao livro, a leitura, biblioteca e escrita.

“Crispiniano será uma importante colaborador na reconstrução do Brasil nessa área essencial que é a cultura”, comentou.

Nota do Canal BCS – Parabéns, poeta. Mas, cá para nós: se fosse mais perto de Serra do Mel seria bem melhor esse cargo, hein?

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Um escritor e seu folhetim que faz história no mundo virtual

Por Carlos Santos

Escritor polígrafo, Marcos Ferreira de Sousa nasceu aos 10 de abril de 1970 em Mossoró (RN), onde reside desde sempre. Tem figurado entre as primeiras colocações de alguns importantes concursos literários no país.

Com a obra “A Hora Azul do Silêncio” venceu os “Prêmios Literários Cidade de Manaus”, na categoria Melhor Livro de Poesia. Além do folhetim “A Cidade que Nunca leu um Livro” (romance publicado aos domingos no Canal BCS), possui obras inéditas nos gêneros conto, romance, poesia e crônicas.

Marcos Ferreira é escritor de origem mossoroense com vários prêmios literários (Foto: arquivo)
Marcos Ferreira é escritor de origem mossoroense com vários prêmios literários (Foto: arquivo)

Autodidata, Marcos atuou na imprensa mossoroense, onde desempenhou as funções de revisor, copidesque, repórter e editor de cultura. Entre outras distinções, foi laureado com os prêmios “José Cândido de Carvalho” (Categoria Contos); “Prêmio Petrobras de Literatura Prata da Casa”, edições do Rio de Janeiro e Salvador (Categoria Poesia); e o “Prêmio Vinicius de Moraes” (Categoria Sonetos), promovido pela editora Companhia das Letras.

Abaixo, um bate-papo com ele em relação a uma experiência inusitada: a produção de romance em série, como nos antigos folhetins, albergado em nossa página ao longo de 22 semanas:

Pelo visto, “A cidade que nunca leu um livro”, concluído no domingo passado (veja AQUI), é o primeiro romance publicado em suporte digital e em série na imprensa potiguar, talvez do País. Como você avalia essa experiência?

Não tenho conhecimento quanto ao ineditismo ou não. Mas acho que isso é uma consequência dos novos tempos, especificamente da blogosfera e das redes sociais. Trata-se de uma linha tão peculiar quanto plural. São os tempos irreversíveis das plataformas eletrônicas e esse é um caminho sem volta. Os veículos impressos tiveram a sua longa e apaixonante época, contudo agora os poucos que restaram vivem a debacle, a asfixia econômica, o crepúsculo de suas edições em papel-jornal. Outros romances digitais, a exemplo de “A Cidade que Nunca eu um Livro”, logo surgirão e esse é um processo que vem desde longa data quando do apogeu dos folhetins publicados nos jornais impressos, momento em que se destacaram, entre outros, grandes vultos da literatura brasileira como Joaquim Manuel de Macedo, José de Alencar e Machado de Assis.

Marcos, um romance virtual, ou seja, em plataforma diferente do livro físico, é uma experiência incomum para nós do Canal BCS e acredito que para você também. Como nasceu a ideia?

Marcos tem planos para novos lançamentos (Foto: arquivo)
Marcos tem planos para novos lançamentos (Foto: arquivo)

Eu comecei literalmente do zero, não tinha nada pronto ou em andamento. Num determinado dia, então, eu sentei para escrever a minha habitual crônica que eu veiculava aos domingos no Canal BCS e aí, como o texto é um bicho cheio de vontades próprias, eis que eu senti que aquela suposta crônica havia descambado para algo diferente, uma coisa que me pareceu muito mais um conto ou capítulo de um romance do que propriamente uma simples crônica. Foi aí que tudo começou. Mesmo vivenciando a gangorra da minha saúde instável, eu fiz a minha estreia como folhetinista no Canal BCS e arquei com a responsabilidade de todo domingo ter um novo capítulo de romance para apresentar ao público leitor e, se possível, mantê-lo interessado na trama.

A construção de personagens, a narrativa, o esforço para prender o webleitor e o fio de ligação entre uma publicação e outra, entre um domingo e outro, são dificuldades enormes à produção, não temos dúvidas. O escritor na plataforma virtual é um novo caminho?

Sem dúvida. A plataforma digital, espaço em que o ficcionista recebe a pressão de fazer o dever de casa chova ou faça sol, é um desafio muito maior do que aquele vivido por um literato que está isento dessa cobrança e escreve, digamos assim, quando se sente inspirado. O escritor que surfa na crista da onda da plataforma digital tem que lidar com uma cobrança muito maior, tanto de si próprio quanto dos webleitores cuja atenção ele despertou.

O romance é um gênero muito disseminado há séculos no mundo. No Brasil, ele ganhou forma no século 19, com popularização em jornais impressos, em capítulos, o chamado “folhetim”. O Canal BCS e você dão ao leitor cibernético, plugado, on-line, uma experiência que resgata esse período. Como é viver essa realidade virtual?

Digo sem nenhuma economia ou excesso de vaidade que “A Cidade que Nunca leu um Livro”, pelas características já expostas e que envolvem o compromisso de um capítulo semanal para continuar alimentando o fogo da criatividade, foi, até aqui, o projeto mais ousado e desafiador a que me lancei e me propus a realizar. E agora, encerrando essa trama da personagem Jaime Peçanha após vinte e dois capítulos seriais, não posso negar, particularmente, o gostinho de vitória, o sentimento da missão cumprida.

Tivemos webleitores acompanhando o romance “A Cidade que Nunca leu um Livro” de vários estados do país e diversos municípios do RN, conforme dados de nossa estatística. Como você lida com essa interação ‘estranha’, digamos assim, diferente do que o livro físico proporciona?

Primeiramente, antes que digam que eu não falei das flores, essa é uma notícia que me surpreende de maneira muito positiva. Eu não tinha ideia de que minha história contasse com toda essa audiência. Acho que isso é o coroamento (e aí entram as flores) de um texto e de uma trama produzidos com muita seriedade e respeito aos webleitores de um modo geral. Pois é sempre vital, imprescindível, respeitar o leitor (no caso, webleitor) e coroá-lo com o que podemos oferecer de melhor em matéria de literatura.

Você considera possível a maior difusão do romance e outros gêneros literários por meio dessa infovia e suas diversas plataformas, como o blog, Instagram, Facebook etc?

Não tenho a menor dúvida quanto a isso. Tanto que passei muitos anos sem publicar uma só vírgulas nos jornais impressos, quando ainda existiam jornais impressos em Mossoró, exceção para o De Fato, mas aí eu voltei a escrever com periodicidade semanal graças ao BCS — Blog Carlos Santos. A infovia está aberta para todos os gêneros e expressões de arte literária, inclusive o romance. Quanto ao meu retorno a escrever, existe algo que o Canal BCS me ofereceu que outros não ofertaram: motivação.

No universo criativo, no campo das artes, da literatura à pintura, passando por escultura e outras manifestações artísticas, muitos feneceram sem experimentar o gosto do sucesso de público e o mínimo de bem-estar à vida pessoal. Costumo dizer, usando adágio popular, que “quem incha com bafo (elogios) é cuscuz.” Isso o incomoda e o angustia?

A hora azul do silêncio à venda na Amazon, para leitura virtual (Reprodução)
A hora azul do silêncio à venda na Amazon, para leitura virtual (Reprodução)

A mim tal patologia (a da vaidade do cuscuz) não acomete. Possuo certa vaidade, sim, mas esta é no tocante a produzir alguma coisa em matéria de literatura e tomar conhecimento de que algumas pessoas estão gostando. Então, levando-se em conta o meu tipo de vaidade, não tenho nenhuma bigorna pesando na consciência. Não sou, muito menos, aquele tipo de literato que tem que dormir de beliche: ele embaixo e o ego em cima.

Quais os próximos planos literários de Marcos Ferreira?

Antes de responder a esta pergunta, quero agradecer aos webleitores que têm me acompanhado no Canal BCS. Agora, sem querer contar vantagem, no entanto me permitam um tiquinho de imodéstia, possuo um certo número de livros inéditos e que não estão expostos nas prateleiras das livrarias e quejandos simplesmente porque não tenho grana para a autopublicação. “A Cidade que Nunca leu um Livro”, por exemplo, é um romance que gostei de escrever e que eu gostaria de vê-lo publicado em livro físico. Quanto aos meus próximos planos literários, o que pretendo fazer é continuar escrevendo. Isto porque, bem ou mal, não há outra coisa que eu saiba fazer melhor do que escrever. Por falta de habilidade em ofícios diversos, portanto, escrevo.

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Festival Literário da Ufersa vai ocorrer entre os dias 16 e 18

A Universidade Federal Rural do Semi-Árido (UFERSA) promove entre os dias 16 e 18 de novembro a primeira edição do Macambira – Festival Literário da Ufersa, com extensa programação cultural envolvendo o mundo da literatura, dança, artes cênicas, exposições fotográficas, jogos educativos, oficinas, palestras e lançamentos de livros.

O premiado cearense Mailson Furtado é um dos nomes do evento cultural (Foto: divulgação)
O premiado cearense Mailson Furtado é um dos nomes do evento cultural (Foto: divulgação)
José Almeida Júnior é mossoroense com sucesso de público e crítica em seus trabalhos (Foto: divulgação)
José Almeida Júnior é mossoroense com sucesso de público e crítica em seus trabalhos (Foto: divulgação)

Para abrir a programação, dia 16, a partir das 18h, o Festival recebe o poeta cearense Mailson Furtado Viana, vencedor do Prêmio Jabuti 2018 nas categorias Poesia e Livro do Ano. Na noite do dia 17 será a vez do escritor mossoroense José Almeida Júnior compartilhar a sua produção literária. Proeminente no estilo romance histórico, Almeida é vencedor do Prêmio Sesc e finalista dos prêmios Jabuti e São Paulo de Literatura.

Na noite de encerramento, sexta, dia 18, serão anunciados os vencedores do primeiro Concurso Literário da universidade. Lançado em julho, a chamada pública recebeu mais de 50 textos inéditos nos gêneros crônica, conto e poesia. Os selecionados serão publicados em um livro pela Editora Universitária da Ufersa (EdUfersa).

Teatro

A programação é integralmente gratuita e acontece na lateral da Biblioteca Orlando Teixeira, Lado Leste, Campus Sede, em Mossoró. Além de literatura, o evento será abrilhantado com a apresentação dos grupos de teatro Cia Escarcéu, Grupo Baobá da Ufersa, Pessoal do Tarará e GRUTUM, Maracatu Reis de Paus, o rapper Cumpadi Caboclo e os artistas Airton Cilon e Álex Martins.

Durante os três dias, estarão à disposição dos visitantes mostras fotográficas e exposições de HQ’s, competição de grupos de K-Pop e, para o público infantil, será montada a Casa de Leitura, uma iniciativa destinada à contação de história e recreação.

O Macambira – Festival Literário da Ufersa nasce com o objetivo de promover um ambiente pluricultural na instituição a partir da valoração das diversas linguagens artísticas e literárias.

Confira a íntegra da programação e mais conteúdo AQUI no Portal Ufersa.

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Deífilo Gurgel, uma palestra para lembrar alguém muito especial

O Instituto Histórico e Geográfico do Rio Grande do Norte (IHGRN) promove a próxima edição da Quinta Cultural no dia 20 de outubro. O evento, que oferece palestras e diálogos sobre temas históricos variados, traz desta vez a palestra “Deífilo, amigo de Deus e de todos”, ministrada por Alexandre Gurgel, jornalista e sócio do IHGRN.

Imagem de Maria Simões
Imagem de Maria Simões

O evento, que é aberto para o público geral, ocorre às quintas-feiras, no Salão Nobre do Instituto. A palestra tem início às 17h e tem capacidade para 50 pessoas, não sendo necessária inscrição prévia.

A edição homenageia a figura de Deífilo Gurgel, folclorista areia-branquense falecido há 10 anos. Também foi advogado, professor universitário, administrador público, antropólogo, poeta e historiador, tendo se tornado um dos principais nomes da cultura local.

Sobre o palestrante

Alexandre Gurgel é jornalista, escritor e poeta. Formado em Jornalismo pela Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN), organizou o livro “Autorretrato do Poeta”, obra que reúne poemas inéditos do folclorista. A obra conta, inclusive, com 25 poemas de autoria de Alexandre Gurgel, dedicados a Deífilo Gurgel, seu pai.

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Faculdade Católica do RN abre evento nacional com Bráulio Bessa

Nesta segunda-feira (12), a Faculdade Católica do Rio Grande do Norte dá oficialmente início à terceira edição do Congresso Nacional de Ciência e Educação (CONCED). De volta à modalidade presencial, este ano o congresso trabalha a temática intitulada “Razão e Emoção: pela linguagem dos afetos e a sensibilização dos conhecimentos”.

Bráulio Bessa vai ser principal atração da abertura de evento nesta segunda-feira (Banner: Reprodução)
Bráulio Bessa vai ser principal atração da abertura de evento nesta segunda-feira (Banner: Reprodução)

A abertura do III Conced será realizada às 19h, no Requinte Buffet em Mossoró. Como cerimônia de início, os congressistas poderão vivenciar a apresentação cultural de Bráulio Bessa, famoso poeta, cordelista e escritor nordestino.

A programação continua ao longo de toda semana, até o dia 16 de setembro, nas instalações da Faculdade Católica do RN.

Como atividades propostas pelo Conced, os estudantes e demais congressistas inscritos terão acesso a uma série de minicursos, palestras, oficinas, mesas-redondas, workshops, fóruns e muito mais. Nessa perspectiva, a abordagem proposta busca envolver diferentes áreas de atuação e experiência acadêmica, a partir do diálogo e compartilhamento com profissionais capacitados e humanizados.

Ao contribuir com a missão da Faculdade Católica do Rio Grande do Norte, o III Congresso Nacional de Ciência e Educação é aberto a toda comunidade científica, desenvolvendo profissionais críticos e participativos nos mais variados campos do saber, da pedagogia e da profissão. Para saber mais, informações estarão disponíveis através do site (catolicadorn.com.br) ou por meio das redes sociais: @catolicadorn e @concednoinsta.

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Escritor prepara lançamento de livro sobre História de Mossoró

Faustino: história em livro (Foto: arquivo)
Faustino: história em livro (Foto: arquivo)

O escritor Lindomarcos Faustino prepara lançamento do seu 31º livro.

Sua expectativa é de entregar o trabalho por volta de agosto próximo.

“História do Município de Mossoró” é o título do livro, adianta Faustino.

A publicação terá mais de 300 páginas.

Mossoroense, também poeta, Lindomarcos Faustino é obcecado pela história de Mossoró e tem trabalhado há vários anos na preservação e prospecção de conteúdo que fortaleçam a cultura do lugar e do seu povo.

Em 2015, lançou o grupo “Relembrando Mossoró”, na plataforma virtual Facebook, em 2015, que se transformou num sucesso nas redes sociais, com mais de 115 mil membros. É um canal em que promove a interação de mossoroenses espalhados por todo o mundo, fortalecendo laços e a identidade nativista.

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Exposição “Raízes de Mossoró” retratará o poeta Antônio Francisco

A população mossoroense conhece e admira o poeta, cordelista, historiador e escritor Antônio Francisco, mas terá uma oportunidade de conhecer de perto a história desse grande símbolo da cultura popular que orgulha a cidade.

Antônio Francisco é um símbolo da cultura popular nordestina (Foto: autor não identificado)
Antônio Francisco é um símbolo da cultura popular nordestina (Foto: autor não identificado)

O Partage Shopping Mossoró inaugura nesta sexta-feira (24/06) a exposição Raízes de Mossoró: Poeta Antônio Francisco, na Galeria Partage e que contará com mais de 80 itens do poeta, entre cordéis, livros, quadros de pintura própria, fotografias, troféus e medalhas, além de outros objetos pessoais de sua estima.

Com alto valor cultural e educativo, a exposição sobre o Poeta Antônio Francisco será realizada no período de 24 de junho a 24 de julho e estará aberta a visitação do público nos horários de funcionamento do shopping, todos os dias da semana.

Perfil

Antônio Francisco Teixeira de Melo é cordelista, escritor e historiador mossoroense, nascido aos 21 de outubro de 1949, em Mossoró, Rio Grande do Norte. É membro da Academia Brasileira de Literatura de Cordel (ABLC) desde maio de 2006, onde ocupa a cadeira de número 15, cujo patrono é o poeta cearense Antônio Gonçalves da Silva, mais conhecido como Patativa do Assaré.

Reconhecido publicamente pela musicalidade de seus poemas e principalmente pela  relevância da sua produção literária, sua obra é alvo de estudo de vários compositores brasileiros, inspirando também uma nova e crescente geração de escritores populares de todas as idades, alguns deles conhecidos nacionalmente, como é o caso do cearense Bráulio Bessa.

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