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Cambridge e sua universidade

Por Marcelo Alves

Foto Web
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Assim como Oxford (sobre a qual escrevi dia desses), Cambridge está a cerca de uma hora de trem de Londres. Não é uma cidade grande. Pouco menos de 150 mil habitantes, acredito. Dominada pelo rio Cam, ela está também entre os mais visitados destinos turísticos do Reino Unido. E aqui vai uma dica para quem quer flanar por lá: o passeio deve começar pela King’s Parade, rua/praça defronte ao King’s College, que, pela sua localização, marca a vida de cidade.

Cambridge tem aquele apelo todo especial para os que gostam do chamado “turismo cultural”. Isso está relacionado à sua universidade. Antiquíssima, ela foi fundada em 1209, a partir de uma dissidência de estudiosos de Oxford. Arenga boa! Cambridge está hoje entre as melhores universidades do mundo. Um dos primeiríssimos lugares em qualquer ranking.

Ela conta com cerca de 20 mil alunos. A maioria é de graduação, sure. Mas há um alto percentual de pós-graduandos, em torno de 30/40 por cento do total, com o consequente impacto positivo no orçamento, nas pesquisas, nas publicações etc. Ela é o sonho – e para a grande maioria não passará de um sonho – de muitos estudantes nacionais e estrangeiros.

Tal qual a congênere de Oxford, a organização/governança da Universidade de Cambridge é sui generis. Na governança central, possui departamentos, faculdades ou “schools”, grandes museus (como o maravilhoso Fitzwilliam Museum, dedicado à arte em geral e a antiguidades), laboratórios (entre eles o Laboratório Cavendish, que já “laureou” uns 30 prêmios Nobel), a gigantesca University Library e a Cambridge University Press. Mas há a peculiar estruturação dual com o sistema de instituições independentes e autogovernadas, chamadas “colleges”, aos quais estão vinculados todos os docentes e os estudantes e que servem como um misto de residência e centro de estudos. Cambridge possui hoje 31 colleges.

Alguns, como o citado King’s, o Trinity e o St. Jonh’s, para dar alguns exemplos, são prestigiadíssimos. O dinheiro investido em Cambridge – basicamente dinheiro público em uma instituição administrada “privativamente” – gera um conhecimento inestimável. Nas artes, na filosofia, na política, no direito, nas ciências e por aí vai. Isso é o que eu tenho como uma bela “parceria público-privada”.

Cambridge também comemora haver “educado” personalidades de grande destaque nos mais diversos métiers. Na política, Cambridge deu o primeiro e o mais jovem dos primeiros-ministros do Reino Unido, Robert Walpole e William Pitt “The Younger”, respectivamente. Nas letras, Cambridge celebra Christopher Marlowe, John Milton, Samuel Pepys, Lawrence Sterne, W. M. Thackeray, Kingsley Amis, John Dryden, William Wordsworth, Samuel Taylor Coleridge, Lord Byron e Lord Alfred Tennyson, entre outros. Na filosofia, ela vem com Erasmus de Rotterdam, Francis Bacon, Bertrand Russell e Ludwig Wittgenstein. Na economia, com gente do top de Thomas Malthus e John Maynard Keynes.

Mas parece ser nas “ciências” que Cambridge escreveu, ao longo dos séculos, a sua mais bela página. Para se ter uma ideia, Isaac Newton e Charles Darwin, dois dos mais importantes nomes da história da humanidade, passaram por Cambridge. Isso sem falar em James Clerk Maxwell, que, juntamente a Newton e Einstein, é considerado um dos maiores físicos de todos os tempos. Ou em Charles Babbage e Alan Turing, pais da ciência da computação que hoje conhecemos. Aliás, pais e pioneiros não faltam em Cambridge.

Foi em Cambridge, em 1932, seguindo os passos de pioneiros como J. J. Thomson e Ernest Rutherford, que Ernest Walton e John Cockcroft realizaram, pela primeira vez na história, a cisão do átomo de maneira controlada. Assim como foi em Cambridge que, em 1953, Francis Crick e James Watson descobriram a estrutura do DNA, o que lhes deu, acompanhado de Maurice Wilkins (do Kings College London – KCL, onde fiz o meu PhD), o Prêmio Nobel de Medicina de 1962. E eles são apenas dois dos oitenta e tantos prêmios Nobel de Cambridge, número que nenhuma outra universidade conseguiu bater.

Bom, viva a ciência e todas as artes de Cambridge!

Marcelo Alves Dias de Souza é procurador Regional da República, doutor em Direito (PhD in Law) pelo King’s College London (KCL) e membro da Academia Norte-rio-grandense de Letras (ANRL)

Meu reencontro com Márquez

Doze contos peregrinosPor muitos anos, não 100, bem menos do que isso, fiquei distante de Gabriel Garcia Márquez. Ele que foi minha companhia em solidão e na memória de um moço triste, na depressão, bate à minha porta de novo.

Na prosa à mesa, regada a café, com o amigo Aílson Teodoro, rebobinamos a vida e experiências pessoais entrelaçadas com a obra do autor.

Daí me aparece Doze contos peregrinos. “Como é insaciável e abrasivo o vicio de escrever”, diz o escritor, jornalista, político e editor colombiano, Prêmio Nobel de Literatura (1982).

Peregrino.

Fator Nobel

Por Paulo Linhares

Tudo a parecer  com a famosa “Batalha de Itararé”, aquela que jamais aconteceu embora tenha gerado enormes expectativas em 1930, episódio celebrizado por um dos pioneiros do humorismo brasileiro, Aparício Torelly que, mesmo já no Brasil republicano, passou a ostentar  título de “Barão de Itararé”.

Assim foi, também a expectativa que se gerou com a prisão do ex-presidente Lula: enquanto os antilulistas esperavam fosse ele conduzido numa daquelas carroças que, nas ruas de Paris, na época da Revolução Francesa, levavam os prisioneiros, sob apupos e impropérios da população, destinados à guilhotina, os seus partidários previam o juízo (quase) final do Brasil, com hordas descer dos morros e outras,  os “sem-terra” a bloquear estradas e saquear cidades.

Nada aconteceu. Depois de uma dramática ‘resistência’ no simbólico Sindicato dos Metalúrgicos do ABC paulista, onde o fenômeno Lula começou, este resolveu ir para a prisão no Califado de Curitiba, afinal, ordem judicial não se discute,  cumpre-se.

É bem certo que, na semana seguinte, não se falou noutra coisa, no Brasil e na grande imprensa mundial. A favor ou contra a prisão de Lula quase tudo foi dito.

Aliás, a suposta resistência armada pró-Lula, bravata que transpirou nas redes sociais,  gerou a mesma decepção da pomposa ação retórica do apoio ao ex-presidente João Goulart, em 1964, pelas tropas navais de Cândido Aragão, o “almirante do Povo”. Tiro n’água.

Certo ou errado, Lula está preso. O mundo não acabou. Sequer ocorreu o vaticínio do famoso samba de Wilson das Neves e Paulo César Pinheiro “O dia em que o morro descer e não for carnaval”. Nem as hordas de sem-terras comandadas por Pedro Stédile  deram o ar de sua ‘graça’, foices e machados em riste. Nada.

Alguns rojões esparsos e uns poucos pneus queimados apenas. Só muita conversa, a favor ou contra.

Frustrações mesmo foi para o ‘povo’ da Globo e congêneres que compõem o baronato da imprensa conservadora, que esperavam o sangue dar no “meio da canela” e uma fuga espetacular de Lula para um exílio imponderável que seria habilmente explorada como uma cabal e definitiva confissão de culpa.

‘Mala’ como é, o líder petista buscou tirar do episódio de sua prisão toda energia política possível. E conseguiu, na medida em que os olhos do mundo se voltaram para o edifício-sede do Sindicato dos Metalúrgicos do ABC e plasmou a atenção da imprensa mundial, sobretudo, pelas suspeitas que pairam de que Lula seria vítima de típico caso de “lawfare”, palavra inglesa que significa o uso de manobras e instrumentos judiciais para conseguir objetivos políticos-eleitorais, em especial, para evitar candidatura de adversário político.

Do ponto de vista eleitoral, já é visível que o cacife de Lula aumentou com sua prisão espetaculosa, embora as chances de uma candidatura sua à presidência da República sejam remotíssimas. Resta saber se esse prestígio terá ‘gás’ para chegar às eleições de outubro deste 2018. Aliás, essa é uma equação (política) de muitas incógnitas e, portanto, de solução difícil e demorada que, quase sempre pode apontar para novas e inesperadas possibilidades.

Embora uma libertação de Lula seja, no curto  e médio prazos, algo difícil de ocorrer, uma dessas incógnitas pode levar a questão a outro patamar: ele é forte concorrente ao Prêmio Nobel da Paz, concedido pelo Comité Nobel Norueguês (em norueguês: Den norske Nobelkomite) que é um órgão independente, composto por cinco pessoas, nomeadas pelo Parlamento da Noruega.

Agora, certamente para pressionar o Comitê, recentemente o Ministério Público Federal (MPF) está acusando danos ambientais graves a empresa Hydro Alunorte (do grupo Norsk Hydro), maior fábrica de alumínio do mundo, controlada pelo governo norueguês e instalado no Município de Barcarena, Estado do Pará.

A Noruega, que apresenta o maior Índice de Desenvolvimento Humano (IDH) entre os países do mundo, certamente se constrange com a acusação de promover degradação ambiental justo na região amazônica, cuja proteção faz parte da agenda do Estado norueguês.

Claro que não é mera coincidência essa ação conjugada do MPF e órgãos federais de proteção ambiental, apesar de não se poder afirmar que seria mera invencionice esses problemas de danos ao meio ambiente amazônico. Por isto não será surpresa, também, se o Nobel de Lula descer por esse ralo.

Quem viu a recente série norueguesa da Netflix intitulada “Nobel”, que mostra os megas interesses econômicos e políticos que permeiam a concessão desse prêmio e o vinculam aos interesses estratégicos do Estado norueguês, sabe o que pode estar em jogo na versão do Nobel da Paz 2018. Vale a espera para ver no que resultará esse Fator Nobel.

Paulo Linhares é professor e advogado

Ex-secretário do Estado do RN pode ganhar Prêmio Nobel

Depois que os chineses descobriram a roda há mais de 3 mil anos, temos agora Paulo de Tarso Fernandes, ex-secretário do Governo Rosalba Ciarlini (DEM), proclamando um feito de alto valor científico.

Ele descobriu que quem manda no governo estadual é Carlos Augusto Rosado (DEM), marido da governadora.

Pasmem!!

Paulo para o Nobel de Ciências!