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Relativismo moral de Lula e PT acha “normal” fraudar eleições

Maduro tem endosso de Lula, mesmo prometendo até "banho de sangue" (Foto: Ricardo Stuckert)
Maduro tem endosso de Lula, mesmo prometendo até “banho de sangue” (Foto: Ricardo Stuckert)

Do  Canal Meio e outras fontes

A eleição do último domingo na Venezuela “não foi democrática” e não há transparência para corroborar seu resultado, que deu um novo mandato ao presidente Nicolás Maduro. A conclusão, divulgada na madrugada de hoje, é do Carter Center, o mais importante observador independente internacional autorizado a fiscalizar o pleito.

Mas, no Brasil, o presidente Lula (PT) e  seu partido, com nitido relativismo moral, pensam diferente e manifestam serenidade no aval ao escárnio do governo Maduro, que chegou a prometer até mesmo “banho de sangue,” caso não fosse o vencedor do pleito. Para Lula, o processo todo “é normal” e “não há nada grave.” O PT, em nota de sua Executiva, apressou-se em reconhecer a reeleição do ditador, resultado de “uma jornada pacífica, democrática e soberana.”

De acordo com a entidade, que atuou a convite do próprio Conselho Nacional Eleitoral (CNE), o processo eleitoral “não atendeu aos padrões de integridade” em nenhum de seus estágios e a ausência de divulgação das atas de votação “constitui uma séria violação dos princípios eleitorais”. A entidade já havia pedido sem sucesso ao CNE a publicação da atas, que, segundo a oposição, comprovaria a vitória de Edmundo González Urrutia. Na terça-feira, o Carter Center cancelou a publicação de um relatório preliminar sobre o pleito e retirou sua equipe da Venezuela “por questões de segurança”. (UOL e CNN)

“Normal”

Pela primeira vez desde domingo, o presidente Lula se pronunciou sobre as eleições na Venezuela. Apesar de manter o discurso de só reconhecer o resultado após a apresentação das atas de votação, o petista afirmou que não há nada “grave” nem “assustador” no processo eleitoral. “É normal que tenha uma briga. Como resolve essa briga? Apresenta a ata. Se a ainda tiver dúvida entre a oposição e a situação, a oposição entra com um recurso e vai esperar na Justiça o processo. E vai ter uma decisão, que a gente tem que acatar. Eu estou convencido que é um processo normal, tranquilo”, afirmou Lula. “Na hora que tiver apresentado as atas, e for consagrado que a ata é verdadeira, todos nós temos a obrigação de reconhecer o resultado eleitoral da Venezuela”, completou. (g1)

Em conversa telefônica de meia hora, Lula reiterou ao presidente americano, Joe Biden, a necessidade de Maduro divulgar as atas. Os dois países ainda não reconheceram a reeleição do venezuelano. Em nota, o Palácio do Planalto informou que Biden concordou com a importância da divulgação desses documentos. O brasileiro destacou que tem acompanhado a situação por meio de seu assessor especial, Celso Amorim, que se reuniu com Maduro e o candidato opositor Edmundo González Urrutia.

Já a nota do PT (íntegra), divulgada anteontem à noite, reconhecendo a reeleição de Maduro, irritou Lula, que cobrou da direção do partido como ela foi construída. Fontes no PT informaram ao Meio que o texto não chegou a ser aprovado na reunião da Comissão Executiva, mas assessores do partido afirmam que a nota foi debatida e aprovada no grupo de discussão da Executiva no WhatsApp. A ala da legenda que defende o texto critica a cobrança da apresentação das atas. Já auxiliares de Lula se limitaram a responder que o texto é uma posição da Executiva do partido, da qual o presidente não faz parte. (Meio)

Líder do PT diverge

Há divergências… O líder do governo no Congresso, senador Randolfe Rodrigues (PT-AP) é um dos petistas críticos. “Uma eleição em que os resultados não são passíveis de certificação e onde observadores internacionais foram vetados é uma eleição sem idoneidade.” (CNN Brasil)

E em duro comunicado, a Organização dos Estados Americanos acusou as autoridades venezuelanas de tentarem “distorcer o resultado eleitoral” por meio da “manipulação mais aberrante”. O Conselho Permanente da OEA realizará uma reunião extraordinária hoje. A declaração, com base em relatório do Departamento de Cooperação e Observação Eleitoral da OEA, afirma que “o regime de Maduro zombou de atores importantes da comunidade internacional durante esses anos e voltou a entrar num processo eleitoral sem garantias”. E defende que Maduro aceite “sua derrota eleitoral”. (El País)

E uma frase curta, pinçada de uma reportagem do New York Times, do cientista político Steven Levitsky, autor de Como as Democracias Morrem: “É uma das fraudes eleitorais mais flagrantes da história moderna da América Latina.” (NYT)

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Quando tudo vale, nada vale; quando nada vale, tudo vale

Por Honório de Medeiros

O combate meritocracia é a ponta-de-lança da defesa do relativismo moral. O relativismo moral apregoa que os valores são relativos, ou seja, o que é certo para mim, pode não ser certo para você; o que é justo para você, pode não o ser para mim, e não há nada, absolutamente nada, nesse sentido, que a ciência possa dizer quanto a essa questão, e que possa erradicar nossas dúvidas.

Tirando a ciência, que descreve o que algo é, e quando o faz, revela algo que você somente não aceita se não tiver juízo, tal como a lei da gravidade, ou a lei da entropia, sobra a religião, o senso comum, e por aí vai, mas quanto a isso cada um tem a sua, e acredita no que lhe der na telha, portanto a conclusão possível, segundo esses parâmetros, é que a moral seria relativa, e se assim o é, não existiriam valores absolutos aos quais devêssemos reverências definitivas.

Se não há valores absolutos então não podemos falar em mérito, pois este pressupõe que sejamos capazes de avaliar os outros e reconhecer, neles, qualidades que mereçam respeito, elogio, e, claro, confiança para lhes entregar responsabilidades que não estão ao alcance dos que não foram avaliados com o mesmo reconhecimento. Se não é possível estabelecer critérios para reconhecer o mérito, então todos estamos no mesmo barco, ninguém pode avaliar quem quer que seja, e, dessa forma, a conclusão óbvia é que desapareceria a civilização como a conhecemos, e é bem possível que então somente sobrassem escombros, ruínas, o caos, enfim.

Voltemos ao ponto-de-partida.

É válida a hipótese do relativismo moral, de que todos os valores são relativos? Se acreditarmos  que os valores estão por aí, no espaço e no tempo, se acreditarmos que o certo, o errado, o bem, o mal, o justo, e o injusto existem por si mesmos, como entidades fora-de-nós, bastando que os encontremos onde estiverem e as colhamos, qual frutas maduras, e os utilizemos, então, sinto dizer, isso não tem o menor fundamento.

É essa vertente filosófica, derivada de Platão, melhor dizendo, de sua Teoria das Formas e das Ideias, que os relativistas morais criticam e com razão, embora de forma oblíqua e a grande maioria da  vezes sem conhecerem seu fundamento, seus pressupostos teóricos.

Mas os valores não são entidades, fenômenos físicos aguardando algum iluminado que as descreva e os coloque a serviço da humanidade. Não são objetos da matemática, física, química ou biologia. Não são, em si mesmos, objetos da ciência. É por isso, e não por outra razão, que Jesus calou quando Pilatos lhe perguntou: “o que é a verdade?”.

Pilatos lhe fez uma pergunta de natureza ontológica. Provavelmente era um cético, quanto à moral, e somente acreditava no Poder pelo Poder. Se sua pergunta dissesse respeito à fé, Jesus teria lhe respondido: “Eu sou o caminho, a verdade e a vida”, e o seu silêncio não perturbaria tanto os filósofos através do tempo.

Entretanto se compreendermos que os valores são construções do homem ao longo do seu processo civilizatório, são estratagemas adaptativos, estratégias de sobrevivência, então a questão muda completamente de perspectiva. E a ciência nos dá razão porque, aqui, vamos estudar não o valor em si mesmo, mas os comportamentos que os criaram, sua finalidade, sua natureza.

É o mundo da Sociologia.

É científico conceber que em algum momento da história o Homem, a nossa espécie, teve um “insight” que lhe permitiu dar um passo à frente no processo evolutivo: descobriu a cooperação. Percebeu, ele, que podia até mesmo enfrentar seus predadores naturais, e os vencer, caso cooperassem entre si. Percebeu, ele, trocando em miúdos, que a união faz a força. Naquele momento nasceu o que hoje chamamos de pacto social.

O pacto social, para existir, constrói e impõe direitos e deveres, e, em decorrência, valores, para que o grupo social, a Sociedade, possa avançar. Ele foi um “meme”, uma invenção do processo evolutivo. Ou seja, foi uma construção humana, uma elaboração social, claro que sempre dependente de sua circunstância histórica.

Muito embora possamos rastrear a ideia de pacto social até Protágoras de Abdera bastando, para tanto, ler o diálogo platônico homônimo, é de se considerar que sua melhor descrição, de forma alegórica, está em “Leviatã”, de Hobbes.

Homo homini lupus, escreveu Thomas Hobbes, o primeiro dos grandes contratualistas. O homem é o lobo do homem, Frase de Plauto, em “Asinaria”, textualmente Lupus est homo homini non homo, que expõe a causa-síntese, a constatação que impele o Homem a optar pelo pacto social: em o assegurando, a sociedade regula o indivíduo, o coletivo se impõe sobre o particular, e fica, assim, assegurada a sobrevivência da espécie.

Caso não aconteça o pacto social, bellum omnium contra omnes, guerra de todos contra todos até a auto-aniquilação no Estado de Natureza, é o que ocorreria se imperasse a liberdade absoluta com a qual nasciam os homens, diz-nos, ainda, Hobbes, no final do Século XVI, início do Século XVII – recuperando a noção de contrato social exposta claramente por Protágoras de Abdera, a se crer em Platão.

Essa noção, de pacto ou contrato social, até onde sabemos, foi pela primeira vez exposta por Licofronte, discípulo de Górgias, como podemos ler na “Política”, de Aristóteles (cap. III):

De outro modo, a sociedade-Estado torna-se mera aliança, diferindo apenas na localização, e na extensão, da aliança no sentido habitual; e sob tais condições a Lei se torna um simples contrato ou, como Licofronte, o Sofista, colocou, “uma garantia mútua de direitos”, incapaz de tornar os cidadãos virtuosos e justos, algo que o Estado deve fazer.

E muito embora um estudioso outsider do legado grego tal qual I. F. Stone defenda que a primeira aparição da teoria do contrato social está na conversa imaginária de Sócrates com as Leis de Atenas relatada no “Críton”, de Platão, há quase um consenso acadêmico quanto à hipótese Licofronte estar correta. É o que se depreende da leitura de “Os Sofistas”, de W. K. C. Guthrie, ou da caudalosa obra de Ernest Barker.

Tudo isso significa que o  conteúdo dos direitos e deveres pode variar no tempo e espaço, mas a noção da “fôrma”, do “ambiente” que os contém, não. Ou seja, a ideia de pacto social é onipresente, mas seu conteúdo muda ao sabor das circunstâncias históricas.

É por essa razão que certas condutas anteriores ao tempo atual eram consideradas erradas, e hoje já  não o são, mas a regulação, as normas morais, o ambiente que as contém, não. Sempre existiram normas que regulassem a conduta humana. Repetindo: mudou o conteúdo, mas não mudou a forma.

Ainda: o que é certo e errado pode mudar no tempo e no espaço, mas a compreensão de que deve existir um conjunto de regras que mesmo de forma difusa diga o que é certo e errado, em cada época, isso aí não, por uma razão muito simples, tão bem apontada por Hobbes, qual seja a de que sem ele (o conjunto de regras) a civilização deixa de existir.

Quando não temos um “norte” moral, tudo vale, e se tudo vale, nada vale.

Então, embora seja relativo o conteúdo da norma moral, a necessidade da existência de normas morais é absoluta,  um fenômeno sociológico, pelo menos no que diz respeito à realidade social conforme conhecemos, e não há como conceber outra.

É preciso que entendamos que a construção do conteúdo da norma moral é sempre resultante do entrechoque de ideias, interesses, crenças, etc., daqueles que integram a Sociedade. Mas ao contrário do que se supõe, o conflito social, a interação social é fundamental para a elaboração da “Constituição” moral á qual nos apegamos para sobrevivermos em Sociedade.

Por fim, o discurso do relativismo moral é sabidamente ilógico. Argumentar contra os valores também é uma postura moral. Não há alternativa à existência dos valores morais.

O que há é a possibilidade de aperfeiçoamento desse instrumento social, das normas morais. É isso que estamos tentando fazer desde aquele remoto momento no qual o Homem se deu conta de que a cooperação permite sua sobrevivência.

No final das contas, ninguém foge da moral, seja contra ou a seu favor. Quem a critica, duvidando de seu papel social, questionando sua eficácia, quer apenas mudar as regras do jogo para se beneficiar, ou favorecer aquilo que defende. Nada mais.

Honório de Medeiros é professor, escritor e ex-secretário da Prefeitura do Natal e do Governo do RN

Relativismo moral transforma “Caixa 2” em crime alheio

Dilma Rousseff (PT) afirma que não sabia nem autorizou “Caixa” 2 às suas campanhas.

Ah, tá!

Seu marqueteiro João Santana e esposa, Mônica Moura, confirmaram o crime (veja AQUI) que a teria beneficiado eleitoralmente.

Cabe uma perguntinha cretina. Digamos que o caso fosse de um um carro roubado”. Sabedora do ilícito, a presidente afastada devolveria o veículo que lhe fora presenteado ou continuaria com ele, porque não sabia nem pediu que o roubassem?”

Nas redes sociais, a presidente afastada diz que não sabia de nada e não aceita o ilícito (Foto: reprodução)

Ãn!?

A culpa é do mordomo, sei.

Esse relativismo moral não é ‘privilégio” do PT, de Dilma e Lula. Contamina de forma quase generalizada a classe política nacional.

Lembra uma máxima do árbitro “Duíte”, dos tempos românticos do futebol de Mossoró, ao ignorar uma suposta falta/pênalti:

Não sei, não vi e bola pra frente!

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Nosso relativismo moral em nome do ‘sucesso’

Por Carlos Santos

Ídolo no Brasil, o ex-jogador de futebol Zico conseguiu um feito maior do outro lado do mundo: ser unanimidade. No Japão, a terra do ‘sol nascente, ajudou a difundir e consolidar o esporte, sendo uma instituição à reverência do povo japonês. Atuou como atleta e foi treinador.

O que fez Zico para tanto? Dessa distância que parece infinita, as informações disponíveis apontam para o seu sucesso como reflexo do talento como jogador e treinador do esporte mais popular do mundo. Parece evidente. Diria o cronista-dramaturgo tricolor Nelson Rodrigues que é o “óbvio ululante”.

Apresso-me em assinalar, que Zico é-me uma admiração, apesar dos aborrecimentos que me causou com a camisa do Flamengo, fazendo vários gols contra meu Fluminense. À minha memória, recorro à sua imagem para fazer digressões sobre a convivência humana e os questionamentos que fazemos quanto ao que é moral ou não. O certo, o errado, o válido para vencer.

Numa entrevista à televisão brasileira, coisa de muitos anos atrás, Zico retratava a rigidez de valores da sociedade japonesa, que também eram preservados no futebol. O esporte não era um mundo à parte; era microcosmo do próprio Japão milenar, em que a honra não é uma exceção, mas regra.

Zico identificou – relatando fatos na entrevista – que na cabeça dos jogadores nativos era incompreensível o uso da esperteza, o famoso ‘jeitinho brasileiro’, para tirar vantagem sobre o contendor. Narrou um caso específico: na cobrança de falta, as regras do futebol estabelecem que a barreira de jogadores adversários deve ficar a uma distância de 9 metros e 15 centímetros da bola.

Orientados por Zico de que deviam avançar ardilosamente para dificultar o chute adversário, os japoneses relutavam. Pareciam não compreender a instrução. Entreolhavam-se e resistiam. Não se tratava de conflito linguístico entre o português e a fala oriental. Era um atordoamento da esfera moral. Para os jogadores, era inadmissível aquela malandragem.

A capacidade de absorção de orientações técnico-táticas, a dedicação a treinos, a disciplina, a tenacidade e a perseverança caracterizavam os atletas japoneses. Difícil era fazê-los compreender que certos “macetes” não seriam uma desobediência à norma, mas uma engenhosidade – como é comum a esse povo que renasceu das cinzas após a capitulação na 2ª Guerra Mundial.

Enfim, essa malemolência brasileira, que poderia ser sintetizada pelo personagem “Macunaíma” de Mário de Andrade, “um herói sem nenhum caráter (anti-herói)”, esculpe muitos de nós de uma forma real. Não seria inteligente ser correto – define seus apologistas. A mesma natureza do personagem “Paulo Maurício Azambuja”, típico malandro carioca: ex-jogador de futebol, ex-sambista e trambiqueiro por excelência. Chico Anysio deu-lhe vida ainda nos anos 70.

“Quem anda na linha é trem”, fala a sabedoria de botequim. “O mundo é dos espertos”, proclama outra leva de brasileiros, com pinta de ‘171’ (artigo do Código Penal Brasileiro que trata do estelionato).

Essas e outras frases de efeito viraram lugares-comuns do ardil de um povo. Seriam parte de nossa identidade miscigenada, tropical, inventiva. Poderiam ser sintetizadas na famosa “Lei do Gérson”, que a propaganda brasileira ofereceu como contribuição imaterial à nação de arrivistas que tem caracterizado o Brasil.

Para chegar ao topo vale qualquer mutreta. “Gosto de levar vantagem em tudo, certo? Leve vantagem você também, leve Vila Rica,” defendia o ex-jogador de futebol Gérson, nessa propaganda (1976), com um ar asséptico, citando a marca de cigarros. A partir daí, toda bandalheira com o dinheiro público, principalmente, passou a ter o selo de ‘qualidade’ da Lei do Gérson.

Na CPI do “Carlinhos Cachoeira”, há poucos dias, o empresário Walter Santiago soltou um risinho sarcástico e friccionou um dedo indicador contra polegar, para dizer que eram umas “coisicas de nada” R$ 1,4 milhão usados por ele para comprar uma casa do governador goiano Marconi Perillo (PSDB). Só não lembrava a origem da grana. Tinha a bufunfa em casa. “Coisicas de nada”, repito.

Normal, tudo normal. Faz parte de nossa cultura, de nosso cotidiano multissecular, desde os remotos tempos do Brasil Colônia. Chegou com as caravelas portuguesas, podem diagnosticar alguns estudiosos, imputando aos lusos esse peso. Escapismo.

O relativismo moral de boa parte dos brasileiros tem incontáveis explicações. Elas saem da antropologia, da psicologia social ou da sabedoria das ruas. Mesmo assim, lançam mais dúvidas do que certezas, isso sim. Ser inteligente, então, não pode ser confundido com “ser sabido”.

O alpinismo social, financeiro e político imprime a obrigação – para muitos – de ser trapaceiro. “Feio é perder”, garantem os seus mais legítimos representantes. Não ter palavra, para se dar bem, “é assim mesmo”, repetem tantos porta-vozes da iniquidade.

Para quem tem obrigação de educar provoca embaraço. Por vezes a gente se depara com dúvidas, que produzem uma bifurcação abstrata no campo dos valores humanos. Cá um exemplo: à mesa de uma conversa amistosa, com dois amigos, um deles – com pouco mais de 40 anos, solteiro, sem filhos, admite a preocupação prévia com a paternidade, com as crias que não têm:

– As coisas estão tão difíceis que não sei se vou ser pai um dia. Se for, eu devo educar meu filho para ser esperto ou ser um idiota, fazendo tudo certinho? É minha dúvida – resmungou ele.

Arqueei-me, com braços sobre a mesa, para me aproximar mais do meu interlocutor e falei sem muito alarde o que realmente pensava sobre tudo isso:

– Eduque seus filhos para serem felizes. Só isso!

A coerência da força na sucessão mossoroense

Palavra não é o forte da grande maioria dos políticos brasileiros, mas mudar de opinião e palavra de uma semana para a outra, é demais. O PT mossoroense é o mais novo exemplo disso.

Até sexta-feira (25), portanto à semana passada, Larissa Rosado (PSB) era “o atraso” e comandos partidários do PT prometiam ser “elementos de destruição” de sua candidatura. Hoje, negociam lugar como vice em sua chapa, como se fossem a “salvação”.

A ala do PT que radicalizou para que o professor Josivan Barbosa fosse candidato a prefeito, agora radicaliza para que ele seja vice. De Larissa, claro.

É a ‘coerência da força’, nunca da palavra.

Temos aí um exemplo clássico de ‘relativismo moral’. Seria feio no outro, no adversário, em nós, não. Trata-se de ‘tática política’.

Ah, tá!