O senador Styvenson Valentim (Pode-RN) defende no Senado uma discussão mais aprofundada sobre o projeto de lei que determina o ressarcimento dos gastos, pelo detento, durante a permanência no sistema prisional. De acordo com o parlamentar potiguar, é fundamental responsabilizar, inclusive por seus custos ao Estado, aqueles que praticam crimes.
Styvenson ressaltou que já presenciou vários danos ao bem público, feitos por presidiários, cujo ônus recai sobre a sociedade. O senador citou o caso da rebelião na penitenciária de Alcaçuz, no Rio Grande do Norte, que custou três milhões de reais aos cofres públicos.
“Os presos tiveram força para quebrar tudo, mas não vi nenhum consertando nada, foi a sociedade quem arcou com os custos. Se o preso tiver uma ocupação não vai ter tanto tempo para cavar buraco, para planejar fugas e nem crimes. Ao contrário vão se sentir mais ocupados e úteis para a sociedade”, argumentou.
O Projeto de Lei do Senado (PLS) 580/2015, de autoria do ex-senador Waldemir Moka (MDB-MS), estava para votação em plenário, mas foi enviado para análise da Comissão de Direitos Humanos, do qual Styvenson Valentim é titular.
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Juiz das Execuções Penais, o magistrado Henrique Baltazar foi ouvido pela Rádio Cabugi do Seridó (Jardim do Seridó). Na pauta, questionamentos sobre sistema prisional, rebelião no Presídio Estadual de Alcaçuz (Nísia Floresta), segurança pública etc.
Baltazar: preocupação (Foto: Novo Jornal)
Acompanhe uma síntese dessa sabatina:
O senhor considera que Alcaçuz foi construída em terreno impróprio?
Henrique Baltazar – O problema de alcaçuz não é o terreno, quem conhece construção, faz terreno em cima de mangue, o terreno em si. Não é o problema e, sim, o gerenciamento.
Na sua opinião e considerando a sua responsabilidade de juiz de Execuções Penais por que o governo não sabe quantos morreram e quantos fugiram na rebelião de Alcaçuz? Até onde vai a sua responsabilidade neste quadro?
HB – Não foi feito um levantamento adequado para esse tipo de ambiente. Foi entregue uns corpos às famílias. Tem ainda dez cabeças sem saber onde estão os corpos. Que matemática é essa? Eu não entendo, eu creio que já esta na hora de divulgar corretamente os números de mortos. Eles falam é que não dá para identificar os corpos de quem são, como morreu, pelo estado que se encontra o corpo.
O senhor acredita que o problema de insegurança nos presídios do Rio Grande do Norte está superado ou poderão vir outras rebeliões?
HB – Não está superado, nem um pouco. O Governo enfrentou esse momento de crise, que essa crise momentânea foi resolvida, mas não acabou. Uma rebelião pode estar prevista para acontecer em quase todas as unidades prisionais do nosso Estado a qualquer momento. Pra mim, a situação continua critica, nós temos algumas cadeias que são extremamente preocupantes. Se o Governo não entender e intervier, colocar como prioridade a situação delas, vai explodir a qualquer momento uma nova crise.
Quais as suas sugestões para que a população não continue presa em suas casas e os bandidos soltos nas ruas?
HB -A primeira é que o Estado prenda, os presos, e em condições adequadas de segurança, para que eles fiquem presos. Essa é a primeira sugestão, depois disso todo o sistema pode trabalhar melhor com presídios suficientes, para prender e manter eles presos, desde que o Estado possa controlar e com pessoal treinado, equipamento suficiente. Você veja o Espirito Santo, onde os policiais se recusaram a trabalhar, ficou uma situação terrível de se trabalhar, mas mesmo assim não houve problema nas unidades prisionais, ninguém escutou nada porque tem um bom sistema prisional. O sistema prisional é o primeiro suporte para que a segurança possa funcionar.
Existem, em sua opinião, divergências entre o secretário da Justiça (SEJUC), o secretário de Segurança (SESED) e o Comando Geral da Polícia Militar na execução de suas tarefas?
HB – Olhe, isso é normal acontecer. Os pensamentos diferentes das autoridades, para resolver alguns problemas, não são anormais. O que precisa ter alguém que tome uma atitude mais correta e que essa prevaleça.
8 – O senhor, se convidado, aceitaria o desafio de comandar o sistema de segurança e prisional do estado, considerando a sua larga experiência na área?
HB – Um juiz de Direito não pode ocupar cargo no poder Executivo. Em alguns momentos e alguns Governos, eu já recebi convite para ocupar essas funções. Mas sempre continuarei disponível para ajudar pra sugerir, pra mostrar os problemas, e buscar soluções. Espero que o Estado escute o que estamos falando, para que depois não venham ocorrer problemas.
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O ex-governador Geraldo Melo (PMDB) pronuncia-se em seu endereço, no Facebook (rede social na Internet), em relação à crise no sistema prisional do Rio Grande do Norte.
Manifestou hoje, especial preocupação com a notícia na imprensa local e nacional, de que o governador fez acordo com a facção criminosa Primeiro Comando da Capital (PCC), para tentar pacificar o Presídio de Alcaçuz – em Nísia Floresta (veja AQUI).
Postagem de Geraldo Melo aconteceu após farta divulgação na imprensa local e nacional do 'acordo' com PCC (Foto: reprodução)
Para Geraldo Melo, Robinson Faria precisa agir ou reagir com rigor a essa situação, pois sinaliza claramente que perdeu comando da situação e divide decisões com a marginália.
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Além dos 56 presidiários trucidados por “colegas” em penitenciária de Manaus-AM no dia 1º (veja AQUI), agora mais 30 em Roraima (veja AQUI) à madrugada de hoje.
O Estado brasileiro perdeu o controle sobre a vida aqui fora e lá dentro quem manda é a barbárie que já chegou para nós até bem antes.
Temos pena de morte diariamente nas ruas, nos tiraram o livre arbítrio para ir e vir, suprimiram nosso direito à propriedade etc.
Ah, mas tem quem vibre, raciocinando que com esse extermínio estaremos livres do mal.
Santa inocência!
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O Governo do RN se reuniu na manhã desta terça-feira (30), na Procuradoria Geral de Justiça com representantes do Ministério Público, Tribunal de Justiça e outras instituições para debater propostas para o sistema prisional potiguar. Um dos temas foi o empréstimo de R$ 20 milhões do judiciário estadual para o Fundo Penitenciário (Fumpern).
O valor está sendo destinado para a construção de um novo presídio com 600 vagas no município de Afonso Bezerra. A proposta sugerida pelo MPRN ao Governo do Estado foi utilizar esse recurso para a construção de unidades prisionais de menor porte em diversas cidades.
“O governo entende que é necessária a união de forças para melhorar o sistema penitenciário. Recebemos a sugestão do Ministério Público sobre a regionalização das unidades prisionais e entendemos que o método é eficiente para o controle dos apenados. Porém, esses recursos do Tribunal de Justiça tem a previsão legal e destinação para a nova penitenciária. O poder executivo vai tentar viabilizar outros recursos para atender a proposta”, explicou a secretária-chefe do Gabinete Civil, Tatiana Mendes Cunha.
Fundo Penitenciário
Outro ponto debatido entre as instituições foi a aplicação do Fundo Penitenciário. “É importante saber onde as multas estão sendo depositadas e acelerar a execução dos pagamentos das multas aplicadas aos condenados”, completou a secretária-chefe.
De acordo com Tatiana Mendes Cunha, o governo ainda se comprometeu em agilizar a tramitação do projeto de lei que prevê a liberação de recursos existentes em outros Fundos em favor da recuperação do sistema prisional.
Participaram da reunião os secretários estaduais da Justiça e Cidadania, Wallber Virgolino; da Administração, Cristiano Feitosa; o adjunto da Segurança, Caio Bezerra; o Comandante Geral da Polícia Militar, Dancleiton Leite; o Delegado Geral da Polícia Civil, José Clayton de Souza; além do Procurador Geral de Justiça adjunto, Jovino Pereira Sobrinho; o Juiz de Execuções Penais, Henrique Baltazar; a coordenadora da Pastoral Carcerária, Guiomar Veras e promotores do Ministério Publico.
Em campanha, o então candidato Robinson Faria (PSD) em 2014, prometeu: “Serei o governador da Segurança.”
Os números da violência à época assustavam. Era, certamente, o que mais inquietava o norte-rio-grandense na gestão Rosalba Ciarlini (DEM).
Posso ser leviano, se afirmar que Robinson tinha certeza de não poder cumprir a promessa. Mas não vou lançar essa assertiva. Prefiro acreditar, firmemente, que foi arroubo de campanha. Ele não me parece alguém de má-fé.
Robinson na posse em primeiro de janeiro de 2015 (Foto: de Gabriela Freire/g1)
Ao mesmo tempo, interpreto que o então candidato não tinha noção alguma da dimensão do problema, além de lhe faltar experiência como Executivo.
Robinson desembarcou no Governo do RN com a imagem fixa num modelo de segurança adotado pelo Ceará. Seria o “Ronda Quarteirão” de lá, transformado em “Ronda Cidadã”. No discurso de posse em 1º de janeiro de 2015, reiterou essa ideia.
É um fracasso na capital e não deve se expandir pelo interior do Rio Grande do Norte, que está entregue à própria sorte. Seu Governo é campeão em número de homicídios e de fugas de presídios.
O Ceará também deixou há muito de servir como parâmetro de êxito em Segurança Pública, com números alarmantes de homicídio e crimes não letais, desmanche do sistema prisional e vitória continuada do crime sobre a lei.
Colômbia
Angustiado, sitiado por fracassos na política de enfrentamento à violência, Robinson pousou na Colômbia e de lá retornou com nova propaganda ufanista: o modelo colombiano seria a solução para debelar o poder do crime organizado e desorganizado no RN.
Outra furada. Nem se fala mais no assunto.
Na Colômbia, o que deu certo é resultado principalmente de investimento bilionário dos EUA, para dotar o Estado colombiano de meios para enfrentar narcotraficantes e guerrilheiros que adotaram a coca como principal base de financiamento de sua atuação nas selvas. Existe uma combinação de investimento social com inteligência e repressão.
No nosso estado, continuamos reféns da bandidagem e ofendidos por uma propaganda institucional que é ainda mais criminosa: quer nos convencer de que tudo está bem.
O Governo Robinson importa secretários de outros estados, ajusta discursos e não consegue minimizar a dor do povo potiguar.
A violência é uma metástase no território brasileiro e não é diferente em solo norte-riograndense.
E tudo pode ficar ainda pior.
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Representantes das secretarias de Estado da Saúde Pública (Sesap), Justiça e Cidadania (Sejuc), Segurança Pública e da Defesa Social (Sesed), Ministério Público e Tribunal de Justiça estiveram reunidos na manhã deste sábado (20), na sala do Gabinete de Gestão Integrada Estadual (GGI-E), no Centro Administrativo, em Natal, para discutir procedimentos relacionados a presos custodiados em Unidades Hospitalares.
Reunião aconteceu neste sábado (Foto: Assecom)
A pauta principal da reunião foi traçar metas para melhorar as políticas públicas de saúde prisional nas próprias unidades carcerárias, de forma a garantir um melhor atendimento ao preso, sem a necessidade de deslocamentos e, consequentemente, sem riscos de fugas.
Dentre as medidas a serem tomadas, já a partir do mês de março, ficou definido que a Sejuc irá criar um grupo, formado por agentes penitenciários com formação na área de saúde, para atuarem em plantões de 24h, no interior do Pronto-Socorro Clóvis Sarinho, visando o acolhimento e a custódia segura dos apenados que necessitarem de atendimento médico no maior hospitalar de urgência do Estado.
Equipamentos
Enquanto isso, Sesap e Sejuc unirão forças buscando viabilizar investimentos para reestruturação, aquisição de equipamentos e contratação de profissionais para a ala médica que funciona no interior da Penitenciária Estadual de Alcaçuz.
Quanto a Sesap, o órgão viabilizará atrai, junto ao Ministério da Saúde, recursos disponíveis da política nacional de atenção integral a pessoas privadas de liberdade no âmbito do SUS. Desde 2014, o Serviço de Saúde no Sistema Prisional passou a ser ponto de atenção da Rede de Atenção à Saúde (RAS), qualificando a atenção básica no âmbito prisional, como a principal porta de entrada do sistema e ordenadora das ações e serviços de saúde pela Rede.
A transferência de recursos financeiros do MJ aos Estados está condicionada à habilitação de Equipes de Saúde no Sistema Prisional (ESP) previamente cadastradas no Sistema de Cadastro Nacional de Estabelecimentos de Saúde (SCNES). Atualmente, o Governo Federal conta com duas linhas de financiamento nesta área, tanto para investimentos em pessoal, quanto em equipamentos.
Juiz das Execuções Penais do Natal, crítico ferrenho do modelo prisional brasileiro, especialista em Direito Processual Civil e Penal, além de MBA em Gestão Judiciária, Henrique Baltazar é nosso entrevistado na Série “Conversando com…“. Ele foi ouvido pelo repórter Magno César e apoio de Paulo Mello, da equipe da Rádio Cabugi do Seridó.
Henrique Baltazar diz que Robinson Faria tem tempo para fazer correções no sistema (Foto: Rodrigo Sena)
O judicante aborda sobretudo o problema da estrutura e gestão prisional no Rio Grande do Norte. Sem rodeios, ele afirma que “o governo é o maior problema” e não os marginais que ficam encarcerados em presídios e delegacias. Veja abaixo a íntegra dessa entrevisga:
1 – O senhor tem muitos problemas no exercício de juiz de execuções penais?
Os problemas são naturais em qualquer trabalho. Não é diferente das outras pessoas com características próprias de execução penal que é lidar com pessoas que são condenadas criminalmente.
2 – Quais as metas que o senhor não conseguiu alcançar nas execuções penais e por quê?
A maior foi realmente ter uma execução penal que funcione como a lei prevê. Isso foi o maior desgosto de quase todos os juízes de execução penal de quase todo o Brasil. A causa é a inoperância do Estado, do poder executivo. No tocante ao judiciário, eu creio que consegui dar uma gestão diferente na Vara de Processos Penais de forma que nós colocamos a vara para funcionar de uma forma com erros naturais, mas com um número de erros muito pequenos. O problema é que não temos espaço, não temos estrutura. O estado não dá condições. O estado não tem desde prédios suficientes a agentes penitenciários passando por equipe técnicas que pudessem dar condições, como a lei diz: condições de reintegração social do apenado.
3 – Por que na sua opinião, o juiz Henrique Baltazar é considerado polêmico?
A polêmica é porque não fico escondendo as coisas. Eu prefiro dizer o que penso do que ficar em conversas só de bastidores.
4 – Sendo uma área que o senhor entende e conhece bem, quais os principais problemas e dificuldades que o senhor se depara no sistema prisional do estado?
O governo é o maior problema, não só o governo estadual como também o Governo Federal. O governo não consegue entender a necessidade do trabalho que precisa ser feito para execução penal. Os governos se amparam por esses discursos de ressocialização e não oferece condições, então o maior problema que nós enfrentamos é convencer os governos da grande responsabilidade na área da execução penal.
5 – O senhor é favorável a parceria com a iniciativa privada em relação aos maiores presídios do estado como pretende o Governo do Estado?
Sou. Eu conheço essas parcerias públicas privadas, visitei um presídio desse tipo lá no Paraná, no Espírito Santo e conversei com autoridades dessa área sobre o funcionamento.
6 – Os escalões superiores da justiça no Rio Grande do Norte apoiam as ações do juiz Henrique Baltazar?
Todas as ações que a gente toma como juiz às vezes o Tribunal concorda, às vezes discorda, mas nunca tive um problema mais sério. O Tribunal sabe que estou fazendo o que é possível fazer e lutando para que a coisa funcione. Eu realmente não posso dizer que exista resistência do Tribunal à forma como eu exerço meu trabalho.
7 – Na sua opinião, o que falta por parte do governo do estado, mais especificamente dos órgãos de segurança em relação à segurança pública e dos presídios?
O Governo do Estado precisa entender que o sistema penitenciário apesar de não ser um órgão oficialmente da segurança pública mas é um órgão de extrema importância para a segurança pública. E daí não adianta o governo exercer um trabalho destinado sem recursos para o policiamento ostensivo, para o policiamento repressivo, se ele não tem uma estrutura no sistema prisional que possa segurar os presos.
Não adianta você colocar a polícia na rua, prender centenas de pessoas e depois não saber onde colocar essas pessoas, e não adianta colocar um monte de gente nas prisões se não fizer um trabalho que possa dar condições para que essas pessoas possam voltar à vida social dignamente e se afastarem definitivamente da vida criminal, e até impedir que elas caso queiram retornem a essa vida criminal. Então, esse entendimento é que precisa ser visto.
8 – Por onde o senhor tem exercido a função de juiz é visível seu empenho em aplicar a lei de forma justa e clara. Isso tem lhe trazido alguns dissabores? Quais?
Incompreensão sempre tem. Em todas as comarcas que trabalhei, a maior parte da população tem mostrado apoio ao meu trabalho como juiz. Sempre joguei limpo, sempre joguei claro, tanto que nunca me recusei a receber imprensa, sempre discuti claramente com a imprensa, sempre foi claro meu relacionamento. Sempre coloco como exemplo o que aconteceu quando cheguei em Caicó, na época o saudoso F. Gomes (repórter assassinado), eu fui ao programa dele na rádio por que havia sido lido uma reportagem que me denegria. Chegando lá ele estava visivelmente nervoso e antes de começar ele perguntou o que é que posso perguntar? O que você quiser.
Sou um servidor público, não faço nada escondido. Pode perguntar o que você quiser sobre o meu trabalho. E aí ele perguntou o que quis e nos tornamos amigos e nunca me recusei a responder coisa alguma. Sempre joguei claro com a sociedade sobre meu trabalho. Quanto ao trabalho de juiz, o mais interessante é que qualquer decisão que eu tome pode ser contestada e a pessoa ter os seus canais na busca e recorrer ao Tribunal de Justiça para tentar modificar a decisão que eu tenha tomado. Então isso me deixa muito tranquilo para exercer o meu trabalho.
9 – O senhor há poucos dias disse à imprensa que é favorável ao cidadão manter armas em casa para defender sua família. Na sua opinião bandido bom é bandido morto, desde que em defesa da família e seu patrimônio?
É o bandido preso cumprindo a pena que ele devia cumprir. A legítima defesa, porém ela está prevista na Constituição. Eu entendo que o cidadão deve ter a casa inviolada do indivíduo, a Constituição já diz isso. O cidadão tem que ter o direito de defender sua casa e sua família. Eu defendo que o estatuto do desarmamento seja flexibilizado, seja diminuída tanta resistência para que a pessoa possa ter uma arma em casa para defender sua casa, ou seu negócio, seu trabalho do ataque de criminosos.
Quanto ao porte de arma que as pessoas às vezes confundem com a possibilidade de ter uma arma em casa com o posse de arma, não quando você defende que o cidadão possa ter uma arma está querendo que seja um filme de faroeste que as pessoas andem com um revólver na cintura. Eu nunca afirmei isso, eu acho até que mais algumas categorias do que hoje devem ter a possibilidade de ter um porte de arma. Então eu defendo regras claras para que se diga o que é necessidade e o que não é necessidade e seja mais flexibilizado esse tipo de regra, e que todo cidadão possa sim, se não tem procedimento criminal, se nunca respondeu uma ação penal, se nunca cometeu nenhum crime antes ou nunca foi levado à justiça por prática de crime, ele possa sim ter sua arma em casa para defender a sua pessoa, seus familiares, seu patrimônio do ataque de indivíduos.
10 – O Superior Tribunal de Justiça (STJ) decidiu recentemente que policias e delegados após aposentadorias ficam proibidos de portar armas. O senhor não considera que um policial após passar anos e anos perseguindo e prendendo bandidos e viciados ficam totalmente desprotegidos sem portar uma arma após aposentadoria?
Essa decisão foi do Superior Tribunal de Justiça, em Brasília. Eu acho uma decisão equivocada. O nosso porte, o meu, dos policiais é chamado “porte funcional”. A gente não precisa de todas aquelas exigências da Polícia Federal para poder ter o porte de arma. O que a decisão do STJ fez, foi dizer que no momento que o cidadão se aposentou deixou de ter a prerrogativa do cargo e aí para isso ele pode ter o porte de arma, mais submetido a toda via crucis que os demais cidadãos têm para ter um porte de arma junto a Polícia Federal. É um equívoco nessa decisão, eu penso completamente diferente.
O cidadão policial, juiz, promotor, agente penitenciário, que passou a vida toda enfrentando criminosos, julgando criminosos, acusando criminosos, esse cidadão teria que ter mais respeito do estado brasileiro. O STJ só fez uma interpretação da lei. É um absurdo que a lei brasileira faça isso, retire do cidadão o direito de se defender. É inadmissível o governo brasileiro tem feito nos últimos quinze anos, que é tentar retirar do cidadão o direito de se defender, dificultar a ação das autoridades policiais e colocando mais facilidade para a ação do criminoso e ninguém nota que esse tipo de coisa é um dos fatores que tem aumentado a criminalidade no Brasil.
11 – Qual a avaliação que senhor faz do Governo Robinson Faria em relação ao combate a criminalidade e as fugas de presídios?
Mais discurso do que ação. Ele tem razão quando afirma que pegou uma herança ruim. O Estado estava numa situação ruim nessa área, mas ele era o vice-governador no governo anterior, então ele conhecia a situação do Estado quando assumiu e tinha que ter-se preparado para isso, até porque um dos fortes discursos que o governador usou na sua campanha foi o da segurança. Infelizmente, apesar desse discurso ele não soube principalmente ouvir as pessoas certas. Mas ele só tem um ano de governo e tem muito tempo para corrigir isso aí.
O Diário Oficial do Estado do Rio Grande do Norte trouxe na edição desta quinta-feira (22) a exoneração do secretário de Estado da Justiça e da Cidadania (Sejuc), Edilson França, e traz também a nomeação do novo titular da pasta, o Procurador Cristiano Feitosa Mendes.
Cristiano: o inferno pela frente (Foto: PGE)
O novo secretário já exerceu os cargos de Procurador Federal, Delegado de Polícia Federal, e há dez anos integra o quadro da Procuradoria Geral do Estado do RN.
Em Brasília
O Procurador já chefiou o Núcleo Especial junto aos Tribunais Superiores em Brasília, ocupou o cargo de Procurador-Geral Adjunto e exerceu o cargo de Procurador Geral do Estado nos últimos seis meses de 2014.
Atualmente, Cristiano Feitosa estava exercendo o cargo de Procurador do Núcleo de Saúde da PGE/RN.
Com informações da Assecom do Estado.
Nota do Blog – Há várias semanas que França tinha pedido para sair, alegando problemas com sua saúde, especificamente a visão.
O novo secretário vai ser apresentado ao que há de pior no Estado.
Sistema prisional está sob decretação de estado de calamidade há vários meses, enfrentando rebeliões, depredações, fugas e homicídios de presidiários.
É o terceiro titular da pasta em menos de onze meses. O primeiro foi Zaídem Heronildes Filho, depois Edilson França.
“O Estado não controla mais a parte interna dos presídios”, afirmou hoje ao Bom dia RN, da InterTV Cabugi, o juiz Henrique Baltazar, das Execuções Penais.
Destacou, que “o estado não admitia a existência das facções criminosas,” mas agora reconhece o problema e separa os presos conforme a facção, perdendo o controle dos presídios.
Quem decide
Para o magistrado, agora são os presos que praticamente decidem quem deve ser preso ou não em cada presídio.
Este ano, já houve registro de 20 mortes de presos em presídios do Rio Grande do Norte e incontáveis fugas e tentativas frustradas.
O Ministério Público Federal (MPF) e o Estadual (MP/RN) ingressaram com uma ação civil pública (ACP) contra a União, exigindo do Governo Federal os repasses previstos na Política Nacional de Atenção Integral à Saúde das Pessoas Privadas de Liberdade (Pnaisp), que deveriam chegar ao Rio Grande do Norte desde 2014.
Três municípios já cumpriram as etapas necessárias ao recebimento das verbas (Mossoró, Parnamirim e Nísia Floresta) e deixaram de receber R$ 639 mil nesse período.
Calamidade
A ACP, com pedido liminar, é assinada pela procuradora Regional dos Direitos do Cidadão, Caroline Maciel, e pelos promotores de Justiça Antônio de Siqueira Cabral (da 39ª Promotoria de Justiça de Natal) e Iara Pinheiro de Albuquerque (coordenadora do Centro de Apoio Operacional às Promotorias da Saúde – Caop Saúde).
A ação destaca que o Sistema Prisional no Rio Grande do Norte se encontra em situação de calamidade, oficialmente decretada desde 17 de março e prorrogada no último dia 15 de setembro, após a ocorrência de diversos motins e rebeliões.
O grandalhão Fernando Freire, ex-governador do Rio Grande do Norte, que segue preso num dos batalhões da Polícia Militar em Natal, virou um enorme problema para Estado e Justiça.
Continua preso no Batalhão – por decisão judicial, porque há temor de que possa ser vítima de algum atentado à sua vida em presídio comum.
No sistema prisional estadual, só este ano já foram mortos 18 presos.
Freire não é um homem comum, não apenas pelo tamanhão de quase 2 metros de altura.
Onde colocar Fernando Freire? Eis a questão.
Quem se responsabiliza por sua integridade física?
O juiz de direito com atuação na Vara de Execuções Penais, Henrique Baltazar, fez relato hoje pela manhã de nova inspeção em unidades prisionais do Natal. O cenário descrito contrasta com discursos do governismo estadual, segundo ele.
Baltazar: palavras duras (Foto: Jurinews)
“Terminando inspeção mensal em presídios de Natal: situação piora a cada mês em razão da omissão do Governo do RN”, afirmou.
Segundo relato de Baltazar, utilizando endereço próprio em rede social da Internet, “192 presos no Centro de Detenção Provisória (CDP) da Zona Norte, onde cabem 90; 142 no Potengi, mas cabem 80; 404 no Raimundo Nonato, com capacidade para 215.”
Cenário de horror
Ele acrescentou descrição do cenário de horror: “Fossas estouradas, sujeira, superlotação, insuficiência de servidores, ausência de equipe técnica… Nada melhora, apesar dos discursos”.
E teve mais:
– Pior são os serviços de recuperação e melhoria física, em geral incompletos. Começaram várias e quase nada terminado”.
Mesmo em meio a tanta dificuldades e retrocesso, o judicante não tira méritos de quem – em sua ótica – os têm.
“Impõe-se reconhecer os esforços do dr Edilson França, secretário da Sejuc (Secretaria de Justiça e Cidadania do Estado), em buscar soluções. Mas ele precisa do apoio do governador (Robinson Faria-PSD)”, alertou.
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A ex-governadora Rosalba Ciarlini enviou à imprensa do Rio Grande do Norte uma mensagem através de email, se posicionando em relação à ação do Ministério Público Federal (MPF) e Ministério Público do RN (MPRN) (veja AQUI) que a culpa por devolução de recursos federais, que seriam utilizados na construção e recuperação de presídios no estado.
Ela não nega que tenha devolvido ao Departamento Penitenciário Nacional (Depen) R$ 14,3 milhões em recursos federais, que deveriam ser utilizados na construção de novas unidades prisionais e em obras de reforma e ampliação, além de não ter executado outros dois projetos, de R$ 24,4 milhões. Promete “esclarecimento” no “momento oportuno”.
Veja abaixo a nota, de endereço de e-mail sob a identificação “Assessoria Rosalba”:
Os recursos referentes aos convênios celebrados antes do início da gestão da ex governadora Rosalba Ciarlini com o ministério da justiça foram devolvidos contra a vontade da ex governadora. Estes convênios possuíam entraves de vários tipos, como os burocráticos, que impediram com que se concretizassem.
Ao não haver condição de superar estes obstáculos , o governo do estado se empenhou e conseguiu no ano de 2013 celebrar 2 novos convênios da ordem de 24 milhões de reais (valor superior aos 14 milhões dos convênios anteriores) com a mesma finalidade de aumentar o número de vagas do sistema carcerário do Rio Grande do Norte. Estes novos convênios e recursos assegurados estão em plena vigência.
O esclarecimento destes obstáculos que impediram a efetivação dos convênios celebrados ano de 2009 serão devidamente apresentados aos órgãos competentes no momento oportuno.
Por iniciativa do deputado estadual Gustavo Fernandes (PMDB), a Assembleia Legislativa promoverá, na próxima segunda-feira (27), às 14h30, no auditório Robinson Faria, audiência pública para debater a crise no sistema prisional do Rio Grande do Norte.
“O nosso objetivo é, por meio do diálogo, buscar soluções para que o governo possa tomar providências no sentido de superar o momento delicado pelo qual passa o estado”, explicou Gustavo Fernandes.
O peemedebista também ressaltou que o principal enfoque do debate será a possível construção de um presídio em Ceará-Mirim e do CEDUC metropolitano na mesma cidade.
“Os munícipes da região são contrários ao desejo do Governo em construir as unidades em Ceará-Mirim. Iremos discutir o assunto em busca de soluções para este impasse”, disse Gustavo.
Com informações da Assessoria de Imprensa de Gustavo Fernandes.
Miki e Kalina em coletiva: quadro difícil (Foto: Rayane Mainara)
A secretária Nacional de Segurança Pública do Ministério da Justiça (Senasp/MJ), Regina Miki, que está em Natal, falou durante coletiva de imprensa na manhã de hoje, 18, que o Ministério da Justiça fará o que for necessário para apoiar o Governo do Estado nas operações que vão debelar os motins e algumas rebeliões nas unidades prisionais que vêm ocorrendo desde semana passada; e que não há prazo para saída dos homens da Força Nacional.
“Estamos aqui para dar todo o apoio necessário. Além das tropas, estamos disponíveis também para apoiar na inteligência e, posteriormente, fazermos uma análise da situação. No momento estamos numa contenção de crise e dando todo apoio à polícia local”, disse ela. Indagada sobre a possibilidade de haver uma intervenção da Força Nacional dentro dos presídios, Miki informou que cabe à Força Nacional apoiar a polícia local, caso seja decidido alguma medida dessa natureza.
Muitas perguntas disseram respeito ao sistema prisional e construção de novas unidades. Miki lembrou que sua Secretaria responde à Segurança Pública e não ao Sistema Prisional. “Não sou técnica do Sistema Prisional, não temos o poder de aportar recursos”, disse.
Recursos emergenciais
A resposta foi dada pela titular da Sesed, Kalina Leite, afirmando que já existem alguns recursos emergenciais para construção ou reconstrução das unidades.
“Essa situação eclodiu diante da fragilidade do sistema (prisional) que não é de hoje. A polícia tem prendido cada vez mais e acredito que a superlotação nos presídios seja a causa desse problema. Já temos autorização da Secretaria de Infraestrutura para construção de outras unidades prisionais”, disse.
Durante toda a manhã de hoje o GGI, formado por membros da Sesed, Sejuc, Poder Judiciário, Ministério Público, OAB, Polícias Federal, Militar e Civil, Conselho de Direitos Humanos, dentre outros está reunido no Ciosp para a deliberação de medidas de contenção dos motins.
O Governo Robinson Faria (PSD) agiu rápido. Foi incisivo para estancar os principais focos de violência em unidades prisionais e conteve maiores ações nas ruas, promovidas pelos criminosos.
Decretou estado de calamidade pública e pediu apoio da União com a Força Nacional.
Agiu rápido ainda em prestar esclarecimentos à população sobre tudo que estava ocorrendo.
Debelou de forma considerável a produção da “usina de boatos” sobre esse pandemônio que se formou a partir das prisões.
O.K.
Tudo bem.
Daqui para frente, o problema não será menor.
Com tanta depredação e agravamento das estruturas prisionais, como conter essa multidão de delinquentes no que sobrou de prisões?
O que fazer para atendimento a direitos legais e humanos dos presos?
Como tranquilizar a população e fazer com que a Segurança Pública seja sentida?
Como dar prioridade a essa multidão de “sobras” da sociedade, se lá fora o chamado “homem de bem” não tem direito à segurança e saúde, por exemplo?
A programação (veja AQUI) que o governador Robinson Faria (PSD) cumpriria nessa terça-feira (17) está cancelada.
E parte da que estava prevista para ontem, também teve que ser transferida para outra data.
Coube ao prefeito mossoroense Francisco José Júnior (PSD), por exemplo, ligar para o presidente do Sindicato do Comércio Varejista de Mossoró (SINDIVAREJO), Michelson Frota, comunicando-lhe da mudança no que estava acertado.
Robinson teria encontro com setor empresarial para discutir questão da segurança pública, prioritariamente.
Ele tinha se comprometido com o segmento em conversa com o deputado Manoel Cunha Neto (PHS), “Souza”, à semana passada, em Natal.
Como eclodiu crise no sistema prisional em Natal e cercanias, que chegou às ruas, causando terror, o governador precisou cancelar compromissos em Mossoró.