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Após vários dias intubado “Paulo Doido” morre no Tarcísio Maia

Júnior Fernandes fez de Paulo 'Garoto Propaganda' de sua empresa em Mossoró, tendo-o como um amigo (Foto: Redes sociais)
Júnior Fernandes fez de Paulo um ‘Garoto Propaganda’ de sua empresa, em Mossoró, além de ser seu amigo (Foto: Redes sociais)

Internado desde o último dia 28 (veja AQUI) no Hospital Regional Tarcísio Maia (HRTM), após sofrer um acidente na Avenida Presidente Dutra, bairro São Manoel, o mossoroense Paulino Duarte Morais, conhecido popularmente como “Paulo Doido,” faleceu nessa sexta-feira (7).

Ele passou por cirurgia encefálica, e desde então estava intubado na UTI do HRTM.

Paulo fez 58 anos na última quarta-feira (5).

Paulino Duarte Morais era tio do vereador Didi de Arnor (PP). Muito próximo dele há anos esteve o empresário Júnior Fernandes, que o transformou em ‘Garoto Propaganda’ de sua marca, além de tê-lo como amigo.

Seus familiares ainda não informaram oficialmente detalhes sobre velório e sepultamento.

Nota do BCS – Que Paulo descanse em paz. Suas histórias ficam. Uma delas, a gente conta abaixo:

“Aribaldi,” me dê um real

Com agenda em Mossoró, o governador Garibaldi Filho é acompanhado por assessores, correligionários e populares e acaba sendo fustigado insistentemente por “Paulo Doido,” um tipo popular muito querido na cidade.

Fanho, sem completar as palavras, seja nome próprio ou não, ele ‘cobra’ o governador:

Aribaldi, me dê um real.

Por trás das grossas lentes de seus óculos, Garibaldi Filho olha atravessado por cima do próprio ombro e tateia com a ponta dos dedos as bordas dos bolsos frontais da própria calça. Sinaliza que não tem como atendê-lo. Assessores e aliados se entreolham e não conseguem sanar o assédio.

O governador angustia-se.

Paulo não desiste:

– Aribaldi, me dê um real.

Sem ser logo atendido, Paulo Doido apela com um palavrão quase ininteligível:

– Aribaldi, seu ‘arai’, me dê um real.

De imediato apareceu uma mão generosa e desenvolva, municiando-o com valores até mais generosos. Sua alegria fica estampada no rosto.

A política do bom humor com Chico da Prefeitura

Chico: agora no além (Foto: Raul Pereira/arquivo)

Falecido no último dia 14 (quarta-feira), o ex-vereador mossoroense Francisco Dantas da Rocha (Chico da Prefeitura), 68, foi retratado no livro “Só Rindo II – A política do bom humor do palanque aos bastidores“, que publicamos em 2011.

Abaixo, um de seus momentos jocosos e espontâneos, que tão bem o caracterizaram. É nossa singela homenagem a ele:

Doação do além

Em coro uníssono, os vereadores em plenário na Câmara de Mossoró defendem campanha para doação de órgãos humanos.

Corroborando com os colegas, o vereador Chico da Prefeitura manifesta integral apoio ao movimento, mas lamenta não poder fazer um gesto concreto.

– Sou diabético e sei que nenhum órgão meu serve para nada – admite.

Apesar da auto-análise catastrófica, Chico da Prefeitura reitera sua convicção na solidariedade, mesmo que do além:

– Não faço questão de após a minha morte assinar nada doando meus órgãos!

no livro “Só Rindo II – A política do bom humor do palanque aos bastidores“).

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Só Rindo (Folclore Político)

O apoio alheio

Alta madrugada, o telefone celular do candidato a vereador Flávio Tácito – de Mossoró – acorda-o de forma estridente. É o ano de 2008, pleito municipal.

Do outro lado da linha, uma liderança comunitária que o apóia, secretamente, pede socorro para sanar problema de saúde. Um parente precisa de atendimento de urgência e falta um transporte para o translado, além de outros cuidados ($$!!).

Ainda zonzo, balbuciando palavras ininteligíveis, “Flavinho” tem dificuldade de compreender melhor a fala do interlocutor. Alguns segundos depois, espichado na cama, consegue concatenar as ideias e arranja solução cômoda para si:

– Ligue para Arlindo (candidato concorrente Arlindo Fulgêncio). Ele pensa que você vai votar nele e num instante vai resolver seu problema… zzzzzz!!

E assim foi feito.

Aflito, vestindo bermuda e camisa às pressas, com remelas ornamentando os olhos, Fulgêncio manda-se em seu carro para socorrer o “aliado”.

Já Flavinho… segue em seu sono tranquilo, certo de que tudo será resolvido.

Bom para ele e para seu cabo eleitoral.

Só muito tempo depois é que Arlindo descobriu que perdera o sono e os votos.

Tesão pro “Velho Léo”

Caro amigo Carlos Santos:

Como leitor assíduo de seu Blog, observo que esporadicamente você escreve sobre fatos e  “causos” pertinente à nossa urbe.  Dou-me o atrevimento de contar uma que fui testemunha auditiva e ocular, num fortuito encontro entre doutor Leodécio Néo e Monsenhor Américo Vespúcio Simonetti.

Vamos ao episódio:

Tesão e felicidade

Como de costume, aos sábados, doutor Leodécio ia à agência do Banco do Brasil localizado a Praça Vigário Antônio Joaquim. Ao estacionar na Avenida  Dix-sept Rosado, desce próximo a casa do Monsenhor. Que por presteza do destino estava fechando o portão no momento que Leodécio passa à calçada. Amigos de priscas datas, saúdam-se, e pergunta cordial, Américo interpela:

– Como vai doutor Leodécio? Este com ar de melancolia responde:

– Vou bem não, Américo.

Instala-se um momento de certo embaraço. Américo com a complacência, característica de sua personalidade, replica:

– O que houve, doutor ?

Leodécio desmancha uma cantinela de mazelas de estar ficando velho, dores na coluna, pressão alta, articulações “enferrujadas”, vista diminuída… e repudia totalmente a senilidade.

Américo, com ar de teólogo e conselheiro espiritual, desmancha um cordel de virtudes da velhice:

– Doutor, a velhice traz a serenidade, o equilíbrio, o reconhecimento, a sabedoria….

Mas é abruptamente interrompido, pelo amigo e interlocutor, quando ainda desfiava o leque de ‘bonanças’ da idade avança. Com sua voz tonitruante, ele simplifica a felicidade a seu modo:

– Padre com todo respeito…. troco isso  tudo” por tesão !!!

Monsenhor rapidamente dá de ombros e encaminha-se pra Catedral de Santa Luzia murmurando:

– Tem jeito não !!!

E Leodécio, jocosamente, caminha para a agência do Banco do Brasil.

Arthur Henrique Pinheiro Néo (filho de Leodécio Néo)

Nota do Blog – Meu caro Arthur, você me traz – e repasso aos nossos milhares de webleitores – algo que mexe com minha memória e realimenta a amizade com seu pai, Leodécio, construída nos escaninhos da Gazeta do Oeste, época em que nos aproximamos em face da amizade entre ele e o diretor desse periódico, Canindé Queiroz.

Saudades do “Velho Léo”, como Canindé tratava-o carinhosamente.

Ah, um pedido: quero o direito a incluir esse caso em minha coleção “Só Rindo”, ouviu? Daqui a alguns anos espero publicá-la em livro.

Só Rindo (Folclore Político)

O agradecimento de ‘Chico de Lalá’

Chefe da Receita Federal em Mossoró por muitos anos, “Chico de Lalá” mantinha uma rotina estafante, todos os dias: cumpria o percurso entre Patu e o município onde trabalhava, ao lado do seu fiel e circunspecto motorista.

Apesar das melhores condições de vida e estrutura em Mossoró, era Patu o seu lugar e abrigo necessário. Sua paixão infinita, no mais puro sertão.

Viajante de um tempo em que as entradas eram carrocáveis, Chico de Lalá tinha incontáveis histórias de pneus furados e veículo submerso na lama.

Por essa vivência, é que na era do asfalto, ele criou um chavão para cada vez que tinha um pneu baixo. Lembrava – de forma agradecida – um ex-governador:

– Obrigado, Tarcísio Maia. Melhor buraco do que atolar!

 

 

Só Rindo (Folclore Político)

“É o meu bêbado!”

Campanha política sem bêbado, mesmo aquele chato, não tem graça e não se completa como tal. E, em Mossoró, o que não falta é integrante da AD (Alcoólatras Declarados).

Com a presença do presidenciável Ciro Gomes na cidade, em 1998, o ex-candidato a vereador – em 1996 – Fernando Lins, o “Fernando Rayovac”, resolve observar in loco sua passagem. Em meio às conversas, um jornalista próximo a ele faz uma observação:

– Fernando, em todas as movimentações que acompanhei, este ano, aquele bêbado (apontando com o indicador) estava presente.

À distância de uns 100 metros do pêndulo humano em que se transformara o bêbado, Fernando não conseguia idenficá-lo. Mas aproveitou o tema para resgatar um passado recente:

– Em minha campanha, tinha um bêbado que sempre aparecia. Animado, mas não perturbava ninguém”.

Com a aproximação dos manifestanes, em cerco a Ciro Gomes, o jornalista volta a a apontar: “Olha o bêbado aí.”

Fernando Lins não se contém. Abre um sorriso amistoso e percebe que fazia ali uma descoberta arqueológico-etílica:

– É o meu bêbado! É o meu bêbado!

Só Rindo (Folclore Político)

O caixão de Mário

Candidato novamente à Câmara Federal, em 1998, o herdeiro político do ex-prefeito mossoroense Dix-huit Rosado, industrial Mário Rosado, enfrenta uma campanha difícil. Pela primeira vez está sem a retaguarda do pai.

Como em toda corrida pelo voto, não faltam os pedintes profissionais, mestres da mendicância.

Mário, pão-duro empedernido, não cai na tentação de empalmar a mão.

– Doutor Mário, minha mãe morreu – suspira um circunstante diante do candidato, com olhos decaídos, boca em forma de bico, manifestando em trejeitos o seu sofrimento.

Na tentativa de despistar o inoportuno eleitor, Mário usa velho lugar-comum à ocasião: “Amigo, meus pêsames!”

O pedinte insiste. Não dá trégua ao candidato. Vai pro ataque decisivo, lhe pedindo dinheiro para pagar o caixão.

– Passe daqui a um mês. Vou ver o que posso fazer – reage Mário Rosado.

Aí o pedinde apela: “Então, doutor, arranje aí R$ 1,00 para comprar de sal!”

Estático, o candidato é obrigado a lhe indagar: “Sal pra quê?”

A resposta de humor negro vem a seguir:

– Vou salgar a velha pra ver se o corpo aguenta até lá!

 

Só Rindo (Folclore político)

O insubstituível Raimundo

Pároco da Catedral de Santa Luzia, Padre Mota (ex-prefeito de Mossoró) é assediado por um grupo de beatas e senhoras destacadas da sociedade mossoroense. Em síntese, elas esperam que padre Mota afaste o sacristão Raimundo dos trabalhos na catedral. Sua notória homossexualidade não agrada.

É algo visto como incompatível com a religião e os rituais da Santa Madre Igreja Católica, Apostólica, Romana.

Pressionado, mesmo sem concordar com o preconceito, Padre Mota aquiesce. “Tudo bem. Tá bom! Eu vou tirar ‘Raimundo Sacristão’, como as senhoras querem”.

Só que, passado algum tempo, substitutos não conseguem atender às obrigações elementares na Catedral de Santa Luzia, como conseguia o eficiente Raimundo Sacristão. Daí, Padre Mota se insurge contra sua própria decisão: resolve convocar novamente Raimundo Sacristão ao ofício.

Diante do readmitido, ele sentencia o retorno ao seu modo:

– Raimundo, dando o ‘c’ ou não dando o ‘c’, você é o sacristão.

 

 

Só Rindo (Folclore Político)

Lázaro por Evaristo

Os vereadores Lázaro Paiva e Evaristo Nogueira tentam a reeleição em 1988, à Câmara de Mossoró. Reeleição difícil, que se diga.

Reta final de campanha, nervos à flor da pele, Lázaro Paiva mal acorda e já é acossado. Sua mulher avisa-o: “Tem um eleitor querendo falar com você aí fora.”

Sem alternativa, Lázaro manda-o entrar  para ouvir a primeira saraivada de pedidos do dia.

– Seu “Evaristo”, eu tô precisando do seguinte e quero que o senhor me ajude – dispara o equivocado pedinte, confundindo Lázaro com o adversário e companheiro de Câmara Municipal.

Percebendo que o interlocutor trocara as bolas, sem saber sequer distingui-lo do amigo e concorrente, Lázaro não perde tempo para se livrar do incômodo:

– Olha, eu não faço nada e não tenho nada para lhe dar. Pode ir embora e, se quiser, pode falar mal de mim em qualquer canto.

Atordoado com a reação do vereador, o eleitor não deixa por menos. Solta os ‘cachorros’:

– Vou meter o pau em você por aí, “Evaristo”; pode esperar, pode esperar, seu… #?+%:]º.

Só Rindo (Folclore Político)

A razão de José Augusto

Político de expressão na primeira metade do século XX, no Rio Grande do Norte, José Augusto de Medeiros governa o Estado e recebe, no mesmo dia, dois aliados políticos que não se bicam.

Sem delongas, o primeiro a entrar em seu  gabinete começa logo a espinafrar o adversário que espera lá fora, para ser o próximo a ser recebido por José Augusto.

– Você está coberto de razão, você está coberto de razão – reforça o governante, a cada esculacho emitido pelo interlocutor contra o intrigado.

Fim da audiência, entra o outro aliado. Mas a ladainha é a mesma: ele sataniza quem saíra.

E, mais uma vez, José Augusto repete sua performance:

– Você está coberto de razão, você está coberto de razão!

Ao final das duas audiências, um assessor direto do governador, que testemunhou as duas situações em sequência, comenta com perplexidade: “O senhor disse, para cada um, que estava ‘coberto de razão’, mesmo com os dois falando um do outro?!”

Com a mão sobre o ombro do auxiliar, encarando-o com olhar cândido, José Augusto solta um leve sorriso e dispara:

– Você tem razão!

 

Só Rindo (Folclore Político)

“Merda!”

Seu Luiz Ferreira é aquele sertanejo típico. E, uma de suas marcas pessoais, é soltar a interjeição “merda” em suas conversas, que tanto serve para expressar alegria como reprovação a algo.

Dix-septiense da gema, trabalhador, sem meias-verdades, ele passa por fase de preocupações: sua mulher está doente.

Daí, resolve recorrer ao médico e político Adail Vale.

– E aí, doutor?

– Olha, não é nada demais. O tratamento é simples. Tenha cuidado principalmente com a alimentação e logo ela estará muito bem – procura aliviar.

– Mas doutor, ela pode tomar um refrigerantezinho?

– Pode, claro – assente Adail, calmamente, diante do interlocutor.

– E uma Coca-cola?

– Sem problema… pode!

– Fanta, ela também pode beber quando quiser? – insiste

– Sem dúvidas, que a Fanta não lhe causará mal – responde Adail, já inflando.

– Doutor Adail, Pepsi eu posso dar à bichinha?

Aí, o médico troveja, com as mãos agarradas à mesa: “Seu Luiz, Coca-cola, Pepsi, Fanta, Guaraná, Grapette, tudo é refrigerante!”

À saída do consultório, Luiz vira-se para a causa de suas aflições e solta seu bordão, retorcendo o pescoço e coçando a orelha com a ponta do dedo indicador:

– Merda! Que homem impaciente, né não?!

Só Rindo (Folclore Político)

Vai, Tomaz!

Apuração de votos a prefeito e vereador em Mossoró, a tensão marca o ambiente de apuração nas mesas escrutinadoras. É um tempo ainda de cédulas impressas, esse 1996.

Entre os candidatos à Câmara de Mossoró, o professor Tomaz Neto é o mais açodado à garantia de seus votos, marcando os escrutinadores em cima, no cangote.

Em dado momento, como inoportuno “papagaio-de-pirata”, Tomaz berra:

– É meu! Esse é meu! Esse voto é meu!

A mesa, repórteres, outros candidatos e representantes partidários ficam atordoados com a erupção de Tomaz Neto.

Ele aponta que um voto prestes a ser anulado, em que fora escrito uma expressão chula, puro palavrão, na verdade é uma manifestação enviesada de preferência por sua candidatura.

Na cédula, em caligrafia quase ininteligível, está escrito: “Vai tomar no c.!”

Instado a justificar por que aquela expressão se converteria em voto a seu favor, o vereador e candidato à reeleição faz a tradução:

– Ele quis dizer ‘vai, Tomaz! Vai, Tomaz…’ Tá me incentivando…

P.S – Apesar do esforço, Tomaz não ganhou o voto.

Só Rindo (Folclore Político)

Agora fale!!

Candidato a vereador em Messias Targino, José Aroldo admitia que tinha pavor a microfone. À simples menção de que havia um equipamento desses nas imediações, e ele poderia ser convocado a falar, o deixava nervoso.

Mas parece que hoje ele não escapa.

Comício de seu grupo político em andamento, o candidato é avisado: “Você é o próximo.”

Ansioso, suando frio, ele trata de beber umas e outras para atenuar o estresse. Em sua visão, é a única forma de garantir coragem e enfrentar o tal do microfone.

Depois de muitos discursos, o locutor estridentemente anuncia:

– Vai falar… Zé Aroldo! Fala, Aroldo!

Já “no ponto”, José Aroldo marcha solenemente na direção do microfone, agarra-o e enuncia sua aguardada oratória:

– Agora faaalee…!!!

 

Só Rindo (Folclore Político)

Fogos realmente artificiais

Candidato a prefeito de Caicó, Bibi Costa participa de outra reunião de campanha, que objetiva ajustes e avaliação do desempenho de toda a estrutura.

Conhecido por ser um “Tio Patinhas”, daqueles que dá adeus com a mão fechada, o candidato resmunga:

– A gente pode diminuir o gasto com fogos; é muito dinheiro jogado fora.

Algumas vozes levantam-se, contrariando-o, com a ponderação que o uso desse artifício dá uma dimensão maior às passeatas e comícios, atraindo a atenção do povo.

Bibi não se convence.

Mira o locutor e radialista Haroldo Jácome em seu entorno, para em seguida apresentar uma ideia surreal:

– Na hora que Haroldo for me apresentar, gritando ‘vai falar Bibiiii Costa‘, alguém pode pegar outro microfone e substituir o foguetório!

– Como?! indaga um dos coordenadores de campanha.

Bibi então troveja com a simulação vocal do próprio barulho dos fogos: “Fazendo assim… pei, pou, pei, pei, pou, pou!!!!”

Só Rindo (Folclore Político)

Damião sem freio

Aluizista histórica, integrante do movimento denominado de as “Senadoras”, Wanda Gondim sempre foi muito espirituosa. Mesmo em situações que podiam lhe embaraçar, tinha uma saída carregada de bom humor.

Casada com o empresário Damião Queiroz, formava com ele um casal com larga aceitação na sociedade mossoroense.

Numa manhã, entrecostada na sacada de sua casa à Avenida Alberto Maranhão, centro da cidade, ela acompanha uma multidão passando à frente. É mais uma missão do mitológico Frei Damião.

Não falta gente simples acenando para Wanda Gondim, retribuindo sua forma natural de se relacionar com pessoas dos mais diversos matizes sociais.

Em meio aos passantes, uma mulher em trajes modestos, que a conhecia muito bem, aproxima-se e puxa assunto:

– A senhora também está esperando Frei Damião passar, né?

Sorrindo, sem qualquer rodeio, nossa personagem não disfarça que sua espera é outra:

– Não! Estou aguardando o outro. Meu marido ‘Damião sem freio’!!!

A política do bom humor do palanque aos bastidores

Você é meu convidado.

Falo sobretudo ao mais anônimo e humilde dos internautas, que acessa esta página com regularidade ou ocasionalmente. Não importa.

No próximo dia 21 (terça-feira), à próxima semana, às 19h30, nos jardins da TV Cabo Mossoró, estarei lançando meu segundo livro.

É outro filhote querido, concebido com enorme dificuldade; amado.

O “Só Rindo 2 – A política do bom humor do palanque aos bastidores” é uma coletânea de situações hilariantes, que envolvem políticos e outras figuras que formam esse universo.

A intenção não é promover o escárnio ou a ridicularização. Como o primeiro livro, esse mostra um “lado B” menos tortuoso da atividade política. Humanizado.

Aguardo-o por lá.

Seja bem-vindo.

Convite Oficial do "Só Rindo 2"
Convite oficial para lançamento do "Só Rindo 2"

 

 

Só Rindo (Folclore Político)

Orador à prova de choque

Campanha de 1986 em andamento, o ex-prefeito mossoroense João Newton da Escóssia é novamente candidato a deputado estadual, com apoio do líder Vingt Rosado.

Afeito a um microfone,  como tantos outros candidatos, ele não perde a oportunidade para discursar. Mas a coordenação de campanha resolve estabelecer uma regra: limitar número de oradores e o tempo de cada um à fala.

Apesar de muitos resmungarem, a medida termina sendo comunicada e imposta. Para ser acatada.

Porém, em cada comício, haja conflito. Quase ninguém obedece ao que fora normatizado. João está entre os insubordinados.

Ele atropela o relógio e não para de falar. “Está bom, João Newton”, alerta alguém às suas costas.

Relutante em parar, o ex-prefeito é surpreendido por falhas no microfone, que começa a provocar seguidos choques elétricos. A cada descarga, um pinote e um soluço.

Agarrado ao microfone com voz trêmula, o candidato não retrocede:

– Vão me matar, mas eu não largo!