Por Carlos Duarte
O ajuste fiscal do governo Dilma, que está em gestação, vem tirando o sossego da presidente e deverá se transformar em mais um tema de grandes discussões e apreensões do Planalto, nos próximos dias. É que, com a popularidade da chefe do executivo em queda livre e com o governo em descrédito, fica difícil a implementação do ajuste na intensidade necessária que economia requer.
O corte recomendado pelos técnicos é da ordem de R$ 80 bilhões de reais. Isso poderá parar o governo e frear ainda mais a economia, levando o Brasil a uma longa e duradoura recessão, o que causa um forte temor ao governo petista.
Por outro lado, se o bloqueio for menor que R$ 60 bilhões não produzirá o efeito esperado na economia, resultando em consequências danosas e imprevisíveis para o país.
O tamanho do ajuste fiscal também dependerá do Congresso Nacional, que fará emendas às Medidas Provisórias e o ápice das discussões vai coincidir com as manifestações marcadas para o próximo dia 15 de abril.
Atualmente, o país vive um de seus piores momentos da história recente: crise na economia, crise de credibilidade, crise das instituições, crise hídrica, crise energética, crise no câmbio, déficit na balança comercial, crise internacional….
Mas, nada disso apareceu repentinamente ou é culpa simplesmente do cenário internacional, como aponta a presidente Dilma Roussef. A irresponsabilidade da politica econômica do governo do PT pavimentou esse caminho de crise que hoje vivemos. A soberba da presidente não a deixa enxergar que os erros de condução de seu governo são a principal causa de tudo.
Ela é incapaz de admitir que a politica por ela adotada foi ineficaz e totalmente inadequada para o enfrentamento das adversidades que o país passou e continua passando, até hoje.
Ao longo de 2014, o superávit primário se transformou em déficit e o Banco Central revelou um buraco nas contas públicas de R$ 344 bilhões (6,7% do PIB). Esse é o maior déficit fiscal desde 1988.
A dívida pública já é superior a 65% do PIB. Em fevereiro, o governo petista teve um gasto extra de R$ 27,2 bilhões na tentativa de conter a alta do dólar (equivalente a um ano de Bolsa Família).
Como o governo Dilma vai encontrar uma saída para crise que ela mesma criou ninguém sabe, ainda. Mas, o que se tem certeza é que os contribuintes e toda a sociedade brasileira já estão pagando a fatura dessa inconsequência.
Promessas não faltaram para colocar o Brasil no trilho do crescimento e do desenvolvimento econômico, principalmente no período de campanha eleitoral. Faltaram, sim, ações coerentes com elas, bom senso, competência de gestão e humildade para reconhecer os erros.
Carlos Duarte é economista, consultor ambiental e de Negócios, além de ex-editor e diretor do jornal Página Certa


