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Intervenção federal na segurança pública do RN deve ser cogitada

Se o Governo do RN fosse de um gestor adversário, será que já não teríamos intervenção federal na Segurança? A governadora Fátima Bezerra (PT) não consegue fazer frente à violência generalizada. Em Brasília, essa medida foi adotada pelo presidente Lula (PT) logo nos primeiros dias de gestão, em janeiro último, com os distúrbios dos atos antidemocráticos do dia 8 de janeiro, tirando o comando do governador Ibaneis Rocha (MDB) – um bolsonarista.

Tropas fazem patrulhamento (Foto: Governo do RN)
Tropas federais em 2017 botaram ordem em Natal e no RN sem estardalhaço ou violência (Foto: 30/12/2017Arquivo)

A intervenção não seria por incompetência da governadora, o que pode até ser o caso. Mas, por falta de meios humanos e materiais no combate à facção que toca terror no RN. O mal se alastra e o lero-lero de que está tudo voltando à normalidade coloca o povo em perigo maior.

O Senador Styvenson Valentim (Podemos) pediu ao presidente o envio de tropas das Forças Armadas, acionando a operação Garantia da Lei e da Ordem (GLO). Corretíssimo. Legislação permite que o presidente Lula disponha delas em caso em caso de esgotamento das tropas regulares de segurança pública.

Já tivemos acionamento da GLO, como na gestão do então governador Robinson Faria (PSD, hoje no PL). Foi eficiente e pacificou o RN no período em que aconteceu motim policial. Agora, podemos ter de novo essa iniciativa em nome de vidas, patrimônios públicos e privados. Claro, se a prioridade for essa. Polícias do RN estão no limite. O crime, não.

Terror se espalha no RN desde terça-feira (14) e até agora, quinta-feira (16), a Força Nacional tem – dizem, não se sabe – cerca de 105 homens no RN. A maioria ou sua totalidade, não passou da Reta Tabajara. Mossoró aguarda-os. Caicó e outros municípios também.

Vamos!

*Veja série de matérias sobre ataques criminosos recentes no RN: AQUIAQUIAQUIAQUIAQUIAQUIAQUIAQUIAQUIAQUIAQUIAQUIAQUIAQUIAQUIAQUIAQUIAQUIAQUIAQUIAQUIAQUIAQUIAQUIAQUI, AQUI, AQUI, AQUI e AQUI).

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No RN, 29,5% das mortes violentas são de jovens

De cada dez pessoas mortas por causas não naturais no Rio Grande do Norte, três têm idade entre 15 e 24 anos. No Nordeste, essa proporção fica atrás apenas da Bahia (31,5%) e Alagoas (31,3%).

Os dados são da pesquisa Estatísticas do Registro Civil 2019 e foram divulgados hoje (08) pelo IBGE.

Em 2019, das 1.752 pessoas mortas violentamente no estado, 518 estavam na faixa de idade de 15 a 24 anos.

Na comparação com todas as unidades da federação, essa é a sexta maior proporção. Além de Bahia e Alagoas, somente Amapá (41,2%), Amazonas (32,9%) e Rio de Janeiro (31,4%) superaram o estado potiguar nessa perspectiva.

Apesar disso, o Rio Grande do Norte teve a segunda maior redução do total de mortes violentas entre 2018 e 2019: 20,5%.

Em 2018, foram 2.204 mortes de causas não naturais, 452 mortes a mais na comparação com 2019. Só Distrito Federal (22%) e Ceará (24,8%) tiveram reduções proporcionais maiores.

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Portal UOL repercute matéria sobre homicidios em Mossoró

O maior portal de notícias do Brasil e América Latina, o UOL, pertencente ao Grupo Folha, reproduz nesta terça-feira (30), reportagem especial do site BBC News Brasil sobre a violência em Mossoró. O trabalho é assinado pelo jornalista Leandro Machado e parte da cobertura fotográfica é de Cézar Alves, editor-criador do portal Mossoró Hoje.

Portal UOL alarga mais ainda repercussão de matéria que mostra faceta negativa e triste de Mossoró (Reprodução BCS)

A matéria no BBC News foi publicada dia passado (veja AQUI) e repercutida pelo Blog Carlos Santos.

As 3 facções e o ciclo de vinganças por trás de epidemia de homicídios em cidade no Nordeste” é o título da postagem.

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Trabalho e medo entre os sobreviventes do RN

No mínimo, 90% do meu trabalho consigo realizar com uso da Internet (se funcionar).

Nesse ambiente, email, redes sociais (como o WhatsApp) e outras ferramentas fazem parte da teia necessária para prestar meus serviços à coletividade e a eventuais assessorados.

É um home office (escritório em casa) quase todo cibernético, em que disponho de um PC (Computador de mesa), um Notebook, um iPad, um Smartphone, uma Smart TV, um celular “lanterninha” etc.

O “resto”, é acordar cedo e dormir tarde – com disposição física, neurônios e bagagem de mais de 32 anos nessa jornada jornalística, com consciência de que preciso aprender mais.

Enfim, é assim que sobrevivo, tenho trabalhado.

Nos últimos dias, estou ainda mais homiziado em casa.

Medo de ir e vir, quando necessário sair, viajar, circular nas cidades (Natal, Mossoró e outras mais longínquas).

Nem no pior dos meus pesadelos cheguei a pensar em viver essa atmosfera. Até mesmo quando disparo nesta página: “Vai piorar”. E vai mesmo.

Não é por acaso que há muitos meses saúdo os internautas em meus endereços, no Facebook e Instagram, da mesma forma: “Bom dia. Saúde e paz, sobreviventes do RN”.

Premonitório, apesar de muitos considerarem alarmista. Ou consideravam.

Vai piorar.

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Dicas de sobrevivência no Rio Grande do Norte

Por Rubens Lemos

Evitem frequentar farmácias à noite;

Evitem frequentar farmácias à tarde;

Evitem frequentar farmácias de manhã;

Evitem sair de carro à noite;

Evitem sair de carro à tarde;

Evitem sair de carro de manhã;

Evitem andar a pé à noite;

Evitem andar a pé à tarde;

Evitem andar a pé de manhã;

Evitem paradas de ônibus;

Evitem paradas cardíacas;

Evitem paradas em sinais de trânsito;

Evitem falar ao celular;

Evitem falar ao telefone fixo;

Evitem falar com desconhecidos;

Evitem falar com amigos;

Evitem falar ao microfone;

Evitem falar ao interfone;

Evitem falar sozinhos;

Evitem barzinhos;

Evitem restaurantes;

Evitem botequins;

Evitem velórios;

Evitem cemitérios;

Evitem crematórios;

Evitem praias;

Evitem praças;

Evitem rios;

Evitem córregos;

Evitem janelas;

Evitem panelas;

Evitem flanelas;

Evitem cinemas;

Evitem teatros;

Evitem circos;

Evitem palhaços;

Evitem retas;

Evitem curvas;

Evitem caminhadas;

Evitem nadadas;

Evitem corridas;

Evitem estradas;

Evitem flores;

Evitem espinhos;

Evitem dores;

Evitem sofrer;

Evitem viver;

Evitem morrer.

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Uma guerra que não pode ser nossa

Por Gutemberg Dias

A violência toma conta do Brasil. Os números, de forma silenciosa, mostram que vivemos uma guerra não declarada em vários estados e cidades.

Ao analisarmos os números, o Brasil entre os anos de 2011 e 2015 computou 278.839 mortes intencionais. Esse número é maior que as mortes registradas na guerra da Síria que foram de 256.124, no mesmo período. Não resta dúvida que estamos em guerra. Agora que guerra é essa? De quem é essa guerra?

Quanto a quem morre, observa-se que 54% das mortes acometem jovens entre 15 e 24 anos. Outro número que merece destaque é que 73% das pessoas assassinadas são pretos e pardos. Esses números denotam, claramente, que a população mais pobre está mais vulnerável a violência no Brasil.

Os investimentos na segurança pública são volumosos. Em 2016 foram investidos 76,3 bilhões. Entre os anos de 2002 e 2015 aconteceu um crescimento de 62% nos recursos destinados a segurança. Já as despesas com a segurança pública equivalem a 1,38 do Produto Interno Bruto (PIB).  Será que ainda falta dinheiro ou ele está sendo empregado de forma equivocada?

Os municípios (224,9%) investiram mais em segurança pública ante a união (86,9%) e os estados (61,9%). Essa desproporção nos investimentos se assenta na corrida dos gestores municipais em dar resposta aos munícipes. O cidadão está ali perto do prefeito que é cobrado sistematicamente para garantir sua segurança e de seus familiares.

Verdadeiros exércitos de guardas municipais estão sendo formados.Os números apresentados acima estão no 10º Anuário Brasileiro de Segurança Pública, que foram lançados em novembro do ano passado pelo Fórum Brasileiro de Segurança Pública (FBSP). Como diz um amigo matemático – “os números não mentem”.

Descendo para o estado do Rio Grande do Norte,  os números apresentados pelo Observatório da Violência do RN (OBVIO) mostram que nos três primeiros meses do ano já batemos todos os recordes de mortes intencionais, ou seja, a violência está instalada sem previsão de arrefecimento no estado onde o mote do governo é a segurança pública.

Os números apresentados pelo OBVIO são alarmantes. No ano passado (2016) nesse mesmo período tínhamos uma contagem na ordem de 381 assassinatos, hoje já temos 515 casos registrados, ou seja, um aumento de 35,17% no mesmo período comparando 2016 e 2017.

Vale destacar que os casos de mortes intencionais tem sua maior incidência na região metropolitana de Natal e, conforme dados do OBVIO, já passam dos 65%. Em números absolutos a capital lidera na região metropolitana e no estado com mais de 130 mortes.

Mossoró não é diferente. Estamos vivenciando momentos críticos na segurança pública. O cidadão já não tem a mesma coragem de estar nas ruas. Quando decide sair sempre está na retranca e atento ao ambiente ao seu entorno. Podemos dizer que o mossoroense está em constante estado de alerta.

A chacina ocorrida na última semana, que ceifou a vida de seis jovens, mostra que a violência em nossa cidade não está para brincadeira. Infelizmente o governo do estado e, também, a segurança pública municipal não se compadeceram em relação a esse crime bárbaro. Me corrijam se eu estiver enganado!

É chegada a hora da população começar a se movimentar de forma organizada para cobrar das autoridades ações efetivas e enérgicas em relação a insegurança. Não é possível ficarmos calados quando, só nesse três primeiros meses, 50 mortes intencionais já foram registradas na cidade. Sem contar as vítimas que se encontram internadas com risco de morte, podendo, a qualquer momento, aumentar o número.

Fora as mortes intencionais, soma-se ao bolo da insegurança os assaltos nas ruas, invasões de residências, roubos de caros e motos  e furtos que se alastraram na cidade. Vale destacar que hoje não existe mais horários específicos para os ataques, basta existir a oportunidade que os meninos do mal cometem seus delitos.

No início desse artigo fiz alguns perguntas. Espero que você possa responder e me ajudar a compor o cenário que vivemos. Bem como, faço um último questionamento, talvez muito simples e claro:

– Você acredita no modelo de segurança pública oferecido pelo estado brasileiro (leia-se municípios, estados e união)?

Eu já tenho minhas respostas, mas quero ver a sua!

Gutemberg Dias é geógrafo, ex-candidato a prefeito de Mossoró e dirigente da Redepetro/RN

Legião de misantropos

A violência urbana produz uma legião de misantropos (gente com dificuldade de convívio com outros indivíduos, avessa à sociabilidade).

Estamos fechados em casa, no quarto.

Estamos longe da pracinha, do bate-papo à calçada.

Somos jogados no mundo virtual, teclando essas maquininhas na palma da mão – ou nem isso.

Exército de um homem só.

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Segurança Pública vai piorar muito, avisa especialista

Em sua passagem hoje pela manhã por Mossoró, o ex-secretário Nacional de Segurança Pública no Governo Lula da Silva (PT), Ricardo Balestreri, previu que o cenário da Segurança Pública no Brasil deverá piorar bastante. “Esperem o pior”, avisou.

Ele fez palestra no auditório da Estação das Artes Eliseu Ventania nesta segunda-feira (28), em aula inaugural do curso de preparação da Guarda Civil Municipal (GCM) para uso de arma de fogo.

Balestreri avaliou que a crise econômica vivenciada pelo Brasil deve fomentar condições ainda piores, para que a violência se alastre, com outros componentes alimentadores do crime.

Ele esteve em Mossoró no dia 7 de julho de 2012, no seminário “Mossoró e os Desafios para Construção de um Sistema de Segurança Pública Cidadão”, promovido pela Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) de Mossoró.

Sem sequência

Balestreri também foi contratado pelo Governo do Estado para dar uma série de palestras sob a denominação “O novo projeto de Segurança Pública do Rio Grande do Norte e a importância dos operadores na formação de novos paradigmas”, em 2015. Mas a ideia terminou não tendo sequência.

O Estado do Rio Grande do Norte não investe em concursos públicos à Polícia Militar desde 2005 e para a Polícia Civil desde 2009. O déficit de pessoal só na PM é de mais de quatro mil homens.

Fórmulas com forte propaganda e, eficácia duvidosa, como o Ronda Cidadã, estão distantes da realidade cruel do cotidiano do norte-rio-grandense. E tudo pode ficar muito pior, garante um especialista como Balestreri.

Só no último final de semana, houve registro de 14 homicídios no estado. Mossoró, nessa segunda-feira (28), atingiu número de 208 homicídios este ano.

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Violência sem fim num tempo de “cada um por si…”

Por Carlos Duarte

Até o momento (11h18 de domingo, 27 de novembro de 2016), neste ano de 2016, Mossoró contabilizou 207 homicídios. Já é recorde e o ano ainda nem terminou. Os arrastões em bairros da cidade, assaltos, roubos e a constante afronta da bandidagem, deixam a população com a sensação de impotência e aflição.

A qualquer momento, o cidadão poderá ser vítima inocente da bandidagem. E não adianta mudar de lugar ou cidade, no Brasil.

Vivemos, inquestionavelmente, uma degradação da violência instalada no país, o que nos leva a constatar que a democracia brasileira não funciona como requerem os seus princípios elementares. É preciso rever urgentemente o atual modelo instalado, embora devamos defender o Estado Democrático de Direito.

Há muito tempo, os governantes não conseguem garantir os preceitos constitucionais à saúde, educação e segurança.

A corrupção, em escala crescente, já se instalou no inconsciente popular, tornando a violência uma anomia social de difícil reversão. Virou rotina e a sociedade já está, impositivamente, se acostumando com a sua convivência no cotidiano.

Na última semana, o governador Robinson Faria (PSD), mais uma vez, escalou em Mossoró e, sorrateiramente, participou de um evento num projeto agrícola privado, na divisa com o Ceará. Enquanto a violência faz suas vítimas e sangra Mossoró, o governador não dá sequer um aceno para afagar as aflições dos mossoroenses.

Aliás, a maior providência preventiva recente, que se teve notícias, no campo da segurança pública do RN, foi a blindagem do carro oficial do governador.

A falta de vontade política em resolver as questões que afligem a sociedade, a inapetência de gestão e a corrupção sistêmica e estrutural não são exclusividades do estado do RN. Todos os indicadores (econômicos, sociais, segurança, educação, competitividade…) do Brasil indicam um cenário nada promissor, que é exatamente o reflexo e consequência da corrupção, ora instalada em todos os níveis de governos.

Apesar da operação Lava Jato, o governante corrupto não se intimida e continua agindo descaradamente, sem medo, com toda ousadia que lhe é peculiar.

O que se pode esperar de um país, com tantos problemas, quando um ministro de Estado toma como prioridade a solução de interesses particulares, inclusive com pressão ao colega de outra pasta? E o que é pior: com a participação efetiva do próprio presidente da República.

COMO acreditar num Congresso Nacional que trama, corporativamente e na calada da noite, a aprovação de um projeto de lei que propõe a anistia de Caixa 2 e outras irregularidades?

“Vossas Excelências”, com raríssimas exceções, são de fato os mentores, operadores e gestores do crime no Brasil. Piores do que o bandido armado do narcotráfico. A situação é ainda mais estarrecedora quando se constata que a maior crise ética e moral, que ora vivenciamos, tem origem nos altos escalões dos Três Poderes, com ramificação integrada em todos os outros níveis.

Em recente entrevista, o famoso Fernandinho Beira-Mar disse: “É melhor ser bandido na política do que ser líder de facção do narcotráfico”. Achou a concorrência desleal. O comparativo revela que, no submundo do crime, os bandidos de “colarinho branco” estão em vantagem competitiva.

Imagine o risco a que está submetida a sociedade brasileira, vitima de tanta bandidagem.

De acordo com o renomado especialista internacional em segurança, coronel Fernando Montenegro, se tivéssemos nos poderes, hoje, todos os governantes sérios e comprometidos com a lisura e a vontade política em resolver os problemas da segurança pública, no Brasil, com ações planejadas, integradas e continuadas, precisaríamos de cerca de, pelo menos, 10 anos para que se produzissem resultados positivos à sociedade.

No momento, isso é uma utopia. Talvez, essa atual geração não veja isso acontecer.

O Mapa da Violência aponta que, no ano passado (2015), foram registrados, no Brasil, 59 mil homicídios, sem considerar os desaparecimentos e ocultações. Estima-se que poderá ter ultrapassado os 70 mil mortos por vítima de violência, naquele ano.

Isso significa mais do que os 50 mil americanos que morreram, em 14 anos, na guerra do Vietnã. Nos últimos dez anos, três vezes mais que toda a guerra do Iraque. Em dois dias, mata-se mais do que morreu, dos dois lados, da ditadura militar no Brasil (1964-1985).

As Polícias Militares – que até 1988 eram comandadas por coronéis do exercito, indicados pelo Ministro do Exército – tinham uma independência nas conduções de suas ações. Atualmente, são, em sua maioria, subservientes dos governadores – que predominantemente são gestores de péssimas qualidades.

A solução do problema não pode ser pontual ou paliativa, como conduzem atualmente os gestores, mas, sim, sistêmica e estruturante – com o envolvimento de todos os atores e instituições que compõem a Segurança Nacional.

Enquanto, isso, no “País de Mossoró”, no RN e no Brasil, o cidadão continua entregue à própria sorte. É cada um por si e Deus para tomar conta de todos. Está difícil até para ele.

Que Deus nos proteja!

SECOS E MOLHADOS

Será? – O governador Robinson Faria promete, nos bastidores, que, nas primeiras semanas de dezembro, irá instalar um governo de três dias, em Mossoró. Na ocasião, vai anunciar projetos importantes para a cidade. Também quer abrir um escritório de governo permanente em Mossoró. Aguardemos.

Agência – O prefeito Francisco José Júnior (PSD) reuniu-se com os vereadores, na Câmara Municipal de Mossoró, para esclarecer os pontos positivos da Agência Mossoroense de Regulação dos Serviços Públicos (AMR). Disse que a AMR não comprometerá o orçamento do município, não criará novas despesas e que não irá inviabilizar a futura gestão. Ao contrário, vai beneficiar a população. Os edis acreditaram.

Dívida – Se a dívida pública brasileira fosse igualmente repartida, entre todos os brasileiros, cada um ficaria com U$ 5,7 mil. Muito acima da média de vários países emergentes. Atualmente, o Brasil deve mais de 70% do PIB.

Pelo ralo – O quantitativo do dinheiro roubado pelas facções da corrupção e do crime organizado do Brasil supera o PIB de muitos países no mundo. Agregando os desperdícios por ineficiência de gestão, de acordo com o Movimento Brasil Eficiente, o dinheiro que escorre pelo ralo é superior a R$ 1 trilhão, por ano. Maior que o PIB da Argentina, por exemplo.

* Veja a coluna anterior clicando AQUI.

Carlos Duarte é economista, consultor Ambiental e de Negócios, além de ex-editor e diretor do jornal Página Certa

RN e Natal se destacam entre áreas mais violentas do país

Do Portal noar

O Rio Grande do Norte aparece no Anuário Brasileiro de Segurança Pública, do Fórum Brasileiro de Segurança Pública como um dos estados mais violentos do Brasil.

Os números indicam que Sergipe, com 57,3 mortes violentas intencionais a cada grupo de 100 mil pessoas, é o estado mais violento do Brasil, seguido por Alagoas (50,8 mortes para cada grupo de 100 mil) e o Rio Grande do Norte (48,6). Os estados que registraram as menores taxas de mortes violentas intencionais foram São Paulo (11,7 a cada 100 mil pessoas), Santa Catarina (14,3) e Roraima (18,2).

Sob outra perspectiva, o RN lidera entre os estados que mais aumentaram o número de mortes violentas foram (elevação de 39,1%). Amazonas (19,6%), e Sergipe (18,2%) aparecem depois. Os que mais diminuíram foram Alagoas (queda de 20,8%), o Distrito Federal (-13%), e o Rio de Janeiro (-12,9%).

De acordo com o diretor-presidente do fórum, a grande maioria dos oito estados que têm programas de redução de homicídios teve diminuição no número de mortes violentas: Alagoas (-20,8%), Bahia (-0,9%), Ceará (-9,2%), Distrito Federal (-13%), Espírito Santo (-10,7%), Pernambuco (+12,4%), Rio de Janeiro (-12,9%), e São Paulo (-11,4%).

Estado contesta

Responsáveis respectivamente pela maior elevação na taxa de mortes e pela liderança no ranking das mais violentas, as Secretarias de Segurança do Rio Grande do Norte (Sesed) e de Sergipe contestaram a metodologia de coleta de dados.

O 10° Anuário Brasileiro da Segurança Pública, organizado pelo Fórum Brasileiro de Segurança Pública (FBSP), classificou Natal como a capital mais violenta do país, com um aumento de 97% no número de homicídios entre 2014 e 2015. A pesquisa também registrou uma crescente de 39,1% no número de Mortes Violentas Intencionais.

A pasta potiguar classificou as informações como “erradas”. Disse que, ao contrário do que apontou o levantamento, houve redução de 1.774 crimes violentos letais intencionais, em 2014, para 1.663 casos no ano seguinte, queda de 6,3%. A secretaria sergipana disse ser rigorosa na apuração de dados sobre o número de vítimas.

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Baderneiros e ladrões não representam o povo brasileiro

Violência em Pernambuco e outros estados não é protesto ou a gênese da anarquia, como sistema político de negação da ordem e da tutela governamental.

É puro caso de polícia: são baderneiros e ladrões.

Vagabundos!!

Muitos deles até possuem o hábito de criticar a classe política de forma generalizada, considerando-a culpada por tudo.

O Estado deve tratar quem depreda para roubar, saqueia bem público ou privado, como bandido.

Só.

A lei alcança-os.

Eles não representam o povo brasileiro.

Veja mais sobre o tema AQUI.

Maturidade impregnada de descrença

Por Honório de Medeiros

É muito ruim quando a maturidade surge impregnada de descrença. O Homem fica melancólico, quando não amargo. Embora digam que esse é o preço que se paga pela chegada do outono da vida, prefiro atribuir tal descrença a circunstâncias que fogem ao seu querer, mesmo se contra elas tenha lutado a boa luta, aquela que se supunha não ser vã.

Que circunstâncias seriam essas, caberia a pergunta.

Poderia ser diferente, se elas fosse outras? Ou, por outro lado, se essas circunstâncias fossem diferentes seria possível imaginar que a maturidade surgiria sem descrença, mesmo que acompanhada da constatação de que o espírito está preso numa estrutura que o tempo vai comprometendo lenta mas insidiosamente?

Creio que sim.

Poderia ser diferente se elas fossem outras. Mas não o são, e aqui estou eu, em plena maturidade, descrente, talvez melancólico, mas não amargo.

No meu caso essa descrença diz respeito ao que concluo quando observo o que se passa em meu País e meu Estado. Espero não estar errado – acredito sinceramente que não estou – mas minha conclusão é que, no geral, estamos muito pior, hoje, se comparado com ontem, ou mesmo anteontem.

Entendam-me.

Não nego avanços, pois os há.

Apenas sustento que esses avanços aconteceram espontaneamente, decorrentes da própria lógica do capitalismo primitivo brasileiro. E são poucos. Eu diria que também são superficiais. E ainda digo que a questão é que a descrença não resulta do pouco que avançamos, ou da fragilidade dos nossos avanços, conquistas da Sociedade.

Resulta do quanto deixamos de avançar graças às nossas elites políticas predatórias, inconsequentes, criminosas.

O Estado, uma hipostasia, concretamente nada mais é que a expressão financeira, legal e policial dessas elites políticas. O resultado desse atraso no avanço, digamos assim, cada um de nós, brasileiro, norte-rio-grandense, pode aquilatar meramente se dando conta – e fazemos isso, dia-a-dia – do que está acontecendo no nosso entorno.

Não quero sequer mencionar o descalabro na educação, saúde, infra-estrutura, segurança pública – esta, no meu entender, caso para intervenção federal no Estado.

Menciono, e é o bastante, a situação das consequências da seca no resto do Estado, para além dos limites caóticos de Natal. Pois a seca, a mesma seca que angustiou D. Pedro II há tanto tempo atrás, essa seca dizimou, no interior, a agricultura, a pecuária, a criação, a piscicultura, as feiras, o comércio, a construção civil, nesses últimos anos.

Agora a seca está ameaçando a sobrevivência das pessoas, principalmente dos mais humildes, condenados estes a fazerem uso de água misturada com lama para satisfazerem suas necessidades fundamentais; a seca está conduzindo as pessoas para patamares antigos de desrespeito ao ser humano que as novas gerações, se os conhecem, o é por meio da literatura…

Enquanto isso o Governo do Estado constrói um complexo denominado pomposamente “Arena das Dunas” para a Copa do Mundo de 2014 ao mesmo tempo em que o sertanejo e o Sertão potiguar se desfazem em sol, poeira e sede, e alguns privilegiados, para os quais essa questão é algo remoto, se preparam para contemplar e usufruir desse templo do supérfluo, da trivialidade, da falta de respeito com a condição humana.

Ainda por cima há os que creem firmemente que a construção da “Arena das Dunas” é algo defensável. E a defendem. E apresentam estatísticas nas quais se embasam para apresentar essa defesa. E falam e escrevem defendendo o impacto econômico favorável ao Rio Grande do Norte em decorrência do dinheiro federal que está vindo às catadupas.

Um complexo que será visitado e usufruído pelas elites, um complexo inacessível à base da pirâmide social, um complexo desnecessário para todo o restante do Rio Grande do Norte. Essa é apenas uma das faces da tragédia.

E quanto às mortes que estão ocorrendo no nosso Estado, originando estatísticas semelhantes à de guerras civis?

Há ou não motivos para descrença?

Honório de Medeiros é professor, escritor e ex-secretário da Prefeitura do Natal e do Estado do RN

Duas situações que aterrorizam o mossoroense

Duas situações aterrorizam o mossoroense comum hoje em dia:

Quando será vítima da violência e quando precisará da saúde pública.

Quem não foi vítima ainda de assalto, roubo ou tiro “espera na fila” sua vez ou de um familiar.

Pode ser em casa, à calçada, na esquina, numa praça, em pleno leito de rua; à noite, dia…

Em relação a uma necessidade de emergência na Saúde, a angústia é também pavorosa.

Ficará no corredor de um hospital, espichado numa maca ou estará numa UTI, em que pode faltar um simples fio de aço para costurar o corpo escancarado?

Achar que isso e aquilo só ocorrem com os outros ajuda a maioria a manter os braços cruzados e ser indiferente ao sofrimento alheio.

Até que o drama chega à sua casa.

 

Violência em solo potiguar extermina juventude

O Rio Grande do Norte vive um verdadeiro extermínio de jovens. É isso o que demonstram os dados sobre a violência, tanto aqueles disponibilizados pela Secretaria de Segurança Pública e Defesa Social (Sesed) como os números levantados pelo Conselho Estadual de Direitos Humanos (CEDH).

De acordo com matéria da Tribuna do Norte (edição 06/03), a média chegou a 3,7 homicídios por dia no RN (aumento de 41,76% em relação à média registrada em 2012, que foi de 2,61).

O Itep registrou 235 homicídios no estado de 1º de janeiro até 5 de março. Apenas no final de semana passado (8, 9 e 10/03), foram registrados 22 homicídios em todo o RN, segundo levantamento feito junto às delegacias pelo Conselho Estadual de Direitos Humanos.

Ainda de acordo com o CEDH, até 14 de março, apenas em Natal, o número de homicídios chegou a 115. Levantamento feito pelo nosso mandato no sistema do Itep, com informações complementares colhidas junto ao CEDH, identificou 22 homicídios ocorridos de 6 a 15/03.

As estatísticas apontam, ainda, que o perfil das vítimas é, predominantemente, de adolescentes e jovens entre 15 e 27 anos de idade. Essa faixa etária concentra 75% dos casos de mortes violentas. Os números, por si só, comprovam o extermino em curso da juventude potiguar.

Para discutir esse tema, o mandato do deputado Fernando Mineiro (PT) programou um debate na próxima segunda, 18, às 18h30, na sala 60 do IFRN de Cidade Alta (Avenida Rio Branco). O objetivo é sensibilizar e mobilizar os movimentos sociais, em particular os movimentos juvenis, para exigir medidas concretas dos poderes públicos em todos os níveis (municipal, estadual e federal).

O debate é livre e aberto ao público.

Pânico e terror agora são reais em Natal

A Zona Sul de Natal está em polvorosa com a violência. São assaltos, latrocínios, homicídios e outros crimes que ocupam o noticiário e o imaginário de angústia dessa região da cidade.

Finalmente a mídia convencional e redes sociais percebem que a insegurança é real.

A Zona Norte não mente nem exagera, a maioria da Zona Sul é que só agora entende o que é pânico e terror.

RN tem índice de violência maior do que São Paulo

Do Diário de Natal On Line

O Rio Grande do Norte está na 19° colocação no ranking dos estados brasileiros com o maior número de homicídios a cada 100 mil habitantes. O estado potiguar, que no ano 2000 ocupava a 24º posição, com uma taxa de 9 homicídios para cada 100 mil habitantes, viu a violência mais que dobrar, alcançando em 2010 uma taxa de 22,9 homicídios para cada 100 mil habitantes, um percentual de crescimento de 154%.

Comparando com outros estados, a média potiguar é hoje maior que a de São Paulo (que saiu de um 4º lugar com média de 42,2 homicídios em 2000 para um 25º lugar e média de 13,9 assassinatos em 2010) e próxima da do Rio de Janeiro (que também experimentou queda, passando do 2º lugar com 51 mortes para o 17º com média de 26,2 assassinatos).

Os dados fazem parte do Mapa da Violência, estudo realizado pelo Instituto Sangari, de São Paulo, que analisou os últimos 30 anos de violência homicida no Brasil e verificou profundas mudanças nos padrões históricos do crime.

Durante a décadade 1980 e 1990, o RN manteve-se embaixo da linha considerada crítica, de 10 homicídios a cada 100 mil habitantes. Há 11 anos, em 2001, o índice de homicídios em terras potiguares ultrapassou esse patamar, e a partir dessa data ingressou numa crescente espiral de violência. Na evolução estadual, o estudo identifica duas etapas que dividem o clima de criminalidade no RN.