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Ainda estou aqui

Por Odemirton Filho

À esquerda da foto, os filhos Adiel, Albenice e Ana Maria. À direita, Alba (mãe do cronista), Adna e Adnélia. O mais alto da foto é o filho mais velho, Alcides. No colo da mãe Placinda, Alcivan; no colo do pai Vivaldo, Arnon (Álbum de família)
À esquerda da foto, os filhos Adiel, Albenice e Ana Maria. À direita, Alba (mãe do cronista), Adna e Adnélia. O mais alto da foto é o filho mais velho, Alcides. No colo da mãe Placinda, Alcivan; no colo do pai Vivaldo, Arnon (Álbum de família)

“Eunice Paiva é uma mulher de muitas vidas. Casada com o deputado Rubens Beyrodt Paiva, esteve ao seu lado quando foi cassado e exilado, em 1964. Mãe de cinco filhos, viu-se obrigada a criá-los sozinha quando, em janeiro de 1971, Rubens Paiva foi preso por agentes da ditadura, a seguir torturado e morto. Em meio à dor e às incertezas, ela se reinventou. Voltou a estudar, tornou-se advogada, defensora dos direitos indígenas. Nunca chorou na frente das câmeras”.

“Foi a minha mãe quem ditou o tom, ela quem nos ensinou”, escreve Marcelo Rubens Paiva neste relato emocionante sobre o passado, as perdas e a volta por cima. Ao falar de Eunice, e de sua última luta, desta vez contra o Alzheimer, ele fala também da memória, da infância e do filho. E mergulha num momento sombrio da história recente brasileira para contar – e tentar entender- o que de fato ocorreu com Rubens Paiva, seu pai, naquele janeiro de 1971”.

Eis a sinopse do livro, “Ainda estou aqui.” A história baseou o filme, protagonizado pelas atrizes Fernanda Montenegro e Fernanda Torres, e pelo ator Selton Mello.

Ao folhear as páginas do livro, lembranças vieram à tona. Lembrei da história que minha mãe conta, com os olhos marejados, sobre a prisão do meu avô materno, Vivaldo Dantas de Farias. Como ele lutava nas trincheiras em defesa da democracia, foi preso em sua residência, na rua 06 de Janeiro. Os treze filhos ficaram assustados com aqueles homens de coturnos. O suposto crime? Lutar por um estado democrático de Direito.

Daí em diante começava um calvário para a minha avó, Placinda Dutra. Ela teve que ter discernimento para acalmar os filhos, pois eles ficaram com medo de nunca mais terem o pai de volta; teve que tocar, sozinha, a sua fábrica de redes.

Entretanto, ela soube conduzir a situação com fé inabalável. Conta-nos minha mãe que a minha avó escondeu os livros de meu avô em uma carroça, mandando-os para serem enterrados em um terreno distante de sua residência. Livros com ideias comunistas, à época, eram um libelo-crime.

Da mesma forma que a família de Rubens Paiva, a minha também não sabia o local no qual o meu avô estava preso. Foram quarenta e cinco dias de tortura psicológica, uma agonia para familiares e amigos.

Por outro lado, o livro aborda a doença de Alzheimer, a qual acometeu Eunice Paiva no final de sua vida. A minha avó também padeceu da doença nos últimos anos de sua existência. Quem convive com pessoas assim, sabe como é delicado o dia a dia, é preciso muito amor, cuidado e paciência.

Leia tambémÀ memória de Vivaldo Dantas de Farias (2014)

Leia tambémVô Vivaldo (2022)

Triste é ver quem amamos já não reconhecer quem está ao seu ao lado, precisando de ajuda para fazer as simples atividades do cotidiano. As memórias recentes são apagadas, já as antigas são recontadas, recontadas …

Eunice e Placinda sofreram dos mesmos males: a ditadura militar e a doença de Alzheimer.

Entretanto, o meu avô, apesar de machucado no corpo e na alma, voltou para casa. Rubens Paiva, infelizmente, não.

Odemirton Filho é colaborador do Blog Carlos Santos

‘Papo de Fogão Raiz’ junta o paladar regional com histórias deliciosas

As receitas da culinária regional coletadas diretamente de cozinheiros e cozinheiras, durante o programa de TV “Papo de Fogão Raiz,” realizado entre 2021 e 2022, ganham um registro inédito em livro. O trabalho será lançado no dia 15 de setembro, a partir das 17h, no Sesc Rio Branco em Natal. O livro de receitas “Papo Raiz” posteriormente será disponibilizado na Internet.

Livro transporta para o impresso o passeio gastronômico de Fernando Amaral (Foto: reprodução)
Livro transporta para o impresso o passeio gastronômico de Fernando Amaral (Foto: reprodução)

A publicação tem coordenação do publicitário e apresentador Fernando Amaral, organização da produtora Danielle Brito, com texto e revisão de Mariana Ranieri e fotografia de Humberto Lopes.

São 80 páginas em cores com receitas e histórias dos locais e dos seus participantes. São eles: Restaurante da Neide (Largo Allan Kardec/Mercado de Petrópolis), Bar do Zé Reeira, Buteco do Beco, Borogodó Bar, Bar do Pedrinho, Lama Bar e Bardallos ( Beco da Lama e Cidade Alta); Bar do Pernambuco (Canto do Mangue), Tempero da Dadá (Mercado do Peixe, Rocas), Bar e Restaurante Portal do Potengi e Dona Ivanize (Redinha); Bar e Restaurante da Simara, Maia Bar e Lanchonete Santa Maria (Mercado da Seis); Dona Francisca e Dona Cileide (Feira do Alecrim) e Zélia Pinheiro (Mercado das Quintas).

As receitas vão desde o ‘Bolinho de feijoada Deixe de Guerra’, criado pela cozinheira Heiza Cruz para o Borogodó, ao Chambaril da exímia cozinheira Neide da Silva, do Bar da Neide. Também estão lá os segredos do ‘Baião do Mar’ de Nélio Pedro, proprietário do Bar do Pedrinho, point cultural da Cidade Alta. Ou a receita da ‘Ova de peixe frito no dendê’, do tradicional Bar do seu Pernambuco, uma iguaria típica praieira.

Amaral: delícias também na cozinha de Dona Aldeíza e Chico Honório (Foto: arquivo)
Amaral: delícias também na cozinha de Dona Aldeíza e Chico Honório (Foto: arquivo)

Do tira-gosto ao bucho cheio

O livro está dividido de acordo com o menu: “Tira-gosto” e “Para encher o bucho”. O registo também incorpora belas fotografias de cenários ricos e coloridos do Mercado da Seis, Mercado das Quintas, Mercado do Peixe, Mercado de Petrópolis e as feiras do Alecrim, Quintas, São José e Rocas, além do Centro Histórico, onde está localizado o tradicional Beco da Lama.

Mais do que um livro de receitas, o “Papo Raiz” pode ser lido como um livro de histórias. Traz os ingredientes que fazem parte de uma cultura e, juntos, dão o sabor da nossa terra, o tempero da nossa gente.

Foi assim que o fruto do trabalho com o Papo de Fogão Raiz gerou um livro com 25 receitas, trazendo um conteúdo iconográfico através dos registros desses locais e seus cozinheiros.

“O livro foi pensado para eternizar não apenas receitas, mas também as histórias de um povo e suas tradições, que tanto acrescenta à cultura potiguar. E, claro, levar um pouco desses sabores para as mesas de quem  quiser se aventurar pelos segredos da cozinha potiguar de raiz”, comentou o apresentador  Fernando Amaral.

Nota do Canal BCS (Blog Carlos Santos) – Conheço a mão de Fernando Amaral para aguçar o paladar, o paulistano mais natalense que existe. Tive o privilégio de saborear seu talento, também no fogão. Foi na cozinha da antiga casa de Dona Aldeíza e do seu Chico Honório (in memoriam, pais de Maria Emília e Honório de Medeiros), nos arrabaldes da Capela de São Vicente, Centro de Mossoró, em junho deste ano. Um Cidade Junina que não estava na programação oficial. Muito mais do que você imagina.

Agora, momento de experimentar livro e suas histórias.

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Carreata “Pra Fazer Mais” é comandada por Allyson Bezerra

A carreata “Pra Fazer Mais,” comandada pelo prefeito mossoroense Allyson Bezerra (Solidariedade), é a movimentação política do seu grupo para esse sábado (3) em Mossoró. É preparada para ser um acontecimento expressivo, em torno de seus candidatos no pleito 2022.

Lawrence, Allyson e Jadson fazem movimentação a partir das 17 horas (Foto: divulgação)
Lawrence, Allyson e Jadson fazem movimentação a partir das 17 horas (Foto: divulgação)

A mobilização partirá da Avenida Felipe Camarão ao lado do Aeroporto Dix-sept Rosado, às 17 horas.

Mas, antes, começou adesivaço nas proximidades do Teatro Municipal Dix-huit Rosado nessa manhã. A sequência será às 14 horas, na própria concentração para a carreata.

Allyson Bezerra apresenta Lawrence Amorim e Jadson como seus candidatos a deputado federal e estadual. Devem participar da carreata os candidatos ao Senado e ao Governo do RN, respectivamente Rogério Marinho (PL) e Fábio Dantas (Solidariedade).

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