Em 2014, Mossoró não teve um único candidato nativo eleito ou reeleito à Assembleia Legislativa. Os dois nomes que tentaram voltar, caíram: Larissa Rosado-PSB (com 24.585 votos – 23,38%) e Leonardo Nogueira-DEM (9.111 – 8,66%).
Nessa mesma eleição, 209 candidatos a deputado estadual foram votados em Mossoró. De Larissa (campeã de votos) a 25 ‘concorrentes’ que obtiveram apenas “um voto”.
Os 24 eleitos à Assembleia Legislativa à ocasião foram votados em Mossoró, o que mostra a sua característica de município polo. Provavelmente isso vai se repetir em 2018.
Caixa 2 mais fraco e fim de polarização
Cedo para se afirmar que teremos uma reviravolta nesse diapasão.
Porém é pouco provável que exista “estouro de votação” de algum candidato, principalmente porque se forma um quadro de concorrentes locais e da região, que deve dividir bastante os votos locais.
As fortes restrições à propaganda, a maior vigilância quanto ao abuso do poder econômico e a falta de liquidez de potenciais financiadores (caixa 2, que vai continuar, claro) também pesarão para essa tendência.
O fim da polarização entre Rosado x Rosado, que vinha sendo engendrada pelos “Rosados divididos ” desde os anos 80, é outro fator a ser registrado. Estão quase todos no mesmo palanque e vivem desgaste comprometedor, além de convivência sob desconfiança mútua.
A atmosfera político-eleitoral da época, ou seja a conjuntura, dirá com maior clareza algo mais consistente sobre a corrida eleitoral à Assembleia Legislativa e demais disputas. É acompanharmos, com atenção, essa “nuvem” em movimento constante.
Veja amanhã a segunda postagem da série Política 2018.
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Carlos Eduardo (PDT) foi, sem sobra de dúvida, o grande vencedor dessa eleição. Não somente pela vitória avassaladora, mas, também, por firmar como patrimônio seu um senso estratégico que os desprevenidos insistem em atribuir ao destino ou à sorte.
Nesta eleição, por exemplo, assumiu, obliquamente, a liderança de sua família. Garibaldi está encerrando a carreira, por força da idade. Henrique tem voo curto, enredado nas teias da justiça.
Carlos trabalha de forma pragmática e teve vitória avassaladora nas urnas contra leque de adversários (Foto: web)
Os primos são demasiadamente novos.
Digo obliquamente porque não se percebeu, no seu jogo-de-xadrez, qualquer movimento que induzisse esse objetivo. Mas aconteceu. Queiram ou não.
Assumiu, também, de forma inconteste, mas sutil, a bandeira da esquerda que não é extremada, tampouco petista. Não há espaço vazio na política, sabemos, e, agora, a sobrevivência da esquerda no RN depende dos passos que Carlos, e seu PDT, irão dar.
Mas mesmo segurando a bandeira da esquerda, não perdeu a possibilidade de estabelecer alianças táticas com o espectro conservador da política potiguar, vez que suas arestas são poucas e escolhidas, o que mostra sua capacidade de enxergar longe. E seu trânsito no segmento econômico está em aberto.
Como ainda é novo, não afasta os jovens; como é experiente, atrai os mais velhos. Esperto, conduz sua administração de forma tranquila, discreta, fazendo o óbvio, sem cometer equívocos. Isso tem sido bastante, as urnas o demonstram.
Quando quer, sabe sumir. Ponto para ele.
Investe forte na Cultura: entendeu logo o potencial político dessa opção. Palmas e mais palmas.
Claro que há senões. Impossível não haver.
O tipo de ação que lhe é próprio, e sua personalidade pouco propensa a intimidades ruidosas podem não fazê-lo um líder de massas, e isso deixa um flanco aberto para potenciais inimigos políticos que tenham o carisma necessário para subverter a ordem natural das coisas.
Mas como no horizonte imediato é pouco provável surgir esse novo Aluízio Alves, queiram ou não os que pouco gostem, Carlos Eduardo está aí, solidamente enraizado, com galhos e folhas voltados para 2018.
É isso: um líder forte em uma realidade fragmentada.
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Três fatores devem produzir efeitos determinantes à formação da próxima Câmara Municipal de Mossoró. São duas situações surgidas dentro da própria campanha e uma que talvez ocorra no dia do pleito.
Primeiro – A manutenção da candidatura a vereador do ex-deputado federal Betinho Rosado (PP), no chapão do PP, PMDB, PDT e PSB (veja AQUI). Impedido de registro em duas instâncias, ele tenta no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) a sua regularização. Caminha para não ter êxito e seus votos não serem computados à coligação, limitando a eleição de outro ou outros candidatos.
Segundo – O desmanche da candidatura à reeleição do prefeito Francisco José Júnior (PSD), o “Francisco”. Ele deixou ao deus-dará 184 candidatos a vereador, distribuídos em quatro coligações e três nominatas partidárias independentes.
Com esse bota-fora, muitos candidatos desistiram da candidatura, mesmo que não tenham formalizado isso perante a Justiça Eleitoral. Outros eventuais favoritos precisam se esforçar mais ainda para terem votos diretos e segurarem outros candidatos de menor porte na chapa proporcional.
Terceiro – A abstenção de eleitores poderá ser recorde no dia 2, devido ao feriadão que começará na sexta-feira (30) que antecede ao pleito do dia 2 de outubro (domingo). Tratamos desse tema numa postagem especial, sob o título “Feriadão poderá causar debandada expressiva de eleitores” (veja AQUI).
Isso tende a reduzir o quociente eleitoral. Em 2012, última eleição com disputa à Câmara Municipal, o quociente ficou em 6.545 votos e este ano tende a recuar. Um decréscimo de até mil votos não seria de estranharmos ou até mais.
Se houver um acirramento na corrida eleitoral majoritária, o que está se formando nessa reta final, essa redução poderá ser atenuada.
As maiores abstenções eleitorais em Mossoró em termos percentuais aconteceram em 1982 e 2014 (pleito suplementar). Em 1982 a abstenção foi de 15.435 (23,02%) eleitores. Já em 2014, tivemos 30.429 (18,45%) eleitores que tomaram distância das urnas, mas não aconteceu disputa ao Legislativo.
Em 2012, última eleição municipal regular, a abstenção ficou dentro da média com 12,80% do eleitorado, ou seja 21.122 votantes.
Veja AQUI o resultado das últimas 11 eleições municipais de Mossoró, num espaço de tempo que começa em 1968.
Os candidatos ao Governo do Rio Grande do Norte, que disputam hoje o segundo turno das eleições, têm um desafio a mais: além da própria eleição, tirar uma multidão da apatia e repulsa ao voto e a ambos.
No primeiro turno, 843.212 eleitores ignoraram Robinson Faria (PSD) e Henrique Alves (PMDB), além dos outros três concorrentes.
Foi uma multidão entre votos branco, nulo e abstenções, num eleitorado registrado de 2.326.583 votantes, que preferiu rejeitá-los.
Voto Nulo deu um salto que impressiona, atingindo 315.236 (16,29%). Em 2010, tinham sido 222.462 (9,91%) e no primeiro turno de 2006 chegaram a 192.106 (10.73%).
Historicamente, o Rio Grande do Norte teve a maior quantidade de votos branco e nulo e também bateu recorde no país nesses quesitos.
As abstenções seguiram média dos últimos pleitos de 2006 e 2010, com 16.83% (391.478 eleitores) no primeiro turno deste ano.
Como convencer tamanho contingente de eleitores a mudar de opinião e fazer uma das escolhas, foi um quebra-cabeça intrincado para candidatos e marketing neste segundo turno.
Vamos ver se conseguirão reduzir esses números.
Veja abaixo um histórico das eleições ao Governo do Estado de 2006 para cá. Compare números e veja como Branco e Nulo, em 2014, tiveram salto impressionante.
Nota do Blog – Em 2006, os principais concorrentes foram a então governadora Wilma de Faria (PSB) e Garibaldi Filho (PMDB). Vitória de Wilma nos dois turnos.
Em 2010, os principais concorrentes foram o governador e candidato à reeleição Iberê Ferreira (PSB) e Rosalba Ciarlini (PFL, hoje DEM). Vitória de Rosalba.
Leia a postagem “Alienação eleitoral” e o segredo para vitória no 2º turno, clicando AQUI, e saiba mais detalhes sobre esse enfoque.
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O que os estatísticos definem em nomenclatura própria por “Alienação eleitoral”, deverá definir as eleições no Rio Grande do Norte nesse segundo turno.
Simplificando: “alienação eleitoral” é o universo de eleitores que optam por não votar em candidatos que disputam aquele pleito. Eles estão entre os que se manifestam “Branco”, “Nulo” ou “Abstenção” (ausência).
A conquista desse contingente apontará para que lado os sinos vão dobrar, dando vitória a um dos protagonistas.
Robinson Faria (PSD) e Henrique Alves (PMDB) sabem disso.
Como fazer para atrair essa multidão é a chave do êxito nas urnas.
No primeiro turno, o Rio Grande do Norte despontou com recorde em termos de alienação eleitoral.
De 2.326.583 eleitores aptos ao voto no primeiro turno, a Justiça Eleitoral computou 1.483.371 votos válidos ao Governo do Estado.
A abstenção até que ficou em nível histórico, com 16,83%.
Foram 16,29% de votos anulados e 7,05% em branco.
Uma multidão de 843.212 eleitores ignorou olimpicamente a existência dos dois candidatos, além dos demais – três – que participaram da corrida eleitoral no primeiro turno.
Eis o alvo.
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