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Pavimentação de estrada abre caminho para serra de João do Vale

Permeada por um passado que guarda registros indígenas, vestígios da colonização holandesa e messianismo no sertão, a serra de João do Vale situada entre os municípios de Jucurutu, Campo Grande e Triunfo Potiguar no Rio Grande do Norte, além de Belém do Brejo do Cruz na Paraíba, a 286km de Natal e 132km de Mossoró, projeta-se definitivamente para 2022 como novo destino serrano do RN. O fato mais evidente dessa perspectiva está no início das obras de pavimentação por paralelepípedo de 19km da estrada que liga a serra à cidade de Jucurutu.

Calçamento é um alento e iniciativa de suma importância para dar vida a vários projetos na serra (Foto: PMJ)
Calçamento é um alento e iniciativa de suma importância para dar vida a vários projetos na serra (Foto: PMJ)

Um sonho antigo dos moradores que perdura por cerca de 40 anos começa a ganhar vida, deixando de ser apenas uma esperança.

Neste mês de dezembro, a Prefeitura de Jucurutu começou os serviços que num primeiro momento vai atender a pavimentação de trechos considerados mais íngremes e acidentados da via. A largada dos trabalhos deixou a população local eufórica com as novas possibilidades que se vislumbram num futuro próximo. “A falta de infraestrutura de estrada foi o grande gargalo que travou ao longo de décadas o desenvolvimento da atividade turística por aqui”, comenta o Anelsino Silva, morador da serra.

Também foi anunciada para o próximo dia 27 de Dezembro a abertura de licitação de outra obra mais arrojada: a execução de 5 km de pavimentação por asfalto numa primeira etapa, partindo da cidade de Jucurutu em direção à serra. Segundo a Secretaria de Obras Públicas de Jucurutu, o projeto está orçado em R$ 9 milhões.

Natureza exuberante, clima e tranquilidade revelam potencial turístico do lugar (Fotos: Francinildo Silva)
Natureza exuberante, clima e tranquilidade revelam potencial turístico do lugar (Fotos: Francinildo Silva)

O montante é oriundo do Ministério do Desenvolvimento Regional (MDR) e execução da Companhia de Desenvolvimento do Vale do São Francisco (CODEVASF).

Com boas notícias, empreendedores acreditam que finalmente o turismo serrano em João do Vale se torne numa possibilidade concreta, a 747 metros de altitude. “É possível que agora possamos tocar nossos projetos com mais confiança de que as coisas realmente vão acontecer. O início desses serviços acende a nossa esperança no turismo”, anseia Janúncio Tavares, empreendedor local.

Hospedagem

Atualmente, a localidade dispõe de apenas 02 empreendimentos de hospedagem em funcionamento, mas com capacidade reduzida de 06 leitos. No entanto, cerca de 15 novos espaços entre mirantes, pousadas e restaurantes têm projetos em andamento para receber o turismo.

Esses empreendedores apostam nas paisagens naturais e nas condições de clima ameno em relação ao sertão, para atrair visitantes.

Ainda que não tenha uma estrutura de acesso e receptivo de organização para o turismo, o local atrai alguns grupos e excursões. Comumente são formados por famílias da região do Seridó, que já se aventuram em visitas à serra de João do Vale de forma esporádica.

Para o jornalista Tárcio Araújo, que pesquisa o potencial da serra de João do Vale há alguns anos, existem um elenco de atrativos no local ao fomento turístico sustentável. Ele cita a “Caverna do Mundo Novo” que teve a trilha aberta este ano e que já recebeu alguns visitantes, “Os tanques coloniais” que teriam sido construídos durante ocupação holandesa no Nordeste a “Chã do Cajueiro” – onde surgiu movimento messiânico do beato Joaquim Ramalho no final do século XIX e que reuniu milhares de seguidores.

Caverna tem trilha aberta para ser uma nova atração (Foto: Tárcio Araújo)
Caverna tem trilha aberta para ser uma nova atração (Foto: Tárcio Araújo)

“Outro ponto que descobrimos recentemente foi um conjunto arquitetônico de pedras em mármore que batizamos de “Vale da Lua”. É uma imensa extensão rochosa com cavidades naturais esculpidas pela ação do tempo. Além da contemplação natural, as torres de pedra serão aproveitadas para ecoturismo como rapel e escalada”, sugere Tárcio.

A população local vislumbra novas possibilidades de trabalho e renda com a inserção do turismo. Há um grupo de mulheres que confecciona a renda renascença e artesanato em palha. Alguns artesãos fabricam esculturas em cimento e ferro reciclável.  Quanto à culinária na serra de João do Vale, há grande potencial para exploração de comidas regionais e fruticultura.

Futuro

“O futuro serrano passa também pelo conceito de Turismo de Base Comunitária para fortalecimento do artesanato, culinária e da cultura do lugar”, avalia Araújo. Ele acrescenta que tem estudado o assunto e que as perspectivas que surgem para a serra de João do Vale ensejam uma nova organização social com vistas ao desenvolvimento do turismo, com apoio público e investimentos privados.

Vale da Lua, primeiros mirantes e turismo ainda primitivo marcam o local (Fotos: Tárcio Araújo e Francinildo Silva)
Vale da Lua, primeiros mirantes e turismo ainda primitivo marcam o local (Fotos: Tárcio Araújo e Francinildo Silva)

“É possível a criação de um comitê gestor que planeje e gerencie essas ações com participação de todos de agentes públicos, nativos e empreendedores. Nada avançará se for feito com amadorismo, por impulso ou intervenções esporádicas de oportunistas. Em qualquer lugar com experiências exitosas, a história de sucesso tem a o trabalho de profissionais qualificados e entidades de conceito, como Sebrae (Serviço de Apoio às Micro e Pequenas Empresas do Rio Grande do Norte – SEBRAE/RN)”, defende.

Leia também série de reportagens especiais sobre a serra de João do Vale clicando AQUI.

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TCU barra compra de máquinas pesadas com orçamento secreto

Do Congresso em Foco e Canal BCS – Blog Carlos Santos

O plenário do Tribunal de Contas da União (TCU) determinou a suspensão de compra de tratores e outras máquinas pesadas pela Companhia de Desenvolvimento do Vale do São Francisco (CODEVASF) a partir de recursos de emendas de relator do tipo RP9, o chamado orçamento secreto. A decisão foi tomada a partir de representação feita pelos deputados Marcelo Freixo (PSB-RJ) e Alessandro Molon (PSB-RJ).

TCU encontrou indícios de irregularidades, como superfaturamento de 259% (Foto: Leopoldo Silva/Agência Senado)
TCU encontrou indícios de irregularidades, como superfaturamento de 259% (Foto: Leopoldo Silva/Agência Senado)

Trata-se de uma decisão pesada contra o chamado “tratoraço”, a compra de tratores pelo Orçamento secreto. O relator do processo foi o ministro Weder de Oliveira.

De acordo com o processo, a documentação foi encaminhada inicialmente por Marcelo Freixo, com pedido de medida cautelar, a partir de informações publicadas pelo jornal O Estado de São Paulo, que informava que a Codevasf, empresa vinculada ao Ministério do Desenvolvimento Regional (MDR) teria destinado recursos provenientes das emendas de relator-geral do Orçamento, as RP9, para comprar maquinário pesado com sobrepreço de até 259%.

A auditoria do TCU verificou existirem, de fato, evidências que fundamentam os indícios de sobrepreço, o que levaria a “elementos suficientes para adoção de medida cautelar, no sentido de suspender as aquisições dos itens das ARP decorrentes das licitações”.

Assim, o TCU decidiu “adotar medida cautelar, com fulcro no art. 276 do Regimento Interno/TCU, tendo em vista a existência dos elementos necessários para sua adoção, a fim de que a Companhia de Desenvolvimento dos Vales do São Francisco e do Parnaíba (Codevasf) suspenda a aquisição das máquinas”.

No RN

No RN, dia 27 passado, o ministro do Desenvolvimento Regional – Rogério Marinho (sem partido) – entregou 39 máquinas em Mossoró (veja AQUI). Porém, não incluiu o próprio município na lista de beneficiados, apesar de ser o de maior extensão do estado, com 137 comunidades rurais e cerca de 300 quilômetros de estradas carroçáveis.

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Esquema bilionário envolve governo federal e parlamentares

Orçamento Secreto de Bolsonaro para parlamentares do Centrão - 09-05-2021 - Jornal O Estado de São PauloDo Congresso em Foco, JB e O Estadão

O governo de Jair Bolsonaro seria o responsável por liberar verbas para emendas parlamentares a aliados no Congresso Nacional, em um esquema de “Orçamento paralelo ” que teria movimentado R$ 3 bilhões desde o final do ano passado. As afirmações são do jornal ‘O Estado de S. Paulo’ .

Segundo o jornal, por meio de ofícios encaminhados principalmente ao Ministério do Desenvolvimento Regional, os parlamentares indicavam à pasta onde gostariam de alocar valores, em montantes muito superiores aos R$ 8 milhões que tem direito anualmente em emendas parlamentares.

Os ofícios mostram que deputados e senadores aliados do governo tinham como proposta preferencial alocar recursos em locais como a Companhia de Desenvolvimento do Vale do São Francisco (CODEVASF), para que a estatal liberasse, com mais facilidade, valores para a conclusão de obras e para a aquisição de máquinas como tratores, caminhões-pipa e escavadeiras.

Nem sempre os valores iam para seus redutos eleitorais . Em alguns casos, aponta a reportagem, tratores eram adquiridos por valores 259% acima do valor de mercado.

Saiba mais AQUI e AQUI.

Nota do Blog – O Ministério do Desenvolvimento Regional, do ministro potiguar Rogério Marinho (sem partido), no epicentro da polêmica.

Caso vai botar o RN no mapa com mais nomes. Aguardemos.

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Vice-presidente promete mudança no semiárido com Bolsonaro

Do Blog Diário Político

Até a chuva marcou presença na abertura do Fórum de Desenvolvimento do Semiárido 2020, no Teatro Municipal Dix-huit Rosado, à tarde dessa quinta-feira (3). Pouco antes da chegada da comitiva da Vice-Presidência da República à Mossoró (RN), a terra ficou molhada, renovando as esperanças do povo da região. Foi com esse clima diferente que a cidade recebeu autoridades para a abertura do Fórum do Semiárido.

Hamilton Mourão, vice-presidente da República, deu entrevista a Vonúvio Praxedes da TCM-Telecom (Foto: Cássio Moreira)

Além do vice-presidente da República, Hamilton Mourão, a presença de várias autoridades, dentre elas, o deputado federal, General Girão, presidente da Frente Parlamentar Mista em Prol do Semiárido – idealizadora do evento. Também participaram da abertura, ministros, parlamentares e outras autoridades.

Mourão frisou que “essa é a hora do Semiárido. A grande tarefa do governo Bolsonaro é criar as facilidades e as condições para que tudo aquilo que foi discutido aqui seja implementado. A água, com bons projetos, vai transformar o semiárido em um grande celeiro”. Segundo Mourão, o Fórum é o ambiente ideal para a produção de convergências e fomentos. “Podemos definir um amplo programa com objetivo de aproveitamento das potencialidades de região”, finalizou.

Para o deputado federal e presidente da Frente Parlamentar Mista em Prol do Semiárido, General Girão (PSL), “o que vemos aqui hoje é a reunião de um leque de conhecimento agregado na nova fronteira de desenvolvimento sustentável. Nosso objetivo é aprimorar o plano e transformá-lo em lei federal, assegurando sua continuidade”, disse.

Transformação

A prefeita de Mossoró, Rosalba Ciarlini (PP), disse que “o plano é uma redenção para o povo e uma oportunidade de geração de empregos e renda”. O vice-governador do Rio Grande do Norte, Antenor Roberto (PCdoB), ressaltou que “a parceria com a Companhia de Desenvolvimento do Vale do São Francisco (CODEVASF) e o Ministério do Desenvolvimento Regional pode mudar todo esse cenário e trazer novas divisas”.

“É possível transformar deserto, em lavouras e pomares produtivos”, emendou o ministro da Educação, Milton Ribeiro. O coordenador de Projetos Especiais da Codevasf, Luiz Curado, destacou que o desenvolvimento do semiárido foi esquecido ao longo dos últimos 20 anos. “Agora é preciso restaurar o plano e escrever uma nova história”.

A a deputada federal e presidente da Frente Parlamentar Mista do Agronegócio e Agricultura Familiar, Bia Kicis (PSL-DF), ministro do Desenvolvimento Regional Rogério Marinho (sem partido), prefeito eleito de Mossoró Allyson Bezerra (Solidariedade) e o senador Eduardo Girão (Podemos-CE) também estiveram presentes no evento e demonstraram apoio ao Plano de Desenvolvimento do Semiárido.

Programação

Nessa sexta-feira (4), os debates estarão acontecendo na Universidade Federal Rural do Semiárido (UFERSA), onde todos os segmentos -agentes públicos, empresas e representantes da sociedade – estarão debruçados debatendo os 13 eixos temáticos propostos, tais como: a água e seu aproveitamento no semiárido, educação, segurança jurídica e fundiária, turismo, meio ambiente, recursos minerais, resíduos sólidos, tecnologia e inovação, transporte e logística, entre outros (veja AQUI).

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Município e Estado ignoram potencial do Vale do Apodi

Por Josivan Barbosa

Infelizmente o município de Apodi não está sabendo aproveitar o seu potencial para atrair empresas de agricultura irrigada. Até o momento já se instalaram na região mais de uma dezena de empresas, entretanto, não conseguem apoio nem do município e nem do Governo do Estado.

Uma boa participação do município poderia ser na manutenção das vias de acesso às empresas rurais, as quais só recebem algum serviço quando os próprios empresários resolvem fazer a recuperação e a manutenção.

A participação do Estado do RN poderia já ter sido na articulação com a Bancada Federal para construir a Estrada do Arenito ligando o Distrito de Soledade à divisa com o Ceará (Tabuleiro do Norte). A pavimentação da Estrada do Arenito iria favorecer o escoamento da produção de frutas para a BR 405 e dessa para o Porto de Natal (mercado externo) ou para o Sudeste do país (mercado interno).

Outra grande importância da Estrada do Arenito seria a ligação com a BR 116 via o Distrito de Olho Dágua da Bica (Tabuleiro do Norte) e desta com os portos do Pecém e Mucuripe (mercado externo).Água atrai investimentos

O município de Apodi foi o principal destino das empresas de agricultura irrigada durante as dificuldades do uso da água na última grande seca. Algumas empresas de porte médio e grande, seguindo exemplos de outras que já haviam se instalado no início da década passada, ocuparam áreas por arrendamento ou aquisição, na região compreendida entre as divisas dos municípios de Apodi – RN, Severiano Melo – RN e Tabuleiro do Norte – CE, entre as estradas carroçáveis Transchapadão (ligando Apodi ao Distrito de Olho D`água da Bica) e a Estrada do Arenito (ligando os municípios de Apodi e Severiano melo ao Distrito de Olho D`água da Bica), via comunidades rurais tradicionais de Campos Velhos e Campos Novos.

Nessa região, as empresas estão perfurando poços no aquífero Arenito-Açu em baixa profundidade (cerca de 150 a 300 m). Este é o principal atrativo, ou seja, água de boa qualidade em baixa profundidade. Nessa região há solos mais argilosos, em cima da Chapada do Apodi e solos mais arenosos na região do entorno da Chapada do Apodi.

A previsão é de que na safra 2019/20 a área plantada com fruteiras (principalmente melão e melancia, banana e mamão) ultrapasse 5000 ha, o que representa, cerca de 25% da área cultivada na Grande Região Jaguaribe-Apodi.

A principal dificuldade enfrentada pelas empresas nessa região é a falta de infraestrutura (estradas e rede de alta tensão de energia), além da necessidade de investimentos em infraestrutura de galpões de embalagens, cercas, instalações fixas de campo, pavimentação no entorno dos galpões de embalagens e áreas de acesso, depósitos e demais instalações fixas de campo.

Cultivo de tilápia ganha espaço

Outra atividade econômica que o município de Apodi está ignorando é o cultivo de tilápia. A piscicultura, especialmente o cultivo de tilápia, vem ganhando espaço entre os consumidores e a integração do peixe garante maior rendimento ao produtor, que tem a comercialização garantida no fim do processo.

Uma das grandes vantagens do Vale do Apodi é a disponibilidade de água ao longo da várzea do Rio Apodi-Mossoró.

Uma articulação do município com o Governo do Estado poderia facilitar a instalação de cooperativas integrando pequenos produtores com foco na mão de obra, ficando a parte de investimentos na responsabilidade das cooperativas.

Bovinocultura leiteira precisa de apoio

Em função da característica rural do município de Apodi, outra atividade que precisaria receber atenção especial dos governos municipal e estadual é a bovinocultura leiteira. O município não precisa inventar a roda. Basta seguir os exemplos do Sertão Central do Ceará (bacia leiteira de Quixeramobim) e região do Seridó (Bacia leiteira de Jucurutu).

O desenvolvimento dessa cadeia produtiva atrai investimentos de laticínios que gera muito emprego e renda e conecta o pequeno produtor ao negócio rural competitivo.

UNP

Os grupos Ser Educacional e Cruzeiro do Sul têm interesse na operação brasileira da Laureate, empresa americana de ensino superior que colocou à venda todos os ativos no mundo.

No Brasil, a Laureate é dona de 11 instituições de ensino em várias regiões do país. Entre elas, estão a Anhembi-Morumbi e FMU, ambas de São Paulo; a UnP, no RN; o IBMR, no Rio, a UniRitter, em Porto Alegre, entre outras.

Inicialmente, a intenção da Laureate era se desfazer de todo o grupo ou em grandes blocos como, por exemplo, os negócios de Brasil e Chile juntos, mas esse projeto foi descartado diante da complexidade desse tipo de transação e optou-se por uma venda por país.

RN na Codevasf

O Rio Grande do Norte poderá ter apoio da Companhia de Desenvolvimento dos Vales do São Francisco e do Parnaíba (CODEVASF).

Graças à articulação do presidente do Senado, Davi Alcolumbre (DEM-AP), a Câmara dos Deputados aprovou a inclusão de mais três Estados na área de atuação da Codevasf. O texto, que ainda será mais discutido, determina que o órgão poderá fazer obras no Rio Grande do Norte, Paraíba e no Amapá.

A Codevasf está ligada ao Ministério do Desenvolvimento Regional, com Sede em Brasília e oito Superintendências Regionais na sua área de atuação, além de escritórios de representação e de apoio técnico e unidades de produção e pesquisa.

Josivan Barbosa é professor e ex-reitor da Universidade Federal Rural do Semiárido (YFERSA)

Indústria acredita em sequência de crescimento em 2020

Por Josivan Barbosa

O ano começa com boas perspectivas para a indústria do calcário e para a nossa região e, também, muito importante na geração de emprego e renda em função de três fábricas de cimento e de inúmeras indústrias de cal.

A indústria do cimento no país espera ter, neste ano, crescimento semelhante ao do ano passado, quando o volume comercializado do insumo aumentou 3,5%, na comparação anual, para 54,5 milhões de toneladas. A tendência é que a demanda continue a ser puxada por edificações residenciais.Mas empreendimentos residenciais e industriais devem ganhar participação, e infraestrutura apresentará um início de recuperação.

Em um ambiente otimista, a expansão estimada pelo Sindicato Nacional da Indústria do Cimento (SNIC) para as vendas de cimento chegaria a 5,1% e, em um cenário pessimista, limita-se a 2,2%.

Royalties

O governo estuda usar a arrecadação “extra” com royalties e participações especiais do petróleo, em momentos de alta da commodity no exterior, para amortecer o impacto sobre preços de combustíveis no mercado doméstico.

Essa é a principal alternativa em estudo para ter um mecanismo permanente, uma espécie de fundo de compensação, que atenue os riscos de disparada no valor da gasolina e do óleo diesel.

RN perde fábrica

Mais uma fábrica que o nosso Rio Grande do Norte que precisa de sorte não consegue atrair. Dessa vez foi a Fábrica da Ypê. A paulista Ypê, fabricante de produtos de higiene e limpeza, vai instalar uma nova fábrica em Itapissuma (PE), a 35 km do Recife.

O investimento deve somar cerca de R$ 300 milhões – considerando também o centro de distribuição que será instalado ao lado da unidade.

A unidade em Itapissuma deve gerar cerca de 700 novos empregos, entre diretos e indiretos.

Campos maduros

A região polarizada por Macau vive a expectativa de melhorias na área de petróleo no tocante à geração de emprego e renda. No mercado, a expectativa é que a saída da Petrobras desses campos maduros – que pouco receberam investimentos da estatal nos últimos anos – desencadeie novos projetos de revitalização dessas áreas.

Esse é o espírito da 3R Petroleum, empresa brasileira criada com foco na recuperação de campos terrestres e que conta com o suporte financeiro de fundos geridos pela Starboard. A 3R comprou o Polo Macau, que engloba sete campos “onshore” no Rio Grande do Norte, por US$ 191,1 milhões.

Voltalia

Um dos principais vencedores dos leilões de energia de 2019, o grupo francês Voltalia prevê investir R$ 1 bilhão no Brasil nos próximos anos. Os recursos são destinados à construção de empreendimentos de geração de energia eólica, solar e hidrelétrica que já estão contratados e levarão a companhia a atingir 1 gigawatt (GW) de capacidade instalada no país.

A empresa possui hoje 483 megawatts (MW) em operação no Brasil. Dois parques eólicos, Ventos Serra do Mel 1 e 2 (VSM1 e VSM2), no Rio Grande do Norte, estão em fase final de implantação e deverão entrar em operação comercial no fim do primeiro semestre de 2020.

Sede da Voltalia

A Voltalia também pretende concluir no primeiro semestre de 2020 a construção de um centro operacional, em Mossoró, na Avenida Antônio Campus (avenida da UERN). Na unidade, a empresa poderá monitorar todos as suas usinas ao redor do mundo, além de realizar atividades de operação e manutenção para projetos próprios e de terceiros.

Leia também: Multinacional de energias tem Mossoró como ponto estratégico.

Políticas públicas

Em pleno 2020 não conseguimos implementar uma cultura de avaliar as políticas públicas e julgá-las segundo parâmetros claros de custo-benefício e impacto. Programas governamentais e investimentos estatais ainda são decididos com base no achismo de governantes e burocratas – quando não no oportunismo de corruptos e corruptores mal disfarçado em promessas vãs de aumento do emprego ou do crescimento do PIB. Mudanças de governo, principalmente quando envolvendo a troca de grupos políticos no comando, trazem consigo a paralisação de programas e tentativas de reinvenção da roda, começando tudo de novo a partir do zero.

No Rio Grande do Norte que precisa de sorte há duas obras públicas que estão abandonadas ao longo da BR 405 com investimentos já utilizados da ordem de mais de 200 milhões de reais.

Ajuda ao RN

Até o momento o nosso Rio Grande do Norte que precisa de sorte ainda não conseguiu convencer a equipe econômica do Governo Federal na adesão ao Plano Mansueto ou Programa de Equilíbrio Fiscal (PEF). Somente o Rio de Janeiro teve seu pedido de adesão ao Regime de Recuperação Fiscal homologado pelo governo federal. Minas Gerais, Rio Grande do Sul e Goiás pleiteiam a inclusão no programa de socorro financeiro.

Pela proposta original, do governo federal, os Estados que quiserem aderir ao PEF teriam de escolher (e cumprir) três alternativas dentro de um universo de oito medidas de ajuste fiscal.

O conjunto de medidas engloba a venda de estatais e a redução de incentivos ou benefícios tributários, entre outras.

Imposto de Renda

O governo acabou, discretamente, com uma das deduções legais do Imposto de Renda (IR) da Pessoa Física. Até 2019, era possível abater os gastos dos patrões com a previdência de empregados domésticos, num valor de até R$ 1,2 mil.

A medida é o primeiro passo da política do ministro da Economia, Paulo Guedes, de acabar com as deduções no Imposto de Renda. Ele tem argumentado que esse tipo de benefício é aproveitado apenas pela população mais rica, que tem vantagens em fazer a declaração completa, enquanto a maior parte dos contribuintes está isenta ou faz a declaração simplificada.

CODEVASF

Por incrível que pareça o Amapá agora faz parte da área atendida pela Companhia de Desenvolvimento do Vale do São Francisco (CODEVASF). Vejamos abaixo a discussão sobre o tema: “Como é que se cria uma instituição no Brasil para o Vale do São Francisco, o Velho Chico, e hoje está em Brasília, está no Norte do Brasil, está no Centro-Oeste? Isso é uma irresponsabilidade. Não é possível que continuemos desta forma: os organismos regionais transformando-se em organismos nacionais.

O vale do São Francisco tem uma região muito bem definida, muito bem caracterizada. O Parnaíba, idem. Meu Deus do céu, só falta incluir a região Sul na Codevasf”, criticou o senador Elmano Férrer (Podemos-PI). “Isso é descaracterizar totalmente a instituição. Não há mais recursos”, complementou o parlamentar.

Parceria academia e empresa

Parcerias com universidades podem ser uma opção interessante para o desenvolvimento tecnológico para pequenas e médias empresas e aquelas com maior dificuldade de acesso a financiadores de projetos nessa área. Tornou-se um mote no mundo empresarial ressaltar a importância de investimentos em inovação, mas nem sempre as companhias dispõem de ferramentas para desenvolver pesquisas nesse sentido. Poder contar com pesquisadores de primeira linha, alocados em faculdades, é um passo importante nesse sentido.

Como se sabe, os desafios tecnológicos só aumentam e os empresários sabem que correm graves riscos se os seus negócios ficarem para trás. Uma grande preocupação da sociedade como um todo – e não apenas dos dirigentes de empresas e de instituições financeiras – é o impacto que o avanço tecnológico está tendo e terá no mercado de trabalho a curto e médio prazos.

Dessalinização da água

No Ceará, que como outros Estados do Nordeste tem enfrentado um período seco que se prolonga por seis anos, o governo local se prepara para licitar um projeto inédito no Brasil: dessalinização da água do mar para torná-la potável. O edital ficou em consulta pública até o fim de outubro. Nesse momento, o Tribunal de Contas do Estado analisa as contribuições.

Estima-se que até o primeiro semestre a concorrência possa ser aberta. Será o primeiro projeto desse gênero no Brasil, com um investimento previsto de R$ 500 milhões para atender cerca de 300 mil cearenses da região metropolitana de Fortaleza.

Eles vão ser atendidos com água potável proveniente da planta de dessalinização e que será fornecida na rede pública da companhia estadual que atende o Estado. Caso haja sobra, a água poderá ser direcionada para atendimento à indústria.

Josivan Barbosa é professor e ex-reitor da Universidade Federal Rural do Semiárido (UFERSA)