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Câmara debaterá inclusão/exclusão escolar de crianças e adolescentes

A Câmara Municipal de Mossoró vai realizar uma audiência pública para debater a inclusão/exclusão escolar de crianças e adolescentes em acolhimento institucional. A audiência é uma inciativa do mandato do vereador professor Francisco Carlos (Avante) e será realizada na quinta-feira, 25, as 9h da manhã.Audiência pública

Esta é a segunda vez que uma audiência será realizada para debater o tema. Em 2022, uma primeira audiência, também realizada através do mandato do vereador Francisco Carlos, reuniu educadores, representantes da educação municipal e estadual e conselheiros tutelares. Da reunião, um documento foi criado com diretrizes para uma educação mais inclusiva voltada para jovens em acolhimento institucional.

A audiência pública será transmitida ao vivo pela TV Câmara Mossoró, no canal 23.2 da TCM e pelo site www.mossoro.rn.leg.br .

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Primeiros os ´pets’, depois as crianças

adesivo-de-parede-pata-de-cachorro-gato-com-coracao-2-carinhoPor Magnos Alves (Do Portal do Oeste)

Os mossoroenses já imunizaram mais de 24 mil cães e gatos contra a raiva, mais de 60% do total.

Ao mesmo tempo, pouco mais de 2 mil crianças, 13% do total, foram vacinadas contra a pólio, em Mossoró.

Reflita!

Nota do Canal BCS (Blog Carlos Santos) – Não é preciso ir muito longe na reflexão: basta circular por praças e calçadas. Os ‘pets’ (“bichos de estimação”, expressão – como sempre importada) estão substituindo os filhos, mesmo entre jovens casais. Se eles soubessem o prazer de ir pegar um filho na escola, testemunhar seu crescimento… Ah, esses moços…!

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Ninguém chorou por ti

Por Inácio Augusto de Almeida 

Faz tanto tempo. Eu não era nem nascido. Crupe é o nome da doença que te levou. Hoje, uma coisa boba. Mas naqueles dias antibióticos era difícil. Difícil e caro, principalmente para nosso pai que trabalhava numa mina de carvão no interior de Santa Catarina. Vê, Geraldo, nem mesmo o nome da cidade eu me lembro mais.

Para ti, irmão, faltou um comprimido de penicilina e o homem da mercearia, que sempre te via brincando nos fins de tarde, só soube da tua morte dias depois do teu enterro.  sofrimento, reflexão, solidão, depressão, isolamento, banco de praça,

A preta velha que te rezou, fez de coração, mas, coitada, rezava sozinha, sem nenhuma corrente formada para ajudá-la.

Eu, apesar de não te ter conhecido, sempre me lembro de ti. Papai sempre me falava de teus cabelos pretos, encaracolados, teus olhos castanhos, vivos, de uma vivacidade que denotava uma inteligência muito acima do normal; dizia que tu te foste porque Deus quis.

Sei não, irmãozinho. Sei não.

Ou será que se tu tivesses naquela noite uma equipe médica à tua cabeceira, com todos os medicamentos possíveis e imagináveis; e muitas, muitas pessoas a pedir por ti, será que o Criador não teria um pouco mais de paciência e deixaria para te levar só muitos anos depois?

Tu foste um nordestino que morreu como morrem milhões e milhões de irmãos nossos. Sem um comprimido sequer. E o que é pior irmãozinho, sem que ninguém derramasse uma lágrima sequer. Porque sobre ti e sobre os teus coleguinhas de desgraça não se criou nenhum clima emocional. Não se dramatiza sobre os Zés da vida. E são tantos, Geraldo.

Tantos, tantos que me causa espanto, quando vejo gente tão insensível, à fome e à miséria destes pequeninos, chorando nas ruas por um doente qualquer. E era dos pequeninos que o Senhor mais gostava ou não foi ele que disse: “ai de quem tocar em um dos meus pequeninos…”

Sabe, Geraldo, ainda hoje morrem pequeninos de Crupe. Não, irmãozinho, não. Existem antibióticos, sim. Bastam alguns comprimidos e pronto.

A doença que te matou é hoje fácil de curar. Tão fácil como uma simples gripe. Mas os garotinhos do Nordeste continuam morrendo de crupe. Por quê?

Ora, nenhum destes que choram e oram por um doente que nunca viram, é capaz de mandar para um pequenino uma pílula.

E elas custam tão pouco! Menos do que o preço de uma cerveja.

Não consigo entender a sensibilidade desta gente que chora a morte de um animal de estimação ou de algum famoso a quem nunca viram. Se alguém consegue entender, não sei.

Não, não me pergunte, irmãozinho, eu realmente não entendo esta sensibilidade.

Sinto vontade de rir. De rir e de chorar.

Tu te foste, irmão querido. Não tinhas sequer cinco aninhos. Eu não te vi, mas em mim ficaram as imagens de ti através do meu pai, que como nordestino que era, não podia chorar por ti.

Nem ele nem ninguém chorou por ti. E hoje, ninguém chora, reza ou faz promessas pelas crianças que, como tu, morreram e morrem sem a menor assistência.

Ninguém chora por elas, ninguém, como ninguém chorou por ti.

Inácio Augusto de Almeida é jornalista e escritor

P.S. – Quatro mil crianças morreram de subnutrição em 2020 e ninguém chora por elas. (Fonte: Data SUS- Ministério da Saúde).

Lembranças de Valentina, Arthur, Maria Eduarda e Ana Lívia

A rede social Facebook, onde raramente passamos os olhos, mas a mantemos para compartilhamento de links do Blog Carlos Santos, lembra uma postagem realizada há exatos três anos: dia 25 de janeiro de 2017.

Facebook lembra três anos de visita ao Hospital Maternidade Almeida Castro (HMAC), em janeiro de 2017 (Reprodução)

Nela, retratamos visita que fizemos ao Hospital Maternidade Almeida Castro (HMAC). Revimos o texto e rapidinho veio o rebobinamento do périplo que fizemos pelo HMAC. Difícil não nos emocionarmos novamente.

Abaixo, a postagem que fizemos à época, continuada em dias posteriores, sobre a realidade que encontramos. Testemunhamos o ressuscitamento de uma instituição que abre a vida para milhares de crianças e zela mães em seu momento mais sublime.

Por Valentina, Arthur, Maria Eduarda, Ana Lívia…

Passei algumas horas hoje no Hospital Maternidade Almeida Castro (HMAC) em Mossoró.

Tempo para muitas observações, conversas, questionamentos. Perguntas, perguntas, perguntas. Planilhas, números. Sobe e desce de escadas; entra e sai em salas, alas, corredores. Elevador para cima, para baixo.

Em seus escaninhos…novos, reformados, antigos, bem antigos, a tranquilidade que contrasta com o que eu vira no passado.

Ouvi, escutei: dirigentes, servidores, mães…

Captei o choro de bebês, vozes balbuciando palavras ininteligíveis.

Vai e vem de gente.

Em boa parcela desse tempo, optei por conhecer sua UTI Neonatal.

Sabia que ia me emocionar. Assim foi.

Fez-me bem.

Testemunhei bebês minúsculos, frágeis, brigando pela vida.

Nenhuma daquelas crianças era minha, nem devo conhecer seus pais; talvez nunca as veja – engatinhando, andando ou correndo por aí.

Mas é impossível não imaginá-las engatinhando, andando, correndo por aí.

Torço por cada uma, como se minha fosse.

Valentina, Arthur, Maria Eduarda, Ana Lívia…

Amém!

Leia série sobre o HMAC, postada após essa crônica acima:

Força-tarefa avança na salvação do Almeida Castro;

Do caos à vida, a nova situação do Hospital Maternidade Almeida Castro;

Salvação do Almeida Castro enfrenta interesses contrariados.

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Morte de crianças em Mossoró é acima da média

A deputada Larissa Rosado (PSB) manifestou preocupação com a crise na saúde em Mossoró, referência de atendimento para toda a Região Oeste, que não conta com Unidades de Tratamento Intensivo voltadas para o público infantil. O pronunciamento foi motivado pela morte de uma criança, Joice Duarte, de um mês, vítima de pneumonia, na semana passada.

“Eu sou mãe de três filhos, entre eles o caçula de apenas três meses e fiquei chocada com essa situação. A equipe medica do Tarcísio Maia fez o possível, elogio o esforço. Como cidadã e representante do povo não posso me calar. Essa morte poderia ser evitada com a instalação da UTI pediátrica e não é por falta de cobrança nem de previsão orçamentária”, declarou Larissa Rosado.

A deputada incluiu no Orçamento de 2012 emenda no valor de R$ 600 mil para a instalação de UTIs pediátricas em Mossoró.

“A ONU estabelece como parâmetro a morte de 20 crianças para cada grupo de 100 mil. Em Mossoró, segundo o IBGE, morrem 75 crianças para cada 100 mil. É a segunda cidade no Rio Grande do Norte, onde morrem mais crianças. Uma situação preocupante”, argumentou.

Com informações da Assessoria de Imprensa da Deputada Larissa Rosado.

Médico expõe tragédia que afeta crianças do RN

O médico anestesiologista Madson Vidal, ativista digital contumaz em defesa da saúde pública, utilizando principalmente o microblog Twitter, foi entrevistado hoje pelo Bom Dia RN (InterTV Cabugi/Rede Globo de Televisão).

Reiterou o combate que faz através da internet, em constantes denúncias e apelos à mudança no sistema de saúde no Brasil e Rio Grande do Norte.

Seu enfoque é sobretudo em relação ao atendimento às crianças.

Segundo Vidal, há poucas semanas uma criança agonizou por 23 dias até morrer, por falta de vaga em UTI. “Como pai e como médico a gente sente muito isso”, lamentou.

Atestou que os governos têm dado atenção menor a esse direito humano e constitucional. Não é um pecado da atual gestora Rosalba Ciarlini (DEM) tão somente, mas desleixo continuado de gestão para gestão.

– Nosso estado tem uma deficiência de mais de 100 leitos de UTI Pediátrico e Neonatal. Isto tem provocado sofrimento e mortes – asseverou.

– Diariamente, em média, quatro bebês no nosso estado, que precisam de UTI Neonatal, ficam alojados, improvisados, nos centros cirúrgicos – emendou.

Em sua ótica, o caos começa na deficiência da atenção básica e deságua nos hospitais.

Nota do Blog – A dor de perder um filho deve ser algo tão dilacerante, que não existe uma denominação específica para a perda. Se alguém perde a esposa (o), fica viúvo (a). Se um filho pai (ou mãe), vira um órfão.

E o pai (mãe) que perde um filho, como o denominamos? Em nossa língua não existe um vocábulo para tamanha dor.

O agravante é que boa parte dessas mortes poderiam ser evitadas.

Temos, informalmente, um decreto de morte, quase no modelo de Herodes. A infância está condenada a morrer.