“Precisamos dar um sentido humano às nossas construções. E quando o amor ao dinheiro, ao sucesso, nos estiver deixando cegos, saibamos fazer pausas para olhar os lírios do campo e as aves do céu.”
Érico Veríssimo
“Precisamos dar um sentido humano às nossas construções. E quando o amor ao dinheiro, ao sucesso, nos estiver deixando cegos, saibamos fazer pausas para olhar os lírios do campo e as aves do céu.”
Érico Veríssimo
Por Odemirton Filho
“Uma noite de tempestade, o vento sacode as telhas, faz tremer portas e janelas. A chuva tamborila no telhado, fustiga as vidraças. Relâmpagos clareiam o quarto, trovões rasgam o silêncio”(…). (Fragmento do livro Olhai os Lírios do Campo, de Érico Veríssimo).
Nos últimos dias a chuva tem caído com força nesta terra de Santa Luzia e em algumas cidades no nosso sofrido Rio Grande. O inverno será dos bons, com as benções de Deus, pois os açudes e reservatórios sangrando trazem esperança ao sertanejo.
A chuva cai como nas biqueiras dos meus tempos de menino, ali, nas ruas Tiradentes e José de Alencar, no centro de Mossoró, quando molhava a minha infância. Hoje, eu vejo a chuva cair, e sobram lembranças. Às vezes, faz até um friozinho em Mossoró, já pensou?
Aliás, dia desses eu li uma crônica de Antônio Maria. “O bom Maria”, como chamavam seus amigos, dizia que, quando criança, brincava com os seus carrinhos na chuva. Ao contrário do cronista, eu “andava” de bicicleta e ficava com a roupa toda “ensopada”. E feliz. Muito feliz.
Naqueles tempos, para mim, inexistiam problemas. Tudo era motivo para brincadeira. Curtia a minha infância com minhas irmãs, primos e amigos. Não tínhamos medo dos raios e trovões. Meu pai, de vez em quando deixava o trabalho de lado e nos acompanhava nesses banhos de chuva, e eu achava “massa” vê-lo alegre como nós, crianças.
Lembro-me de uma bela crônica de Paulo Menezes, colaborador do “Nosso Blog”, que nos deixou no ano passado. Narrou o cronista que seu pai ficava sentado na calçada da casa, escutando um rádio de pilha, à espera dos raios cortarem o céu do sertão.
Pois é, uma chuvinha faz bem, mas falta-me a coragem dos meus tempos de criança. Aqui ou acolá me arrisco a tomar banho no meu quintal, e fico igual a pinto no lixo. Vez ou outra, saboreio um café ou uma dose de uísque para esquentar a alma, vendo a chuva cair, porque, com os pingos d´água, vem à memória os meus tempos da infância.
Diria o saudoso Paulo Menezes:
“Tempos bons. Saudades. Muita”.
Odemirton Filho é bacharel em Direito e oficial de Justiça
Por Paulo Linhares
Que têm a ver Érico Veríssimo e Elino Julião? Por desconcertante que isto possa ser para alguns, muitas coisas os unem, a partir da plataforma comum de que ambos foram artistas, no sentido mais profundo e legítimo dessa palavra. O primeiro, escritor gaúcho e um dos maiores romancistas da literatura brasileira.
Um dos belos romances de Veríssimo, de sua fase mais madura, “O Senhor Embaixador”, narra o livro a vida na republiqueta fictícia de Sacramento, um estado-ilha latino-americano, tendo como personagem central o embaixador desse pequeno país nos Estados Unidos da América, o velho militar Gabriel Heliodoro que é íntimo do sanguinário ditador de Sacramento.
À frente de numerosa família, Gabriel rompe com a esposa Franscisquita e família, indo viver a aventura de um duplo romance ao lado de uma amante glamourosa, a sua conterrânea Rosalia Vivanco, e de Frances Andersen, americana branca, loira, fútil e rica.
Na trama, faz contraponto com o corrupto e dissoluto embaixador Gabriel, o jovem Pablo Ortega, secretário da embaixada, com menos de 30 anos, filho e neto de revolucionários que, apesar de hostil à ditadura de seu país, mantém um relacionamento de amizade com aquele. Outras personagens comparecem num cenário de muitas tramas individuais, além de um movimento revolucionário que abala Sacramento. Enfim, uma excelente obra literária de Veríssimo conhecido pelas personagens complexas, a riqueza com que são construídas suas as tramas.
Por seu turno, Elino Julião, foi um dos mais notáveis compositores da música nordestina, do estilo “baião” tornado célebre por Luiz Gonzaga, Jackson do Pandeiro, Dominguinhos e Sivuca, entre outros. A lembrança aqui focaliza uma canção de autoria de Julião, um dos seus grandes sucessos, “Filho de Goiamum”, naquela estrofe primeira que diz: “É filho de guaiamum/ É filho de guaiamum/ Todo mundo tem um pai/ E eu não tenho um (…)”.
E o que isso tem a ver com o “Senhor Embaixador”? Quase tudo! Ora, o presidente Bolsonaro tem mostrado uma inequívoca propensão autoritária no comando do governo da República, quando trata com enorme e não menos irresponsável desdém importantes instituições jurídico-políticas e valores fundamentais das sociedades civilizadas.
A sua insistência em entronizar o filho Eduardo Bolsonaro no posto de embaixador do Brasil nos Estados Unidos da América tem dado azo a inacreditáveis bizarrices. Exemplo disso foi o que disse o presidente em entrevista à jornalista Leda Nagle, quando defendeu que se o novo embaixador do Brasil em Washington “tem que ser filho de alguém, então por que não pode ser o meu?”.
Uma coisa é certa: filho de goiamum não pode ser embaixador; é sempre filho de alguém, sobretudo, “filho d’algo” como se dizia antanho, que se torna embaixador. O problema é que Eduardo Bolsonaro, a despeito de ser o deputado federal que obteve maior votação em 2018 e de ser o presidente da Comissão de Relações Exteriores da Câmara dos Deputados, teima em ser o embaixador do Brasil em Washington.
Ora, o nosso primeiro embaixador nos EUA foi nada mais nada menos que Joaquim Nabuco; depois, manteve-se a tradição de manter naquele posto diplomático os melhores quadros do Itamaraty. Enfim, ser embaixador dor Brasil nos States não é tarefa para amadores, sobretudo, para quem fala um inglês macarrônico e cuja maior experiência naquele país foi fritar desqualificados hamburgers, se é que estes podem ser tidos como comida aceitável.
Fato é que o ônus do presidente Bolsonaro para entronizar o seu polêmico filho Eduardo na embaixada do Brasil em Washington é enorme. Além de ser essa investidura contrária à tradição da diplomacia brasileira, constituiria inequívoco caso de nepotismo.
Mais grave é que, na obrigatória sabatina de Eduardo Bolsonaro no Senado Federal, dificilmente será aceita: em números atuais, o jovem Bolsonaro obteria míseros 14 votos num universo de 81, o que deixa claro que ninguém de juízo gostaria de ver no posto mais importante da diplomacia brasileira alguém inexperiente e, o pior, claramente um sabujo das reinações de mister Trump. Nos últimos dias, o presidente Bolsonaro tem mostrado cansaço nessa empreitada: fazê-lo o senhor embaixador do Brasil em Washington pode representar um enorme e desnecessário desgaste.
Enfim, o menino Bolsonaro não deve ser o nosso embaixador em Washington. Se o pai, tiver algum juízo. Se mantiver o fantástico argumento de que, repita-se, “tem que ser filho de alguém, então por que não pode ser o meu?”, deverá sofrer grande derrota política.
Vai o presidente Bolsonaro bancar isso? Talvez não, aliás, já dá mostras de que mandar o seu serelepe filho para babar o alaranjado Trump implica incompensáveis ônus políticos. O Brasil não precisa desse canhestro senhor embaixador, mesmo que não seja um reles filho de guiamum. É mais da conta!
Paulo Linhares é professor e advogado
“Quando os ventos de mudança sopram, umas pessoas levantam barreiras, outras constroem moinhos de vento.”
Érico Veríssimo
“Tempo é como criança, quanto mais a gente dá atenção para ele, mais ele se mostra”.
Érico Veríssimo
“A vida começa todos os dias.”
Érico Veríssimo
“Precisamos dar um sentido humano às nossas construções. E, quando o amor ao dinheiro e ao sucesso nos estiver deixando cegos, saibamos fazer pausas para olhar os lírios no campo e as aves do céu”.
Érico Veríssimo
“A vida começa todos os dias.”
Érico Veríssimo