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Rincão, 59.646-585

Por Bruno ErnestoCEP-59646-585-RINCAO

No último dia 26 de maio, após quase cinco anos da última vez que pude segurar a mão do meu pai, passei em frente à Capela de Santa Teresinha no intuito de organizar o aniversário do meu filho Pedro.

Estava fechada, mas, por um instante, parei ao pé da porta central da capela e lembrei daquele dia, o mais triste da minha vida, e, embora já tenha passado de carro inúmeras vezes em ali em frente, desde aquele dia não tinha posto os pés naquela calçada.

Apesar da saudade, a vida segue e ficaram as boas lembranças dele.

Há alguns meses compartilhei o registro da rua a qual foi denominada Rua Professor Francisco Ernesto Sobrinho, em homenagem ao meu pai, cujo registro junto aos Correios havia sido concluído com a designação do CEP.

Foi uma proposição do confrade da Academia de Ciência Jurídicas e Sociais de Mossoró (ACJUS), e vereador do município de Mossoró/RN, Professor Francisco Carlos, a quem, novamente e de público, agradeço em nome da minha família pela homenagem.

Após localizar a rua, constatei um fato curioso.

Quem conheceu meu pai, sabia de sua paixão pela Esam/Ufersa.

Lá graduou-se em Engenharia Agronômica no ano de 1972, sendo concluinte da segunda turma da recém-criada ESAM no ano de 1967.

Quando veio estudar em Mossoró/RN, morou num pequeno apartamento improvisado embaixo da caixa d’água que fica na entrada do campus Oeste da Ufersa, lá morando de 1967 a 1972.

Foi professor da Esam/Ufersa de agosto/1976 a janeiro/1996, quando, a contragosto, teve que requerer sua aposentadoria. Ele e muitos professores na época, pois as mudanças econômicas e administrativas pelas quais o país passava naquela acabou por antecipar a carreira de muitos servidores no país.

Não se fez de rogado e, no dia seguinte ao pedido de aposentadoria, foi para Esam como se nada tivesse acontecido.

Minha mãe estranhou, mas, sábia como é, sabia que ele só deixaria de ir à Esam/Ufersa em duas situações: se não tivesse condições físicas de ir (Leia-se, se o trancassem em casa), ou se já não estivesse nesse plano terrestre.

De fato, só deixou de frequentar a Esam/Ufersa em novembro de 2019, um mês e meio antes de falecer, em 13/12/2019.

Por obra do acaso – talvez não – a rua que leva seu nome está localizada no bairro Rincão, que, registre-se, fica ao lado da Esam/Ufersa, de modo que até o significado do nome rincão não foi suficiente para afastá-lo de lá.

Bruno Ernesto é advogado, professor e escritor

Lá de cima

Por Bruno Ernesto

Foto do açude Gargalheiras: Rnatural
Foto do açude Gargalheiras: Rnatural

O período de chuvas na região Nordeste, sem dúvida, é o período mais aguardado pelo sertanejo.

A cheia dos açudes, com as tão esperadas sangrias, é um espetáculo que jamais perderá sua beleza.

Quando criança, acompanhava meu pai nas suas aulas de campo da então Esam, hoje Ufersa, onde meu pai era professor no curso de agronomia.

Por inúmeras vezes, passávamos o dia inteiro no meio da mata; ele explicando aos alunos e eu apenas a olhar ao redor, admirado com o aguçamento de todos os meus sentidos, especialmente o olfato e a visão; sentindo o cheiro de mato recém-quebrado, e, por vezes, o cheiro de chuva, além de ficar impressionado com a imensidão das planícies ou das serras e montanhas por onde passávamos.

O que mais me impressionava naquele tempo era a visão que tinha de cima das serras. O sertão era infindável dali de cima.
Diante de tudo aquilo, um pensamento recorrente me vinha à mente: como chegamos ali? Não nós, ali reunidos; mas como o homem ali chegou?

Para mim era tudo muito confuso, distante e estranho.

Com meu pai e os inúmeros alunos dele, pude percorrer locais que pouca gente tem acesso ainda hoje.

Vi açudes, montanhas, serras, rios, córregos, cavernas, minas, salinas, dunas, mangue, muitas cidades do interior e o sertanejo. Muitos sertanejos.

Foi assim que despertei, sem saber, para um dos assuntos dos quais hoje, poucas pessoas dão importância: a historiografia.
Evidentemente que muitos se dedicaram a escrever sobre o período colonial do Brasil, especialmente da região Nordeste brasileira. Sua ocupação, exploração e expansão territorial.

Entretanto, a árdua tarefa de análise e interpretação documental é sempre desafiadora a novas escritas. Mas nada como andar pelo sertão.

Com a historiografia de um lugar, é possível traçar como se deu a ocupação territorial de qualquer lugar. Pelo menos, seu passado recente.

No caso da região Nordeste, é incalculável a quantidade de registros históricos da sua ocupação; desde a chegada dos europeus ao continente sul-americano, sendo possível traçar o seu desenvolvimento nos aspectos econômicos, sociais e políticos até a atualidade.

Um aspecto relevante nos recortes históricos, é que, como qualquer outra região do mundo, a historiografia do lugar fez-se a partir de seus habitantes, hábitos, costumes e tradições.

Entretanto, mais que a geografia e o acaso, na historiografia, a convicção dos homens também moldaram o que hoje se vê.

Embora os fatos, em si, não sejam os únicos objetos de observação e estudo, uma vez que a historiografia observa e vai muito além dos homens como únicos protagonistas, é impossível querer explorar uma temática sem que se nomine seus atores. Ainda que não se possa fazê-la, exclusivamente sobre os mesmos.

No caso do sertanejo, basta buscar um pouco de nossa própria história familiar para constatarmos que a grande maioria de nos somos oriundos do interior.

Muitos de nós tem uma história ou tem registrado na memória as visitas de familiares, especialmente os avós, que moram em pequenas cidades do interior.

Talvez sejam as melhores recordações que muitos de nós temos da infância.

E nesses tempos de chuvas no nosso sertão, mais uma vez essas recordações se avivam em nossas mentes e nos faz reviver aquele bom e feliz tempo, renovando a vida com as cheias e sangrias dos açudes, revigorando a coragem e convicção do sertanejo.

Bruno Ernesto é professor, advogado e escritor

Projeto Bicho-da-Seda começa a dar seus ‘frutos’

Por Josivan Barbosa

Nas décadas de 80 e 90 a antiga a Escola Superior de Agricultura de Mossoró (ESAM), hoje Ufersa, tinha um importante projeto de pesquisa em parceria com o Governo da China sobre sericicultura. O projeto Bicho- da-Seda como era conhecido pela comunidade acadêmica, era coordenado pelo brilhante professor Marcos Filgueira.

Naquela época poucos acreditavam no potencial econômico que o projeto poderia trazer para o nosso RN que já precisava de sorte.

Passadas mais de duas décadas daquele importante projeto de desenvolvimento científico e tecnológico da nossa ex-ESAM, o Estado mais rico do país mostra resultados animadores com o bicho-da-seda.

O fio da meada

O número de produtores paulistas dedicados à atividade da Sericicultura vem crescendo nos últimos quatro anos e deverá somar 290 neste ano, ante 215 em 2018. Em todo o país são 2,5 mil famílias, concentradas em São Paulo, Mato Grosso do Sul e Paraná, sendo o último responsável por 84% da produção brasileira.

Em São Paulo, são 890 hectares dedicados ao cultivo de amoreiras e aos barracões para a criação das larvas. Na próxima safra, a área deve chegar a 1.050 hectares. Ainda é pouco perto da área dos anos 1990, mas indica que há novamente uma mudança em curso na sericicultura nacional.

A atividade voltou a atrair a atenção dos produtores paulistas por causa do aumento dos preços. Nos últimos seis anos, o preço do quilo do casulo verde (com teor líquido de 15%) pago ao produtor aumentou 45,4%, para a referência atual de R$ 16,80. Mas o valor pode chegar a R$ 25 dependendo da qualidade do fio. Na safra passada, a referência foi de R$ 16 por quilo, com picos de R$ 20.

Bolsa família

O orçamento do governo federal prevê R$ 30,1 bilhões para o Bolsa Família neste ano. Com a concessão do 13º, deverão ser reservados mais R$ 2,6 bilhões para esse fim. Segundo os dados mais recentes do Ministério da Cidadania, o Bolsa Família atende 14,1 milhões de famílias – o que representa um valor médio de R$ 187 por família.

Diante desses fatos, precisamos nos perguntar se a concessão do 13º era a melhor opção a ser tomada. Supondo que você, caro(a) leitor(a), ocupasse o lugar de Bolsonaro no Planalto do Planalto e quisesse dar uma turbinada no Bolsa Família, qual opção você tomaria: a) concederia o 13º para os atuais beneficiários; b) autorizaria um reajuste de 8,33% no valor mensal do benefício; ou c) ampliaria a base de atendidos pelo programa, alcançando 1,2 milhão de novas famílias?

Bolsa família II

Com relação à alternativa de ampliar o programa, não devemos perder de vista que, após um ciclo econômico fortemente recessivo do qual ainda estamos longe de nos recuperarmos, o número de pessoas em situação de pobreza cresceu no país. Estudo do Banco Mundial publicado no início do mês indica que houve um aumento de 3 pontos percentuais na taxa de pobreza brasileira entre 2014 e 2017, chegando a 21% da população – o Banco Mundial considera os limiares de US$ 1,90 e US$ 5,50 por dia para definir, respectivamente, extrema pobreza e pobreza.

Neste cenário de expansão da pobreza, faria sentido expandir o número de beneficiários do Bolsa Família, inclusive para minimizar os efeitos da crise sobre a parcela mais vulnerável da sociedade.

Mas o governo do consórcio bolsonarismo optou pela alternativa a. Trata-se da nova/velha forma de governar: desenvolvendo políticas públicas baseadas em evidências… eleitorais. Ao conceder o 13º para o Bolsa Família, Bolsonaro age de forma eleitoreira da forma como ele sempre criticou Lula e o PT.

Indústria de calçados

O Rio Grande do Norte pode fazer com a indústria de movelaria o que o Ceará fez com a indústria de calçados. Os incentivos fiscais atraíram grandes fábricas de calçados para ao Ceará nas últimas décadas. A Grendene, maior exportadora de calçados do país, tem uma unidade no Crato (polo do Cariri), uma em Sobral e outra em Fortaleza. A Vulcabras, dona da marca Olympikus, tem uma unidade em Horizonte, e há outras dezenas de fábricas de todos os portes espalhadas pelo interior do Estado. Juntas, elas somavam pouco mais de 52 mil empregos ao fim de 2017, 17,7% a menos do que em 2014.

Restos a pagar

Os gastos empenhados e não pagos no agregado dos 26 Estados e do Distrito Federal ao fim do ano passado somaram praticamente R$ 100 bilhões.

É um dado adicional no já conhecido cenário de deterioração das contas estaduais, mas que contribui para enxergar a dimensão do problema. O montante de restos a pagar é comparável ao do déficit previdenciário dos Estados que, em 2017, somou R$ 94, 4 bilhões.

O levantamento do Tesouro considera restos a pagar processados e não processados do exercício de 2018 e, também, os acumulados dos anos anteriores. No ano passado, os processados do exercício somaram R$ 53,3 bilhões enquanto os de períodos anteriores foram de R$ 22,2 bilhões. Os não processados referentes ao ano passado totalizaram R$ 18,8 bilhões enquanto os de exercícios anteriores somaram R$ 5,5 bilhões. Os Estados de Alagoas, Rio Grande do Norte, Mato Grosso do Sul e o Distrito Federal não haviam apresentado os dados completos quando o Tesouro fez o levantamento.

Há dois tipos de restos a pagar: os processados e os não processados. Os não processados se referem a despesas que foram apenas empenhadas, mas ainda não foram liquidadas e pagas. Os processados se referem a despesas que foram empenhadas e liquidadas, ou seja, os fornecedores já prestaram os serviços e o Estado tem uma obrigação formal de pagamento.

A conta de restos a pagar faz parte do fluxo natural entre a contratação, a prestação de serviços e o pagamento.

RN tem jeito sim

Muitas pessoas têm nos perguntado se o nosso RN tem jeito. Abaixo coloco dois excelentes exemplos de que precisamos atentar para a captação de investimentos para o Estado. Vejam os exemplos de Pernambuco e do Norte da Argentina na busca por novos investimentos nacional e estrangeiro.

O exemplo de Pernambuco

Dois grupos espanhóis devem ser os investidores do maior complexo de energia fotovoltaica do país, projetado pela Solatio. O empreendimento, em São José do Belmonte (PE), demandará investimento de R$ 3,5 bilhões, sendo 65%  financiado por bancos públicos do Brasil e o restante será aporte de capital.

O complexo de sete usinas em São José do Belmonte, que tem 33 mil habitantes no sertão do estado, terá potência de 1.100 Megawatts. A maior usina solar em atividade no Brasil hoje, em Pirapora (MG), tem um terço desse tamanho. Esse complexo representa a estreia da empresa em empreendimentos com foco no mercado livre. Até agora, as usinas que projetou no país, que somam 1 GW, foram todas com foco no mercado regulado.

O exemplo do Norte da Argentina

No cenário árido e lunar das terras montanhosas e ensolaradas do Norte da Argentina está nascendo a maior fazenda de energia solar da América do Sul, com financiamento e tecnologia da China.

O projeto, chamado Cauchari, expõe a crescente influência de Pequim como financiador de grandes projetos em países emergentes que sofrem de falta de capital. E ajuda a China a solidificar sua posição como líder mundial em tecnologia de energias renováveis.

Josivan Barbosa é professor e ex-reitor da Universidade Federal Rural do Semiárido

Ex-ministro Haddad diz ter “muito carinho” pela Ufersa

Ex-ministro Fernando Haddad foi recebido por candidatos petistas no estado e militantes em Mossoró (Foto: cedida)

Logo que desceu do carro que o transportou nessa quinta-feira (23) do Aeroporto Dix-sept Rosado ao Hotel Garbos, onde se hospeda em Mossoró, o candidato a vice-presidente da República na chapa de Lula da Silva (PT), ex-ministro da Educação Fernando Haddad (PT), indagou de um interlocutor local:

– E como vai a Ufersa (Universidade Federal Rural do Semiárido)?

De chofre adiantou: “Tenho muito carinho por ela.”

Lembrou que à época em que fora ministro, “tinha uma pessoal que dizia que a gente vinha aqui inaugurar um muro”, (sorrindo).

Leia também: Candidato tem problemas para pouso em Mossoró.

* História – O presidente Lula da Silva sancionou a Lei 11.155 que criou a Ufersa no dia 29 de julho de 2005. No dia 1º e agosto do mesmo ano a lei foi publicada no Diário Oficial da União (DOU). Antes, a instituição era denominada de Escola Superior de Agricultura de Mossoró (ESAM).

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História da nossa agricultura irrigada

Por Josivan Barbosa

Muitos técnicos e muitas pessoas de outros setores produtivos nos perguntam quais as razões do sucesso da Agricultura Irrigada no Polo de Agricultura Irrigada RN-CE (Touros – RN a Limoeiro do Norte – CE).

Não conhecemos a história na íntegra, mas quando eu era aluno de Agronomia, no início dos anos 80, não havia, com exceção da Mossoró Agroindustrial S/A (MAISA) que cultivava caju, agroindústria de sucesso na fruticultura.

No Vale do Rio Açu as experiências com a fruticultura estavam apenas iniciando, pois a região tinha sérias limitações com água, o que melhorou a partir da construção da Barragem Armando Ribeiro Gonçalves no anos 80. No Vale do Jaguaribe também não havia experiências de êxito ligadas à atividade de produção de frutas irrigadas.

Não queremos atribuir o sucesso unicamente aos esforços da então Escola Superior de Agricultura de Mossoró (ESAM), hoje Universidade Federal do Semiárido (UFERSA), mas obrigatoriamente, esta instituição teve importância ímpar no processo.

História da nossa agricultura irrigada II

Em 1979 a Direção desta IFE conseguiu aprovar, juntamente com mais cinco universidades do Nordeste (UFC, UFPI, UFRPE e UFPB) um importante projeto de desenvolvimento tecnológico dentro do PDCT (Programa de Desenvolvimento Científico e Tecnológico do Nordeste). A Esam, foi contemplada com recursos da ordem de 45 milhões de dólares por um período de cerca de seis anos.

Os recursos eram provenientes do BID (Banco Interamericano de Desenvolvimento) e do Governo Brasileiro, através do CNPq na proporção de 1:1. Foi o maior projeto da história dessa instituição de ensino superior. Os principais benefícios do projeto para o desenvolvimento da nossa IFE foram:

  • Contratação de 110 profissionais de nível médio e superior (laboratoristas, engenheiros agrônomos, trabalhadores de campo, motoristas, técnicos de informática e técnicos agrícolas)
  • Construção do Laboratório de Água e Solos
  • Construção da Biblioteca Central Orlando Teixeira
  • Aquisição de inúmeros equipamentos científicos de apoio à pesquisa
  • Ampliação do Laboratório de Sementes
  • Ampliação dos Laboratórios de Alimentos
  • Aquisição de inúmeros veículos de apoio à pesquisa
  • Instalação de módulos demonstrativos de irrigação nos municípios de Touros, João Câmara, Mossoró, Baraúna, Gov. Dix-Sept Rosado, Pau dos Ferros, São Miguel, Zé da Penha e Rafael Fernandes. Os módulos eram instalados em áreas particulares, após rígido trabalho de seleção dos beneficiados feito pelos pesquisadores.

História da nossa agricultura irrigada III

A instituição instalou experimentos de pesquisa em várias microrregiões do Estado. Cada módulo demonstrativo era composto de uma área irrigada (2 a 4 hectares de fruteiras – banana, mamão,  goiaba, graviola e maracujá), apicultura, sequeiro (capim buffel) e caprinos (10 matrizes e um reprodutor). Após três anos de instalação dos módulos, eram feitas avaliações. A área de sequeiro mostrou-se ineficiente. A única área de sequeiro que mostrou bom rendimento para o produtor foi o plantio de abacaxi na região de Touros. O abacaxi foi testado na área do Sr. José Joventino. Até hoje aquele produtor ainda cultiva o abacaxi com sucesso. Na região de Touros já havia uma experiência de um produtor oriundo da região de Sapé – PB.

Na época a região plantava apenas 180 hectares de abacaxi, bem diferente de hoje, cuja área, incluindo os municípios de Ielmo Marinho, Pureza e Touros, já se aproxima de 3000 hectares. Nas áreas de sequeiro com capim buffel e algaroba não houve registro de nenhum caso de sucesso. A apicultura foi regular e o destaque ficou por conta das áreas irrigadas, nas quais o produtor conseguia excelentes rendimentos. Um destes exemplos de sucesso foi o plantio de bananeira em consórcio com tomate. Uma das culturas que, também, mostrou excelente rendimento foi mamão formosa. A cultura que se mostrou mais rentável para o produtor foi a banana, seguida de goiaba, graviola, mamão e maracujá. O sistema de irrigação utilizado era o xique-xique (mangueira de polietileno com furos e vazão de 45 – 50 litros/hora).

História da nossa agricultura irrigada IV

O sucesso obtido nos experimentos da nossa universidade com a cultura do mamão, é, em parte, responsável pelo incremento no cultivo desta fruta nos últimos anos no Estado do RN e regiões circunvizinhas. Somente na região da Chapada do Apodi (Baraúna, Quixeré e Limoeiro do Norte), local onde havia um experimento montado pela universidade, já são cultivados, cerca de, 1600 hectares de mamão formosa. Um dos principais produtores do mamão nesta região é o engenheiro agrônomo formado pela nossa universidade e que na época era o técnico executor das pesquisas nos módulos instalados Wilson Galdino de Andrade.

Além disso, na região Agreste já se instalou, nos últimos cinco anos, três conceituadas empresas produtoras de mamão papaia (Caliman, Gaia e Batia) cuja produção de mamão é predominantemente exportada pelo Porto de Natal para a Europa e Estados Unidos. A agroindústria Caliman já está instalada, também, na região de Baraúna, com infra-estrutura para exportar mamão formosa para a Europa, com boas perspectivas de atingir o mercado americano em curto prazo. O mamão formosa produzido na região de Baraúna possui qualidade superior.

No caso da banana, os Agropólos Mossoró-Açu e Chapada do Apodi (Baraúna, Quixeré e Limoeiro do Norte) possuem uma área instalada acima de 5000 hectares, sendo que no Baixo-Açu predomina o cultivo de banana para o mercado externo (Mercosul e Europa) e na Chapada do Apodi o cultivo da banana é direcionado para o mercado interno. Somente numa agroindústria (Frutacor) instalada naquela  micro-região eram produzidos antes do período de seca 1200 hectares e mais 600 hectares oriundos de pequenos produtores agregados.

História da nossa agricultura irrigada V

As outras fruteiras (goiaba e maracujá), como demonstrado nas pesquisas feitas pela universidade, ainda não possuem significado econômico no Estado do Rio Grande do Norte. A agroindústria (Fazenda Frota) instalada em Quixeré na década passada cultivava uma pequena área com goiaba. A partir dessa experiência, outras empresas instalaram pomares de goiaba.  Esse fruto é muito tradicional na região de Petrolina, mas os pomares instalados naquela região têm sido dizimados por nematóides.

O maracujazeiro amarelo foi plantado em grande escala, no final da década de 80 pela MAISA, mas devido à alta incidência de pragas, principalmente fusariose, a empresa foi obrigada a erradicar a cultura. No Estado do Rio Grande do Norte o maracujá está sendo cultivado em pequena escala na região de Ceará Mirim e em algumas micro-regiões serranas. O maracujá consumido no Estado é oriundo do Espírito Santo e do Ceará (Serra de Tianguá).

Mais recentemente a empresa de capital externo (austríaco e italiano) Meri Pobo Agropecuária, instalada em Jaguaruana – CE, iniciou um audacioso projeto de cultivo de maracujá orgânico. A empresa tem como meta produzir 500 ha de maracujá no Polo de Agricultura Irrigada RN-CE.

A graviola ainda é pouco cultivada na região. Há poucos plantios na micro-região de Baraúna e Quixeré. O cultivo é direcionado para a produção de polpa para atender o mercado regional.

Josivan Barbosa é professor e ex-reitor da Universidade Federal Rural do Semiárido (UFERSA)

Liberdade e conhecimento

Por Honório de Medeiros

Uma das consequências do mundo virtual de hoje, ou pós-modernidade, se assim o quiserem denominar, é que somos todos ignorantes no geral e conhecedores no particular. Sabemos cada dia mais acerca de cada dia menos, e, nesse ritmo, talvez saibamos, um dia, individualmente, quase tudo acerca de quase nada.

Isso me lembra algo vivido na adolescência: um Congresso Internacional de Fitopatologia, promovido pela Escola Superior de Agricultura de Mossoró (ESAM), para o qual se anunciou a presença de um belga, professor-doutor, especialista na reprodução de um tipo de mosca sazonal, somente existente em nossos litorais. Ou seja, sabia quase tudo acerca de quase nada.

A verdade é que nosso cérebro possivelmente não suporte fazer a síntese de todo o conhecimento específico ao qual temos acesso, para então estabelecermos generalizações consistentes.

Os troncos que compõem o nosso conhecimento geral, Marx, Freud, Darwin, Einstein, e alguns outros, para ficarmos no século XX, aos poucos estarão de tal forma diluídos na nossa memória, que o conhecimento específico possível e atual, consequências dessas teorias fundantes, de tão afastado do original que o precedeu, dele somente guardará, se guardar, pálida lembrança. É o que se observa, por exemplo, nas citações de trechos descontextualizados de pensadores, possíveis de serem encontrados em trabalhos acadêmicos, com os quais guarda vaga relação.

Vejamos o exemplo da produção dita científica nos mestrados e doutorados, hoje: de tão especializada se apresenta que seus elaboradores passam a ver a realidade por um olho só, quando deveriam ser como Ladão, o dragão com corpo de serpente da mitologia grega, guardião do Pomo das Hespérides, que tinha cem olhos.

Caso queiramos pensar em profundidade, estabelecendo as conexões possíveis do presente com o passado intelectual comum à espécie humana, teremos sempre que nos reconstruir teoricamente, buscando reiteradamente nossas fundações intelectuais, em uma escala que não tem fim, dado o conhecimento existente.

Onde iremos parar?

Não há tecnologia que nos permita esse maciço empreendimento de inferências, de intuições e deduções, partindo-se de premissas gerais que nos conduzam às conclusões possíveis, após relacioná-las com as infinitas possibilidades que são os fatos ou fenômenos atuais.

Experimentem teclar, por exemplo, no Google, o verbete “marxismo”, e constatem a quantidade de textos ao qual o leitor tem acesso!

Assim, em consequência, encastelados em nichos de saber, seremos cada vez mais manipuláveis, posto que os fundamentos do conhecimento que alicerçam nossa compreensão acerca do que nos cerca, como a questão da liberdade, está se esgarçando rapidamente.

Acaso as novas gerações se dão conta das causas e do contexto no qual surgiu a discussão acerca da liberdade?

Sabem do titânico choque de ideias entre Platão e os Sofistas no que diz respeito à relação entre o Homem e sua Realidade Moral? Entendem que a vitória de Platão e o consequente exílio intelectual dos sofistas conduziu a civilização ocidental a um longo período de trevas no que diz respeito à liberdade?

Esgarçamento que ocorre, também, em decorrência da necessidade inexorável de vivermos vertiginosamente uma realidade que não compreendemos, de tão fugaz e complexa, de não podermos parar para compreendê-la, o que torna possível a reconstrução diária, por parte de quem controla a mídia, por exemplo, do sentido do que seja liberdade, ao seu gosto e interesse.

Esse é o processo do qual são criadores e criaturas as elites dominantes.

Não vivemos uma plenitude intelectual; sobrevivemos enquanto espasmos.

Somos iludidos e nos auto-iludimos. Estamos hoje tão nus intelectualmente falando, no que diz respeito ao conhecimento geral, quanto nossos ancestrais mais remotos, quando lutavam em meio hostil, caçando e coletando, muito embora as selvas, os desertos e o gelo, onde nos debatemos hoje, sejam de outro tipo.

Como não podemos Conhecer, com C maiúsculo, somos manipuláveis.

Somos crianças com os conhecimentos específicos necessários para sobrevivermos e alimentarmos a realidade que nos nutre e da qual nos alimentamos. Sabemos, como dito acima, cada dia mais acerca de cada dia menos. Sabemos quase tudo, cada dia, sobre quase nada. Este é nosso destino, nossa glória, nosso ocaso…

E como sabemos cada dia mais acerca de cada dia menos, e somos impelidos a tal, e aceitamos, para sobrevivermos na superfície da realidade, com uma extrema especialização decorrente da divisão do trabalho que nos é imposta, perdemos o contato com o restante do todo, e, em nossa ignorância quanto a esse fato, nos curvamos aos que vêm nos dizer o que nós somos e como devemos fazer em relação às pessoas, às coisas e aos fenômenos.

Somos instados, manipulados, a não perguntarmos acerca do que nos dizem ou escrevem, para não escutarmos que se não nos perguntam acerca do que conhecemos, porque devemos indagar acerca do que não conhecemos?

Cada qual com seu cada qual. É dessa forma, por exemplo, que as finanças públicas, constituídas pelo nosso suor, às vezes nosso sangue, são um verdadeiro mistério.

Razões de Estado, diriam…

Viveremos, no futuro, como os seres humanos de Matrix, sonhando que viviam, quando viviam para sonhar, enquanto a máquina que os mantinha imersos em sonhos, e que é uma alegoria do Estado, se nutria desse sono eterno?

Honório de Medeiros é professor, escritor e ex-secretário da Prefeitura do Natal e do Governo do RN

Grevistas vão lembrar os 10 anos da Ufersa

Professores, servidores e estudantes da Universidade Federal Rural do Semiárido (Ufersa) realizam na quarta-feira (05), a partir das 7h, um ato público em frente à instituição.  A atividade é denominada de “UFERSA, 10 Anos: E agora? Contra os cortes e por mais investimentos na educação pública”.

Relembra o recente aniversário de 10 anos da transformação da Escola Superior de Agronomia de Mossoró (Esam) em Ufersa.

Docentes e servidores da Ufersa encontram-se em greve desde o dia 28 de maio. Em sua pauta de reivindicações as categorias lutam pela defesa do caráter público da universidade, contra os cortes orçamentários, melhores condições de trabalho e ensino, garantia da autonomia universitária, reestruturação da carreira docente e valorização salarial de ativos e aposentados, além de um reajuste salarial de 27,3% em parcela única.

Professor da antiga “Esam” morre em Fortaleza

Quem me passa a notícia é meu querido amigo Evaristo Nogueira, radialista e narrador esportivo de carreira consolidada em Fortaleza-CE. Notícia triste, infelizmente.

Relata a morte do professor José Júlio da Ponte Filho, que atuou nos primórdios da Escola Superior de Agricultura de Mossoró (ESAM), hoje Universidade Federal Rural do Semiárido (UFERSA).

Veja o que ele nos conta:

O professor e cientista José Júlio da Ponte Filho morreu na tarde de ontem (segunda-feira, 18), aos 78 anos, no Hospital Regional da Unimed (Fortaleza-CE), vítima de uma parada cardíaca.

Professor emérito de Agronomia da Universidade Federal do Ceará (UFC), Júlio estava internado no hospital há mais de 15 dias por causa de uma pneumonia e infecção. Ele graduou-se em 1958 como engenheiro agrônomo pela UFC. Também foi presidente da Academia Cearense de Ciências e fez parte da Academia de Ciências de Nova York.

Caro Carlos Santos, o professor José Júlio da Ponte foi por muitos anos professor da antiga Esam. Além de grande professor, se notabilizou ao tirar os alunos da Esam da sala de aula, e deu uma aula a um jumento em plena escola (risos).

Foi motivo de uma entrevista no programaprograma do Jô Soares. As primeiras turmas da Esam tiveram a participação do notável Zé Júlio.

Evaristo Nogueira (direto de Fortaleza, para Blog Carlos Santos)